{"id":75178,"date":"2022-11-09T00:08:06","date_gmt":"2022-11-09T00:08:06","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=75178"},"modified":"2022-11-09T00:08:08","modified_gmt":"2022-11-09T00:08:08","slug":"capitalismo-em-decadencia-pequena-burguesia-em-crise-fascismo-a-atualidade-da-analise-de-trotsky","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/11\/09\/capitalismo-em-decadencia-pequena-burguesia-em-crise-fascismo-a-atualidade-da-analise-de-trotsky\/","title":{"rendered":"Capitalismo em decad\u00eancia, pequena burguesia em crise, fascismo: <strong>a atualidade da an\u00e1lise de Trotsky<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p>Republicamos aqui um artigo \u2013 que j\u00e1 saiu em nossa revista te\u00f3rica <em>Trotskysmo Oggi<\/em> em 2018 \u2013 que resume a an\u00e1lise que Trotsky fez do fascismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por: Fabiana Stefanoni<\/p>\n\n\n\n<p>O debate sobre a natureza do fascismo \u00e9 um debate, infelizmente, extremamente atual. Em toda a Europa e no mundo est\u00e1 se difundindo e, cada vez mais, dando origem a novas organiza\u00e7\u00f5es e grupos fascistas que, usando a crise econ\u00f4mica e a mis\u00e9ria das massas como alavanca, fomentam a xenofobia e o \u00f3dio racial, n\u00e3o deixam de colocar em pr\u00e1tica atos de viol\u00eancia miliciana (1). Para al\u00e9m das instrumentaliza\u00e7\u00f5es que a imprensa e os meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa fazem desses fen\u00f4menos \u2013 geralmente,&nbsp; sobretudo na campanha eleitoral, os partidos burgueses gritam \u201cperigo fascista\u201d apenas&nbsp; para ganhar alguns votos&nbsp; \u00e0s custas dos partidos populistas \u2013 \u00e9 um fato real que o contexto atual de crise econ\u00f4mica e social tem muitos tra\u00e7os em comum com aquele dos anos vinte e trinta do s\u00e9culo XX. A hist\u00f3ria nunca se repete igual a si mesma: seria profundamente incorreto criar analogias hist\u00f3ricas mec\u00e2nicas ignorando as especificidades de contextos diferentes. Mas seguramente reler as caracteriza\u00e7\u00f5es que Trotsky fez do fascismo do s\u00e9culo passado na It\u00e1lia e na Alemanha \u00e9 \u00fatil para compreender tamb\u00e9m os fen\u00f4menos atuais. Nos ajuda, por exemplo, n\u00e3o utilizar inadequadamente a palavra fascismo, confundindo-a com outros tipos de regime (por exemplo, uma ditadura bonapartista). Compreender a especificidade de um fen\u00f4meno hist\u00f3rico \u00e9 a premissa para opor-se ao seu reaparecimento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma an\u00e1lise de classe<\/strong><br>Primeiramente, deve-se afirmar que aquela forma particular de regime burgu\u00eas definida como fascismo est\u00e1 enquadrada no contexto do capitalismo em decad\u00eancia. Se, na fase de ascens\u00e3o do capitalismo, a burguesia privilegiou m\u00e9todos revolucion\u00e1rios (pensamos nas grandes revolu\u00e7\u00f5es da Idade Moderna), se na fase de estabiliza\u00e7\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o do sistema, optou por \u201cformas democr\u00e1ticas, ordenadas, pac\u00edficas, conservadoras, democr\u00e1ticas\u201d de domina\u00e7\u00e3o, tudo muda quando, com a ascens\u00e3o do imperialismo no final do s\u00e9culo XIX, a burguesia come\u00e7ou a utilizar m\u00e9todos de \u201cguerra civil\u201d contra o proletariado para defender o seu \u201cdireito \u00e0 explora\u00e7\u00e3o\u201d (2). \u00c9 aquela que Trotsky chama de fase da rea\u00e7\u00e3o capitalista, que \u00e9 tanto mais violenta quanto mais se desenvolveu, na fase hist\u00f3rica anterior,\u00a0 as for\u00e7as produtivas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma din\u00e2mica bem analisada por Trotsky em diversos escritos e que n\u00e3o casualmente encontramos inclusive nas p\u00e1ginas iniciais do Programa de Transi\u00e7\u00e3o (3). O quadro hoje \u00e9 muito similar \u00e0quele dos anos 1930, com uma crise geral do capitalismo que leva grandes massas a uma condi\u00e7\u00e3o de indig\u00eancia e pobreza extrema. Se depois da Segunda Guerra Mundial a economia capitalista havia conhecido uma fase de relativo crescimento econ\u00f4mico, hoje nos encontramos empurrados a um contexto de putrefa\u00e7\u00e3o e estagna\u00e7\u00e3o que, sem uma revolu\u00e7\u00e3o socialista, se arrisca a levar a humanidade para uma cat\u00e1strofe.<\/p>\n\n\n\n<p>Por que em uma fase de decl\u00ednio capitalista a burguesia decide utilizar m\u00e9todos de guerra aberta contra o proletariado, at\u00e9 chegar a jogar \u2013 como veremos \u2013 a carta do fascismo? Podemos encontrar a resposta analisando as rela\u00e7\u00f5es entre as classes. A grande burguesia \u00e9 uma classe poderosa porque \u00e9 dona dos meios de produ\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, do ponto de vista num\u00e9rico, representa uma \u00ednfima minoria da popula\u00e7\u00e3o e, por isso, precisa apoiar-se sobre a pequena burguesia para manter a sua domina\u00e7\u00e3o est\u00e1vel, ou seja, no conjunto \u2013 amplo, heterog\u00eaneo e estratificado \u2013 de todas aquelas camadas sociais que n\u00e3o est\u00e3o nem na classe dos capitalistas nem do proletariado. Mais precisamente, gra\u00e7as aos setores pequeno burgueses \u00e0 frente dos partidos e dos sindicatos reformistas, a grande burguesia arrasta atr\u00e1s de si, milh\u00f5es de oper\u00e1rios. Ao mesmo tempo, nas fases em que se abre uma crise social \u2013 que s\u00e3o tamb\u00e9m, dialeticamente, como veremos, as fases nas quais se abre uma situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria \u2013 quando as tens\u00f5es entre capitalistas e classe oper\u00e1ria se agudizam, uma parte da grande burguesia come\u00e7a a olhar com desconfian\u00e7a para a \u201cburocracia oper\u00e1ria\u201d, porque n\u00e3o oferece resultados seguros (n\u00e3o consegue controlar a luta de classes e perde o consenso), acarretando despesas excessivas (acordos que implicam concess\u00f5es econ\u00f4micas parciais ao proletariado). Mas a grande burguesia, inicialmente e por um longo per\u00edodo, tamb\u00e9m v\u00ea com desconfian\u00e7a o fascismo, at\u00e9 porque \u00e9 a express\u00e3o de uma outra classe, na qual, em \u00faltima inst\u00e2ncia, n\u00e3o confia. Quando \u00e9 ent\u00e3o, que os capitalistas come\u00e7am a optar pela \u201cinterven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica do fascismo\u201d? (4). Daqui a pouco responderemos a esta quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O papel da pequena burguesia<\/strong><br>\u201cP\u00f3 da humanidade\u201d: \u00e9 com esta express\u00e3o feroz que Trotsky caracteriza a pequena burguesia. E essa \u00e9 a base de massa do fascismo. \u00c9 uma classe, como j\u00e1 dissemos, muito ampla e heterog\u00eanea, que inclui todos os estratos sociais intermedi\u00e1rios entre proletariado e grande burguesia: pequenos artes\u00e3os e comerciantes, funcion\u00e1rios, t\u00e9cnicos, intelectuais, pequenos propriet\u00e1rios de terra (5). \u00c9 uma classe que, pelo seu car\u00e1ter extremamente heterog\u00eaneo, n\u00e3o pode ter uma pol\u00edtica independente. Nos seus estratos inferiores se confunde com o proletariado (e com o subproletariado), nos seus estratos mais ricos se aproxima do capital financeiro (e com ele colabora ativamente). N\u00e3o tendo um programa pr\u00f3prio aut\u00f4nomo, nas diversas fases hist\u00f3ricas oscila entre m\u00faltiplas posi\u00e7\u00f5es, inclusive opostas entre si. \u00c9 uma classe que, pela sua consist\u00eancia num\u00e9rica, tem um peso importante nas elei\u00e7\u00f5es. Mas as elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o sempre um \u201cespelho deformado\u201d e n\u00e3o representam as reais rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7a da sociedade: \u201capenas a luta revolucion\u00e1ria desnuda as reais rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7a\u201d (6).<\/p>\n\n\n\n<p>Trotsky assinala como a pequena burguesia, no s\u00e9culo XX, esteve ao mesmo tempo na base das massas fascistas e dos Socialistas Revolucion\u00e1rios (SR) russos (que tinham de fato uma grande for\u00e7a &#8220;eleitoral&#8221; em virtude da base camponesa). N\u00e3o \u00e9 toda a pequena burguesia que \u00e9 reacion\u00e1ria. Ao contr\u00e1rio, \u00e9 uma classe que exercita um papel decisivo em uma fase revolucion\u00e1ria: \u201cpara que uma crise social possa evoluir para a revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria \u00e9 indispens\u00e1vel, entre outras coisas, que as classes pequeno burguesas se dirijam com decis\u00e3o ao proletariado\u201d (7). Mas isso, como veremos, depende em grande parte do enraizamento do partido revolucion\u00e1rio na classe e da sua pol\u00edtica. Procurando atualizar a an\u00e1lise de Trotsky, podemos dizer que a pequena burguesia foi recentemente determinante nos fatos eleitorais de fen\u00f4menos pol\u00edticos muito diversos entre si: do Podemos na Espanha ao Front National (Reagrupamento Nacional) na Fran\u00e7a, do Syriza na Gr\u00e9cia ao M5S (Movimento 5 Estrelas) e Liga [hoje Fratelli d\u2019Italia, ndt.] na It\u00e1lia, de Trump nos Estados Unidos a Bolsonaro no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 evidente que a tend\u00eancia atual caminha para um refor\u00e7o eleitoral dos partidos populistas de direita e de extrema direita: um fen\u00f4meno que tem uma explica\u00e7\u00e3o bem precisa. A crise do capitalismo significa \u201cputrefa\u00e7\u00e3o social e cultural\u201d (8), o seu prolongamento n\u00e3o pode mais que se traduzir em \u201cempobrecimento da pequena burguesia e uma degenera\u00e7\u00e3o de estratos cada vez mais amplos do proletariado em lumpemproletariado\u201d (9).<\/p>\n\n\n\n<p>Sob os golpes dessa crise que parece infinita a pequena burguesia se orienta n\u00e3o rumo \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria (que lhe parece um objetivo long\u00ednquo e abstrato), mas rumo \u00e0 rea\u00e7\u00e3o, e at\u00e9 mesmo \u201cem dire\u00e7\u00e3o \u00e0 extrema rea\u00e7\u00e3o imperialista, arrastando atr\u00e1s de si consider\u00e1veis estratos da classe oper\u00e1ria\u201d (10).<br>H\u00e1 uma frase de Trotsky que explica de modo eficaz as vit\u00f3rias eleitorais dos partidos populistas e de extrema direita e sobretudo o consenso que possuem em amplos setores do proletariado na aus\u00eancia de grandes lutas oper\u00e1rias: \u201cquando a massa prolet\u00e1ria \u00e9 movida pela esperan\u00e7a revolucion\u00e1ria, arrasta inevitavelmente consigo estratos importantes e cada\u00a0 vez mais amplos da pequena burguesia para o caminho da revolu\u00e7\u00e3o. Mas mesmo em rela\u00e7\u00e3o a isto, as elei\u00e7\u00f5es oferecem uma imagem completamente oposta: o desespero contrarrevolucion\u00e1rio se apoderou das massas pequeno burguesas com tanta for\u00e7a que arrastou consigo estratos consider\u00e1veis do proletariado\u201d (11). Em determinadas condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, como veremos, tudo isso pode trazer a vit\u00f3ria do fascismo. Mas \u00e9 inevit\u00e1vel que uma crise econ\u00f4mica e social do capitalismo leve ao fascismo?<\/p>\n\n\n\n<p>As leituras lineares e simplistas do desenvolvimento hist\u00f3rico se chocam com o materialismo dial\u00e9tico que devemos a Marx. Quanto mais se desenvolvem as for\u00e7as produtivas de um capitalismo nacional, mais a crise econ\u00f4mica produz profundas convuls\u00f5es sociais e pol\u00edticas. Na Alemanha de fins dos anos 1920, os antagonismos sociais e pol\u00edticos haviam alcan\u00e7ado n\u00edveis explosivos. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 bom precisar, que, dada certas condi\u00e7\u00f5es, favorece potencialmente o fortalecimento do partido revolucion\u00e1rio: a crise econ\u00f4mica, social e pol\u00edtica desemboca em uma situa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-revolucion\u00e1ria que, se existe um partido oper\u00e1rio revolucion\u00e1rio s\u00f3lido e experimentado nas lutas, pode transformar-se rapidamente em situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria (12). Ao mesmo tempo, estas mesmas condi\u00e7\u00f5es podem, vice e versa, terminar na mais s\u00f3rdida rea\u00e7\u00e3o, a essa \u201cregurgita\u00e7\u00e3o mal digerida da barb\u00e1rie capitalista\u201d que \u00e9 o fascismo: quem faz diferen\u00e7a \u00e9 o proletariado.<\/p>\n\n\n\n<p>O fascismo precisa de dois elementos para afirmar-se: uma grande crise social e a debilidade revolucion\u00e1ria da classe oper\u00e1ria. Para al\u00e9m do espelho deformado das elei\u00e7\u00f5es, na arena da luta real n\u00e3o h\u00e1 compara\u00e7\u00e3o entre a pequena burguesia e o proletariado. A superioridade social e combativa do proletariado \u00e9 indiscut\u00edvel: os oper\u00e1rios \u201cque controlam os meios de produ\u00e7\u00e3o e de transporte, que, pelas pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es do seu trabalho, constituem o ex\u00e9rcito do ferro, do carv\u00e3o dos trilhos, da eletricidade\u201d (13) s\u00e3o infinitamente superiores \u00e0 \u201cp\u00f3 da humanidade\u201d\u00a0sobre o qual se apoiam os fascistas. O elemento subjetivo \u2013 isto \u00e9, a situa\u00e7\u00e3o do partido revolucion\u00e1rio, a sua pol\u00edtica, as suas rela\u00e7\u00f5es com a classe \u2013 \u00e9, como veremos, o fator determinante, que pode transformar uma situa\u00e7\u00e3o em revolucion\u00e1ria; se falta esse fator, a crise pode levar \u00e0 rea\u00e7\u00e3o imperialista, at\u00e9 o ponto de surgimento de regimes fascistas.<br><br><strong>A ess\u00eancia do fascismo<\/strong><br>\u00c9 um fato comprovado pela hist\u00f3ria que a hora do fascismo tendencialmente toca o alarme quando a burguesia n\u00e3o consegue mais tirar vantagem do regime parlamentar. Mas do ponto de vista de classe, um regime democr\u00e1tico burgu\u00eas e um regime fascista n\u00e3o apresentam diferen\u00e7as: se trata de duas formas de domina\u00e7\u00e3o da mesma classe, a burguesia, isto \u00e9, ambos os regimes s\u00e3o express\u00f5es do capital monopolista. No poder, o fascismo n\u00e3o muda o sistema econ\u00f4mico e social: conserva o capitalismo e, com isso, os lucros bilion\u00e1rios da grande burguesia. O fascismo pode chegar ao poder \u201cquando os meios militares-policiais &#8216;normais&#8217; da ditadura burguesa, com o seu apoio parlamentar, se tornam insuficientes para manter a sociedade em equil\u00edbrio\u201d (14) e para garantir os lucros capitalistas. Qual \u00e9 ent\u00e3o a diferen\u00e7a espec\u00edfica do fascismo com rela\u00e7\u00e3o a outras formas (possivelemnte autorit\u00e1rias) de domina\u00e7\u00e3o burguesa?<\/p>\n\n\n\n<p>Nem sempre na \u00e9poca imperialista, a burguesia, em condi\u00e7\u00f5es similares, joga as mesmas cartas. Sobretudo porque o fascismo n\u00e3o \u00e9 o regime pol\u00edtico privilegiado da burguesia. Como explica perfeitamente Trotsky com uma met\u00e1fora bastante conhecida \u201ca grande burguesia recorre ao fascismo com a mesma alegria com a qual uma pessoa com os dentes doendo os arranca\u201d (15). Isso porque o fascismo \u00e9 um movimento de massa da pequena burguesia, classe da qual a grande burguesia tem necessidade para manter-se no poder, mas da qual preferiria prescindir. O fascismo, de fato, coloca em movimento \u201cas massas da pequena burguesia enfurecida, os grupos de marginalizados, o subproletariado desmoralizado, todos aqueles incont\u00e1veis seres humanos que o mesmo capitalismo financeiro joga no desespero e na c\u00f3lera\u201d (16). O fascismo, agindo por conta da grande burguesia, usa essas massas como \u201cum ar\u00edete\u201d para destruir as organiza\u00e7\u00f5es do movimento oper\u00e1rio. Ao mesmo tempo, o fascismo, n\u00e3o sendo express\u00e3o direta da grande burguesia (n\u00e3o sendo, isto \u00e9, um partido burgu\u00eas) \u201cexpropria politicamente\u201d a burguesia (17).<br>Encontramos aqui, outro car\u00e1ter peculiar do fascismo: \u201ca ess\u00eancia e a fun\u00e7\u00e3o do fascismo consiste em abolir completamente as organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e impedir a sua reconstru\u00e7\u00e3o\u201d. A fun\u00e7\u00e3o do fascismo \u00e9 aquela de \u201cse contrapor ao ataque do proletariado \u2013 no momento de seu enfraquecimento \u2013 o ataque das massas pequeno burguesas enfurecidas\u201d (18). N\u00e3o existe fascismo sem essa caracter\u00edstica espec\u00edfica, ou seja, a \u201cmobiliza\u00e7\u00e3o da pequena burguesia contra o proletariado\u201d (19). <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 exatamente explorando este ex\u00e9rcito, ao mesmo tempo decadente e feroz, que nas fases de crise social e pol\u00edtica a grande burguesia consegue conservar a pr\u00f3pria domina\u00e7\u00e3o. E \u00e9 por isso que, chegando ao poder se apoia na pequena burguesia, o fascismo quando sobe ao poder fica bem distante de configurar-se como um governo da pequena burguesia: \u201co fascismo no poder \u00e9 qualquer outra coisa que um governo da pequena burguesia. Ao contr\u00e1rio, \u00e9 a ditadura mais impiedosa do capital monopolista\u201d (20). Isto \u00e9 consequ\u00eancia, como diz\u00edamos, do pr\u00f3prio car\u00e1ter da pequena burguesia, que \u00e9 uma classe muito heterog\u00eanea para poder colocar em a\u00e7\u00e3o uma pol\u00edtica pr\u00f3pria e independente.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m encontramos aqui o motivo pelo qual a burguesia n\u00e3o recorre de bom grado \u00e0 op\u00e7\u00e3o fascista. A grande burguesia n\u00e3o tem confian\u00e7a na pequena burguesia, nem em um regime democr\u00e1tico burgu\u00eas (onde a usa para manter o controle sobre o proletariado) nem, muito menos, em um regime pol\u00edtico como o fascismo, que se apoia inicialmente sobre a mobiliza\u00e7\u00e3o das massas pequeno burguesas. A grande burguesia v\u00ea a pequena burguesia com a mesma desconfian\u00e7a com a qual na corte do rei da Fran\u00e7a os aristocratas viam os burgueses inescrupulosos \u00e0 ca\u00e7a de t\u00edtulos de nobreza: \u201ca burguesia, valendo-se do apoio da pequena burguesia, n\u00e3o tem confian\u00e7a nela, porque teme justamente que esta \u00faltima tenha sempre a propens\u00e3o de ultrapassar as barreiras que foram impostas de cima\u201d (21). No entanto, sabe que nas fases de crise revolucion\u00e1ria n\u00e3o pode abrir m\u00e3o dela.<\/p>\n\n\n\n<p>Tentemos explicar o conceito com uma imagem. Imaginemos um rico capitalista pan\u00e7udo que de noite no seu luxuoso escrit\u00f3rio contabiliza os lucros bilion\u00e1rios acumulados durante o dia, \u00e0s custas de milh\u00f5es de oper\u00e1rios. Isto \u00e9, o que mais ama \u00e9 a tranquilidade, o sil\u00eancio, a possibilidade de continuar a passar noites serenas a contar dinheiro. Despreza os seus oper\u00e1rios, que explora at\u00e9 a medula, mas despreza com o mesmo ardor ao negociante empobrecido que lhe pede empr\u00e9stimos continuamente, aos bandos de desocupados que o esperam na sua mendic\u00e2ncia, aos pequenos empreendedores ca\u00eddos em ru\u00edna que o olham com \u00f3dio quando passa: n\u00e3o confia nessa gente invejosa, desta classe \u201cexplorada e deserdada\u201d. Mas o que teme mais do que tudo, \u00e9 perder os seus lucros. Se na sua f\u00e1brica os protestos oper\u00e1rios s\u00e3o frequentes e h\u00e1 o risco de que os oper\u00e1rios tomem o controle da produ\u00e7\u00e3o, n\u00e3o deixar\u00e1 de servir-se de tudo o que puder para evitar essa perspectiva, para ele totalmente funesta. Com saudades das tranquilas noites de antes, come\u00e7ar\u00e1 a financiar bando de negociantes, empreendedores falidos, desempregados, deserdados para erradicar o protesto oper\u00e1rio. Ser\u00e1 que o rico burgu\u00eas est\u00e1 contente por ter de financiar, mobilizar, armar at\u00e9 os dentes esses bandos que tanto despreza? Claro que n\u00e3o: os tumultos n\u00e3o os agradam, preferiria as serenas e pac\u00edficas noites de outrora sem barulho nas ruas. Entretando, para continuar a cultuar o deus lucro \u00e9 obrigado a recorrer aos m\u00e9todos do fascismo, que s\u00e3o m\u00e9todos de guerra civil.<\/p>\n\n\n\n<p>Estando no poder, o fascismo saber\u00e1 fazer-se perdoar por tantas turbul\u00eancias desagrad\u00e1veis: \u201cdestruir as organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias, reduzir o proletariado a um estado amorfo, criar um sistema de organiza\u00e7\u00f5es que penetrem profundamente nas massas e sejam destinadas a impedir a organiza\u00e7\u00e3o independente do proletariado (&#8230;) nisso consiste a ess\u00eancia do regime fascista\u201d (22). Assim ent\u00e3o, tranquiliza o rico e gordo burgu\u00eas: os seus lucros est\u00e3o em boas m\u00e3os!<br><br><strong>Bonapartismo e fascismo<\/strong><br>A palavra fascismo \u00e9 frequentemente usada, inclusive pela esquerda, de modo impreciso, como sin\u00f4nimo de \u201cregime policialesco\u201d ou \u201cbonapartista\u201d: segundo Trotsky, se trata de uma defini\u00e7\u00e3o incorreta, que pode levar (e levou) a erros t\u00e1ticos e estrat\u00e9gicos de muita import\u00e2ncia. Diferente do uso comum da palavra, o fascismo n\u00e3o \u00e9 apenas um sistema de repress\u00e3o, de atos violentos e de terror policial. A caracter\u00edstica espec\u00edfica do fascismo \u00e9 aquela de mobilizar as massas pequeno burguesas contra as organiza\u00e7\u00f5es do movimento oper\u00e1rio (reformistas, revolucion\u00e1rias, mutualistas etc.) e, uma vez alcan\u00e7ado o poder, de eliminar \u201ctodos os elementos de democracia prolet\u00e1ria na sociedade burguesa\u201d (23). O fascismo n\u00e3o se coloca apenas o objetivo de destruir, inclusive fisicamente, a vanguarda prolet\u00e1ria: quer \u201caniquilar todos os pontos de apoio do proletariado\u201d (24). O movimento oper\u00e1rio, como sujeito aut\u00f4nomo e independente, deve simplesmente desaparecer. Para chegar a isso \u201cmobiliza as classes que se encontram logo acima do proletariado e que temem cair ao seu n\u00edvel, as organizam e as militarizam com os meios do capital financeiro, sob a cobertura do Estado oficial, e as orientam para a destrui\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es prolet\u00e1rias, das mais revolucion\u00e1rias \u00e0s mais moderadas\u201d (25).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 fundamental distinguir um regime de ditadura militar policial de tipo bonapartista e um regime de ditadura militar policial fascista. No primeiro caso, se trata de um governo burgu\u00eas autorit\u00e1rio que aparentemente se ergue acima dos conflitos (como fez Napole\u00e3o III na ocasi\u00e3o do Golpe de Estado na Fran\u00e7a em 1851, da\u00ed o nome \u201cbonapartismo\u201d): o governo se apresenta como \u201cindependente\u201d da sociedade atrav\u00e9s do dom\u00ednio de uma burocracia e do ex\u00e9rcito. Para al\u00e9m da fachada, de fato o governo continua a agir de acordo com as classes dominantes, desempenha o papel de \u201crepresentante das classes possuidoras\u201d ainda que \u201co representante esteja sentado sobre as costas do patr\u00e3o, o golpeia na nuca e, se necess\u00e1rio, n\u00e3o se importa de dar-lhe um chute na cara\u201d (26). Por exemplo, na Alemanha, os governos que imediatamente antecederam a vit\u00f3ria de Hitler s\u00e3o considerados por Trotsky como governos pr\u00e9-bonapartistas (Br\u00fcning) e bonapartistas (Von Papen). <\/p>\n\n\n\n<p>Em um governo bonapartista, que pretende controlar com a for\u00e7a as tens\u00f5es sociais, os espa\u00e7os de democracia s\u00e3o notavelmente restritos, \u00e0s vezes brutalmente: com Von Papen, por exemplo, os grandes industriais e os banqueiros tentaram defender a pr\u00f3pria causa com o uso impiedoso da pol\u00edcia e do ex\u00e9rcito. Mas o governo teve vida breve: em geral um regime bonapartista adquire um car\u00e1ter de estabilidade apenas quando fecha uma fase revolucion\u00e1ria (como foi o regime de Napole\u00e3o III, que surge ap\u00f3s a fase revolucion\u00e1ria de 1848), quando as energias revolucion\u00e1rias das massas prolet\u00e1rias s\u00e3o exauridas, mas as classes possuidoras conservam ainda o terror de novas turbul\u00eancias. Vice e versa, se se prolonga uma fase pr\u00e9-revolucion\u00e1ria ou revolucion\u00e1ria, caracterizada pela profunda instabilidade social, a burguesia pode ser induzida a substituir o bonapartismo com o fascismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o fascismo \u00e9, ent\u00e3o, algo diferente do bonapartismo. Ainda que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, o fascismo conduza \u00e0 instaura\u00e7\u00e3o de um regime militar policialesco bonapartista, apresenta caracter\u00edsticas espec\u00edficas que n\u00e3o encontramos em um simples regime bonapartista: o fascismo se baseia, como j\u00e1 foi dito, sobre a mobiliza\u00e7\u00e3o das massas pequeno burguesas, abre um per\u00edodo de guerra civil contra o proletariado e as suas estruturas, enfim, constr\u00f3i um regime que destr\u00f3i sistematicamente cada elemento da democracia oper\u00e1ria existente na sociedade. At\u00e9 mesmo o parlamentarismo \u00e9 completamente abolido, depois de ter sido objeto do \u00f3dio furioso das mil\u00edcias pequeno burguesas mobilizadas contra os oper\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Diferente do bonapartismo, que em uma fase de crise social, se apresenta como um regime transit\u00f3rio no qual a classe oper\u00e1ria pode responder \u00e0 repress\u00e3o com a luta revolucion\u00e1ria, o fascismo inaugura uma fase de rea\u00e7\u00e3o de longo prazo, porque aniquila a classe oper\u00e1ria. As sedes dos sindicatos e dos partidos da base oper\u00e1ria s\u00e3o fechadas ou queimadas, os ativistas pol\u00edticos e sindicais, inclusive os grevistas, s\u00e3o deportados para os campos de concentra\u00e7\u00e3o, torna-se aquilo que no final ser\u00e1 \u201ca mais cruel ditadura do capital monopolista\u201d, \u201ca pior forma de imperialismo\u201d (27). Se em um regime bonapartista a classe oper\u00e1ria ainda tem alguma base sobre a qual se apoiar para conduzir a luta, no fascismo, depois de ter sofrido um golpe de morte, \u00e9 atolada e afogada em um lama de \u201cv\u00f4mito de uma barb\u00e1rie mal digerida\u201d feita de racismo, misticismo, machismo, homofobia, cren\u00e7as irracionais, culto \u00e0 personalidade, nacionalismo agressivo, intoler\u00e2ncia, ignor\u00e2ncia tacanha elevada a religi\u00e3o de Estado. Mas como \u00e9 poss\u00edvel chegar a tudo isso em uma fase revolucion\u00e1ria, isto \u00e9, quando as possibilidades de vit\u00f3ria para a classe oper\u00e1ria s\u00e3o maiores?<br><br><strong>A ascens\u00e3o do fascismo ao poder italiano<\/strong><br>Se paga inexoravelmente \u201ca pena e a expia\u00e7\u00e3o da injusti\u00e7a\u201d dizia um antigo fil\u00f3sofo (28). E n\u00e3o \u00e9 estranho cit\u00e1-lo no momento no qual se procuram as responsabilidades pela ascens\u00e3o do fascismo na It\u00e1lia dos anos 1920 e na Alemanha dos anos 1930. O fascismo \u00e9, metaforicamente, uma puni\u00e7\u00e3o pelos pecados do proletariado que n\u00e3o soube lutar pelo poder quando as condi\u00e7\u00f5es da luta de classes lhe permitiam. Comentando um livro de Tasca sobre o fascismo italiano, Trotsky assinala o que segue (vale a pena trazer uma longa cita\u00e7\u00e3o): \u201cAs organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias eram muito fortes. Tinham 160 deputados socialistas no Parlamento; controlavam mais de um ter\u00e7o dos munic\u00edpios: as zonas mais importantes da It\u00e1lia estavam nas m\u00e3os dos socialistas, centro organizativo do poder oper\u00e1rio. Nenhum capitalista poderia admitir ou demitir sem o acordo dos sindicatos e isso valia tanto para os oper\u00e1rios agr\u00edcolas quanto para aqueles das f\u00e1bricas.<\/p>\n\n\n\n<p>era como se tivesse conseguido 49% da ditadura do proletariado. Mas a rea\u00e7\u00e3o da pequena burguesia e dos oficiais em licen\u00e7a foi imensa. (&#8230;) organizaram pequenas mil\u00edcias sob a dire\u00e7\u00e3o dos militares e mandaram caminh\u00f5es para cada lugar onde estivessem. Trinta homens organizados chegavam em uma cidade de dez mil habitantes controladas pelos socialistas, queimavam os edif\u00edcios municipais, queimavam as casas, matavam os dirigentes, impunham as condi\u00e7\u00f5es de trabalho que os capitalistas queriam; sucessivamente se deslocavam de um lugar para outro e repetiam a mesma coisa em centenas e centenas de cidades, uma depois da outra. Com estas a\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas de terror, destru\u00edram completamente os sindicatos tornando-se assim patr\u00f5es da It\u00e1lia. Eram uma \u00ednfima minoria\u201d (29).<\/p>\n\n\n\n<p>Definitivamente, poucos milhares de fascistas bem organizados conseguiram despeda\u00e7ar um poderoso movimento prolet\u00e1rio que havia se desenvolvido logo ap\u00f3s a guerra, chegando em 1920, \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o de todas as principais f\u00e1bricas do pa\u00eds, o assim chamado Bi\u00eanio Vermelho (30). Como explica Trotsky, na It\u00e1lia no come\u00e7o dos anos 1920 a ditadura do proletariado era uma possibilidade concreta: se tratava apenas de organiz\u00e1-la e conduzi-la \u00e0s suas \u00faltimas consequ\u00eancias. O Estado Burgu\u00eas estava em peda\u00e7os, a burguesia tateava no escuro, os oper\u00e1rios controlavam os estabelecimentos. Mas o partido socialista, o partido que organizava as grandes massas prolet\u00e1rias, se assustou e deu marcha r\u00e9. Aqui vale a pena trazer uma longa cita\u00e7\u00e3o de Trotsky: \u201cNo outono de 1920 o proletariado italiano alcan\u00e7a o \u00e1pice m\u00e1ximo de mobiliza\u00e7\u00e3o do p\u00f3s-guerra. F\u00e1bricas, ferrovias, minas s\u00e3o ocupadas. O Estado est\u00e1 desorganizado, a burguesia praticamente de joelhos, a sua espinha dorsal est\u00e1 quase despeda\u00e7ada. Parece que falta apenas um outro passo avante para que a classe oper\u00e1ria italiana conquiste o poder. Mas nesse ponto o seu partido (&#8230;) recua aterrorizado diante da possibilidade da tomada do poder, da guerra civil, deixando o proletariado indefeso. Contra o proletariado \u00e9 desferido um ataque por parte da ala mais decidida da burguesia que utiliza o fascismo e todas as for\u00e7as restantes da pol\u00edcia e do ex\u00e9rcito. O proletariado \u00e9 aniquilado\u201d (31).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que os pequenos e grandes Mussolinis surgem quando se abre (ou pode-se abrir) uma situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. A grande burguesia aterrorizada pela a\u00e7\u00e3o do proletariado coloca em movimento as mil\u00edcias fascistas, canaliza a f\u00faria da pequena burguesia contra as organiza\u00e7\u00f5es da classe oper\u00e1ria. O fascismo italiano nasceu diretamente da trai\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria: se o partido socialista \u2013 que, lembremos, era ent\u00e3o a se\u00e7\u00e3o da Terceira Internacional e que, como disse Trotsky, ainda embebido do esp\u00edrito da Segunda Internacional \u2013 tivesse traduzido em pr\u00e1tica aquilo que proclamava apenas em palavras, ou seja, a ditadura do proletariado, ter\u00edamos provavelmente evitado vinte anos de fascismo. Se tratava de ser coerente com o programa que as palavras da dire\u00e7\u00e3o do partido socialista dizia defender: levar a classe oper\u00e1ria ao poder, expropriar a grande burguesia, iniciar a constru\u00e7\u00e3o de uma economia e de um Estado socialista. As premissas estavam todas ali: a enorme for\u00e7a da classe oper\u00e1ria em luta n\u00e3o teria se intimidado com certeza por qualquer mil\u00edcia de brutamontes. Mas os dirigentes socialistas preferiram esperar e tergiversar: impediram os trabalhadores com todas as suas for\u00e7as de lutarem contra os fascistas, de fato, se curvaram diante da legalidade burguesa. E assim, vinte anos de ditadura fascista foi servida sobre um prato de prata pelos dirigentes reformistas covardes!<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o por acaso, o Partido Socialista Italiano pouco depois ser\u00e1 exclu\u00eddo da Terceira Internacional, dado que n\u00e3o aceitar\u00e1 colocar em discuss\u00e3o o pr\u00f3prio \u201ccentrismo\u201d, isto \u00e9, a tend\u00eancia a oscilar entre posi\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias (apenas proclamadas) e posi\u00e7\u00f5es reformistas (se recusa a romper com a ala reformista de Turati n\u00e3o obstante a exig\u00eancia da Internacional). O fascismo foi uma tr\u00e1gica li\u00e7\u00e3o para o proletariado italiano: pagou-se caro pela falta de um partido de tipo bolchevique. Esse partido nascer\u00e1 \u2013 ainda que com muitos limites devido \u00e0s posi\u00e7\u00f5es de Bordiga que o dirigia \u2013 apenas em janeiro de 1921: o Partido Comunista da It\u00e1lia. Ter\u00e1 uma vida breve porque no poder o fascismo levar\u00e1 \u00e0 dispers\u00e3o dos seus quadros, condenando os comunistas \u00e0 clandestinidade, ao confinamento, \u00e0 pris\u00e3o, \u00e0 deporta\u00e7\u00e3o.<br><br><strong>O fascismo alem\u00e3o<\/strong><br>A ascens\u00e3o de Hitler e do nacionalismo alem\u00e3o ao poder tamb\u00e9m traz o peso de uma derrota hist\u00f3rica da classe oper\u00e1ria da qual \u00e9 respons\u00e1vel mais uma vez a sua dire\u00e7\u00e3o, nesse caso o stalinismo. O proletariado alem\u00e3o, com a prova dos fatos, demonstrou uma \u201cdebilidade revolucion\u00e1ria\u201d que tem essencialmente duas causas: de um lado a social-democracia alem\u00e3 e o seu papel hist\u00f3rico, por outro lado a incapacidade do Partido Comunista Alem\u00e3o (direto dos stalisnistas) de unir os oper\u00e1rios sob a bandeira da revolu\u00e7\u00e3o. A social-democracia alem\u00e3, de orienta\u00e7\u00e3o reformista, sempre desenvolveu um papel contrarrevolucion\u00e1rio: era o agente do capitalismo nas fileiras do movimento oper\u00e1rio. Para isso Trotsky o define como um \u201cobst\u00e1culo objetivo\u201d que precisa eliminar (32). Trotsky \u00e9 implac\u00e1vel em identificar a social-democracia alem\u00e3 com suas responsabilidades: \u201ca parte mais podre da Europa capitalista \u00e9 constitu\u00edda pela burocracia social-democrata&#8221; que \u201crenunciou \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o em nome das reformas\u201d, que chegou at\u00e9 mesmo a apoiar ativamente a guerra imperialista, colocando-se como objetivo a salva\u00e7\u00e3o da sociedade burguesa. N\u00e3o satisfeita com isso, aceita at\u00e9 mesmo renunciar a todas as suas conquistas do passado: \u201cN\u00e3o existe espet\u00e1culo hist\u00f3rico mais tr\u00e1gico e repugnante que a nauseabunda decomposi\u00e7\u00e3o do reformismo entre os restos das suas conquistas e de todas as suas esperan\u00e7as\u201d (33). Quando o fascismo estava \u00e0s portas, faziam chamados ao aparato estatal, aos ju\u00edzes, \u00e0 pol\u00edcia\u2026 de fato, renunciando \u00e0 luta.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas que a social-democracia alem\u00e3 (isto \u00e9, o reformismo) atuasse desse modo n\u00e3o surpreende: os agentes da burguesia s\u00e3o muito previs\u00edveis nas suas a\u00e7\u00f5es de venda da classe. O que ao contr\u00e1rio n\u00e3o era de modo algum \u00f3bvio, foi a grande responsabilidade hist\u00f3rica do Partido Comunista (stalinista) Alem\u00e3o nessa trag\u00e9dia. O Partido Comunista Alem\u00e3o n\u00e3o era um pequeno partido: organizava dezenas de milhares de militantes e alcan\u00e7ava inclusive altos percentuais eleitorais. Mas por responsabilidade da sua dire\u00e7\u00e3o, das ordens de Stalin, renunciou de fato a combater contra o fascismo. Se recusou, sobretudo, por um tipo de sectarismo burocr\u00e1tico (alternado com pol\u00edticas ultra oportunistas) de utilizar a t\u00e1tica da Frente \u00danica.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00faltima \u00e9 uma t\u00e1tica que deriva da condi\u00e7\u00e3o objetiva do proletariado, que n\u00e3o \u00e9 uma classe homog\u00eanea: os seus componentes adquirem consci\u00eancia em ritmos diferentes, por isso, se apresenta na maioria das fases hist\u00f3ricas divididos politicamente em muitos partidos (e sindicatos). O partido revolucion\u00e1rio deve sempre manter uma total independ\u00eancia pol\u00edtica e organizativa dos outros partidos da classe (por exemplo, dos partidos reformistas e centristas) mas, para conseguir conquistar a maioria do proletariado &#8211; premissa indispens\u00e1vel da revolu\u00e7\u00e3o &#8211; n\u00e3o deve nunca entrar em conflito com a exig\u00eancia de construir a unidade de a\u00e7\u00e3o na luta contra o capital com os oper\u00e1rios. Ao contr\u00e1rio, deve constantemente desafiar as dire\u00e7\u00f5es reformistas a construir uma luta unit\u00e1ria, inclusive para desmascarar as suas reais inten\u00e7\u00f5es aos olhos dos oper\u00e1rios. Isso \u00e9 mais verdadeiro ainda diante da amea\u00e7a do fascismo: recusar-se, como fez o Partido Comunista Alem\u00e3o, a colocar em campo a\u00e7\u00f5es comuns com as organiza\u00e7\u00f5es reformistas contra o perigo fascista significa capitular diante do fascismo. <\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 uma pol\u00edtica de Frente \u00danica, baseada em acordos pr\u00e1ticos limitados \u00e0s exig\u00eancias da a\u00e7\u00e3o &#8211; mantendo assim a total independ\u00eancia no plano do programa (\u201cmarchar separados, golpear unidos\u201d) &#8211; permite a mobiliza\u00e7\u00e3o em larga escala da classe e, ent\u00e3o, criar as condi\u00e7\u00f5es para a derrota dos fascistas e a matura\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do proletariado (a consci\u00eancia oper\u00e1ria se desenvolve mais facilmente na luta). Apenas gra\u00e7as \u00e0 pol\u00edtica da Frente \u00danica o partido revolucion\u00e1rio pode ganhar a confian\u00e7a das massas oper\u00e1rias que ainda t\u00eam como refer\u00eancia o reformismo: \u201co Partido Comunista deve demonstrar \u00e0s massas e \u00e0s suas organiza\u00e7\u00f5es a efetiva vontade de conduzir a luta junto com eles ainda que com objetivos mais modestos,\u00a0 se esses objetivos est\u00e3o no caminho do desenvolvimento hist\u00f3rico do proletariado\u201d (34).<br>\u00c9 ent\u00e3o por responsabilidade antes de tudo do \u201cfator subjetivo\u201d, isto \u00e9, a recusa do Partido Comunista Alem\u00e3o de p\u00f4r em pr\u00e1tica a pol\u00edtica de Frente \u00danica, que o proletariado alem\u00e3o, o proletariado mais potente da Europa daquela \u00e9poca, \u201cse encontrou impotente, desarmado e paralisado no momento da sua maior prova hist\u00f3rica\u201d (35). Ainda que n\u00e3o tenhamos a possibilidade de aprofundar esse tema,\u00a0 vale a pena relembrar as oscila\u00e7\u00f5es criminosas do stalinismo alem\u00e3o na Alemanha dos anos 1920 e in\u00edcio dos anos 1930: de uma pol\u00edtica de total oportunismo no enfrentamento com a social-democracia (1926-28) passou \u00e0 pol\u00edtica vision\u00e1ria do \u201cterceiro per\u00edodo\u201d (de 1928) at\u00e9 a teorizar, no momento mais cr\u00edtico, o \u201csocial-fascismo\u201d (1930-32), ou a suposta identidade entre fascismo\u00a0 e social-democracia (e da\u00ed vem a recusa da Frente \u00danica de luta com os reformistas).<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>O quanto a teoria do social-fascismo estava privada de qualquer fundamento o demonstram as an\u00e1lises do fascismo que apresentamos neste artigo. Mas o demonstrou mais ainda, infelizmente, a hist\u00f3ria. O fascismo italiano e aquele alem\u00e3o, uma vez no poder, aniquilou todas as organiza\u00e7\u00f5es do proletariado: foi sem sombra de d\u00favida a maior derrota hist\u00f3rica da classe oper\u00e1ria (36).<br><br><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><br>A conclus\u00e3o deste breve ensaio, tomando nota da verdadeira natureza do fascismo e da responsabilidade hist\u00f3rica do reformismo e do centrismo na sua subida ao poder na It\u00e1lia e na Alemanha, chegou ao momento de tra\u00e7ar uma linha imagin\u00e1ria que liga os anos 1920 e o in\u00edcio dos anos 30 aos nossos dias. Nesse meio tempo, o capitalismo, depois de ter presenteado a humanidade com uma nova guerra mundial e dezenas de conflitos b\u00e9licos de car\u00e1ter regionais, entrou no in\u00edcio do novo s\u00e9culo em uma nova guerra geral. Os efeitos da crise econ\u00f4mica est\u00e3o tendo efeitos devastadores sobre as condi\u00e7\u00f5es de vida das massas pequeno burguesas e prolet\u00e1rias: as tens\u00f5es sociais atingiram os maiores n\u00edveis da hist\u00f3ria. Esta situa\u00e7\u00e3o alimenta a raiva da pequena burguesia, que se afasta dos partidos burgueses tradicionais, se lan\u00e7a contra as institui\u00e7\u00f5es parlamentares e alimenta partidos populistas (como Irm\u00e3os da It\u00e1lia e a Liga) que levantam as bandeiras do racismo e do nacionalismo para cavalgar eleitoralmente o mal-estar social. Em um contexto deste tipo, \u00e9 prov\u00e1vel que, com o abrir-se de uma situa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-revolucion\u00e1ria, criam-se condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis para o refor\u00e7o de um partido revolucion\u00e1rio. Mas dialeticamente, \u00e9 tamb\u00e9m previs\u00edvel que, como j\u00e1 fez no passado, o grande capital n\u00e3o hesitar\u00e1 em apoiar, sempre mais frequentemente, possibilidades bonapartistas e a entrar no jogo novamente, onde n\u00e3o possam fazer nada menos que isso, jogar a carta do fascismo.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Assim \u00e9 fundamental que a classe oper\u00e1ria se prepare para um duro enfrentamento: em um contexto t\u00e3o inst\u00e1vel, a luta de classes pode chegar a se transformar em guerra civil. N\u00e3o basta, como fazem certos expoentes da esquerda reformista ou intelectual, lamentar-se pelo per\u00edodo fascista do alto das c\u00e1tedras universit\u00e1rias ou sentados em c\u00f4modas poltronas das suas salas de estar. Estes \u201clamentos\u201d frequentemente escondem o \u00fanico objetivo de conseguir votos a favor de partidos burgueses. Sempre que existisse um real perigo fascista &#8211; e n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel excluir que isso rapidamente aconte\u00e7a &#8211; seria necess\u00e1rio organizar a autodefesa oper\u00e1ria; seria necess\u00e1rio, como lembra Trotsky, construir mil\u00edcias de autodefesa a partir dos piquetes de greve, dos bairros de imigrantes pobres que arriscam quotidianamente a vida por causa dos ataques dos grupos fascistas e racistas. O que rapidamente ent\u00e3o devemos fazer, \u00e9 construir aquela Frente \u00danica de a\u00e7\u00e3o e de luta dos trabalhadores que Trotsky considerava fundamental para enfrentar as pol\u00edticas burguesas, criar as bases do poder oper\u00e1rio e expulsar assim, a raiz do fascismo.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>N\u00e3o existem palavras melhores para concluir um artigo sobre o fascismo do que aquelas do Programa de Transi\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, no manifesto fundacional da Quarta Internacional, escritas em um momento hist\u00f3rico (final dos anos 1930) no qual os regimes fascistas pareciam destinados a durar eternamente: \u201cos democratas pequeno burgueses (&#8230;) quanto mais gritam diante do fascismo, mais covardemente capitulam diante desses mesmos acontecimentos. Apenas destacamentos armados de oper\u00e1rios, que tenham atr\u00e1s de si o apoio de dezenas de milh\u00f5es de trabalhadores, podem derrotar mil\u00edcias fascistas. A luta contra o fascismo n\u00e3o come\u00e7a nas reda\u00e7\u00f5es dos jornais liberais, mas nas f\u00e1bricas, para terminar nas ruas\u201d (37).<\/p>\n\n\n\n<p>Refer\u00eancias<br>(1)\u00a0\u00a0 \u00a0Um companheiro da Alternativa Comunista de Bari foi agredido e gravemente ferido por um bando de fascistas de Casapound. Podem ler o artigo neste link: https:\/\/www.alternativacomunista.it\/content\/view\/2602\/1\/.<br>(2)\u00a0\u00a0 \u00a0L. Trotsky, \u201cA \u00fanica via\u201d (1932), in Os problemas da revolu\u00e7\u00e3o chinesa e outros escritos, Einaudi, 1970, p. 359. Em alguns casos as tradu\u00e7\u00f5es do italiano foram parcialmente revisadas pela autora deste artigo sob a base de uma compara\u00e7\u00e3o com as tradu\u00e7\u00f5es dos mesmos artigos em outras l\u00ednguas.<br>(3)\u00a0\u00a0 \u00a0Veja as p\u00e1ginas 67-71 de L. Trotsky, Programa de transi\u00e7\u00e3o (1938), Massari Editore, 2008.<br>(4)\u00a0\u00a0 \u00a0L. Trotsky, \u201cLa svolta da Internacional comunista e a situa\u00e7\u00e3o na Alemanha\u201d (1930), in Os problemas da revolu\u00e7\u00e3o chinesa e outros escritos, cit., p. 304.<br>(5)\u00a0\u00a0 \u00a0L. Trotsky, \u201cA chave da situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 na Alemanha\u201d (1931), in Escritos 1929-1936, Einaudi, 1962, p. 289.<br>(6)\u00a0\u00a0 \u00a0L. Trotsky, \u201cE agora?\u201d (1932), Ivi, p. 304.<br>(7)\u00a0\u00a0 \u00a0 \u201cLa svolta da Internacional comunista e a situa\u00e7\u00e3o na Alemanha\u201d, cit., p. 305.<br>(8)\u00a0\u00a0 \u00a0 \u201cE agora?\u201d, cit., 295.<br>(9)\u00a0\u00a0 \u00a0Ibidem.<br>(10)\u00a0\u00a0 \u00a0 \u201cLa svolta da Internacional comunista e a situa\u00e7\u00e3o na Alemanha\u201d, cit., p. 305.<br>(11)\u00a0\u00a0 \u00a0 Ivi, p. 305.<br>(12)\u00a0\u00a0 \u00a0 Lev Trotsky, \u201cA quest\u00e3o alem\u00e3\u201d (1934), in A Terceira Internacional depois de L\u00eanin, Schwarz Editore, 1957, pp. 264-265: \u201cO enfraquecimento e a divis\u00e3o das classes dominantes; a indigna\u00e7\u00e3o da pequena burguesia, a sua desconfian\u00e7a na ordem existente; a crescente atividade militante da classe oper\u00e1ria; enfim uma pol\u00edtica correta por parte do partido revolucion\u00e1rio: ou seja, as imediatas condi\u00e7\u00f5es prejudiciais para uma revolu\u00e7\u00e3o&#8221;.<br>(13)\u00a0\u00a0 \u00a0 \u201cA chave da revolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 na Alemanha\u201d, cit., p. 290.<br>(14)\u00a0\u00a0 \u00a0 \u201cE agora?\u201d, cit., p. 308.<br>(15)\u00a0\u00a0 \u00a0 \u201cA \u00fanica via\u201d, cit., p. 362.<br>(16)\u00a0\u00a0 \u00a0 \u201cE agora?\u201d, cit., p. 308.<br>(17)\u00a0\u00a0 \u00a0 \u201cHoje a burguesia alem\u00e3 n\u00e3o governa diretamente; politicamente falando, ela est\u00e1 completamente submetida a Hitler e aos seus grupos paramilitares. Todavia na Alemanha a ditadura da burguesia permanece inalterada desde o momento em que todas as condi\u00e7\u00f5es da sua hegemonia social foram mantidas e refor\u00e7adas. Expropriando politicamente a burguesia, Hitler a salvou (\u2026) da expropria\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica\u201d, in L. Trotsky, \u201cA natureza de classe do Estado sovi\u00e9tico\u201d (1933), in Obras Escolhidas, vol. 5, Prospettiva Edizioni, p. 398.<br>(18)\u00a0\u00a0 \u00a0 \u201cE agora?\u201d, cit., p. 309.<br>(19)\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0 \u201cE agora?\u201d, cit., p. 347.<br>(20)\u00a0\u00a0 \u00a0 \u201cA quest\u00e3o alem\u00e3\u201d, cit., 260.<br>(21)\u00a0\u00a0 \u00a0 \u201cA \u00fanica via\u201d, cit., p. 360.<br>(22)\u00a0\u00a0 \u00a0 \u201cE agora?\u201d, cit., p. 308.<br>(23)\u00a0\u00a0 \u00a0 Ivi, p. 296.<br>(24)\u00a0\u00a0 \u00a0 Ibidem.<br>(25)\u00a0\u00a0 \u00a0 Ibidem.<br>(26)\u00a0\u00a0 \u00a0 \u201cA \u00fanica via\u201d, cit., p. 355.<br>(27)\u00a0\u00a0 \u00a0 L. Trotsky, \u201cO que \u00e9 o nacional socialismo?\u201d (1933), in A revolu\u00e7\u00e3o chinesa e outros escritos, cit., pp. 422-423.<br>(28)\u00a0\u00a0 \u00a0 Anaximandro. \u00a0<br>(29)\u00a0\u00a0 \u00a0 L. Trotsky, \u201cCompletar o programa e coloc\u00e1-lo em pr\u00e1tica\u201d, in Ap\u00eandice ao Programa de transi\u00e7\u00e3o, cit., 160.<br>(30)\u00a0\u00a0 \u00a0 Sobre estes temas veja o artigo di Ruggero Mantovani \u201cBiennio rosso: la storia di una rivoluzione mancata\u201d, Trotskysmo oggi, numero 9.<br>(31)\u00a0\u00a0 \u00a0 L. Trotsky, \u201cRelat\u00f3rio de balan\u00e7o sobre o quarto congresso da Internacional comunista\u201d (1922), in Escritos sobre a\u00a0 It\u00e1lia, Massari Editore, 1990, pp. 92-93.<br>(32)\u00a0\u00a0 \u00a0 \u201cA chave da revolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 na Alemanha\u201d, cit., p. 281.<br>(33)\u00a0\u00a0 \u00a0 \u201cE ora?\u201d, cit., p. 295.<br>(34)\u00a0\u00a0 \u00a0 \u201cE ora?\u201d, cit., p. 237.<br>(35)\u00a0\u00a0 \u00a0 L. Trotsky, \u201cA trag\u00e9dia do proletariado alem\u00e3o\u201d, in A terceira internacional depois de L\u00eanin, cit., 243.<br>(36)\u00a0\u00a0 \u00a0 Vale a pena recordar que o stalinismo rapidamente passou, de um salto, a uma pol\u00edtica totalmente oposta: \u00e0quela das \u201cfrentes populares\u201d, isto \u00e9, a alian\u00e7a de governo com os partidos burgueses (VII Congresso da Internacional Comunista, 1935). Sucessivamente o stalinismo chegar\u00e1 at\u00e9 mesmo a assinar um pacto militar e colonial (de divis\u00e3o da Pol\u00f4nia) com Hitler: o pacto Molotov-Ribbentrop (agosto 1939).<br>(37)\u00a0\u00a0 \u00a0 Programa de transi\u00e7\u00e3o, cit., p. 91.<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: N\u00edvia Le\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Republicamos aqui um artigo \u2013 que j\u00e1 saiu em nossa revista te\u00f3rica Trotskysmo Oggi em 2018 \u2013 que resume a an\u00e1lise que Trotsky fez do fascismo. Por: Fabiana Stefanoni O debate sobre a natureza do fascismo \u00e9 um debate, infelizmente, extremamente atual. 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