{"id":75627,"date":"2022-12-21T15:18:26","date_gmt":"2022-12-21T15:18:26","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=75627"},"modified":"2022-12-21T15:18:29","modified_gmt":"2022-12-21T15:18:29","slug":"sem-ruptura-com-o-agro-nao-sera-possivel-salvar-a-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/12\/21\/sem-ruptura-com-o-agro-nao-sera-possivel-salvar-a-amazonia\/","title":{"rendered":"Sem ruptura com o agro, n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel salvar a Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Segundo um estudo do Mapbiomas, em 1985 apenas 6% da Floresta Amaz\u00f4nica de toda a Am\u00e9rica do Sul haviam sido desmatados, transformado-se em cidades, pastagens e lavouras. Mas, em 2021 essa \u00e1rea quase triplicou, chegando a 15% de toda a regi\u00e3o, quase 1.250 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados, o equivalente a duas Ucr\u00e2nias.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Jeferson Choma<\/p>\n\n\n\n<p>O tamanho da destrui\u00e7\u00e3o varia de um pa\u00eds para outro: no Suriname, Guiana e Guiana Francesa \u00e9 de apenas 1,6%; mas, no Brasil chega a 19%. Ou seja, estamos muito pr\u00f3ximos do \u201cponto sem retorno\u201d, calculado pelos cientistas na faixa entre 20% e 25% de perda da cobertura vegetal.<\/p>\n\n\n\n<p>Cruzar esse ponto significa que o bioma deixar\u00e1 de ser um sumidouro de carbono de import\u00e2ncia planet\u00e1ria, para se tornar em um emissor dos gases-estufa, ampliando o aquecimento global e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, com consequ\u00eancias catastr\u00f3ficas para a civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bolsonaro e sua boiada desenfreada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sob Bolsonaro, a Amaz\u00f4nia brasileira perdeu, em florestas, uma \u00e1rea equivalente a dois estados do Rio de Janeiro \u2013 mais de 86.468 Km\u00b2. Contudo, o n\u00famero vai crescer, pois ainda n\u00e3o foram computados os dados do desmatamento de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu governo passou a boiada nas leis ambientais, na fiscaliza\u00e7\u00e3o e promoveu o roubo de terras p\u00fablicas pelo agroneg\u00f3cio, a invas\u00e3o de garimpeiros e o crime organizado em Terras Ind\u00edgenas e Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o. Os assassinatos de Dom Philips e Bruno Pereira s\u00e3o apenas o ponto mais vis\u00edvel da barb\u00e1rie promovida por Bolsonaro e seu bando de malfeitores.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 o resultado de governar para o agroneg\u00f3cio. Sem romper com esse modelo de agricultura, n\u00e3o s\u00f3 a Amaz\u00f4nia, mas todos os biomas brasileiros est\u00e3o condenados \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sem ruptura com o agro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Lula diz que vai promover um agroneg\u00f3cio sustent\u00e1vel, sem ruptura; isto \u00e9, n\u00e3o dever\u00e1 fomentar nada que implique em mudan\u00e7as dr\u00e1sticas na atua\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Agricultura do governo Bolsonaro, conforme reportagem da Ag\u00eancia Estado, em 13 de dezembro. Inclusive, at\u00e9 se gaba, afirmando:&nbsp;\u201cPergunta ao agroneg\u00f3cio se ganhou tanto dinheiro quanto ganhou no meu tempo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema \u00e9 que n\u00e3o existe \u201cagroneg\u00f3cio sustent\u00e1vel\u201d, pois esse modelo de agricultura exige uma permanente expans\u00e3o territorial, para diminuir os custos de produ\u00e7\u00e3o. E manter a atua\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Agricultura s\u00f3 pode significar impulsionar a devasta\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Neoliberalismo ambiental<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O ecologismo neoliberal de Marina Silva tampouco oferece alguma solu\u00e7\u00e3o. Sua pol\u00edtica visa promover a explora\u00e7\u00e3o florestal \u201csustent\u00e1vel\u201d de \u00e1reas p\u00fablicas, a comercializa\u00e7\u00e3o de \u201cservi\u00e7os ambientais\u201d, a venda de cr\u00e9ditos de carbono, entre outras medidas de cunho neoliberal e financista. Por esse caminho, nem a Amaz\u00f4nia nem qualquer outro bioma brasileiro ser\u00e1 salvo, como a hist\u00f3ria recente demonstrou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>34 anos do seu assassinato<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O sonho socialista de Chico Mendes segue vivo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso retomar o caminho tra\u00e7ado por Chico Mendes que aliava a luta pela preserva\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica com o combate ao capitalismo. Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, Chico foi assassinado em 22 de dezembro de 1988, aos 44 anos, com um tiro de escopeta no peito.<\/p>\n\n\n\n<p>Chico liderou a resist\u00eancia do movimento seringueiro contra a destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia; promoveu os \u201cempates\u201d, piquetes armados de seringueiros que impediam as a\u00e7\u00f5es de desmate da floresta; realizou alian\u00e7as com os povos ind\u00edgenas e lutou pela cria\u00e7\u00e3o da Reservas Extrativas, uma modalidade de Reforma Agr\u00e1ria adequada ao modo de vida dos seringueiros.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Socialismo nas selvas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mas, Chico Mendes tamb\u00e9m foi um socialista, que sonhava com uma sociedade livre de qualquer opress\u00e3o e que pudesse criar um modelo espec\u00edfico de desenvolvimento, que preservasse \u201ca floresta em p\u00e9\u201d. Sob o capitalismo, como Chico sabia, isso \u00e9 imposs\u00edvel, como comprova a ininterrupta continuidade da destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia ap\u00f3s seu assassinato.<\/p>\n\n\n\n<p>A biodiversidade amaz\u00f4nica \u00e9 enorme, existindo entre 100 a 280 esp\u00e9cies de \u00e1rvores em cada hectare, e muito pouco foi estudado pelos bot\u00e2nicos. Toda essa biodiversidade tem um enorme potencial cient\u00edfico, podendo ajudar a conhecer e curar doen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Microrganismos tamb\u00e9m servem para desenvolver processos industriais e auxiliar em um novo modelo ecol\u00f3gico de agricultura. Al\u00e9m disso, a floresta tamb\u00e9m pode oferecer uma gama gigantesca de materiais que podem vir a ser os biomateriais do futuro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Revolu\u00e7\u00e3o das for\u00e7as produtivas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para conhecer essa imensa biodiversidade seria preciso um investimento massivo em ci\u00eancia, especialmente na cria\u00e7\u00e3o de um centro de pesquisa no cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, aliando&nbsp;\u201ca ci\u00eancia ind\u00edgena de milhares de anos com a ci\u00eancia contempor\u00e2nea, de forma harmoniosa e operativa\u201d, como explica Carlos Nobre, um dos maiores cientistas do Brasil. Nobre \u00e9 um defensor da cria\u00e7\u00e3o de um centro de pesquisas da maior floresta tropical do planeta, semelhante ao famoso MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts).<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso est\u00e1 muito distante dos planos do futuro governo Lula. Criar um modelo de desenvolvimento que mantenha a floresta em p\u00e9 exige uma ruptura com o agroneg\u00f3cio e a domina\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica imperialista, numa&nbsp;\u201crevolu\u00e7\u00e3o socialista mundial\u201d, como escreveu Chico Mendes, que unifique&nbsp;\u201ctodos os povos do planeta num s\u00f3 ideal\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo um estudo do Mapbiomas, em 1985 apenas 6% da Floresta Amaz\u00f4nica de toda a Am\u00e9rica do Sul haviam sido desmatados, transformado-se em cidades, pastagens e lavouras. Mas, em 2021 essa \u00e1rea quase triplicou, chegando a 15% de toda a regi\u00e3o, quase 1.250 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados, o equivalente a duas Ucr\u00e2nias. 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