{"id":76189,"date":"2023-03-06T14:41:18","date_gmt":"2023-03-06T14:41:18","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=76189"},"modified":"2023-03-06T14:41:21","modified_gmt":"2023-03-06T14:41:21","slug":"estado-espanhol-a-igualdade-nao-pode-ser-um-slogan-vamos-defende-la-nas-ruas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/03\/06\/estado-espanhol-a-igualdade-nao-pode-ser-um-slogan-vamos-defende-la-nas-ruas\/","title":{"rendered":"Estado espanhol: A igualdade n\u00e3o pode ser um slogan: Vamos defend\u00ea-la nas ruas!"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Neste ano, o 8 de mar\u00e7o vem marcado pelo ano eleitoral e importantes vit\u00f3rias gra\u00e7as \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m pelo in\u00edcio de um ano tr\u00e1gico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s agress\u00f5es e assassinatos machistas. E um contexto de infla\u00e7\u00e3o, crise e mis\u00e9ria crescentes que atingem em cheio as vidas da classe trabalhadora, especialmente das mulheres.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Corriente Roja<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Precariedade tem nome de mulher<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aproximadamente 3 milh\u00f5es de contratos s\u00e3o em tempo parcial. Destes, mais de 70% pertencem a mulheres. 54% das fam\u00edlias monoparentais est\u00e3o em risco de pobreza, e quase 64% das aposentadas\/pensionistas recebem um valor que n\u00e3o chega a 1000\u20ac. A brecha salarial de g\u00eanero alcan\u00e7a 20%, segundo um informe recente do sindicato CCOO(Confedera\u00e7\u00e3o sindical de Comiss\u00f5es Oper\u00e1rias).<\/p>\n\n\n\n<p>Se com a crise de 2007 retrocedemos em direitos trabalhistas, a pandemia e a infla\u00e7\u00e3o aprofundaram nossa desigualdade. A infla\u00e7\u00e3o fechou 2022 com 8,4%, mas o pre\u00e7o dos alimentos, alugu\u00e9is, gastos de luz ou g\u00e1s continua disparado. A isso se acrescenta o espetacular aumento das hipotecas a juros vari\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Um cen\u00e1rio cru no qual milh\u00f5es de mulheres, sobretudo as mais jovens, n\u00e3o conseguem a independ\u00eancia nem ter condi\u00e7\u00f5es de vida dignas, e que \u00e9 terreno f\u00e9rtil para o aumento das opress\u00f5es e a viol\u00eancia machista.<\/p>\n\n\n\n<p>A tudo isso, se soma o ataque aos servi\u00e7os p\u00fablicos que estamos presenciando desde a crise de 2007: cortes na sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, servi\u00e7os socio sanit\u00e1rios, etc., que incidiram tamb\u00e9m na vida das mulheres trabalhadoras, pois s\u00e3o setores de trabalho altamente feminizados, e porque os cuidados acabam recaindo sobre n\u00f3s no \u00e2mbito privado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A luta paga: as vit\u00f3rias do movimento e suas limita\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Este governo aprovou medidas que agrupam limitada e parcialmente algumas das demandas nas ruas e de anos de luta. &nbsp;Como a lei <a href=\"https:\/\/www.corrienteroja.net\/a-vueltas-con-la-ley-del-solo-si-es-si\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">lei org\u00e2nica de garantia integral da liberdade sexual<\/a>&nbsp;(lei do \u201cs\u00f3 o sim \u00e9 sim\u201d). Esta lei, que coloca no centro o consentimento, est\u00e1 tendo, desde novembro, um gotejamento constante de redu\u00e7\u00e3o de penas. O Partido Podemos aponta que o problema \u00e9 a aplica\u00e7\u00e3o da lei pela justi\u00e7a machista. E n\u00f3s nos perguntamos: por que n\u00e3o aproveitam, ent\u00e3o, para denunciar e exigir a depura\u00e7\u00e3o total de todos os ju\u00edzes e ju\u00edzas herdeiros do franquismo?<\/p>\n\n\n\n<p>Outro exemplo \u00e9 a nova lei do aborto, que devolve \u00e0s menores de 16-17 anos o direito de abortar sem consentimento paterno e elimina os tr\u00eas dias pr\u00e9vios de reflex\u00e3o obrigat\u00f3rios, mas continua mantendo o aborto no c\u00f3digo penal. Ou a lei trans, que elimina a necessidade de um diagn\u00f3stico psiqui\u00e1trico e dois anos de tratamento hormonal como requisito para modificar a men\u00e7\u00e3o de sexo registral, mas exclui as pessoas menores de idade e as pessoas n\u00e3o bin\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Por \u00faltimo, o subs\u00eddio por desemprego \u00e0s trabalhadoras dom\u00e9sticas que, tira um pouco a escravid\u00e3o das atingidas, mas continua sendo insuficiente pela sua falta de car\u00e1ter retroativo, o barato que continua saindo despedir uma empregada dom\u00e9stica e, uma vez mais, porque exclui todas as trabalhadoras migrantes em situa\u00e7\u00e3o irregular, como acontece com as leis anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas estas leis s\u00e3o o resultado de anos de lutas e, ainda assim, continuam sendo insuficientes e temos que continuar lutando para dot\u00e1-las de recursos para que sejam aplicadas eficientemente e incluam todas nossas demandas. Embora nos deixem em melhores condi\u00e7\u00f5es para continuar lutando, n\u00e3o acabar\u00e3o, a partir da raiz, com nossa desigualdade, discrimina\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia porque n\u00e3o v\u00e3o na origem de suas causas estruturais, que n\u00e3o s\u00e3o outras sen\u00e3o este sistema capitalista de opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O governo com mais autopromo\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Poderia se pensar que com o \u201cgoverno mais progressista da hist\u00f3ria\u201d que aprova leis feministas, a situa\u00e7\u00e3o das mulheres trabalhadoras teria melhorado, mas a realidade \u00e9 que com a reforma trabalhista de Yolanda D\u00edaz esta precariedade s\u00f3 foi agravada. N\u00e3o vale nada eliminar um contrato fraude (o de obra e servi\u00e7o) por outro que estabelece a temporalidade, o fixo-descont\u00ednuo. Na pr\u00e1tica, depois de prometer e prometer que revogariam a reforma trabalhista de Rajoy (2012), a \u00fanica coisa que fizeram foi consolid\u00e1-la. Esta nova reforma n\u00e3o regulou a subcontrata\u00e7\u00e3o, institucionaliza os ERTEs (Expediente de Regula\u00e7\u00e3o Tempor\u00e1rio de Emprego) e deixa intactos todos os mecanismos de demiss\u00e3o massiva e barata da reforma anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito \u00e0 viol\u00eancia machista, 48 mulheres foram assassinadas pela viol\u00eancia machista no Estado Espanhol em 2022. Destas 48, quase metade das assassinadas haviam apresentado den\u00fancia, o que demonstra os poucos recursos colocados para escapar desta viol\u00eancia. A este n\u00famero, se soma um tr\u00e1gico in\u00edcio de ano: em 13 de fevereiro, o Estado Espanhol havia vivido 14 feminic\u00eddios.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o nos contentamos com a estat\u00edstica, n\u00e3o queremos ser um n\u00famero a mais em seus informes. Denunciamos estes feminic\u00eddios porque podem ser evitados com condi\u00e7\u00f5es trabalhistas e sal\u00e1rios dignos que nos permitam escapar, moradia social e servi\u00e7os p\u00fablicos de qualidade. Por isso denunciamos a hipocrisia do governo que nos d\u00e1 com uma m\u00e3o o que nos tira com a outra.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A igualdade n\u00e3o pode ser um slogan: Saiamos \u00e0s ruas para defend\u00ea-la!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para n\u00f3s, o 8 de mar\u00e7o \u00e9 o dia das mulheres trabalhadoras, um dia de luta e que abra\u00e7a toda a classe trabalhadora que, longe de caricaturas, \u00e9 diversa, feminina, negra e LGBTI.<\/p>\n\n\n\n<p>No 8M sobram banqueiras, empres\u00e1rias ou rainhas. E tamb\u00e9m deputadas ou ministras de governos que aprovam medidas que agravam nossa precariedade e nos deixam desprotegidas frente \u00e0 viol\u00eancia machista. N\u00e3o podemos nos contentar com a aprova\u00e7\u00e3o de leis que possam ser revogadas a qualquer momento, nem na esperan\u00e7a de votar a cada 4 anos na op\u00e7\u00e3o menos ruim.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste sistema, a burguesia utiliza as opress\u00f5es para nos dividir e, explorar mais a um setor da classe trabalhadora. Necessitamos conseguir medidas que nos coloquem em melhores condi\u00e7\u00f5es para continuar lutando por uma sociedade socialista, que \u00e9 a \u00fanica que colocar\u00e1 as bases materiais para erradicar toda a desigualdade. Para isso, \u00e9 preciso recuperar a unidade de toda a classe trabalhadora, combatendo o machismo nas organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias, populares e estudantis. Por isso, chamamos a sair nas ruas neste 8M e continuar lutando por:<\/p>\n\n\n\n<p>A revoga\u00e7\u00e3o das reformas trabalhistas e em defesa de um sistema p\u00fablico de aposentadorias\/pens\u00f5es. Basta de brecha de g\u00eanero. Empregos, sal\u00e1rios e aposentadorias\/pens\u00f5es dignas com revis\u00e3o autom\u00e1tica conforme o IPC (\u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor).<\/p>\n\n\n\n<p>Por servi\u00e7os 100% p\u00fablicos e de qualidade. Basta de dupla jornada de trabalho: investimento p\u00fablico em refeit\u00f3rios e atividades extraescolares, escolas infantis, creches e atendimento residencial para pessoas idosas e dependentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Recursos para preven\u00e7\u00e3o, atendimento e prote\u00e7\u00e3o contra toda forma de viol\u00eancia machista. Depura\u00e7\u00e3o do sistema judicial, educa\u00e7\u00e3o sexual e em igualdade na escola p\u00fablica! Fora a igreja das nossas aulas!<\/p>\n\n\n\n<p>Aborto livre, universal e gratuito na sa\u00fade p\u00fablica! Revoga\u00e7\u00e3o da lei de estrangeiros e medidas reais e efetivas para acabar com o tr\u00e1fico e a prostitui\u00e7\u00e3o. Autodetermina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, tamb\u00e9m para menores, n\u00e3o bin\u00e1rios e migrantes!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por um 8M de luta e internacionalista&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o pod\u00edamos terminar estas linhas sem mencionar as mulheres que, em todo o mundo, lutam incansavelmente, como \u00e9 o caso das mulheres da Palestina, resistindo frente ao regime genocida israelense, ou as mulheres no Ir\u00e3, liderando a rebeli\u00e3o contra o regime dos aiatol\u00e1s, ou as mulheres ucranianas, que combatem junto aos seus companheiros na resist\u00eancia oper\u00e1ria contra a invas\u00e3o russa. Que viva o 8M, de classe e internacionalista!<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste ano, o 8 de mar\u00e7o vem marcado pelo ano eleitoral e importantes vit\u00f3rias gra\u00e7as \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m pelo in\u00edcio de um ano tr\u00e1gico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s agress\u00f5es e assassinatos machistas. E um contexto de infla\u00e7\u00e3o, crise e mis\u00e9ria crescentes que atingem em cheio as vidas da classe trabalhadora, especialmente das mulheres. Por: Corriente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":76191,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[8548,3512,3493,3923],"tags":[8549,229],"class_list":["post-76189","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-8m-2023","category-estado-espanhol","category-mulheres","category-opressao","tag-8m-2023","tag-corriente-roja"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/8M-1068x601-1.png","categories_names":["8M 2023","Estado Espanhol","Mulheres","Opress\u00e3o"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76189","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76189"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76189\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":76217,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76189\/revisions\/76217"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/76191"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76189"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76189"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76189"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}