{"id":76171,"date":"2023-03-06T14:43:21","date_gmt":"2023-03-06T14:43:21","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=76171"},"modified":"2023-03-06T14:43:23","modified_gmt":"2023-03-06T14:43:23","slug":"desafios-para-as-mulheres-trabalhadoras-o-que-esperar-do-governo-lula-alckmin","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/03\/06\/desafios-para-as-mulheres-trabalhadoras-o-que-esperar-do-governo-lula-alckmin\/","title":{"rendered":"Desafios para as mulheres trabalhadoras: O que esperar do governo Lula-Alckmin?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Tradicionalmente, as mobiliza\u00e7\u00f5es do 8 de mar\u00e7o inauguram o calend\u00e1rio de lutas da classe trabalhadora do pa\u00eds. Este ser\u00e1 o primeiro sob o governo Lula\/Alckmin, o que coloca novas discuss\u00f5es e desafios \u00e0s mulheres e \u00e0 classe trabalhadora.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Erika Andreassy<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 ineg\u00e1vel o sentimento de al\u00edvio pela derrota eleitoral de Bolsonaro; seu governo foi marcado por brutais ataques aos trabalhadores, aos pobres e aos oprimidos. V\u00edtimas especiais foram as mulheres, que, al\u00e9m de padecer com o desemprego, a fome e a sobrecarga dom\u00e9stica, ainda sofreram com o discurso e a pol\u00edtica reacion\u00e1ria e hip\u00f3crita da ultradireita, seja o desfinanciamento de pol\u00edticas p\u00fablicas para o enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia, ataques aos direitos sexuais e reprodutivos, desmantelamento dos servi\u00e7os que realizam aborto legal e a tentativa de impedir esse direito at\u00e9 mesmo \u00e0s meninas v\u00edtimas de estupro. N\u00e3o por acaso chegamos ao 8M com um aumento sem precedentes na viol\u00eancia contra a mulher e o maior \u00edndice de feminic\u00eddios de nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, derrotar Bolsonaro, ainda que nas urnas, n\u00e3o foi secund\u00e1rio, o que n\u00e3o quer dizer que a ultradireita esteja acabada; ao contr\u00e1rio, ela segue organizada, como vimos na tentativa fracassada de golpe do dia 8 de janeiro. Sabemos que seu projeto nos reserva mais opress\u00e3o e viol\u00eancia. Portanto, \u00e9 fundamental preparar nossa autodefesa e nos organizarmos para garantir sua derrota nas ruas. N\u00f3s, mulheres, estivemos na linha de frente contra os ataques bolsonaristas. Exigimos a pris\u00e3o de Bolsonaro e de todos os golpistas, incluindo os setores burgueses que financiaram essas a\u00e7\u00f5es e todos os militares envolvidos na tentativa de golpe.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Expectativas e a dura realidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 compreens\u00edvel que muitos ativistas, em especial os que militam nos movimentos de luta contra as opress\u00f5es, tenham expectativas no novo governo, que finalmente nossas pautas ser\u00e3o atendidas. Sabemos que existem diferen\u00e7as entre o projeto de governo de Bolsonaro e o de Lula\/Alckmin, mas ser\u00e1 que este \u00faltimo representa os interesses das mulheres trabalhadoras? Opinamos que n\u00e3o, e explicaremos por que.<\/p>\n\n\n\n<p>Lula foi eleito por uma frente que contou com o apoio de diversos setores da burguesia, incluindo a ala dirigente do imperialismo americano, representado por Biden. Seu comprometimento com a burguesia \u00e9 n\u00edtido. Pressionado pelo movimento, o governo tem aplicado medidas aparentemente progressivas, como o aumento da quantidade de mulheres na nova equipe de governo, o que, sem d\u00favida, \u00e9 importante, pois \u00e9 parte da luta por sermos reconhecidas, mas entre essas mulheres est\u00e3o burguesas como Simone Tebet, representante do agroneg\u00f3cio e defensora da reforma trabalhista que tanto penaliza as trabalhadoras, portanto n\u00e3o \u00e9 uma aliada.<\/p>\n\n\n\n<p>Da primeira vez que esteve \u00e0 frente do governo, em troca de seu apoio e de setores mais conservadores, o PT de Lula e Dilma deixou pautas como a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, sal\u00e1rio igual para trabalho igual paralisadas, abrindo espa\u00e7o para a ultradireita conquistar as elei\u00e7\u00f5es de 2018. De volta \u00e0 presid\u00eancia, e de m\u00e3os dadas com Alckmin, atua da mesma forma, apoiando Arthur Lira \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara, o mesmo que at\u00e9 ontem era aliado de Bolsonaro e o ajudou a atacar a classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nome das alian\u00e7as burguesas, Lula j\u00e1 sinalizou que n\u00e3o dever\u00e1 atender uma das demandas mais urgentes das mulheres trabalhadoras, a revoga\u00e7\u00e3o integral de todas as reformas. E se bem o governo revogou as portarias que dificultam o acesso ao aborto legal e retirou a assinatura do Brasil do Consenso de Genebra, bloco reacion\u00e1rio na Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas cuja plataforma defende a criminaliza\u00e7\u00e3o do aborto no mundo, sua ministra da mulher, Cida Gon\u00e7alves, j\u00e1 afirmou que a discuss\u00e3o sobre o aborto n\u00e3o \u00e9 prioridade do governo e que cabe ao Congresso (um dos mais reacion\u00e1rios da hist\u00f3ria do pa\u00eds) discutir o tema.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Apoiar o governo ou manter nossa independ\u00eancia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Lula\/Alckmin t\u00eam buscado incorporar tamb\u00e9m ao governo partidos de esquerda e os movimentos sindical e social para assegurar que n\u00e3o expressem nenhum tipo de oposi\u00e7\u00e3o a sua pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o com nossos inimigos. Ao se localizarem no campo governista, essas organiza\u00e7\u00f5es afian\u00e7am os compromissos com a burguesia e acabam atuando contra os interesses do movimento e da classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s, ao contr\u00e1rio, defendemos que \u00e9 preciso manter nossa independ\u00eancia pol\u00edtica e de classe frente a esse ou a qualquer governo, seja burgu\u00eas ou de concilia\u00e7\u00e3o, e dizemos que n\u00e3o devemos confiar nem no governo, nem nas organiza\u00e7\u00f5es que o apoiam, mas organizar nossas for\u00e7as e a luta para exigir nossas pautas: a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, a revoga\u00e7\u00e3o das reformas, emprego, sal\u00e1rio, moradia, sal\u00e1rio igual para trabalho igual, socializa\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico, combate \u00e0 viol\u00eancia e tudo o mais que sirva para melhorar a condi\u00e7\u00e3o de vida das mulheres e fortalecer a luta estrat\u00e9gica contra o capitalismo e pela constru\u00e7\u00e3o do socialismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Desafios para as mulheres trabalhadoras: O que esperar do governo Lula-Alckmin?<\/p>\n\n\n\n<p>Tradicionalmente, as mobiliza\u00e7\u00f5es do 8 de mar\u00e7o inauguram o calend\u00e1rio de lutas da classe trabalhadora do pa\u00eds. Este ser\u00e1 o primeiro sob o governo Lula\/Alckmin, o que coloca novas discuss\u00f5es e desafios \u00e0s mulheres e \u00e0 classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Por: Erika Andreassy<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 ineg\u00e1vel o sentimento de al\u00edvio pela derrota eleitoral de Bolsonaro; seu governo foi marcado por brutais ataques aos trabalhadores, aos pobres e aos oprimidos. V\u00edtimas especiais foram as mulheres, que, al\u00e9m de padecer com o desemprego, a fome e a sobrecarga dom\u00e9stica, ainda sofreram com o discurso e a pol\u00edtica reacion\u00e1ria e hip\u00f3crita da ultradireita, seja o desfinanciamento de pol\u00edticas p\u00fablicas para o enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia, ataques aos direitos sexuais e reprodutivos, desmantelamento dos servi\u00e7os que realizam aborto legal e a tentativa de impedir esse direito at\u00e9 mesmo \u00e0s meninas v\u00edtimas de estupro. N\u00e3o por acaso chegamos ao 8M com um aumento sem precedentes na viol\u00eancia contra a mulher e o maior \u00edndice de feminic\u00eddios de nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, derrotar Bolsonaro, ainda que nas urnas, n\u00e3o foi secund\u00e1rio, o que n\u00e3o quer dizer que a ultradireita esteja acabada; ao contr\u00e1rio, ela segue organizada, como vimos na tentativa fracassada de golpe do dia 8 de janeiro. Sabemos que seu projeto nos reserva mais opress\u00e3o e viol\u00eancia. Portanto, \u00e9 fundamental preparar nossa autodefesa e nos organizarmos para garantir sua derrota nas ruas. N\u00f3s, mulheres, estivemos na linha de frente contra os ataques bolsonaristas. Exigimos a pris\u00e3o de Bolsonaro e de todos os golpistas, incluindo os setores burgueses que financiaram essas a\u00e7\u00f5es e todos os militares envolvidos na tentativa de golpe.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Expectativas e a dura realidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 compreens\u00edvel que muitos ativistas, em especial os que militam nos movimentos de luta contra as opress\u00f5es, tenham expectativas no novo governo, que finalmente nossas pautas ser\u00e3o atendidas. Sabemos que existem diferen\u00e7as entre o projeto de governo de Bolsonaro e o de Lula\/Alckmin, mas ser\u00e1 que este \u00faltimo representa os interesses das mulheres trabalhadoras? Opinamos que n\u00e3o, e explicaremos por que.<\/p>\n\n\n\n<p>Lula foi eleito por uma frente que contou com o apoio de diversos setores da burguesia, incluindo a ala dirigente do imperialismo americano, representado por Biden. Seu comprometimento com a burguesia \u00e9 n\u00edtido. Pressionado pelo movimento, o governo tem aplicado medidas aparentemente progressivas, como o aumento da quantidade de mulheres na nova equipe de governo, o que, sem d\u00favida, \u00e9 importante, pois \u00e9 parte da luta por sermos reconhecidas, mas entre essas mulheres est\u00e3o burguesas como Simone Tebet, representante do agroneg\u00f3cio e defensora da reforma trabalhista que tanto penaliza as trabalhadoras, portanto n\u00e3o \u00e9 uma aliada.<\/p>\n\n\n\n<p>Da primeira vez que esteve \u00e0 frente do governo, em troca de seu apoio e de setores mais conservadores, o PT de Lula e Dilma deixou pautas como a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, sal\u00e1rio igual para trabalho igual paralisadas, abrindo espa\u00e7o para a ultradireita conquistar as elei\u00e7\u00f5es de 2018. De volta \u00e0 presid\u00eancia, e de m\u00e3os dadas com Alckmin, atua da mesma forma, apoiando Arthur Lira \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara, o mesmo que at\u00e9 ontem era aliado de Bolsonaro e o ajudou a atacar a classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nome das alian\u00e7as burguesas, Lula j\u00e1 sinalizou que n\u00e3o dever\u00e1 atender uma das demandas mais urgentes das mulheres trabalhadoras, a revoga\u00e7\u00e3o integral de todas as reformas. E se bem o governo revogou as portarias que dificultam o acesso ao aborto legal e retirou a assinatura do Brasil do Consenso de Genebra, bloco reacion\u00e1rio na Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas cuja plataforma defende a criminaliza\u00e7\u00e3o do aborto no mundo, sua ministra da mulher, Cida Gon\u00e7alves, j\u00e1 afirmou que a discuss\u00e3o sobre o aborto n\u00e3o \u00e9 prioridade do governo e que cabe ao Congresso (um dos mais reacion\u00e1rios da hist\u00f3ria do pa\u00eds) discutir o tema.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Apoiar o governo ou manter nossa independ\u00eancia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Lula\/Alckmin t\u00eam buscado incorporar tamb\u00e9m ao governo partidos de esquerda e os movimentos sindical e social para assegurar que n\u00e3o expressem nenhum tipo de oposi\u00e7\u00e3o a sua pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o com nossos inimigos. Ao se localizarem no campo governista, essas organiza\u00e7\u00f5es afian\u00e7am os compromissos com a burguesia e acabam atuando contra os interesses do movimento e da classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s, ao contr\u00e1rio, defendemos que \u00e9 preciso manter nossa independ\u00eancia pol\u00edtica e de classe frente a esse ou a qualquer governo, seja burgu\u00eas ou de concilia\u00e7\u00e3o, e dizemos que n\u00e3o devemos confiar nem no governo, nem nas organiza\u00e7\u00f5es que o apoiam, mas organizar nossas for\u00e7as e a luta para exigir nossas pautas: a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, a revoga\u00e7\u00e3o das reformas, emprego, sal\u00e1rio, moradia, sal\u00e1rio igual para trabalho igual, socializa\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico, combate \u00e0 viol\u00eancia e tudo o mais que sirva para melhorar a condi\u00e7\u00e3o de vida das mulheres e fortalecer a luta estrat\u00e9gica contra o capitalismo e pela constru\u00e7\u00e3o do socialismo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tradicionalmente, as mobiliza\u00e7\u00f5es do 8 de mar\u00e7o inauguram o calend\u00e1rio de lutas da classe trabalhadora do pa\u00eds. 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