{"id":76183,"date":"2023-03-03T01:55:16","date_gmt":"2023-03-03T01:55:16","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=76183"},"modified":"2023-03-13T14:15:05","modified_gmt":"2023-03-13T14:15:05","slug":"atividades-de-apoio-a-resistencia-ucraniana-na-franca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/03\/03\/atividades-de-apoio-a-resistencia-ucraniana-na-franca\/","title":{"rendered":"Atividades de apoio \u00e0 resist\u00eancia ucraniana na Fran\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<p>Em 23 de fevereiro de 2023, a RESU, a Rede Europeia de Solidariedade com a Ucr\u00e2nia, organizou um ato p\u00fablico de apoio \u00e0 resist\u00eancia ucraniana com um n\u00edtido car\u00e1ter de classe. Entre os oradores estava o camarada Yuri Samoilov, presidente do Sindicato Mineiro Independente de Kryvyi Rih no sudeste da Ucr\u00e2nia, que representa mais de 2.000 trabalhadores, principalmente metal\u00fargicos, e que foi o primeiro a falar.<\/p>\n\n\n\n<p>Por: Florence Oppen<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira coisa que Yuri enfatizou foi a diferen\u00e7a radical entre viver e trabalhar na Ucr\u00e2nia hoje e faz\u00ea-lo em qualquer outro pa\u00eds europeu: <em>\u201cSa\u00ed da Ucr\u00e2nia h\u00e1 uma semana e desde que sa\u00ed tive tr\u00eas grandes choques: primeiro aqui n\u00e3o t\u00eam alertas a\u00e9reos, em segundo lugar, t\u00eam luz e eletricidade em todos os lugares e, em terceiro, quando participo desse tipo de reuni\u00e3o na Europa, temo que o toque de recolher vai acontecer em breve e tenho que me apressar para voltar para casa. Hoje na Ucr\u00e2nia tudo \u00e9 branco ou preto, n\u00e3o h\u00e1 tons de cinza\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em seu discurso, o dirigente mineiro enfatizou o envolvimento dos trabalhadores, e especialmente dos oper\u00e1rios, na resist\u00eancia ucraniana, j\u00e1 que ela vem de um dos centros oper\u00e1rios do pa\u00eds, Kryvyi Rih, onde vivem 250 mil trabalhadores industriais. Dos 2.500 trabalhadores de seu sindicato, 300 foram mobilizados para a frente de batalha e hoje participam da resist\u00eancia \u00e0 invas\u00e3o russa. Enquanto est\u00e3o na frente, eles permanecem sendo membros do sindicato que organiza o apoio material e a ajuda \u00e0 frente. Yuri explicou que o governo Zelensky fez ataques \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de trabalho e aos direitos trabalhistas em plena guerra, mas que seu sindicato, como muitos outros, se mobilizou para impedir que esses ataques fossem aplicados na pr\u00e1tica pelos patr\u00f5es. Os efeitos da invas\u00e3o e ocupa\u00e7\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia t\u00eam um n\u00edtido car\u00e1ter de classe, enquanto o povo trabalhador teve que migrar, ir para a frete de batalha, sofrer bombardeios, cortes de energia, priva\u00e7\u00f5es e acima de tudo arriscar suas vidas na frente de batalha, muitos oligarcas russos , como v\u00e1rios oligarcas ucranianos e empresas estrangeiras, hoje, na Ucr\u00e2nia seguem, vivem protegidos fora do pa\u00eds e continuam fazendo neg\u00f3cios com a R\u00fassia em meio \u00e0 guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, em seu discurso, insistiu na import\u00e2ncia da ajuda material direta aos sindicatos e \u00e0 resist\u00eancia oper\u00e1ria que eles t\u00eam recebido da RESU e da Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas: <em>\u201cagradecemos por toda a ajuda que &nbsp;nos deram, nos enviaram geradores que nos ajudam a lutar nas frentes em Bakhmut e Soledar, nos enviaram sacos de dormir que ajudam os soldados ucranianos a dormir aquecidos. Temos membros de nosso sindicato ativos em dois batalh\u00f5es do ex\u00e9rcito ucraniano e um dos comboios de ajuda material foi entregue diretamente em m\u00e3os a um batalh\u00e3o na frente. Para mim \u00e9 muito importante que essa ajuda de oper\u00e1rio para oper\u00e1rio seja direta, que entreguemos as coisas em m\u00e3os e n\u00e3o passemos por intermedi\u00e1rios.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m falou no evento Vitaliy Dudin, representante do Sots\u0456alniy Rukh (Movimento Social) da Ucr\u00e2nia, que denunciou a &#8220;agress\u00e3o imperialista de Putin&#8221; e <em>enfatizou &#8220;a necessidade de continuar a ajuda econ\u00f4mica e militar \u00e0 resist\u00eancia, bem como a import\u00e2ncia de cancelar o pagamento da d\u00edvida externa da Ucr\u00e2nia\u201d<\/em> e a import\u00e2ncia de fortalecer as organiza\u00e7\u00f5es de classe na Ucr\u00e2nia para poder recuperar os direitos sociais perdidos ap\u00f3s a vit\u00f3ria e realizar uma \u201c<em>transforma\u00e7\u00e3o social radical\u201d<\/em> que implemente <em>\u201cpol\u00edticas socialistas<\/em>\u201d. Jean-Pierre Pasternak, porta-voz dos Ucranianos da Fran\u00e7a, organiza\u00e7\u00e3o fundada em 1949 pelos sobreviventes dos campos de concentra\u00e7\u00e3o nazistas que chegaram \u00e0 Fran\u00e7a, e que re\u00fane grande parte da comunidade ucraniana no pa\u00eds, deixou bem n\u00edtido que n\u00e3o podem aceitar <em>&#8220;nenhum tipo de paz com anexa\u00e7\u00f5es&#8221;<\/em> e que a resist\u00eancia ucraniana e seus aliados (a di\u00e1spora ucraniana e os povos solid\u00e1rios com sua causa) <em>&#8220;devem impor uma derrota categ\u00f3rica ao imperialismo russo, pois tamb\u00e9m amea\u00e7a, hoje, a Mold\u00e1via, os Pa\u00edses B\u00e1lticos e a Pol\u00f4nia\u201d. <\/em>A companheira Huayra Llanque, do coletivo feminista RESU e militante da ATTAC, destacou a import\u00e2ncia de tornar vis\u00edvel a perspectiva e o papel das mulheres na resist\u00eancia ucraniana e o manifesto feminista que elas lan\u00e7aram para fazer um apelo internacional \u00e0 solidariedade. Destacou que as mulheres t\u00eam enfrentado agress\u00f5es e estupros por parte do ex\u00e9rcito invasor, mas tamb\u00e9m que est\u00e3o muito ativas na resist\u00eancia e na defesa de seus direitos, tanto em sua luta pela materializa\u00e7\u00e3o do direito ao aborto, legal na Ucr\u00e2nia, mas sem recursos m\u00e9dicos e materiais durante a guerra, como no apoio \u00e0s mulheres polonesas que est\u00e3o lutando pelos direitos reprodutivos nos \u00faltimos anos, j\u00e1 que muitos ativistas ucranianos est\u00e3o na Pol\u00f4nia hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>O ato foi encerrado pelas interven\u00e7\u00f5es s de tr\u00eas representantes (Solidaires, FSU e CGT) da intersindical na Fran\u00e7a que apoia os sindicatos ucranianos, e da RSISL que explicaram as diferentes iniciativas de ajuda material e comboios internacionais aos quais aderiram. Cyb\u00e8le David, da federa\u00e7\u00e3o Solidaires, fez um chamado para continuar <em>&#8220;apoiando a resist\u00eancia sindical e popular na Ucr\u00e2nia, e tamb\u00e9m \u00e0 popula\u00e7\u00e3o bielorrussa e aqueles na R\u00fassia que se op\u00f5em \u00e0 invas\u00e3o&#8221;<\/em> e sair a se manifestar em Paris e outras cidades no s\u00e1bado, dia 25. Tamb\u00e9m enfatizaram a necessidade de organizar a classe trabalhadora para lutar por seus direitos sociais e pol\u00edticos tanto na Fran\u00e7a quanto na Ucr\u00e2nia, conectando as lutas e desenvolvendo a solidariedade internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>O ato do dia 23, no entanto, carecia de uma delimita\u00e7\u00e3o n\u00edtida do governo imperialista franc\u00eas, do imperialismo europeu da UE e da OTAN. Nem uma cr\u00edtica, portanto, \u00e0 pol\u00edtica real de Macron na Ucr\u00e2nia, que continua, como os demais governos da UE, enviando armamento velho e a conta-gotas para a Ucr\u00e2nia enquanto aproveita a guerra para aumentar espetacularmente os gastos militares franceses, refor\u00e7ando seu ex\u00e9rcito imperialista, que reprime protestos na \u00c1frica e em outros pa\u00edses, e para lan\u00e7ar uma corrida armamentista que beneficia os grandes grupos industriais franceses (Airbus Group, Dassault Aviation, Thales, Nexter et). Tamb\u00e9m n\u00e3o foram questionados os planos da UE de \u201creconstruir a Ucr\u00e2nia\u201d por meio de pesados \u200b\u200bempr\u00e9stimos e de um endividamento que compromete qualquer verdadeira independ\u00eancia econ\u00f4mica uma vez que a guerra seja vencida e que busca semicolonizar a Ucr\u00e2nia. \u00c9 por isso que, em cada visita a Kiev, os hierarcas europeus s\u00e3o acompanhados por grandes empres\u00e1rios dos seus pa\u00edses que disputam a espolia\u00e7\u00e3o da reconstru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A capitula\u00e7\u00e3o \u00e0 dire\u00e7\u00e3o atlantista e burguesa manifestou-se abertamente na passeata do s\u00e1bado, dia 25, em Paris, na qual um dos oradores foi Alain Madelin, antigo ministro do governo Chirac e figura p\u00fablica do neoliberalismo pr\u00f3-OTAN ou Bernard Guetta , deputado europeu do LRM, o partido de Macron.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 que destacar que o novo or\u00e7amento militar do governo Macron para o per\u00edodo 2024-2030 ser\u00e1 de 413 bilh\u00f5es de euros, e os gastos com intelig\u00eancia militar aumentar\u00e3o 60%. No total, o gasto militar para os pr\u00f3ximos sete anos vai dobrar em rela\u00e7\u00e3o ao anterior e elevar o gasto militar total para 2,5% do PIB, superando o &#8220;m\u00ednimo&#8221; de 2% estabelecido pela OTAN. Tudo isso enquanto milh\u00f5es de trabalhadores na Fran\u00e7a sofrem os efeitos da infla\u00e7\u00e3o recorde, o fim de diversos aux\u00edlios governamentais para enfrentar a crise social e, evidente est\u00e1, o brutal ataque da reforma previdenci\u00e1ria de Macron.<\/p>\n\n\n\n<p>A grande justificativa para a detestada reforma que tem levado milh\u00f5es \u00e0s ruas (e que provavelmente paralisar\u00e1 o pa\u00eds em 7 de mar\u00e7o) \u00e9 que, segundo o Governo, o sistema de aposentadorias\/pens\u00f5es tem um d\u00e9ficit anual entre 10 e 12 bilh\u00f5es de euros. No entanto, a reforma da previd\u00eancia em meio \u00e0 guerra e corrida armamentista exp\u00f5e as contradi\u00e7\u00f5es e prioridades do governo Macron, j\u00e1 que o or\u00e7amento militar do Estado franc\u00eas em 2022 foi de 41 bilh\u00f5es para defender os interesses das grandes multinacionais francesas em suas zonas de influ\u00eancia. Fica n\u00edtido que o imperialismo franc\u00eas tem recursos suficientes para manter e at\u00e9 mesmo diminuir a idade de aposentadoria, aumentar as pens\u00f5es e os sal\u00e1rios e apoiar decisivamente a resist\u00eancia ucraniana. No entanto, os trabalhadores franceses s\u00f3 conseguir\u00e3o atender \u00e0s necessidades imediatas da classe trabalhadora na Fran\u00e7a, na Europa e na Ucr\u00e2nia &nbsp;se questionam de maneira radical os lucros recordes de suas multinacionais, a ades\u00e3o \u00e0 OTAN e o papel de seu ex\u00e9rcito na \u00c1frica e no resto do mundo, e avan\u00e7am para construir um governo independente da classe trabalhadora que aponte para um governo de e pelos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, enquanto continuamos a construir a unidade de a\u00e7\u00e3o em prol do apoio material para a resist\u00eancia ucraniana e para a derrota da invas\u00e3o russa, e fortalecendo, em particular, a resist\u00eancia oper\u00e1ria e popular, devemos defender uma ala independente e de classe, que se diferencie fortemente dos planos de Biden, Macron e Scholz, que n\u00e3o visam a independ\u00eancia pol\u00edtica e econ\u00f4mica do povo ucraniano. Devemos construir um movimento de solidariedade que re\u00fana cada vez mais setores oper\u00e1rios e populares, e desenvolver iniciativas de mobiliza\u00e7\u00e3o independente dos trabalhadores franceses e europeus, e as campanhas de ajuda direta, como come\u00e7aram a fazer a intersindical na Fran\u00e7a e a RSISL.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 23 de fevereiro de 2023, a RESU, a Rede Europeia de Solidariedade com a Ucr\u00e2nia, organizou um ato p\u00fablico de apoio \u00e0 resist\u00eancia ucraniana com um n\u00edtido car\u00e1ter de classe. 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