{"id":75263,"date":"2022-11-16T13:13:19","date_gmt":"2022-11-16T13:13:19","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=75263"},"modified":"2022-11-19T13:11:33","modified_gmt":"2022-11-19T13:11:33","slug":"trotskismo-e-estalinismo-polemicas-de-ontem-e-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/11\/16\/trotskismo-e-estalinismo-polemicas-de-ontem-e-hoje\/","title":{"rendered":"Trotskismo e estalinismo, pol\u00eamicas de ontem e hoje"},"content":{"rendered":"\n<p><em>A guerra da Ucr\u00e2nia dividiu as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda pelo mundo, poucas foram as organiza\u00e7\u00f5es que se posicionaram em defesa da resist\u00eancia ucraniana. Algumas se posicionaram contra a guerra, o que na pr\u00e1tica \u00e9 defender a capitula\u00e7\u00e3o ucraniana \u00e0 Putin, e outras defenderam abertamente a invas\u00e3o russa \u00e0 Ucr\u00e2nia. Esse posicionamento escandaloso, como faz o PC em Portugal e em outros pa\u00edses, est\u00e1 assente nas bases ideol\u00f3gicas da corrente burocr\u00e1tica estalinista que, se parecia colocada na lata do lixo da hist\u00f3ria com a queda do Muro e a explos\u00e3o da maior parte dos PCs pelo mundo, agora se faz presente em diversas correntes que se apresentam como revolucion\u00e1rias. Por isso, entender a origem e as bases da corrente estalinista \u00e9 parte da constru\u00e7\u00e3o de um programa para atuar hoje.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Po:r Joana Salay, de Portugal<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estalinismo e trotskismo, correntes opostas no movimento oper\u00e1rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria dos movimentos revolucion\u00e1rios \u00e9 constru\u00edda atrav\u00e9s de pol\u00eamicas. Perante os novos fatos da realidade \u00e9 espect\u00e1vel que surjam diferen\u00e7as sobre como interpretar e atuar. Assim foi feita a hist\u00f3ria das internacionais comunistas, que foram se construindo a partir da experi\u00eancia das lutas da classe oper\u00e1ria internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a degenera\u00e7\u00e3o da URSS e da III Internacional, surgiram duas importantes correntes dentro do movimento oper\u00e1rio que apresentavam vis\u00f5es e programas opostos para o Estado sovi\u00e9tico: trotskismo e estalinismo. A IV internacional, fundada por Trotsky em 1938, \u00e9 a express\u00e3o pol\u00edtica desse processo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo do s\u00e9culo XX o estalinismo foi a principal corrente contrarrevolucion\u00e1ria que intervinha por dentro dos processos revolucion\u00e1rios para os conter e assim garantir o acordo de coexist\u00eancia pac\u00edfica com o imperialismo. E sua influ\u00eancia te\u00f3rico-metodol\u00f3gica permanece em boa parte da esquerda atual.<\/p>\n\n\n\n<p>A LIT se construiu no combate ao processo de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia de burguesa de parte do movimento trotskista, mas tamb\u00e9m no combate sistem\u00e1tico ao estalinismo e suas ideias. \u00c9 por isso que na comemora\u00e7\u00e3o dos 40 anos da nossa organiza\u00e7\u00e3o internacional queremos retomar parte dessas pol\u00eamicas que servem n\u00e3o apenas de aprendizado hist\u00f3rico, mas tamb\u00e9m de li\u00e7\u00f5es para a atua\u00e7\u00e3o do movimento revolucion\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As bases do estalinismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A burocracia sovi\u00e9tica que deu origem \u00e0 corrente estalinista n\u00e3o surgiu como continuidade do programa da revolu\u00e7\u00e3o de 1917, mas sim da sua degenera\u00e7\u00e3o. A guerra civil na R\u00fassia, fruto da contrarrevolu\u00e7\u00e3o burguesa, foi respons\u00e1vel pela morte de parte da vanguarda oper\u00e1ria que fez a revolu\u00e7\u00e3o. Por outro lado, o n\u00e3o avan\u00e7o da revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria em pa\u00edses como a Alemanha, levou a um forte isolamento do Estado sovi\u00e9tico. A burocracia \u00e9 consequ\u00eancia das limita\u00e7\u00f5es que esse processo imp\u00f4s \u00e0 URSS, como uma nova casta social dentro da R\u00fassia, come\u00e7a a disputar os rumos do Estado oper\u00e1rio para a garantia dos seus pr\u00f3prios benef\u00edcios. \u00c9 por isso um sector contrarrevolucion\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1924, Bukharin e Stalin elaboram a teoria do socialismo num s\u00f3 pa\u00eds, defendendo a possibilidade de se chegar ao socialismo na esfera nacional. Esta elabora\u00e7\u00e3o era oposta n\u00e3o s\u00f3 a de Trotsky, mas tamb\u00e9m a de Marx e Engels, que consideravam imposs\u00edvel superar o capitalismo s\u00f3 na esfera nacional e foi base para v\u00e1rios elementos da degenera\u00e7\u00e3o estalinista. \u00c0 frente do Estado sovi\u00e9tico a burocracia criou diversas teorias justificativas de forma a defender os seus privil\u00e9gios. Essas teorias n\u00e3o ficavam restritas apenas \u00e0 URSS, mas atrav\u00e9s da III Internacional, tamb\u00e9m degenerada, era transplantada pelos PCs pelo mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao servi\u00e7o da contrarrevolu\u00e7\u00e3o, a burocracia imp\u00f4s um regime repressivo no interior do Estado sovi\u00e9tico e das organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas bolcheviques. Os conhecidos processos de Moscou \u00e9 a express\u00e3o da persegui\u00e7\u00e3o sanguin\u00e1ria que Stalin teve de fazer contra os seus opositores e principalmente contra os principais dirigentes da revolu\u00e7\u00e3o de 1917.<\/p>\n\n\n\n<p>Para retirar os direitos das mulheres no Estado Oper\u00e1rio, a burocracia criou um culto \u00e0 fam\u00edlia que foi depois aplicado por todos os PCs. O PC italiano, por exemplo, em meados da d\u00e9cada de 1940 era parte de um projeto de defesa da fam\u00edlia como fundamento da nova rep\u00fablica, empenhado em evitar \u201cquest\u00f5es morais divisivas\u201d. Eram contra a legaliza\u00e7\u00e3o do div\u00f3rcio<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\">[1]<\/a>, afirmando que o pa\u00eds n\u00e3o tinha maturidade para \u201clegisla\u00e7\u00f5es t\u00e3o avan\u00e7adas\u201d. O mesmo processo ocorreu com os direitos conquistados pelos outros setores oprimidos como os LGBTIs ou as nacionalidades oprimidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1935, no s\u00e9timo congresso da IC, se oficializa a pol\u00edtica da frente popular como estrat\u00e9gia. A pol\u00edtica que surge como uma resposta ao crescimento do fascismo na Europa, consiste na defesa da unidade pol\u00edtica das organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e revolucion\u00e1rias com setores supostamente progressivos da burguesia. E \u00e9 aplicada permanentemente pelos PCs, levando o estalinismo para a colabora\u00e7\u00e3o com a burguesia e ao desarmamento do movimento oper\u00e1rio para enfrentar a pr\u00f3pria ascens\u00e3o fascista.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim Trotsky sintetiza esta teoria: \u201c<em>A conclus\u00e3o que [os dirigentes stalinistas] tiraram de tudo isso \u00e9 que \u00e9 necess\u00e1ria a&nbsp;<\/em><strong><em>s\u00f3lida unidade de todas as for\u00e7as \u2018democr\u00e1ticas\u2019 e \u2018progressistas\u2019<\/em><\/strong><em>, de todos os \u2018amigos da paz\u2019 (essa express\u00e3o existe) para a defesa da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, por um lado, e da democracia ocidental, por outro (\u2026) O eixo de todas as discuss\u00f5es no congresso foi a \u00faltima experi\u00eancia na Fran\u00e7a sob a forma da chamada \u2018Frente Popular\u2019, que era um bloco de tr\u00eas partidos: Comunista, Socialista e Radical<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A teoria das frentes populares foi aplicada de distintas formas pelo mundo, mas a sua ess\u00eancia foi sempre a mesma: buscar o campo burgu\u00eas progressivo<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O surgimento de novos Estados Oper\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da pol\u00edtica contrarrevolucion\u00e1ria do estalinismo, aconteceram no p\u00f3s-guerra diversos processos revolucion\u00e1rios que acabaram por expropriar a burguesia e criar novos Estados Oper\u00e1rios, como foi o processo Cubano e Chin\u00eas, Estados que j\u00e1 nascem sem que a classe oper\u00e1ria exercesse o poder. Nas d\u00e9cadas de 1960 e 1970 essas burocracias adotaram a estrat\u00e9gia da guerrilha que ganhou a ades\u00e3o de milhares de ativistas, levando inclusive \u00e0 ruptura do PC Chin\u00eas com o Kremlin. No entanto, essa ruptura n\u00e3o era pol\u00edtica, pois continuaram a defender a unidade com setores progressistas das burguesias nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 inclusive Mao Tse Tung quem vai dar um corpo te\u00f3rico \u00e0 teoria da Frente Popular, com a teoria das contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201c<em>Quando o imperialismo desata uma guerra de agress\u00e3o contra um pa\u00eds [semicolonial], as diferentes classes deste, com exce\u00e7\u00e3o de um pequeno n\u00famero de traidores, podem se unir em uma guerra nacional contra o imperialismo. Ent\u00e3o, a contradi\u00e7\u00e3o entre o imperialismo e o pa\u00eds em quest\u00e3o passa a ser a contradi\u00e7\u00e3o principal, enquanto todas as contradi\u00e7\u00f5es entre as diferentes classes no pa\u00eds ficam relegadas temporariamente a uma posi\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria e subordinada (\u2026) Desse modo, se num processo h\u00e1 v\u00e1rias contradi\u00e7\u00f5es, necessariamente uma delas \u00e9 a principal, a que desempenha o papel dirigente e decisivo, enquanto as demais ocupam uma posi\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria e subordinada. Portanto, ao estudar qualquer processo complexo em que existam duas ou mais contradi\u00e7\u00f5es, devemos nos esfor\u00e7ar ao m\u00e1ximo para descobrir a contradi\u00e7\u00e3o principal<\/em>.\u201d<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em ess\u00eancia, maoismo e estalinismo acabam por servir ao mesmo projeto estrat\u00e9gico de concilia\u00e7\u00e3o de classes, oposto ao princ\u00edpio revolucion\u00e1rio de independ\u00eancia de classe como condi\u00e7\u00e3o para a revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A restaura\u00e7\u00e3o capitalista e a explos\u00e3o do Leste<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O chamado per\u00edodo de \u201cdesestaliniza\u00e7\u00e3o\u201d iniciado a partir do XX Congresso do PCUS, no qual Nikita Kruschev apresentou seu famoso informe secreto que denunciou os crimes de Stalin, n\u00e3o significou uma ruptura com a ess\u00eancia do estalinismo: a coexist\u00eancia pac\u00edfica com o imperialismo, o abandono da revolu\u00e7\u00e3o mundial, a nega\u00e7\u00e3o da democracia oper\u00e1ria, a pol\u00edtica internacional de colabora\u00e7\u00e3o de classes por meio das frentes populares e, a partir de tudo isso, as sistem\u00e1ticas trai\u00e7\u00f5es a todas as revolu\u00e7\u00f5es que amea\u00e7assem seus interesses e seus acordos com a burguesia e o imperialismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por n\u00e3o ter havido uma ruptura de conte\u00fado com o programa estalinista, \u00e9 que destas correntes oriundas do estalinismo, n\u00e3o surgiu qualquer oposi\u00e7\u00e3o ao processo de restaura\u00e7\u00e3o capitalista que foi ocorrendo na URSS, independentemente das cr\u00edticas que alguns possam ter feito \u00e0 falta de democracia interna. Ap\u00f3s se tornar secret\u00e1rio-geral do partido comunista da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em 1985, Gorbachov e a burocracia do PCUS iniciaram a Perestroika e a Glasnot, introduzindo mudan\u00e7as na economia e nas rela\u00e7\u00f5es internacionais e aprofundando a restaura\u00e7\u00e3o capitalista. A previs\u00e3o de Trotsky se confirmou e a burocracia, convertida no agente da burguesia mundial no Estado Oper\u00e1rio, destruiu as formas de propriedade socializadas e restaurou o capitalismo. &nbsp;E o estalinismo com anos de degenera\u00e7\u00e3o e colabora\u00e7\u00e3o de classes foi se adaptando e se transformando diretamente num programa burgu\u00eas, sem nunca deixarem de ser estalinistas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/AP-Muro-de-Berlin-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-65654\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/AP-Muro-de-Berlin-2.jpg 800w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/AP-Muro-de-Berlin-2-300x169.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/AP-Muro-de-Berlin-2-768x432.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/AP-Muro-de-Berlin-2-150x84.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/AP-Muro-de-Berlin-2-696x392.jpg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Queda do muro de Berlim, 1989<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Por isso, a queda do Muro em 1989 levou \u00e0 desmoraliza\u00e7\u00e3o dos partidos comunistas pelo mundo. Ficou escancarado que a restaura\u00e7\u00e3o capitalista havia ocorrido pelas m\u00e3os da pr\u00f3pria burocracia, sem qualquer invas\u00e3o imperialista, como havia vaticinado Trotsky j\u00e1 em 1938: \u201c<em>O prolongamento de seu dom\u00ednio (da burocracia) abala, cada dia mais, os elementos socialistas da economia e aumenta as chances de restaura\u00e7\u00e3o capitalista.\u201d<\/em><a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O trotskismo se formou como corrente pol\u00edtica revolucion\u00e1ria afirmando que para impedir a restaura\u00e7\u00e3o capitalista na URSS seria necess\u00e1ria uma revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que retirasse a burocracia do poder e colocasse de volta o Estado oper\u00e1rio nas m\u00e3os na classe oper\u00e1ria. N\u00e3o tendo ocorrido a revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, a burocracia acabou por restaurar o capitalismo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estalinismo hoje<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de as teorias estalinistas terem se demonstrado contrarrevolucion\u00e1rias e ineficazes para a luta da classe trabalhadora, come\u00e7am a (re)aparecer novos grupos que de forma aberta ou escamoteada defendem a ess\u00eancia do estalinismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Domenico Losurdo, historiador italiano, \u00e9 usado como refer\u00eancia para a maior parte destes grupos. Losurdo se diz n\u00e3o estalinista, mas a sua elabora\u00e7\u00e3o tem com centro justificar os absurdos cometidos pelo estalinismo. Utiliza as repress\u00f5es imperialistas como forma de justificar a repress\u00e3o estalinista. \u00c9 evidente que o imperialismo usa, usou e usar\u00e1 da repress\u00e3o para defender seus interesses. Do mesmo m\u00e9todo se utilizou a burocracia estalinista, da repress\u00e3o \u00e0 vanguarda prolet\u00e1ria no mundo para defender os interesses da burocracia e n\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o. Um racioc\u00ednio semelhante faz Francisco Martins Rodrigues, portugu\u00eas que rompe com o PCP a partir da critica \u00e0 teoria da frente popular, mas continua a justificar os m\u00e9todos e trai\u00e7\u00f5es estalinistas como um mal necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"739\" height=\"416\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/23760-000_1br42w-739_416.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-65760\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/23760-000_1br42w-739_416.jpg 739w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/23760-000_1br42w-739_416-300x169.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/23760-000_1br42w-739_416-150x84.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/23760-000_1br42w-739_416-696x392.jpg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 739px) 100vw, 739px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O balan\u00e7o hist\u00f3rico do stalinismo \u00e9 a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo nos ex Estados oper\u00e1rios<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Acreditamos que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel um programa revolucion\u00e1rio sem ter uma aprecia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica perante a atua\u00e7\u00e3o e elabora\u00e7\u00e3o estalinista. E assim voltamos ao in\u00edcio deste texto, as posi\u00e7\u00f5es de alguns grupos da esquerda sobre a guerra da Ucr\u00e2nia, por exemplo, n\u00e3o \u00e9 mera obra do acaso. A defesa de Putin e da invas\u00e3o russa \u00e0 Ucr\u00e2nia est\u00e1 assente na teoria dos campos progressivos onde, aparentemente, Putin enfrenta os interesses do imperialismo e a Ucr\u00e2nia seria representante dos EUA e da OTAN. Essa posi\u00e7\u00e3o simplesmente ignora que h\u00e1 uma invas\u00e3o militar \u00e0 uma na\u00e7\u00e3o historicamente oprimida e acaba por capitular \u00e0 burguesia Russa, que muito tem a lucrar com a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia. N\u00e3o existe um campo burgu\u00eas progressivo e \u00e0 classe trabalhadora do mundo todo interessa defender a resist\u00eancia ucraniana que se enfrenta diretamente com os v\u00e1rios campos burgueses envolvidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Vemos a mesma justificativa te\u00f3rica aparecer agora com a ascens\u00e3o da extrema direita. Sustentam que frente \u00e0 amea\u00e7a fascista, as organiza\u00e7\u00f5es prolet\u00e1rias deveriam aderir \u00e0 uma frente ampla que defenda a democracia contra o fascismo. Ainda que seja correto construir uma unidade de a\u00e7\u00e3o contra as for\u00e7as golpistas, a ades\u00e3o pol\u00edtica \u00e0 frente ampla leva a derrota estrat\u00e9gica da classe trabalhadora. Como fizeram, por exemplo, o PCB e a UP no Brasil, se somando \u00e0 campanha do PT de forma acr\u00edtica, ajudando a criar mais ilus\u00f5es na frente ampla com a burguesia.<\/p>\n\n\n\n<p>E, ao servi\u00e7o dos campos burgueses progressivos, se necess\u00e1rio o estalinismo pode n\u00e3o s\u00f3 apoiar acriticamente a frente popular como tamb\u00e9m aderir aos governos burgueses, como fez o PCP que esteve 6 anos a sustentar um Governo do PS que manteve todos os requisitos de austeridade da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n\n\n\n<p>No Chile, o PC participou do governo neoliberal de Bachelet, e agora, mesmo depois da revolu\u00e7\u00e3o, prop\u00f5e um programa por dentro do regime e da institucionalidade burguesa. A sua atua\u00e7\u00e3o na Assembleia Constituinte foi de mediador e n\u00e3o de representante dos interesses dos trabalhadores. \u201cAmea\u00e7ou rodear de mobiliza\u00e7\u00f5es a Conven\u00e7ao Constitucional e nunca cumpriu. Dentro da conven\u00e7\u00e3o, votavam a favor de algumas propostas mais \u201cradicais\u201d para n\u00e3o perder o contacto com os setores independentes e n\u00e3o se queimarem com a popula\u00e7\u00e3o. No entanto, o verdadeiro papel do PC era funcionar como uma liga\u00e7\u00e3o entre os setores mais radicais e o PS e Frente Ampla. Quando as posi\u00e7\u00f5es mais radicais eram derrotadas, o PC ajudava a conduzir as negocia\u00e7\u00f5es entre independentes e partidos. E enquanto tinham um discurso radical na conven\u00e7\u00e3o, faziam exatamente o contr\u00e1rio no governo. Enquanto votavam a favor da nacionaliza\u00e7\u00e3o do cobre, sua porta voz no Governo, Camila Vallejo, dizia na televis\u00e3o que n\u00e3o haveria nacionaliza\u00e7\u00e3o, tranquilizando os grandes empres\u00e1rios.\u201d<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>De conte\u00fado, os setores estalinistas, novos e antigos, mant\u00eam o m\u00e9todo de abandono do crit\u00e9rio de classe para analisar os processos pol\u00edticos e defendem um suposto campo progressivo a qualquer custo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A continuidade do trotskismo como oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s trai\u00e7\u00f5es estalinistas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Liga Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional foi e \u00e9 parte ativa no combate \u00e0s pol\u00edticas contrarrevolucion\u00e1rias do estalinismo. Combatemos ativamente o guerrilheirismo que, com a vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o cubana, foi apresentado para a vanguarda latino-americana como t\u00e1tica permanente para todos os pa\u00edses, e acabou por levar \u00e0 derrota a vanguarda de toda uma gera\u00e7\u00e3o incluindo parte importante do trotskismo. Combatemos tamb\u00e9m as chamadas frentes populares e suas variantes. Tendo como exemplo o processo Franc\u00eas de 1981 quando o PCF aderiu ao Governo de Miterrand, combatemos n\u00e3o s\u00f3 o PC, mas tamb\u00e9m setores trotskistas que tinham uma pol\u00edtica de capitula\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao governo, como a corrente lambertista. Constru\u00edmos a nossa corrente combatendo os m\u00e9todos do estalinismo, de mentiras, cal\u00fanias, repress\u00e3o e falta de democracia oper\u00e1ria. E muitas vezes em oposi\u00e7\u00e3o aos partidos estalinistas, fomos vanguarda e parte ativa da luta dos setores oprimidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Passados 40 anos da nossa funda\u00e7\u00e3o, estamos convencidos que a realidade nos brinda com novos desafios que exige dos revolucion\u00e1rios uma atualiza\u00e7\u00e3o program\u00e1tica. No entanto, responder aos novos desafios, passa tamb\u00e9m por resgatar e aprender com as li\u00e7\u00f5es do passado. E frente a estes novos fen\u00f3menos n\u00e3o vale a pena reeditar pol\u00edticas que se mostraram equivocadas, mas sim, buscar construir junto da classe trabalhadora um programa que responda aos problemas da atualidade e parta dos princ\u00edpios fundamentais do movimento revolucion\u00e1rio: a independ\u00eancia de classe e a defesa da ditadura do proletariado.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> <a href=\"https:\/\/storicamente.org\/italian_divorce\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/storicamente.org\/italian_divorce<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a><em>O congresso de liquida\u00e7\u00e3o da Comintern<\/em>, em&nbsp;<em>Escritos<\/em>, T. VII, vol. 1, pp. 133 e 135-6<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\"><strong>[3]<\/strong><\/a> Nahuel Moreno, A teoria dos \u201ccampos burgueses progressivos\u201d, 1982.<\/h6>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> Mao,&nbsp;<em>Obras Escolhidas<\/em>, T. I<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> Leon Trotsky \u2013 Programa de Transi\u00e7\u00e3o: A agonia mortal do capitalismo e as tarefas da Quarta Internacional<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> https:\/\/www.vozdelostrabajadores.cl\/a-3-anos-del-18-de-octubre-donde-estamos-como-seguimos<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A guerra da Ucr\u00e2nia dividiu as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda pelo mundo, poucas foram as organiza\u00e7\u00f5es que se posicionaram em defesa da resist\u00eancia ucraniana. Algumas se posicionaram contra a guerra, o que na pr\u00e1tica \u00e9 defender a capitula\u00e7\u00e3o ucraniana \u00e0 Putin, e outras defenderam abertamente a invas\u00e3o russa \u00e0 Ucr\u00e2nia. 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