{"id":76084,"date":"2023-02-20T16:43:47","date_gmt":"2023-02-20T16:43:47","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=76084"},"modified":"2023-02-20T16:43:49","modified_gmt":"2023-02-20T16:43:49","slug":"principios-e-taticas-na-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/02\/20\/principios-e-taticas-na-guerra\/","title":{"rendered":"Princ\u00edpios e t\u00e1ticas na Guerra"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Rudolf Klement. Publicado pela primeira vez em 1937, e revisado de acordo com as mudan\u00e7as sugeridas por L. Trotsky. Traduzido para o ingl\u00eas e publicado em <em>The New International<\/em>, Volume 4, No. 5 de maio de 1938.<\/p>\n\n\n\n<p>A resenha do livro <em>The Case of Leon Trotsky<\/em> na primeira edi\u00e7\u00e3o do jornal <em>Der Einzige Weg<\/em> cita uma interessante declara\u00e7\u00e3o do companheiro Trotsky sobre as diferen\u00e7as nas tarefas do proletariado durante uma guerra entre a Fran\u00e7a e a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, e entre a Alemanha e o Jap\u00e3o (reproduzida aqui de forma um tanto mais completa):<\/p>\n\n\n\n<p>STOLBERG: A R\u00fassia e a Fran\u00e7a j\u00e1 t\u00eam uma alian\u00e7a militar. Suponha que uma guerra internacional irrompa. N\u00e3o estou interessado no que voc\u00ea diz sobre a classe oper\u00e1ria russa. Eu j\u00e1 sei. O que o senhor diria \u00e0 classe oper\u00e1ria francesa em refer\u00eancia \u00e0 defesa da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica? \u201cMudem o governo burgu\u00eas franc\u00eas\u201d, \u00e9 isso que voc\u00ea diria?<\/p>\n\n\n\n<p>TROTSKY: Esta pergunta \u00e9 mais ou menos respondida nas teses <em>A Guerra e a Quarta Internacional<\/em>, neste sentido: na Fran\u00e7a eu permaneceria em oposi\u00e7\u00e3o ao governo e desenvolveria sistematicamente esta oposi\u00e7\u00e3o. Na Alemanha, eu faria todo o poss\u00edvel para sabotar a m\u00e1quina de guerra. Estas s\u00e3o duas coisas diferentes. Na Alemanha e no Jap\u00e3o, eu aplicaria m\u00e9todos militares na medida em que pudesse lutar, opor-me e danificar a maquinaria, a maquinaria militar do Jap\u00e3o, para desorganiz\u00e1-la, tanto na Alemanha como no Jap\u00e3o. Na Fran\u00e7a, \u00e9 a oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e0 burguesia e a prepara\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria. Ambos s\u00e3o m\u00e9todos revolucion\u00e1rios. Mas na Alemanha e no Jap\u00e3o tenho como meu objetivo imediato a desorganiza\u00e7\u00e3o de toda a maquinaria. Na Fran\u00e7a, eu tenho o objetivo da revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>GOLDMAN: Suponha que voc\u00ea tivesse a oportunidade de tomar o poder na Fran\u00e7a durante a guerra. Voc\u00ea aproveitaria esta oportunidade se tivesse a maioria do proletariado?<\/p>\n\n\n\n<p>TROTSKY: Naturalmente. (p\u00e1gina 289 em diante)<\/p>\n\n\n\n<p>Nos limites de uma resenha, era naturalmente imposs\u00edvel, com esta afirma\u00e7\u00e3o coloquial espec\u00edfica isolada, semi-improvisada e necessariamente incompleta, desenvolver os problemas gerais da luta revolucion\u00e1ria durante a guerra ou mesmo lan\u00e7ar luz te\u00f3rica suficiente sobre essa quest\u00e3o espec\u00edfica. Uma vez que a cita\u00e7\u00e3o acima levou, desde sua publica\u00e7\u00e3o, a in\u00fameros mal-entendidos, e pior, a distor\u00e7\u00f5es maliciosas (\u201celes est\u00e3o se preparando para a paz civil na Fran\u00e7a\u201d, renunciam ao derrotismo revolucion\u00e1rio, etc!), vale a pena reparar este descuido.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto aos princ\u00edpios b\u00e1sicos da luta revolucion\u00e1ria contra e durante a guerra, considera\u00e7\u00f5es de espa\u00e7o obrigam-nos a nos concentrar aqui em nossas teses sobre a guerra [A guerra e a Quarta Internacional], que foram adotadas em maio de 1934 pelo Secretariado Internacional de nosso movimento, e que desde ent\u00e3o constitui um dos mais importantes documentos program\u00e1ticos do bolchevismo, adquirindo mais import\u00e2ncia a cada dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o espec\u00edfica que nos interessa, o camarada Trotsky, na declara\u00e7\u00e3o acima mencionada, faz refer\u00eancia aos seguintes pontos das teses sobre a guerra:<\/p>\n\n\n\n<p>44. O proletariado internacional, que defender\u00e1 sempre com determina\u00e7\u00e3o e abnega\u00e7\u00e3o o Estado oper\u00e1rio na luta contra o imperialismo, n\u00e3o se tornar\u00e1, entretanto, aliado dos aliados imperialistas da URSS. O proletariado de um pa\u00eds capitalista aliado \u00e0 URSS deve manter uma completa e absoluta hostilidade intransigente contra o governo imperialista de seu pr\u00f3prio pa\u00eds. Neste sentido, sua pol\u00edtica n\u00e3o ser\u00e1 diferente da do proletariado do pa\u00eds que luta contra a URSS. Mas, no que diz respeito \u00e0 atividade concreta, podem surgir diferen\u00e7as consider\u00e1veis de acordo com a situa\u00e7\u00e3o da guerra. Por exemplo, seria absurdo e criminoso, no caso de uma guerra entre a URSS e o Jap\u00e3o, que o proletariado americano sabotasse o carregamento de muni\u00e7\u00f5es americanas para a URSS. Mas, o proletariado de um pa\u00eds que luta contra a URSS seria absolutamente obrigado a recorrer a a\u00e7\u00f5es desse tipo: greves, sabotagem, e assim por diante.<\/p>\n\n\n\n<p>45. A oposi\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria intransigente ao aliado imperialista da URSS deve basear-se na pol\u00edtica de classe internacional e nos objetivos imperialistas desse governo, no car\u00e1ter trai\u00e7oeiro da \u201calian\u00e7a\u201d, em suas especula\u00e7\u00f5es sobre um retorno da URSS ao capitalismo, e assim por diante. Portanto, a pol\u00edtica de um partido prolet\u00e1rio tanto num pa\u00eds \u201caliado\u201d quanto num pa\u00eds imperialista inimigo deve ser orientada para a derrubada revolucion\u00e1ria da burguesia e para a tomada do poder. Somente desta forma ser\u00e1 criada uma verdadeira alian\u00e7a com a URSS e o primeiro Estado oper\u00e1rio ser\u00e1 salvo do desastre.<\/p>\n\n\n\n<p>As guerras dos \u00faltimos anos n\u00e3o representaram uma luta direta entre pot\u00eancias imperialistas, mas expedi\u00e7\u00f5es coloniais (It\u00e1lia-Abiss\u00ednia, Jap\u00e3o-China) e conflitos sobre esferas de influ\u00eancia (China, Chaco, e em certo sentido tamb\u00e9m, a Espanha) e, portanto, n\u00e3o degeneraram, por enquanto, em um conflito mundial. Hitler espera atacar a URSS amanh\u00e3, assim como o Jap\u00e3o est\u00e1 atacando a China hoje, ou seja, ele espera alterar o equil\u00edbrio de poder imperialista sem violar diretamente os interesses essenciais dos outros imperialismos, mantendo assim o conflito como um conflito local. Estes eventos, que v\u00eam ocorrendo desde 1934, mostraram claramente que as teses acima sobre a atitude do proletariado dos pa\u00edses imperialistas s\u00e3o v\u00e1lidas n\u00e3o apenas em uma guerra antissovi\u00e9tica, mas em todas as guerras em que a URSS deve alinhar-se com um dos lados beligerantes; e isto se aplica precisamente \u00e0s guerras que testemunhamos nos \u00faltimos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>*<\/p>\n\n\n\n<p>A guerra n\u00e3o \u00e9 mais do que a continua\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica por outros meios. Assim, o proletariado deve continuar sua luta de classes em tempos de guerra, entre outras coisas com os novos meios que a burguesia coloca \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o. Ele pode e deve usar o enfraquecimento de sua \u201cpr\u00f3pria\u201d burguesia nos pa\u00edses imperialistas para preparar e levar adiante incansavelmente sua revolu\u00e7\u00e3o social em conex\u00e3o com a derrota militar engendrada pela guerra, e para tomar o poder. Esta t\u00e1tica, conhecida como derrotismo revolucion\u00e1rio e realiz\u00e1vel internacionalmente, \u00e9 uma das alavancas mais fortes da revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria mundial em nossa \u00e9poca e, consequentemente, do progresso hist\u00f3rico.<\/p>\n\n\n\n<p>Somente quando a luta \u00e9 imperialista apenas de um lado, e \u00e9 uma guerra de liberta\u00e7\u00e3o das na\u00e7\u00f5es n\u00e3o-imperialistas, ou de um pa\u00eds socialista contra a amea\u00e7a da opress\u00e3o imperialista &#8211; ou verdadeira opress\u00e3o &#8211; do outro lado, bem como em guerras civis entre classes ou entre democracia e fascismo; o proletariado internacional n\u00e3o pode e n\u00e3o deve aplicar a mesma t\u00e1tica a ambos os lados. Reconhecendo o car\u00e1ter progressista desta guerra de liberta\u00e7\u00e3o, ele deve lutar decisivamente contra o principal inimigo, o imperialismo reacion\u00e1rio (ou o campo reacion\u00e1rio, no caso de uma guerra civil), ou seja, deve lutar pela vit\u00f3ria dos oprimidos pol\u00edtica ou socialmente, ou daqueles prestes a serem oprimidos: a URSS, os pa\u00edses coloniais e semicoloniais como a Abiss\u00ednia ou a China, ou a Espanha republicana, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m aqui, por\u00e9m, ele tem plena consci\u00eancia de sua irreconcili\u00e1vel oposi\u00e7\u00e3o de classe \u00e0 sua \u201cpr\u00f3pria\u201d burguesia &#8211; ou sua oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e0 burocracia sovi\u00e9tica &#8211; e n\u00e3o renuncia a nenhuma de suas posi\u00e7\u00f5es independentes sem resist\u00eancia. Como nos pa\u00edses imperialistas, ele luta com todas as suas for\u00e7as pela revolu\u00e7\u00e3o social e a tomada do poder, o estabelecimento de sua ditadura, o que, por si s\u00f3, torna poss\u00edvel uma vit\u00f3ria segura e duradoura sobre os imperialistas. Mas, em tais casos, n\u00e3o pode &#8211; e de fato n\u00e3o deve &#8211; como no campo imperialista, buscar a vit\u00f3ria revolucion\u00e1ria \u00e0 custa da derrota militar, mas sim na perspectiva da vit\u00f3ria militar de seu pa\u00eds.<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a><a href=\"#_edn1\" id=\"_ednref1\">1<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A luta de classes e a guerra s\u00e3o fen\u00f4menos internacionais, e s\u00e3o decididos internacionalmente. Mas, como cada luta permite apenas dois campos (bloco contra bloco) e como as lutas imperialistas se entrela\u00e7am com a guerra de classes (imperialismo mundial &#8211; proletariado mundial), surgem muitos casos complexos e multifacetados. A burguesia dos pa\u00edses semicoloniais ou a burguesia liberal amea\u00e7ada por seu \u201cpr\u00f3prio\u201d fascismo, recorre \u00e0 ajuda de imperialismos \u201camigos\u201d; a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, por exemplo, tenta utilizar os antagonismos entre imperialismos fechando alian\u00e7as com um grupo contra outro, e assim por diante. O proletariado de todos os pa\u00edses, a \u00fanica classe com solidariedade internacional &#8211; e, portanto, a \u00fanica classe progressista entre outras coisas &#8211; encontra-se na situa\u00e7\u00e3o complicada em tempos de guerra, especialmente na nova guerra mundial, de combinar o derrotismo revolucion\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua pr\u00f3pria burguesia com o apoio \u00e0s guerras progressistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 utilizada ao m\u00e1ximo neste momento, e certamente ser\u00e1 utilizada amanh\u00e3, pelos social-patriotas de tipo social-democrata, pelos stalinistas ou anarquistas, para que os prolet\u00e1rios se deixem massacrar pelos lucros do capital sob a ilus\u00e3o de ajudar seus irm\u00e3os na URSS, na China e no resto do mundo. Isto serve aos social-traidores, al\u00e9m disso, para retratar os revolucion\u00e1rios n\u00e3o apenas como \u201ctraidores da p\u00e1tria\u201d, mas tamb\u00e9m como \u201ctraidores da p\u00e1tria socialista\u201d (assim como agora s\u00e3o denunciados aos gritos como agentes de Franco). Esta \u00e9 uma raz\u00e3o fundamental pela qual o proletariado, principalmente nos pa\u00edses imperialistas, precisa ter, nesta situa\u00e7\u00e3o claramente contradit\u00f3ria, uma compreens\u00e3o bastante clara destas tarefas combinadas e dos m\u00e9todos para realiz\u00e1-las.<\/p>\n\n\n\n<p>Na aplica\u00e7\u00e3o do derrotismo revolucion\u00e1rio contra a burguesia imperialista e seu Estado, n\u00e3o pode fazer nenhuma diferen\u00e7a fundamental se este \u00faltimo \u00e9 \u201camigo\u201d ou hostil \u00e0 causa apoiada pelo proletariado, se est\u00e1 em alian\u00e7a &#8211; trai\u00e7oeira &#8211; com os aliados do proletariado (Stalin, a burguesia dos pa\u00edses semicoloniais, os povos coloniais, o liberalismo antifascista), ou se est\u00e1 travando uma guerra contra eles. Os m\u00e9todos do derrotismo revolucion\u00e1rio n\u00e3o mudam em nada: a propaganda revolucion\u00e1ria, a oposi\u00e7\u00e3o inconcili\u00e1vel ao regime, a luta de classes desde sua forma puramente econ\u00f4mica at\u00e9 sua forma pol\u00edtica mais elevada (insurrei\u00e7\u00e3o armada), a confraterniza\u00e7\u00e3o das tropas, a transforma\u00e7\u00e3o da guerra em guerra civil.<\/p>\n\n\n\n<p>A defesa internacional dos Estados prolet\u00e1rios, dos povos oprimidos que lutam por sua liberdade e o apoio internacional \u00e0 guerra civil armada antifascista, no entanto, deve, naturalmente, assumir diferentes formas dependendo de se a \u201cpr\u00f3pria\u201d burguesia os apoia ou luta contra eles. Al\u00e9m da prepara\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da revolu\u00e7\u00e3o social, cujos ritmos e m\u00e9todos n\u00e3o s\u00e3o de forma alguma id\u00eanticos aos da guerra, esta defesa deve naturalmente assumir formas militares. Al\u00e9m do apoio revolucion\u00e1rio, ele consiste, portanto, no apoio militar \u00e0 causa progressista, bem como nos danos militares infligidos a seu oponente imperialista.<\/p>\n\n\n\n<p>O apoio militar pode, naturalmente, adquirir alcance decisivo somente onde o pr\u00f3prio proletariado tem as alavancas do poder e da economia em suas m\u00e3os (a URSS, e at\u00e9 certo ponto a Espanha no ver\u00e3o de 1936). Nos pa\u00edses imperialistas, aliados aos pa\u00edses que fazem guerras progressistas e revolucion\u00e1rias, resume-se a isto: que o proletariado luta por meios revolucion\u00e1rios por um apoio militar direto, efetivo \u00e0 causa progressista e controlado pelo proletariado (\u201cAvi\u00f5es para a Espanha!\u201d gritaram os trabalhadores franceses). Em qualquer caso, deve promover e controlar o apoio militar direto realmente garantido (o envio de armas, muni\u00e7\u00f5es, alimentos, especialistas, etc.), mesmo ao custo de uma &#8220;exce\u00e7\u00e3o&#8221; \u00e0 luta de classes direta<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a><a href=\"#_edn2\" id=\"_ednref2\">2<\/a>. Deve-se deixar ao discernimento e instinto revolucion\u00e1rio do proletariado, que est\u00e1 bem ciente de suas tarefas, fazer a distin\u00e7\u00e3o correta em cada situa\u00e7\u00e3o concreta, para evitar prejudicar os interesses militares do aliado distante do proletariado por causa de considera\u00e7\u00f5es estreitas da luta de classes nacional, por mais revolucion\u00e1rias que possam parecer, assim como para evitar fazer um trabalho sujo para seu &#8220;pr\u00f3prio&#8221; imperialismo sob o pretexto de dar ajuda indireta a seus aliados. A \u00fanica ajuda real e decisiva que os trabalhadores podem dar a seus aliados \u00e9 tomar o poder e mant\u00ea-lo em suas m\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>Sucede o contr\u00e1rio &#8211; no que diz respeito \u00e0 forma externa de sua luta \u2013 com o proletariado dos imperialismos engajados em uma luta direta contra a causa progressista. Al\u00e9m de sua luta pela revolu\u00e7\u00e3o, \u00e9 seu dever realizar a sabotagem militar em benef\u00edcio do \u201cinimigo\u201d &#8211; o inimigo da burguesia de seu pa\u00eds, mas seu pr\u00f3prio aliado. Como um meio de derrotismo revolucion\u00e1rio na luta entre os pa\u00edses imperialistas, a sabotagem militar, como o terror individual, \u00e9 totalmente in\u00fatil. Ela n\u00e3o substitui a revolu\u00e7\u00e3o social, nem sequer a faz avan\u00e7ar um cent\u00edmetro, e nada mais faz do que ajudar um imperialismo contra outro, enganando a vanguarda, semeando ilus\u00f5es entre as massas e assim facilitando o jogo dos imperialistas<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a><a href=\"#_edn3\" id=\"_ednref3\">3<\/a>. Por outro lado, a sabotagem militar \u00e9 imperativa como uma medida imediata em defesa do campo que luta contra o imperialismo e que consequentemente \u00e9 progressista. Como tal, isto \u00e9 entendido pelas massas, acolhido e encorajado por elas.&nbsp; A derrota do \u201cpr\u00f3prio\u201d pa\u00eds aqui torna-se n\u00e3o um mal menor obtido na negocia\u00e7\u00e3o (um mal menor que a \u201cvit\u00f3ria\u201d comprada pela paz civil e o abandono da revolu\u00e7\u00e3o), mas o objetivo direto e imediato, a tarefa da luta prolet\u00e1ria. A derrota do \u201cpr\u00f3prio\u201d pa\u00eds, neste caso, n\u00e3o seria um mal de forma alguma, ou um mal muito mais facilmente levado \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o, pois significaria a vit\u00f3ria do povo libertado do jugo imperialista existente ou potencial e do proletariado de seu inimigo sobre inimigo comum, o capital imperialista. Tal vit\u00f3ria seria um poderoso ponto de partida para a revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria internacional, entre eles os pa\u00edses imperialistas \u201camigos\u201d<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a><a href=\"#_edn4\" id=\"_ednref4\">4<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, vemos como diferentes situa\u00e7\u00f5es de guerra exigem do proletariado revolucion\u00e1rio dos diferentes pa\u00edses imperialistas &#8211; se ele deseja permanecer fiel a si mesmo e a seu objetivo &#8211; <em>diferentes formas de luta<\/em>, o que pode parecer aos esp\u00edritos esquem\u00e1ticos \u201cdesvios\u201d do princ\u00edpio b\u00e1sico do derrotismo revolucion\u00e1rio, mas que na realidade resultam da combina\u00e7\u00e3o do derrotismo revolucion\u00e1rio com a defesa de certos campos progressistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, de um ponto de vista hist\u00f3rico superior, estas duas tarefas coincidem: em nossa \u00e9poca imperialista, a burguesia nacional dos pa\u00edses n\u00e3o-imperialistas &#8211; bem como a burocracia sovi\u00e9tica &#8211; por causa de seu medo da classe oper\u00e1ria que amadureceu internacionalmente para a revolu\u00e7\u00e3o socialista e a ditadura do proletariado, n\u00e3o est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de travar uma luta vigorosa contra o imperialismo. Eles n\u00e3o ousam apelar para as for\u00e7as do proletariado e, numa determinada fase da luta, inevitavelmente apelar\u00e3o para o imperialismo para ajud\u00e1-los contra seu \u201cpr\u00f3prio\u201d proletariado. A completa liberta\u00e7\u00e3o nacional dos pa\u00edses coloniais e semicoloniais da escravid\u00e3o imperialista, e da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica da destrui\u00e7\u00e3o e anarquia capitalista externa e interna, a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica burguesa, a defesa contra o fascismo: todas estas tarefas s\u00f3 podem ser resolvidas, nacional e internacionalmente, pelo proletariado. Sua realiza\u00e7\u00e3o efetiva leva naturalmente \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria. A pr\u00f3xima guerra mundial ser\u00e1 a explos\u00e3o mais tit\u00e2nica e assassina da hist\u00f3ria, mas por causa dela todas as barreiras tradicionais tamb\u00e9m explodir\u00e3o, e em suas chamas os movimentos de liberta\u00e7\u00e3o e revolucion\u00e1rios de todo o mundo se fundir\u00e3o em uma \u00fanica torrente cintilante.<\/p>\n\n\n\n<p>Apresentar claramente, imediatamente, ao proletariado os problemas da pr\u00f3xima guerra e suas tarefas combinadas; esta tarefa s\u00e9ria e dif\u00edcil \u00e9 uma das mais urgentes de nosso tempo. Somente os bolcheviques-leninistas assumiram a responsabilidade de armar o proletariado para sua luta e de criar o instrumento com o qual ele conquistar\u00e1 suas futuras vit\u00f3rias: o programa, os m\u00e9todos e a organiza\u00e7\u00e3o da Quarta Internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Bruxelas, dezembro de 1937<\/p>\n\n\n\n<p>W. ST.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Deixamos de lado o caso em que as guerras entre dois pa\u00edses n\u00e3o-imperialistas nada mais s\u00e3o, ou predominam, do que o combate mascarado entre dois imperialismos estrangeiros &#8211; a Gr\u00e3-Bretanha e os Estados Unidos na guerra do Chaco &#8211; ou o caso em que a guerra de liberta\u00e7\u00e3o de uma na\u00e7\u00e3o oprimida \u00e9 apenas um pe\u00e3o na m\u00e3o de um lado imperialista e nada mais \u00e9 do que uma parte de um conflito imperialista generalizado &#8211; a S\u00e9rvia de 1914 a 1918.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Pode-se presumir com confian\u00e7a que para a burguesia francesa em tempo de guerra, uma greve dos trabalhadores do porto de Marselha que faz uma exce\u00e7\u00e3o aos carregamentos de guerra para a R\u00fassia, na qual ela n\u00e3o tem nenhum interesse, seria particularmente vexat\u00f3ria!&nbsp; N\u00e3o menos absurdo seria, por exemplo, no curso de uma greve dos gr\u00e1ficos, n\u00e3o permitir a impress\u00e3o dos jornais dos trabalhadores que s\u00e3o necess\u00e1rios para a pr\u00f3pria luta grevista.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> Lenin escreveu em 26 de julho de 1915 (ver <em>Gegen den Strom<\/em>) contra o falso slogan de Trotsky \u201cNem vit\u00f3ria nem derrota\u201d e disse polemicamente: \u201cE as a\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias durante a guerra significam, al\u00e9m de qualquer d\u00favida, n\u00e3o s\u00f3 o desejo de sua derrota, mas tamb\u00e9m o genu\u00edno impulso para tal derrota (para o leitor \u2018perspicaz\u2019: <em>Isto n\u00e3o significa de modo algum que \u2018se deve explodir pontes\u2019, que se deve organizar a sabotagem de ataques militares, ou que em geral os revolucion\u00e1rios devem ajudar a provocar uma derrota do governo<\/em>)\u201d. (\u00eanfase minha \u2013 W.S.)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> Naturalmente, a sabotagem militar da pr\u00f3pria burguesia em favor do advers\u00e1rio n\u00e3o-imperialista n\u00e3o deve ser estendida em favor de seu aliado imperialista. Os prolet\u00e1rios alem\u00e3es, por exemplo, tentar\u00e3o desorganizar militarmente a frente oriental para ajudar a R\u00fassia sovi\u00e9tica; para a frente ocidental, onde uma guerra puramente interimperialista seria travada entre a Alemanha e a Fran\u00e7a aliada \u00e0 URSS, \u201capenas\u201d a regra do derrotismo seria v\u00e1lida, tanto para o proletariado franc\u00eas como para o alem\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref1\" id=\"_edn1\"><\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref2\" id=\"_edn2\"><\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref3\" id=\"_edn3\"><\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref4\" id=\"_edn4\"><\/a>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Rudolf Klement. Publicado pela primeira vez em 1937, e revisado de acordo com as mudan\u00e7as sugeridas por L. Trotsky. Traduzido para o ingl\u00eas e publicado em The New International, Volume 4, No. 5 de maio de 1938. A resenha do livro The Case of Leon Trotsky na primeira edi\u00e7\u00e3o do jornal Der Einzige Weg [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":26089,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[8535,3182,91,8537],"tags":[],"class_list":["post-76084","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-revista-marxismo-vivo-teoria","category-guerra-contra-ucrania","category-ucrania","category-ucrania-nota-destacada"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/trotsky.jpg","categories_names":["Guerra contra Ucrania","Revista Marxismo Vivo","Ucr\u00e2nia","Ucr\u00e2nia-Nota destacada"],"author_info":{"name":"Kely","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/19003bf6219614b90207b39bd4a2733ce9cf96693efdfd639b15a829beed53d1?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76084","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76084"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76084\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":76085,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76084\/revisions\/76085"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26089"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76084"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76084"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76084"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}