{"id":75864,"date":"2023-01-25T22:36:43","date_gmt":"2023-01-25T22:36:43","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=75864"},"modified":"2023-02-18T21:18:11","modified_gmt":"2023-02-18T21:18:11","slug":"a-guerra-na-ucrania-e-as-perspectivas-para-belarus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/01\/25\/a-guerra-na-ucrania-e-as-perspectivas-para-belarus\/","title":{"rendered":"A guerra na Ucr\u00e2nia e as perspectivas para Belarus"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Em dezembro, Lukashenko recebeu a visita de uma delega\u00e7\u00e3o representativa dos principais criminosos de guerra russos, Putin, Shoig\u00fa e Lavrov. N\u00e3o foram publicados os detalhes da conversa, mas \u201cexplicaram\u201d que se tratava de coopera\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o militar e econ\u00f4mica. De fato, esta visita teve um objetivo: discutir como \u2013 diante da total falta de vontade do povo de Belarus para lutar contra os ucranianos e sua rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra e \u00e0 ditadura \u2013 adaptar Belarus \u00e0s necessidades militares e econ\u00f4micas da R\u00fassia e da guerra de Putin.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Ales Radkevich<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um antecedente hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Durante a Segunda Guerra Mundial, em certo sentido, a Fran\u00e7a se encontrava em uma posi\u00e7\u00e3o semelhante. O pa\u00eds foi parcialmente ocupado por tropas alem\u00e3s. O estado era governado pelo regime ditatorial colaboracionista de Vichy, liderado pelo general P\u00e9tain. A propaganda oficial do regime apoiou plenamente a guerra nazista contra a URSS. As organiza\u00e7\u00f5es fascistas francesas tentaram reunir volunt\u00e1rios. Mas, em geral, Hitler e P\u00e9tain n\u00e3o enviaram os franceses \u00e0 guerra. N\u00e3o porque n\u00e3o quiseram, e n\u00e3o porque Hitler n\u00e3o pudesse \u201capertar\u201d P\u00e9tain, mas porque os franceses comuns n\u00e3o estavam dispostos a ir lutar por Hitler. Tal ordem de ir para a guerra e armar os franceses em massa para este prop\u00f3sito, poderia ser contraproducente para o regime de Vichy e para o controle alem\u00e3o da Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Os trabalhadores franceses tampouco queriam ir \u00e0 Alemanha para trabalhar nas f\u00e1bricas alem\u00e3s. Embora fossem muito necess\u00e1rios para substituir os trabalhadores homens alem\u00e3es enviados \u00e0 guerra. Mas, nas condi\u00e7\u00f5es do culto nazista \u00e0 fam\u00edlia patriarcal, em que a mulher tinha que ficar em casa com os filhos, interferia em grande medida na participa\u00e7\u00e3o das mulheres alem\u00e3s na produ\u00e7\u00e3o. Apesar dos esfor\u00e7os estatais de ambos os governos, o plano de enviar trabalhadores franceses \u00e0 Alemanha fracassou estrepitosamente.<\/p>\n\n\n\n<p>O ministro da ind\u00fastria miliar da Alemanha nazista, Albert Speer, escreveu em suas mem\u00f3rias esta situa\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel com os franceses: <em>\u00abnem \u00e0 guerra, nem \u00e0s f\u00e1bricas\u00bb.&nbsp;<\/em><em>E relatou que foi repetidamente discutido pela c\u00fapula do Reich e com os comandos do regime colaboracionista franc\u00eas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No final, chegaram a uma decis\u00e3o. Em geral, os nazistas e o regime colaboracionista de Vichy na Fran\u00e7a dividiram as fun\u00e7\u00f5es: a popula\u00e7\u00e3o alem\u00e3 era enviada \u00e0 guerra, e os trabalhadores franceses, homens e mulheres, eram obrigados a trabalhar para ela diretamente na Fran\u00e7a. Para a Alemanha foi designada uma fun\u00e7\u00e3o militar e para a Fran\u00e7a, as fun\u00e7\u00f5es de retaguarda e apoio \u00e0 guerra nazista. As empresas francesas estavam carregadas de pedidos alem\u00e3es para a maquinaria militar alem\u00e3, a agricultura proporcionou provis\u00f5es a Wehrmacht. A parte do le\u00e3o dos alimentos e a roupa era exportada da Fran\u00e7a para a Alemanha, as f\u00e1bricas de constru\u00e7\u00e3o de maquinaria impulsionavam os produtos militares. &nbsp;Em termos militares diretos, a Wehrmacht controlava por completo o norte da Fran\u00e7a. Dali, antes do in\u00edcio da guerra contra a URSS, amea\u00e7ou invadir a Gr\u00e3 Bretanha. E depois cobriu o territ\u00f3rio ocupado a partir da abertura de uma segunda frente. Quando houve perigo de desembarque dos aliados no Sul, a Wehmacht ocupou a parte sul do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o a Fran\u00e7a se adaptou \u00e0 guerra de Hitler. Acima de tudo, pairava na Fran\u00e7a um <strong>sentimento de humilha\u00e7\u00e3o nacional<\/strong>. Deu lugar \u00e0 uma resist\u00eancia, que a pol\u00edcia de Vichy e a Gestapo tentaram reprimir juntas. O regime colaboracionista tentou justificar sua legitimidade argumentando que estava <em>\u201cpreservando a paz\u201d<\/em>&nbsp;na Fran\u00e7a. Mas os <strong>funcion\u00e1rios do regime de Vichy<\/strong>&nbsp;passaram para a hist\u00f3ria como <strong>coagressores e c\u00famplices diretos <\/strong><strong>dos crimes nazistas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>E qual \u00e9 o papel do regime de Lukashenko?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Salvando todas as diferen\u00e7as e dist\u00e2ncias, Putin e Lukashenko est\u00e3o enfrentando hoje um <strong>problema similar<\/strong>&nbsp;ao dos nazistas e do regime colaboracionista franc\u00eas de Vichy.<\/p>\n\n\n\n<p>Putin e Lukashenko n\u00e3o enviam os bielorussos \u00e0 guerra. N\u00e3o porque n\u00e3o queiram, e n\u00e3o porque Putin <em>\u201cn\u00e3o tenha apertado\u201d<\/em> Lukashenko. Se Putin quiser, tem todas as ferramentas para isto, inclusive as for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o e a capacidade de capturar Lukashenko em duas horas. N\u00e3o os enviam, simplesmente porque <strong>os bielorrussos comuns<\/strong>&nbsp;<strong>n\u00e3o querem lutar contra os ucranianos<\/strong>. A ordem de envi\u00e1-los \u00e0 guerra implica o risco de protestos contra Lukashenko. E para Putin significa o risco de perder a Belarus na perspectiva de capturar Kiev. E quanto ao resto, Lukashenko h\u00e1 muito tempo fez e est\u00e1 fazendo de tudo e em todas as \u00e1reas para a guerra de Putin. E mais ainda, quanto mais tempo passa.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 24 de fevereiro, o sul de Belarus passou a fazer parte do teatro de opera\u00e7\u00f5es da Ucr\u00e2nia. Inclusive antes de 24 de fevereiro, Lukashenko abriu a Belarus ao ex\u00e9rcito russo sob a apar\u00eancia de \u00abexerc\u00edcios\u00bb. &nbsp;&nbsp;Certamente, que n\u00e3o p\u00f4de \u201cignorar\u201d como estes exerc\u00edcios poderiam terminar. O territ\u00f3rio de Belarus foi cedido ao ex\u00e9rcito russo para atacar a Ucr\u00e2nia em uma zona chave, quando tentou tomar Kiev e cometeu as atrocidades de Bucha. Do territ\u00f3rio de Belarus e do seu espa\u00e7o a\u00e9reo, s\u00e3o realizados ataques permanentes contra cidades ucranianas ou os bombardeios, que realizam e amea\u00e7am com isto, aterrorizando a popula\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia com alertas de ataques a\u00e9reos. Os aer\u00f3dromos de Machulishchi e Baranovichi est\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da avia\u00e7\u00e3o militar russa, enquanto que Zyabrovka y Luninets foram convertidos em bases militares. Lukashenko leva proj\u00e9teis para os ocupantes, fornece equipamentos. Est\u00e1 realizando manobras pr\u00f3ximo das fronteiras da Ucr\u00e2nia, distraindo as for\u00e7as ucranianas para ajudar Putin a intensificar sua agress\u00e3o no Donbass. Amea\u00e7a com outro ataque do Norte. Comboios com equipamento militar russo e tropas invasoras chegam \u00e0 Belarus. Oficiais bielorrussos treinam russos rec\u00e9m mobilizados para serem enviados \u00e0 Ucr\u00e2nia. Est\u00e3o sendo realizados treinamentos conjuntos e a <em>\u00abcoordena\u00e7\u00e3o\u00bb<\/em>&nbsp;do ex\u00e9rcito bielorrusso com os russos, ou melhor, os bielorrussos est\u00e3o se <em><strong>adaptando<\/strong><\/em>&nbsp;aos russos. Convoca\u00e7\u00f5es s\u00e3o enviadas e s\u00e3o realizadas outras medidas de mobiliza\u00e7\u00e3o com uma evidente perspectiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Tenta-se tamb\u00e9m recrutar mercen\u00e1rios para uma \u201cCompanhia Militar Privada\u201d (CMP) da Belarus, uma c\u00f3pia da Companhia Privada <strong>Wagner<\/strong>&nbsp;da R\u00fassia (com pouco \u00eaxito devido \u00e0 impopularidade da guerra). Isso ocorre dentro de um contexto em que Putin est\u00e1 apostando em uma <strong>guerra prolongada de desgaste<\/strong> e ainda considera como poss\u00edvel op\u00e7\u00e3o organizar uma nova ofensiva a partir da Belarus. Lukashenko se \u201cmostra\u201d no Monast\u00e9rio de Santa Isabel da Igreja Ortodoxa Russa, que promove o <em>\u00abMundo Russo<\/em>\u00bb e arrecada fundos para os ocupantes russos na Ucr\u00e2nia, expressando assim seu apoio a esta atividade.<\/p>\n\n\n\n<p>O regime de Lukashenko produz armas, capacetes e coletes \u00e0 prova de balas, uniformes, kits de primeiros socorros para o ex\u00e9rcito russo, conserta equipamentos, fornece alimentos \u00e0 R\u00fassia. A ind\u00fastria est\u00e1 cada vez mais reorientada para a R\u00fassia. V\u00e1rias empresas transferiram a produ\u00e7\u00e3o diretamente para os ocupantes russos. Existe com\u00e9rcio direto entre Belarus e as administra\u00e7\u00f5es da ocupa\u00e7\u00e3o russa na Ucr\u00e2nia. Representantes de Lukashenko visitaram esses territ\u00f3rios e representantes das administra\u00e7\u00f5es da ocupa\u00e7\u00e3o visitaram a Belarus. A economia do pa\u00eds est\u00e1 se adaptando rapidamente \u00e0s necessidades da R\u00fassia. Ou seja, est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do regime de Putin, cujo objetivo principal hoje \u00e9 a guerra. Para isso h\u00e1 os empr\u00e9stimos que financiam a propaganda estatal bielorrussa, transformada em uma c\u00f3pia da propaganda oficial de Putin.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o regime colaboracionista de Lukashenko e seu aparato estatal est\u00e3o fazendo todo o poss\u00edvel para a guerra de Putin contra a Ucr\u00e2nia. Inclusive, uma poss\u00edvel nova invas\u00e3o russa a partir do Norte com a participa\u00e7\u00e3o de soldados bielorrussos.<\/p>\n\n\n\n<p>A Fran\u00e7a, sob o regime de ocupa\u00e7\u00e3o de Vichy, foi de fato a retaguarda da Alemanha para a guerra contra a URSS. A escala de sua economia em compara\u00e7\u00e3o com a R\u00fassia e sua posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica no teatro de opera\u00e7\u00f5es militares n\u00e3o permitem definir a Belarus como <em>retaguarda<\/em>&nbsp;da guerra de Putin. Mas quanto mais profunda \u00e9 a depend\u00eancia econ\u00f4mica do pa\u00eds e mais forte \u00e9 sua participa\u00e7\u00e3o em manobras militares, mais evidente \u00e9 que fica <strong>relegada ao n\u00edvel de uma parte da R\u00fassia. <\/strong><strong>\u00c9 um \u201ccampo de opera\u00e7\u00f5es\u201d russo para a guerra contra a Ucr\u00e2nia, com <\/strong>Lukashenko no papel de intendente militar.<\/p>\n\n\n\n<p>O regime de Lukashenko \u00e9 instrumento direto da guerra criminosa de Putin contra os ucranianos, c\u00famplice dos ocupantes russos na Ucr\u00e2nia e Belarus, entregador da soberania e da independ\u00eancia nacional. Todo bielorrusso em Belarus \u00e9 suspeito e pun\u00edvel. E os agressores russos s\u00e3o <em>\u201crecebidos com p\u00e3o e sal\u201d <\/em><em>em uma obrigat\u00f3ria manifesta\u00e7\u00e3o oficial televisada. Uma verdadeira demonstra\u00e7\u00e3o de humilha\u00e7\u00e3o nacional.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caminhos para a liberta\u00e7\u00e3o da Belarus<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No pa\u00eds hoje pode-se ouvir diferentes avalia\u00e7\u00f5es sobre as perspectivas para o desenvolvimento dos eventos e v\u00e1rios cen\u00e1rios poss\u00edveis. Nos deteremos nos principais.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>\u00abLukashenko trair\u00e1 Putin\u00bb<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Esta vis\u00e3o n\u00e3o leva em conta que o regime de Lukashenko est\u00e1, de fato, completamente nas m\u00e3os de Putin, econ\u00f4mica e militarmente. Est\u00e1 vinculado ao dinheiro dos empr\u00e9stimos, ao com\u00e9rcio, aos pedidos, ao controle do pa\u00eds pelos invasores russos e numerosos graduados de institui\u00e7\u00f5es educacionais militares russas em altos postos militares do regime de Lukashenko. Por esta depend\u00eancia \u00e9 que os fracassos de Putin na Ucr\u00e2nia complicam a posi\u00e7\u00e3o do regime de Lukashenko.&nbsp; <strong>E n\u00e3o o empurram em absoluto a \u201cdistanciar-se\u201d de Putin, pelo contr\u00e1rio, leva a submeter-se cada vez mais a ele. <\/strong>Porque o regime de Lukashenko n\u00e3o tem outra sa\u00edda. <strong>Lukashenko \u00e9 o lacaio de Putin<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a ideia de que Lukashenko trair\u00e1 Putin seja<strong> contr\u00e1ria \u00e0 l\u00f3gica e aos fatos<\/strong>, paradoxalmente esta vers\u00e3o \u00e9 sustentada simultaneamente pelo regime de Lukashenko e por Putin, pelos governos ocidentais e pelo governo de Zelensky e pela oposi\u00e7\u00e3o liberal bielorrussa. O fato \u00e9 que esta ideia \u00e9 <strong>ben\u00e9fica para todos eles de diferentes formas e por diferentes motivos.<\/strong> Isto permite ao lacaio de Putin, Lukashenko, mostrar-se como um \u201cpol\u00edtico independente\u201d, manter rela\u00e7\u00f5es com o governo de Zelensky e com os governos ocidentais e conseguir com que estes ignorem relativamente Tikhanovskaya (a candidata presidencial opositora que ganhou as elei\u00e7\u00f5es e agora est\u00e1 exilada e seu esposo preso). Permite a Putin usar Lukashenko ao m\u00e1ximo para a guerra e ao mesmo tempo manter uma \u201cjanela para a Europa\u201d, no terreno econ\u00f4mico e pol\u00edtico.<a> <\/a>Permite aos governos ocidentais evitar o <em>\u00abagravamento\u00bb<\/em>&nbsp;interno na Belarus e continuar pressionando a Ucr\u00e2nia na dire\u00e7\u00e3o de um \u00abtratado de paz\u00bb, atrav\u00e9s de Lukashenko. Permite ao governo ucraniano n\u00e3o desagradar aos governos ocidentais, evitando unir a luta dos povos bielorrusso e ucraniano, o que seria muito perigoso para os oligarcas locais e as pot\u00eancias do Ocidente. <strong>Permite a <\/strong>Tikhanovskaya e companhia inspirar os bielorrussos na ilus\u00e3o da possibilidade de um \u00abdi\u00e1logo\u00bb com a ditadura e flertar com seu aparato estatal, continuar a <strong>pol\u00edtica de \u00abacordo\u00bb com o regime ao inv\u00e9s de derrub\u00e1-lo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Liberta\u00e7\u00e3o \u201cdo exterior\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Isto significa que a derrota de Putin na Ucr\u00e2nia conduzir\u00e1 automaticamente \u00e0 queda do regime de Lukashenko na Belarus, ou que os ucranianos, os governos ocidentais e o Regimento de Kalinovski o far\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Muito pouco prov\u00e1vel que seja assim. A derrota de Putin na Ucr\u00e2nia realmente debilitaria o regime de Lukashenko. Objetivamente, os ucranianos est\u00e3o lutando por nossa liberdade. Mas isto <strong>\u00e9 s\u00f3 um pr\u00e9 requisito <\/strong><strong>para a queda do regime. N\u00e3o cair\u00e1 por si pr\u00f3prio, algu\u00e9m ter\u00e1 que tir\u00e1-lo.<\/strong>&nbsp; Isso definitivamente n\u00e3o ser\u00e1 feito pelo comando das For\u00e7as Armadas da Ucr\u00e2nia e pelos governos das pot\u00eancias ocidentais. Inclusive hoje, ignoram Tikhanovskaya e n\u00e3o fazem contatos com ela mais al\u00e9m de eventos simb\u00f3licos, mas est\u00e3o em contato com os regimes de Putin e Lukashenko. Tentar\u00e3o preservar estes regimes tanto quanto for poss\u00edvel no futuro. O colapso de regimes que <strong>garantem a estabilidade, a explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e povos, por meio da repress\u00e3o <\/strong>de uma vasta regi\u00e3o no interesse das estruturas financeiras ocidentais n\u00e3o \u00e9 rent\u00e1vel para as pot\u00eancias imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, neste esquema de preserva\u00e7\u00e3o do regime, a Belarus poderia se tornar um \u201cpr\u00eamio de consola\u00e7\u00e3o\u201d, se o Ocidente e o governo ucraniano permitissem ao regime de Putin a anexa\u00e7\u00e3o, para apresent\u00e1-la aos russos como <strong>uma conquista <\/strong>da \u201cOpera\u00e7\u00e3o Militar Especial\u201d e evitar desestabilizar o regime.<\/p>\n\n\n\n<p>O regimento de Kalinovski \u00e9 pequeno em compara\u00e7\u00e3o ao aparato repressivo de Lukashenko. Al\u00e9m disso, eles n\u00e3o ser\u00e3o consequentes em libertar a Belarus, porque <strong>dependem das for\u00e7as pol\u00edticas que querem um acordo com o regime de Lukashenko<\/strong>. &nbsp;As Defesas Territoriais da Ucr\u00e2nia s\u00e3o relativamente mais independentes do comando das For\u00e7as Armadas da Ucr\u00e2nia, por\u00e9m tamb\u00e9m n\u00e3o devemos supor que far\u00e3o o trabalho dos bielorrussos. Portanto, ningu\u00e9m far\u00e1 o trabalho no lugar dos bielorrussos. Ser\u00e3o os bielorrussos na Belarus, os que ter\u00e3o que derrubar o regime de Lukashenko.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Liberta\u00e7\u00e3o \u201cde dentro\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse momento, ningu\u00e9m formula tal cen\u00e1rio, visto que praticamente h\u00e1 uma supress\u00e3o do movimento de massas no pa\u00eds. Manifesta-se no pessimismo que muitos t\u00eam sobre as perspectivas da Belarus. Porque se apenas se fechar dentro da Belarus, vai ver s\u00f3 uma imagem: <strong>o fortalecimento da repress\u00e3o do regime e que a R\u00fassia devora Belarus<\/strong>. Isto provoca apatia, leva a baixar os bra\u00e7os, a retrair-se em si mesmo. E isso \u00e9 tudo o que Lukashenko quer.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a luta n\u00e3o come\u00e7a nem termina dentro de Belarus. <strong>H\u00e1 uma grande guerra na Ucr\u00e2nia, a Belarus \u00e9 um elo importante na cadeia desta guerra e seu resultado \u00e9 de import\u00e2ncia pol\u00edtica fundamental para a causa da Belarus. <\/strong>As derrotas de Putin na Ucr\u00e2nia tornam o <strong>regime de Lukashenko cada vez mais vulner\u00e1vel<\/strong>, apesar da apar\u00eancia que o regime cria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um \u00fanico processo para a liberta\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia e da Belarus<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na realidade, a queda da ditadura de Lukashenko, com a expuls\u00e3o dos ocupantes russos e a derrota de Putin na Ucr\u00e2nia s\u00e3o um<strong> \u00fanico processo.<\/strong> O aparato estatal bielorrusso caminhar\u00e1 com uma \u201ccoleira cada vez mais curta\u201d na m\u00e3o de Putin. De fora ningu\u00e9m nos libertar\u00e1. Mas inclusive dentro a Belarus n\u00e3o estaremos s\u00f3s. \u00c9 imposs\u00edvel prever se os ucranianos vencer\u00e3o primeiro e depois derrubaremos o regime, ou se derrubaremos o regime e desta forma ajudaremos os ucranianos. N\u00e3o h\u00e1 tal ordem estabelecida.<strong> Sim, pode-se dizer com certeza que cada vit\u00f3ria dos ucranianos contra Putin j\u00e1 debilita Lukashenko<\/strong> e facilita a liberta\u00e7\u00e3o da Belarus. A solidariedade do povo bielorrusso para com os ucranianos e a recusa de lutar contra eles, por ordem de Putin e Lukashenko, j\u00e1 est\u00e1 ajudando os ucranianos a ganhar.&nbsp;<strong> Mas organizar a resist\u00eancia contra o regime dentro da Belarus pode fazer ainda mais, e esta \u00e9 nossa tarefa principal.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 motivos para pessimismo na Belarus hoje. Se observarmos todo o panorama da luta na regi\u00e3o, ser\u00e1 poss\u00edvel entender a<strong> conex\u00e3o entre as batalhas na Ucr\u00e2nia e a Belarus pela liberta\u00e7\u00e3o de nossos pa\u00edses<\/strong>&nbsp;e nos daremos conta de que n\u00e3o vai mal. E baixar os bra\u00e7os neste momento \u00e9 dar uma chance a Putin e Lukashenko. Para n\u00f3s, bielorrussos comuns, n\u00e3o \u00e9 momento de esperar por tempos sombrios. Pelo contr\u00e1rio, precisamos <strong>nos comunicar e nos preparar para importantes lutas em nosso pa\u00eds em um futuro muito pr\u00f3ximo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gl\u00f3ria \u00e0 Ucr\u00e2nia! Viva Belarus!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em dezembro, Lukashenko recebeu a visita de uma delega\u00e7\u00e3o representativa dos principais criminosos de guerra russos, Putin, Shoig\u00fa e Lavrov. N\u00e3o foram publicados os detalhes da conversa, mas \u201cexplicaram\u201d que se tratava de coopera\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o militar e econ\u00f4mica. 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