{"id":75156,"date":"2022-11-04T00:10:14","date_gmt":"2022-11-04T00:10:14","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=75156"},"modified":"2022-11-04T00:10:16","modified_gmt":"2022-11-04T00:10:16","slug":"ira-apesar-de-bani-sadr-a-revolucao-iraniana-continua-1980","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/11\/04\/ira-apesar-de-bani-sadr-a-revolucao-iraniana-continua-1980\/","title":{"rendered":"<strong><em>Ir\u00e3 | Apesar de Bani Sadr, a revolu\u00e7\u00e3o iraniana continua [1980]<\/em><\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Depois que o camarada Ernesto Gonz\u00e1lez terminou seu artigo sobre o Ir\u00e3, ocorreu algo que chamou a aten\u00e7\u00e3o de toda a imprensa burguesa: a elei\u00e7\u00e3o de Bani Sadr \u00e0 presid\u00eancia. O mesmo que alguns meses antes teve que renunciar ao cargo de ministro das rela\u00e7\u00f5es exteriores denunciado pelos estudantes que ocupavam a embaixada dos EUA, por sua pol\u00edtica de acordo com o imperialismo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: J\u00falio Valentim<\/p>\n\n\n\n<p>Revista Correspond\u00eancia Internacional No. 2, abril de 1980, pp. 47-51<\/p>\n\n\n\n<p>Toda a imprensa burguesa viu na elei\u00e7\u00e3o de Bani Sadr uma manifesta\u00e7\u00e3o do que chamavam de &#8220;cansa\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o iraniana pela desordem e anarquia&#8221;. Isso quer dizer, na linguagem particular dos jornalistas burgueses, retrocesso da revolu\u00e7\u00e3o nesse pa\u00eds e nessa regi\u00e3o fundamental para a ordem imperialista. Nos editoriais desses jornais havia unanimidade em saudar &#8220;o retorno do Ir\u00e3 ao concerto das na\u00e7\u00f5es civilizadas&#8221;. Colunistas que s\u00f3 usavam vermelho e preto para pintar a situa\u00e7\u00e3o no Ir\u00e3 imediatamente come\u00e7aram a sonhar com a possibilidade de ver uma &#8220;rep\u00fablica isl\u00e2mica&#8221; instalada no Ir\u00e3 que estabilizaria a revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos dias que se seguiram \u00e0 sua elei\u00e7\u00e3o, Bani Sadr acumulou um n\u00famero impressionante de declara\u00e7\u00f5es: a ordem iria voltar a Teer\u00e3o em poucos dias, os poderes \u201cparalelos\u201d iriam desaparecer, os \u201cref\u00e9ns\u201d seriam libertados, as guerrilhas direitistas do Afeganist\u00e3o iriam receber uma ajuda maci\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio, o imperialismo ianque fez alguns gestos para ajudar Bani Sadr: algumas das medidas adotadas pelo imperialismo dos Estados Unidos contra o povo e a revolu\u00e7\u00e3o iraniana foram suprimidas. Em poucas semanas, por\u00e9m, uma nova mudan\u00e7a de atitude: a satisfa\u00e7\u00e3o dos c\u00edrculos imperialistas transformou-se em cautela e, mais tarde, a cautela em franca decep\u00e7\u00e3o. Hodding Carter, que semanas atr\u00e1s se declarava satisfeito com a situa\u00e7\u00e3o no Ir\u00e3, come\u00e7ou a declarar: &#8220;N\u00e3o parece \u00fatil, neste momento, comentar a evolu\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a mudan\u00e7a mais espetacular ocorreu no pr\u00f3prio Bani Sadr. O homem que anunciava o fim do duplo poder, teve que come\u00e7ar a reconhecer: &#8220;&#8230; eu s\u00f3 fui nomeado presidente do Conselho da Revolu\u00e7\u00e3o, que continua a exercer os seus poderes legislativo e executivo&#8230;&#8221; O homem que anunciava que os &#8220;ref\u00e9ns&#8221; seriam libertados em apenas alguns dias sem pedir a opini\u00e3o dos estudantes e das massas iranianas que apoiavam os estudantes, teve que declarar &#8220;&#8230; nunca recorreremos \u00e0 for\u00e7a contra os jovens patriotas sinceramente revolucion\u00e1rios e cujos sentimentos revolucion\u00e1rios n\u00e3o podem ser colocados em d\u00favida&#8230;\u201d O mesmo Bani Sadr que anunciava o in\u00edcio de uma guerra santa contra as tropas sovi\u00e9ticas no Afeganist\u00e3o, teve que voltar e declarar \u201c&#8230; n\u00e3o come\u00e7amos a dar ajuda, porque antes de tudo, temos que distinguir os grupos afeg\u00e3os ligados aos Estados Unidos e ao Paquist\u00e3o e aqueles que combatem sinceramente pela independ\u00eancia nacional\u2026\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Bani Sadr \u00e9 o homem do acordo com o imperialismo. \u00c9 atrav\u00e9s dele que o regime de Carter tentar\u00e1 uma nova fase da ofensiva contrarrevolucion\u00e1ria contra as massas iranianas. No entanto, esses &#8220;retrocessos&#8221; do at\u00e9 pouco tempo arrogante presidente, traduzem bem um fato fundamental: a revolu\u00e7\u00e3o no Ir\u00e3 est\u00e1 em marcha; n\u00e3o retrocedeu. Nesse sentido, os novos acontecimentos confirmam totalmente a an\u00e1lise do camarada Ernesto Gonz\u00e1lez: o Ir\u00e3 continua sendo o centro de uma grande revolu\u00e7\u00e3o que est\u00e1 apenas come\u00e7ando.<\/p>\n\n\n\n<p>O povo iraniano exige a extradi\u00e7\u00e3o do X\u00e1; Bani Sadr se op\u00f5e a essa reivindica\u00e7\u00e3o. O artigo que o leitor ler\u00e1 a seguir enfatiza a luta pela extradi\u00e7\u00e3o do X\u00e1 como parte da defesa da revolu\u00e7\u00e3o iraniana contra as amea\u00e7as do imperialismo e do pr\u00f3prio governo de Bani Sadr.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 um ano, a revolu\u00e7\u00e3o iraniana<\/strong>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Um ano ap\u00f3s a fuga do X\u00e1, em 16 de janeiro de 1980, J. M. Durand-Soufland, no <em>Le Monde<\/em>, tentou apresentar um balan\u00e7o desmoralizante da revolu\u00e7\u00e3o iraniana, recuperando algumas vers\u00f5es e encerrando seu artigo com as seguintes refer\u00eancias: \u201c<em>Estamos administrando a anarquia<\/em>\u201d, confessou a um compatriota nosso, um funcion\u00e1rio da pol\u00edcia de uma cidade provinciana; \u201c<em>obedecemos a v\u00e1rios minist\u00e9rios<\/em>\u201d, lamentou outro; \u201c<em>O Ir\u00e3 est\u00e1 doente, muito doente<\/em>\u201d, disse-nos um professor universit\u00e1rio; e um estudante rapidamente conclu\u00eda: \u201c<em>O Ir\u00e3 est\u00e1 perdido<\/em>\u201d, h\u00e1 apenas uma pequena chance de sa\u00edda: renunciar \u00e0 \u201crep\u00fablica isl\u00e2mica\u201d em favor de uma rep\u00fablica verdadeiramente democr\u00e1tica, sem Mohllas nem turbantes: \u201ctriste constata\u00e7\u00e3o para um primeiro anivers\u00e1rio\u201d (os destacados s\u00e3o nossos).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa anarquia que preocupa o editorialista do Le Monde \u00e9 a revolu\u00e7\u00e3o iraniana que continua sendo hoje o ponto mais ardente da luta de classes em escala mundial. S\u00e3o as massas que est\u00e3o na ofensiva e n\u00e3o permitem que se estabilize o novo regime burgu\u00eas e nacionalista dirigido por Khomeini.<\/p>\n\n\n\n<p>A provoca\u00e7\u00e3o desavergonhada do imperialismo ianque, de receber o X\u00e1, serviu de est\u00edmulo a essas massas para abrir um novo per\u00edodo de mobiliza\u00e7\u00f5es que se centraram na ocupa\u00e7\u00e3o da embaixada dos Estados Unidos em Teer\u00e3 e que culminaram no processo aberto dos ref\u00e9ns, acusado de espionagem. Sim, a revolu\u00e7\u00e3o iraniana continua viva. Apesar de ainda n\u00e3o haver um partido revolucion\u00e1rio para dirigi-la, a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi domada nem desviada e, portanto, precisa do apoio incondicional de todo o movimento oper\u00e1rio e popular do mundo para evitar que seja derrotada.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a constata\u00e7\u00e3o dessa vitalidade revolucion\u00e1ria da classe trabalhadora iraniana e de outros setores populares n\u00e3o significa que ignoremos ou minimizemos os perigos que espreitam o processo. O imperialismo norte-americano, castigado ap\u00f3s a derrota no Vietn\u00e3, recebeu um novo golpe no Ir\u00e3, mas n\u00e3o se transformou em um tigre \u201cde papel&#8221;, como gostavam de dizer os seguidores de Mao. Carter e seus associados est\u00e3o usando o argumento dos &#8220;ref\u00e9ns&#8221; para orquestrar, em escala global, uma ofensiva de todos os tipos, come\u00e7ando pela propaganda e pela diplomacia, mas que j\u00e1 tem efeitos econ\u00f4micos e militares, embora estes n\u00e3o tenham se materializado em uma invas\u00e3o direta como no Vietn\u00e3. Isso \u00e9 um fato, e os revolucion\u00e1rios de todo o mundo n\u00e3o podem ter d\u00favidas sobre de que lado da barricada se posicionar.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante dos ataques e provoca\u00e7\u00f5es do imperialismo, os marxistas revolucion\u00e1rios, os trotskistas, estamos com as massas e os povos iranianos e fazemos nossas as palavras de ordem fundamentais que os mobilizam hoje. O direito democr\u00e1tico de julgar o ditador mais sangrento dos \u00faltimos tempos \u00e9 um direito m\u00ednimo que ningu\u00e9m pode negar-lhes. E \u00e9 por isso que a exig\u00eancia de extradi\u00e7\u00e3o do X\u00e1 pelas massas iranianas deve merecer todo o nosso apoio, n\u00e3o por uma atitude moral, mas porque essa reivindica\u00e7\u00e3o m\u00ednima democr\u00e1tica \u00e9 a que hoje mobiliza milh\u00f5es e milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Se realmente entendemos o que significa o Programa de Transi\u00e7\u00e3o, se realmente aprendemos a levar em conta as massas partindo de seu grau de consci\u00eancia e de suas necessidades, devemos saber que hoje essa exig\u00eancia \u00e9 tamb\u00e9m o melhor est\u00edmulo para o aprofundamento do processo revolucion\u00e1rio que estamos vivendo. N\u00e3o pode haver desculpa para deixar de fornecer esse apoio. A luta contra a amea\u00e7a imperialista est\u00e1 integrada com a luta contra o desemprego e a infla\u00e7\u00e3o, a luta pelos direitos sindicais e democr\u00e1ticos, especialmente das nacionalidades oprimidas, e a luta por uma Assembleia Constituinte, pela nacionaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio exterior e todas as empresas imperialistas e capitalistas: a luta pela entrega da terra aos camponeses pobres ou sem-terra, a luta pelos direitos das mulheres; e todas essas reivindica\u00e7\u00f5es devem ter como eixo a luta pela extens\u00e3o dos comit\u00eas oper\u00e1rios e populares e sua centraliza\u00e7\u00e3o e a luta por um governo oper\u00e1rio e campon\u00eas, integradas \u00e0 luta contra a amea\u00e7a imperialista. Esta \u00e9 uma quest\u00e3o de princ\u00edpio para os trotskistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas isso n\u00e3o pode ser uma mera declara\u00e7\u00e3o. Isso implica um compromisso e uma atividade em defesa do Ir\u00e3, como \u00e9 hoje, contra essa amea\u00e7a. Isso implica acordos para a\u00e7\u00f5es com todas as for\u00e7as que se op\u00f5em a essas amea\u00e7as. Esta pol\u00edtica de unidade na a\u00e7\u00e3o contra as amea\u00e7as do imperialismo ianque \u00e9 a melhor maneira de garantir uma luta consequente para os outros aspectos program\u00e1ticos dos marxistas revolucion\u00e1rios. Qualquer outra atitude \u00e9 mera declama\u00e7\u00e3o internacionalista e anti-imperialista e n\u00e3o uma aut\u00eantica pol\u00edtica revolucion\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A invas\u00e3o das tropas sovi\u00e9ticas no Afeganist\u00e3o \u00e9 a melhor ajuda que os ianques poderiam receber no momento atual. Embarcados nesta a\u00e7\u00e3o, a URSS e os partidos comunistas que a apoiam est\u00e3o desqualificados para chamar a\u00e7\u00f5es de solidariedade com a revolu\u00e7\u00e3o iraniana, supondo, no melhor dos casos, que quisessem organiz\u00e1-las. Em uma palavra, a burocracia sovi\u00e9tica \u00e9 um fator desmobilizador em escala mundial e, nesse sentido, cumpre seu papel contrarrevolucion\u00e1rio de encorajar as amea\u00e7as e provoca\u00e7\u00f5es do imperialismo norte-americano e a cumplicidade das demais burguesias imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>O Secretariado Unificado da Quarta Internacional, devido \u00e0 sua crise cr\u00f4nica, ultimamente agravada pela capitula\u00e7\u00e3o total \u00e0 dire\u00e7\u00e3o burguesa nicaraguense, n\u00e3o conseguiu estar \u00e0 altura das circunst\u00e2ncias. A an\u00e1lise e a a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1rias foram substitu\u00eddas por coment\u00e1rios e impressionismo pequeno-burgueses. E uma longa cadeia de contradi\u00e7\u00f5es e linhas opostos foram revelados nos \u00faltimos dez anos.<\/p>\n\n\n\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o na Nicar\u00e1gua agu\u00e7ou a crise do Secretariado Unificado. A revis\u00e3o nos princ\u00edpios n\u00e3o poderia deixar de se expressar na pol\u00edtica concreta. De uma posi\u00e7\u00e3o sect\u00e1ria com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 FSLN, passou ao oportunismo mais vergonhoso, quando derrotado Somoza, foi instalado na Nicar\u00e1gua o Governo de Reconstru\u00e7\u00e3o Nacional. O apoio incondicional a esse governo e \u00e0 FSLN, que o sustentava com sua autoridade, acabou por desmoronar essa condu\u00e7\u00e3o. Infelizmente, o SWP, partido de Cannon, \u00e9 o que est\u00e1 na vanguarda dessa degenera\u00e7\u00e3o do SU e por isso n\u00e3o \u00e9 por acaso que no Ir\u00e3 tenha pol\u00edticas contradit\u00f3rias, guinadas sect\u00e1rias e oportunistas que culminam no apoio ao governo de Khomeini e Bani Sadr, que infelizmente levou o jovem partido trotskista a uma divis\u00e3o em um momento em que a presen\u00e7a de um partido trotskista coerente \u00e9 mais necess\u00e1ria; Mas o que poder\u00edamos esperar quando o SU acaba de votar que a exist\u00eancia de um partido trotskista independente n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria na Nicar\u00e1gua e que \u00e9 muito bom para uma dire\u00e7\u00e3o burguesa expulsar do pa\u00eds os trotskistas que s\u00e3o a favor do aprofundamento do processo revolucion\u00e1rio e entreg\u00e1-los \u00e0 pol\u00edcia panamenha para reprimi-los?<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, a revolu\u00e7\u00e3o no Ir\u00e3 n\u00e3o parou. A revolu\u00e7\u00e3o continua. Os \u00faltimos acontecimentos, no momento em que escrevemos este artigo, atestam isso. Em 23 de dezembro, centenas de milhares de trabalhadores, representando mais de 120 comit\u00eas de f\u00e1brica, se reuniram diante da embaixada dos Estados Unidos em Teer\u00e3 para mostrar seu apoio aos estudantes que a ocupam e se op\u00f5em a qualquer compromisso com o imperialismo ianque.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo informa\u00e7\u00f5es da r\u00e1dio e da televis\u00e3o, milhares e milhares de trabalhadores desfilaram por Teer\u00e3 e depois se reuniram para ouvir a apresenta\u00e7\u00e3o de um programa de reivindica\u00e7\u00f5es pelo centro organizador da marcha.<\/p>\n\n\n\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o foi organizada em nome do isl\u00e3, do Imam Khomeini e do conselho da revolu\u00e7\u00e3o, mas entre suas principais reivindica\u00e7\u00f5es estavam: &#8220;abolir o capitalismo e o roubo&#8221;; que o governo assuma o controle total do planejamento industrial e coloque a ind\u00fastria a servi\u00e7o do crescimento nacional; e que gerencie todas as f\u00e1bricas com a colabora\u00e7\u00e3o dos comit\u00eas de cada f\u00e1brica. Ainda n\u00e3o h\u00e1 sovietes, mas ningu\u00e9m pode contestar neste momento que esses comit\u00eas de f\u00e1brica e de bairro s\u00e3o embri\u00f5es de poder que devem ser desenvolvidos e ampliados. Que o centro organizador desta marcha tenha concentrado 128 comit\u00eas \u00e9 uma prova do progresso do processo revolucion\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Se eles acabarem sendo controlados por uma orienta\u00e7\u00e3o puramente nacionalista ou se sua centraliza\u00e7\u00e3o se aprofunde em dire\u00e7\u00e3o aos organismos sovi\u00e9ticos depender\u00e1 do surgimento de uma lideran\u00e7a verdadeiramente revolucion\u00e1ria no Ir\u00e3. Mas esse movimento das massas, n\u00e3o s\u00f3 dos trabalhadores, pois j\u00e1 surgiram os comit\u00eas camponeses, junto com muitas ocupa\u00e7\u00f5es de terras e com as nacionalidades oprimidas, \u00e9 o que est\u00e1 dando o tom no Ir\u00e3. O governo burgu\u00eas nacionalista chefiado por Khomeini n\u00e3o teve outra alternativa sen\u00e3o ceder a essa influ\u00eancia, para continuar mantendo o controle do processo, que, querendo ou n\u00e3o, est\u00e1 se aprofundando. Esta \u00e9 a verdadeira constata\u00e7\u00e3o que precisa ser feita.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que discordamos totalmente do editorialista do Le Monde. Um ano depois da revolu\u00e7\u00e3o iraniana, ela se aprofunda, o que falta \u00e9 o partido revolucion\u00e1rio capaz de aproveitar a tremenda oportunidade oferecida pela revolu\u00e7\u00e3o iraniana para faz\u00ea-la culminar com o estabelecimento da ditadura do proletariado. \u00c9 verdade que \u00e9 um objetivo muito ambicioso e as fraquezas do trotskismo s\u00e3o muito grandes. Mas essa \u00e9 a \u00fanica perspectiva v\u00e1lida para revolucion\u00e1rios aut\u00eanticos. As for\u00e7as que est\u00e3o se realinhando hoje em torno do Comit\u00ea Conjunto n\u00e3o podem deixar de trabalhar com essa perspectiva em mente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Ir\u00e3 | Apesar de Bani Sadr, a revolu\u00e7\u00e3o iraniana continua [1980]<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Depois que o camarada Ernesto Gonz\u00e1lez terminou seu artigo sobre o Ir\u00e3, ocorreu algo que chamou a aten\u00e7\u00e3o de toda a imprensa burguesa: a elei\u00e7\u00e3o de Bani Sadr \u00e0 presid\u00eancia. O mesmo que alguns meses antes teve que renunciar ao cargo de ministro das rela\u00e7\u00f5es exteriores denunciado pelos estudantes que ocupavam a embaixada dos EUA, por sua pol\u00edtica de acordo com o imperialismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por: J\u00falio Valentim<\/p>\n\n\n\n<p>Revista Correspond\u00eancia Internacional No. 2, abril de 1980, pp. 47-51<\/p>\n\n\n\n<p>Toda a imprensa burguesa viu na elei\u00e7\u00e3o de Bani Sadr uma manifesta\u00e7\u00e3o do que chamavam de &#8220;cansa\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o iraniana pela desordem e anarquia&#8221;. Isso quer dizer, na linguagem particular dos jornalistas burgueses, retrocesso da revolu\u00e7\u00e3o nesse pa\u00eds e nessa regi\u00e3o fundamental para a ordem imperialista. Nos editoriais desses jornais havia unanimidade em saudar &#8220;o retorno do Ir\u00e3 ao concerto das na\u00e7\u00f5es civilizadas&#8221;. Colunistas que s\u00f3 usavam vermelho e preto para pintar a situa\u00e7\u00e3o no Ir\u00e3 imediatamente come\u00e7aram a sonhar com a possibilidade de ver uma &#8220;rep\u00fablica isl\u00e2mica&#8221; instalada no Ir\u00e3 que estabilizaria a revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos dias que se seguiram \u00e0 sua elei\u00e7\u00e3o, Bani Sadr acumulou um n\u00famero impressionante de declara\u00e7\u00f5es: a ordem iria voltar a Teer\u00e3o em poucos dias, os poderes \u201cparalelos\u201d iriam desaparecer, os \u201cref\u00e9ns\u201d seriam libertados, as guerrilhas direitistas do Afeganist\u00e3o iriam receber uma ajuda maci\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio, o imperialismo ianque fez alguns gestos para ajudar Bani Sadr: algumas das medidas adotadas pelo imperialismo dos Estados Unidos contra o povo e a revolu\u00e7\u00e3o iraniana foram suprimidas. Em poucas semanas, por\u00e9m, uma nova mudan\u00e7a de atitude: a satisfa\u00e7\u00e3o dos c\u00edrculos imperialistas transformou-se em cautela e, mais tarde, a cautela em franca decep\u00e7\u00e3o. Hodding Carter, que semanas atr\u00e1s se declarava satisfeito com a situa\u00e7\u00e3o no Ir\u00e3, come\u00e7ou a declarar: &#8220;N\u00e3o parece \u00fatil, neste momento, comentar a evolu\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a mudan\u00e7a mais espetacular ocorreu no pr\u00f3prio Bani Sadr. O homem que anunciava o fim do duplo poder, teve que come\u00e7ar a reconhecer: &#8220;&#8230; eu s\u00f3 fui nomeado presidente do Conselho da Revolu\u00e7\u00e3o, que continua a exercer os seus poderes legislativo e executivo&#8230;&#8221; O homem que anunciava que os &#8220;ref\u00e9ns&#8221; seriam libertados em apenas alguns dias sem pedir a opini\u00e3o dos estudantes e das massas iranianas que apoiavam os estudantes, teve que declarar &#8220;&#8230; nunca recorreremos \u00e0 for\u00e7a contra os jovens patriotas sinceramente revolucion\u00e1rios e cujos sentimentos revolucion\u00e1rios n\u00e3o podem ser colocados em d\u00favida&#8230;\u201d O mesmo Bani Sadr que anunciava o in\u00edcio de uma guerra santa contra as tropas sovi\u00e9ticas no Afeganist\u00e3o, teve que voltar e declarar \u201c&#8230; n\u00e3o come\u00e7amos a dar ajuda, porque antes de tudo, temos que distinguir os grupos afeg\u00e3os ligados aos Estados Unidos e ao Paquist\u00e3o e aqueles que combatem sinceramente pela independ\u00eancia nacional\u2026\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Bani Sadr \u00e9 o homem do acordo com o imperialismo. \u00c9 atrav\u00e9s dele que o regime de Carter tentar\u00e1 uma nova fase da ofensiva contrarrevolucion\u00e1ria contra as massas iranianas. No entanto, esses &#8220;retrocessos&#8221; do at\u00e9 pouco tempo arrogante presidente, traduzem bem um fato fundamental: a revolu\u00e7\u00e3o no Ir\u00e3 est\u00e1 em marcha; n\u00e3o retrocedeu. Nesse sentido, os novos acontecimentos confirmam totalmente a an\u00e1lise do camarada Ernesto Gonz\u00e1lez: o Ir\u00e3 continua sendo o centro de uma grande revolu\u00e7\u00e3o que est\u00e1 apenas come\u00e7ando.<\/p>\n\n\n\n<p>O povo iraniano exige a extradi\u00e7\u00e3o do X\u00e1; Bani Sadr se op\u00f5e a essa reivindica\u00e7\u00e3o. O artigo que o leitor ler\u00e1 a seguir enfatiza a luta pela extradi\u00e7\u00e3o do X\u00e1 como parte da defesa da revolu\u00e7\u00e3o iraniana contra as amea\u00e7as do imperialismo e do pr\u00f3prio governo de Bani Sadr.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 um ano, a revolu\u00e7\u00e3o iraniana<\/strong>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Um ano ap\u00f3s a fuga do X\u00e1, em 16 de janeiro de 1980, J. M. Durand-Soufland, no <em>Le Monde<\/em>, tentou apresentar um balan\u00e7o desmoralizante da revolu\u00e7\u00e3o iraniana, recuperando algumas vers\u00f5es e encerrando seu artigo com as seguintes refer\u00eancias: \u201c<em>Estamos administrando a anarquia<\/em>\u201d, confessou a um compatriota nosso, um funcion\u00e1rio da pol\u00edcia de uma cidade provinciana; \u201c<em>obedecemos a v\u00e1rios minist\u00e9rios<\/em>\u201d, lamentou outro; \u201c<em>O Ir\u00e3 est\u00e1 doente, muito doente<\/em>\u201d, disse-nos um professor universit\u00e1rio; e um estudante rapidamente conclu\u00eda: \u201c<em>O Ir\u00e3 est\u00e1 perdido<\/em>\u201d, h\u00e1 apenas uma pequena chance de sa\u00edda: renunciar \u00e0 \u201crep\u00fablica isl\u00e2mica\u201d em favor de uma rep\u00fablica verdadeiramente democr\u00e1tica, sem Mohllas nem turbantes: \u201ctriste constata\u00e7\u00e3o para um primeiro anivers\u00e1rio\u201d (os destacados s\u00e3o nossos).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa anarquia que preocupa o editorialista do Le Monde \u00e9 a revolu\u00e7\u00e3o iraniana que continua sendo hoje o ponto mais ardente da luta de classes em escala mundial. S\u00e3o as massas que est\u00e3o na ofensiva e n\u00e3o permitem que se estabilize o novo regime burgu\u00eas e nacionalista dirigido por Khomeini.<\/p>\n\n\n\n<p>A provoca\u00e7\u00e3o desavergonhada do imperialismo ianque, de receber o X\u00e1, serviu de est\u00edmulo a essas massas para abrir um novo per\u00edodo de mobiliza\u00e7\u00f5es que se centraram na ocupa\u00e7\u00e3o da embaixada dos Estados Unidos em Teer\u00e3 e que culminaram no processo aberto dos ref\u00e9ns, acusado de espionagem. Sim, a revolu\u00e7\u00e3o iraniana continua viva. Apesar de ainda n\u00e3o haver um partido revolucion\u00e1rio para dirigi-la, a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi domada nem desviada e, portanto, precisa do apoio incondicional de todo o movimento oper\u00e1rio e popular do mundo para evitar que seja derrotada.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a constata\u00e7\u00e3o dessa vitalidade revolucion\u00e1ria da classe trabalhadora iraniana e de outros setores populares n\u00e3o significa que ignoremos ou minimizemos os perigos que espreitam o processo. O imperialismo norte-americano, castigado ap\u00f3s a derrota no Vietn\u00e3, recebeu um novo golpe no Ir\u00e3, mas n\u00e3o se transformou em um tigre \u201cde papel&#8221;, como gostavam de dizer os seguidores de Mao. Carter e seus associados est\u00e3o usando o argumento dos &#8220;ref\u00e9ns&#8221; para orquestrar, em escala global, uma ofensiva de todos os tipos, come\u00e7ando pela propaganda e pela diplomacia, mas que j\u00e1 tem efeitos econ\u00f4micos e militares, embora estes n\u00e3o tenham se materializado em uma invas\u00e3o direta como no Vietn\u00e3. Isso \u00e9 um fato, e os revolucion\u00e1rios de todo o mundo n\u00e3o podem ter d\u00favidas sobre de que lado da barricada se posicionar.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante dos ataques e provoca\u00e7\u00f5es do imperialismo, os marxistas revolucion\u00e1rios, os trotskistas, estamos com as massas e os povos iranianos e fazemos nossas as palavras de ordem fundamentais que os mobilizam hoje. O direito democr\u00e1tico de julgar o ditador mais sangrento dos \u00faltimos tempos \u00e9 um direito m\u00ednimo que ningu\u00e9m pode negar-lhes. E \u00e9 por isso que a exig\u00eancia de extradi\u00e7\u00e3o do X\u00e1 pelas massas iranianas deve merecer todo o nosso apoio, n\u00e3o por uma atitude moral, mas porque essa reivindica\u00e7\u00e3o m\u00ednima democr\u00e1tica \u00e9 a que hoje mobiliza milh\u00f5es e milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Se realmente entendemos o que significa o Programa de Transi\u00e7\u00e3o, se realmente aprendemos a levar em conta as massas partindo de seu grau de consci\u00eancia e de suas necessidades, devemos saber que hoje essa exig\u00eancia \u00e9 tamb\u00e9m o melhor est\u00edmulo para o aprofundamento do processo revolucion\u00e1rio que estamos vivendo. N\u00e3o pode haver desculpa para deixar de fornecer esse apoio. A luta contra a amea\u00e7a imperialista est\u00e1 integrada com a luta contra o desemprego e a infla\u00e7\u00e3o, a luta pelos direitos sindicais e democr\u00e1ticos, especialmente das nacionalidades oprimidas, e a luta por uma Assembleia Constituinte, pela nacionaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio exterior e todas as empresas imperialistas e capitalistas: a luta pela entrega da terra aos camponeses pobres ou sem-terra, a luta pelos direitos das mulheres; e todas essas reivindica\u00e7\u00f5es devem ter como eixo a luta pela extens\u00e3o dos comit\u00eas oper\u00e1rios e populares e sua centraliza\u00e7\u00e3o e a luta por um governo oper\u00e1rio e campon\u00eas, integradas \u00e0 luta contra a amea\u00e7a imperialista. Esta \u00e9 uma quest\u00e3o de princ\u00edpio para os trotskistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas isso n\u00e3o pode ser uma mera declara\u00e7\u00e3o. Isso implica um compromisso e uma atividade em defesa do Ir\u00e3, como \u00e9 hoje, contra essa amea\u00e7a. Isso implica acordos para a\u00e7\u00f5es com todas as for\u00e7as que se op\u00f5em a essas amea\u00e7as. Esta pol\u00edtica de unidade na a\u00e7\u00e3o contra as amea\u00e7as do imperialismo ianque \u00e9 a melhor maneira de garantir uma luta consequente para os outros aspectos program\u00e1ticos dos marxistas revolucion\u00e1rios. Qualquer outra atitude \u00e9 mera declama\u00e7\u00e3o internacionalista e anti-imperialista e n\u00e3o uma aut\u00eantica pol\u00edtica revolucion\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A invas\u00e3o das tropas sovi\u00e9ticas no Afeganist\u00e3o \u00e9 a melhor ajuda que os ianques poderiam receber no momento atual. Embarcados nesta a\u00e7\u00e3o, a URSS e os partidos comunistas que a apoiam est\u00e3o desqualificados para chamar a\u00e7\u00f5es de solidariedade com a revolu\u00e7\u00e3o iraniana, supondo, no melhor dos casos, que quisessem organiz\u00e1-las. Em uma palavra, a burocracia sovi\u00e9tica \u00e9 um fator desmobilizador em escala mundial e, nesse sentido, cumpre seu papel contrarrevolucion\u00e1rio de encorajar as amea\u00e7as e provoca\u00e7\u00f5es do imperialismo norte-americano e a cumplicidade das demais burguesias imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>O Secretariado Unificado da Quarta Internacional, devido \u00e0 sua crise cr\u00f4nica, ultimamente agravada pela capitula\u00e7\u00e3o total \u00e0 dire\u00e7\u00e3o burguesa nicaraguense, n\u00e3o conseguiu estar \u00e0 altura das circunst\u00e2ncias. A an\u00e1lise e a a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1rias foram substitu\u00eddas por coment\u00e1rios e impressionismo pequeno-burgueses. E uma longa cadeia de contradi\u00e7\u00f5es e linhas opostos foram revelados nos \u00faltimos dez anos.<\/p>\n\n\n\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o na Nicar\u00e1gua agu\u00e7ou a crise do Secretariado Unificado. A revis\u00e3o nos princ\u00edpios n\u00e3o poderia deixar de se expressar na pol\u00edtica concreta. De uma posi\u00e7\u00e3o sect\u00e1ria com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 FSLN, passou ao oportunismo mais vergonhoso, quando derrotado Somoza, foi instalado na Nicar\u00e1gua o Governo de Reconstru\u00e7\u00e3o Nacional. O apoio incondicional a esse governo e \u00e0 FSLN, que o sustentava com sua autoridade, acabou por desmoronar essa condu\u00e7\u00e3o. Infelizmente, o SWP, partido de Cannon, \u00e9 o que est\u00e1 na vanguarda dessa degenera\u00e7\u00e3o do SU e por isso n\u00e3o \u00e9 por acaso que no Ir\u00e3 tenha pol\u00edticas contradit\u00f3rias, guinadas sect\u00e1rias e oportunistas que culminam no apoio ao governo de Khomeini e Bani Sadr, que infelizmente levou o jovem partido trotskista a uma divis\u00e3o em um momento em que a presen\u00e7a de um partido trotskista coerente \u00e9 mais necess\u00e1ria; Mas o que poder\u00edamos esperar quando o SU acaba de votar que a exist\u00eancia de um partido trotskista independente n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria na Nicar\u00e1gua e que \u00e9 muito bom para uma dire\u00e7\u00e3o burguesa expulsar do pa\u00eds os trotskistas que s\u00e3o a favor do aprofundamento do processo revolucion\u00e1rio e entreg\u00e1-los \u00e0 pol\u00edcia panamenha para reprimi-los?<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, a revolu\u00e7\u00e3o no Ir\u00e3 n\u00e3o parou. A revolu\u00e7\u00e3o continua. Os \u00faltimos acontecimentos, no momento em que escrevemos este artigo, atestam isso. Em 23 de dezembro, centenas de milhares de trabalhadores, representando mais de 120 comit\u00eas de f\u00e1brica, se reuniram diante da embaixada dos Estados Unidos em Teer\u00e3 para mostrar seu apoio aos estudantes que a ocupam e se op\u00f5em a qualquer compromisso com o imperialismo ianque.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo informa\u00e7\u00f5es da r\u00e1dio e da televis\u00e3o, milhares e milhares de trabalhadores desfilaram por Teer\u00e3 e depois se reuniram para ouvir a apresenta\u00e7\u00e3o de um programa de reivindica\u00e7\u00f5es pelo centro organizador da marcha.<\/p>\n\n\n\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o foi organizada em nome do isl\u00e3, do Imam Khomeini e do conselho da revolu\u00e7\u00e3o, mas entre suas principais reivindica\u00e7\u00f5es estavam: &#8220;abolir o capitalismo e o roubo&#8221;; que o governo assuma o controle total do planejamento industrial e coloque a ind\u00fastria a servi\u00e7o do crescimento nacional; e que gerencie todas as f\u00e1bricas com a colabora\u00e7\u00e3o dos comit\u00eas de cada f\u00e1brica. Ainda n\u00e3o h\u00e1 sovietes, mas ningu\u00e9m pode contestar neste momento que esses comit\u00eas de f\u00e1brica e de bairro s\u00e3o embri\u00f5es de poder que devem ser desenvolvidos e ampliados. Que o centro organizador desta marcha tenha concentrado 128 comit\u00eas \u00e9 uma prova do progresso do processo revolucion\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Se eles acabarem sendo controlados por uma orienta\u00e7\u00e3o puramente nacionalista ou se sua centraliza\u00e7\u00e3o se aprofunde em dire\u00e7\u00e3o aos organismos sovi\u00e9ticos depender\u00e1 do surgimento de uma lideran\u00e7a verdadeiramente revolucion\u00e1ria no Ir\u00e3. Mas esse movimento das massas, n\u00e3o s\u00f3 dos trabalhadores, pois j\u00e1 surgiram os comit\u00eas camponeses, junto com muitas ocupa\u00e7\u00f5es de terras e com as nacionalidades oprimidas, \u00e9 o que est\u00e1 dando o tom no Ir\u00e3. O governo burgu\u00eas nacionalista chefiado por Khomeini n\u00e3o teve outra alternativa sen\u00e3o ceder a essa influ\u00eancia, para continuar mantendo o controle do processo, que, querendo ou n\u00e3o, est\u00e1 se aprofundando. Esta \u00e9 a verdadeira constata\u00e7\u00e3o que precisa ser feita.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que discordamos totalmente do editorialista do Le Monde. Um ano depois da revolu\u00e7\u00e3o iraniana, ela se aprofunda, o que falta \u00e9 o partido revolucion\u00e1rio capaz de aproveitar a tremenda oportunidade oferecida pela revolu\u00e7\u00e3o iraniana para faz\u00ea-la culminar com o estabelecimento da ditadura do proletariado. \u00c9 verdade que \u00e9 um objetivo muito ambicioso e as fraquezas do trotskismo s\u00e3o muito grandes. Mas essa \u00e9 a \u00fanica perspectiva v\u00e1lida para revolucion\u00e1rios aut\u00eanticos. As for\u00e7as que est\u00e3o se realinhando hoje em torno do Comit\u00ea Conjunto n\u00e3o podem deixar de trabalhar com essa perspectiva em mente.<\/p>\n\n\n\n<p>tradu\u00e7\u00e3o: Tae Amaru<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois que o camarada Ernesto Gonz\u00e1lez terminou seu artigo sobre o Ir\u00e3, ocorreu algo que chamou a aten\u00e7\u00e3o de toda a imprensa burguesa: a elei\u00e7\u00e3o de Bani Sadr \u00e0 presid\u00eancia. 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