{"id":75457,"date":"2022-12-06T11:56:06","date_gmt":"2022-12-06T11:56:06","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=75457"},"modified":"2022-12-06T11:56:08","modified_gmt":"2022-12-06T11:56:08","slug":"a-lit-qi-e-seu-combate-ao-reformismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/12\/06\/a-lit-qi-e-seu-combate-ao-reformismo\/","title":{"rendered":"A LIT-QI e seu combate ao reformismo"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Quatro d\u00e9cadas apoiando a estrat\u00e9gia da revolu\u00e7\u00e3o socialista<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Albert Camus, fil\u00f3sofo e escritor existencialista franc\u00eas, dedicou um ensaio ao mito grego de S\u00edsifo. A mitologia conta como S\u00edsifo \u00e9 castigado pelos deuses que o fazem subir uma grande rocha por um morro, que com esfor\u00e7o consegue chegar at\u00e9 o topo, para logo depois cair rolando de volta; e assim, S\u00edsifo \u00e9 condenado a esse trabalho in\u00fatil e absurdo de subir a grande rocha eternamente sem concluir seu trabalho. Camus, como bom existencialista, ainda que use lucidamente o mito de S\u00edsifo como met\u00e1fora do homem moderno, mais especificamente do oper\u00e1rio que realiza repetidamente um trabalho alienado sem sentido e sem final, frente \u00e0 impossibilidade de acabar com o absurdo, prop\u00f5e que \u201cO pr\u00f3prio esfor\u00e7o para chegar ao topo basta para preencher um cora\u00e7\u00e3o de homem. \u00c9 preciso imaginar um S\u00edsifo feliz\u201d<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\">[1]<\/a>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Jorge Mart\u00ednez<\/p>\n\n\n\n<p>Eduard Bernstein, amigo e disc\u00edpulo de Engels, acabou negando o marxismo propondo algo semelhante, ao postular que se podia \u2013 e devia chegar \u2013 ao socialismo, n\u00e3o por meio de uma revolu\u00e7\u00e3o e pela ditadura do proletariado, mas atrav\u00e9s da luta por reformas paulatinas que alavancassem a tend\u00eancia do capitalismo a superar-se a si mesmo, atrav\u00e9s de um movimento de democratiza\u00e7\u00e3o cont\u00ednuo. Sintetizou toda sua concep\u00e7\u00e3o quando escreveu: \u201cEste objetivo (o objetivo final do socialismo), seja o que for, n\u00e3o significa nada para mim; o movimento \u00e9 tudo\u201d<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Esta, que \u00e9 a premissa fundamental do reformismo se apresenta como a consci\u00eancia feliz de S\u00edsifo que prop\u00f5e Camus. Para o reformismo, o sentido e objetivo da luta no capitalismo \u00e9 a satisfa\u00e7\u00e3o da obten\u00e7\u00e3o de reformas, carecendo de toda import\u00e2ncia pr\u00e1tica, a supera\u00e7\u00e3o da sociedade capitalista e a chegada ao socialismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Que for\u00e7a estranha faz com que os oper\u00e1rios, como S\u00edsifo, lutem repetidamente obtendo vit\u00f3rias para depois perd\u00ea-las e ter que come\u00e7ar de novo? Le\u00f3n Trotsky tomava consci\u00eancia desta trag\u00e9dia no Programa de Transi\u00e7\u00e3o quando sentenciava que \u201ca crise hist\u00f3rica da humanidade se reduz \u00e0 dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria\u201d<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Com isso, pretendia mostrar como o imperialismo decadente \u00e0s portas da Segunda Guerra Mundial, n\u00e3o podia trazer nada de progressivo para a humanidade; e, pelo contr\u00e1rio, demonstrava que as condi\u00e7\u00f5es objetivas para a revolu\u00e7\u00e3o e o socialismo n\u00e3o apenas estavam mais que maduras, mas que come\u00e7avam a apodrecer. Consequentemente, a supera\u00e7\u00e3o do capitalismo dependia da classe oper\u00e1ria poder superar os obst\u00e1culos que a separavam da consci\u00eancia e do programa revolucion\u00e1rio. E, em \u00faltima inst\u00e2ncia, o obst\u00e1culo decisivo eram as dire\u00e7\u00f5es majorit\u00e1rias do movimento oper\u00e1rio que conduziam suas lutas para o movimento perp\u00e9tuo do reformismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, uma das mais importantes tarefas dos revolucion\u00e1rios \u00e9 romper este c\u00edrculo vicioso. Romper o feiti\u00e7o que, como o castigo de S\u00edsifo, condena a classe oper\u00e1ria e a toda a humanidade, a suportar o absurdo e decadente sistema capitalista. \u00c9 conseguir erradicar a influ\u00eancia e o controle da burguesia sobre a consci\u00eancia da classe oper\u00e1ria. Esta influ\u00eancia \u00e9 expressa diretamente na propaganda e nas ideologias burguesas que naturalizam o capitalismo como a \u00fanica sociedade poss\u00edvel, ou que \u00e9 poss\u00edvel transform\u00e1-la mediante \u201cboa vontade\u201d, ou as reformas paulatinas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>A LIT-QI e sua origem frente ao reformismo<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A LIT-QI surge em meio a v\u00e1rias pol\u00eamicas e discuss\u00f5es no interior do trotskismo. A corrente dirigida por Nahuel Moreno foi sendo forjada h\u00e1 quase 80 anos de forma diferenciada das outras correntes trotskistas, baseada na defesa de tr\u00eas quest\u00f5es fundamentais: o programa revolucion\u00e1rio sintetizado no Programa de Transi\u00e7\u00e3o de Trotsky, uma pol\u00edtica de luta e mobiliza\u00e7\u00e3o dirigida \u00e0 classe oper\u00e1ria e a constru\u00e7\u00e3o de partidos revolucion\u00e1rios independentes das organiza\u00e7\u00f5es pequeno burguesas, reformistas e centristas no marco de uma internacional centralizada democraticamente. Destas pol\u00eamicas se desprendiam pol\u00edticas diferentes para as diferentes formas do reformismo e a press\u00e3o que exerce sobre o trotskismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 70, na cr\u00edtica ao fen\u00f4meno do eurocomunismo e \u00e0 postura capituladora que Ernest Mandel e o Secretariado Unificado da IV Internacional desenvolveram, est\u00e1 subjacente uma cr\u00edtica a posturas que capitulam ao reformismo estalinista e \u00e0 socialdemocracia europeia, que ao renunciar ao n\u00facleo do programa marxista, \u00e0 ditadura do proletariado, transitam no caminho do abandono da estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria, para mud\u00e1-la pela exalta\u00e7\u00e3o das formas da democracia burguesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Paralelamente a estas discuss\u00f5es se desenvolvida uma forte pol\u00eamica em torno a um assunto fundamental da luta de classes: o auge do guerrilheirismo na Am\u00e9rica Latina entre 1960 e 1979. Grande parte da esquerda de ent\u00e3o, se deixou seduzir pela imagem do guerrilheiro em armas contra a tirania, e inclusive parte do trotskismo (outra vez Mandel) capitulou a estas vanguardas n\u00e3o oper\u00e1rias. A partir de nossa corrente foi desenvolvida uma cr\u00edtica \u00e0 estrat\u00e9gia guerrilheirista por impor uma t\u00e1tica, v\u00e1lida em certas circunst\u00e2ncias, como estrat\u00e9gia permanente que substitu\u00eda o papel revolucion\u00e1rio da classe oper\u00e1ria e das massas por um partido-ex\u00e9rcito.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a cr\u00edtica n\u00e3o se reduziu aos m\u00e9todos guerrilheiros, mas direcionou tamb\u00e9m a seus programas. A grande maioria das organiza\u00e7\u00f5es guerrilheiras tinham um programa democr\u00e1tico e pequeno burgu\u00eas que n\u00e3o rompia com o capitalismo, configurando uma esp\u00e9cie de \u201creformismo armado\u201d que, embora enfrentasse os regimes burgueses a tiros, na pr\u00e1tica nunca rompiam com o capitalismo. Durante a d\u00e9cada dos oitenta, a grande maioria destas organiza\u00e7\u00f5es acabaram negociando sua incorpora\u00e7\u00e3o aos regimes de cada pa\u00eds, inclusive integrando regimes bonapartistas e governos capitalistas, especialmente na Am\u00e9rica Central.<\/p>\n\n\n\n<p>A luta contra a pol\u00edtica de frentes populares do estalinismo tamb\u00e9m se deu por meio de um confronto com as estrat\u00e9gias reformistas que os agenciavam. Frente ao governo de Allende no Chile, e \u00e0s variantes de frentes nacionalistas ou inclusive ditos anti-imperialistas, nossa corrente manteve uma cr\u00edtica permanente e uma pol\u00edtica de unidade de a\u00e7\u00e3o e de defesa de conquistas quando fosse necess\u00e1rio, sem capitular ao seu programa, chegar ao apoio pol\u00edtico nem desistir da tarefa de construir partidos revolucion\u00e1rios independentes.<\/p>\n\n\n\n<p>A chegada de Fran\u00e7ois Mitterrand e o retorno da Frente Popular \u00e0 Fran\u00e7a<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a>, trouxe consigo um grande debate, sobre qual deveria ser a postura do trotskismo perante esse governo, suas medidas \u201cprogressivas\u201d e eventuais ataques de fra\u00e7\u00f5es burguesas de direita. A Organiza\u00e7\u00e3o Comunista Internacional de Pierre Lambert acabou assumindo uma pol\u00edtica de apoio ao governo, rompendo assim com a independ\u00eancia de classe frente a um governo burgu\u00eas, e cedendo \u00e0s press\u00f5es reformistas da frente popular.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1982 \u00e9 fundada a LIT depois desses debates e tentativas infrut\u00edferas de reconstruir a IV Internacional unificando-se com a CORCI de Lambert. A nova organiza\u00e7\u00e3o internacional surge com a convic\u00e7\u00e3o na necessidade de reconstruir a IV Internacional baseada no programa revolucion\u00e1rio, a mobiliza\u00e7\u00e3o permanente das massas para a tomada de poder e a constru\u00e7\u00e3o do partido revolucion\u00e1rio nos diferentes pa\u00edses e a n\u00edvel internacional. O combate permanente ao reformismo, tanto \u00e0 socialdemocracia e ao estalinismo como ao centrismo e ao revisionismo no interior do trotskismo, tamb\u00e9m foram tarefas cotidianas da pol\u00edtica da LIT.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>O vendaval oportunista, uma prova decisiva<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A d\u00e9cada de 80 culmina com fatos hist\u00f3ricos que sacudiram o mundo. A queda do Muro de Berlim foi o s\u00edmbolo de um processo de restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo nos Estados oper\u00e1rios burocr\u00e1ticos, mal conhecidos como o \u201csocialismo real\u201d. A restaura\u00e7\u00e3o capitalista conduzida pela burocracia estalinista em cumplicidade com o imperialismo, enfrentou processos de revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nos quais a classe oper\u00e1ria desses pa\u00edses se levantou contra a burocracia, mas foi sucessivamente derrotada.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo na URSS e nos demais Estados oper\u00e1rios, o imperialismo imp\u00f4s importantes derrotas ao movimento oper\u00e1rio mundial. Foi a vit\u00f3ria da pol\u00edtica que chamamos de Rea\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica do imperialismo, com a qual se privilegiava os mecanismos da democracia burguesa para desviar e derrotar processos revolucion\u00e1rios. A onda de privatiza\u00e7\u00f5es e retrocesso de importantes conquistas e a imposi\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas neoliberais foi acompanhada de uma ofensiva ideol\u00f3gica contra o socialismo e o marxismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre a esquerda, estes fatos significaram tamb\u00e9m uma grande crise. Para muitos, a queda dos Estados oper\u00e1rios significou o desvanecimento da perspectiva da revolu\u00e7\u00e3o e do socialismo, o fracasso foi atribu\u00eddo ao marxismo e ao bolchevismo, fracasso que, na realidade, s\u00f3 correspondia ao estalinismo, \u00e0 nega\u00e7\u00e3o de ambos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os retrocessos da classe oper\u00e1ria mundial aprofundaram a debilidade de uma perspectiva revolucion\u00e1ria socialista, processo que foi ao encontro de um crescente ceticismo e adapta\u00e7\u00e3o ao dom\u00ednio imperialista e da perman\u00eancia do capitalismo. O terreno abonado pelo reformismo foi f\u00e9rtil para que se debilitasse a perspectiva do socialismo na esquerda e no movimento oper\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O marxismo foi substitu\u00eddo por ideologias ligadas ao p\u00f3s-modernismo, a estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria contra o sistema capitalista foi substitu\u00edda pela fragmenta\u00e7\u00e3o de movimentos que lutavam por transforma\u00e7\u00f5es \u201cposs\u00edveis\u201d. A social democracia nos governos aplicou as pol\u00edticas neoliberais, o estalinismo se <em>socialdemocratizou, <\/em>as organiza\u00e7\u00f5es centristas se cristalizaram no reformismo, e muitas das organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias ocuparam o campo do centrismo para rapidamente transitar entusiasmados em dire\u00e7\u00e3o ao reformismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo este fen\u00f4meno significou uma dura prova para os revolucion\u00e1rios. Significou um verdadeiro vendaval oportunista que, como um vendaval, avan\u00e7ou contra as d\u00e9beis dire\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias consequentes, trazendo consigo sua destrui\u00e7\u00e3o ou, no melhor dos casos, causando grandes estragos.<\/p>\n\n\n\n<p>A LIT n\u00e3o ficou imune a este processo. A queda dos Estados oper\u00e1rios causou muitos debates em seu interior, no qual muitos escolheram o caminho de negar o marxismo e o trotskismo (rompendo com a LIT) ao mesmo tempo em que a press\u00e3o pela adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia burguesa adquiriu maior for\u00e7a. Esse abandono do marxismo arrastou v\u00e1rios setores da LIT, por diferentes vias, ao reformismo, sobretudo a partir de revis\u00f5es te\u00f3ricas, que se expressaram na capitula\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica e nas t\u00e1ticas. Isso colocou a LIT \u00e0 beira de sua desagrega\u00e7\u00e3o e dissolu\u00e7\u00e3o em meados da d\u00e9cada de 90. Entretanto, a LIT persistiu.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>O retorno dos levantes<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Apesar do retrocesso e da situa\u00e7\u00e3o defensiva da classe oper\u00e1ria e das massas no mundo, a rebeli\u00e3o contra os efeitos negativos da ofensiva neoliberal n\u00e3o demorou a explodir. Na Am\u00e9rica do Sul, rebeli\u00f5es de massas explodiram em v\u00e1rios pa\u00edses contra seus governos e a aplica\u00e7\u00e3o de ferozes planos antioper\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Governos ca\u00edram na Argentina, Equador e Bol\u00edvia, enquanto que no mundo uma nova vanguarda se levantava contra os efeitos da globaliza\u00e7\u00e3o imperialista. As c\u00fapulas dos mais ricos em Seattle, Genebra, Davos se converteram em verdadeiros campos de batalha em que o capitalismo foi novamente questionado, propondo-se a alternativa de \u201coutro mundo \u00e9 poss\u00edvel\u201d. Por\u00e9m, frente \u00e0 aus\u00eancia de verdadeiras dire\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias que encaminhassem esses novos levantes para uma alternativa anticapitalista, esses processos foram canalizados para sa\u00eddas reformistas, enchendo o chamado movimento antiglobaliza\u00e7\u00e3o de conte\u00fado reformista.<\/p>\n\n\n\n<p>Os levantes na Am\u00e9rica Latina foram canalizados para uma primeira onda de \u201cgovernos alternativos\u201d que sob diferentes formas (governos de frente popular, governos nacionalistas burgueses) tiveram em comum a aplica\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas neoliberais nas quais seus predecessores fracassaram, gra\u00e7as \u00e0 matiza\u00e7\u00e3o destas, mediadas com o assistencialismo e a coopta\u00e7\u00e3o das burocracias sindicais e a grande maioria da esquerda reformista.<\/p>\n\n\n\n<p>A LIT teve o m\u00e9rito de n\u00e3o sucumbir a este fen\u00f4meno, mantendo vivo o programa revolucion\u00e1rio, a independ\u00eancia de classe e a estrat\u00e9gia da revolu\u00e7\u00e3o socialista. Enquanto outras correntes provenientes do trotskismo foram deslisando para o reformismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Surgiram os chamados partidos anticapitalistas, nos quais estas correntes trotskistas se fundiam com os reformistas. As fronteiras e dist\u00e2ncias entre eles se esfumaram, convertendo-se em sua estrat\u00e9gia principal, dissolver seus partidos em movimentos mais amplos como o NPA na Fran\u00e7a e o PSOL no Brasil. Al\u00e9m disso, passaram a fazer parte de governos de Frente Popular e nacionalistas burgueses.<\/p>\n\n\n\n<p>A LIT, \u00e0 medida em que ia se recuperando e crescendo, foi sentindo, de forma cada vez mais forte, a press\u00e3o da democracia burguesa e do reformismo. As elabora\u00e7\u00f5es em torno ao \u201cvendaval oportunista\u201d e a atualiza\u00e7\u00e3o program\u00e1tica que aprofundou no legado da III Internacional sobre o parlamentarismo e o necess\u00e1rio combate ao reformismo, ao mesmo tempo que foi estudando a fundo os processos e as press\u00f5es sobre os revolucion\u00e1rios no s\u00e9culo XXI, implicaram novas rupturas de setores que j\u00e1 haviam se adaptado; setores que acabaram rompendo com a LIT em 2016 para seguirem livres o curso de integra\u00e7\u00e3o a projetos reformistas, especialmente no Brasil e Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, depois do fracasso e degenera\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios destes projetos de governos de colabora\u00e7\u00e3o de classes, em muitos pa\u00edses, a direita burguesa recuperou o governo, para aplicar novamente mais ataques contra a classe oper\u00e1ria, o campesinato, os ind\u00edgenas e a juventude. Ao mesmo tempo em que novas crises econ\u00f4micas desfizeram a ilus\u00e3o de um capitalismo todo poderoso, a ordem de domina\u00e7\u00e3o imperialista no mundo, imposto com a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo nos Estados oper\u00e1rios, se desmorona.<\/p>\n\n\n\n<p>Como antes, as massas lutam contra as pol\u00edticas de ajuste e de ataque \u00e0s suas condi\u00e7\u00f5es de vida. A luta contra as opress\u00f5es e contra a precariza\u00e7\u00e3o e criminaliza\u00e7\u00e3o da juventude adquirem novo ar. Processos revolucion\u00e1rios e pr\u00e9-revolucion\u00e1rios voltam a surgir na Am\u00e9rica Latina, como no Chile e na Col\u00f4mbia. A amea\u00e7a do colapso ambiental e a crise clim\u00e1tica causada pelo capitalismo \u00e9 uma realidade cada vez mais pr\u00f3xima.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas novas lutas tamb\u00e9m prop\u00f5em o constante retorno do reformismo, seja com suas velhas concep\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas, ou sob novas formas neorreformistas, que j\u00e1 n\u00e3o reivindicam o socialismo, mas uma pretensa democracia radical dentro do capitalismo. A tarefa dos revolucion\u00e1rios\/as \u00e9 combater n\u00e3o apenas a burguesia, mas tamb\u00e9m seus agentes. \u00c9 desmascarar o reformismo como agentes da burguesia e do imperialismo, mostrar \u00e0 classe oper\u00e1ria e \u00e0s massas exploradas o papel desses setores.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje voltam a surgir governos de colabora\u00e7\u00e3o de classes. Boric no Chile, Petro na Col\u00f4mbia, Lula no Brasil; mas desta vez n\u00e3o t\u00eam as margens econ\u00f4micas que tiveram a seu favor no passado, para outorgar reformas e concess\u00f5es \u00e0s massas para sufocar e desviar as lutas. Esta nova situa\u00e7\u00e3o se apresenta como um novo desafio para a LIT, pois novamente as press\u00f5es do reformismo se fortalecem, e a necessidade de enfrent\u00e1-las com pol\u00edticas e um programa correto se tornam uma necessidade cada vez mais premente.<\/p>\n\n\n\n<p>A LIT teve o m\u00e9rito hist\u00f3rico de manter-se \u2013 n\u00e3o sem erros sect\u00e1rios e desvios oportunistas \u2013 no marco do marxismo, o legado de Nahuel Moreno e nossa corrente e a classe oper\u00e1ria. \u00c9 nesses elementos, onde se encontrar\u00e1 novamente as ferramentas para continuar a luta contra os obst\u00e1culos para que a classe oper\u00e1ria derrote o capitalismo imperialista.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 deuses que impe\u00e7am que a roda da hist\u00f3ria chegue ao topo, e que, ao superar o capitalismo, a classe oper\u00e1ria possa, por fim, empreender o caminho do socialismo. \u00c9 a tarefa que a LIT se dedicou h\u00e1 40 anos e na qual continua com convic\u00e7\u00e3o, abnega\u00e7\u00e3o e entusiasmo revolucion\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Camus, Albert, <em>O Mito de S\u00edsifo<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E Bernstein, <em>\u2018The theory of collapse and colonial policy\u2019<\/em> Neue Zeit January 19 1898, in JM Tudor, op.cit. pp168\u201369. Citado em: Mulholland, \u00abQuando Bernstein assaltou a \u201cortodoxia\u201d marxista\u00bb. Dispon\u00edvel em: https:\/\/ctxt.es\/es\/20161012\/Politica\/8882\/socialismo-marxismo-Bernstein-revolucion-rosa-luxemburgo-psd-socialdemocracia.htm<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trotski, <em>Programa de Transi\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn4\" href=\"#_ftnref4\">[4]<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Fran\u00e7a j\u00e1 havia vivido uma experi\u00eancia de governo de Frente Popular com Le\u00f3n Blum em 1936. O fen\u00f4meno a pol\u00edtica para as frentes populares \u00e9 desenvolvida amplamente por Trotsky em seu trabalho Onde<em> vai a Fran\u00e7a?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quatro d\u00e9cadas apoiando a estrat\u00e9gia da revolu\u00e7\u00e3o socialista Albert Camus, fil\u00f3sofo e escritor existencialista franc\u00eas, dedicou um ensaio ao mito grego de S\u00edsifo. A mitologia conta como S\u00edsifo \u00e9 castigado pelos deuses que o fazem subir uma grande rocha por um morro, que com esfor\u00e7o consegue chegar at\u00e9 o topo, para logo depois cair rolando [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":75518,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[8430],"tags":[8431,8465,7275],"class_list":["post-75457","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-40-anos-da-lit-qi-especiais","tag-40-anos-da-lit-qi","tag-jorge-martinez","tag-refromismo"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Chavez_Kirch_Lula141597-scaled.jpg","categories_names":["40 anos da LIT-QI"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75457","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=75457"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75457\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":75501,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75457\/revisions\/75501"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/75518"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=75457"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=75457"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=75457"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}