{"id":75234,"date":"2022-11-15T11:13:30","date_gmt":"2022-11-15T11:13:30","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=75234"},"modified":"2022-11-20T13:53:21","modified_gmt":"2022-11-20T13:53:21","slug":"historia-entrelaca-movimento-operario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/11\/15\/historia-entrelaca-movimento-operario\/","title":{"rendered":"Uma hist\u00f3ria que se entrela\u00e7a com o movimento oper\u00e1rio"},"content":{"rendered":"\n<p><em>A comemora\u00e7\u00e3o dos 40 anos da funda\u00e7\u00e3o da atual LIT-QI oferece a oportunidade de resgatar elementos basilares da nossa corrente pol\u00edtica, que tem quase o dobro de antiguidade. Nosso presente s\u00f3 pode ser explicado por um passado, pela totalidade entre teoria-programa-pr\u00e1xis que moldou a vida partid\u00e1ria de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es. Um dos pilares fundacionais que continua sustentando a LIT-QI \u00e9 sua compreens\u00e3o do &#8211; e, sobretudo, sua interven\u00e7\u00e3o no \u2013 proletariado industrial, concebido como sujeito social da revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Por: Daniel Sugasti<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Frequentemente nos referimos \u00e0 ofensiva ideol\u00f3gica que o imperialismo instrumentou contra o marxismo \u2013 que anunciou a suposta vit\u00f3ria definitiva do capitalismo sobre o socialismo \u2013 depois da restaura\u00e7\u00e3o da economia de mercado nos ex Estados oper\u00e1rios do Leste europeu, China e Cuba<\/em><a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a><em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A cantilena da derrota e do fim do socialismo causou estragos. Incont\u00e1veis organiza\u00e7\u00f5es que se reivindicavam de esquerda em todo o mundo, inclusive milhares de militantes revolucion\u00e1rios, degeneraram program\u00e1tica, pol\u00edtica, e at\u00e9 moralmente. O processo de capitula\u00e7\u00e3o te\u00f3rico-pol\u00edtica tamb\u00e9m arrasou com partidos que se reivindicavam trotskistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo ficou questionado: a luta de classes; a possibilidade de derrotar o imperialismo; a necessidade \u2013 e a possibilidade \u2013 de tomar o poder e destruir o Estado burgu\u00eas pela via insurrecional; a validade da constru\u00e7\u00e3o de partidos nacionais e de um Partido Mundial, segundo as li\u00e7\u00f5es dos quatro primeiros congressos da III Internacional; entre outros aspectos centrais do programa marxista.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m se renegou o papel que o marxismo atribui ao proletariado industrial como sujeito social da revolu\u00e7\u00e3o socialista. Nos \u00faltimos 30 anos, uma legi\u00e3o de ONGs e de intelectuais ditos progressistas, e at\u00e9 marxistas, empreenderam a tarefa de demonstrar a suposta esterilidade pol\u00edtica ou a \u201cdesapari\u00e7\u00e3o f\u00edsica\u201d do proletariado industrial<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, ao mesmo tempo em que se esfor\u00e7am para apontar a centralidade de \u201cnovos sujeitos\u201d nos processos pol\u00edticos atuais: a \u201ccidadania global\u201d<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, \u201cindignados\u201d, \u201cprecarizado\u201d, \u201co povo\u201d, ou uma conflu\u00eancia de movimentos identit\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos que nenhuma defini\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 desinteressada. Toda essa terminologia est\u00e1 a servi\u00e7o de uma opera\u00e7\u00e3o te\u00f3rico-ideol\u00f3gica concreta: negar a premissa da luta de classes como motor da hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Em ess\u00eancia, nos dizem que a contradi\u00e7\u00e3o principal da sociedade capitalista j\u00e1 n\u00e3o seria a luta entre a burguesia e o proletariado, mas entre \u201ca casta\u201d e \u201co povo\u201d; entre os \u201cmercados\u201d e os \u201ccidad\u00e3os\u201d, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Recorrer \u00e0 teoria marxista \u00e9 indispens\u00e1vel em tempos de confus\u00e3o ideol\u00f3gica. Nesse sentido, \u00e9 imperativo retomar o estudo do pensamento dos mestres do marxismo, \u00e0 luz da experi\u00eancia de quase dois s\u00e9culos de lutas oper\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"696\" height=\"464\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/PSTU-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-70753\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/PSTU-1.jpg 696w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/PSTU-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/PSTU-1-150x100.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"> O programa do trotskismo \u00e9 o programa da classe oper\u00e1ria em a\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Celebrar as quatro d\u00e9cadas da LIT-QI significa seu programa e pr\u00e1xis, a tradi\u00e7\u00e3o de uma corrente. Isto exige falar das ideias e da trajet\u00f3ria de Nahuel Moreno, a quem consideramos o mais l\u00facido e consequente dirigente trotskista da segunda p\u00f3s-guerra. Implica deter-se na concep\u00e7\u00e3o do que hoje \u00e9 a LIT-QI sobre do papel da classe oper\u00e1ria na revolu\u00e7\u00e3o socialista, e da rela\u00e7\u00e3o entre o partido revolucion\u00e1rio e o proletariado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os primeiros anos: o GOM e Villa Pobladora<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos primeiros anos da d\u00e9cada de 1940, o trotskismo argentino n\u00e3o passava de um punhado de pequenos grupos dispersos e sem conex\u00e3o concreta com o movimento dos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua atividade pol\u00edtica se limitava a intermin\u00e1veis reuni\u00f5es, que giravam em torno de discuss\u00f5es abstratas sobre as quest\u00f5es mais diversas.<\/p>\n\n\n\n<p>O ponto de encontro desse trotskismo pequeno burgu\u00eas, muito bo\u00eamio e contemplativo, eram os tradicionais caf\u00e9s de Buenos Aires. Nahuel Moreno depois caracterizaria esse ambiente est\u00e9ril dizendo: <em>\u201centre os anos \u201940 e \u201943, o trotskismo era uma festa\u201d<\/em><a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\"><em><strong>[4]<\/strong><\/em><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1943, Moreno e outros jovens rompem com esses m\u00e9todos e ambiente, e fundam o Grupo Oper\u00e1rio Marxista (GOM). O n\u00facleo fundacional nasceu no bairro portenho de Villa Crespo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse mesmo ano, Nahuel Moreno havia escrito um documento intitulado \u201cO Partido\u201d, que seria o precursor da nova organiza\u00e7\u00e3o e no qual ficou configurada uma decis\u00e3o que seria determinante para a corrente: os membros do GOM abandonariam \u201ca festa\u201d dos c\u00edrculos intelectuais pr\u00f3prios do \u201ctrotskismo de caf\u00e9\u201d para ligarem-se estreitamente \u00e0 classe oper\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse texto, diz: <em>\u201cMas o urgente, o imediato, hoje como ontem, \u00e9:&nbsp;<\/em><strong><em>aproximar-nos da vanguarda prolet\u00e1ria e recha\u00e7ar como oportunista toda tentativa de desviar desta linha. Mesmo que se apresente como uma tarefa imposs\u00edvel<\/em><\/strong><em>\u201d<\/em><a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\"><em><strong>[5]<\/strong><\/em><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Com esta orienta\u00e7\u00e3o, os membros do GOM tentaram se misturar com a classe oper\u00e1ria, identificar-se com suas lutas e at\u00e9 com seu modo de vida. Eram tempos em que o movimento oper\u00e1rio crescia e era muito din\u00e2mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda em 1943, o grupo participou da principal concentra\u00e7\u00e3o do 1\u00ba. de Maio. N\u00e3o foram mais do que cinco militantes trotskistas que marcharam ao grito de <em>\u201cQuarta\u2026Quarta!\u201d<\/em>. Foram atacados pela juventude do Partido Socialista. Moreno lembraria esse fato com simpatia, comentando uma chacota do companheiro Faraldo, que contava que um oper\u00e1rio, ao ver passar aquela coluna que gritava <em>\u201cQuarta\u2026Quarta!\u201d<\/em>, exclamou: <em>\u201c\u00c9 verdade\u2026 s\u00e3o quatro\u201d<\/em><a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\"><em><strong>[6]<\/strong><\/em><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 1943 e 1944, o GOM percorria as f\u00e1bricas, participava de conflitos sindicais, visitava as casas dos oper\u00e1rios, fazia colagem de cartazes, pichava paredes com consignas pol\u00edticas, editava panfletos com textos cl\u00e1ssicos &#8211; <em>Cadernos Marxistas, Edi\u00e7\u00f5es Outubro<\/em>\u2013, al\u00e9m de elaborar os interessantes \u201cBoletins de discuss\u00e3o do GOM\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"480\" height=\"662\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/IMG_3128-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-75252\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/IMG_3128-1.jpg 480w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/IMG_3128-1-218x300.jpg 218w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/IMG_3128-1-150x207.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/IMG_3128-1-300x414.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cartaz do GOM sobre um anivers\u00e1rio da Revolu\u00e7\u00e3o Russa<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m foi em abril de 1945, quando eclodiu a greve do frigor\u00edfico Anglo-Ciabasa, que se apresentou a primeira oportunidade para dar um salto importante. Os jovens trotskistas entraram com tudo para intervir na luta daquela que era uma das f\u00e1bricas mais importantes do pa\u00eds, com cerca de 12.000 oper\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>A participa\u00e7\u00e3o decidida do grupo lhes permitiu ganhar a quase totalidade do Comit\u00ea de F\u00e1brica<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a>. Moreno contava que, a partir dessa greve, <em>\u201cfizemos uma esp\u00e9cie de comuna em Avellaneda: desviamos o tr\u00e2nsito e n\u00e3o era poss\u00edvel circular sem uma carteirinha do sindicato\u201d<\/em><a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\"><em><strong>[8]<\/strong><\/em><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Os militantes do GOM mudam-se para Villa Pobladora, o principal centro industrial da Argentina naqueles anos, e um dos maiores na Am\u00e9rica Latina. Al\u00e9m de sua interven\u00e7\u00e3o na greve e os sindicatos dos trabalhadores da carne, passaram a dirigir meia comiss\u00e3o diretiva da SIAM, ent\u00e3o a maior metal\u00fargica do pa\u00eds. Tamb\u00e9m orientaram a funda\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios sindicatos importantes, como a Federa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores da Carne e a Associa\u00e7\u00e3o Oper\u00e1ria T\u00eaxtil. Dirigiam, al\u00e9m disso, f\u00e1bricas de tubos de cimento, de couro, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Sempre com o objetivo de inserir-se na realidade oper\u00e1ria, o GOM avan\u00e7ou em sua inser\u00e7\u00e3o dentro do bairro, a tal ponto que Nahuel Moreno chegou a ser presidente do clube de bairro \u201cCora\u00e7\u00f5es Unidos\u201d, onde se organizavam desde bailes at\u00e9 cursos e palestras sobre as revolu\u00e7\u00f5es francesa e russa.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir deste trabalho, o pequeno grupo de quatro ou cinco companheiros passou a ser uma centena. Em Villa Pobladora, fazendo cursos para os oper\u00e1rios, misturando-se com as fam\u00edlias oper\u00e1rias e destacando a seus membros nos sindicatos, constru\u00edram um singular \u201cbasti\u00e3o trotskista\u201d, erigido em meio \u00e0 mar\u00e9 peronista que havia inundado o pa\u00eds desde 1945.<\/p>\n\n\n\n<p>A import\u00e2ncia do giro para a classe oper\u00e1ria \u00e9 enorme em nossa hist\u00f3ria. Em um ambiente onde o normal eram os duelos ret\u00f3ricos nos caf\u00e9s portenhos, deixar tudo para ir trabalhar e militar nos frigor\u00edficos e nos bairros oper\u00e1rios n\u00e3o era algo f\u00e1cil nem comum. Os escassos membros do GOM, muitos com menos de vinte anos de idade, bem poderiam ter tomado outro rumo, como entrar ou manter-se na universidade. Mas escolheram outro caminho, o mais dif\u00edcil.<\/p>\n\n\n\n<p>Entenderam o mais importante: entenderam que sem se ligar \u00e0 classe oper\u00e1ria, n\u00e3o existe trotskismo, pois o programa do trotskismo \u00e9 o programa da classe oper\u00e1ria em a\u00e7\u00e3o. Moreno sempre insistiu em que a mobiliza\u00e7\u00e3o permanente da classe oper\u00e1ria, democraticamente auto-organizada, \u00e9 a raz\u00e3o de ser do aut\u00eantico trotskismo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As diferen\u00e7as com a dire\u00e7\u00e3o pablista e mandelista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Neste sentido, a batalha de nossa corrente para que a Quarta Internacional se ligasse \u00e0 classe oper\u00e1ria foi uma constante no chamado movimento trotskista.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta foi uma pol\u00eamica com a dire\u00e7\u00e3o de Michel Pablo e Ernest Mandel. O car\u00e1ter pequeno burgu\u00eas deste setor imprimia distor\u00e7\u00f5es impressionistas e ecl\u00e9ticas em suas an\u00e1lises pol\u00edticas, que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, expressavam concess\u00f5es \u00e0s press\u00f5es dos meios intelectuais europeus. Isto os levava, recorrentemente, a dar giros bruscos e a apoiar politicamente dirigentes e movimentos alheios \u2013 e opostos- \u00e0 classe oper\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Desta forma, capitulavam a qualquer fen\u00f4meno pol\u00edtico que encantasse as chamadas vanguardas e, coerentemente, a toda dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica burocr\u00e1tica, pequeno burguesa e at\u00e9 nacionalista burguesa, que liderasse algum processo de luta importante ou uma revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os nossos diziam que esse trotskismo n\u00e3o passava de seguidismo \u00e0s \u201cmodas pol\u00edticas\u201d. Esta caracter\u00edstica, em \u00faltima inst\u00e2ncia, demonstrava falta de confian\u00e7a no potencial revolucion\u00e1rio do proletariado industrial.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro capitularam ao estalinismo, impressionados pelo enorme prest\u00edgio que adquiriu a partir da derrota do nazi-fascismo e da expropria\u00e7\u00e3o da burguesia no Leste europeu.<\/p>\n\n\n\n<p>A justifica\u00e7\u00e3o te\u00f3rica foi elaborada por Pablo e respaldada por Mandel. Basicamente, davam por iminente uma \u201cterceira guerra mundial\u201d entre o imperialismo estadunidense e a URSS. Em meio a esse curso inevit\u00e1vel, sustentava Pablo, os partidos estalinistas fariam a revolu\u00e7\u00e3o internacional para defender os Estados oper\u00e1rios burocratizados, fonte de seus privil\u00e9gios. A revis\u00e3o era completa: os principais dirigentes da Quarta Internacional concediam um car\u00e1ter revolucion\u00e1rio nada menos que ao aparato contrarrevolucion\u00e1rio mais poderoso da hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Consequentemente, propuseram a linha organizativa de que os partidos trotskistas da Quarta \u201centrassem\u201d e se dissolvessem nos partidos estalinistas. Mas esse \u201centrismo\u201d n\u00e3o era para combater a dire\u00e7\u00e3o desses partidos, mas para \u201caconselh\u00e1-los\u201d no processo de revolu\u00e7\u00e3o mundial que, supostamente, liderariam. O resultado foi desastroso. A Quarta se dividiu pela primeira vez em 1953, a partir de que uma ala n\u00e3o admitiu essa revis\u00e3o. O setor que aplicou a linha do \u201centrismo sui generis\u201d durante 17 anos, desapareceu.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o trotskismo revisionista capitulava ora ao estalinismo, ora ao nacionalismo burgu\u00eas; a Tito, a Mao; \u00e0 dire\u00e7\u00e3o castro-guevarista e sua orienta\u00e7\u00e3o foquista para a Am\u00e9rica Latina; \u00e0 vanguarda estudantil radicalizada surgida durante o Maio franc\u00eas; ao eurocomunismo e ao sandinismo, a corrente orientada por Moreno, embora minorit\u00e1ria, se orientou no sentido oposto e n\u00e3o poupou esfor\u00e7os para inserir-se no movimento oper\u00e1rio, em seus locais de trabalho, concorrendo sempre como uma alternativa de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria para suas lutas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"485\" height=\"255\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/mandel-485x255-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-75253\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/mandel-485x255-1.jpg 485w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/mandel-485x255-1-300x158.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/mandel-485x255-1-150x79.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 485px) 100vw, 485px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mandel, dirigente hist\u00f3rico do ex SU, que Moreno definiu como &#8220;o centro do revisionismo mundial&#8221;. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em 1984, Moreno explicava para uma nova camada de dirigentes partid\u00e1rios a for\u00e7a das press\u00f5es exercidas pelos modismos pol\u00edticos nos anos 1960 e 1970: \u201c<em>No in\u00edcio da d\u00e9cada de \u201960, todo mundo lia Che Guevara e Frantz Fanon. N\u00f3s parec\u00edamos loucos: \u00e9ramos os \u00fanicos que diz\u00edamos que a classe oper\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 olig\u00e1rquica e aristocr\u00e1tica. Eles diziam que t\u00ednhamos que fazer revolu\u00e7\u00f5es contra ela (\u2026) e n\u00f3s diz\u00edamos: \u2018N\u00e3o senhor\u2019 [\u2026]. Dissemos, ent\u00e3o, \u2018a classe oper\u00e1ria vai se mobilizar\u2019. E se mobilizou. Em 1968, sete ou oito anos depois das pol\u00eamicas com Che Guevara [\u2026]\u201d<\/em><a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\"><em><strong>[9]<\/strong><\/em><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta confian\u00e7a no potencial revolucion\u00e1rio do proletariado, segundo Moreno, se baseava em que:<em> \u201cO trotskismo se conecta com o proletariado e s\u00f3 com ele (\u2026)&nbsp;<\/em><strong><em>Seu programa \u00e9 essencialmente oper\u00e1rio.<\/em><\/strong><em>&nbsp;\u00c9 o programa que a classe oper\u00e1ria deve aplicar para conduzir todos os explorados do mundo. Por isso o trotskismo acompanha o proletariado como a sombra ao corpo\u201d<\/em><a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\"><em><strong>[10]<\/strong><\/em><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A obsess\u00e3o na corrente para ligar-se \u00e0 classe oper\u00e1ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aferrando-se a essa vis\u00e3o program\u00e1tica, os partidos nacionais foram sempre orientados a concentrar esfor\u00e7os e recursos para intervir no movimento oper\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A pr\u00f3pria debilidade ou uma determinada situa\u00e7\u00e3o da luta de classes e\/ou do movimento sindical, certamente fizeram com que, ocasionalmente, fossem aplicadas outras t\u00e1ticas, como a constru\u00e7\u00e3o, por determinado per\u00edodo, no movimento estudantil, popular, e inclusive no interior do campesinato pobre. Mas essas iniciativas sempre foram consideradas t\u00e1ticas, movimentos necess\u00e1rios para encurtar a dist\u00e2ncia entre os partidos e o movimento oper\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Na hist\u00f3ria do morenismo, al\u00e9m do caso argentino e sua experi\u00eancia no tempo do PST e do velho MAS, pode-se mencionar o exemplo dos jovens militantes colombianos que foram intervir nas concentra\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias de seu pa\u00eds. Ou o caso do partido espanhol quando concentrou suas for\u00e7as em Getafe, um dos mais importantes centros industriais de Madri. Tamb\u00e9m deve ser destacada a experi\u00eancia do grupo de jovens, muitos deles oriundos do movimento estudantil, que, no final da d\u00e9cada de 1970 e alguns anos antes do surgimento do fen\u00f4meno de Lula e do PT brasileiro, se lan\u00e7ou com aud\u00e1cia a intervir no processo de lutas oper\u00e1rias do ABC paulista, o imenso complexo industrial de S\u00e3o Paulo. Ali participaram de sindicatos e dirigiram oposi\u00e7\u00f5es contra a burocracia sindical, antes e durante o processo de funda\u00e7\u00e3o do PT e da CUT, central oper\u00e1ria onde as teses defendidas pelos trotskistas da ent\u00e3o Converg\u00eancia Socialista nunca tiveram uma influ\u00eancia menor que em 10% dos delegados.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"638\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/WhatsApp-Image-2022-11-13-at-18.55.02.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-75254\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/WhatsApp-Image-2022-11-13-at-18.55.02.jpeg 960w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/WhatsApp-Image-2022-11-13-at-18.55.02-300x199.jpeg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/WhatsApp-Image-2022-11-13-at-18.55.02-768x510.jpeg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/WhatsApp-Image-2022-11-13-at-18.55.02-150x100.jpeg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/WhatsApp-Image-2022-11-13-at-18.55.02-696x463.jpeg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O PSTU brasileiro participa ativamente da CSP-Conlutas<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Atualmente, a LIT-QI desenvolve trabalhos importantes no movimento oper\u00e1rio em v\u00e1rios pa\u00edses, entre eles, Argentina, Brasil, Chile, Col\u00f4mbia, Estado espanhol, It\u00e1lia, Paraguai, Reino Unido, etc.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"540\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/WhatsApp-Image-2022-11-14-at-07.16.37.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-75255\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/WhatsApp-Image-2022-11-14-at-07.16.37.jpeg 720w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/WhatsApp-Image-2022-11-14-at-07.16.37-300x225.jpeg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/WhatsApp-Image-2022-11-14-at-07.16.37-150x113.jpeg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/WhatsApp-Image-2022-11-14-at-07.16.37-696x522.jpeg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mineiros chilenos com a bandeira da LIT-QI<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Uma li\u00e7\u00e3o de ferro: n\u00e3o existem atalhos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em nossos dias, existe uma press\u00e3o muito forte para que os partidos revolucion\u00e1rios se afastem da classe oper\u00e1ria e se aproximem dos \u201cnovos\u201d fen\u00f4menos sociais e pol\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na primeira d\u00e9cada deste s\u00e9culo, a press\u00e3o para tornar-se chavista era quase irresist\u00edvel. H\u00e1 dez anos ou menos, a moda ditava apoiar o projeto do Syriza, Podemos, ou o Bloco de Esquerda. Agora, retornam com todas press\u00f5es para capitular a Lula e ao PT do Brasil, \u00e0 coaliz\u00e3o que Boric lidera no Chile, ou \u00e0 Frente de Todos na Argentina. Sem falar da tend\u00eancia, promovida pelo neoestalinismo, para respaldar ditaduras capitalistas \u2013 at\u00e9 o c\u00famulo de defend\u00ea-las frente \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o de seus povos -, como as de Cuba, China e at\u00e9 a R\u00fassia de Putin, que invade a Ucr\u00e2nia desde fevereiro deste ano.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"638\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/WhatsApp-Image-2022-11-13-at-18.55.02-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-75256\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/WhatsApp-Image-2022-11-13-at-18.55.02-1.jpeg 960w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/WhatsApp-Image-2022-11-13-at-18.55.02-1-300x199.jpeg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/WhatsApp-Image-2022-11-13-at-18.55.02-1-768x510.jpeg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/WhatsApp-Image-2022-11-13-at-18.55.02-1-150x100.jpeg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/WhatsApp-Image-2022-11-13-at-18.55.02-1-696x463.jpeg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A grande tarefa colocada \u00e9 a reconstru\u00e7\u00e3o da IV Internacional, fundada por Trotski em 1938. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Na realidade, isto n\u00e3o \u00e9 algo novo. Essencialmente, \u00e9 a mesma press\u00e3o que sentiram \u2013 e \u00e0 qual se curvaram \u2013 os antigos dirigentes do SU e o SWP, quando se impressionavam com a influ\u00eancia de Castro, Guevara, o Maio franc\u00eas ou o sandinismo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a conhecida press\u00e3o para n\u00e3o ficar \u201cisolados\u201d; a ideia de que, navegando a favor da corrente, finalmente se poder\u00e1 \u201cromper a marginalidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste sentido, Moreno deixou uma imensa li\u00e7\u00e3o \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es de revolucion\u00e1rios\/as. Um ensinamento que a LIT-QI mant\u00e9m at\u00e9 hoje. Sempre buscamos o \u201ccaminho \u00e0s massas\u201d. Mas a luta para fazer parte dos processos vivos da luta de classes e para construir o partido e a Internacional nunca significou nenhum tipo de afastamento dos princ\u00edpios, nem do programa revolucion\u00e1rio nem da classe oper\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto n\u00e3o significa que Moreno e nossa corrente tenham sido imunes \u00e0s press\u00f5es do movimento de massas e dos aparatos que o controlavam. Isto \u00e9 inevit\u00e1vel. A constru\u00e7\u00e3o de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria \u00e9 uma luta constante contra o oportunismo e o sectarismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Moreno, tentando educar metodologicamente o partido, n\u00e3o se cansava de reconhecer publicamente seus erros e desvios, pois estava convencido de que essa era a \u00fanica forma de encarar seriamente uma retifica\u00e7\u00e3o. A hist\u00f3ria da nossa corrente \u00e9 a hist\u00f3ria de seus erros, dizia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o fato de ter podido superar essas press\u00f5es, \u00e0s vezes a um custo muito alto, fez com que a confian\u00e7a de Moreno na for\u00e7a criadora da classe oper\u00e1ria se tornasse mais forte, \u00e0 luz da experi\u00eancia. Compreendeu que n\u00e3o existiam atalhos para o poder, que sem a classe oper\u00e1ria simplesmente n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a ditadura revolucion\u00e1ria do proletariado nem a estrat\u00e9gia da revolu\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta li\u00e7\u00e3o, indispens\u00e1vel para nossos dias, ficou imortalizada pouco antes de sua morte em janeiro de 1987.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>N\u00e3o h\u00e1 forma de enganar o processo hist\u00f3rico e de classe [\u2026] Eu me refiro ao car\u00e1ter de classe. N\u00f3s buscamos e dirigir o proletariado, jamais nos afastamos dele. Isto n\u00e3o \u00e9 declama\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma pol\u00edtica internacional de classe que se desprende de uma an\u00e1lise te\u00f3rica profunda.<strong> N\u00e3o h\u00e1 truque pol\u00edtico que valha<\/strong>. De nada serve mentir, dizer ao campesinato que somos campesinos, com o objetivo de fazer uma revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria. Se a classe oper\u00e1ria n\u00e3o nos seguir, n\u00e3o chegamos a lugar nenhum. Nos burocratizamos, capitulamos ao campesinato. \u00c9 inconceb\u00edvel fazer a revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria sem o proletariado [\u2026]. Ao longo da minha vida pol\u00edtica, depois, por exemplo, de olhar com simpatia o regime que surgiu da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, cheguei \u00e0 conclus\u00e3o de que <strong>\u00e9 necess\u00e1rio continuar com a pol\u00edtica revolucion\u00e1ria de classe, ainda que postergue a chegada ao poder para n\u00f3s em vinte ou trinta anos, ou o que seja. <\/strong>N\u00f3s aspiramos que seja a classe oper\u00e1ria a que verdadeiramente chegue ao poder, por isso queremos dirigi-la\u201d<\/em><a href=\"#_ftn11\" id=\"_ftnref11\"><em><strong>[11]<\/strong><\/em><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Sobre este fato, consultar: HERN\u00c1NDEZ, Mart\u00edn. Um aluvi\u00e3o oportunista percorre o mundo: sobre os caminhos da esquerda. Revista Marxismo Vivo. S\u00e3o Paulo, n\u00b0 9, 2004, pp. 51-55; HERN\u00c1NDEZ, Mart\u00edn. Um aluvi\u00e3o oportunista II. Revista Marxismo Vivo. S\u00e3o Paulo, n\u00b0 10, 2004, pp. 119-128.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> GORZ, Andr\u00e9.&nbsp;<em>Adeus ao Proletariado<\/em>: Para Al\u00e9m do Socialismo. Rio de Janeiro: Forende Universit\u00e1ria, 1982.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> Para a discuss\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o entre o conceito de \u201ccidadania\u201d e a independ\u00eancia de classe, ver: WELMOWICKI, Jos\u00e9. O discurso da cidadania e a independ\u00eancia de classe.&nbsp;<em>Revista Marxismo Vivo<\/em>. S\u00e3o Paulo, n\u00b01, 2000, pp. 66-77; WELMOWICKI, Jos\u00e9. Cidadania, democracia e sociedade civil: o retorno de Eduard Bernstein.&nbsp;<em>Revista Marxismo Vivo<\/em>. S\u00e3o Paulo, no. 4, 2001, pp. 111-123.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> CARRASCO, Carmen; CUELLO, Hern\u00e1n. Esbo\u00e7o biogr\u00e1fico de Nahuel Moreno. Revista Correio Internacional. Buenos Aires, Edi\u00e7\u00e3o especial, 1988, p. 7.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> MORENO, Nahuel. O Partido. Revista Marxismo Vivo Nueva \u00c9poca. S\u00e3o Paulo, n\u00b01, 2010, p. 211.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> GONZ\u00c1LEZ, Ernesto (Org.). O trotskismo oper\u00e1rio e internacionalista na Argentina. Tomo I: do GOM \u00e0 Federa\u00e7\u00e3o Bonaerense do PSRN (1943-1955). Buenos Aires: Editorial Ant\u00eddoto, 1995, p. 84.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> SAGRA, Alicia. Hist\u00f3ria da LIT-QI. Dispon\u00edvel em: https:\/\/litci.org\/pt\/um-breve-esboco-da-historia-da-lit-qi\/&gt;, consultado em 04\/11\/2022.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> CARRASCO, Carmen; CUELLO, Hern\u00e1n. Esbo\u00e7o biogr\u00e1fico de Nahuel Moreno\u2026, op. cit., p. 9.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a> MORENO, Nahuel.<em> Escola de quadros: Argentina, 1984. <\/em><em>Buenos Aires: Crux Ediciones, 1992, <\/em>pp. 52-53.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\">[10]<\/a> MORENO, Nahuel<em>. Conversando com Moreno<\/em>. S\u00e3o Paulo: Editora Sundermann, 2005. p. 63.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn11\" href=\"#_ftnref11\">[11]<\/a> Idem, pp. 64-65. Destaque nosso.<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A comemora\u00e7\u00e3o dos 40 anos da funda\u00e7\u00e3o da atual LIT-QI oferece a oportunidade de resgatar elementos basilares da nossa corrente pol\u00edtica, que tem quase o dobro de antiguidade. Nosso presente s\u00f3 pode ser explicado por um passado, pela totalidade entre teoria-programa-pr\u00e1xis que moldou a vida partid\u00e1ria de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es. 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