{"id":75525,"date":"2022-12-08T12:26:28","date_gmt":"2022-12-08T12:26:28","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=75525"},"modified":"2022-12-08T12:26:31","modified_gmt":"2022-12-08T12:26:31","slug":"a-lit-qi-a-questao-palestina-e-as-revolucoes-arabes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/12\/08\/a-lit-qi-a-questao-palestina-e-as-revolucoes-arabes\/","title":{"rendered":"A LIT-QI, a quest\u00e3o palestina e as revolu\u00e7\u00f5es \u00e1rabes"},"content":{"rendered":"\n<p>Em seus 40 anos de funda\u00e7\u00e3o, a LIT-QI \u00e9 reconhecida por suas posi\u00e7\u00f5es inequ\u00edvocas em defesa de um Estado palestino \u00fanico laico, livre, democr\u00e1tico e n\u00e3o racista, uma Palestina livre do rio ao mar. Assim, jamais aderiu, como a esmagadora maioria das organiza\u00e7\u00f5es, \u00e0 injusta desde sempre e j\u00e1 morta \u201csolu\u00e7\u00e3o de dois Estados\u201d. Tamb\u00e9m \u00e9 reconhecida por seu apoio incondicional \u00e0s revolu\u00e7\u00f5es \u00e1rabes. N\u00e3o significa que n\u00e3o tenha enfrentado desafios ou cometido erros, mas seguramente sua trajet\u00f3ria segue os princ\u00edpios da IV Internacional em sua tarefa de reconstru\u00ed-la, rumo \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o socialista mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Por Soraya Misleh e Fabio Bosco<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no seu primeiro ano de vida, em 1982, a LIT-QI enfrentou dois desafios relativos \u00e0 quest\u00e3o palestina. O primeiro foi te\u00f3rico-program\u00e1tico, sobre a natureza da Organiza\u00e7\u00e3o para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (OLP). Naquele momento, o principal dirigente da LIT-QI, Nahuel Moreno, responde aos questionamentos de um camarada chileno sobre a pol\u00edtica da Internacional para a quest\u00e3o palestina. Em sua resposta, Moreno desenvolve uma elabora\u00e7\u00e3o original e principista ao tratar a OLP como uma &#8220;na\u00e7\u00e3o sui generis sem territ\u00f3rio&#8221;.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No debate, o companheiro chileno questiona, entre v\u00e1rios pontos, a caracteriza\u00e7\u00e3o sobre a OLP:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Por que n\u00e3o caracterizamos nem a OLP no Boletim Interno? Por acaso n\u00e3o \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o frentista controlada pela burguesia e pela pequena burguesia, tendo Arafat como express\u00e3o disso? N\u00e3o \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o que deu amplos sinais de capitula\u00e7\u00e3o \u2013 em franca contradi\u00e7\u00e3o com o incr\u00edvel hero\u00edsmo demonstrado pelo povo palestino? Que setores s\u00e3o os &#8220;revolucion\u00e1rios&#8221; referidos pela nossa imprensa? Hawatmeth? Habash? N\u00e3o h\u00e1 uma incr\u00edvel ilus\u00e3o em afirmar no Boletim Interno que a OLP deve ser chamada a &#8220;tomar a lideran\u00e7a da luta palestina no caminho do socialismo&#8221;? Pedimos \u00e0 burguesia e \u00e0 pequena burguesia que \u201clutem pelo socialismo\u201d? Esse erro crasso n\u00e3o \u00e9 uma forma grosseira de \u201cpedir desculpas\u201d pelo car\u00e1ter m\u00ednimo do slogan central sobre a Palestina, tirando a ideia de socialismo de qualquer contexto pr\u00e1tico e real?&#8221; (I)<\/p>\n\n\n\n<p>Moreno responde com a carta que foi posteriormente publicada na revista Correio Internacional n\u00famero 8, de julho de 1982, sob o t\u00edtulo &#8220;Palavra de ordem democr\u00e1tica que pode abrir caminho \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o socialista&#8221;. (II) Eis dois trechos onde aparece essa elabora\u00e7\u00e3o:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Voc\u00eas caracterizam a OLP como se fosse um partido pol\u00edtico a mais. Para n\u00f3s, ela representa a nacionalidade palestina como organiza\u00e7\u00e3o estatal sui generis laica, democr\u00e1tica e n\u00e3o racista, em guerra.&#8221;(III)<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Por\u00e9m, tampouco s\u00e3o capazes de golpear a dire\u00e7\u00e3o por suas verdadeiras capitula\u00e7\u00f5es que, a nosso ju\u00edzo, se baseiam no abandono da palavra de ordem por uma Palestina laica, democr\u00e1tica e n\u00e3o racista. A mesma raiz tem a cr\u00edtica de que somos uns iludidos porque chamamos a OLP a lutar pelo socialismo. Sem ser esta nossa palavra de ordem fundamental, j\u00e1 que, como dissemos, ela \u00e9 a recupera\u00e7\u00e3o da terra para reconstituir a na\u00e7\u00e3o, expulsando os sionistas e terminando de constituir uma Palestina laica, democr\u00e1tica e n\u00e3o racista, nosso chamado \u00e0 OLP para que lute pelo socialismo se baseia naquilo que consideramos uma na\u00e7\u00e3o sui generis. Dizemos \u201cOLP socialista\u201d como dizemos \u201cChile socialista\u201d. N\u00e3o pedimos isso \u00e0 sua dire\u00e7\u00e3o burguesa ou pequeno-burguesa, do mesmo modo que no Chile n\u00e3o pedimos isso a Pinochet. Voc\u00eas se esquecem de notar que, cuidadosa e sistematicamente \u2013 como fazemos com todo governo burgu\u00eas que dirige uma guerra justa \u2013 , criticamos a dire\u00e7\u00e3o da OLP e n\u00e3o lhe brindamos nenhum apoio pol\u00edtico.&#8221; (IV)<\/p>\n\n\n\n<p>Como vimos, Moreno n\u00e3o concorda em caracterizar a OLP meramente como uma frente burguesa ou pequeno-burguesa. Ao contr\u00e1rio, atribui a ela um car\u00e1ter quase estatal, equipar\u00e1vel a um Estado sem seu territ\u00f3rio. Moreno fugiu do esquematismo ao realizar uma an\u00e1lise concreta sobre um caso concreto adotando uma forma dial\u00e9tica de analisar a principal organiza\u00e7\u00e3o do povo palestino, uma nacionalidade oprimida por um Estado racista com caracter\u00edsticas de enclave colonial.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo desafio foi a resposta ao massacre de 3 mil palestinos nos campos de refugiados de Sabra e Chatila, na cidade de Beirute, no L\u00edbano, por mil\u00edcias crist\u00e3s de extrema-direita apoiadas pelo ex\u00e9rcito israelense que ent\u00e3o ocupavam a capital do L\u00edbano em setembro de 1982. A LIT-QI chamou uma campanha internacional de solidariedade ao povo palestino e participou ativamente das mobiliza\u00e7\u00f5es que ocorreram em todo o mundo. Essa campanha foi uma das primeiras realizadas pela Internacional, ao lado da campanha pelas Malvinas Argentinas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os acordos de Oslo de 1993<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em setembro de 1993, a dire\u00e7\u00e3o da OLP e o Estado de Israel, sob intermedia\u00e7\u00e3o do imperialismo estadunidense, firmaram os acordos de Oslo. Apresentados ao mundo como o caminho para a paz no Oriente M\u00e9dio, os acordos paralisaram a Intifada palestina (levante iniciado em 1987) e pavimentaram o caminho para ampliar o sistema de apartheid e a coloniza\u00e7\u00e3o das terras palestinas na cont\u00ednua Nakba (cat\u00e1strofe desde a forma\u00e7\u00e3o do Estado racista de Israel em 15 de maio de 1948 mediante limpeza \u00e9tnica planejada), desta vez com o apoio das lideran\u00e7as da OLP que \u2013 atrav\u00e9s da Autoridade Palestina \u2013 se tornaram gerentes da ocupa\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O principal dirigente palestino, o carism\u00e1tico Yasser Arafat, defendeu os acordos como uma forma de se instalar em alguma parte do territ\u00f3rio palestino e fortalecer a luta pela liberta\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que as derrotas na Jord\u00e2nia (chamadas de setembro negro) e no L\u00edbano em 1982 tinham imposto \u00e0 OLP um longo ex\u00edlio na Tun\u00edsia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Parte da esquerda palestina rejeitou os acordos, j\u00e1 que implicavam o reconhecimento do Estado de Israel, mas depois capitulou e \u201cde fato\u201d acatou suas premissas, situa\u00e7\u00e3o que perdura at\u00e9 os dias de hoje. Desse modo, abandonou a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o justa para a totalidade do povo palestino, que contemplasse, portanto, al\u00e9m dos que vivem sob ocupa\u00e7\u00e3o brutal na Cisjord\u00e2nia e Gaza, milh\u00f5es de refugiados e a di\u00e1spora, em seu direito inalien\u00e1vel e inegoci\u00e1vel de retorno \u00e0s suas terras, e os \u201cpalestinos de 1948\u201d, remanescentes nos territ\u00f3rios ocupados h\u00e1 mais de 74 anos onde se formou o Estado sionista, submetidos a mais de 60 leis racistas.<\/p>\n\n\n\n<p>A LIT-QI denunciou os acordos de Oslo, a exemplo do intelectual palestino Edward Said, que os denominava \u201cTratado de Versalhes da causa palestina\u201d. Assim, manteve a defesa da proposta original da OLP de luta por uma Palestina laica, democr\u00e1tica e n\u00e3o racista e pelo desmantelamento do Estado racista de Israel, ao contr\u00e1rio da ampla maioria das organiza\u00e7\u00f5es de esquerda que aderiram \u00e0 farsa da chamada \u201csolu\u00e7\u00e3o de dois Estados\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa longa trajet\u00f3ria de defesa dos direitos hist\u00f3ricos e inalien\u00e1veis do povo palestino, que antecede a pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o da LIT-QI, foi lembrada por ocasi\u00e3o do anivers\u00e1rio de 30 anos da Internacional em um importante ato em Buenos Aires, capital da Argentina. Entre os oradores estava a coautora deste artigo, a palestino-brasileira Soraya Misleh. No ensejo, ela relatou aos presentes sua emo\u00e7\u00e3o em ingressar nas fileiras da LIT-QI e seu partido brasileiro, o PSTU, e em ter se reunido com palestinas da Cisjord\u00e2nia, de Gaza e dos territ\u00f3rios ocupados em 1948, por ocasi\u00e3o do F\u00f3rum Social Mundial Palestina Livre em Porto Alegre, em 2012 \u2013 encontro que est\u00e1 impossibilitado de ser realizado na Palestina por conta da ocupa\u00e7\u00e3o sionista que imp\u00f5e a divis\u00e3o do povo palestino e recoloca a necessidade de libertar toda a Palestina do rio ao mar.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale a pena citar tamb\u00e9m a publica\u00e7\u00e3o de importantes livros da causa palestina pela Editora Sundermann, vinculada ao partido afiliado PSTU, no Brasil, em l\u00edngua portuguesa. Em 2015 foi publicada a obra \u201cA revolta de 1936-39 na Palestina\u201d do dirigente marxista palestino Ghassan Kanafani, cuja introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 edi\u00e7\u00e3o brasileira tem uma interessante elabora\u00e7\u00e3o sobre o papel da burguesia palestina frente \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o sionista. (V) Kanafani apresenta os inimigos da causa palestina: o imperialismo\/sionismo, os regimes \u00e1rabes e a \u201celite reacion\u00e1ria feudal-clerical palestina\u201d. Estes seguem atuais lamentavelmente, como segue a denunciar a LIT-QI e reivindicar as elabora\u00e7\u00f5es do dirigente marxista palestino.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra obra publicada foi \u201cA limpeza \u00e9tnica da Palestina\u201d, do historiador israelense Ilan Papp\u00e9, com a primeira visita do autor ao Brasil. Por fim, foi publicada \u201cAl-Nakba, um estudo sobre a cat\u00e1strofe palestina\u201d, de Soraya Misleh, na qual a autora examina a expuls\u00e3o violenta da popula\u00e7\u00e3o palestina da aldeia de Qaqun, entre os quais seu pai, em 1948, demonstrando que houve um processo deliberado de limpeza \u00e9tnica durante a Nakba, planejado pelas principais lideran\u00e7as sionistas.<\/p>\n\n\n\n<p>A LIT-QI, em sua atua\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca no apoio ao povo palestino e sua resist\u00eancia heroica, tem apresentado essas contribui\u00e7\u00f5es e se somado \u00e0s campanhas pela liberta\u00e7\u00e3o nacional. Nesse sentido, soma-se ao chamado da sociedade palestina feito a partir de 2005 por BDS (boicote, desinvestimento e san\u00e7\u00f5es), ao tempo que apoia a resist\u00eancia sob todos os meios.<\/p>\n\n\n\n<p>**********<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A atua\u00e7\u00e3o nas revolu\u00e7\u00f5es \u00e1rabes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A onda de revolu\u00e7\u00f5es nos pa\u00edses de maioria \u00e1rabe a partir de 17 de dezembro de 2010 representou um novo desafio para a Internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem se\u00e7\u00f5es afiliadas nestes pa\u00edses, a Internacional deu os primeiros passos para intervir em apoio \u00e0s revolu\u00e7\u00f5es. Por um lado, chamou a classe trabalhadora a participar de atos em solidariedade \u00e0s revolu\u00e7\u00f5es em v\u00e1rios pa\u00edses. E enviou um correspondente ao Cairo que relatou ao vivo da Pra\u00e7a Tahrir a queda de Mubarak.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"750\" height=\"422\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/56c52c37c36188c7318b45d9.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-75527\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/56c52c37c36188c7318b45d9.jpg 750w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/56c52c37c36188c7318b45d9-300x169.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/56c52c37c36188c7318b45d9-150x84.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/56c52c37c36188c7318b45d9-696x392.jpg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mil\u00edcias na L\u00edbia, 2011. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a Internacional iniciou um estudo sobre a natureza destas revolu\u00e7\u00f5es. As reivindica\u00e7\u00f5es de \u201cP\u00e3o, Liberdade e Justi\u00e7a Social\u201d e sua composi\u00e7\u00e3o social oper\u00e1ria e popular definem seu car\u00e1ter democr\u00e1tico que se enfrenta contra os pilares da domina\u00e7\u00e3o imperialista sobre a regi\u00e3o, os regimes autocr\u00e1ticos \u00e1rabes e sua subordina\u00e7\u00e3o aos interesses do imperialismo estadunidense e europeu.<\/p>\n\n\n\n<p>Desta forma, ao contr\u00e1rio de grande parte das organiza\u00e7\u00f5es da esquerda internacional que sa\u00edram em defesa dos regimes autocr\u00e1ticos oriundos do nacionalismo \u00e1rabe, a LIT-QI se posicionou incondicionalmente ao lado destas revolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas que se chocaram com os interesses capitalistas e imperialistas, sem nunca apoiar dire\u00e7\u00f5es burguesas ou pequeno-burguesas dessas revolu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O avan\u00e7o das revolu\u00e7\u00f5es colocou desafios que exigiram o aprofundamento da an\u00e1lise marxista para definir nossa pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Um desses casos foi a revolu\u00e7\u00e3o na L\u00edbia. Veja um trecho do artigo \u201cOnde est\u00e1 a revolu\u00e7\u00e3o e onde est\u00e1 a contrarrevolu\u00e7\u00e3o na L\u00edbia?\u201d (VI)<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s da LIT, pelo contr\u00e1rio, sustentamos desde o come\u00e7o que na L\u00edbia o que se passava era uma revolu\u00e7\u00e3o popular e antiimperialista, pois enfrentava a ditadura sanguin\u00e1ria de Kadafi, um dos principais agentes do imperialismo na regi\u00e3o. Coerentemente com esta caracteriza\u00e7\u00e3o de onde estava a revolu\u00e7\u00e3o e onde estava a contrarrevolu\u00e7\u00e3o, nos colocamos ao lado das massas l\u00edbias e saudamos como uma tremenda conquista democr\u00e1tica a destrui\u00e7\u00e3o do regime Kadafista e o justi\u00e7amento do ditador pelas m\u00e3os das mil\u00edcias populares.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"819\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/WhatsApp-Image-2022-12-06-at-09.06.18-1024x819.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-75528\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/WhatsApp-Image-2022-12-06-at-09.06.18-1024x819.jpeg 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/WhatsApp-Image-2022-12-06-at-09.06.18-300x240.jpeg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/WhatsApp-Image-2022-12-06-at-09.06.18-768x615.jpeg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/WhatsApp-Image-2022-12-06-at-09.06.18-150x120.jpeg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/WhatsApp-Image-2022-12-06-at-09.06.18-696x557.jpeg 696w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/WhatsApp-Image-2022-12-06-at-09.06.18-1068x855.jpeg 1068w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/WhatsApp-Image-2022-12-06-at-09.06.18.jpeg 1086w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Luta palestina <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Com a mesma for\u00e7a, tamb\u00e9m desde o primeiro momento, denunciamos a interven\u00e7\u00e3o imperialista da OTAN como contrarrevolucion\u00e1ria. Levantando a palavra de ordem \u201cN\u00e3o \u00e0 OTAN, Fora Kadafi\u201d, explicamos que a contradi\u00e7\u00e3o, expressa no fato de a interven\u00e7\u00e3o imperialista ter se dado durante a guerra civil no mesmo campo militar das massas armadas e contra seu agente, Kadafi, se devia \u00e0 dificuldade pol\u00edtica que tem atualmente o imperialismo para invadir de forma direta com suas tropas e ao fato de que se viu obrigado a intervir por dentro de um levante popular armado para disput\u00e1-lo e derrot\u00e1-lo, tarefa primordial que Kadafi demonstrou ser incapaz de cumprir, convertendo-se assim em um elemento descart\u00e1vel.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Outro caso importante foi a defesa de armas para a revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria. Veja um trecho do artigo \u201cExigir ou n\u00e3o armas do imperialismo\u201d (VII) do jornalista marxista Daniel Sugasti:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA LIT-QI defende a necessidade de desenvolver uma pol\u00edtica de ampla solidariedade internacional com a causa do povo s\u00edrio. Isto significa, concretamente, uma campanha de apoio, incondicional e em todos os sentidos, para a vit\u00f3ria militar rebelde.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, sustentamos que uma tarefa imperiosa \u00e9 impulsionar a mais ampla mobiliza\u00e7\u00e3o para exigir dos governos de nossos pa\u00edses e de todos os governos do mundo, inclusive os dos pa\u00edses imperialistas, o envio imediato de modernas armas pesadas, medicamentos e todo tipo de ajuda material para as mil\u00edcias rebeldes do ELS e aos Comit\u00eas de Coordena\u00e7\u00e3o Local, sem condi\u00e7\u00f5es de nenhuma natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>Nossa exig\u00eancia de armas n\u00e3o inclui as brigadas unidas \u00e0 al-Qaeda ou ao Estado Isl\u00e2mico do Iraque e do Levante, cuja vis\u00e3o sect\u00e1ria e confessional-religiosa do conflito levou-as a romper a frente militar contra a ditadura e, em v\u00e1rias zonas, come\u00e7aram a atacar mil\u00edcias curdas e do ELS, atuando como \u201cquinta coluna\u201d do regime.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Estes artigos mostram que a Internacional soube se posicionar claramente pela vit\u00f3ria destas revolu\u00e7\u00f5es com acertos importantes, mas tamb\u00e9m com fragilidades e erros como a quest\u00e3o da repress\u00e3o sobre a Irmandade Mu\u00e7ulmana pelos militares liderados pelo ditador Al-Sissi. Nenhuma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria est\u00e1 isenta de erros, ainda que haja organiza\u00e7\u00f5es que se julgam infal\u00edveis. N\u00e3o \u00e9 o nosso caso. A quest\u00e3o mais importante \u00e9 saber se esta organiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 dotada de instrumental te\u00f3rico e program\u00e1tico e de mecanismos internos para reavaliar e corrigir sua pol\u00edtica. Este foi o caso. Poucos meses depois, o XI Congresso da LIT-QI entendeu que houve um erro de avalia\u00e7\u00e3o quanto \u00e0s for\u00e7as em conflito e corrigiu a pol\u00edtica da Internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das atividades de solidariedade \u00e0s revolu\u00e7\u00f5es e de toda a elabora\u00e7\u00e3o pol\u00edtica desenvolvida, a LIT-QI criou e mant\u00e9m um s\u00edtio da Internacional em l\u00edngua \u00e1rabe. Ao lado de artigos pol\u00edticos publicados regularmente, est\u00e3o dispon\u00edveis no site v\u00e1rias obras tais como O Capital volume I de Karl Marx, Quest\u00f5es de Organiza\u00e7\u00e3o de Nahuel Moreno, O Veredito da Hist\u00f3ria &#8211; Da Revolu\u00e7\u00e3o Socialista \u00e0 Restaura\u00e7\u00e3o do Capitalismo na R\u00fassia, China e Cuba de Martin Hernandez, Hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa de Leon Trotsky al\u00e9m de marxistas \u00e1rabes como Anwar Kamil. Por ocasi\u00e3o do anivers\u00e1rio de cem anos da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, a editora Sundermann, impulsionada pelo PSTU brasileiro, publicou a edi\u00e7\u00e3o impressa em \u00e1rabe de A Revolu\u00e7\u00e3o Tra\u00edda de Le\u00f3n Trotsky.<\/p>\n\n\n\n<p>Conclus\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>A interven\u00e7\u00e3o da LIT-QI sobre a quest\u00e3o Palestina e as revolu\u00e7\u00f5es \u00e1rabes demonstra sua orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, antes de mais nada, internacionalista. Poucas organiza\u00e7\u00f5es socialistas dedicaram seu tempo e aten\u00e7\u00e3o \u00e0 resist\u00eancia palestina e a esta onda revolucion\u00e1ria, talvez a mais importante deste s\u00e9culo XXI, como a LIT-QI.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m de uma interven\u00e7\u00e3o internacionalista, \u00e9 uma interven\u00e7\u00e3o que busca embasamento te\u00f3rico e program\u00e1tico no marxismo, como s\u00e3o prova toda a elabora\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e a produ\u00e7\u00e3o de bons artigos.<\/p>\n\n\n\n<p>E acima de tudo, \u00e9 uma interven\u00e7\u00e3o voltada a construir uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria para que a resist\u00eancia palestina e as revolu\u00e7\u00f5es \u00e1rabes possam superar sua principal debilidade para atingir seus objetivos estrat\u00e9gicos: a libera\u00e7\u00e3o frente ao sionismo e o imperialismo, o fim das ditaduras e do capitalismo para que a classe trabalhadora e a povo pobre possa viver usufruir das riquezas de toda a regi\u00e3o em plena liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Notas:<\/p>\n\n\n\n<p>(I) <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/moreno\/pi1105.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/moreno\/pi1105.htm<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>(II) idem<\/p>\n\n\n\n<p>(III) idem<\/p>\n\n\n\n<p>(IV) idem<\/p>\n\n\n\n<p>(V) <a href=\"https:\/\/litci.org\/en\/preface-to-the-revolt-of-1936-1939-in-palestine-by-ghassan-kanafani\/\">https:\/\/litci.org\/en\/preface-to-the-revolt-of-1936-1939-in-palestine-by-ghassan-kanafani\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>(VI) <a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/2011\/12\/17\/onde-esta-a-revolucao-e-onde-esta-a-contrarrevolucao-na-libia\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/2011\/12\/17\/onde-esta-a-revolucao-e-onde-esta-a-contrarrevolucao-na-libia\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>(VII) <a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/2015\/10\/10\/exigir-ou-nao-armas-do-imperialismo\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/2015\/10\/10\/exigir-ou-nao-armas-do-imperialismo\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em seus 40 anos de funda\u00e7\u00e3o, a LIT-QI \u00e9 reconhecida por suas posi\u00e7\u00f5es inequ\u00edvocas em defesa de um Estado palestino \u00fanico laico, livre, democr\u00e1tico e n\u00e3o racista, uma Palestina livre do rio ao mar. Assim, jamais aderiu, como a esmagadora maioria das organiza\u00e7\u00f5es, \u00e0 injusta desde sempre e j\u00e1 morta \u201csolu\u00e7\u00e3o de dois Estados\u201d. 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