{"id":76199,"date":"2023-03-07T13:06:02","date_gmt":"2023-03-07T13:06:02","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=76199"},"modified":"2023-03-09T11:47:09","modified_gmt":"2023-03-09T11:47:09","slug":"por-um-8-de-marco-internacionalista-e-de-luta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/03\/07\/por-um-8-de-marco-internacionalista-e-de-luta\/","title":{"rendered":"Declara\u00e7\u00e3o| Por um 8 de mar\u00e7o internacionalista e de luta"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Mais um 8 de mar\u00e7o se aproxima e n\u00f3s mulheres trabalhadoras sairemos \u00e0s ruas para empunhar com energia e determina\u00e7\u00e3o nossas bandeiras de luta. Exemplos n\u00e3o nos faltam.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>N\u00e3o \u00e9 de hoje que vimos assistindo importantes lutas na qual as mulheres cumprem um papel de destaque, sendo protagonistas ou participando ativamente, animando as trabalhadoras de todo o mundo a se organizarem contra a viol\u00eancia, a desigualdade e a explora\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Declara\u00e7\u00e3o da LIT-QI<\/p>\n\n\n\n<p>Na Ucr\u00e2nia, mais de um ano depois de iniciada a guerra, as mulheres seguem desafiando junto com seus companheiros da resist\u00eancia, a tirania de Putin e a ocupa\u00e7\u00e3o de seu pa\u00eds pelo ex\u00e9rcito russo, levantando e empunhando suas armas e impedindo o avan\u00e7o inimigo opressor.&nbsp;No Ir\u00e3, o levante das mulheres por vida e liberdade, desencadeado contra o regime dos aiatol\u00e1s e o governo de Raisi, ap\u00f3s a morte de Mahsa Amini, a jovem curda que morreu nas m\u00e3os da patrulha de \u201ccostumes\u201d, exp\u00f4s toda a superexplora\u00e7\u00e3o e mis\u00e9ria das mulheres trabalhadoras, encobertos por dogmas religiosos; apontando como sa\u00edda a luta e resist\u00eancia do povo desse pa\u00eds. No Reino Unido, diversas categorias realizaram a maior greve em d\u00e9cadas, com uma forte presen\u00e7a feminina. Olhando para o conjunto das mulheres no mundo hoje, s\u00e3o esses os exemplos que devemos seguir, ao mesmo tempo que \u00e9 necess\u00e1rio cobri-los de solidariedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Se em 1917 foram as trabalhadoras russas que aceitaram o desafio de converter o Dia Internacional da Mulher num importante dia de protestos e greves contra a guerra e contra a fome; transformando a data no estopim da revolu\u00e7\u00e3o mais importante que a classe trabalhadora j\u00e1 vivenciou; cabe a n\u00f3s neste momento: trabalhadoras de todas as partes do planeta; impulsionarmos um 8 de mar\u00e7o internacionalista e de luta, resgatando a heran\u00e7a socialista do dia da mulher e os m\u00e9todos tradicionais de luta da classe, para darmos um basta \u00e0 opress\u00e3o, \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 explora\u00e7\u00e3o capitalista e exigirmos nossos direitos e nossa liberdade. Nesse processo devemos contar com o apoio dos homens trabalhadores, que devem romper com o machismo e ser parte ativa da luta das mulheres, refor\u00e7ando os la\u00e7os de solidariedade e uni\u00e3o entre trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00f3s mulheres trabalhadoras n\u00e3o vamos pagar pela crise capitalista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s mulheres trabalhadoras fomos as mais golpeadas pela crise capitalista, potencializada pela pandemia. Segundo as pr\u00f3prias ag\u00eancias internacionais do imperialismo a desigualdade social, de classe, g\u00eanero e ra\u00e7a chegou a limites absurdos. Segundo a OIT e a ONU, 207 milh\u00f5es de pessoas est\u00e3o desocupadas no mundo atualmente e um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o mundial vive em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar. As mulheres s\u00e3o as maiores v\u00edtimas da depress\u00e3o do mercado de trabalho e da fome, para cada homem desempregado existem duas mulheres nessa condi\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m somos n\u00f3s as que mais sofremos com o emprego prec\u00e1rio, a informalidade, o trabalho parcial e os baixos sal\u00e1rios. Sem falar na desigualdade salarial e na sobrecarga dom\u00e9stica.<\/p>\n\n\n\n<p>Pior ainda para as mulheres n\u00e3o brancas, as imigrantes e as LBTIs, pois a combina\u00e7\u00e3o de machismo e outras formas de opress\u00e3o como o racismo, a xenofobia e a LGBTIfobia, imp\u00f5e ainda mais humilha\u00e7\u00f5es, mais pobreza, mais desigualdade e mais viol\u00eancias \u00e0s mulheres negras, ind\u00edgenas, imigrantes, mulheres trans, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo esse quadro macabro de desigualdade e pobreza feminina foi agravado pela guerra na Ucr\u00e2nia. Na Am\u00e9rica Latina e Caribe o aumento dos pre\u00e7os internacionais de alimento e insumos afetou particularmente os mais pobres, ou seja, as mulheres. Por outro lado, dos 8 milh\u00f5es de refugiados ucranianos vivendo na Europa atualmente, 65% s\u00e3o mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>A isso se soma os abusos, os ass\u00e9dios e os feminic\u00eddios, sendo que a desigualdade econ\u00f4mica dificulta e em certos casos impossibilita a mulher de escapar do ciclo da viol\u00eancia. Fatores como emprego e renda que permitam sustentar a n\u00f3s mesmas e aos nossos filhos caso seja necess\u00e1rio abandonar um lar violento s\u00e3o cruciais para romper com o ciclo da viol\u00eancia. &nbsp;O mesmo se pode dizer dos planos de ajuste e das contrarreformas sociais aplicadas por governos no mundo afora \u2014sejam os de direita e extrema direita, mas tamb\u00e9m os progressistas e autodeclarados de esquerda que governam segundo os interesses burgueses e imperialistas\u2014 j\u00e1 que os cortes p\u00fablicos afetam programas de enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia e apoio \u00e0s v\u00edtimas, cujas mulheres pobres s\u00e3o as que mais necessitam.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, nesse 8 de mar\u00e7o devemos gritar em alto e bom som que n\u00e3o vamos pagar pela crise capitalista. Exigimos <strong>emprego, sal\u00e1rio e direitos, trabalho igual para sal\u00e1rio igual e socializa\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico<\/strong> (lavanderias e restaurantes p\u00fablicos, creches e escolas em tempo integral, etc), al\u00e9m de medidas concretas para o enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia: <strong>campanhas educativas, puni\u00e7\u00e3o aos agressores e a assist\u00eancia integral \u00e0s mulheres v\u00edtimas<\/strong>, o que requer vontade pol\u00edtica e recursos p\u00fablicos.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pelo direito \u00e0 nossa auto determina\u00e7\u00e3o: Aborto legal, seguro e gratuito e sem restri\u00e7\u00f5es para todas as mulheres!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, n\u00e3o podemos aceitar a pol\u00edtica reacion\u00e1ria que criminaliza e\/ou restringe o aborto e condena milhares de mulheres pobres a arriscar sua sa\u00fade e suas vidas em procedimentos inseguros para poderem exercer sua autodetermina\u00e7\u00e3o.&nbsp; A criminaliza\u00e7\u00e3o e\/ou restri\u00e7\u00f5es ao aborto n\u00e3o impede que seja realizado, somente condena milhares de mulheres pobres e pessoas com capacidade de gestar (mulheres, homens trans, pessoas n\u00e3o bin\u00e1rias) a procedimentos inseguros.<\/p>\n\n\n\n<p>A criminaliza\u00e7\u00e3o do aborto \u00e9 parte da tentativa de manter o controle da reprodu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho para explora\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do controle dos corpos das mulheres trabalhadoras. Mas, a fim de garantir a reprodu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho ao menor custo poss\u00edvel, o capitalismo coloca as mulheres trabalhadoras diante de uma disjuntiva imposs\u00edvel: por um lado busca controlar e limitar nossa capacidade reprodutiva, e tamb\u00e9m nossos corpos e o direito a uma sexualidade livre, ao mesmo tempo se recusa a arcar com o custo social do trabalho reprodutivo, tanto da reprodu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica quanto social (o cuidado de crian\u00e7as e idosos, sua alimenta\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o, higiene e sa\u00fade, etc).<\/p>\n\n\n\n<p>Chega de hipocrisia. Da mesma forma como \u00e9 necess\u00e1rio garantias para que possamos exercer a maternidade de forma digna, nossa escolha por n\u00e3o ser m\u00e3e ou o momento de s\u00ea-lo tamb\u00e9m deve ser respeitado e assegurado, como parte da luta por nossa autodetermina\u00e7\u00e3o, e de nossos direitos sexuais e reprodutivos. N\u00f3s, mulheres trabalhadoras temos o direito de decidir, sem correr o risco de morrer. Por isso defendemos o <strong>direito ao aborto, seguro e gratuito, sem restri\u00e7\u00f5es, para todas as mulheres.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tomar as ruas em defesa das nossas bandeiras de luta e pelo socialismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Somente com a mobiliza\u00e7\u00e3o manteremos nossos direitos conquistados e conquistaremos novos. Nesse processo devemos confiar somente nas nossas for\u00e7as e na classe trabalhadora. Para isso devemos manter nossa independ\u00eancia pol\u00edtica e de classes, pois as mulheres burguesas ainda que possam se colocar em marcha na luta contra a opress\u00e3o, n\u00e3o tem o interesse de acabar com seus privil\u00e9gios de classe. Por isso, se bem \u00e9 necess\u00e1rio golpearmos juntas contra o machismo, \u00e9 preciso marcharmos separadas, j\u00e1 que nossa luta estrat\u00e9gica \u00e9 contra esse sistema de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o, que fomenta e reproduz todas as opress\u00f5es e \u00e9 respons\u00e1vel por todas as desigualdades. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse 8 de mar\u00e7o, fazemos um convite \u00e0s mulheres trabalhadoras que venham tomar as ruas e lutar por nossos direitos. Ao mesmo tempo fazemos um chamado a que venham conhecer e fortalecer a LIT-QI, entendendo que a luta imediata das mulheres deve ser parte da batalha estrat\u00e9gica pelo socialismo, pois somente com o fim do capitalismo poderemos libertar verdadeiramente as mulheres trabalhadoras.<\/p>\n\n\n\n<p>Viva a luta das mulheres! Viva o socialismo!<\/p>\n\n\n\n<p>LIT-QI, 03 de mar\u00e7o de 2023<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais um 8 de mar\u00e7o se aproxima e n\u00f3s mulheres trabalhadoras sairemos \u00e0s ruas para empunhar com energia e determina\u00e7\u00e3o nossas bandeiras de luta. Exemplos n\u00e3o nos faltam. 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