{"id":75454,"date":"2022-11-26T01:26:58","date_gmt":"2022-11-26T01:26:58","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=75454"},"modified":"2022-11-26T01:27:00","modified_gmt":"2022-11-26T01:27:00","slug":"defender-a-republica-arabe-saaraui-democratica-rasd-contra-a-ocupacao-colonial-de-marrocos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/11\/26\/defender-a-republica-arabe-saaraui-democratica-rasd-contra-a-ocupacao-colonial-de-marrocos\/","title":{"rendered":"Defender a Rep\u00fablica \u00c1rabe Saaraui Democr\u00e1tica (RASD) contra a ocupa\u00e7\u00e3o colonial de Marrocos"},"content":{"rendered":"\n<p><em>O continente africano evoca no mundo ocidental a ideia de escravid\u00e3o e coloniza\u00e7\u00e3o negra. Mas a coloniza\u00e7\u00e3o \u00e9 vista como algo do passado,[1] embora ainda hoje a RASD seja uma col\u00f3nia do Marrocos. E os migrantes que v\u00eam da \u00c1frica, tratados na imprensa como &#8220;cat\u00e1strofe&#8221; e qualificados como &#8220;ilegais&#8221;, s\u00e3o uma for\u00e7a de trabalho mais barata que os escravos.[2]<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Liga Comunista dos Trabalhadores (B\u00e9lgica) e Corriente Roja<\/p>\n\n\n\n<p>O Estado espanhol tem uma grande comunidade destes migrantes tanto do Marrocos como da RASD, e o trabalhador &nbsp;Saaraui v\u00ea o marroquino como seu inimigo, enquanto este v\u00ea o &nbsp;Saaraui como um concorrente irritante.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a burguesia espanhola compartilha com Rabat a pilhagem colonial no noroeste da \u00c1frica, respeitando os \u201cinteresses hist\u00f3ricos\u201d da Fran\u00e7a na regi\u00e3o, bem como as reivindica\u00e7\u00f5es de outros pa\u00edses europeus.<\/p>\n\n\n\n<p>E como se isso n\u00e3o bastasse, em 11 de dezembro de 2020, Trump reconheceu o \u201cdireito\u201d de Rabat de manter uma col\u00f4nia no continente africano, em troca do reconhecimento marroquino do Estado de Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>Queremos contribuir com alguns elementos nesta luta anticolonial de meio s\u00e9culo, que ainda hoje continua.<\/p>\n\n\n\n<p>1. Um pouco de hist\u00f3ria<\/p>\n\n\n\n<p>Os povos a oeste da atual Arg\u00e9lia resistiram vitoriosamente durante s\u00e9culos \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o otomana, mas no in\u00edcio do s\u00e9culo XX tiveram de suportar a coloniza\u00e7\u00e3o crist\u00e3-europeia, \u00e0 qual, em 1904, Maal-&#8216;Aynayn, um dirigente &nbsp;Saaraui [3] denominou Jihad (guerra santa). No mesmo ano, 1904, a Fran\u00e7a e o decadente imp\u00e9rio espanhol estabeleceram o paralelo 27\u00b040&#8217; N como a linha de demarca\u00e7\u00e3o entre suas respectivas pretens\u00f5es.[4] No in\u00edcio da Grande Guerra, os berberes, a norte, estavam sob um protetorado franc\u00eas e os &nbsp;Saarauis, a sul, sob um protetorado espanhol.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a guerra, em 1924, a ditadura espanhola de Primo de Rivera reuniu duas col\u00f4nias, <em>Saguia el Hamra e R\u00edo de Oro<\/em>, para constituir o Saara espanhol entre duas linhas tra\u00e7adas pelos europeus no mapa da \u00c1frica: a de 1904, e outra, desenhada em 1885 em Berlim no paralelo 20\u00b046&#8217;N. Este territ\u00f3rio ser\u00e1 considerado como mais uma prov\u00edncia do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de mais uma guerra mundial, em mar\u00e7o de 1956, a luta de liberta\u00e7\u00e3o nacional dos berberes em Marrocos consegue p\u00f4r fim \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o francesa, e a independ\u00eancia p\u00f5e em pauta quem manda nas terras dos &nbsp;Saarauis. Em fevereiro de 1958, o general Franco pode contar com as tropas francesas para manter a ocupa\u00e7\u00e3o do <em>Saara espanhol<\/em>. E em abril, o novo rei Mohamed V do Marrocos concordou com a ditadura de Franco em deixar a fronteira entre os dois no paralelo tra\u00e7ado em 1904.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1966, os povos ao sul dessa fronteira retomaram a bandeira Maal-\u2018Aynayn, sob a lideran\u00e7a de Muhammad Bassiri. Ap\u00f3s uma manifesta\u00e7\u00e3o pac\u00edfica, em 17 de junho de 1970 em Zemia, o colonizador envia a Legi\u00e3o Espanhola para reprimir, a qual mata manifestantes e captura Bassiri, que \u201c<em>desaparece<\/em>\u201d. A <em>Intifada Zemia<\/em> acabou com as ilus\u00f5es pacifistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em dezembro de 1970, a ONU repreendeu o Estado espanhol por ainda n\u00e3o ter avan\u00e7ado no caminho da independ\u00eancia &nbsp;Saaraui, lamentou o &#8220;banho de sangue&#8221; e pediu que fosse organizado um referendo sobre a autodetermina\u00e7\u00e3o sob a sua tutela, com assessoria do Marrocos e da Maurit\u00e2nia. Madri recusou-se a faz\u00ea-lo e, em 10 de maio de 1973, os sobreviventes da <em>Intifada Zemia<\/em> <em>criaram uma Frente Popular pela Liberta\u00e7\u00e3o de<\/em> <em>Sagu\u00eda el Hamra e R\u00edo de Oro<\/em>, a <strong>Frente Polisario<\/strong>. Dez dias depois, o seu <em>Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Popular &nbsp;Saaraui<\/em> (ELPS) lan\u00e7ou um primeiro ataque, e ao abundante saque armado se juntou a deser\u00e7\u00e3o de numerosos soldados africanos recrutados pelas <em>Tropas N\u00f3madas<\/em> do colonizador.<\/p>\n\n\n\n<p>Confrontado com esta luta do povo &nbsp;Saaraui, o Estado espanhol anuncia que vai realizar um referendo em 1975 e decide deixar a disputa nas m\u00e3os de Marrocos. Mas este n\u00e3o demora muito para reivindicar supostos &#8220;direitos&#8221; hist\u00f3ricos.[5] Em abril de 1975, aproveitando a situa\u00e7\u00e3o terminal do regime de Franco, Hassan II anunciou uma <em>Marcha Verde<\/em> &#8220;pac\u00edfica&#8221; atravessando a fronteira tra\u00e7ada em 1904, com a aprova\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a. Em 14 de novembro, o rei Juan Carlos, prestes a subir ao trono ap\u00f3s a morte de Franco, assina o abandono de seu &#8220;protetorado&#8221; em favor do Marrocos e da Maurit\u00e2nia. E os tr\u00eas relatam isso \u00e0 ONU em fevereiro de 1976, sem que ningu\u00e9m se d\u00ea ao trabalho de consultar os nativos.<\/p>\n\n\n\n<p>Imediatamente, a Frente Polisario, governo de facto do territ\u00f3rio, proclamou a independ\u00eancia como <em>Rep\u00fablica \u00c1rabe Saaraui Democr\u00e1tica<\/em> (RASD), reivindicando a linha fronteiri\u00e7a de 1904 como fronteira norte e estabelecendo a sua capital em El Aai\u00fan,[6] 50 km mais ao sul e a 28 km da costa atl\u00e2ntica. Obt\u00e9m o reconhecimento da Arg\u00e9lia e de Moscou. Em agosto de 1979, a Maurit\u00e2nia assina um cessar-fogo e tamb\u00e9m reconhece a soberania da RASD, uma primeira vit\u00f3ria. hist\u00f3ria da Frente Polisario. E pouco depois, Marrocos ocupa um \u201ctri\u00e2ngulo \u00fatil\u201d ao sul da fronteira, na parte que mais lhe interessa explorar as riquezas da regi\u00e3o, incluindo o territ\u00f3rio que a Maurit\u00e2nia abandonou.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1985, a RASD \u00e9 incorporada como membro da <em>Organiza\u00e7\u00e3o para a Unidade Africana<\/em> (OUA), o que leva o Marrocos a retirar-se desta organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>2. A RASD colonizada pelo Marrocos<\/p>\n\n\n\n<p>O Rei Hassan II ampliou ent\u00e3o a ocupa\u00e7\u00e3o da RASD com meios militares, deslocando progressivamente uma <em>Muralha de Areia<\/em> que em abril de 1987 atingia os 2.700 km, deixando 20% do pa\u00eds, a Leste, ocupado pelos que chamam de \u201crebeldes\u201d. No sul da RASD, resta uma zona desmilitarizada com cerca de 5 km de largura, na fronteira com a Maurit\u00e2nia, que permite o acesso da Frente Polisario ao oceano. O governo da RASD deve se refugiar em um acampamento em Tindouf, 400 km a leste de sua capital, em territ\u00f3rio argelino, onde mais de 170.000 refugiados\/as se acumularam nos \u00faltimos anos, fugindo da f\u00faria repressiva marroquina.[7]<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1991, o confronto militar foi interrompido com o envio dos Capacetes Azuis da ONU (Minurso), supostamente para organizar o referendo. Mas essa Minurso deixa Sua Majestade Hassan II livre para reprimir o povo &nbsp;Saaraui e saquear as riquezas naturais do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>E em 2007, o Marrocos prop\u00f4s para o antigo <em>Saara Espanhol<\/em> \u2013 rebatizado de <em>Saara Ocidental<\/em> \u2013 um regime de \u201cautonomia\u201d dentro do estado marroquino. Em 2009, em discurso comemorativo do 34\u00ba anivers\u00e1rio da <em>Marcha Verde<\/em>, Mohamed VI disse que quem n\u00e3o \u00e9 patriota (isto \u00e9, apoia a pol\u00edtica de coloniza\u00e7\u00e3o) \u00e9 um traidor. Doravante, a imprensa imperialista e os mapas usam o termo <em>Saara Ocidental<\/em> para se referir \u00e0 RASD, quando n\u00e3o a apresentam diretamente como parte de Marrocos.[8] E desse territ\u00f3rio, 20% \u00e9 considerado \u201c<em>disputado por um grupo rebelde<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017, as autoridades marroquinas iniciam a constru\u00e7\u00e3o de uma autoestrada a partir de Guerguerat, 11 km a norte da fronteira sul da RASD e a 5 km do oceano, com a inten\u00e7\u00e3o manifesta de atravessar a estreita faixa desmilitarizada no sul da RASD, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Maurit\u00e2nia, ao servi\u00e7o do seu lucrativo com\u00e9rcio: um &#8220;<em>corredor de pilhagem<\/em>&#8220;.[9]<\/p>\n\n\n\n<p>A RASD tem embaixadas em 18 estados.<\/p>\n\n\n\n<p>3. A Primavera &nbsp;Saaraui<\/p>\n\n\n\n<p>No s\u00e1bado, 10 de outubro de 2020, dez anos ap\u00f3s a Primavera do Norte da \u00c1frica,[10] militantes &nbsp;Saarauis montaram um acampamento de protesto em Agdaym Izik (tamb\u00e9m conhecido como Gdeim Izik), cerca de 16 km a sudeste da capital El Ayoun, que em poucos dias \u00e9 expandido para dezenas de milhares. E na ter\u00e7a-feira, dia 21, uma manifesta\u00e7\u00e3o de cinquenta civis &nbsp;Saarauis bloqueou o tr\u00e2nsito em Guerguerat, na estrada em constru\u00e7\u00e3o. No s\u00e1bado, dia 31, o Conselho de Seguran\u00e7a da ONU renova mais uma vez o mandato da Minurso, sem sequer mencionar o referendo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 13 de novembro de 2020, o ex\u00e9rcito marroquino rompe o cessar-fogo assinado em 1991 em Guerguerat, e a mobiliza\u00e7\u00e3o anticolonial se expande a oeste do Muro de Areia, em v\u00e1rios bairros de El Aai\u00fan e Dakhla, em solidariedade ao bloqueio de Guerguerat. [11] No dia seguinte, Brahim Gali, o presidente da RASD, n\u00e3o teve escolha sen\u00e3o tomar conhecimento oficialmente da ruptura do cessar-fogo de 1991. A RASD est\u00e1 em guerra contra o reino marroquino. [12] Dos 85 estados que haviam reconhecido a soberania do pa\u00eds at\u00e9 ent\u00e3o, 45 retiram ou congelam esse reconhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Em dezembro de 2020, gra\u00e7as \u00e0 arrog\u00e2ncia de Trump, os paralelos entre a luta por uma Palestina &#8220;<em>do rio ao mar<\/em>&#8221; e a do povo Hassani por sua terra ancestral &#8220;<em>at\u00e9 o oceano<\/em>&#8221; tornaram-se evidentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Em mar\u00e7o de 2022, o governo de coaliz\u00e3o espanhola de Pedro S\u00e1nchez, rompendo com uma pol\u00edtica de neutralidade formal mantida por 47 anos, informou o rei Mohamed VI que <em>\u201cconsidera a iniciativa de autonomia marroquina, apresentada em 2007, como a base mais s\u00e9ria, realista e cred\u00edvel para resolver este conflito\u201d<\/em>.[13] Isto faz com que, no s\u00e1bado, dia 22 do mesmo m\u00eas, 7.000 manifestantes em Madrid defendam a causa do povo &nbsp;Saaraui e tratem S\u00e1nchez como um &#8220;traidor&#8221;. A nova Ministra dos Neg\u00f3cios Estrangeiros belga, Hadja Lahbib, declarou no dia 20 de outubro durante uma visita a Marrocos que <em>&#8220;considero o plano de autonomia apresentado em 2007 como um esfor\u00e7o s\u00e9rio e cred\u00edvel de Marrocos e como uma boa base para uma solu\u00e7\u00e3o aceite pelas partes<\/em>\u00bb [14].<\/p>\n\n\n\n<p>4. Marrocos ao servi\u00e7o do saque de \u00c1frica por empresas espanholas e outras pot\u00eancias<\/p>\n\n\n\n<p>Marrocos usufrui desde 2000 de facilidades comerciais com a UE.[15] Isso exclui explicitamente os produtos provenientes ou destinados \u00e0 col\u00f4nia. Mas esta formalidade n\u00e3o impede que as empresas europeias, sobretudo as espanholas [16], fa\u00e7am suculentos neg\u00f3cios, contando com a &#8220;bondade&#8221; de Sua Majestade Mohamed em n\u00e3o se incomodar com a linha tra\u00e7ada em 1904.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 em seu tempo, os &#8220;protetorados&#8221; franc\u00eas e espanhol n\u00e3o paravam de drenar a riqueza natural do noroeste da \u00c1frica. Em 1920, a Fran\u00e7a estabeleceu ali o <em>Office Ch\u00e9rifien des Phosphates<\/em>, que se tornaria um dos principais exportadores de fosfato e seus derivados do mundo,[17] e a holding <em>Omnium Nord-Africain<\/em> (ONA \u2013 1934) para organizar o saque de min\u00e9rios de cobre e cobalto.<\/p>\n\n\n\n<p>O Estado espanhol, por seu lado, interessava-se ent\u00e3o sobretudo pela riqueza pesqueira das costas atl\u00e2nticas. No acordo de pesca que Marrocos mant\u00e9m com a UE desde 2006, est\u00e1 explicitamente exclu\u00eddo &#8220;o territ\u00f3rio do Sahara Ocidental&#8221;, cl\u00e1usula confirmada em 2016 pelo Tribunal de Justi\u00e7a da Uni\u00e3o Europeia (TJUE). Mas as \u00e1guas que banham a RASD s\u00e3o das mais ricas do mundo em esp\u00e9cies comest\u00edveis. Marrocos exporta para o vizinho a norte de Gibraltar mais de 100.000 toneladas de peixe por ano (no valor de mais de 1,6 mil milh\u00f5es de euros por ano). 95% do polvo vem de Dakhla, e 75% das sardinhas v\u00eam de El Aai\u00fan, duas cidades da RASD. Mas formalmente, o produto supostamente vem de Agadir, um porto a cerca de 300 km ao norte da fronteira.[18]<\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a florescente ind\u00fastria do turismo nas Ilhas Can\u00e1rias valorizou outro recurso para comercializar. A areia, durante mil\u00e9nios uma barreira que separava a \u00c1frica subsaariana das &#8220;civiliza\u00e7\u00f5es&#8221; europeias, tornou-se numa mat\u00e9ria-prima export\u00e1vel utilizada na constru\u00e7\u00e3o (concreto) e no enchimento de praias. Navios da companhia irlandesa Galway Marine chegam a estas ilhas desde meados do s\u00e9culo passado para transformar as praias rochosas em atrativas termas, exploradas pelo grupo empresarial italiano ANFI, com a areia clara da RASD. Entre 2012 e 2017, pelo menos 750.000 toneladas de areia passaram do porto de El Aai\u00fan para essas praias. Uma decis\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a da UE (TJUE) declarou esse com\u00e9rcio ilegal. Mas isso foi gra\u00e7as a um marinheiro indiscreto que revelou a verdadeira origem de alguns navios, que foram registados na alf\u00e2ndega como sendo de Agadir.<\/p>\n\n\n\n<p>As petrol\u00edferas Repsol \u2013 cujos acionistas incluem a Blackrock e a Cepsa \u2013 s\u00e3o respons\u00e1veis \u200b\u200bpela quase totalidade dos combust\u00edveis distribu\u00eddos nas esta\u00e7\u00f5es de servi\u00e7o da zona ocupada, gra\u00e7as \u00e0 cumplicidade de uma empresa &nbsp;Saaraui que apoiou a ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Marrocos \u00e9 um dos principais clientes da ind\u00fastria b\u00e9lica espanhola. Entre 2013 e 2020, foi importado um material no valor de mais de 500 milh\u00f5es de euros, dos quais uma parte significativa \u00e9 utilizada no territ\u00f3rio ocupado.<\/p>\n\n\n\n<p>A Indra Sistemas S.A., multinacional espanhola, fechou em 2019 um contrato de 6,3 milh\u00f5es de euros com o governo marroquino para expandir sua rede de vigil\u00e2ncia por sat\u00e9lite, que inclui as cidades ocupadas de El Aai\u00fan, Smara e Dakhla.<\/p>\n\n\n\n<p>A Alemanha e o Reino Unido tamb\u00e9m levam vantagem. A Siemens Windpower, que em 2016 monopolizou a empresa basca Gamesa, constituindo a alem\u00e3 Siemens Gamesa, faz parte de um projeto de 2,8 bilh\u00f5es de euros para a constru\u00e7\u00e3o de cinco grandes parques e\u00f3licos em Marrocos. Dois deles est\u00e3o na col\u00f4nia ocupada. E \u00e9 a empresa Windhoist, de Irvine (Reino Unido), que vendeu os parques e\u00f3licos \u00e0 Siemens Gamesa. Entre 2017 e 2019, as empresas alem\u00e3s importaram, por 40 milh\u00f5es de euros, farinha de peixe de &#8220;Marrocos&#8221;, dos quais 53% eram de facto provenientes da RASD.[19]<\/p>\n\n\n\n<p>A Cairn Energy, de Edimburgo, Reino Unido, foi uma das primeiras empresas a realizar perfura\u00e7\u00f5es explorat\u00f3rias de petr\u00f3leo em \u00e1guas territoriais da RASD, e a San Leon Company, de Londres, realizou perfura\u00e7\u00f5es onshore no pa\u00eds.[20] Em mar\u00e7o de 2015, o Reino Unido foi acusado de importar produtos agr\u00edcolas e pesqueiros da RASD, mas com o Brexit na balan\u00e7a, n\u00e3o est\u00e1 claro se a administra\u00e7\u00e3o de Boris Johnson incluir\u00e1 a quest\u00e3o em quaisquer novos acordos comerciais com Rabat.[21]<\/p>\n\n\n\n<p>Vimos que Trump conseguiu &#8220;aproximar&#8221; Marrocos de Israel. Em novembro de 2021, o Marrocos comprou, por US$ 20 milh\u00f5es, drones kamikaze israelenses para bombardear seus \u201cs\u00faditos\u201d rebeldes. Em junho de 2022, os dois pa\u00edses realizaram exerc\u00edcios militares conjuntos, &#8220;African Lion 2022&#8221;, onde a tecnologia israelense foi valorizada. E em 19 de setembro daquele ano, o Chefe do Estado-Maior do ex\u00e9rcito israelense, orgulhoso de &#8220;ter nascido no Marrocos&#8221;, chegou a Rabat para consolidar &#8220;uma associa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica&#8221; entre os dois pa\u00edses.[22]<\/p>\n\n\n\n<p>5. Nossa pol\u00edtica: Apoiar a luta dos povos oprimidos.<\/p>\n\n\n\n<p>A perspectiva hist\u00f3rica da \u00c1frica mediterr\u00e2nea n\u00e3o \u00e9 a de um enxame de mini-estados subjugados. Defendemos, ao contr\u00e1rio, uma federa\u00e7\u00e3o livre de estados socialistas. Enquanto isso, somos incondicionalmente solid\u00e1rios com a luta anticolonial de liberta\u00e7\u00e3o nacional da RASD.<\/p>\n\n\n\n<p>Abraham Serfaty, da dire\u00e7\u00e3o do <em>Office Ch\u00e9rifien des Phosphates<\/em>, perdeu o cargo em 1968 por se solidarizar com os\/as trabalhadores\/as da empresa em greve. Preso em 1974 sob os &#8220;anos de chumbo&#8221; de Hassan II, em seu julgamento de 1977 exclamou o que orgulhosamente subscrevemos:<\/p>\n\n\n\n<p>Viva a Rep\u00fablica \u00c1rabe Saarau\u00ed Democr\u00e1tica!<\/p>\n\n\n\n<p>Viva a Rep\u00fablica democr\u00e1tica e popular marroquina!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E acrescentamos<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<p>Solidariedade com a luta anticolonial do povo &nbsp;Saaraui!<\/p>\n\n\n\n<p>Solidariedade com a luta da Frente Polisario em defesa da RASD,<\/p>\n\n\n\n<p>contra os ataques de Marrocos e seus c\u00famplices!<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e0 interfer\u00eancia capitalista do Ocidente e da China no continente africano!<\/p>\n\n\n\n<p>Viva a luta dos povos africanos contra os ataques do imperialismo!<\/p>\n\n\n\n<p>________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p>Notas:<\/p>\n\n\n\n<p>[1] Sobre os la\u00e7os da burguesia belga com sua ex-col\u00f4nia do Congo, veja um coment\u00e1rio sobre uma recente viagem do rei na RDC: &lt;https:\/\/litci.org\/fr\/une-visite-royale-regrettable \/&gt;<\/p>\n\n\n\n<p>[2] Veja um estudo LCT de 2008, <em>Trabalhadores sem documentos, um elo essencial na explora\u00e7\u00e3o capitalista.<\/em> &lt;http:\/\/www.lct-cwb.be\/images\/pdfs\/LCT\/sinpapeles.pdf&gt;<\/p>\n\n\n\n<p>[3] Os &nbsp;Saarauis s\u00e3o origin\u00e1rios das tribos Beni Hassan, habitantes da regi\u00e3o desde o s\u00e9culo XI, provenientes de migra\u00e7\u00f5es do atual I\u00eamen. Eles t\u00eam uma l\u00edngua do tipo \u00e1rabe, Hassania, atualmente tamb\u00e9m usada na Maurit\u00e2nia, totalmente diferente do amazigh dos berberes.<\/p>\n\n\n\n<p>[4] Em 1912, a Fran\u00e7a deixou o Cabo Juby, uma pequena faixa a norte do paralelo, bem como o Rif, uma pequena faixa na costa mediterr\u00e2nica, considerados &#8220;vizinhos&#8221; do territ\u00f3rio espanhol, a cargo de Madrid. O Rif dar\u00e1 origem aos atuais enclaves de Ceuta e Melilha.<\/p>\n\n\n\n<p>[5] A reivindica\u00e7\u00e3o de um &#8220;Grande Marrocos&#8221;, baseado em um <em>imp\u00e9rio xerifiano<\/em> que derrotou as tropas de Suleiman em 1558 e se estendia at\u00e9 o atual Senegal, data da d\u00e9cada de 1930.<\/p>\n\n\n\n<p>[6] La\u00e2youne para franc\u00f3fonos. Era a capital do Saara espanhol.<\/p>\n\n\n\n<p>[7] &lt;https:\/\/www.eldiario.es\/catalunya\/economia\/arena-pescado-energias-renovables-armamento-intereses-grandes-empresas-espanolas-sahara-occidental_1_6480504.html&gt;<\/p>\n\n\n\n<p>[8]O Google Maps marca o paralelo fronteiri\u00e7o de 1904 com uma linha pontilhada em territ\u00f3rio marroquino, dando \u00e0 parte sul o nome do colonizador.<\/p>\n\n\n\n<p>[9] O \u201ccorredor de pilhagem\u201d para a Maurit\u00e2nia, como o chama Sidi Breika, representante da Frente Polisario no Reino Unido. &lt;https:\/\/democracyinafrica.org\/british-corporate-plunder-helped-provoke-the-war-in-western-sahara\/&gt;<\/p>\n\n\n\n<p>[10] Conhecida como Primavera \u00c1rabe, termo que reduz erroneamente o movimento iniciado com a imola\u00e7\u00e3o de Mohamed Bouazizi, em 17 de dezembro de 2010, na Tun\u00edsia, a povos que foram dominados e aculturados pelos \u201c\u00c1rabes\u201d do Imp\u00e9rio Otomano. H\u00e1 muitos berberes, n\u00fabios e saraus que n\u00e3o se &#8220;converteram&#8221;, sobretudo precisamente no noroeste da \u00c1frica, mas tamb\u00e9m no Chifre da \u00c1frica.<\/p>\n\n\n\n<p>[11] &lt;https:\/\/www.eldiario.es\/desalambre\/conflicto-sahara-occidental-aumenta-tension-territorios-ocupados-policia-saqueado-casas- Saarauis_1_6436720.html<\/p>\n\n\n\n<p>[12]&lt;https:\/\/www.eldiario.es\/internacional\/el-frente-polisario-considera-roto-el-alto-el-fuego-en-el-sahara-y-declara-el-estado-de- guerra-ap\u00f3s-a-entrada-do-ex\u00e9rcito-marroquino_1_6430037.html&gt;<\/p>\n\n\n\n<p>[13] &lt;https:\/\/elpais.com\/espana\/2022-03-18\/sanchez-considera-la-autonomia-del-sahara-como-la-basis-mas-seria-realista-y-creible-para- resolve-o-conflito.html&gt;<\/p>\n\n\n\n<p>[14] https:\/\/www.lesoir.be\/474526\/article\/2022-11-01\/le-soutien-de-la-belgique-linitiative-marocaine-dautonomie-ignore-les-droits-du<\/p>\n\n\n\n<p>[15] Com a entrada em vigor do Acordo de Associa\u00e7\u00e3o com a Uni\u00e3o Europeia (AA), previsto no artigo 217.\u00ba do Tratado sobre o Funcionamento da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n\n\n\n<p>[16] Quase metade das empresas espanholas no Ibex 35 t\u00eam neg\u00f3cios em Marrocos.<\/p>\n\n\n\n<p>[17]Marrocos \u00e9 o maior deposit\u00e1rio de fosfato, com reservas estimadas em 50 bilh\u00f5es de toneladas, \u00e0 frente da China com 3,1, de um total mundial de 68.000. &lt;https:\/\/fr.wikipedia.org\/wiki\/Groupe_OCP&gt;<\/p>\n\n\n\n<p>[18] Um estudo bem documentado a esse respeito, do qual reproduzimos dados, pode ser consultado em &lt;https:\/\/www.eldiario.es\/catalunya\/economia\/arena-pescado-energias-renovables-armamento-intereses-grandes -empresas- spanish-western-sahara_1_6480504.html&gt;<\/p>\n\n\n\n<p>[19] &lt;https:\/\/wsrw.org\/en\/news\/fishmeal-german-government-data-confirms-import-controversy&gt;<\/p>\n\n\n\n<p>[20] &lt;https:\/\/democracyinafrica.org\/british-corporate-plunder-helped-provoke-the-war-in-western-sahara\/&gt;<\/p>\n\n\n\n<p>[21] Ibidem.<\/p>\n\n\n\n<p>[22] &lt;https:\/\/www.bladi.net\/comment-maroc-israel-renforcent-cooperation-military,96545.html&gt;<\/p>\n\n\n\n<p>&lt;https:\/\/afrique.lalibre.be\/69058\/le-maroc-et-israel-sallient-dans-le-secteur-aeronautique\/&gt; (24.03.2022)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O continente africano evoca no mundo ocidental a ideia de escravid\u00e3o e coloniza\u00e7\u00e3o negra. 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E os migrantes que v\u00eam da \u00c1frica, tratados na imprensa como &#8220;cat\u00e1strofe&#8221; e qualificados como &#8220;ilegais&#8221;, s\u00e3o uma for\u00e7a de trabalho mais [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":75455,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[8461,3512,3688],"tags":[229,8462,8463,8464],"class_list":["post-75454","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-republica-arabe-saaraui-democratica","category-estado-espanhol","category-marrocos","tag-corriente-roja","tag-lct-belgica-2","tag-rasd","tag-reublica-arabe-saaraui"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Consejo-Nacional-saharaui-e1568391804882-1024x683-1.jpg","categories_names":["Estado Espanhol","Marrocos","Rep\u00fablica \u00c1rabe Saaraui Democr\u00e1tica"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75454","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=75454"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75454\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":75456,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75454\/revisions\/75456"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/75455"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=75454"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=75454"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=75454"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}