{"id":76212,"date":"2023-03-06T14:39:38","date_gmt":"2023-03-06T14:39:38","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=76212"},"modified":"2023-03-06T14:39:41","modified_gmt":"2023-03-06T14:39:41","slug":"portugal-dia-internacional-de-luta-da-mulher-trabalhadora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/03\/06\/portugal-dia-internacional-de-luta-da-mulher-trabalhadora\/","title":{"rendered":"Portugal: Dia Internacional de Luta da Mulher Trabalhadora"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Neste ano, o 8 de mar\u00e7o, data que marca internacionalmente a luta das mulheres trabalhadoras, acontece no contexto de uma crise social que se aprofunda, em todo o mundo e tamb\u00e9m em Portugal, nas vidas das mulheres.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Marina Peres&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Diferen\u00e7as salariais agravam-se perante a infla\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2020, a diferen\u00e7a salarial entre homens e mulheres em Portugal era, segundo o Eurostat, de 13,3%. \u00c9 como se, ao final de um ano de trabalho, as mulheres tivessem trabalhado 48 dias sem receber. Em fevereiro deste ano, a ACT notificou mais de 1500 empresas por persistirem estas diferen\u00e7as salariais.<\/p>\n\n\n\n<p>Recebendo sal\u00e1rios mais baixos, as mulheres s\u00e3o particularmente afetadas pela alta dos pre\u00e7os e pela crise habitacional, sendo muitas delas o sustento de fam\u00edlias inteiras. As mulheres racializadas e imigrantes, tantas vezes em trabalhos prec\u00e1rios nas limpezas, na restaura\u00e7\u00e3o ou na hotelaria, onde sequer t\u00eam contrato, ainda mais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A viol\u00eancia num beco sem sa\u00edda<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ref\u00e9ns desta precariedade e das rendas que custam mais do que um sal\u00e1rio m\u00ednimo, as mulheres que sofrem situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia dom\u00e9stica enfrentam imensos obst\u00e1culos para romper os ciclos de viol\u00eancia, quando o Governo pouco se preocupa em garantir pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes para combater esta a viol\u00eancia. As mulheres negras e imigrantes sofrem ainda mais viol\u00eancia por parte do Estado, com a crescente brutalidade policial que atinge os seus filhos e a elas pr\u00f3prias. Esse \u00e9 o caso de Cl\u00e1udia Sim\u00f5es, v\u00edtima de agress\u00f5es racistas por um policial, que 3 anos depois ser\u00e1 levada a julgamento como se tamb\u00e9m fosse agressora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Destrui\u00e7\u00e3o do SNS ataca as mulheres<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A verdade \u00e9 que o Governo do Partido Socialista(PS), comprometido com os interesses da banca e da Uni\u00e3o Europeia, pouco se importa com as vidas das mulheres.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo se v\u00ea na falta de investimentos no Sistema Nacional de Sa\u00fade (SNS) que, entre outras coisas, hoje resulta no escandaloso encerramento alternado de maternidades porque a insufici\u00eancia de m\u00e9dicos n\u00e3o permite assegurar as escalas de urg\u00eancias de ginecologia e obstetr\u00edcia. O Governo diz que estuda alternativas provis\u00f3rias &#8211; mas n\u00e3o fala no necess\u00e1rio investimento no SNS. \u00c9 tamb\u00e9m neste contexto que cada vez mais mulheres denunciam casos de viol\u00eancia obst\u00e9trica &#8211; muitas vezes discriminat\u00f3ria contra mulheres racializadas e imigrantes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>16 anos da legaliza\u00e7\u00e3o do aborto em Portugal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A 11 de fevereiro deste ano, completaram-se 16 anos do referendo que aprovou a legaliza\u00e7\u00e3o da interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez (IVG) em Portugal. A legaliza\u00e7\u00e3o da IVG foi um important\u00edssimo avan\u00e7o, reduzindo em Portugal os perigosos abortos clandestinos que vitimam por todo o mundo in\u00fameras mulheres, principalmente mulheres pobres, racializadas, imigrantes e em situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade social.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rios obst\u00e1culos \u00e0 efetiva\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 IVG persistem: as mulheres ainda enfrentam o estigma, a obriga\u00e7\u00e3o a per\u00edodos de reflex\u00e3o (que se podem transformar em press\u00e3o para que n\u00e3o realizem a IVG) e o curto prazo no qual podem legalmente recorrer \u00e0 IVG (10 semanas). E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3: em 2022, a Dire\u00e7\u00e3o-Geral da Sa\u00fade chegou a anunciar que iria implementar uma penaliza\u00e7\u00e3o \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos de fam\u00edlia que realizassem IVG em pacientes, tendo apenas voltado atr\u00e1s depois da p\u00e9ssima repercuss\u00e3o da not\u00edcia. Mas ficou o alerta: \u00e9 preciso defender este direito e continuar a lutar para o fazer valer!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A luta por direitos das mulheres \u00e9 contra o Governo Costa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na luta pelos direitos das mulheres, n\u00e3o podemos depositar nenhuma esperan\u00e7a neste Governo, que despeja o pre\u00e7o da crise econ\u00f3mica dos capitalistas sobre os ombros dos setores mais explorados e oprimidos da classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste 8 de mar\u00e7o, \u00e9 preciso seguir o exemplo das professoras e trabalhadoras da educa\u00e7\u00e3o, que nos \u00faltimos meses organizaram em Portugal uma greve hist\u00f3rica, com as maiores manifesta\u00e7\u00f5es que se viu em muitos anos no pa\u00eds: \u00e9 preciso tomar as ruas em luta pelos direitos da mulher trabalhadora!<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste ano, o 8 de mar\u00e7o, data que marca internacionalmente a luta das mulheres trabalhadoras, acontece no contexto de uma crise social que se aprofunda, em todo o mundo e tamb\u00e9m em Portugal, nas vidas das mulheres. 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