{"id":75724,"date":"2023-01-06T19:32:39","date_gmt":"2023-01-06T19:32:39","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=75724"},"modified":"2023-01-06T19:32:42","modified_gmt":"2023-01-06T19:32:42","slug":"pela-independencia-dos-movimentos-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/01\/06\/pela-independencia-dos-movimentos-sociais\/","title":{"rendered":"Pela Independ\u00eancia dos Movimentos Sociais"},"content":{"rendered":"\n<p>No mundo inteiro, a pandemia acelerou uma crise profunda que mostra que o Capitalismo n\u00e3o recuperou da crise de 2008, e por isso nem 15 anos passados somos chamados mais uma vez a pagar a fatura.<\/p>\n\n\n\n<p>Por: Em Luta &#8211; Portugal<\/p>\n\n\n\n<p>A quebra das cadeias de abastecimento de mat\u00e9rias-primas, o avan\u00e7o galopante das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, a Guerra da Ucr\u00e2nia, entre outros, s\u00e3o fatores concretos que fazem fermentar uma situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica imprevis\u00edvel, onde a agressividade dos de cima condena os de baixo a encontrar formas de fazer face \u00e0 nova realidade. Uma das formas \u00e9 a luta organizada.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora vejamos o caso portugu\u00eas. O \u201cmilagre\u201d da Geringon\u00e7a ressuscitou o PS (Partido Socialista) e permitiu estabilidade para a burguesia portuguesa se refazer da crise, chamuscando a esquerda. O Governo \u201cprogressista\u201d deu muito pouco e foi, sobretudo, incapaz de devolver o que havia sido retirado pela Troika e Passos Coelho. Pagamos um pre\u00e7o elevado. A base real que permitiu uma Geringon\u00e7a, que foram os movimentos sociais contra a austeridade, foi desmobilizada em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 ilus\u00e3o no Governo. Hoje, com o piorar &nbsp;das condi\u00e7\u00f5es de vida, rebaixamento dos sal\u00e1rios face \u00e0 infla\u00e7\u00e3o e, consequente, aumento do custo de vida e um mercado habitacional insuport\u00e1vel, vemos uma crise social profunda, e um enorme desafio: reerguer um movimento social que possa derrotar a ofensiva dos governos e patr\u00f5es, e que, sobretudo, tire li\u00e7\u00f5es do Governo Costa.<\/p>\n\n\n\n<p>A independ\u00eancia, a radicalidade nas a\u00e7\u00f5es e a procura de nos entrincheiramos com as pessoas da nossa classe, colocadas entre a espada e parede pela degrada\u00e7\u00e3o das suas condi\u00e7\u00f5es de vida, ser\u00e3o a chave para ampliar a base dos movimentos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Construir um poderoso movimento social<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso construir um poderoso movimento social que d\u00ea resposta \u00e0 crise habitacional, mas que d\u00ea uma resposta global ao problema. O que queremos dizer com global? Sabemos que a atual crise habitacional est\u00e1 ligada ao projeto de pa\u00eds, e tamb\u00e9m ao projeto de cidade, que ataca o conjunto dos trabalhadores, e \u00e9 particularmente voraz com os mais pobres, explorados e oprimidos. Por isso, assume particular agressividade para com as pessoas e comunidades racializadas, imigrantes como temos visto no caso do 2\u00ba Torr\u00e3o em Almada, onde o PS ao servi\u00e7o da mesma especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria das rendas de 700, 800 e 900 euros, demole sem alternativa habita\u00e7\u00f5es de fam\u00edlias inteiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Na nossa opini\u00e3o n\u00e3o conseguimos construir esse movimento que dialogue e aponte para uma raiz mais profunda, em que o racismo, o projeto de pa\u00eds, a divis\u00e3o de trabalho, o acesso \u00e0 cidade, a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica estejam colocados, sem realizarmos uma profunda experi\u00eancia de organiza\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia. Resist\u00eancia ao sistema, aos seus representantes e institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que arme cada vez mais sectores na nossa classe para unir as pontas soltas que permitem avan\u00e7ar para al\u00e9m das alternativas da direita (que quer mais submiss\u00e3o) ou da concilia\u00e7\u00e3o com o PS (para onde oscilam BE (Bloco de Esquerda) e PCP (Partido Comunista Portugu\u00eas)).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A concilia\u00e7\u00e3o \u00e9 um beco sem sa\u00edda<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se os partidos do poder, PS e PSD (Partido Social Democrata), s\u00e3o os respons\u00e1veis pelas cidades dos ricos, que nos excluem da sua vida privilegiada, o que vir\u00e1 de diferente em futuros governos dos mesmos? Se a concilia\u00e7\u00e3o tem representado o adormecer da luta sindical, que faz com que at\u00e9 hoje a precariedade n\u00e3o pare de aumentar e cheguemos aos 30 anos sem possibilidade sair da casa dos pais e sem um v\u00ednculo duradouro de trabalho, para que serve afinal conciliar?<\/p>\n\n\n\n<p>Se at\u00e9 hoje vemos um poder pol\u00edtico incapaz de dar resposta \u00e0 opress\u00e3o na nossa sociedade, quer pela viol\u00eancia contra as mulheres, quer pela brutalidade policial ou na plena e incondicional inclus\u00e3o no trabalho das LGBT, mas tamb\u00e9m pelas condi\u00e7\u00f5es de vida dos oprimidos, que condi\u00e7\u00f5es temos em apostar nessas for\u00e7as como intermedi\u00e1rios ou recept\u00e1culos destas lutas? A alternativa tem de ser a independ\u00eancia de classe e independ\u00eancia do Estado, que a toda a hora nos quer dar um abra\u00e7o de urso para amansar as nossas lutas e reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No mundo inteiro, a pandemia acelerou uma crise profunda que mostra que o Capitalismo n\u00e3o recuperou da crise de 2008, e por isso nem 15 anos passados somos chamados mais uma vez a pagar a fatura. 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