{"id":75667,"date":"2022-12-29T00:48:43","date_gmt":"2022-12-29T00:48:43","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=75667"},"modified":"2022-12-29T00:48:46","modified_gmt":"2022-12-29T00:48:46","slug":"o-ano-em-que-tudo-aconteceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/12\/29\/o-ano-em-que-tudo-aconteceu\/","title":{"rendered":"<strong>O ano em que tudo aconteceu<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Quando come\u00e7amos a escrever o tradicional resumo do que aconteceu no mundo neste ano que est\u00e1 terminando, e como o refletimos na nossa p\u00e1gina, surge uma primeira conclus\u00e3o: vivemos numa \u00e9poca agitada e os anos anteriores foram intensos para a Humanidade. Mas este ano superou e n\u00e3o nos deu um momento de tr\u00e9gua: uma guerra na Europa, tens\u00f5es crescentes no mundo, in\u00fameras greves oper\u00e1rias contra os efeitos da infla\u00e7\u00e3o persistente e os ataques dos governos, rebeli\u00f5es e processos revolucion\u00e1rios em v\u00e1rios pa\u00edses do mundo e, como se n\u00e3o bastasse, um coronav\u00edrus que, por meio de suas muta\u00e7\u00f5es permanentes, veio para ficar.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: LIT-QI<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos come\u00e7ar com a quest\u00e3o do coronav\u00edrus. No in\u00edcio de 2022, a maioria dos governos do mundo \u201cdecretou\u201d o \u201cfim da pandemia\u201d, ao mesmo tempo em que uma nova variante (Omicron) se espalhava com alto \u00edndice de cont\u00e1gios [1]. Esta pol\u00edtica era a continuidade l\u00f3gica da \u201cnormaliza\u00e7\u00e3o\u201d da pandemia e da necessidade de retomar a plena atividade econ\u00f4mica e, com ela, os n\u00edveis \u201cnormais\u201d de explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e gera\u00e7\u00e3o de lucros.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois a pandemia tornou-se \u201cendemia\u201d (doen\u00e7a cr\u00f4nica, mas est\u00e1vel no seu impacto) e o Covid uma \u201cgripe forte\u201d: uma nova doen\u00e7a cr\u00f4nica passou a fazer parte dos riscos e sofrimentos quotidianos dos trabalhadores com um elevado e persistente n\u00famero de infe\u00e7\u00f5es [2]. A combina\u00e7\u00e3o da destrui\u00e7\u00e3o acelerada da natureza realizada pelo capitalismo, a alta concentra\u00e7\u00e3o populacional e sua proximidade com animais que s\u00e3o \u201cpontes\u201d de zoonoses (doen\u00e7as que s\u00e3o transmitidas de animais para humanos) preparam, inevitavelmente, novas pandemias. N\u00e3o \u00e9 uma conclus\u00e3o nossa: \u00e9 o que dizem muitos especialistas e os pr\u00f3prios organismos internacionais, como a OMS [3].<\/p>\n\n\n\n<p>No campo da economia mundial, em 2021, os governos burgueses e a imprensa capitalista anunciaram aos quatro ventos que, \u201cagora sim\u201d, come\u00e7ava a grande recupera\u00e7\u00e3o e crescimento econ\u00f4mico. J\u00e1 em 2021, consideramos que, na realidade, se tratava de uma recupera\u00e7\u00e3o a baixa altitude, an\u00e9mica, que ia travar mais ou menos rapidamente. Al\u00e9m disso, vinha marcada por uma alta infla\u00e7\u00e3o em todo o mundo. A realidade confirmou esse progn\u00f3stico. Ambos os componentes foram agravados pelas consequ\u00eancias da guerra na Ucr\u00e2nia [4].<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As greves oper\u00e1rias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Foto-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-75668\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Foto-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Foto-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Foto-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Foto-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Foto-1-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Foto-1-150x100.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Foto-1-696x464.jpg 696w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Foto-1-1068x712.jpg 1068w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Foto-1-1920x1280.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Protestos na Gr\u00e3-Bretanha<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m do debate sobre se j\u00e1 estamos em recess\u00e3o nas principais economias do mundo ou se estamos nos aproximando dela, a verdade \u00e9 que a infla\u00e7\u00e3o alta atinge duramente os sal\u00e1rios e o padr\u00e3o de vida dos trabalhadores em todo o mundo. Um golpe que d\u00e1 continuidade aos recebidos durante a pandemia e, al\u00e9m disso, se soma aos ataques que representam os planos de ajuste implementados pelos governos e os efeitos das privatiza\u00e7\u00f5es (totais ou parciais) e as redu\u00e7\u00f5es nos servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desses ataques, 2022 nos mostrou a confirma\u00e7\u00e3o e o crescimento de uma tend\u00eancia j\u00e1 anunciada no ano anterior: a crescente entrada da classe trabalhadora na luta, a partir de suas estruturas. A lista de greves em todo o mundo \u00e9 muito longa e extensa [5]. Neste quadro, avaliamos que o epicentro se localizou nos trabalhadores europeus e, dentro deles, nos trabalhadores brit\u00e2nicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Gr\u00e3-Bretanha, o gatilho foi o aumento dos ataques do governo aos servi\u00e7os p\u00fablicos, como transporte e sa\u00fade, com privatiza\u00e7\u00f5es e redu\u00e7\u00f5es. O ponto de partida foi a greve dos ferrovi\u00e1rios e, a partir da\u00ed, uma sucess\u00e3o de outras greves que hoje s\u00e3o centradas nos trabalhadores dos hospitais e do sistema de sa\u00fade [6]. H\u00e1 uma din\u00e2mica de greve geral que as diferentes burocracias sindicais tentam evitar, de v\u00e1rias formas. A verdade \u00e9 que esta onda de lutas se combina com uma crise dentro da burguesia devido \u00e0s consequ\u00eancias do Brexit e esta combina\u00e7\u00e3o j\u00e1 provocou a queda do governo de Boris Johnson [7] e o desgaste muito r\u00e1pido e sa\u00edda de Elizabeth Truss [8].<\/p>\n\n\n\n<p>O epicentro dessas greves e lutas oper\u00e1rias tem sido a Gr\u00e3-Bretanha. Mas teve express\u00f5es em muitos pa\u00edses, mesmo naqueles que n\u00e3o vivem um processo geral de lutas. Por exemplo, no Brasil, houve uma luta muito dura dos trabalhadores da Companhia Sider\u00fargica Nacional \u2013 CSN (uma das principais empresas do pa\u00eds com milhares de oper\u00e1rios) por um novo acordo salarial. Nesse \u00ednterim, a luta se acirrou porque a empresa demitiu a comiss\u00e3o que os oper\u00e1rios haviam escolhido para negociar (acabaram por ser reintegrados) [9].<\/p>\n\n\n\n<p>O importante de todo o processo \u00e9 que, nas elei\u00e7\u00f5es sindicais (tamb\u00e9m inclui outras f\u00e1bricas da regi\u00e3o), os trabalhadores escolheram uma nova dire\u00e7\u00e3o baseada na vanguarda da luta. Deram assim um primeiro passo muito importante numa tarefa que se apresenta como urgente para a maioria dos trabalhadores do mundo: substituir a burocracia sindical (que trai abertamente as lutas ou as encabe\u00e7a para isol\u00e1-las e det\u00ea-las) por novos dirigentes surgidos da luta. Nesse quadro, nossa se\u00e7\u00e3o no Brasil avan\u00e7ou em sua influ\u00eancia entre os trabalhadores da CSN e da cidade de Volta Redonda [10].<\/p>\n\n\n\n<p>Esta s\u00e9rie de greves \u00e9 produzida com objetivos econ\u00f4micos ou defensivos, mas t\u00eam um profundo significado pol\u00edtico, porque aponta contra o cerne das pol\u00edticas centrais das burguesias e dos governos: por um lado, reduzir sal\u00e1rios e piorar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e, por outro, privatizar ou reduzir servi\u00e7os p\u00fablicos, como transporte e sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Fazendo um balan\u00e7o de 2022 e suas perspectivas para o pr\u00f3ximo ano, um elemento central para a LIT-QI \u00e9 que nossa classe come\u00e7a a lutar a partir de suas estruturas, com sua organiza\u00e7\u00e3o e seus m\u00e9todos. Portanto, \u00e9 uma tarefa central conectar e intervir neste processo para impulsionar seu avan\u00e7o e desenvolvimento. Ao mesmo tempo, como vimos no exemplo da CSN, a classe oper\u00e1ria \u00e9 o centro onde queremos nos construir.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As rebeli\u00f5es no mundo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Foto-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-75669\" width=\"649\" height=\"431\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Protestos no Cazaquist\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>N\u00e3o s\u00f3 houve muitas greves, mas tamb\u00e9m v\u00e1rias rebeli\u00f5es populares importantes, algumas das quais chegaram ao n\u00edvel de verdadeiros processos revolucion\u00e1rios. Foi o caso do Sri Lanka (antigo Ceil\u00e3o), um pa\u00eds insular, ao sul da \u00cdndia. L\u00e1, uma onda persistente de mobiliza\u00e7\u00f5es e greves obrigou o odiado presidente Gotabaya Rajapaksa (eleito h\u00e1 alguns anos por uma grande maioria do voto popular) a renunciar e fugir do pa\u00eds e deixou o regime pol\u00edtico que liderou junto com seu irm\u00e3o Mahinde severamente atingido [11]. Embora o Sri Lanka seja um pa\u00eds relativamente pequeno e pouco conhecido no mundo, tem um significado para os trotskistas porque d\u00e9cadas atr\u00e1s uma organiza\u00e7\u00e3o dessa origem (o LSSP) teve grande peso nos processos de luta [12].<\/p>\n\n\n\n<p>Um impacto internacional muito maior teve a rebeli\u00e3o ocorrida no Ir\u00e3 em resposta ao assassinato de uma jovem curda por um agente da chamada Pol\u00edcia Moral, por &#8220;n\u00e3o usar o jihad corretamente&#8221; (len\u00e7o tradicional usado por mulheres mu\u00e7ulmanas). A resposta a este fato foi o estopim para a explos\u00e3o de uma grande raiva acumulada contra a ditadura clerical dos aiatol\u00e1s e se transformou em uma rebeli\u00e3o nacional contra o regime que continua, apesar da dura repress\u00e3o [13]. A mobiliza\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ou um primeiro triunfo porque o regime anunciou a dissolu\u00e7\u00e3o da odiada Pol\u00edcia Moral [14].<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no campo dos &#8220;gigantes&#8221;, em novembro, foram in\u00fameras as lutas e mobiliza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e populares espalhadas por grande parte da China \u00e0s quais, por sua import\u00e2ncia internacional, dedicamos v\u00e1rios artigos [15]. O estopim foi o cansa\u00e7o dos trabalhadores e do povo chin\u00eas contra as medidas sufocantes da pol\u00edtica denominada &#8220;Covid 0&#8221;, aplicada pela ditadura capitalista do PC chin\u00eas como ferramenta repressiva a servi\u00e7o da manuten\u00e7\u00e3o dos alt\u00edssimos n\u00edveis de explora\u00e7\u00e3o aos quais submete a classe trabalhadora de seu pa\u00eds. Mas esta foi apenas a fagulha que acendeu o &#8220;capim seco&#8221; da raiva acumulada contra este regime e a din\u00e2mica do movimento aponta diretamente contra ele. Consciente desse perigo, a ditadura recuou e eliminou algumas das medidas mais irritantes. Nesse sentido, podemos considerar que a onda de rebeldia obteve um primeiro triunfo parcial [16].<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Am\u00e9rica latina<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Foto-4-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-75671\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Foto-4-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Foto-4-300x200.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Foto-4-768x512.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Foto-4-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Foto-4-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Foto-4-150x100.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Foto-4-696x464.jpg 696w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Foto-4-1068x712.jpg 1068w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Foto-4-1920x1280.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Protestos no Peru<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Aqui vamos nos referir a tr\u00eas pa\u00edses. Em Cuba, no final de setembro, houve in\u00fameros protestos contra o apag\u00e3o que afetou todo o pa\u00eds. Na verdade, foi um salto nos cortes parciais e rotativos que sofrem diariamente os trabalhadores e o povo cubano. Ao analisar os fatos, reiteramos nossa caracteriza\u00e7\u00e3o de que o regime castrista restabeleceu o capitalismo nos anos 1990 e abriu um processo de semicoloniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds pelo imperialismo, enquanto os altos quadros (principalmente do ex\u00e9rcito) se enriqueceram e se transformaram em uma nova burguesia. Ao longo do caminho, eles atacaram e destru\u00edram muitas das conquistas obtidas ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o de 1959. Ao mesmo tempo, eles negam qualquer liberdade democr\u00e1tica real ao povo cubano: o regime castrista foi transformado em uma ditadura capitalista. Os protestos e mobiliza\u00e7\u00f5es que acontecem (como os de 11J de 2021) e estes recentes s\u00e3o a resposta do povo cubano a esta realidade. Por isso, caracterizamos que s\u00e3o &#8220;lutas justas&#8221; e as apoiamos e defendemos contra aqueles que as definem como &#8220;contrarrevolucion\u00e1rias&#8221; ou dizem que, entre elas e o regime castrista, &#8220;n\u00e3o t\u00eam lado&#8221;[17].<\/p>\n\n\n\n<p>Outra quest\u00e3o muito importante foram as elei\u00e7\u00f5es no Brasil: uma ampla alian\u00e7a encabe\u00e7ada por Lula e o PT (que inclu\u00eda at\u00e9 figuras da direita tradicional como Geraldo Alckmin) derrotou a candidatura do atual presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua campanha, o PSTU sustentou que Lula n\u00e3o era o \u201cmal menor\u201d, mas uma das duas variantes promovidas pela burguesia brasileira e pelo imperialismo (inclusive a preferida) [18].<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio, a maioria da esquerda brasileira e mundial v\u00ea e comemora a vit\u00f3ria de Lula como uma nova express\u00e3o da &#8220;onda progressista&#8221; que est\u00e1 ocorrendo no continente na esteira das vit\u00f3rias eleitorais de Pedro Castillo no Peru, Boric no Chile e Gustavo Petro na Col\u00f4mbia. A realidade \u00e9 que esses governos (que n\u00e3o enfrentam o imperialismo nem as burguesias nacionais) se desgastaram muito rapidamente, frustrando as expectativas que as massas depositavam neles [19].<\/p>\n\n\n\n<p>O governo de Pedro Castillo j\u00e1 &#8220;faleceu&#8221;. Tomou posse com grande expectativa do campesinato pobre do interior e de muitos oper\u00e1rios das grandes cidades. Mas rapidamente mostrou que n\u00e3o estava disposto a mudar nada nem apelar \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e popular para avan\u00e7ar nesse caminho. Foi enfraquecendo cada vez mais e perdendo espa\u00e7o diante de um Congresso dominado pela direita que o cercava e queria derrub\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais uma vez, n\u00e3o recorreu \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e popular para se defender e tentou um golpe de Estado (fechando o Congresso com o apoio das For\u00e7as Armadas). Fracassou e foi destitu\u00eddo pelo Congresso que nomeou sua vice-presidente Dina Bularte como sua substituta para conseguir estabilizar um governo \u201cnormal\u201d [20]. Mas n\u00e3o consegue: apesar da repress\u00e3o, principalmente no interior, h\u00e1 importantes mobiliza\u00e7\u00f5es de camponeses nas zonas rurais, que rejeitam o novo governo, e nas cidades, o movimento oper\u00e1rio tamb\u00e9m se mobiliza. A dire\u00e7\u00e3o deste processo nas cidades \u00e9 a Confedera\u00e7\u00e3o Geral de Trabalhadores do Peru &#8211; CGTP (influenciada pelo PC) e tenta levar a mobiliza\u00e7\u00e3o para uma solu\u00e7\u00e3o negociada com o governo atrav\u00e9s da convocat\u00f3ria de novas elei\u00e7\u00f5es presidenciais. No quadro de uma profunda crise do regime pol\u00edtico e com as massas nas ruas, nossa se\u00e7\u00e3o peruana (o PST) interv\u00e9m com uma pol\u00edtica revolucion\u00e1ria [21].<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A guerra na Ucr\u00e2nia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Foto-8.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-75675\" width=\"614\" height=\"376\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>No contexto de um ano muito agitado, a guerra na Ucr\u00e2nia \u00e9, sem d\u00favida, o acontecimento mais importante, desde fevereiro \u00faltimo. Uma nova guerra na Europa, mais de 75 anos ap\u00f3s o fim do grande conflito que abalou o continente e quase 30 anos ap\u00f3s as guerras geradas pela explos\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o Iugoslava.<\/p>\n\n\n\n<p>Num conflito em que se expressam e combinam fatores muito complexos, a LIT-QI caracterizou que se tratava de uma guerra entre um pa\u00eds opressor\/agressor (R\u00fassia) contra um pa\u00eds oprimido\/agredido (Ucr\u00e2nia). Com base nessa caracteriza\u00e7\u00e3o e, segundo os crit\u00e9rios de L\u00eanin e Trotsky, \u201ct\u00ednhamos p\u00e1tria\u201d: apoiamos incondicionalmente a resist\u00eancia ucraniana para derrotar a invas\u00e3o russa, especialmente a resist\u00eancia da classe oper\u00e1ria que se localizava no centro dessa luta. Por se tratar de uma guerra, colocamos como quest\u00e3o central desse apoio a de garantir as armas para essa resist\u00eancia. Acompanhamos passo a passo as mudan\u00e7as na din\u00e2mica da guerra [22].<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, propusemos uma pol\u00edtica para a classe trabalhadora e as massas ucranianas contra os ataques do governo Zelensky e da burguesia ucraniana, levando em conta a consci\u00eancia das massas sobre o governo, a burguesia e os imperialismos. Com o mesmo m\u00e9todo, tamb\u00e9m denunciamos e combatemos a OTAN e nos opusemos a qualquer possibilidade de sua entrada direta no conflito.<\/p>\n\n\n\n<p>Toda esta pol\u00edtica tamb\u00e9m se expressou em fortes debates p\u00fablicos (com v\u00e1rios artigos para eles) com as organiza\u00e7\u00f5es que apoiam a agress\u00e3o de Putin ou aquelas que t\u00eam assumido a posi\u00e7\u00e3o de &#8220;n\u00e3o ter lado&#8221; e mesmo com as que apoiam a resist\u00eancia ucraniana, mas negam que tenham o direito de exigir armas de governos estrangeiros.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o paramos nas palavras, essa pol\u00edtica estava nas ruas: levamos grandes cartazes a v\u00e1rias mobiliza\u00e7\u00f5es (como as de 8 de mar\u00e7o, 1\u00ba de maio ou os acampamentos dos piqueteiros argentinos), realizamos atos unit\u00e1rios com outros partidos, impulsionamos resolu\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es em sindicatos e outras organiza\u00e7\u00f5es de massa, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>As mais destacadas destas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o realizadas no \u00e2mbito da Rede Sindical Internacional que integramos juntamente com organiza\u00e7\u00f5es sindicais da Europa. Por exemplo, em sua reuni\u00e3o realizada na Fran\u00e7a, em abril passado, para a qual levamos um ativista que representante do setor sindical oper\u00e1rio ucraniano. Dessa reuni\u00e3o saiu o I Comboio de Solidariedade Oper\u00e1ria para a Ucr\u00e2nia, que chegou no pa\u00eds e reuniu-se com dirigentes sindicais mineiros que participam da resist\u00eancia [23]. Em seguida, foi realizado um II Comboio [24] e, em dezembro, uma confer\u00eancia online aberta com membros da Rede e sindicalistas da cidade industrial de Kryvyi Rih para avaliar o andamento da campanha e a situa\u00e7\u00e3o da guerra [25]. Orgulhamo-nos da nossa posi\u00e7\u00e3o perante a guerra na Ucr\u00e2nia e, neste contexto, das a\u00e7\u00f5es concretas de apoio e solidariedade \u00e0 resist\u00eancia oper\u00e1ria neste pa\u00eds que impulsionamos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alguns t\u00f3picos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No marco de um ano t\u00e3o intenso, a LIT-QI completou 40 anos de funda\u00e7\u00e3o. Nossa p\u00e1gina dedica um especial a este anivers\u00e1rio, composto por diversos artigos e v\u00eddeos que abordam nossa hist\u00f3ria, suas principais posi\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas e pol\u00edticas e debates com outras organiza\u00e7\u00f5es que se reivindicam trotskistas [26]. Nestes artigos reafirmamos a nossa estrat\u00e9gia de tomada do poder pela classe oper\u00e1ria a n\u00edvel nacional como passo para a realiza\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o socialista internacional, que a classe oper\u00e1ria \u00e9 o nosso lugar privilegiado de constru\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o e que o nosso modelo de internacional \u00e9 aquele dos primeiros anos da Terceira Internacional liderada por Lenin e Trotsky. Para encerrar esta campanha, ser\u00e1 lan\u00e7ado em fevereiro um e-book com todos os artigos do especial.<\/p>\n\n\n\n<p>O ano de 2022 termina com um evento que n\u00e3o tem origem na luta de classes, mas que chamou a aten\u00e7\u00e3o de muitos milh\u00f5es no mundo: a Copa do Mundo no Catar. Abordamos esse evento denunciando seus muitos aspectos conden\u00e1veis: a grosseira negocia\u00e7\u00e3o do futebol como show business com o qual este pa\u00eds foi eleito sede, as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es em que trabalhadores estrangeiros (essencialmente da \u00cdndia) constru\u00edram os est\u00e1dios (e suas consequ\u00eancias de acidentes e mortes) e a dura opress\u00e3o e repress\u00e3o sofrida por mulheres e homossexuais no Catar[27]. Ao mesmo tempo, muitos de nossa equipe editorial, como milh\u00f5es de trabalhadores em todo o mundo, seguiram com paix\u00e3o o destino das sele\u00e7\u00f5es e se alegraram ou sofreram com elas.<\/p>\n\n\n\n<p>Dissemos que a Copa do Mundo n\u00e3o \u00e9 um fato da luta de classes, mas, inevitavelmente, foi atravessada por considera\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Por exemplo, a sele\u00e7\u00e3o iraniana n\u00e3o cantou o hino de seu pa\u00eds antes da partida contra a Inglaterra, no que foi visto como uma demonstra\u00e7\u00e3o de solidariedade \u00e0s v\u00edtimas da repress\u00e3o em seu pa\u00eds. O desenrolar do torneio foi determinando uma divis\u00e3o de torcedores entre aquelas sele\u00e7\u00f5es que eram consideradas representantes dos pa\u00edses semicoloniais (Argentina e Marrocos) contra as &#8220;pot\u00eancias imperialistas europeias&#8221; (como Espanha e essencialmente Fran\u00e7a). Em muitos pa\u00edses do mundo, grande parte da comemora\u00e7\u00e3o pelo campeonato conquistado pela sele\u00e7\u00e3o argentina teve essa conota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para fechar o c\u00edrculo da rela\u00e7\u00e3o entre futebol e pol\u00edtica, ainda durante a pr\u00f3pria Copa do Mundo, come\u00e7ou a crescer a campanha internacional contra a execu\u00e7\u00e3o e pela liberdade de Amir Nasr-Azadani, jogador de futebol profissional iraniano, condenado \u00e0 morte. por ter participado e apoiado os protestos contra o regime dos aiatol\u00e1s. A LIT-QI apoia e impulsiona esta campanha internacional [28].<\/p>\n\n\n\n<p>Queremos encerrar esta retrospectiva de 2022 com algumas considera\u00e7\u00f5es. Vimos que o ano nos mostrou uma profunda crise da &#8220;ordem mundial imperialista&#8221; atrav\u00e9s da guerra na Ucr\u00e2nia, uma economia internacional que &#8220;n\u00e3o se destrava&#8221; e in\u00fameras lutas estruturais de nossa classe assim como diversas rebeli\u00f5es que questionam regimes e governos ou os for\u00e7am a recuar (alguns, como no Sri Lanka, s\u00e3o derrubados). Consideramos muito poss\u00edvel que 2023 mantenha esta din\u00e2mica ainda que o imperialismo e as burguesias nacionais e seus governos tentem derrot\u00e1-la ou, pelo menos, desvi\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p>A realidade nos mostrar\u00e1 qual dessas duas for\u00e7as prevalecer\u00e1. Mas o que reafirmamos \u00e9 nosso compromisso de apoiar e impulsionar essas lutas e, na medida de nossas possibilidades, intervir ativamente nelas. A nossa p\u00e1gina est\u00e1 ao servi\u00e7o desta tarefa e, nela, da constru\u00e7\u00e3o da LIT-QI.<\/p>\n\n\n\n<p>________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p>[1] Omicron: onda final ou pandemia eterna? https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/01\/24\/omicron-onda-final-ou-pandemia-eterna\/<\/p>\n\n\n\n<p>[2] Infec\u00e7\u00f5es por Covid-19 seguem est\u00e1veis \u200b\u200bno mundo, segundo a OMS \u2013 El Comercio<\/p>\n\n\n\n<p>[3] https:\/\/www.who.int\/es\/news-room\/questions-and-answers\/item\/pandemic-prevention\u2013preparedness-and-response-accord<\/p>\n\n\n\n<p>[4] O impacto da guerra russo-ucraniana na economia mundial. https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/03\/06\/o-impacto-da-guerra-russo-ucraniana-na-economia-mundial\/<\/p>\n\n\n\n<p>[5] Veja, por exemplo, Inflation hits workers \u2013 International Workers League (litci.org)<\/p>\n\n\n\n<p>[6] Entrevista | O processo de luta mais impressionante do momento est\u00e1 ocorrendo na Gr\u00e3-Bretanha. https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/09\/13\/entrevista-na-gra-bretanha-esta-ocorrendo-o-processo-de-luta-mais-impressionante-do-momento\/<\/p>\n\n\n\n<p>[7] \u00c9 hora de derrotar Boris Johnson e os conservadores nas ruas. https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/09\/09\/e-hora-de-derrotar-boris-johnson-e-os-conservadores-nas-ruas\/<\/p>\n\n\n\n<p>[8] https:\/\/www.dw.com\/es\/liz-truss-la-breve-hecatombe-pol%C3%ADtica-en-gran-breta%C3%B1a\/a-63512788<\/p>\n\n\n\n<p>[9] Veja operadoras da CSN se levantando contra superexplora\u00e7\u00e3o e injusti\u00e7as | PSTU e Vit\u00f3ria! Justi\u00e7a determina reintegra\u00e7\u00e3o de dois demitidos na CSN | PSTU<\/p>\n\n\n\n<p>[10] PSTU realiza plen\u00e1ria de apresenta\u00e7\u00e3o da festa para operadoras da CSN de Volta Redonda e seus familiares | PSTU<\/p>\n\n\n\n<p>[11] Ver, entre outros artigos: https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/07\/12\/sri-lanka-uma-revolucao-em-curso-derruba-o-presidente-rajapaksa\/ e https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/08\/10\/sri-lanka-quais-sao-as-perspectivas-depois-da-destituicao-do-presidente-rajapaksa\/<\/p>\n\n\n\n<p>[12] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/07\/27\/sri-lanka-o-dia-em-que-os-trotskistas-paralisaram-o-pais\/<\/p>\n\n\n\n<p>[13] Veja, entre v\u00e1rios artigos, https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/12\/06\/declaracao-da-lit-qi-em-apoio-aos-protestos-no-ira\/<\/p>\n\n\n\n<p>[14] Ver https: https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/11\/12\/ira-sobre-a-rebeliao-contra-o-regime-dos-aiatolas\/<\/p>\n\n\n\n<p>[15] Ver https: https:\/\/litci.org\/pt\/category\/china\/<\/p>\n\n\n\n<p>[16] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/12\/12\/ditadura-chinesa-retrocede-em-sua-politica-de-combate-a-covid-19\/<\/p>\n\n\n\n<p>[17] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/10\/19\/sobre-os-protestos-contra-o-apagao-em-cuba\/<\/p>\n\n\n\n<p>[18] Brasil | https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/09\/28\/nao-seja-refem-do-mal-menor-por-que-o-voto-util-e-na-vera-e-no-16\/<\/p>\n\n\n\n<p>[19] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/11\/11\/governos-progressistas-uma-onda-que-nao-sera-tao-rosa\/<\/p>\n\n\n\n<p>[20] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/12\/09\/o-fim-do-governo-castillo-e-a-necessidade-urgente-de-reconstruir-a-acao-independente-da-classe-trabalhadora\/<\/p>\n\n\n\n<p>[21] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/12\/10\/peru-paralisacao-nacional-para-que-saiam-todos\/<\/p>\n\n\n\n<p>[22] Veja os numerosos artigos publicados nesta p\u00e1gina em https:\/\/litci.org\/pt\/ucrania\/ e a revista Correio Internacional No. 25 dedicada \u00e0 guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>[23] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/05\/03\/csp-conlutas-vai-a-ucrania-com-comboio-operario-internacional-e-realiza-entrega-de-donativos\/<\/p>\n\n\n\n<p>[24] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/10\/14\/sindicalistas-realizam-o-segundo-comboio-de-ajuda-operaria-a-ucrania\/<\/p>\n\n\n\n<p>[25] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/12\/12\/rede-sindical-promove-conferencia-com-sindicalistas-ucranianos-em-dezembro\/<\/p>\n\n\n\n<p>[26] https:\/\/litci.org\/pt\/40anos\/<\/p>\n\n\n\n<p>[27] Veja entre outros artigos: https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/11\/20\/copa-do-mundo-catar-2022-uma-ode-ao-luxo-e-ostentacao-manchada-com-sangue-humilde-e-trabalhador\/<\/p>\n\n\n\n<p>Catar 2022: um catalisador para a agita\u00e7\u00e3o social \u2013 Liga Internacional dos Trabalhadores (litci.org)<\/p>\n\n\n\n<p>[28] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/12\/17\/nao-a-execucao-de-amir-nasr-azadani\/<\/p>\n\n\n\n<p>Quando come\u00e7amos a escrever o tradicional resumo do que aconteceu no mundo neste ano que est\u00e1 terminando, e como o refletimos na nossa p\u00e1gina, surge uma primeira conclus\u00e3o: vivemos numa \u00e9poca agitada e os anos anteriores foram intensos para a Humanidade. Mas este ano superou e n\u00e3o nos deu um momento de tr\u00e9gua: uma guerra na Europa, tens\u00f5es crescentes no mundo, in\u00fameras greves oper\u00e1rias contra os efeitos da infla\u00e7\u00e3o persistente e os ataques dos governos, rebeli\u00f5es e processos revolucion\u00e1rios em v\u00e1rios pa\u00edses do mundo e, como se n\u00e3o bastasse, um coronav\u00edrus que, por meio de suas muta\u00e7\u00f5es permanentes, veio para ficar.<\/p>\n\n\n\n<p>Por: LIT-QI<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos come\u00e7ar com a quest\u00e3o do coronav\u00edrus. No in\u00edcio de 2022, a maioria dos governos do mundo \u201cdecretou\u201d o \u201cfim da pandemia\u201d, ao mesmo tempo em que uma nova variante (Omicron) se espalhava com alto \u00edndice de cont\u00e1gios [1]. Esta pol\u00edtica era a continuidade l\u00f3gica da \u201cnormaliza\u00e7\u00e3o\u201d da pandemia e da necessidade de retomar a plena atividade econ\u00f4mica e, com ela, os n\u00edveis \u201cnormais\u201d de explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e gera\u00e7\u00e3o de lucros.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois a pandemia tornou-se \u201cendemia\u201d (doen\u00e7a cr\u00f4nica, mas est\u00e1vel no seu impacto) e o Covid uma \u201cgripe forte\u201d: uma nova doen\u00e7a cr\u00f4nica passou a fazer parte dos riscos e sofrimentos quotidianos dos trabalhadores com um elevado e persistente n\u00famero de infe\u00e7\u00f5es [2]. A combina\u00e7\u00e3o da destrui\u00e7\u00e3o acelerada da natureza realizada pelo capitalismo, a alta concentra\u00e7\u00e3o populacional e sua proximidade com animais que s\u00e3o \u201cpontes\u201d de zoonoses (doen\u00e7as que s\u00e3o transmitidas de animais para humanos) preparam, inevitavelmente, novas pandemias. N\u00e3o \u00e9 uma conclus\u00e3o nossa: \u00e9 o que dizem muitos especialistas e os pr\u00f3prios organismos internacionais, como a OMS [3].<\/p>\n\n\n\n<p>No campo da economia mundial, em 2021, os governos burgueses e a imprensa capitalista anunciaram aos quatro ventos que, \u201cagora sim\u201d, come\u00e7ava a grande recupera\u00e7\u00e3o e crescimento econ\u00f4mico. J\u00e1 em 2021, consideramos que, na realidade, se tratava de uma recupera\u00e7\u00e3o a baixa altitude, an\u00e9mica, que ia travar mais ou menos rapidamente. Al\u00e9m disso, vinha marcada por uma alta infla\u00e7\u00e3o em todo o mundo. A realidade confirmou esse progn\u00f3stico. Ambos os componentes foram agravados pelas consequ\u00eancias da guerra na Ucr\u00e2nia [4].<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As greves oper\u00e1rias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Foto: Protestos na Gr\u00e3-Bretanha<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m do debate sobre se j\u00e1 estamos em recess\u00e3o nas principais economias do mundo ou se estamos nos aproximando dela, a verdade \u00e9 que a infla\u00e7\u00e3o alta atinge duramente os sal\u00e1rios e o padr\u00e3o de vida dos trabalhadores em todo o mundo. Um golpe que d\u00e1 continuidade aos recebidos durante a pandemia e, al\u00e9m disso, se soma aos ataques que representam os planos de ajuste implementados pelos governos e os efeitos das privatiza\u00e7\u00f5es (totais ou parciais) e as redu\u00e7\u00f5es nos servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desses ataques, 2022 nos mostrou a confirma\u00e7\u00e3o e o crescimento de uma tend\u00eancia j\u00e1 anunciada no ano anterior: a crescente entrada da classe trabalhadora na luta, a partir de suas estruturas. A lista de greves em todo o mundo \u00e9 muito longa e extensa [5]. Neste quadro, avaliamos que o epicentro se localizou nos trabalhadores europeus e, dentro deles, nos trabalhadores brit\u00e2nicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Gr\u00e3-Bretanha, o gatilho foi o aumento dos ataques do governo aos servi\u00e7os p\u00fablicos, como transporte e sa\u00fade, com privatiza\u00e7\u00f5es e redu\u00e7\u00f5es. O ponto de partida foi a greve dos ferrovi\u00e1rios e, a partir da\u00ed, uma sucess\u00e3o de outras greves que hoje s\u00e3o centradas nos trabalhadores dos hospitais e do sistema de sa\u00fade [6]. H\u00e1 uma din\u00e2mica de greve geral que as diferentes burocracias sindicais tentam evitar, de v\u00e1rias formas. A verdade \u00e9 que esta onda de lutas se combina com uma crise dentro da burguesia devido \u00e0s consequ\u00eancias do Brexit e esta combina\u00e7\u00e3o j\u00e1 provocou a queda do governo de Boris Johnson [7] e o desgaste muito r\u00e1pido e sa\u00edda de Elizabeth Truss [8].<\/p>\n\n\n\n<p>O epicentro dessas greves e lutas oper\u00e1rias tem sido a Gr\u00e3-Bretanha. Mas teve express\u00f5es em muitos pa\u00edses, mesmo naqueles que n\u00e3o vivem um processo geral de lutas. Por exemplo, no Brasil, houve uma luta muito dura dos trabalhadores da Companhia Sider\u00fargica Nacional \u2013 CSN (uma das principais empresas do pa\u00eds com milhares de oper\u00e1rios) por um novo acordo salarial. Nesse \u00ednterim, a luta se acirrou porque a empresa demitiu a comiss\u00e3o que os oper\u00e1rios haviam escolhido para negociar (acabaram por ser reintegrados) [9].<\/p>\n\n\n\n<p>O importante de todo o processo \u00e9 que, nas elei\u00e7\u00f5es sindicais (tamb\u00e9m inclui outras f\u00e1bricas da regi\u00e3o), os trabalhadores escolheram uma nova dire\u00e7\u00e3o baseada na vanguarda da luta. Deram assim um primeiro passo muito importante numa tarefa que se apresenta como urgente para a maioria dos trabalhadores do mundo: substituir a burocracia sindical (que trai abertamente as lutas ou as encabe\u00e7a para isol\u00e1-las e det\u00ea-las) por novos dirigentes surgidos da luta. Nesse quadro, nossa se\u00e7\u00e3o no Brasil avan\u00e7ou em sua influ\u00eancia entre os trabalhadores da CSN e da cidade de Volta Redonda [10].<\/p>\n\n\n\n<p>Esta s\u00e9rie de greves \u00e9 produzida com objetivos econ\u00f4micos ou defensivos, mas t\u00eam um profundo significado pol\u00edtico, porque aponta contra o cerne das pol\u00edticas centrais das burguesias e dos governos: por um lado, reduzir sal\u00e1rios e piorar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e, por outro, privatizar ou reduzir servi\u00e7os p\u00fablicos, como transporte e sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Fazendo um balan\u00e7o de 2022 e suas perspectivas para o pr\u00f3ximo ano, um elemento central para a LIT-QI \u00e9 que nossa classe come\u00e7a a lutar a partir de suas estruturas, com sua organiza\u00e7\u00e3o e seus m\u00e9todos. Portanto, \u00e9 uma tarefa central conectar e intervir neste processo para impulsionar seu avan\u00e7o e desenvolvimento. Ao mesmo tempo, como vimos no exemplo da CSN, a classe oper\u00e1ria \u00e9 o centro onde queremos nos construir.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As rebeli\u00f5es no mundo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Foto: Protestos no Cazaquist\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o s\u00f3 houve muitas greves, mas tamb\u00e9m v\u00e1rias rebeli\u00f5es populares importantes, algumas das quais chegaram ao n\u00edvel de verdadeiros processos revolucion\u00e1rios. Foi o caso do Sri Lanka (antigo Ceil\u00e3o), um pa\u00eds insular, ao sul da \u00cdndia. L\u00e1, uma onda persistente de mobiliza\u00e7\u00f5es e greves obrigou o odiado presidente Gotabaya Rajapaksa (eleito h\u00e1 alguns anos por uma grande maioria do voto popular) a renunciar e fugir do pa\u00eds e deixou o regime pol\u00edtico que liderou junto com seu irm\u00e3o Mahinde severamente atingido [11]. Embora o Sri Lanka seja um pa\u00eds relativamente pequeno e pouco conhecido no mundo, tem um significado para os trotskistas porque d\u00e9cadas atr\u00e1s uma organiza\u00e7\u00e3o dessa origem (o LSSP) teve grande peso nos processos de luta [12].<\/p>\n\n\n\n<p>Um impacto internacional muito maior teve a rebeli\u00e3o ocorrida no Ir\u00e3 em resposta ao assassinato de uma jovem curda por um agente da chamada Pol\u00edcia Moral, por &#8220;n\u00e3o usar o jihad corretamente&#8221; (len\u00e7o tradicional usado por mulheres mu\u00e7ulmanas). A resposta a este fato foi o estopim para a explos\u00e3o de uma grande raiva acumulada contra a ditadura clerical dos aiatol\u00e1s e se transformou em uma rebeli\u00e3o nacional contra o regime que continua, apesar da dura repress\u00e3o [13]. A mobiliza\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ou um primeiro triunfo porque o regime anunciou a dissolu\u00e7\u00e3o da odiada Pol\u00edcia Moral [14].<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no campo dos &#8220;gigantes&#8221;, em novembro, foram in\u00fameras as lutas e mobiliza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e populares espalhadas por grande parte da China \u00e0s quais, por sua import\u00e2ncia internacional, dedicamos v\u00e1rios artigos [15]. O estopim foi o cansa\u00e7o dos trabalhadores e do povo chin\u00eas contra as medidas sufocantes da pol\u00edtica denominada &#8220;Covid 0&#8221;, aplicada pela ditadura capitalista do PC chin\u00eas como ferramenta repressiva a servi\u00e7o da manuten\u00e7\u00e3o dos alt\u00edssimos n\u00edveis de explora\u00e7\u00e3o aos quais submete a classe trabalhadora de seu pa\u00eds. Mas esta foi apenas a fagulha que acendeu o &#8220;capim seco&#8221; da raiva acumulada contra este regime e a din\u00e2mica do movimento aponta diretamente contra ele. Consciente desse perigo, a ditadura recuou e eliminou algumas das medidas mais irritantes. Nesse sentido, podemos considerar que a onda de rebeldia obteve um primeiro triunfo parcial [16].<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Am\u00e9rica latina<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Foto: Protestos no Peru<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui vamos nos referir a tr\u00eas pa\u00edses. Em Cuba, no final de setembro, houve in\u00fameros protestos contra o apag\u00e3o que afetou todo o pa\u00eds. Na verdade, foi um salto nos cortes parciais e rotativos que sofrem diariamente os trabalhadores e o povo cubano. Ao analisar os fatos, reiteramos nossa caracteriza\u00e7\u00e3o de que o regime castrista restabeleceu o capitalismo nos anos 1990 e abriu um processo de semicoloniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds pelo imperialismo, enquanto os altos quadros (principalmente do ex\u00e9rcito) se enriqueceram e se transformaram em uma nova burguesia. Ao longo do caminho, eles atacaram e destru\u00edram muitas das conquistas obtidas ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o de 1959. Ao mesmo tempo, eles negam qualquer liberdade democr\u00e1tica real ao povo cubano: o regime castrista foi transformado em uma ditadura capitalista. Os protestos e mobiliza\u00e7\u00f5es que acontecem (como os de 11J de 2021) e estes recentes s\u00e3o a resposta do povo cubano a esta realidade. Por isso, caracterizamos que s\u00e3o &#8220;lutas justas&#8221; e as apoiamos e defendemos contra aqueles que as definem como &#8220;contrarrevolucion\u00e1rias&#8221; ou dizem que, entre elas e o regime castrista, &#8220;n\u00e3o t\u00eam lado&#8221;[17].<\/p>\n\n\n\n<p>Outra quest\u00e3o muito importante foram as elei\u00e7\u00f5es no Brasil: uma ampla alian\u00e7a encabe\u00e7ada por Lula e o PT (que inclu\u00eda at\u00e9 figuras da direita tradicional como Geraldo Alckmin) derrotou a candidatura do atual presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua campanha, o PSTU sustentou que Lula n\u00e3o era o \u201cmal menor\u201d, mas uma das duas variantes promovidas pela burguesia brasileira e pelo imperialismo (inclusive a preferida) [18].<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio, a maioria da esquerda brasileira e mundial v\u00ea e comemora a vit\u00f3ria de Lula como uma nova express\u00e3o da &#8220;onda progressista&#8221; que est\u00e1 ocorrendo no continente na esteira das vit\u00f3rias eleitorais de Pedro Castillo no Peru, Boric no Chile e Gustavo Petro na Col\u00f4mbia. A realidade \u00e9 que esses governos (que n\u00e3o enfrentam o imperialismo nem as burguesias nacionais) se desgastaram muito rapidamente, frustrando as expectativas que as massas depositavam neles [19].<\/p>\n\n\n\n<p>O governo de Pedro Castillo j\u00e1 &#8220;faleceu&#8221;. Tomou posse com grande expectativa do campesinato pobre do interior e de muitos oper\u00e1rios das grandes cidades. Mas rapidamente mostrou que n\u00e3o estava disposto a mudar nada nem apelar \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e popular para avan\u00e7ar nesse caminho. Foi enfraquecendo cada vez mais e perdendo espa\u00e7o diante de um Congresso dominado pela direita que o cercava e queria derrub\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais uma vez, n\u00e3o recorreu \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e popular para se defender e tentou um golpe de Estado (fechando o Congresso com o apoio das For\u00e7as Armadas). Fracassou e foi destitu\u00eddo pelo Congresso que nomeou sua vice-presidente Dina Bularte como sua substituta para conseguir estabilizar um governo \u201cnormal\u201d [20]. Mas n\u00e3o consegue: apesar da repress\u00e3o, principalmente no interior, h\u00e1 importantes mobiliza\u00e7\u00f5es de camponeses nas zonas rurais, que rejeitam o novo governo, e nas cidades, o movimento oper\u00e1rio tamb\u00e9m se mobiliza. A dire\u00e7\u00e3o deste processo nas cidades \u00e9 a Confedera\u00e7\u00e3o Geral de Trabalhadores do Peru &#8211; CGTP (influenciada pelo PC) e tenta levar a mobiliza\u00e7\u00e3o para uma solu\u00e7\u00e3o negociada com o governo atrav\u00e9s da convocat\u00f3ria de novas elei\u00e7\u00f5es presidenciais. No quadro de uma profunda crise do regime pol\u00edtico e com as massas nas ruas, nossa se\u00e7\u00e3o peruana (o PST) interv\u00e9m com uma pol\u00edtica revolucion\u00e1ria [21].<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A guerra na Ucr\u00e2nia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No contexto de um ano muito agitado, a guerra na Ucr\u00e2nia \u00e9, sem d\u00favida, o acontecimento mais importante, desde fevereiro \u00faltimo. Uma nova guerra na Europa, mais de 75 anos ap\u00f3s o fim do grande conflito que abalou o continente e quase 30 anos ap\u00f3s as guerras geradas pela explos\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o Iugoslava.<\/p>\n\n\n\n<p>Num conflito em que se expressam e combinam fatores muito complexos, a LIT-QI caracterizou que se tratava de uma guerra entre um pa\u00eds opressor\/agressor (R\u00fassia) contra um pa\u00eds oprimido\/agredido (Ucr\u00e2nia). Com base nessa caracteriza\u00e7\u00e3o e, segundo os crit\u00e9rios de L\u00eanin e Trotsky, \u201ct\u00ednhamos p\u00e1tria\u201d: apoiamos incondicionalmente a resist\u00eancia ucraniana para derrotar a invas\u00e3o russa, especialmente a resist\u00eancia da classe oper\u00e1ria que se localizava no centro dessa luta. Por se tratar de uma guerra, colocamos como quest\u00e3o central desse apoio a de garantir as armas para essa resist\u00eancia. Acompanhamos passo a passo as mudan\u00e7as na din\u00e2mica da guerra [22].<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, propusemos uma pol\u00edtica para a classe trabalhadora e as massas ucranianas contra os ataques do governo Zelensky e da burguesia ucraniana, levando em conta a consci\u00eancia das massas sobre o governo, a burguesia e os imperialismos. Com o mesmo m\u00e9todo, tamb\u00e9m denunciamos e combatemos a OTAN e nos opusemos a qualquer possibilidade de sua entrada direta no conflito.<\/p>\n\n\n\n<p>Toda esta pol\u00edtica tamb\u00e9m se expressou em fortes debates p\u00fablicos (com v\u00e1rios artigos para eles) com as organiza\u00e7\u00f5es que apoiam a agress\u00e3o de Putin ou aquelas que t\u00eam assumido a posi\u00e7\u00e3o de &#8220;n\u00e3o ter lado&#8221; e mesmo com as que apoiam a resist\u00eancia ucraniana, mas negam que tenham o direito de exigir armas de governos estrangeiros.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o paramos nas palavras, essa pol\u00edtica estava nas ruas: levamos grandes cartazes a v\u00e1rias mobiliza\u00e7\u00f5es (como as de 8 de mar\u00e7o, 1\u00ba de maio ou os acampamentos dos piqueteiros argentinos), realizamos atos unit\u00e1rios com outros partidos, impulsionamos resolu\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es em sindicatos e outras organiza\u00e7\u00f5es de massa, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>As mais destacadas destas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o realizadas no \u00e2mbito da Rede Sindical Internacional que integramos juntamente com organiza\u00e7\u00f5es sindicais da Europa. Por exemplo, em sua reuni\u00e3o realizada na Fran\u00e7a, em abril passado, para a qual levamos um ativista que representante do setor sindical oper\u00e1rio ucraniano. Dessa reuni\u00e3o saiu o I Comboio de Solidariedade Oper\u00e1ria para a Ucr\u00e2nia, que chegou no pa\u00eds e reuniu-se com dirigentes sindicais mineiros que participam da resist\u00eancia [23]. Em seguida, foi realizado um II Comboio [24] e, em dezembro, uma confer\u00eancia online aberta com membros da Rede e sindicalistas da cidade industrial de Kryvyi Rih para avaliar o andamento da campanha e a situa\u00e7\u00e3o da guerra [25]. Orgulhamo-nos da nossa posi\u00e7\u00e3o perante a guerra na Ucr\u00e2nia e, neste contexto, das a\u00e7\u00f5es concretas de apoio e solidariedade \u00e0 resist\u00eancia oper\u00e1ria neste pa\u00eds que impulsionamos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alguns t\u00f3picos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No marco de um ano t\u00e3o intenso, a LIT-QI completou 40 anos de funda\u00e7\u00e3o. Nossa p\u00e1gina dedica um especial a este anivers\u00e1rio, composto por diversos artigos e v\u00eddeos que abordam nossa hist\u00f3ria, suas principais posi\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas e pol\u00edticas e debates com outras organiza\u00e7\u00f5es que se reivindicam trotskistas [26]. Nestes artigos reafirmamos a nossa estrat\u00e9gia de tomada do poder pela classe oper\u00e1ria a n\u00edvel nacional como passo para a realiza\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o socialista internacional, que a classe oper\u00e1ria \u00e9 o nosso lugar privilegiado de constru\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o e que o nosso modelo de internacional \u00e9 aquele dos primeiros anos da Terceira Internacional liderada por Lenin e Trotsky. Para encerrar esta campanha, ser\u00e1 lan\u00e7ado em fevereiro um e-book com todos os artigos do especial.<\/p>\n\n\n\n<p>O ano de 2022 termina com um evento que n\u00e3o tem origem na luta de classes, mas que chamou a aten\u00e7\u00e3o de muitos milh\u00f5es no mundo: a Copa do Mundo no Catar. Abordamos esse evento denunciando seus muitos aspectos conden\u00e1veis: a grosseira negocia\u00e7\u00e3o do futebol como show business com o qual este pa\u00eds foi eleito sede, as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es em que trabalhadores estrangeiros (essencialmente da \u00cdndia) constru\u00edram os est\u00e1dios (e suas consequ\u00eancias de acidentes e mortes) e a dura opress\u00e3o e repress\u00e3o sofrida por mulheres e homossexuais no Catar[27]. Ao mesmo tempo, muitos de nossa equipe editorial, como milh\u00f5es de trabalhadores em todo o mundo, seguiram com paix\u00e3o o destino das sele\u00e7\u00f5es e se alegraram ou sofreram com elas.<\/p>\n\n\n\n<p>Dissemos que a Copa do Mundo n\u00e3o \u00e9 um fato da luta de classes, mas, inevitavelmente, foi atravessada por considera\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Por exemplo, a sele\u00e7\u00e3o iraniana n\u00e3o cantou o hino de seu pa\u00eds antes da partida contra a Inglaterra, no que foi visto como uma demonstra\u00e7\u00e3o de solidariedade \u00e0s v\u00edtimas da repress\u00e3o em seu pa\u00eds. O desenrolar do torneio foi determinando uma divis\u00e3o de torcedores entre aquelas sele\u00e7\u00f5es que eram consideradas representantes dos pa\u00edses semicoloniais (Argentina e Marrocos) contra as &#8220;pot\u00eancias imperialistas europeias&#8221; (como Espanha e essencialmente Fran\u00e7a). Em muitos pa\u00edses do mundo, grande parte da comemora\u00e7\u00e3o pelo campeonato conquistado pela sele\u00e7\u00e3o argentina teve essa conota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para fechar o c\u00edrculo da rela\u00e7\u00e3o entre futebol e pol\u00edtica, ainda durante a pr\u00f3pria Copa do Mundo, come\u00e7ou a crescer a campanha internacional contra a execu\u00e7\u00e3o e pela liberdade de Amir Nasr-Azadani, jogador de futebol profissional iraniano, condenado \u00e0 morte. por ter participado e apoiado os protestos contra o regime dos aiatol\u00e1s. A LIT-QI apoia e impulsiona esta campanha internacional [28].<\/p>\n\n\n\n<p>Queremos encerrar esta retrospectiva de 2022 com algumas considera\u00e7\u00f5es. Vimos que o ano nos mostrou uma profunda crise da &#8220;ordem mundial imperialista&#8221; atrav\u00e9s da guerra na Ucr\u00e2nia, uma economia internacional que &#8220;n\u00e3o se destrava&#8221; e in\u00fameras lutas estruturais de nossa classe assim como diversas rebeli\u00f5es que questionam regimes e governos ou os for\u00e7am a recuar (alguns, como no Sri Lanka, s\u00e3o derrubados). Consideramos muito poss\u00edvel que 2023 mantenha esta din\u00e2mica ainda que o imperialismo e as burguesias nacionais e seus governos tentem derrot\u00e1-la ou, pelo menos, desvi\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p>A realidade nos mostrar\u00e1 qual dessas duas for\u00e7as prevalecer\u00e1. Mas o que reafirmamos \u00e9 nosso compromisso de apoiar e impulsionar essas lutas e, na medida de nossas possibilidades, intervir ativamente nelas. A nossa p\u00e1gina est\u00e1 ao servi\u00e7o desta tarefa e, nela, da constru\u00e7\u00e3o da LIT-QI.<\/p>\n\n\n\n<p>________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p>[1] Omicron: onda final ou pandemia eterna? https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/01\/24\/omicron-onda-final-ou-pandemia-eterna\/<\/p>\n\n\n\n<p>[2] Infec\u00e7\u00f5es por Covid-19 seguem est\u00e1veis \u200b\u200bno mundo, segundo a OMS \u2013 El Comercio<\/p>\n\n\n\n<p>[3] https:\/\/www.who.int\/es\/news-room\/questions-and-answers\/item\/pandemic-prevention\u2013preparedness-and-response-accord<\/p>\n\n\n\n<p>[4] O impacto da guerra russo-ucraniana na economia mundial. https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/03\/06\/o-impacto-da-guerra-russo-ucraniana-na-economia-mundial\/<\/p>\n\n\n\n<p>[5] Veja, por exemplo, Inflation hits workers \u2013 International Workers League (litci.org)<\/p>\n\n\n\n<p>[6] Entrevista | O processo de luta mais impressionante do momento est\u00e1 ocorrendo na Gr\u00e3-Bretanha. https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/09\/13\/entrevista-na-gra-bretanha-esta-ocorrendo-o-processo-de-luta-mais-impressionante-do-momento\/<\/p>\n\n\n\n<p>[7] \u00c9 hora de derrotar Boris Johnson e os conservadores nas ruas. https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/09\/09\/e-hora-de-derrotar-boris-johnson-e-os-conservadores-nas-ruas\/<\/p>\n\n\n\n<p>[8] https:\/\/www.dw.com\/es\/liz-truss-la-breve-hecatombe-pol%C3%ADtica-en-gran-breta%C3%B1a\/a-63512788<\/p>\n\n\n\n<p>[9] Veja operadoras da CSN se levantando contra superexplora\u00e7\u00e3o e injusti\u00e7as | PSTU e Vit\u00f3ria! Justi\u00e7a determina reintegra\u00e7\u00e3o de dois demitidos na CSN | PSTU<\/p>\n\n\n\n<p>[10] PSTU realiza plen\u00e1ria de apresenta\u00e7\u00e3o da festa para operadoras da CSN de Volta Redonda e seus familiares | PSTU<\/p>\n\n\n\n<p>[11] Ver, entre outros artigos: https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/07\/12\/sri-lanka-uma-revolucao-em-curso-derruba-o-presidente-rajapaksa\/ e https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/08\/10\/sri-lanka-quais-sao-as-perspectivas-depois-da-destituicao-do-presidente-rajapaksa\/<\/p>\n\n\n\n<p>[12] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/07\/27\/sri-lanka-o-dia-em-que-os-trotskistas-paralisaram-o-pais\/<\/p>\n\n\n\n<p>[13] Veja, entre v\u00e1rios artigos, https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/12\/06\/declaracao-da-lit-qi-em-apoio-aos-protestos-no-ira\/<\/p>\n\n\n\n<p>[14] Ver https: https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/11\/12\/ira-sobre-a-rebeliao-contra-o-regime-dos-aiatolas\/<\/p>\n\n\n\n<p>[15] Ver https: https:\/\/litci.org\/pt\/category\/china\/<\/p>\n\n\n\n<p>[16] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/12\/12\/ditadura-chinesa-retrocede-em-sua-politica-de-combate-a-covid-19\/<\/p>\n\n\n\n<p>[17] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/10\/19\/sobre-os-protestos-contra-o-apagao-em-cuba\/<\/p>\n\n\n\n<p>[18] Brasil | https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/09\/28\/nao-seja-refem-do-mal-menor-por-que-o-voto-util-e-na-vera-e-no-16\/<\/p>\n\n\n\n<p>[19] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/11\/11\/governos-progressistas-uma-onda-que-nao-sera-tao-rosa\/<\/p>\n\n\n\n<p>[20] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/12\/09\/o-fim-do-governo-castillo-e-a-necessidade-urgente-de-reconstruir-a-acao-independente-da-classe-trabalhadora\/<\/p>\n\n\n\n<p>[21] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/12\/10\/peru-paralisacao-nacional-para-que-saiam-todos\/<\/p>\n\n\n\n<p>[22] Veja os numerosos artigos publicados nesta p\u00e1gina em https:\/\/litci.org\/pt\/ucrania\/ e a revista Correio Internacional No. 25 dedicada \u00e0 guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>[23] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/05\/03\/csp-conlutas-vai-a-ucrania-com-comboio-operario-internacional-e-realiza-entrega-de-donativos\/<\/p>\n\n\n\n<p>[24] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/10\/14\/sindicalistas-realizam-o-segundo-comboio-de-ajuda-operaria-a-ucrania\/<\/p>\n\n\n\n<p>[25] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/12\/12\/rede-sindical-promove-conferencia-com-sindicalistas-ucranianos-em-dezembro\/<\/p>\n\n\n\n<p>[26] https:\/\/litci.org\/pt\/40anos\/<\/p>\n\n\n\n<p>[27] Veja entre outros artigos: https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/11\/20\/copa-do-mundo-catar-2022-uma-ode-ao-luxo-e-ostentacao-manchada-com-sangue-humilde-e-trabalhador\/<\/p>\n\n\n\n<p>Catar 2022: um catalisador para a agita\u00e7\u00e3o social \u2013 Liga Internacional dos Trabalhadores (litci.org)<\/p>\n\n\n\n<p>[28] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/12\/17\/nao-a-execucao-de-amir-nasr-azadani\/<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O ano em que tudo aconteceu<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando come\u00e7amos a escrever o tradicional resumo do que aconteceu no mundo neste ano que est\u00e1 terminando, e como o refletimos na nossa p\u00e1gina, surge uma primeira conclus\u00e3o: vivemos numa \u00e9poca agitada e os anos anteriores foram intensos para a Humanidade. Mas este ano superou e n\u00e3o nos deu um momento de tr\u00e9gua: uma guerra na Europa, tens\u00f5es crescentes no mundo, in\u00fameras greves oper\u00e1rias contra os efeitos da infla\u00e7\u00e3o persistente e os ataques dos governos, rebeli\u00f5es e processos revolucion\u00e1rios em v\u00e1rios pa\u00edses do mundo e, como se n\u00e3o bastasse, um coronav\u00edrus que, por meio de suas muta\u00e7\u00f5es permanentes, veio para ficar.<\/p>\n\n\n\n<p>Por: LIT-QI<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos come\u00e7ar com a quest\u00e3o do coronav\u00edrus. No in\u00edcio de 2022, a maioria dos governos do mundo \u201cdecretou\u201d o \u201cfim da pandemia\u201d, ao mesmo tempo em que uma nova variante (Omicron) se espalhava com alto \u00edndice de cont\u00e1gios [1]. Esta pol\u00edtica era a continuidade l\u00f3gica da \u201cnormaliza\u00e7\u00e3o\u201d da pandemia e da necessidade de retomar a plena atividade econ\u00f4mica e, com ela, os n\u00edveis \u201cnormais\u201d de explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e gera\u00e7\u00e3o de lucros.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois a pandemia tornou-se \u201cendemia\u201d (doen\u00e7a cr\u00f4nica, mas est\u00e1vel no seu impacto) e o Covid uma \u201cgripe forte\u201d: uma nova doen\u00e7a cr\u00f4nica passou a fazer parte dos riscos e sofrimentos quotidianos dos trabalhadores com um elevado e persistente n\u00famero de infe\u00e7\u00f5es [2]. A combina\u00e7\u00e3o da destrui\u00e7\u00e3o acelerada da natureza realizada pelo capitalismo, a alta concentra\u00e7\u00e3o populacional e sua proximidade com animais que s\u00e3o \u201cpontes\u201d de zoonoses (doen\u00e7as que s\u00e3o transmitidas de animais para humanos) preparam, inevitavelmente, novas pandemias. N\u00e3o \u00e9 uma conclus\u00e3o nossa: \u00e9 o que dizem muitos especialistas e os pr\u00f3prios organismos internacionais, como a OMS [3].<\/p>\n\n\n\n<p>No campo da economia mundial, em 2021, os governos burgueses e a imprensa capitalista anunciaram aos quatro ventos que, \u201cagora sim\u201d, come\u00e7ava a grande recupera\u00e7\u00e3o e crescimento econ\u00f4mico. J\u00e1 em 2021, consideramos que, na realidade, se tratava de uma recupera\u00e7\u00e3o a baixa altitude, an\u00e9mica, que ia travar mais ou menos rapidamente. Al\u00e9m disso, vinha marcada por uma alta infla\u00e7\u00e3o em todo o mundo. A realidade confirmou esse progn\u00f3stico. Ambos os componentes foram agravados pelas consequ\u00eancias da guerra na Ucr\u00e2nia [4].<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As greves oper\u00e1rias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Foto: Protestos na Gr\u00e3-Bretanha<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m do debate sobre se j\u00e1 estamos em recess\u00e3o nas principais economias do mundo ou se estamos nos aproximando dela, a verdade \u00e9 que a infla\u00e7\u00e3o alta atinge duramente os sal\u00e1rios e o padr\u00e3o de vida dos trabalhadores em todo o mundo. Um golpe que d\u00e1 continuidade aos recebidos durante a pandemia e, al\u00e9m disso, se soma aos ataques que representam os planos de ajuste implementados pelos governos e os efeitos das privatiza\u00e7\u00f5es (totais ou parciais) e as redu\u00e7\u00f5es nos servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desses ataques, 2022 nos mostrou a confirma\u00e7\u00e3o e o crescimento de uma tend\u00eancia j\u00e1 anunciada no ano anterior: a crescente entrada da classe trabalhadora na luta, a partir de suas estruturas. A lista de greves em todo o mundo \u00e9 muito longa e extensa [5]. Neste quadro, avaliamos que o epicentro se localizou nos trabalhadores europeus e, dentro deles, nos trabalhadores brit\u00e2nicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Gr\u00e3-Bretanha, o gatilho foi o aumento dos ataques do governo aos servi\u00e7os p\u00fablicos, como transporte e sa\u00fade, com privatiza\u00e7\u00f5es e redu\u00e7\u00f5es. O ponto de partida foi a greve dos ferrovi\u00e1rios e, a partir da\u00ed, uma sucess\u00e3o de outras greves que hoje s\u00e3o centradas nos trabalhadores dos hospitais e do sistema de sa\u00fade [6]. H\u00e1 uma din\u00e2mica de greve geral que as diferentes burocracias sindicais tentam evitar, de v\u00e1rias formas. A verdade \u00e9 que esta onda de lutas se combina com uma crise dentro da burguesia devido \u00e0s consequ\u00eancias do Brexit e esta combina\u00e7\u00e3o j\u00e1 provocou a queda do governo de Boris Johnson [7] e o desgaste muito r\u00e1pido e sa\u00edda de Elizabeth Truss [8].<\/p>\n\n\n\n<p>O epicentro dessas greves e lutas oper\u00e1rias tem sido a Gr\u00e3-Bretanha. Mas teve express\u00f5es em muitos pa\u00edses, mesmo naqueles que n\u00e3o vivem um processo geral de lutas. Por exemplo, no Brasil, houve uma luta muito dura dos trabalhadores da Companhia Sider\u00fargica Nacional \u2013 CSN (uma das principais empresas do pa\u00eds com milhares de oper\u00e1rios) por um novo acordo salarial. Nesse \u00ednterim, a luta se acirrou porque a empresa demitiu a comiss\u00e3o que os oper\u00e1rios haviam escolhido para negociar (acabaram por ser reintegrados) [9].<\/p>\n\n\n\n<p>O importante de todo o processo \u00e9 que, nas elei\u00e7\u00f5es sindicais (tamb\u00e9m inclui outras f\u00e1bricas da regi\u00e3o), os trabalhadores escolheram uma nova dire\u00e7\u00e3o baseada na vanguarda da luta. Deram assim um primeiro passo muito importante numa tarefa que se apresenta como urgente para a maioria dos trabalhadores do mundo: substituir a burocracia sindical (que trai abertamente as lutas ou as encabe\u00e7a para isol\u00e1-las e det\u00ea-las) por novos dirigentes surgidos da luta. Nesse quadro, nossa se\u00e7\u00e3o no Brasil avan\u00e7ou em sua influ\u00eancia entre os trabalhadores da CSN e da cidade de Volta Redonda [10].<\/p>\n\n\n\n<p>Esta s\u00e9rie de greves \u00e9 produzida com objetivos econ\u00f4micos ou defensivos, mas t\u00eam um profundo significado pol\u00edtico, porque aponta contra o cerne das pol\u00edticas centrais das burguesias e dos governos: por um lado, reduzir sal\u00e1rios e piorar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e, por outro, privatizar ou reduzir servi\u00e7os p\u00fablicos, como transporte e sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Fazendo um balan\u00e7o de 2022 e suas perspectivas para o pr\u00f3ximo ano, um elemento central para a LIT-QI \u00e9 que nossa classe come\u00e7a a lutar a partir de suas estruturas, com sua organiza\u00e7\u00e3o e seus m\u00e9todos. Portanto, \u00e9 uma tarefa central conectar e intervir neste processo para impulsionar seu avan\u00e7o e desenvolvimento. Ao mesmo tempo, como vimos no exemplo da CSN, a classe oper\u00e1ria \u00e9 o centro onde queremos nos construir.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As rebeli\u00f5es no mundo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Foto: Protestos no Cazaquist\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o s\u00f3 houve muitas greves, mas tamb\u00e9m v\u00e1rias rebeli\u00f5es populares importantes, algumas das quais chegaram ao n\u00edvel de verdadeiros processos revolucion\u00e1rios. Foi o caso do Sri Lanka (antigo Ceil\u00e3o), um pa\u00eds insular, ao sul da \u00cdndia. L\u00e1, uma onda persistente de mobiliza\u00e7\u00f5es e greves obrigou o odiado presidente Gotabaya Rajapaksa (eleito h\u00e1 alguns anos por uma grande maioria do voto popular) a renunciar e fugir do pa\u00eds e deixou o regime pol\u00edtico que liderou junto com seu irm\u00e3o Mahinde severamente atingido [11]. Embora o Sri Lanka seja um pa\u00eds relativamente pequeno e pouco conhecido no mundo, tem um significado para os trotskistas porque d\u00e9cadas atr\u00e1s uma organiza\u00e7\u00e3o dessa origem (o LSSP) teve grande peso nos processos de luta [12].<\/p>\n\n\n\n<p>Um impacto internacional muito maior teve a rebeli\u00e3o ocorrida no Ir\u00e3 em resposta ao assassinato de uma jovem curda por um agente da chamada Pol\u00edcia Moral, por &#8220;n\u00e3o usar o jihad corretamente&#8221; (len\u00e7o tradicional usado por mulheres mu\u00e7ulmanas). A resposta a este fato foi o estopim para a explos\u00e3o de uma grande raiva acumulada contra a ditadura clerical dos aiatol\u00e1s e se transformou em uma rebeli\u00e3o nacional contra o regime que continua, apesar da dura repress\u00e3o [13]. A mobiliza\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ou um primeiro triunfo porque o regime anunciou a dissolu\u00e7\u00e3o da odiada Pol\u00edcia Moral [14].<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no campo dos &#8220;gigantes&#8221;, em novembro, foram in\u00fameras as lutas e mobiliza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e populares espalhadas por grande parte da China \u00e0s quais, por sua import\u00e2ncia internacional, dedicamos v\u00e1rios artigos [15]. O estopim foi o cansa\u00e7o dos trabalhadores e do povo chin\u00eas contra as medidas sufocantes da pol\u00edtica denominada &#8220;Covid 0&#8221;, aplicada pela ditadura capitalista do PC chin\u00eas como ferramenta repressiva a servi\u00e7o da manuten\u00e7\u00e3o dos alt\u00edssimos n\u00edveis de explora\u00e7\u00e3o aos quais submete a classe trabalhadora de seu pa\u00eds. Mas esta foi apenas a fagulha que acendeu o &#8220;capim seco&#8221; da raiva acumulada contra este regime e a din\u00e2mica do movimento aponta diretamente contra ele. Consciente desse perigo, a ditadura recuou e eliminou algumas das medidas mais irritantes. Nesse sentido, podemos considerar que a onda de rebeldia obteve um primeiro triunfo parcial [16].<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Am\u00e9rica latina<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Foto: Protestos no Peru<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui vamos nos referir a tr\u00eas pa\u00edses. Em Cuba, no final de setembro, houve in\u00fameros protestos contra o apag\u00e3o que afetou todo o pa\u00eds. Na verdade, foi um salto nos cortes parciais e rotativos que sofrem diariamente os trabalhadores e o povo cubano. Ao analisar os fatos, reiteramos nossa caracteriza\u00e7\u00e3o de que o regime castrista restabeleceu o capitalismo nos anos 1990 e abriu um processo de semicoloniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds pelo imperialismo, enquanto os altos quadros (principalmente do ex\u00e9rcito) se enriqueceram e se transformaram em uma nova burguesia. Ao longo do caminho, eles atacaram e destru\u00edram muitas das conquistas obtidas ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o de 1959. Ao mesmo tempo, eles negam qualquer liberdade democr\u00e1tica real ao povo cubano: o regime castrista foi transformado em uma ditadura capitalista. Os protestos e mobiliza\u00e7\u00f5es que acontecem (como os de 11J de 2021) e estes recentes s\u00e3o a resposta do povo cubano a esta realidade. Por isso, caracterizamos que s\u00e3o &#8220;lutas justas&#8221; e as apoiamos e defendemos contra aqueles que as definem como &#8220;contrarrevolucion\u00e1rias&#8221; ou dizem que, entre elas e o regime castrista, &#8220;n\u00e3o t\u00eam lado&#8221;[17].<\/p>\n\n\n\n<p>Outra quest\u00e3o muito importante foram as elei\u00e7\u00f5es no Brasil: uma ampla alian\u00e7a encabe\u00e7ada por Lula e o PT (que inclu\u00eda at\u00e9 figuras da direita tradicional como Geraldo Alckmin) derrotou a candidatura do atual presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua campanha, o PSTU sustentou que Lula n\u00e3o era o \u201cmal menor\u201d, mas uma das duas variantes promovidas pela burguesia brasileira e pelo imperialismo (inclusive a preferida) [18].<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio, a maioria da esquerda brasileira e mundial v\u00ea e comemora a vit\u00f3ria de Lula como uma nova express\u00e3o da &#8220;onda progressista&#8221; que est\u00e1 ocorrendo no continente na esteira das vit\u00f3rias eleitorais de Pedro Castillo no Peru, Boric no Chile e Gustavo Petro na Col\u00f4mbia. A realidade \u00e9 que esses governos (que n\u00e3o enfrentam o imperialismo nem as burguesias nacionais) se desgastaram muito rapidamente, frustrando as expectativas que as massas depositavam neles [19].<\/p>\n\n\n\n<p>O governo de Pedro Castillo j\u00e1 &#8220;faleceu&#8221;. Tomou posse com grande expectativa do campesinato pobre do interior e de muitos oper\u00e1rios das grandes cidades. Mas rapidamente mostrou que n\u00e3o estava disposto a mudar nada nem apelar \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e popular para avan\u00e7ar nesse caminho. Foi enfraquecendo cada vez mais e perdendo espa\u00e7o diante de um Congresso dominado pela direita que o cercava e queria derrub\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais uma vez, n\u00e3o recorreu \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e popular para se defender e tentou um golpe de Estado (fechando o Congresso com o apoio das For\u00e7as Armadas). Fracassou e foi destitu\u00eddo pelo Congresso que nomeou sua vice-presidente Dina Bularte como sua substituta para conseguir estabilizar um governo \u201cnormal\u201d [20]. Mas n\u00e3o consegue: apesar da repress\u00e3o, principalmente no interior, h\u00e1 importantes mobiliza\u00e7\u00f5es de camponeses nas zonas rurais, que rejeitam o novo governo, e nas cidades, o movimento oper\u00e1rio tamb\u00e9m se mobiliza. A dire\u00e7\u00e3o deste processo nas cidades \u00e9 a Confedera\u00e7\u00e3o Geral de Trabalhadores do Peru &#8211; CGTP (influenciada pelo PC) e tenta levar a mobiliza\u00e7\u00e3o para uma solu\u00e7\u00e3o negociada com o governo atrav\u00e9s da convocat\u00f3ria de novas elei\u00e7\u00f5es presidenciais. No quadro de uma profunda crise do regime pol\u00edtico e com as massas nas ruas, nossa se\u00e7\u00e3o peruana (o PST) interv\u00e9m com uma pol\u00edtica revolucion\u00e1ria [21].<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A guerra na Ucr\u00e2nia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No contexto de um ano muito agitado, a guerra na Ucr\u00e2nia \u00e9, sem d\u00favida, o acontecimento mais importante, desde fevereiro \u00faltimo. Uma nova guerra na Europa, mais de 75 anos ap\u00f3s o fim do grande conflito que abalou o continente e quase 30 anos ap\u00f3s as guerras geradas pela explos\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o Iugoslava.<\/p>\n\n\n\n<p>Num conflito em que se expressam e combinam fatores muito complexos, a LIT-QI caracterizou que se tratava de uma guerra entre um pa\u00eds opressor\/agressor (R\u00fassia) contra um pa\u00eds oprimido\/agredido (Ucr\u00e2nia). Com base nessa caracteriza\u00e7\u00e3o e, segundo os crit\u00e9rios de L\u00eanin e Trotsky, \u201ct\u00ednhamos p\u00e1tria\u201d: apoiamos incondicionalmente a resist\u00eancia ucraniana para derrotar a invas\u00e3o russa, especialmente a resist\u00eancia da classe oper\u00e1ria que se localizava no centro dessa luta. Por se tratar de uma guerra, colocamos como quest\u00e3o central desse apoio a de garantir as armas para essa resist\u00eancia. Acompanhamos passo a passo as mudan\u00e7as na din\u00e2mica da guerra [22].<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, propusemos uma pol\u00edtica para a classe trabalhadora e as massas ucranianas contra os ataques do governo Zelensky e da burguesia ucraniana, levando em conta a consci\u00eancia das massas sobre o governo, a burguesia e os imperialismos. Com o mesmo m\u00e9todo, tamb\u00e9m denunciamos e combatemos a OTAN e nos opusemos a qualquer possibilidade de sua entrada direta no conflito.<\/p>\n\n\n\n<p>Toda esta pol\u00edtica tamb\u00e9m se expressou em fortes debates p\u00fablicos (com v\u00e1rios artigos para eles) com as organiza\u00e7\u00f5es que apoiam a agress\u00e3o de Putin ou aquelas que t\u00eam assumido a posi\u00e7\u00e3o de &#8220;n\u00e3o ter lado&#8221; e mesmo com as que apoiam a resist\u00eancia ucraniana, mas negam que tenham o direito de exigir armas de governos estrangeiros.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o paramos nas palavras, essa pol\u00edtica estava nas ruas: levamos grandes cartazes a v\u00e1rias mobiliza\u00e7\u00f5es (como as de 8 de mar\u00e7o, 1\u00ba de maio ou os acampamentos dos piqueteiros argentinos), realizamos atos unit\u00e1rios com outros partidos, impulsionamos resolu\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es em sindicatos e outras organiza\u00e7\u00f5es de massa, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>As mais destacadas destas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o realizadas no \u00e2mbito da Rede Sindical Internacional que integramos juntamente com organiza\u00e7\u00f5es sindicais da Europa. Por exemplo, em sua reuni\u00e3o realizada na Fran\u00e7a, em abril passado, para a qual levamos um ativista que representante do setor sindical oper\u00e1rio ucraniano. Dessa reuni\u00e3o saiu o I Comboio de Solidariedade Oper\u00e1ria para a Ucr\u00e2nia, que chegou no pa\u00eds e reuniu-se com dirigentes sindicais mineiros que participam da resist\u00eancia [23]. Em seguida, foi realizado um II Comboio [24] e, em dezembro, uma confer\u00eancia online aberta com membros da Rede e sindicalistas da cidade industrial de Kryvyi Rih para avaliar o andamento da campanha e a situa\u00e7\u00e3o da guerra [25]. Orgulhamo-nos da nossa posi\u00e7\u00e3o perante a guerra na Ucr\u00e2nia e, neste contexto, das a\u00e7\u00f5es concretas de apoio e solidariedade \u00e0 resist\u00eancia oper\u00e1ria neste pa\u00eds que impulsionamos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alguns t\u00f3picos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No marco de um ano t\u00e3o intenso, a LIT-QI completou 40 anos de funda\u00e7\u00e3o. Nossa p\u00e1gina dedica um especial a este anivers\u00e1rio, composto por diversos artigos e v\u00eddeos que abordam nossa hist\u00f3ria, suas principais posi\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas e pol\u00edticas e debates com outras organiza\u00e7\u00f5es que se reivindicam trotskistas [26]. Nestes artigos reafirmamos a nossa estrat\u00e9gia de tomada do poder pela classe oper\u00e1ria a n\u00edvel nacional como passo para a realiza\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o socialista internacional, que a classe oper\u00e1ria \u00e9 o nosso lugar privilegiado de constru\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o e que o nosso modelo de internacional \u00e9 aquele dos primeiros anos da Terceira Internacional liderada por Lenin e Trotsky. Para encerrar esta campanha, ser\u00e1 lan\u00e7ado em fevereiro um e-book com todos os artigos do especial.<\/p>\n\n\n\n<p>O ano de 2022 termina com um evento que n\u00e3o tem origem na luta de classes, mas que chamou a aten\u00e7\u00e3o de muitos milh\u00f5es no mundo: a Copa do Mundo no Catar. Abordamos esse evento denunciando seus muitos aspectos conden\u00e1veis: a grosseira negocia\u00e7\u00e3o do futebol como show business com o qual este pa\u00eds foi eleito sede, as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es em que trabalhadores estrangeiros (essencialmente da \u00cdndia) constru\u00edram os est\u00e1dios (e suas consequ\u00eancias de acidentes e mortes) e a dura opress\u00e3o e repress\u00e3o sofrida por mulheres e homossexuais no Catar[27]. Ao mesmo tempo, muitos de nossa equipe editorial, como milh\u00f5es de trabalhadores em todo o mundo, seguiram com paix\u00e3o o destino das sele\u00e7\u00f5es e se alegraram ou sofreram com elas.<\/p>\n\n\n\n<p>Dissemos que a Copa do Mundo n\u00e3o \u00e9 um fato da luta de classes, mas, inevitavelmente, foi atravessada por considera\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Por exemplo, a sele\u00e7\u00e3o iraniana n\u00e3o cantou o hino de seu pa\u00eds antes da partida contra a Inglaterra, no que foi visto como uma demonstra\u00e7\u00e3o de solidariedade \u00e0s v\u00edtimas da repress\u00e3o em seu pa\u00eds. O desenrolar do torneio foi determinando uma divis\u00e3o de torcedores entre aquelas sele\u00e7\u00f5es que eram consideradas representantes dos pa\u00edses semicoloniais (Argentina e Marrocos) contra as &#8220;pot\u00eancias imperialistas europeias&#8221; (como Espanha e essencialmente Fran\u00e7a). Em muitos pa\u00edses do mundo, grande parte da comemora\u00e7\u00e3o pelo campeonato conquistado pela sele\u00e7\u00e3o argentina teve essa conota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para fechar o c\u00edrculo da rela\u00e7\u00e3o entre futebol e pol\u00edtica, ainda durante a pr\u00f3pria Copa do Mundo, come\u00e7ou a crescer a campanha internacional contra a execu\u00e7\u00e3o e pela liberdade de Amir Nasr-Azadani, jogador de futebol profissional iraniano, condenado \u00e0 morte. por ter participado e apoiado os protestos contra o regime dos aiatol\u00e1s. A LIT-QI apoia e impulsiona esta campanha internacional [28].<\/p>\n\n\n\n<p>Queremos encerrar esta retrospectiva de 2022 com algumas considera\u00e7\u00f5es. Vimos que o ano nos mostrou uma profunda crise da &#8220;ordem mundial imperialista&#8221; atrav\u00e9s da guerra na Ucr\u00e2nia, uma economia internacional que &#8220;n\u00e3o se destrava&#8221; e in\u00fameras lutas estruturais de nossa classe assim como diversas rebeli\u00f5es que questionam regimes e governos ou os for\u00e7am a recuar (alguns, como no Sri Lanka, s\u00e3o derrubados). Consideramos muito poss\u00edvel que 2023 mantenha esta din\u00e2mica ainda que o imperialismo e as burguesias nacionais e seus governos tentem derrot\u00e1-la ou, pelo menos, desvi\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p>A realidade nos mostrar\u00e1 qual dessas duas for\u00e7as prevalecer\u00e1. Mas o que reafirmamos \u00e9 nosso compromisso de apoiar e impulsionar essas lutas e, na medida de nossas possibilidades, intervir ativamente nelas. A nossa p\u00e1gina est\u00e1 ao servi\u00e7o desta tarefa e, nela, da constru\u00e7\u00e3o da LIT-QI.<\/p>\n\n\n\n<p>________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p>[1] Omicron: onda final ou pandemia eterna? https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/01\/24\/omicron-onda-final-ou-pandemia-eterna\/<\/p>\n\n\n\n<p>[2] Infec\u00e7\u00f5es por Covid-19 seguem est\u00e1veis \u200b\u200bno mundo, segundo a OMS \u2013 El Comercio<\/p>\n\n\n\n<p>[3] https:\/\/www.who.int\/es\/news-room\/questions-and-answers\/item\/pandemic-prevention\u2013preparedness-and-response-accord<\/p>\n\n\n\n<p>[4] O impacto da guerra russo-ucraniana na economia mundial. https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/03\/06\/o-impacto-da-guerra-russo-ucraniana-na-economia-mundial\/<\/p>\n\n\n\n<p>[5] Veja, por exemplo, Inflation hits workers \u2013 International Workers League (litci.org)<\/p>\n\n\n\n<p>[6] Entrevista | O processo de luta mais impressionante do momento est\u00e1 ocorrendo na Gr\u00e3-Bretanha. https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/09\/13\/entrevista-na-gra-bretanha-esta-ocorrendo-o-processo-de-luta-mais-impressionante-do-momento\/<\/p>\n\n\n\n<p>[7] \u00c9 hora de derrotar Boris Johnson e os conservadores nas ruas. https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/09\/09\/e-hora-de-derrotar-boris-johnson-e-os-conservadores-nas-ruas\/<\/p>\n\n\n\n<p>[8] https:\/\/www.dw.com\/es\/liz-truss-la-breve-hecatombe-pol%C3%ADtica-en-gran-breta%C3%B1a\/a-63512788<\/p>\n\n\n\n<p>[9] Veja operadoras da CSN se levantando contra superexplora\u00e7\u00e3o e injusti\u00e7as | PSTU e Vit\u00f3ria! Justi\u00e7a determina reintegra\u00e7\u00e3o de dois demitidos na CSN | PSTU<\/p>\n\n\n\n<p>[10] PSTU realiza plen\u00e1ria de apresenta\u00e7\u00e3o da festa para operadoras da CSN de Volta Redonda e seus familiares | PSTU<\/p>\n\n\n\n<p>[11] Ver, entre outros artigos: https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/07\/12\/sri-lanka-uma-revolucao-em-curso-derruba-o-presidente-rajapaksa\/ e https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/08\/10\/sri-lanka-quais-sao-as-perspectivas-depois-da-destituicao-do-presidente-rajapaksa\/<\/p>\n\n\n\n<p>[12] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/07\/27\/sri-lanka-o-dia-em-que-os-trotskistas-paralisaram-o-pais\/<\/p>\n\n\n\n<p>[13] Veja, entre v\u00e1rios artigos, https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/12\/06\/declaracao-da-lit-qi-em-apoio-aos-protestos-no-ira\/<\/p>\n\n\n\n<p>[14] Ver https: https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/11\/12\/ira-sobre-a-rebeliao-contra-o-regime-dos-aiatolas\/<\/p>\n\n\n\n<p>[15] Ver https: https:\/\/litci.org\/pt\/category\/china\/<\/p>\n\n\n\n<p>[16] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/12\/12\/ditadura-chinesa-retrocede-em-sua-politica-de-combate-a-covid-19\/<\/p>\n\n\n\n<p>[17] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/10\/19\/sobre-os-protestos-contra-o-apagao-em-cuba\/<\/p>\n\n\n\n<p>[18] Brasil | https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/09\/28\/nao-seja-refem-do-mal-menor-por-que-o-voto-util-e-na-vera-e-no-16\/<\/p>\n\n\n\n<p>[19] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/11\/11\/governos-progressistas-uma-onda-que-nao-sera-tao-rosa\/<\/p>\n\n\n\n<p>[20] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/12\/09\/o-fim-do-governo-castillo-e-a-necessidade-urgente-de-reconstruir-a-acao-independente-da-classe-trabalhadora\/<\/p>\n\n\n\n<p>[21] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/12\/10\/peru-paralisacao-nacional-para-que-saiam-todos\/<\/p>\n\n\n\n<p>[22] Veja os numerosos artigos publicados nesta p\u00e1gina em https:\/\/litci.org\/pt\/ucrania\/ e a revista Correio Internacional No. 25 dedicada \u00e0 guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>[23] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/05\/03\/csp-conlutas-vai-a-ucrania-com-comboio-operario-internacional-e-realiza-entrega-de-donativos\/<\/p>\n\n\n\n<p>[24] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/10\/14\/sindicalistas-realizam-o-segundo-comboio-de-ajuda-operaria-a-ucrania\/<\/p>\n\n\n\n<p>[25] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/12\/12\/rede-sindical-promove-conferencia-com-sindicalistas-ucranianos-em-dezembro\/<\/p>\n\n\n\n<p>[26] https:\/\/litci.org\/pt\/40anos\/<\/p>\n\n\n\n<p>[27] Veja entre outros artigos: https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/11\/20\/copa-do-mundo-catar-2022-uma-ode-ao-luxo-e-ostentacao-manchada-com-sangue-humilde-e-trabalhador\/<\/p>\n\n\n\n<p>Catar 2022: um catalisador para a agita\u00e7\u00e3o social \u2013 Liga Internacional dos Trabalhadores (litci.org)<\/p>\n\n\n\n<p>[28] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/12\/17\/nao-a-execucao-de-amir-nasr-azadani\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando come\u00e7amos a escrever o tradicional resumo do que aconteceu no mundo neste ano que est\u00e1 terminando, e como o refletimos na nossa p\u00e1gina, surge uma primeira conclus\u00e3o: vivemos numa \u00e9poca agitada e os anos anteriores foram intensos para a Humanidade. Mas este ano superou e n\u00e3o nos deu um momento de tr\u00e9gua: uma guerra [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":75676,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3182,3588,3658,91],"tags":[8485,3611],"class_list":["post-75667","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-guerra-contra-ucrania","category-lit-qi-e-partidos","category-russia","category-ucrania","tag-8485","tag-lit-qi"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/guerra-ucrania.jpg","categories_names":["Guerra contra Ucrania","Lit-QI e Partidos","R\u00fassia","Ucr\u00e2nia"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75667","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=75667"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75667\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":75677,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75667\/revisions\/75677"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/75676"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=75667"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=75667"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=75667"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}