{"id":75591,"date":"2022-12-16T15:04:54","date_gmt":"2022-12-16T15:04:54","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=75591"},"modified":"2022-12-16T15:04:58","modified_gmt":"2022-12-16T15:04:58","slug":"para-onde-vai-a-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/12\/16\/para-onde-vai-a-china\/","title":{"rendered":"<strong><em>Para onde vai a China?<\/em><\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p><em>No \u00faltimo m\u00eas ocorreram numerosas rebeli\u00f5es populares que se estenderam por v\u00e1rias cidades e regi\u00f5es da China contra as dur\u00edssimas medidas restritivas para a popula\u00e7\u00e3o devido \u00e0 pol\u00edtica \u201cCovid 0\u201d aplicada pelo governo chin\u00eas. Pela import\u00e2ncia pol\u00edtica e econ\u00f4mica da China no mundo, tudo o que ocorre nesse pa\u00eds tem significado internacional. Neste caso, trata-se da mais importante rebeli\u00e3o popular na China desde as mobiliza\u00e7\u00f5es da Pra\u00e7a Tiananmen (1989). Quais s\u00e3o as poss\u00edveis perspectivas da situa\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Alejandro Iturbe<\/p>\n\n\n\n<p>Desde a restaura\u00e7\u00e3o capitalista no pa\u00eds, iniciada em fins da d\u00e9cada de 1970 sob a lideran\u00e7a de Deng Xiaoping<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftn1\">[1]<\/a>, &nbsp;a China teve um importante desenvolvimento econ\u00f4mico. Desenvolvimento que se acelerou depois da derrota do processo de Tiananmen j\u00e1 que aflu\u00edram ao pa\u00eds um volume de investimentos estrangeiros nunca visto antes na hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses investimentos estavam dirigidos para a produ\u00e7\u00e3o industrial e aproveitavam dois fatores centrais. O primeiro era a \u201cestabilidade pol\u00edtica\u201d que o regime ditatorial do Partido Comunista Chin\u00eas (PCCh) garantia. O segundo era um gigantesco ex\u00e9rcito industrial de reserva proveniente da popula\u00e7\u00e3o expulsa do campo, for\u00e7ada a migrar para as cidades, discriminada pelo uso do &nbsp;<em>houkou<\/em>&nbsp;(passaporte interno obrigat\u00f3rio) e, nessas condi\u00e7\u00f5es, obrigada a aceitar empregos de baix\u00edssimos sal\u00e1rios e dur\u00edssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho de superexplora\u00e7\u00e3o (estima-se que cerca de 200 milh\u00f5es de pessoas migraram do campo para as cidades).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse processo, a China deixou de ser um pa\u00eds de base agr\u00e1ria, se transformou em uma economia industrializada e se urbanizou aceleradamente, especialmente nas cidades do litoral e do sul, nas quais se concentram os n\u00facleos industriais. V\u00e1rias delas viveram explos\u00f5es demogr\u00e1ficas que as transformaram em cidades gigantescas.<\/p>\n\n\n\n<p>O regime pol\u00edtico continuou sendo uma ditadura do PCCh que, por sua vez, foi se fechando cada vez mais em sua c\u00fapula, e por fim na figura de Xi Jinping<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftn2\">[2]<\/a>. Em v\u00e1rios artigos denominamos esta combina\u00e7\u00e3o entre as bases econ\u00f4micas e sociais do pa\u00eds e seu regime pol\u00edtico como uma <em>\u201cditadura capitalista disfar\u00e7ada de \u2018vermelho\u2019\u201d<\/em>&nbsp;que tenta controlar todos os aspectos da vida de sua popula\u00e7\u00e3o, especialmente da classe oper\u00e1ria <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftn3\">[3]<\/a>. Esta caracteriza\u00e7\u00e3o nos op\u00f5e a aqueles que definem que na China existe o <em>\u201csocialismo de nossos dias\u201d<\/em>&nbsp;ou um&nbsp;<em>\u201cregime social intermedi\u00e1rio\u201d<\/em>&nbsp;(nem capitalista nem socialista)<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftn4\">[4]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma gigantesca classe oper\u00e1ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como resultado deste desenvolvimento econ\u00f4mico, h\u00e1 atualmente no pa\u00eds mais de 500 milh\u00f5es de trabalhadores\/as e mais da metade deles\/as s\u00e3o oper\u00e1rios industriais <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftn5\">[5]<\/a>. Esta quantidade de oper\u00e1rios industriais impacta. Mais ainda se considerarmos que em 2008 o conjunto dos pa\u00edses da OCDE (os pa\u00edses mais desenvolvidos do mundo) totalizavam 131 milh\u00f5es. Ou seja, falamos da maior classe oper\u00e1ria e do maior proletariado industrial do planeta, o que d\u00e1 pleno significado \u00e0 frase \u201cA China \u00e9 a f\u00e1brica do mundo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Este proletariado trabalha em ind\u00fastrias com diferentes tipos de propriet\u00e1rios: aquelas que pertencem diretamente \u00e0s multinacionais (como a GM e a Toyota), as que s\u00e3o propriedade da burguesia de origem chinesa que fugiu da China em 1949 e se radicou em outros pa\u00edses e territ\u00f3rios (como a Foxconn que \u00e9 taiwanesa), as que pertencem a burgueses chineses associados ao regime (como a Huawei), muitas empresas chinesas \u201cprovedoras cativas\u201d das grandes multinacionais (como as que fabricam para Walmart) e, finalmente, o grande conglomerado de empresas do Estado (minera\u00e7\u00e3o, petr\u00f3leo, petroqu\u00edmica, sider\u00fargica, constru\u00e7\u00e3o, ferrovia e portu\u00e1rio naval).<\/p>\n\n\n\n<p>A burguesia e o regime chineses procuram gerar divis\u00f5es neste gigantesco proletariado. Em primeiro lugar, atrav\u00e9s do <em>houkou<\/em>, que prejudica os trabalhadores migrantes do interior, j\u00e1 que devem aceitar n\u00edveis salariais mais baixos, piores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, e s\u00e3o discriminados em quest\u00f5es centrais como sa\u00fade e habita\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, isto os transforma, muitas vezes, na vanguarda das exig\u00eancias e das lutas nas empresas. Em segundo lugar, entre os trabalhadores das empresas estatais (com sal\u00e1rios melhores e maiores privil\u00e9gios). Em terceiro lugar, por idade: muitas empresas privadas n\u00e3o contratam trabalhadores\/as de mais de 30 anos e os\/as despedem ao chegar a essa idade, se n\u00e3o acessaram cargos de supervis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O concreto \u00e9 que, principalmente nas empresas privadas, trata-se de um proletariado jovem, em especial nas ind\u00fastrias de maior tecnologia. Um estudo sobre v\u00e1rias grandes plantas terminais automotrizes dava uma idade em m\u00e9dia de 24 anos<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftn6\">[6]<\/a>. Ao mesmo tempo, surge desse informe que todos os trabalhadores dessas plantas t\u00eam, no m\u00ednimo, 12 anos de estudo [escola secund\u00e1ria completa] e muitos t\u00eam dois anos adicionais de estudos t\u00e9cnicos. Tomada de conjunto, a classe oper\u00e1ria chinesa tem um n\u00edvel educativo crescente. Al\u00e9m disso, nas ind\u00fastrias de maior valor agregado, os estudos secund\u00e1rios s\u00e3o um requisito para ser contratado.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal como destacamos em um artigo de 2015: <em>\u201c\u00c9 importante compreender que parte importante da classe oper\u00e1ria industrial mudou seu car\u00e1ter. J\u00e1 n\u00e3o se trata da gera\u00e7\u00e3o rec\u00e9m chegada do campo mas de seus filhos, j\u00e1 criados nas grandes cidades, com melhores n\u00edveis de educa\u00e7\u00e3o e maiores aspira\u00e7\u00f5es sociais&#8221;. <\/em>\u00c9 uma considera\u00e7\u00e3o essencial para compreender a situa\u00e7\u00e3o atual e suas perspectivas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O motor foi a rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 repress\u00e3o pela \u201cCovid 0\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esta s\u00e9rie de rebeli\u00f5es eclode pela rejei\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica denominada \u201cCovid 0\u201d aplicada pelo regime chin\u00eas desde o in\u00edcio da pandemia e que se manteve desde ent\u00e3o. Na maioria dos pa\u00edses imperialistas e em grande parte do mundo, as burguesias e seus governos promoveram, primeiro, uma gradual \u201cnormaliza\u00e7\u00e3o\u201d das atividades <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftn7\">[7]<\/a>, e depois \u201cdecretaram\u201d o fim da pandemia e sua \u201cgripaliza\u00e7\u00e3o\u201d <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftn8\">[8]<\/a>. Foi sua forma de retomar a plena atividade econ\u00f4mica e, com ela, recuperar os n\u00edveis \u201cnormais\u201d de explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e de seus lucros.<\/p>\n\n\n\n<p>A burguesia e o regime chineses, ao contr\u00e1rio, mantiveram por quase tr\u00eas anos, uma pol\u00edtica centrada basicamente no isolamento e no confinamento das empresas, cidades e regi\u00f5es onde os surtos ocorreram. Poderia se dizer que se trata de um \u201cexcesso burocr\u00e1tico\u201d por uma preocupa\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o. Entretanto, n\u00e3o \u00e9 assim. Apesar de serem fabricadas no pa\u00eds v\u00e1rias vacinas de uso internacional, nunca se aplicou um crit\u00e9rio de \u201cvacina\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria\u201d e os n\u00edveis de porcentagem da popula\u00e7\u00e3o vacinada s\u00e3o baixos em rela\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses. O regime afirmava \u201cter contido\u201d a pandemia<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftn9\">[9]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, quando ocorria um cont\u00e1gio em uma grande f\u00e1brica, os trabalhadores eram \u201cconfinados\u201d e obrigados a continuar trabalhando, inclusive os contagiados. Em outras palavras, a preocupa\u00e7\u00e3o do regime e da burguesia chineses n\u00e3o era a sa\u00fade dos trabalhadores e da popula\u00e7\u00e3o, mas manter os alt\u00edssimos n\u00edveis de superexplora\u00e7\u00e3o. Nesse contexto, as medidas da pol\u00edtica \u201cCovid 0\u201d transformaram-se em uma exacerba\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o sobre a popula\u00e7\u00e3o submetida ao controle ditatorial que o PCCh exerce.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As rebeli\u00f5es expressam uma raiva profunda<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora estas rebeli\u00f5es ocorram contra a pol\u00edtica do \u201cCovid 0\u201d, s\u00e3o uma express\u00e3o de um substrato pr\u00e9vio e de v\u00e1rias \u201craivas acumuladas\u201d por muito tempo entre os trabalhadores e a popula\u00e7\u00e3o chinesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, na situa\u00e7\u00e3o geral da classe trabalhadora, seus baixos sal\u00e1rios, suas dur\u00edssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, e a extrema dificuldade de criar sindicatos independentes do regime ou de fazer greves para lutar por suas demandas. J\u00e1 em 2014-2016 houve uma importante onda de greves de f\u00e1bricas ou empresas<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftn10\">[10]<\/a>&nbsp;que teve, como contexto, uma situa\u00e7\u00e3o de crise econ\u00f4mica e imobili\u00e1ria <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftn11\">[11]<\/a>. A situa\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria chinesa piorou com a pandemia e agora temos tamb\u00e9m um contexto de crise econ\u00f4mica e imobili\u00e1ria que \u00e9 superior \u00e0 de 2014-2016<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftn12\">[12]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo desse importante componente \u00e9 o ocorrido na gigantesca planta da empresa Foxconn, na cidade de Zhengzhou, localizada no que \u00e9 conhecido como \u201cFoxconn City\u201d, uma verdadeira cidade murada na qual seus trabalhadores (mais de 200.000) trabalham em condi\u00e7\u00f5es de semiescravid\u00e3o. Milhares fugiram do \u201cconfinamento\u201d e a empresa contratou substitutos prometendo-lhes b\u00f4nus e pr\u00eamios adicionais, que n\u00e3o cumpriu. Nova \u201cfuga\u201d de trabalhadores e dur\u00edssimos choques com os guardas de seguran\u00e7a internos e a pol\u00edcia, no exterior da \u201cCity\u201d<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftn13\">[13]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal como informa outro artigo publicado neste mesmo site, <em>\u201cEstes protestos oper\u00e1rios n\u00e3o foram os \u00fanicos. Na semana anterior, uma multid\u00e3o de trabalhadores migrantes protestou contra a escassez de alimentos no distrito industrial de Haizhu, no Cant\u00e3o, onde 1.8 milh\u00f5es de oper\u00e1rios foram confinados durante tr\u00eas semanas devido \u00e0 pol\u00edtica de \u201cCovid 0\u201d <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftn14\"><strong>[14]<\/strong><\/a><\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 esta presen\u00e7a dos trabalhadores se incorpora a luta de uma das nacionalidades oprimidas pelo regime de Beijing: os uigures. S\u00e3o um povo de cerca de 10 milh\u00f5es de pessoas na China, de origem \u00e9tnica, lingu\u00edstica e cultural pr\u00f3prias, diferente dos chineses que habitam a prov\u00edncia de Xinjiang, no extremo ocidental do pa\u00eds. Chamam seu territ\u00f3rio Turquest\u00e3o Oriental ou Uigurist\u00e3o e lutam pela sua independ\u00eancia, que \u00e9 negada pelo regime chin\u00eas. Foi nas cidades desta regi\u00e3o que se iniciaram as rebeli\u00f5es que depois se estenderam a outras regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O inimigo \u00e9 a ditadura<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O que unifica todas as exig\u00eancias \u00e9 a grande raiva subjacente contra o regime ditatorial e repressivo do PCCh. Ou seja, a car\u00eancia absoluta de qualquer liberdade democr\u00e1tica, na qual o partido decide tudo (na realidade, agora, Xi Jinping). Uma ditadura que, como vimos, est\u00e1 a servi\u00e7o de uma feroz explora\u00e7\u00e3o capitalista a servi\u00e7o dos burgueses imperialistas e chineses.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma parte da imprensa imperialista quer apresentar o que ocorre como o resultado de uma a\u00e7\u00e3o individual: a de Peng Lifa, um homem que, em meados de outubro passado, subiu em uma ponte em Beijing para pendurar cartazes com reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, pouco antes de ser detido pela pol\u00edcia. O chamam de <em>\u201co homem que acendeu a fa\u00edsca em meio \u00e0 obscuridade\u201d <\/em>ou <em>\u201cprofeta\u201d<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftn15\"><strong>[15]<\/strong><\/a><\/em>. V\u00e1rias de suas reivindica\u00e7\u00f5es s\u00e3o agora entoadas nas rebeli\u00f5es: \u201cQueremos comida\u2026\u201d, \u201cQueremos reformas\u2026\u201d, \u201cQueremos liberdade, n\u00e3o confinamentos\u201d, \u201cQueremos dignidade, n\u00e3o mentiras\u201d, \u201cQueremos votar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta imprensa imperialista ama os \u201cher\u00f3is solit\u00e1rios que lutam contra os moinhos de vento\u201d. Tal como vimos, o processo de rebeli\u00f5es se iniciou com a luta massiva dos trabalhadores da Foxconn e do povo uigur. Entretanto, a \u201cfa\u00edsca\u201d que Peng Lifa acendeu pegou fogo em um \u201cpasto seco\u201d e suscet\u00edvel a incendiar-se. Uma onda de rebeli\u00f5es que, caso se desenvolva, aponta diretamente ao regime e \u00e0 sua derrubada. N\u00e3o por acaso, nos cartazes mais radicais das mobiliza\u00e7\u00f5es se lia: <em>\u201cAbaixo o traidor desp\u00f3tico Xi Jinping\u201d<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftn16\"><strong>[16]<\/strong><\/a><\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Na realidade, para al\u00e9m das gl\u00f3rias do <em>New York Times<\/em>&nbsp;ao \u201cprofeta Peng\u201d, a imprensa, a burguesia e os governos imperialistas est\u00e3o muito preocupados com o que ocorre na China. Veem com simpatia que estas mobiliza\u00e7\u00f5es desgastem e debilitem um pouco o regime ditatorial do PCCh. No entanto, lhes preocupa profundamente que esta perda de controle da situa\u00e7\u00e3o e, muito mais ainda, que a situa\u00e7\u00e3o se transforme em um processo revolucion\u00e1rio aberto que possa derrubar esse regime.<\/p>\n\n\n\n<p>Por um lado, como analisa um artigo do jornal argentino de direita <em>La Naci\u00f3n<\/em>:&nbsp;<em>\u201c<strong>todos t\u00eam consci\u00eancia de que uma derrubada brutal da economia do gigante asi\u00e1tico teria consequ\u00eancias catastr\u00f3ficas no equil\u00edbrio mundial\u201d<\/strong> <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftn17\"><strong>[17]<\/strong><\/a><strong>.&nbsp;<\/strong><\/em><strong>Por outro, como um componente essencial da preocupa\u00e7\u00e3o:<em> \u201cA sociedade civil est\u00e1 em ebuli\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>. A conclus\u00e3o \u00e9: <\/strong><em>\u201cSe o povo se sentir galvanizado, a mobiliza\u00e7\u00e3o poderia continuar crescendo e tudo depender\u00e1 da resposta que o governo central decidir dar: entre brutalidade e negocia\u00e7\u00e3o\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>As perspectivas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Muito mais preocupado est\u00e1 o pr\u00f3prio regime chin\u00eas. As caracter\u00edsticas destas rebeli\u00f5es, muito mais extensas, profundas e espont\u00e2neas que outras anteriores, as tornam, para a ditadura, muito mais perigosas e dif\u00edceis de controlar. Com certeza, vai continuar com sua dura repress\u00e3o seletiva aos ativistas que conseguir identificar, como Peng Lifa. Mas uma resposta repressiva massiva pode agravar ainda mais o quadro, se n\u00e3o conseguir frear o processo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, sua primeira resposta tem sido \u201cafrouxar\u201d algumas medidas da pol\u00edtica do \u201cCovid 0\u201d, em uma tentativa de descomprimir um pouco as tens\u00f5es<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftn18\">[18]<\/a>. Este fato representa um passo atr\u00e1s do regime e, ao mesmo tempo, um primeiro triunfo (ainda que seja muito parcial) do movimento de massas. O regime conseguir\u00e1 descomprimir e tranquilizar um pouco as coisas? Ou, pelo contr\u00e1rio, as massas n\u00e3o se dar\u00e3o por satisfeitas e, sentindo-se fortalecidas, ir\u00e3o buscar mais? A realidade nos dir\u00e1 qual destas perspectivas poder\u00e1 ocorrer.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, qualquer que seja a alternativa que se d\u00ea, as condi\u00e7\u00f5es objetivas subjacentes que geraram esta onda de rebeli\u00f5es permanecem intactas. O regime ditatorial chin\u00eas parece muito forte e \u201ceterno\u201d. Mas est\u00e1 montado sobre um vulc\u00e3o em atividade e o que estamos vendo s\u00e3o apenas as primeiras manifesta\u00e7\u00f5es de uma poss\u00edvel grande erup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Consideramos vigente o que dissemos em 2015, <em>\u201cO grande problema para o regime e a burguesia da China \u00e9 que n\u00e3o existem no pa\u00eds mecanismos de media\u00e7\u00e3o que lhes permitam hoje amortizar ou desviar estes poss\u00edveis choques, ou canalizar essas aspira\u00e7\u00f5es. [\u2026] E a burguesia (e a nova pequena burguesia na qual pode se apoiar) s\u00e3o d\u00e9beis em tamanho frente \u00e0 imensa classe trabalhadora e o campesinato pobre. Ou seja, seria um enfrentamento que pode ocorrer \u2018em bruto\u2019\u201d<\/em> <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftn19\"><strong><em>[19]<\/em><\/strong><\/a><em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 agora, o regime ditatorial n\u00e3o deu nenhuma mostra de tentar fazer uma \u201cabertura controlada\u201d, nem sequer parcial e, se tentar no futuro frente a uma \u201cerup\u00e7\u00e3o geral\u201d pode ser que seja tarde demais e se veja atropelado pelo pr\u00f3prio processo de ascenso revolucion\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Nestas condi\u00e7\u00f5es, frente a uma din\u00e2mica deste tipo, <em>tem, com certeza, a alternativa de tentar o esmagamento repressivo massivo como fez com o movimento<\/em> de<em> Tiananmen em 1989, e para isso conta com poderosas for\u00e7as repressivas. <\/em>Mas, a realidade social do pa\u00eds \u00e9 hoje muito diferente daquela da \u00e9poca Tiananmen: agora dever\u00e1 enfrentar uma classe oper\u00e1ria jovem e de dimens\u00f5es colossais. \u00c9 imposs\u00edvel prever os altos e baixos que esse processo ter\u00e1, e seus ritmos, mas esse choque \u00e9, em grande medida, inevit\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Frente a esta perspectiva e \u00e0s rebeli\u00f5es atuais, a LIT-QI prop\u00f5e um programa de interven\u00e7\u00e3o para a China centrado em <strong>Abaixo a ditadura de Xi Jinping!<\/strong>, que articule as reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas e as do movimento oper\u00e1rio na din\u00e2mica da revolu\u00e7\u00e3o permanente, no marco da estrat\u00e9gia da tomada do poder e da constru\u00e7\u00e3o de um novo Estado oper\u00e1rio no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftnref1\">[1]<\/a>&nbsp;Ver&nbsp;<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/la-restauracion-capitalista-en-china\/\">La restauraci\u00f3n capitalista en China \u2013 Liga Internacional de los Trabajadores (litci.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftnref2\">[2]<\/a>&nbsp;Ver&nbsp;https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/10\/22\/20o-congresso-do-partido-comunista-da-china-nao-traz-surpresas-e-mantem-xi-jinping-no-poder\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftnref3\">[3]<\/a>&nbsp;https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/10\/15\/a-china-e-uma-ditadura-capitalista-disfarcada-de-vermelha\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftnref4\">[4]<\/a>&nbsp;https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/01\/15\/china-um-regime-capitalista-o-socialismo-de-nossos-dias-ou-um-regime-social-intermediario\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftnref5\">[5]<\/a>&nbsp;Ver&nbsp;<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/un-estudio-sobre-la-clase-obrera-china\/\">Un estudio sobre la clase obrera china \u2013 Liga Internacional de los Trabajadores (litci.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftnref6\">[6]<\/a>&nbsp;CHEN, Vincent; CHAN, Anita;&nbsp;<em>Regular and Agency Workers: Attitudes and Resistance in Chinese Auto Joint Ventures;&nbsp;<\/em>Revista&nbsp;<em>China Quarterly 224&nbsp;<\/em><strong>(<\/strong>marzo, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftnref7\">[7]<\/a>&nbsp;<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/66832-2\/\">No hay una nueva normalidad \u00a1Basta de naturalizar la muerte! \u2013 Liga Internacional de los Trabajadores (litci.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftnref8\">[8]<\/a>&nbsp;<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/omicron-oleada-final-o-pandemia-eterna\/\">\u00d3micron: \u00bfoleada final o pandemia eterna? \u2013 Liga Internacional de los Trabajadores (litci.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftnref9\">[9]<\/a>&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.eluniversal.com.mx\/mundo\/por-que-china-no-va-vacunar-contra-el-covid-19-toda-su-poblacion\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u00bfPor qu\u00e9 China no va a vacunar contra el Covid-19 a toda su poblaci\u00f3n? (eluniversal.com.mx)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftnref10\">[10]<\/a>&nbsp;Ver a an\u00e1lise do artigo da nota 5.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftnref11\">[11]<\/a>&nbsp;https:\/\/litci.org\/pt\/2015\/10\/19\/certezas-e-duvidas-diante-da-crise-economica-na-china-2\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftnref12\">[12]<\/a>&nbsp;https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/09\/27\/provavel-colapso-da-evergrande-escancara-o-capitalismo-chines\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftnref13\">[13]<\/a>&nbsp;Ver&nbsp;https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/11\/28\/protestos-operarios-e-populares-desafiam-a-ditadura-na-china\/&nbsp;e o v\u00eddeo <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/watch\/?v=120560359999257\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.facebook.com\/watch\/?v=120560359999257<\/a> (n\u00e3o mais dispon\u00edvel)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftnref14\">[14]<\/a>&nbsp;https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/11\/30\/a-china-vive-dias-turbulentos-de-desafio-ao-governo\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftnref15\">[15]<\/a>&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2022\/12\/07\/briefing\/china-protest-peng-lifa.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">China\u2019s Protest Prophet \u2013 The New York Times (nytimes.com)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftnref16\">[16]<\/a>&nbsp;Idem<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftnref17\">[17]<\/a>&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.lanacion.com.ar\/el-mundo\/occidente-entre-el-entusiasmo-y-el-temor-por-el-impacto-de-las-protestas-en-china-nid03122022\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Occidente, entre el entusiasmo y el temor por el impacto de las protestas en China \u2013 LA NACION<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftnref18\">[18]<\/a>&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.eldiarioar.com\/sociedad\/coronavirus\/china-abandona-medidas-clave-politica-cero-covid_1_9775793.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">China abandona algunas medidas clave de su pol\u00edtica \u201ccero-COVID\u201d (eldiarioar.com)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/adonde-va-china\/#_ftnref19\">[19]<\/a>\u00a0Ver artigo da nota 11.<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00faltimo m\u00eas ocorreram numerosas rebeli\u00f5es populares que se estenderam por v\u00e1rias cidades e regi\u00f5es da China contra as dur\u00edssimas medidas restritivas para a popula\u00e7\u00e3o devido \u00e0 pol\u00edtica \u201cCovid 0\u201d aplicada pelo governo chin\u00eas. Pela import\u00e2ncia pol\u00edtica e econ\u00f4mica da China no mundo, tudo o que ocorre nesse pa\u00eds tem significado internacional. Neste caso, trata-se [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":75592,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[365],"tags":[1551,366],"class_list":["post-75591","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-china","tag-alejandro-iturbe","tag-china-2"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/China.jpg","categories_names":["China"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75591","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=75591"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75591\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":75593,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75591\/revisions\/75593"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/75592"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=75591"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=75591"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=75591"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}