{"id":75560,"date":"2022-12-14T11:00:26","date_gmt":"2022-12-14T11:00:26","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=75560"},"modified":"2022-12-14T11:00:28","modified_gmt":"2022-12-14T11:00:28","slug":"a-vitoria-historica-do-marrocos-e-a-bandeira-palestina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/12\/14\/a-vitoria-historica-do-marrocos-e-a-bandeira-palestina\/","title":{"rendered":"A vit\u00f3ria hist\u00f3rica do Marrocos e a bandeira palestina"},"content":{"rendered":"\n<p>O que os analistas esportivos consideravam improv\u00e1vel aconteceu: Marrocos est\u00e1 na semifinal da Copa, ap\u00f3s derrotar a Espanha nas oitavas de final e Portugal, nas quartas. Uma vit\u00f3ria hist\u00f3rica: pela primeira vez, uma sele\u00e7\u00e3o \u00e1rabe e africana se imp\u00f5e entre as quatro melhores do mundo. A comemora\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia ser outra, sen\u00e3o acompanhada da bandeira palestina, destaque nesse megaevento marcado por protestos justos contra a viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por Soraya Misleh <\/p>\n\n\n\n<p>De Jerusal\u00e9m a Gaza, palestinos celebraram o feito. A repress\u00e3o sionista, em meio \u00e0 cont\u00ednua Nakba (cat\u00e1strofe com a forma\u00e7\u00e3o do Estado sionista em 1948), tentou melar a festa. Para estes, at\u00e9 comemorar \u00e9 resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A pr\u00f3xima partida acontece nesta quarta-feira (14\/12) contra a Fran\u00e7a, que tamb\u00e9m tratou de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/esporte\/futebol\/copa-do-mundo\/2022\/12\/10\/policia-francesa-reprime-torcedores-marroquinos-na-champs-elysees.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">reprimir a comunidade marroquina em festa na Avenida Champs-\u00c9lys\u00e9es<\/a>. No munic\u00edpio de Vit\u00f3ria, na Espanha, a derrota foi<a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/app\/noticia\/diversidade\/2022\/12\/12\/noticia-diversidade,1432571\/racismo-e-xenofobia-jogos-da-copa-evidenciam-preconceito-entre-nacoes.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0precedida de outra express\u00e3o de racismo e xenofobia<\/a>: um javali ensanguentado foi deixado em frente a uma mesquita, junto a um recado: \u201cVamos ca\u00e7ar os mouros.\u201d A resposta veio em campo. Que se repita na quarta-feira.<a href=\"https:\/\/t.me\/JornalOpiniaoSocialistaPSTU\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Fran\u00e7a e Espanha colonizaram o Marrocos na primeira metade do s\u00e9culo XX, dividindo-o em \u00e1reas de influ\u00eancia. Essa situa\u00e7\u00e3o perdurou at\u00e9 a independ\u00eancia do pa\u00eds \u00e1rabe em 1956, o qual nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX j\u00e1 havia resistido \u00e0 sanha colonial europeia. J\u00e1 o Saara Ocidental seguiu sob coloniza\u00e7\u00e3o espanhola por quase cem anos, at\u00e9 1975, a qual deu lugar \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o marroquina ilegal. Esta j\u00e1 dura 46 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a da bandeira palestina \u00e9 constante. Al\u00e9m de express\u00e3o do rep\u00fadio \u00e0s normaliza\u00e7\u00f5es em curso na regi\u00e3o do Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica com o Estado racista de Israel, os povos \u00e1rabes celebram o simbolismo de uma vit\u00f3ria hist\u00f3rica com ares de \u201cvingan\u00e7a contra o colonizador europeu\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\" id=\"attachment_91370\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/palestina-marrocos.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-91370\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Bandeira Palestina em comemora\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a vit\u00f3ria da sele\u00e7\u00e3o do Marrocos sobre a Espanha, no \u00faltimo dia 6<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Moeda de troca<\/h4>\n\n\n\n<p>No caso do Marrocos, a normaliza\u00e7\u00e3o com Israel anunciada em 10 de dezembro de 2020 est\u00e1 a servi\u00e7o de dupla opress\u00e3o nacional: contra os palestinos e contra os saarawis. O regime retomou as rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas e econ\u00f4micas com Israel rifando os palestinos, em troca do \u201creconhecimento\u201d pelo imperialismo estadunidense da soberania do Marrocos sobre territ\u00f3rio que ocupa. E&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/internacional\/2020-12-10\/eua-reconhecem-soberania-de-marrocos-sobre-o-saara-ocidental-em-troca-do-inicio-de-relacoes-com-israel.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">prometeu, segundo reportagem do El Pa\u00eds na data, estabelecer \u201cla\u00e7os plenos\u201d<\/a>&nbsp;com o Estado de apartheid sionista \u201co mais r\u00e1pido poss\u00edvel\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A normaliza\u00e7\u00e3o do Marrocos com o Estado racista de Israel escancarou, assim, que os palestinos sempre foram nada al\u00e9m de moeda de troca para esses regimes em que, por \u00f3bvio em ditaduras, a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem voz. O modelo apontado por um refugiado da&nbsp;<em>Nakba<\/em>&nbsp;(cat\u00e1strofe palestina desde a forma\u00e7\u00e3o do Estado racista de Israel em 15 de maio de 1948 mediante limpeza \u00e9tnica planejada), que costuma dizer que os regimes \u00e1rabes os \u201cvenderam\u201d se mant\u00e9m. Em meio \u00e0 expans\u00e3o colonial agressiva, apartheid e limpeza \u00e9tnica com que se enfrentam os palestinos h\u00e1 mais de 75 anos, levantar a bandeira e abra\u00e7ar incondicionalmente a resist\u00eancia heroica e hist\u00f3rica \u00e9 urgente. Que o exemplo de torcedores e jogadores na Copa seja seguido internacionalmente: crimes contra a humanidade n\u00e3o devem ser normalizados.<\/p>\n\n\n\n<p>A mat\u00e9ria do&nbsp;<em>El Pa\u00eds<\/em>&nbsp;traz a declara\u00e7\u00e3o de Trump em final de mandato em sua conta no&nbsp;<em>twitter<\/em>&nbsp;sobre a contrapartida ao malfadado acordo entre Israel e Marrocos: \u201c<em>Assinei hoje uma proclama\u00e7\u00e3o reconhecendo a soberania marroquina sobre o Saara Ocidental. Uma proposta de autonomia s\u00e9ria, confi\u00e1vel e realista do Marrocos \u00e9 a \u00daNICA base para uma solu\u00e7\u00e3o justa e duradoura para a paz perdur\u00e1vel e a prosperidade!<\/em>\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Utilizava, assim, tamb\u00e9m segundo a reportagem, as mesmas express\u00f5es \u2013 \u201cautonomia s\u00e9ria, confi\u00e1vel e realista\u201d \u2013 do regime marroquino desde 2007, quando apresentou a proposta indecente de soberania sobre o territ\u00f3rio saarawi ocupado na Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). Proposta indecente a que fez coro ningu\u00e9m menos que o governo espanhol no dia 18 de mar\u00e7o \u00faltimo, n\u00e3o sem enfrentar protestos de sua pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Como&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/01\/20\/filme-mostra-como-empresas-contribuem-com-o-roubo-de-recursos-do-saara-ocidental\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">publicado pelo Brasil de Fato em 20 de janeiro de 2021<\/a>, a jornalista brasileira Laura Daud\u00e9n, diretora do document\u00e1rio&nbsp;<em>Ocupa\u00e7\u00e3o S.A.<\/em>, sobre o Saara Ocidental, fala sobre o papel da Espanha durante e ap\u00f3s a coloniza\u00e7\u00e3o para que se compreenda a luta dos saarawis: \u201c<em>Primeiro, essa \u00e9 uma hist\u00f3ria da trai\u00e7\u00e3o, em que&nbsp;uma ex-metr\u00f3pole entrega sua col\u00f4nia para outros dois pa\u00edses [Marrocos e Maurit\u00e2nia] de maneira absolutamente ilegal e \u00e0 revelia dos direitos humanos<\/em>\u201d, lembra.<\/p>\n\n\n\n<p>A reportagem destaca que a Espanha havia se comprometido \u201ccom o processo de autodetermina\u00e7\u00e3o\u201d dos saarawis, que \u201cdeveria se concretizar com um plebiscito mediado pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas. At\u00e9 hoje,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/12\/18\/luta-armada-no-saara-ocidental-e-legitima-diz-ativista-sobre-guerra-contra-marrocos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">esse plebiscito nunca ocorreu<\/a>, e empresas espanholas continuam tirando proveito das riquezas do Saara\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda conforme publicado no&nbsp;<em>Brasil de Fato<\/em>, o territ\u00f3rio \u00e9 \u201crico em fosfato e possui uma das zonas de pesca mais abundantes do planeta. Mas o esp\u00f3lio n\u00e3o se limita a esses recursos: at\u00e9 a areia da praia de Mog\u00e1n, nas Ilhas Can\u00e1rias, na Espanha, foi roubada do Saara\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Hoje, o que se v\u00ea \u00e9 uma prolifera\u00e7\u00e3o de empresas internacionais, espanholas, europeias, americanas, de todas as partes<\/em>\u201d, diz Daud\u00e9n na reportagem. \u201c<em>Ent\u00e3o, o poder econ\u00f4mico capitalista faz as vezes de diplomacia e serve como refor\u00e7o dessa ocupa\u00e7\u00e3o<\/em>\u201c, aponta.<\/p>\n\n\n\n<p>Por ocasi\u00e3o da normaliza\u00e7\u00e3o em prol da opress\u00e3o de dois povos, as campanhas de solidariedade \u00e0 Palestina e do Saara Ocidental no Reino Unido publicaram uma declara\u00e7\u00e3o conjunta, em que conclamavam: \u201c<em>Diante deste acordo, a sociedade civil global deve redobrar seus esfor\u00e7os para se solidarizar com o povo palestino e saarawi at\u00e9 que a liberdade, a justi\u00e7a e a igualdade sejam alcan\u00e7adas.<\/em>\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Que a bandeira palestina, que sintetiza todas as lutas justas contra a opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o no mundo, se erga novamente na pr\u00f3xima quarta-feira. E o gol de placa venha com o fortalecimento da solidariedade chamada por essas campanhas.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Atualiza\u00e7\u00e3o para o site do PSTU-Brasil de artigo publicado originalmente no Monitor do Oriente.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que os analistas esportivos consideravam improv\u00e1vel aconteceu: Marrocos est\u00e1 na semifinal da Copa, ap\u00f3s derrotar a Espanha nas oitavas de final e Portugal, nas quartas. Uma vit\u00f3ria hist\u00f3rica: pela primeira vez, uma sele\u00e7\u00e3o \u00e1rabe e africana se imp\u00f5e entre as quatro melhores do mundo. 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