{"id":75727,"date":"2023-01-08T22:58:03","date_gmt":"2023-01-08T22:58:03","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=75727"},"modified":"2023-01-08T22:58:06","modified_gmt":"2023-01-08T22:58:06","slug":"os-protestos-iranianos-continuarao-em-2023","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/01\/08\/os-protestos-iranianos-continuarao-em-2023\/","title":{"rendered":"<strong><em>Os protestos iranianos continuar\u00e3o em 2023<\/em><\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Passaram-se mais de tr\u00eas meses desde a morte de Mahsa Amini sob cust\u00f3dia da Patrulha de Orienta\u00e7\u00e3o Religiosa do Ir\u00e3, mas os protestos movidos pela morte de Amini continuam desde Tabriz at\u00e9 Zahedan. A Voz dos Trabalhadores continua se solidarizando com os valentes manifestantes que lutam pelos direitos democr\u00e1ticos b\u00e1sicos contra a repress\u00e3o estatal cada vez mais severa.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Carlos Sapir<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O v\u00e9u que quebra as costas do regime<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sem minimizar a import\u00e2ncia da motiva\u00e7\u00e3o imediata dos protestos- pelos direitos das mulheres e contra a brutalidade policial-, \u00e9 importante lembrar que estes protestos s\u00e3o baseados em ondas anteriores de dist\u00farbios que amea\u00e7aram o Estado iraniano. Desde 2017, os iranianos t\u00eam sa\u00eddo repetidamente \u00e0s ruas para expressar sua raiva contra a austeridade econ\u00f4mica, a corrup\u00e7\u00e3o e a repress\u00e3o estatal. Entretanto, a rodada de protestos mais recente se destaca pela sua persist\u00eancia e seu car\u00e1ter generalizado em todo o pa\u00eds, apesar das dr\u00e1sticas medidas adotadas pelo governo iraniano para tentar acabar com elas.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rias centenas de manifestantes morreram nas m\u00e3os das for\u00e7as estatais at\u00e9 dezembro de 2022, e calcula-se que quase 20.000 foram detidos. Alguns manifestantes foram condenados \u00e0 morte por acusa\u00e7\u00f5es fr\u00e1geis de atacar as for\u00e7as do Estado, e algumas execu\u00e7\u00f5es j\u00e1 foram realizadas publicamente. A repress\u00e3o tem sido especialmente feroz contra as minorias \u00e9tnicas dentro do Ir\u00e3, sobretudo contra os baluchis e os \u00e1rabes sunitas, assim como contra os curdos, o grupo \u00e9tnico ao qual pertencia a pr\u00f3pria Mahsa Amini.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais al\u00e9m de suas respostas violentas aos protestos, outras manobras do regime sugerem que perdeu o equil\u00edbrio ao responder aos protestos generalizados. Publicamente, o regime manteve uma postura inquebrant\u00e1vel em defesa de suas pol\u00edticas mis\u00f3ginas. Tentou impedir os protestos aplicando amplos cortes da Internet cuja manuten\u00e7\u00e3o calcula-se que custa ao pa\u00eds 37 milh\u00f5es de d\u00f3lares por dia. Com um custo significativo para o governo iraniano e a popula\u00e7\u00e3o geral do Ir\u00e3, estes apag\u00f5es impediram tanto a organiza\u00e7\u00e3o dentro do Ir\u00e3 como a capacidade dos jornalistas internacionais para cobrir os protestos.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto tem dado lugar a uma percep\u00e7\u00e3o artificial de calma em escala internacional, que se v\u00ea dramaticamente alterada quando os iranianos s\u00e3o capazes de contornar os bloqueios, como ocorreu durante a fase de grupos da Copa Mundial, quando os manifestantes iranianos puderam aproveitar sua presen\u00e7a no Qatar para difundir suas consignas a favor da Mulher, Vida e Liberdade do interior dos est\u00e1dios de futebol durante as partidas do Ir\u00e3. Inclusive os representantes oficiais do futebol iraniano se negaram a cantar o hino nacional iraniano em sinal de protesto ap\u00f3s sua primeira partida no Mundial, embora mais tarde o fariam ap\u00f3s os encontros seguintes (e provavelmente sob amea\u00e7as diretas do governo). Frente a esta resist\u00eancia continuada dos iranianos, o governo iraniano seguiu com a absurda afirma\u00e7\u00e3o de que os protestos est\u00e3o sendo incitados pela Ar\u00e1bia Saudita, e cancelaram as conversa\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas em resposta, um sinal do crescente isolamento do regime.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Greves espor\u00e1dicas em meio aos dist\u00farbios em massa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora n\u00e3o tenha surgido uma lideran\u00e7a centralizada para o movimento de protesto e as coaliz\u00f5es sindicais n\u00e3o puderam convocar greves gerais em todo o pa\u00eds, os sindicatos industriais locais organizaram greves peri\u00f3dicas em solidariedade com os protestos, e estabelecendo a conex\u00e3o entre as pol\u00edticas econ\u00f4micas antioper\u00e1rias do regime iraniano e sua repress\u00e3o \u00e0s mulheres. Os protestos tamb\u00e9m se estenderam por mais de 100 universidades de todo o pa\u00eds. A capacidade dos trabalhadores para conectar sua milit\u00e2ncia trabalhista com o movimento de protesto mais amplo ser\u00e1 decisiva para a capacidade dos movimentos de protesto de amea\u00e7ar o regime iraniano. Enquanto isso, h\u00e1 informes de resist\u00eancia armada nas regi\u00f5es curdas iranianas, com o apoio de organiza\u00e7\u00f5es militantes curdas do outro lado da fronteira, no Iraque, enquanto a popula\u00e7\u00e3o curda oprimida do noroeste do Ir\u00e3 luta mais uma vez pela sua liberta\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00f3s socialistas apoiamos a lucha do povo iraniano<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como marxistas, apoiamos a luta do povo iraniano pelo fim das leis mis\u00f3ginas, da viol\u00eancia policial e da austeridade econ\u00f4mica antioper\u00e1ria. Embora o regime iraniano tente desviar a responsabilidade e pintar os protestos como maquina\u00e7\u00f5es de seus rivais regionais e do imperialismo estadunidense, estas acusa\u00e7\u00f5es s\u00e3o ocas dada a natureza cont\u00ednua e generalizada dos protestos. Ao mesmo tempo, nos opomos a qualquer interven\u00e7\u00e3o militar ou econ\u00f4mica dos Estados Unidos ou de outras pot\u00eancias imperialistas, que s\u00f3 serviriam para desbaratar o movimento de protesto, minar sua legitimidade e impedir ainda mais que a classe oper\u00e1ria iraniana controle o destino do Ir\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato de que alguns grupos neoestalinistas defendam o regime iraniano \u00e9 uma prova de sua incapacidade para enfrentar a autocracia capitalista quando n\u00e3o agita uma bandeira estadunidense, assim como de sua pr\u00f3pria amn\u00e9sia hist\u00f3rica, dado que a Rep\u00fablica Isl\u00e2mica presidiu o encarceramento e a execu\u00e7\u00e3o de milhares de ativistas socialistas, fossem estalinistas, trotskistas ou pertencentes a outras tend\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais al\u00e9m das lutas imediatas da classe oper\u00e1ria iraniana, o Ir\u00e3 se converteu em um provedor vital de muni\u00e7\u00f5es para a atual invas\u00e3o russa na Ucr\u00e2nia. Nesta capacidade, uma amea\u00e7a \u00e0 exist\u00eancia do regime da Rep\u00fablica Isl\u00e2mica tamb\u00e9m amea\u00e7a cortar a capacidade da R\u00fassia de continuar sua invas\u00e3o, for\u00e7ando a retirada das for\u00e7as russas da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos de acordo com a declara\u00e7\u00e3o da Liga Internacional dos Trabalhadores de 6 de dezembro em apoio aos protestos, que conclu\u00eda: \u201cAcreditamos que o atual regime do Ir\u00e3 deva ser substitu\u00eddo por um governo da classe oper\u00e1ria. S\u00f3 um governo formado e dirigido por trabalhadores, agricultores e pelas nacionalidades oprimidas poder\u00e1 colocar o controle da economia nas m\u00e3os dos trabalhadores para construir uma sociedade livre da explora\u00e7\u00e3o, com sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o gratuitas, e garantir todos os direitos democr\u00e1ticos, inclusive o direito de sucess\u00e3o \u00e0s minorias oprimidas, e a plena igualdade para as mulheres e as comunidades LGBTQ\u201d (<a href=\"https:\/\/workersvoiceus.org\/2022\/12\/06\/iwl-statement-in-support-of-the-protests-in-iran\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/workersvoiceus.org\/2022\/12\/06\/iwl-statement-in-support-of-the-protests-in-iran\/<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 fun\u00e7\u00e3o dos socialistas de todo o mundo criar la\u00e7os de solidariedade e apoio com o povo trabalhador do Ir\u00e3, pedir a liberta\u00e7\u00e3o dos milhares de manifestantes encarcerados, proporcionar apoio material \u00e0 classe trabalhadora do Ir\u00e3, opor-nos \u00e0s daninhas interven\u00e7\u00f5es imperialistas e mobilizar nossos sindicatos, grupos de estudantes e organiza\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias para que se unam a n\u00f3s nestes esfor\u00e7os de solidariedade.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Foto: Manifestantes no Ir\u00e3 exibem a foto de Mahsa Amini. (Osan Kose \/ AFP \/ Getty Images)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passaram-se mais de tr\u00eas meses desde a morte de Mahsa Amini sob cust\u00f3dia da Patrulha de Orienta\u00e7\u00e3o Religiosa do Ir\u00e3, mas os protestos movidos pela morte de Amini continuam desde Tabriz at\u00e9 Zahedan. 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