{"id":75421,"date":"2022-11-24T00:42:24","date_gmt":"2022-11-24T00:42:24","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=75421"},"modified":"2022-11-24T00:54:05","modified_gmt":"2022-11-24T00:54:05","slug":"25n-para-por-fim-a-violencia-e-a-opressao-seguir-o-exemplo-de-resistencia-e-luta-das-iranianas-ucranianas-e-sudanesas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/11\/24\/25n-para-por-fim-a-violencia-e-a-opressao-seguir-o-exemplo-de-resistencia-e-luta-das-iranianas-ucranianas-e-sudanesas\/","title":{"rendered":"25N: Para p\u00f4r fim \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 opress\u00e3o, seguir o exemplo de resist\u00eancia e luta das iranianas, ucranianas e sudanesas"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Em 1999 a ONU instituiu o 25 de novembro como dia internacional pela elimina\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia \u00e0s mulheres. No entanto, passados 23 anos desde que a data foi estabelecida oficialmente, a viol\u00eancia machista n\u00e3o apenas n\u00e3o diminuiu como cresce de forma assustadora e generalizada.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Isso n\u00e3o pode continuar, n\u00e3o aceitamos mais viver permanentemente com medo! Chega de esperar pela \u201cboa vontade\u201d dos governos e institui\u00e7\u00f5es burguesas para dar um basta \u00e0 viol\u00eancia. J\u00e1 est\u00e1 mais que provado que as milhares de declara\u00e7\u00f5es em favor das mulheres, n\u00e3o passa de distra\u00e7\u00e3o. O fim da viol\u00eancia machista exige uma resposta contundente e nas ruas, de toda a classe trabalhadora e suas organiza\u00e7\u00f5es, com as mulheres na vanguarda, reclamando medidas concretas, e ao mesmo tempo lutando para destruir a fonte de toda opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o capitalismo, seguindo o exemplo das iranianas, ucranianas e sudanesas que tem se transformado em s\u00edmbolos de resist\u00eancia e luta para as trabalhadoras do mundo todo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Viol\u00eancia machista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Estupros, agress\u00f5es, mutila\u00e7\u00f5es, ass\u00e9dios, casamentos for\u00e7ados. Viol\u00eancias de todo tipo cometidas tanto no \u00e2mbito privado como no p\u00fablico, por conhecidos e desconhecidos e em circunst\u00e2ncias e contextos os mais vari\u00e1veis poss\u00edveis. Nenhuma mulher est\u00e1 segura. Segundo a ONU, 1 em cada 3 mulheres j\u00e1 experimentou ou experimentar\u00e1 algum tipo de viol\u00eancia ao longo da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Viol\u00eancia que come\u00e7a cedo. Na Uni\u00e3o Europeia, metade <ins>das<\/ins> mulheres<ins> <\/ins>relata serem v\u00edtimas de ass\u00e9dio sexual desde os 15 anos<ins> de idade<\/ins>. Na \u00c1frica Central e Meridional, 40% das jovens se casam antes dos 18 anos. No Brasil, onde mais de 66 mil estupros foram registrados <ins>somente <\/ins>em 2021, 61% das v\u00edtimas eram meninas de at\u00e9 13 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>A face mais dram\u00e1tica dessa viol\u00eancia s\u00e3o os feminic\u00eddios, sendo que a cada 11 minutos uma mulher \u00e9 morta em alguma regi\u00e3o do planeta pelo simples fato de ser mulher. Isso sem falar nos estupros corretivos cometidos contra as LBTs e os transfeminic\u00eddios, cujas v\u00edtimas s\u00e3o quase sempre mulheres trans e praticados na maioria das vezes com requintes de crueldade.<\/p>\n\n\n\n<p>Na maior parte das vezes o agressor \u00e9 um conhecido da mulher. Os feminic\u00eddios \u00edntimos, cometidos por parceiros ou ex parceiros, respondem por 38% de todos os crimes dessa natureza. A t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o apenas 5% dos assassinatos masculinos s\u00e3o cometidos por uma parceira. Esse tipo de feminic\u00eddio cresceu entre gr\u00e1vidas e mulheres com filhos rec\u00e9m nascidos nos \u00faltimos anos segundo a OMS. A neglig\u00eancia do Estado e dos governos, por a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o, torna-os cumplices de toda essa viol\u00eancia e dessas mortes de mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Machismo e capitalismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O capitalismo imp\u00f5e condi\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia degradantes para as mulheres trabalhadoras e pobres. Nos pa\u00edses com a renda baixa ou m\u00e9dia-baixa, estima-se que 37% das mulheres vivam em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia f\u00edsica e\/ou sexual por parceiros, sendo que em alguns desses pa\u00edses a preval\u00eancia chega a ser de 1 v\u00edtima para cada 2 mulheres.<ins> A<\/ins> <ins>crise econ\u00f4mica<\/ins><ins>, sanit\u00e1ria e ambiental, <\/ins><ins>e as consequ\u00eancias diretas e indiretas da guerra na Ucr\u00e2nia <\/ins><ins>torna a vida das mulheres e dos <\/ins><ins>setores oprimidos <\/ins><ins>ainda mais dram\u00e1tica<\/ins><ins>. Em tempos de crise econ\u00f4mica e guerras como a atual, a viol\u00eancia contra <\/ins>os oprimidos<ins> atinge n\u00edveis brutais<\/ins><ins>. <\/ins>E n\u00e3o<ins> por ac<\/ins><ins>aso a viol\u00eancia dom\u00e9stica explodiu na pandemia. O machismo arraigado na sociedade burguesa capitalista, faz do lar <\/ins>um dos<ins> ambiente<\/ins>s<ins> mais perigoso<\/ins>s<ins> p<\/ins><ins>ara as mulheres.<\/ins><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 que a viol\u00eancia seja uma exclusividade dos pobres, mas as desigualdades econ\u00f4micas e sociais se transformam em agravantes pois dificultam e em alguns casos at\u00e9 impossibilitam a mulher de escapar do ciclo da viol\u00eancia. Fatores como emprego e renda que permitam sustentara si mesma e aos filhos caso seja necess\u00e1rio abandonar um lar violento s\u00e3o cruciais. Mas num mundo onde mais da metade (51,5%) de todas as mulheres trabalhadoras est\u00e1 fora do mercado de trabalho e para piorar, nos momentos de crise capitalista o emprego feminino \u00e9 o primeiro a ser sacrificado, d\u00e1 para entender por que para as mulheres \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil romper com a viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Pior ainda para as mulheres negras, pois a combina\u00e7\u00e3o de machismo e racismo, imp\u00f5e ainda mais humilha\u00e7\u00f5es, mais pobreza, mais desigualdade e mais viol\u00eancia \u00e0 mulher negra.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo se pode dizer dos planos de ajuste e das contrarreformas sociais aplicadas por governos no mundo afora \u2014sejam os de direita e extrema direita, mas tamb\u00e9m os autodeclarados de esquerda que governam segundo os interesses burgueses e imperialistas\u2014 j\u00e1 que os cortes p\u00fablicos afetam programas de enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia e apoio \u00e0s v\u00edtimas, cujas mulheres pobres s\u00e3o as que mais necessitam.<\/p>\n\n\n\n<p>A falta interesse pol\u00edtico e medidas concretas de enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres n\u00e3o \u00e9 casualidade. A opress\u00e3o da mulher, com todos os seus componentes: desigualdade, objetifica\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia, etc., \u00e9 parte da l\u00f3gica capitalista e serve \u00e0 sua manuten\u00e7\u00e3o. A reprodu\u00e7\u00e3o de ideologias e comportamentos machistas mant\u00e9m a classe dividida e assegura a domina\u00e7\u00e3o burguesa, al\u00e9m de incrementar os lucros atrav\u00e9s da superexplora\u00e7\u00e3o das mulheres trabalhadoras e a manuten\u00e7\u00e3o de um ex\u00e9rcito de reserva que pressiona os sal\u00e1rios e o n\u00edvel de vida da classe para baixo. J\u00e1 a naturaliza\u00e7\u00e3o do cuidado da casa e dos filhos pela mulher permite que a burguesia economize gastos com a reprodu\u00e7\u00e3o do trabalho assalariado por meio do trabalho explorado n\u00e3o pago realizado pelas mulheres na esfera familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>A opress\u00e3o e a viol\u00eancia contra as mulheres s\u00e3o tamb\u00e9m lucrativas em si mesmas. A prostitui\u00e7\u00e3o, a pornografia e todas as formas de explora\u00e7\u00e3o sexual das mulheres, incluindo menores, onde a sexualidade e o corpo s\u00e3o transformados em mera mercadoria, geram lucros de v\u00e1rios bili\u00f5es de d\u00f3lares. A chamada &#8220;ind\u00fastria do sexo&#8221; \u00e9 um dos neg\u00f3cios mais lucrativos do mundo, compar\u00e1vel apenas \u00e0 ind\u00fastria do armamento ou ao tr\u00e1fico de drogas. Um neg\u00f3cio que cresce ao mesmo ritmo que a inseguran\u00e7a laboral e a pobreza da classe trabalhadora e no qual est\u00e3o frequentemente envolvidos diferentes aparelhos estatais.<\/p>\n\n\n\n<p>Compreender essa dimens\u00e3o das opress\u00f5es e sua conex\u00e3o com o sistema capitalista \u00e9 fundamental para dar \u00e0s lutas das mulheres contra a viol\u00eancia machista uma perspectiva correta, de classes e antissistema, entendendo que essa n\u00e3o \u00e9 uma luta de \u201cg\u00eanero\u201d ou s\u00f3 das mulheres, mas de toda a classe trabalhadora e suas organiza\u00e7\u00f5es que devem assumir o combate permanente e sistem\u00e1tico contra o machismo e a opress\u00e3o, come\u00e7ando por n\u00e3o invisibilizar essa pauta ou releg\u00e1-la a datas espec\u00edficas, mas organizar uma campanha ativa e cotidiana entre os trabalhadores contra a viol\u00eancia, os comportamentos e a cultura machista e apoiando e incentivando as mulheres a organizar sua pr\u00f3pria autodefesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Medidas concretas por parte do Estado tamb\u00e9m s\u00e3o necess\u00e1rias e devemos lutar por cada uma delas. Devemos exigir dos governos amplas campanhas educativas contra o machismo e a viol\u00eancia, nas m\u00eddias, escolas, bairros e locais de trabalho; que os crimes cometidos contra as mulheres sejam investigados e punidos rigorosamente; que servi\u00e7os de assist\u00eancia \u00e0s mulheres v\u00edtimas sejam instalados; assim como garantias econ\u00f4micas e sociais que permitam \u00e0 mulher romper com o ciclo de viol\u00eancia. Declara\u00e7\u00f5es n\u00e3o bastam, s\u00f3 por meio de pol\u00edticas reais \u00e9 poss\u00edvel reduzir de fato os \u00edndices de viol\u00eancia \u00e0s mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Seguir o exemplo das mulheres iranianas, uranianas e sudanesas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos meses vimos assistindo importantes lutas nas quais as mulheres t\u00eam cumprido papel de vanguarda ou sendo protagonistas diretas animando as mulheres trabalhadoras de todo o mundo para seguir organizando a luta contra a opress\u00e3o e a viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em especial o papel das mulheres iranianas no levante contra a morte de Amini, uma jovem curda morta pela patrulha de \u201ccostumes\u201d que se transformou num estopim de luta das mulheres por vida e liberdade e contra o regime dos aiatol\u00e1s e o governo Raisi pelo povo desse pa\u00eds. A das mulheres ucranianas, que como parte da resist\u00eancia popular tem conseguido at\u00e9 esse momento deter a invas\u00e3o russa, enfrentando nesse processo a opress\u00e3o e viol\u00eancia do ex\u00e9rcito inimigo, mas muitas vezes tamb\u00e9m a de seus pr\u00f3prios companheiros. Assim como as mulheres sudanesas que, um ano ap\u00f3s o golpe de estado no pa\u00eds, corajosamente seguem arriscando suas vidas e liberdade na luta contra o regime militar.<\/p>\n\n\n\n<p><ins>Mulheres de todas as Am\u00e9ricas tamb\u00e9m deram exemplo de luta e resist\u00eancia, mobilizando-se pelo direito ao aborto em alguns casos com conquistas, em outros com retrocessos, mas sempre resistindo; reagindo contra a viol\u00eancia machista com mobiliza\u00e7\u00f5es cada vez mais radicais.<\/ins><\/p>\n\n\n\n<p>O 25 de novembro foi institu\u00eddo em homenagem \u00e0s irm\u00e3s Mirabal, assassinadas pela ditadura de Trujillo na Rep\u00fablica Dominicana, queremos resgatar esse esp\u00edrito da data expressando nossa solidariedade \u00e0 luta dessas mulheres: iranianas, ucranianas, sudanesas que s\u00e3o hoje s\u00edmbolo da luta das trabalhadoras do mundo inteiro contra a opress\u00e3o e a viol\u00eancia.<ins> <\/ins><ins>\u00c9 por isso que <\/ins>nesse pr\u00f3ximo 25N, conclamamos todas e todos a <ins>encher as ruas de todo o mundo <\/ins>para dizer basta de viol\u00eancia machista, pelo fim do capitalismo e pela constru\u00e7\u00e3o do socialismo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Liga Internacional dos Trabalhadores, novembro de 2022<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1999 a ONU instituiu o 25 de novembro como dia internacional pela elimina\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia \u00e0s mulheres. 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