{"id":75836,"date":"2023-01-22T14:45:53","date_gmt":"2023-01-22T14:45:53","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=75836"},"modified":"2023-01-22T14:45:55","modified_gmt":"2023-01-22T14:45:55","slug":"mobilizacao-historica-contra-a-reforma-previdenciaria-na-franca-o-que-segue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/01\/22\/mobilizacao-historica-contra-a-reforma-previdenciaria-na-franca-o-que-segue\/","title":{"rendered":"<strong>Mobiliza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica contra a reforma previdenci\u00e1ria na Fran\u00e7a: o que segue?<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Um dia de triunfo que n\u00e3o ser\u00e1 suficiente<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Com 1.120.000 manifestantes anunciados\/as pelo Minist\u00e9rio do Interior, e mais de 2 milh\u00f5es de acordo com a CGT, o primeiro dia de mobiliza\u00e7\u00e3o contra a nova reforma previdenci\u00e1ria, convocada pelas 8 centrais sindicais do pa\u00eds, foi muito forte, com manifesta\u00e7\u00f5es em mais de 250 cidades. O novo projeto da Macron pretende fazer com que a idade legal (m\u00ednima) de aposentadoria passe de 62 para 64 anos e antecipar a extens\u00e3o do per\u00edodo de contribui\u00e7\u00e3o para 43 anos (j\u00e1 decidido durante a reforma do governo Hollande), para 2027 ao inv\u00e9s de 2035. Muitos\/as ativistas nunca tinham visto tanta gente nas ruas antes. Temos que voltar \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es de 2006 contra o &#8220;Contrat Premi\u00e8re Embauche&#8221;, ou mesmo \u00e0s de 1995 contra a reforma previdenci\u00e1ria do governo Jupp\u00e9, para encontrar elementos de compara\u00e7\u00e3o, dependendo da cidade. O feedback dos sindicatos anunciava um \u00eaxito, mas n\u00e3o nesta escala.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Lucas Peeters<\/p>\n\n\n\n<p>Com a estagna\u00e7\u00e3o da mobiliza\u00e7\u00e3o por sal\u00e1rios mais altos depois de 18 de outubro, em um contexto ainda assim marcado pela infla\u00e7\u00e3o, havia algumas d\u00favidas sobre a capacidade dos sindicatos de mobilizar em seu padr\u00e3o de dias isolados de a\u00e7\u00e3o. A atitude, na melhor das hip\u00f3teses observadora e geralmente hostil, de uma grande maioria das estruturas sindicais em rela\u00e7\u00e3o ao movimento dos Coletes Amarelos, tamb\u00e9m ainda est\u00e1 na mem\u00f3ria de muitos\/as trabalhadores\/as, que n\u00e3o veem na estrutura sindical de mobiliza\u00e7\u00e3o a possibilidade de elevar a conflitualidade pol\u00edtica ao ponto de fazer um governo ceder. Por outro lado, talvez seja tamb\u00e9m, no final, o fracasso do movimento dos Coletes Amarelos em termos de satisfa\u00e7\u00e3o das reivindica\u00e7\u00f5es, o que leva alguns\/mas a se apropriarem desta estrutura, por falta de outras, para se organizarem. Mesmo assim, este apelo intersindical para uma greve interprofissional contra a reforma previdenci\u00e1ria foi um triunfo num\u00e9rico em termos de manifestantes e, em menor grau, em termos de grevistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, o governo Jupp\u00e9 havia cedido depois que a economia do pa\u00eds foi bloqueada por tr\u00eas semanas de greves intensivas. A situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mudou desde 1995, com um endurecimento das imposi\u00e7\u00f5es capitalistas e um governo inclinado para a repress\u00e3o social. Portanto, ser\u00e1 necess\u00e1rio colocar o n\u00edvel de mobiliza\u00e7\u00f5es e formas de a\u00e7\u00e3o pelo menos no n\u00edvel desta \u00faltima refer\u00eancia, se esperamos vencer.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pontos fortes e limites das estruturas organizacionais no estado atual<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Os pontos de apoio antes de 19 de janeiro<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Este triunfo tamb\u00e9m n\u00e3o soou realmente como uma trovoada num c\u00e9u calmo. Atualmente, h\u00e1 muitas mobiliza\u00e7\u00f5es em empresas para aumentos salariais. Entretanto, essas mobiliza\u00e7\u00f5es s\u00e3o localizadas e procedem de uma reconstru\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia de classe. Mas \u00e9 dif\u00edcil saber se esta consci\u00eancia de classe \u00e9 limitada por uma tend\u00eancia corporativista, muitas vezes refor\u00e7ada por estrat\u00e9gias sindicais confinadas ao di\u00e1logo social, ou pela consci\u00eancia de que para se vislumbrar uma conflitualidade geral, s\u00e3o necess\u00e1rias ferramentas pr\u00e1ticas e pol\u00edticas que s\u00e3o hoje muito embrion\u00e1rias. \u00c9 neste contexto que temos que entender o chamado da CGT P\u00e9trole<a href=\"#_edn1\" id=\"_ednref1\">[1]<\/a> de 12 de janeiro, propondo um plano progressivo que n\u00e3o exclui o fechamento das instala\u00e7\u00f5es, com um primeiro dia de greve em 19 de janeiro, depois uma segunda fase de 48 horas em 26 e 27 de janeiro, e finalmente tr\u00eas dias de greve que poderiam levar a uma greve prorrog\u00e1vel a partir de 6 de fevereiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta proposta tem a dupla vantagem de propor um calend\u00e1rio que permite que os diferentes setores se preparem progressivamente para a greve. Os marcos estabelecidos tamb\u00e9m permitem fazer um balan\u00e7o e limitar dois riscos. Em primeiro lugar, o de ver setores &#8220;de vanguarda&#8221; se esgotarem na greve antes que outros possam se juntar a eles; em segundo lugar, o de ter novamente greves por procura\u00e7\u00e3o, lideradas por setores-chave, que certamente podem ser eficazes, mas que n\u00e3o levam a uma situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da mesma natureza de quando todo o mundo do trabalho deixa de trabalhar para se organizar e lutar. Durante a greve de 2019, alguns\/mas trabalhadores\/as ferrovi\u00e1rios\/as disseram que a melhor maneira de ajud\u00e1-los\/as n\u00e3o era aumentar os fundos da greve, mas trabalhar para levar outros setores profissionais \u00e0 greve.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>E o &#8220;plano&#8221; da intersindical nacional<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ignorando o plano proposto pela CGT P\u00e9trole, e apesar do \u00eaxito de 19 de janeiro, a intersindical nacional decidiu convocar um novo dia de greve em&#8230; 31 de janeiro. Mais um dia isolado n\u00e3o inclu\u00eddo em um plano de batalha, com a administra\u00e7\u00e3o assumindo decidir sucessivamente sobre o seguimento de cada mobiliza\u00e7\u00e3o de acordo com o \u00eaxito de cada uma! Mais uma invisibiliza\u00e7\u00e3o dos setores mais combativos! Mais uma invisibiliza\u00e7\u00e3o de outros quadros de mobiliza\u00e7\u00e3o &#8211; pensemos o que pensarmos deles &#8211; como o apelo \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o de 21 de janeiro em Paris, lan\u00e7ado por organiza\u00e7\u00f5es juvenis mais ou menos ligadas \u00e0 France Insoumise! E mais um quadro que isola os\/as trabalhadores\/as que legitimamente gostariam de parar de trabalhar para preparar uma greve massiva, formando, por exemplo, coletivos de mobiliza\u00e7\u00e3o que poderiam tecer v\u00ednculos entre empresas e com estabelecimentos ainda n\u00e3o mobilizados, dirigir-se \u00e0 popula\u00e7\u00e3o para que esta apoie futuras mobiliza\u00e7\u00f5es, notadamente criando e alimentando fundos de greve&#8230; Na noite de 31 de janeiro, \u00e9 bastante \u00f3bvio que se a auto-organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o se desenvolver, veremos repetir-se um cen\u00e1rio que infelizmente se tornou cl\u00e1ssico. \u00c9 preciso evitar que as lideran\u00e7as sindicais mantenham o controle da luta e a levem ao fracasso, programando outros dias de a\u00e7\u00e3o tipo \u201csalto de sapo\u201d at\u00e9 que as tropas se esgotem. Sem a auto-organiza\u00e7\u00e3o, os apelos a essas lideran\u00e7as &#8211; presas a um di\u00e1logo social que s\u00f3 leva a retrocessos &#8211; se revelar\u00e3o mais uma vez impotentes. Uma for\u00e7a material alternativa deve, portanto, ser colocada em pr\u00e1tica. Ela deve ser baseada no fato de serem os\/as pr\u00f3prios\/as grevistas a assumir o controle auto-organizado da greve.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito ao cronograma, toda a intersindical obviamente tem responsabilidade por esta proposta, mas com algumas nuances. A CFDT imp\u00f4s o dia 31 \u00e0 intersindical enquanto a CGT, FO, a FSU e Solidaires propuseram o dia 26 de janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nome da unidade e com a esperan\u00e7a de manter numerosas manifesta\u00e7\u00f5es, a intersindical \u00e9 novamente controlada por sua ala direita e se torna ainda mais incapaz de propor um plano de batalha coerente. \u00c9 de se perguntar se n\u00e3o estamos lidando com um jogo em que as lideran\u00e7as sindicais menos sujeitas ao di\u00e1logo social que a CFDT n\u00e3o encontram finalmente seus pr\u00f3prios caminhos, fazendo com que a CFDT assuma a responsabilidade pelas consequ\u00eancias de suas pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es. No campo do di\u00e1logo social para os sindicatos &#8211; assim como no campo do reformismo ou do centrismo para os partidos &#8211; \u00e9 muito \u00fatil ter algu\u00e9m mais direitista do que voc\u00ea para se esconder&#8230; Ent\u00e3o sim, os desfiles da CFDT eram mais numerosos do que os da CGT em certas cidades, mas para que prop\u00f3sito? Al\u00e9m disso, temos que considerar que a dire\u00e7\u00e3o da CFDT, na l\u00f3gica que se tornou tradicionalmente sua pr\u00f3pria postura como o melhor aspirador de migalhas na mesa dos patr\u00f5es, talvez j\u00e1 esteja negociando com o governo Macron. Por exemplo, poderia ser uma quest\u00e3o de &#8220;avan\u00e7os&#8221; no reconhecimento do trabalho duro, mencionado durante as reformas anteriores, e ao qual a CFDT diz estar muito apegado. Mas a efic\u00e1cia do reconhecimento do trabalho duro n\u00e3o diz respeito a quase ningu\u00e9m, pois \u00e9 t\u00e3o complicado entrar na estrutura finalmente definida durante as &#8220;negocia\u00e7\u00f5es&#8221; anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Algumas quest\u00f5es e perspectivas em torno da batalha previdenci\u00e1ria que est\u00e1 come\u00e7ando na Fran\u00e7a<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Uma resposta internacional a um ataque internacional<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As lutas por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida &#8211; ou pelo menos para p\u00f4r um fim \u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o dessas condi\u00e7\u00f5es &#8211; notadamente atrav\u00e9s de aumentos salariais, ou da preserva\u00e7\u00e3o de sistemas de solidariedade, est\u00e3o se desenvolvendo em muitos pa\u00edses. A quest\u00e3o de como se organizar para construir uma correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as diante dos governos comprometidos com o capitalismo \u00e9 uma quest\u00e3o que vai al\u00e9m da Fran\u00e7a, pois as burguesias se coordenam para aplicar seus planos, justificando, por exemplo, a harmoniza\u00e7\u00e3o para baixo em nome da equidade ou da simplifica\u00e7\u00e3o. Na Espanha, v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es que defendem as conquistas do sistema de aposentadoria\/pens\u00e3o espanhol expressaram apoio \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a<a href=\"#_edn2\" id=\"_ednref2\">[2]<\/a>. Eles denunciam a estrat\u00e9gia, concertada em n\u00edvel internacional, dos poderes financeiros e das institui\u00e7\u00f5es europeias com o objetivo de romper e privatizar os sistemas p\u00fablicos de aposentadoria.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, as &#8220;recomenda\u00e7\u00f5es&#8221; da Comiss\u00e3o Europeia, emitidas em 17 de junho de 2022<a href=\"#_edn3\" id=\"_ednref3\">[3]<\/a>, mencionam a necessidade de uniformizar os diversos sistemas de aposentadoria, apontando que as despesas associadas representam uma parcela muito grande do PIB, particularmente porque a idade legal de aposentadoria de 62 anos \u00e9 considerada muito baixa&#8230; Quando sabemos que em alguns pa\u00edses europeus a idade legal de aposentadoria \u00e9 de 67 anos, como na B\u00e9lgica, entendemos que a preocupa\u00e7\u00e3o com a &#8220;harmoniza\u00e7\u00e3o&#8221; resultar\u00e1 em outras reformas que vir\u00e3o se esta for aprovada.<\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio \u00e9, portanto, orientado principalmente para a preocupa\u00e7\u00e3o de pagar a &#8220;d\u00edvida&#8221;. Mas a quest\u00e3o da viabilidade do atual sistema de aposentadorias\/pens\u00f5es n\u00e3o aparece, ou parece contradit\u00f3ria com a necessidade de reform\u00e1-lo, uma vez que as recomenda\u00e7\u00f5es reconhecem que os gastos com pens\u00f5es diminuir\u00e3o a partir de 2030&#8230; H\u00e1 v\u00e1rios anos, o &#8220;comando a trav\u00e9s da d\u00edvida&#8221; tem sido o modo de governan\u00e7a pelo qual os capitalistas dirigem as pol\u00edticas p\u00fablicas para privatizar os componentes sociais dos Estados.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2020, um dossi\u00ea destacando a articula\u00e7\u00e3o entre capitalistas e autoridades p\u00fablicas em escala europeia foi produzido pelo jornal Bastamag<a href=\"#_edn4\" id=\"_ednref4\">[4]<\/a>. Apresentava o fundo de investimento Blackrock, que estava pressionando a Comiss\u00e3o Europeia a comercializar um produto financeiro que poderia complementar aposentadorias\/pens\u00f5es incertas ou inadequadas. Podemos, portanto, entender o interesse desses capitalistas em reformar os sistemas de forma a tornar inacess\u00edveis as condi\u00e7\u00f5es para uma aposentadoria\/pens\u00e3o adequada&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desta quebra sist\u00eamica, as declara\u00e7\u00f5es internacionais de apoio s\u00e3o elementos valiosos, que energizam as lutas locais. Em termos de internacionalismo, seu desenvolvimento poderia preceder o desenvolvimento da ajuda material e, idealmente, o desenvolvimento de um movimento tamb\u00e9m em escala internacional. Em 2020, esta materializa\u00e7\u00e3o da ajuda tinha tomado forma com um fundo de greve internacional em escala europeia que permaneceu simb\u00f3lico, mas que poderia assumir outra dimens\u00e3o em lutas futuras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mecanismos recorrentes a serem identificados e uma argumenta\u00e7\u00e3o e propostas a serem colocadas em um plano revolucion\u00e1rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Este mecanismo de quebra dos sistemas p\u00fablicos para criar complementos sujeitos \u00e0s regras do mercado e a valoriza\u00e7\u00e3o do capital n\u00e3o \u00e9 novo. Este &#8220;mecanismo&#8221; \u00e9 o que foi recentemente elaborado na Fran\u00e7a com o sistema de Prote\u00e7\u00e3o Social Complementar, que recorre a fundos privados com o objetivo de se desenvolver em \u00e1reas atualmente cobertas pela Previd\u00eancia Social. Aqui mais uma vez, todas as lideran\u00e7as sindicais acompanharam a transforma\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da assinatura dos protocolos de implementa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>As reformas n\u00e3o s\u00e3o &#8220;ideol\u00f3gicas&#8221;, ou at\u00e9 mesmo irracionais, mas refletem os interesses da burguesia, que s\u00e3o contradit\u00f3rios com os nossos.<\/p>\n\n\n\n<p>Limitar-se ao argumento de que estes sistemas de solidariedade s\u00e3o vi\u00e1veis, mesmo na estrutura atual, \u00e9 colocar-se no terreno da burguesia. \u00c9 claro que esta viabilidade aumenta o car\u00e1ter escandaloso das preda\u00e7\u00f5es capitalistas, mas uma argumenta\u00e7\u00e3o baseada nisto \u00e9 falaciosa. Por um lado, \u00e9 fr\u00e1gil: ter\u00edamos que fazer concess\u00f5es sobre nossas condi\u00e7\u00f5es de vida e de trabalho se esses sistemas de solidariedade n\u00e3o fossem vi\u00e1veis no modo capitalista de produ\u00e7\u00e3o? Por outro lado, ela \u00e9 est\u00e9ril em termos de conscientiza\u00e7\u00e3o do fato de que, para acabar com a preda\u00e7\u00e3o capitalista, \u00e9 preciso acabar com o pr\u00f3prio modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista e suas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, \u00e9 uma pena ver organiza\u00e7\u00f5es da &#8220;esquerda da esquerda&#8221; repassando sem qualquer outra perspectiva as declara\u00e7\u00f5es do presidente do COR (Conselho de orienta\u00e7\u00e3o das pens\u00f5es) que afirma que &#8220;as despesas de aposentadoria\/pens\u00e3o n\u00e3o est\u00e3o escorregando, s\u00e3o relativamente controladas, na maioria das hip\u00f3teses&#8221;, e que estas despesas deveriam diminuir a longo prazo. Seria mais salutar, por exemplo, destacar a necessidade de ressocializar os sistemas de solidariedade que foram privatizados nos \u00faltimos anos. Tamb\u00e9m seria necess\u00e1rio avan\u00e7ar, de forma transit\u00f3ria, a necessidade de recuperar a seguridade social com base em institui\u00e7\u00f5es administradas pelos\/as trabalhadores\/as, cujo financiamento seria assegurado por contribui\u00e7\u00f5es entendidas como uma dedu\u00e7\u00e3o da riqueza criada, diretamente na fonte e n\u00e3o por impostos, que colocam os\/as trabalhadores\/as a contribuir para que eventualmente possam rever a cor da riqueza criada por seu trabalho!&nbsp; Mas n\u00e3o \u00e9 com uma esquerda que se faz passar por conselheira de uma burguesia, que aparentemente precisa ser convencida a ser razo\u00e1vel (!), que vamos criar as ferramentas para sair do capitalismo!<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Sobre o plano de batalha<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A juventude tamb\u00e9m foi fortemente mobilizada em 19 de janeiro, com bloqueios de escolas secund\u00e1rias e assembleias gerais de estudantes que decidiram desenvolver a mobiliza\u00e7\u00e3o. Este pequeno come\u00e7o de auto-organiza\u00e7\u00e3o na juventude \u00e9 precioso para estruturar o movimento. A evacua\u00e7\u00e3o de uma assembleia geral de estudantes na Universidade de Estrasburgo por parte dos CRS \u00e9 um sinal do medo que o governo tem diante da juventude, o que deveria nos fazer tomar consci\u00eancia da for\u00e7a que ela representa.<\/p>\n\n\n\n<p>No mundo do trabalho, o plano de batalha dos refinadores deve continuar sendo um ponto de apoio para a tomada de iniciativas de mobiliza\u00e7\u00e3o a partir da pr\u00f3xima semana. Existem poucas prorroga\u00e7\u00f5es da greve em estabelecimentos p\u00fablicos e empresas, mas elas precisar\u00e3o de pontos de apoio na pr\u00f3xima semana para fazer a jun\u00e7\u00e3o com 31 de janeiro, e para implementar uma continuidade que v\u00e1 al\u00e9m do calend\u00e1rio e dos modos de a\u00e7\u00e3o da intersindical.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas das estruturas sindicais mais combativas n\u00e3o est\u00e3o equivocadas. Apesar do adiamento da continua\u00e7\u00e3o da luta pela intersindical para 31 de janeiro, a CGT P\u00e9trole mant\u00e9m sua convoca\u00e7\u00e3o para uma greve de 48 horas nos dias 26 e 27 de janeiro, \u00e0 qual se une a CGT Energie<a href=\"#_edn5\" id=\"_ednref5\">[5]<\/a>; e a CGT des Ports et Docks<a href=\"#_edn6\" id=\"_ednref6\">[6]<\/a> de Paris convoca uma greve no dia 26 de janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>A salva\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais uma vez na auto-organiza\u00e7\u00e3o, com a tomada de iniciativas em diferentes formas: coletivos de mobiliza\u00e7\u00e3o, comit\u00eas de greve coordenados por setores e por localiza\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas. Estas estruturas de auto-organiza\u00e7\u00e3o seriam bem avisadas a chamar as lideran\u00e7as sindicais em nossos respectivos setores para que exijam uma greve renov\u00e1vel. Foi isso que a Sud Education decidiu, aproveitando a data de 31 de janeiro decidida pela intersindical.<\/p>\n\n\n\n<p>Tais estruturas tamb\u00e9m poderiam ser uma oportunidade para apresentar as outras preocupa\u00e7\u00f5es sociais do per\u00edodo. Por exemplo, as mulheres ser\u00e3o ainda mais impactadas pela reforma se ela for implementada. O movimento de mulheres, cuja estrutura vem se fortalecendo h\u00e1 v\u00e1rios anos, tamb\u00e9m poderia desempenhar um papel importante na mobiliza\u00e7\u00e3o, e se beneficiar com isso em troca. Naturalmente, estes quadros tamb\u00e9m poderiam fazer a liga\u00e7\u00e3o com a quest\u00e3o dos sal\u00e1rios: n\u00e3o \u00e9 a dura\u00e7\u00e3o da contribui\u00e7\u00e3o que precisa ser aumentada, \u00e9 o sal\u00e1rio!<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref1\" id=\"_edn1\">[1]<\/a> A CGT dos petroleiros, organizando em particular os refinadores<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref2\" id=\"_edn2\">[2]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.tercerainformacion.es\/opinion\/19\/01\/2023\/pensionistas-estado-espanol-apoyan-huelga-contra-reforma-macron\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.tercerainformacion.es\/opinion\/19\/01\/2023\/pensionistas-estado-espanol-apoyan-huelga-contra-reforma-macron\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref3\" id=\"_edn3\">[3]<\/a> Nota 20 do documento sobre a Fran\u00e7a a ser baixado no seguinte endere\u00e7o: <a href=\"https:\/\/www.consilium.europa.eu\/fr\/press\/press-releases\/2022\/06\/17\/european-semester-2022-country-specific-recommendations-agreed\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.consilium.europa.eu\/fr\/press\/press-releases\/2022\/06\/17\/european-semester-2022-country-specific-recommendations-agreed\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref4\" id=\"_edn4\">[4]<\/a> <a href=\"https:\/\/basta.media\/BlackRock-reforme-retraite-age-pivot-capitalisation-epargne-lobbying%20\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/basta.media\/BlackRock-reforme-retraite-age-pivot-capitalisation-epargne-lobbying <\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref5\" id=\"_edn5\">[5]<\/a> A CGT em todo o setor da energia, incluindo os el\u00e9tricos (EDF)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref6\" id=\"_edn6\">[6]<\/a> A CGT dos portos e docas, que organiza o setor dos estivadores<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dia de triunfo que n\u00e3o ser\u00e1 suficiente Com 1.120.000 manifestantes anunciados\/as pelo Minist\u00e9rio do Interior, e mais de 2 milh\u00f5es de acordo com a CGT, o primeiro dia de mobiliza\u00e7\u00e3o contra a nova reforma previdenci\u00e1ria, convocada pelas 8 centrais sindicais do pa\u00eds, foi muito forte, com manifesta\u00e7\u00f5es em mais de 250 cidades. 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