{"id":75147,"date":"2022-11-04T00:10:38","date_gmt":"2022-11-04T00:10:38","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=75147"},"modified":"2022-11-04T00:10:40","modified_gmt":"2022-11-04T00:10:40","slug":"ira-as-licoes-da-revolucao-de-fevereiro-1980","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/11\/04\/ira-as-licoes-da-revolucao-de-fevereiro-1980\/","title":{"rendered":"<strong><em>Ir\u00e3 | As li\u00e7\u00f5es da revolu\u00e7\u00e3o de fevereiro [1980]<\/em><\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Ningu\u00e9m pode duvidar hoje do significado extraordin\u00e1rio que a revolu\u00e7\u00e3o iraniana tem. Arthur Schlesinger, antigo secret\u00e1rio de Defesa do imperialismo ianque declarava ao Time Magazine&nbsp;que era \u201cum cataclismo para os Estados Unidos, a primeira revolu\u00e7\u00e3o s\u00e9ria depois de 1917 em termos de impacto mundial\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Ernesto Gonz\u00e1lez<\/p>\n\n\n\n<p>Revista Correspond\u00eancia Internacional No 2, abril 1980, pg. 35-47<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, podemos discutir sobre as analogias e diferen\u00e7as existentes entre a grande Revolu\u00e7\u00e3o Russa e esta que est\u00e1 se desenvolvendo em uma regi\u00e3o particularmente explosiva, mas n\u00e3o podemos minimizar sua repercuss\u00e3o mundial. Da\u00ed surge a necessidade de destacar alguns aspectos gerais para melhor nos situarmos diante dos problemas atuais que requerem nossa participa\u00e7\u00e3o efetiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, a revolu\u00e7\u00e3o iraniana confirma a teoria-programa da revolu\u00e7\u00e3o permanente. Come\u00e7a com exig\u00eancias democr\u00e1ticas: desde a agita\u00e7\u00e3o dos meios intelectuais e pequeno burgueses a favor da liberdade dos presos, contra a censura, contra a repress\u00e3o, e culmina na proposta de Abaixo o X\u00e1! e a odiada monarquia apoiada e respaldada pelo imperialismo ianque, com a complac\u00eancia criminosa da URSS e da China. Mas n\u00e3o se limita \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas formais. A luta contra o X\u00e1 e sua sangrenta pol\u00edcia, a Sabak, levou ao enfrentamento com o principal inimigo das massas e do povo iraniano: o colossal imp\u00e9rio norte-americano. N\u00e3o apenas contra seus \u201cconselheiros\u201d militares, mas contra as numerosas empresas que, como a Exxon ou a Texaco, eram as principais benefici\u00e1rias da explora\u00e7\u00e3o de todo o povo iraniano. Khomeini se colocou na lideran\u00e7a da mobiliza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria das massas. Os setores ligados aos c\u00e9lebres Bazares e \u00e0 hierarquia religiosa xiita foram sua base de sustenta\u00e7\u00e3o. O desterro imposto pela monarquia de Pahlevi, desde 1963, agregou o aspecto emocional, que o converteu no caudilho indiscut\u00edvel deste processo. Por\u00e9m \u00e9 um fato que a revolu\u00e7\u00e3o iraniana se acelera quando entra em cena o jovem e inexperiente proletariado. A decomposi\u00e7\u00e3o do regime se acentua a partir de 1977 e \u00e9 a\u00ed que a resist\u00eancia come\u00e7a a ressurgir. Em janeiro de 1978 a cidade religiosa de Quom foi surpreendida pelas manifesta\u00e7\u00f5es populares a favor de Khomeini. A pol\u00edcia atacou e houve v\u00e1rios feridos, mas a luta n\u00e3o foi apagada. Pelo contr\u00e1rio. Quarenta dias depois come\u00e7ou uma nova onda de manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Tabriz houve um verdadeiro levantamento popular. Pela primeira vez aparece a consigna de \u201cMorte ao X\u00e1\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A disciplina do ex\u00e9rcito se fragilizou e foi incapaz de controlar a popula\u00e7\u00e3o que se tornou dona da cidade. O regime, para poder voltar a controlar a situa\u00e7\u00e3o, teve que trazer tropas de outras guarni\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a onda se estende a outras cidades. O peso da hierarquia xiita \u00e9 inquestion\u00e1vel. Seus 180.000 mulahs<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/iran-las-lecciones-de-la-revolucion-de-febrero-1980\/#_ftn1\">[1]<\/a> e suas 80.000 mesquitas com seus 60.000 estudantes se transformam nos organizadores desta rea\u00e7\u00e3o. Em agosto de 1978, o X\u00e1 imp\u00f5e a lei marcial em lsfahan por um lado, e muda seu gabinete por outro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em setembro as demonstra\u00e7\u00f5es alcan\u00e7am uma envergadura nunca vista. De tr\u00eas a quatro milh\u00f5es de pessoas se mobilizaram em todo o pa\u00eds no dia 4 daquele m\u00eas. Em Teer\u00e3 desfilaram mais de meio milh\u00e3o e confraternizaram com as tropas. A resposta do governo n\u00e3o se fez esperar: imp\u00f4s a lei marcial em outras doze cidades e milhares de pessoas foram mortas no que passou para a hist\u00f3ria como a Sexta-feira Sangrenta. Isso ocorreu em 8 de setembro de 1978.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 greve dos banc\u00e1rios se uniram as dos telegrafistas e a dos funcion\u00e1rios do governo. Mas n\u00e3o s\u00f3 os funcion\u00e1rios entraram em greve. Os oper\u00e1rios das minas de cobre, do porto, das ferrovias, dos t\u00eaxteis, tamb\u00e9m se uniram \u00e0 onda grevista. Em 31 de outubro a greve dos oper\u00e1rios petroleiros sacudiu o regime.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 5 de novembro, as manifesta\u00e7\u00f5es populares se estenderam por todo o Ir\u00e3. O X\u00e1 colocou o pa\u00eds sob controle militar do general Azhari.&nbsp;Mas a sorte estava lan\u00e7ada. Uma nova greve geral dos oper\u00e1rios petroleiros nos primeiros dias de dezembro marcou a ofensiva final contra o governo. O deslocamento de Azhari e a nomea\u00e7\u00e3o de Bakhtiar, por parte da ditadura do X\u00e1, n\u00e3o conseguiu desmobilizar as massas, como a repress\u00e3o n\u00e3o havia conseguido, nem as amea\u00e7as dos oficiais sobre os soldados que se negavam a atirar. Era a decomposi\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito, era a insurrei\u00e7\u00e3o, era a revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria que come\u00e7ava no Ir\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o dos mec\u00e2nicos (Homafars) nas for\u00e7as a\u00e9reas terminou de anarquizar as for\u00e7as armadas. Sua greve em janeiro de 1979 e sua participa\u00e7\u00e3o nas mobiliza\u00e7\u00f5es nas ruas indicavam que a insurrei\u00e7\u00e3o estava prestes a explodir. Sua resist\u00eancia aos ataques da Guarda Real em 9 de fevereiro foi a fa\u00edsca que incendiou o pasto e armou as massas de Teer\u00e3. Depois de tr\u00eas dias a insurrei\u00e7\u00e3o havia triunfado, estendendo-se a todo o pa\u00eds e destruindo a monarquia. A interven\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio tinha sido decisiva, mas o novo governo estava nas m\u00e3os dos setores burgueses nacionalistas com Khomeini \u00e0 frente. De acordo com o calend\u00e1rio da Revolu\u00e7\u00e3o Russa est\u00e1vamos na etapa da revolu\u00e7\u00e3o de fevereiro. As massas se insurrecionaram, mas tinham entregado o poder aos representantes de um setor da burguesia. Uma diferen\u00e7a importante \u00e9 que a R\u00fassia dos czares, embora subdesenvolvida, era um pa\u00eds imperialista e o Ir\u00e3 do X\u00e1 uma semicol\u00f4nia do imperialismo norte-americano.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 isso que explica as contradi\u00e7\u00f5es em que se encontrar\u00e1 o novo governo encabe\u00e7ado por Khomeini, no influxo das press\u00e3o das massas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, o fato de que o peso de Khomeini e seu movimento sejam t\u00e3o grandes n\u00e3o se devem somente ao fator religioso. Tem a ver com a debilidade do movimento oper\u00e1rio e a falta de um partido revolucion\u00e1rio. Tamb\u00e9m nisso a R\u00fassia se diferencia do Ir\u00e3. Os dois pa\u00edses eram atrasados, mas na R\u00fassia a concentra\u00e7\u00e3o do proletariado nas grandes cidades como Petrogrado e Moscou, foi decisiva para que se convertessem no caudilho da revolu\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de suas pr\u00f3prias organiza\u00e7\u00f5es: os sovietes. Por outro lado, o Partido Bolchevique estava l\u00e1 para guiar a a\u00e7\u00e3o das massas.<\/p>\n\n\n\n<p>No Ir\u00e3 haviam surgido os embri\u00f5es do poder atual. Durante a insurrei\u00e7\u00e3o, os comit\u00eas de bairro organizados fundamentalmente pelas mesquitas, cumpriram um certo papel centralizador. O elemento novo, \u00e9 que depois da queda do X\u00e1, come\u00e7am a surgir os comit\u00eas de f\u00e1brica, com uma tend\u00eancia \u00e0 coordena\u00e7\u00e3o. Esta forma de organiza\u00e7\u00e3o superior \u00e0 dos sindicatos, que tamb\u00e9m est\u00e3o se desenvolvendo de forma fabulosa n\u00e3o s\u00e3o, ainda, os sovietes, mas ningu\u00e9m poder\u00e1 contestar que s\u00e3o formas embrion\u00e1rias de poder dual. &nbsp;Os mec\u00e2nicos estiveram na vanguarda da organiza\u00e7\u00e3o entre os soldados. J\u00e1 os vimos agir antes e durante a insurrei\u00e7\u00e3o. Depois dela, continuaram sua atividade protestando, por exemplo, quando o primeiro ministro de Khomeini, Bazargan, tentou nomear dentro do ex\u00e9rcito oficiais que haviam pertencido ao ex\u00e9rcito do X\u00e1. Suas demandas continuaram at\u00e9 propor o direito de eleger todos os oficiais e de exigir que o armamento da popula\u00e7\u00e3o civil fosse mantido.<\/p>\n\n\n\n<p>As amea\u00e7as do imperialismo norte-americano n\u00e3o fizeram mais do que aprofundar este processo. Os estudantes desempenham o papel mais destacado, mas a demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a realizada por 128 comit\u00eas de f\u00e1brica, em 23 de dezembro, independentemente de toda conota\u00e7\u00e3o, indica a din\u00e2mica atual. O mesmo ocorreu com o campesinato. A press\u00e3o imperialista se reflete nos grandes propriet\u00e1rios, cujas terras ainda n\u00e3o haviam sido distribu\u00eddas. Muitos pequenos camponeses de Quom e Teer\u00e3 se mobilizaram frente \u00e0 amea\u00e7a de bloqueio econ\u00f4mico por parte dos ianques, mas ao mesmo tempo est\u00e3o pedindo ao governo que instrumente a reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>No desenvolvimento e aprofundamento destes embri\u00f5es de poder dual, reside o futuro da revolu\u00e7\u00e3o iraniana. Estas s\u00e3o as li\u00e7\u00f5es da \u201cRevolu\u00e7\u00e3o de Fevereiro\u201d, mas tudo indica que \u00e9 preciso avan\u00e7ar para a \u201cRevolu\u00e7\u00e3o de Outubro\u201d, sen\u00e3o, pode-se perder tudo. Um verdadeiro partido revolucion\u00e1rio, trotskista, se faz mais necess\u00e1rio do que nunca para permitir a vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria. Para isso tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1ria a elabora\u00e7\u00e3o de uma plataforma que indique os objetivos de cada momento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As&nbsp;provoca\u00e7\u00f5es&nbsp;e&nbsp;amea\u00e7as&nbsp;do imperialismo ianque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a revolu\u00e7\u00e3o iraniana n\u00e3o apenas derrotou o X\u00e1 e a monarquia, mas seu principal suporte, o imperialismo ianque. O controle do pa\u00eds pelos bancos e empresas norte-americanas era total. Em torno deles giravam cinquenta fam\u00edlias ligadas ao X\u00e1 que eram as \u00fanicas beneficiadas com esta explora\u00e7\u00e3o miser\u00e1vel. Por isso o sentimento anti-imperialista, anti-ianque, \u00e9 t\u00e3o generalizado, n\u00e3o s\u00f3 entre os oper\u00e1rios e camponeses, mas entre todos os setores da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse impulso de massas \u00e9 o que explica o car\u00e1ter das medidas anti-imperialistas que o governo de Bazargan-Khomeini teve que tomar.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 8 de junho os bancos foram nacionalizados, e no dia 25 todas as companhias de seguros: o petr\u00f3leo, o g\u00e1s, as ferrovias e a pesca, j\u00e1 haviam sido nacionalizados na \u00e9poca do X\u00e1, embora a explora\u00e7\u00e3o estivesse em m\u00e3os privadas e fundamentalmente controlada atrav\u00e9s dos bancos internacionais. Ao nacionalizar os bancos, a explora\u00e7\u00e3o desses servi\u00e7os passou de fato para m\u00e3os nativas.<\/p>\n\n\n\n<p>O X\u00e1 havia usado os 12 bilh\u00f5es de petrod\u00f3lares anuais obtidos da explora\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera para beneficiar esse setor da burguesia composto pelas 50 fam\u00edlias, e iniciar a \u201crevolu\u00e7\u00e3o industrial\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas todas essas a\u00e7\u00f5es estavam controladas pelos cinco ou seis principais bancos mundiais, entre eles, o Chase Manhattan, que administrava os bens da fam\u00edlia Pahlevi, o First National, o Banco da Am\u00e9rica, o Chemical Bank e o Morgan Bank. Da\u00ed que as obras de \u201cindustrializa\u00e7\u00e3o\u201d, e da \u201creforma agr\u00e1ria\u201d, estavam a servi\u00e7o de uma pol\u00edtica econ\u00f4mica colonialista e n\u00e3o independente, como n\u00e3o poderia ser de outra forma. Os d\u00f3lares recebidos n\u00e3o foram usados para solucionar os problemas de explora\u00e7\u00e3o e mis\u00e9ria das massas oper\u00e1rias e camponesas, mas, pelo contr\u00e1rio, para acentuar essa pol\u00edtica. O poderoso cons\u00f3rcio petroleiro em torno dos bancos tornou a economia nacional ainda mais dependente do que nunca. &nbsp;96% das importa\u00e7\u00f5es tiveram que ser cobertas com os recursos petrol\u00edferos. Em 1957 essa porcentagem era de 67%. As montadoras de autom\u00f3veis estrangeiras dependiam 90% das importa\u00e7\u00f5es provenientes dos pa\u00edses capitalistas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A \u201creforma agr\u00e1ria\u201d destruiu a tradicional agricultura do pa\u00eds, mas n\u00e3o para o benef\u00edcio do campesinato pobre, mas dos cons\u00f3rcios imperialistas que criaram empresas agr\u00e1rias a servi\u00e7o das necessidades \u201cdo mercado\u201d, com a consequ\u00eancia de que o Ir\u00e3, que na \u00e9poca de Mossadeg era exportador, se tornasse importador de produtos agr\u00edcolas. Hoje deve importar 60% de seus alimentos. A \u201creforma agr\u00e1ria\u201d trouxe outra consequ\u00eancia. O \u00eaxodo campon\u00eas encheu as principais cidades de desempregados, sem que o regime tivesse criado a quantidade suficiente de possibilidades de trabalho. Isso acentuou a mis\u00e9ria do povo iraniano. Tr\u00eas milh\u00f5es e meio de desempregados sobre uma popula\u00e7\u00e3o ativa de 11 milh\u00f5es e 63% de analfabetos, \u00e9 uma amostra sint\u00e9tica do que significou \u201ca moderniza\u00e7\u00e3o\u201d. &nbsp;Este \u00e9 o aspecto econ\u00f4mico dessa pol\u00edtica implementada pelo imperialismo norte-americano. Sem falar dos \u201c35.000\u201d conselheiros militares de que disp\u00f4s para reprimir o movimento popular, nem da CIA, nem da Sabak.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 dentro deste contexto que devemos localizar a trai\u00e7oeira provoca\u00e7\u00e3o do imperialismo quando acolheu o X\u00e1 em seu territ\u00f3rio. A rea\u00e7\u00e3o dos estudantes e do povo iraniano n\u00e3o se fez esperar. A ocupa\u00e7\u00e3o da embaixada dos Estados Unidos em Teer\u00e3, e a deten\u00e7\u00e3o de seu pessoal, foi uma rea\u00e7\u00e3o l\u00f3gica que enfrenta a hipocrisia miser\u00e1vel, n\u00e3o s\u00f3 de Carter e companhia, mas de todos os seus seguidores, inclusive a pol\u00edtica da dire\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica e da China.<\/p>\n\n\n\n<p>A pergunta essencial \u00e9 se as massas iranianas t\u00eam o direito ou n\u00e3o de reivindicar a extradi\u00e7\u00e3o do X\u00e1, e a devolu\u00e7\u00e3o das imensas riquezas que este tem distribu\u00eddas no mundo com a cumplicidade dos diversos governos capitalistas. Todo o resto s\u00e3o argumentos jur\u00eddicos para impedir que esta reivindica\u00e7\u00e3o humana e democr\u00e1tica seja cumprida. A pol\u00edtica contrarrevolucion\u00e1ria dos \u201cdireitos humanos \u201cde Carter, fica exposta. Se houve um regime mais parecido ao de Hitler, quanto ao desprezo pela vida humana, esse foi o do X\u00e1. O de Somoza, Videla ou Pinochet ficam aqu\u00e9m. O que o imperialismo ianque diz ao povo iraniano? Que n\u00e3o lhe importam seus sofrimentos. Que antes dele, est\u00e1 a pessoa do X\u00e1. Por isso \u00e9 justa a resposta desse mesmo povo que tomou a embaixada. E por isso \u00e9 vergonhosa a atitude da representa\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica nas Na\u00e7\u00f5es Unidas quando se solidarizou com os Estados Unidos exigindo a liberdade dos \u201cref\u00e9ns\u201d, como condi\u00e7\u00e3o para discutir o direito indiscut\u00edvel do povo iraniano, de exigir a extradi\u00e7\u00e3o do X\u00e1 e a devolu\u00e7\u00e3o de todas suas riquezas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o pior \u00e9 que a ofensiva ianque n\u00e3o termina aqui. Usando demagogicamente o problema dos \u201cref\u00e9ns\u201d, Carter se lan\u00e7ou em uma campanha mundial de todo tipo: propagand\u00edstica, diplom\u00e1tica, econ\u00f4mica e militar. Desde apelar ao argumento do \u201cfanatismo\u201d religioso dos iranianos, at\u00e9 a prepara\u00e7\u00e3o b\u00e9lica para uma interven\u00e7\u00e3o, passando pelo bloqueio econ\u00f4mico e o congelamento dos bens, e a amea\u00e7a de expuls\u00e3o e san\u00e7\u00f5es aos residentes nos Estados Unidos. Esses s\u00e3o os fatos agressivos da primeira pot\u00eancia imperialista contra um povo subdesenvolvido, que tenta livrar-se do jugo estrangeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de dizer que o imperialismo n\u00e3o atacar\u00e1 o Ir\u00e3, mas comprovar que j\u00e1 existe uma escalada agressiva, que os revolucion\u00e1rios de todo o mundo temos que ajudar a frear, para impedir que esta escalada culmine em uma invas\u00e3o direta. Esta \u00e9 a quest\u00e3o que est\u00e1 apresentada hoje acima de qualquer outra estrat\u00e9gia. Atualmente, no Ir\u00e3, se desenvolve o processo revolucion\u00e1rio mais agudo onde se enfrentam a revolu\u00e7\u00e3o e a contrarrevolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Khomeini tentou desempenhar o mesmo papel estabilizador que o Governo de Reconstru\u00e7\u00e3o Nacional da Nicar\u00e1gua. N\u00e3o vamos esquecer aqui todos os esfor\u00e7os realizados para frear as massas e canaliz\u00e1-las para os organismos controlados pela burguesia nacionalista iraniana. Mas \u00e9 tal o ascenso do movimento, no qual temos que incluir o empurr\u00e3o provocado pela rebeldia das nacionalidades oprimidas, em especial a dos Curdos, que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 Khomeini quem o controla. Por outro lado, o imperialismo ianque com sua pol\u00edtica de provoca\u00e7\u00f5es, amea\u00e7as e agress\u00f5es, contraditoriamente, incentivou o acirramento da luta de classes. E n\u00f3s revolucion\u00e1rios n\u00e3o podemos deixar de ver esta realidade objetiva. Que n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para a menor dor. Se o imperialismo tivesse lan\u00e7ado a mesma campanha contra a Nicar\u00e1gua, n\u00f3s n\u00e3o ter\u00edamos nenhuma d\u00favida em apoiar esta contra o imperialismo e ter\u00edamos exigido o mesmo que agora para o Ir\u00e3: uma campanha a seu favor, de todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o ter\u00edamos retificado nossas an\u00e1lises e estrat\u00e9gia, mas ter\u00edamos adequado nossa pol\u00edtica. N\u00e3o teria renunciado a aprofundar o processo para a instala\u00e7\u00e3o de um verdadeiro governo oper\u00e1rio e campon\u00eas, mas ter\u00edamos sabido determinar naquele momento, que a luta fundamental era contra o agressor imperialista e ter\u00edamos previsto que essa luta iria nos dar novos elementos para prosseguir o combate pelos objetivos socialistas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A pol\u00edtica contrarrevolucion\u00e1ria da burocracia do Kremlin contra a revolu\u00e7\u00e3o iraniana<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acompanhando os ataques imperialistas contra o Ir\u00e3, a burocracia do Kremlin e tamb\u00e9m a de Pequim, exigiram a liberta\u00e7\u00e3o dos ref\u00e9ns e se negaram a defender as justas exig\u00eancias do povo iraniano.<\/p>\n\n\n\n<p>A invas\u00e3o do Afeganist\u00e3o serve de base para uma maior press\u00e3o imperialista. Os Estados Unidos se utilizam desta interven\u00e7\u00e3o para desenvolver um ataque que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, \u00e9 uma amea\u00e7a contra as bases sociais da pr\u00f3pria Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Como afirma a declara\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Parit\u00e1rio pela reorganiza\u00e7\u00e3o (reconstru\u00e7\u00e3o) da Quarta Internacional:<\/p>\n\n\n\n<p>Para o imperialismo, e em particular o imperialismo norte-americano que concentra seus meios diplom\u00e1ticos, econ\u00f4micos e militares contra a revolu\u00e7\u00e3o no Ir\u00e3, trata-se de usar a possibilidade oferecida pela burocracia do Kremlin para desviar a aten\u00e7\u00e3o de seus planos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua propaganda, a interven\u00e7\u00e3o da URSS \u00e9 a demonstra\u00e7\u00e3o de seu car\u00e1ter \u201cagressivo, expansionista\u201d. A velha lenda da busca \u201cdo acesso aos mares quentes\u201d \u00e9 proclamada aos quatro ventos.<\/p>\n\n\n\n<p>O imperialismo usa a oportunidade que lhe \u00e9 dada, para acentuar, em todos os terrenos, a press\u00e3o contra o Estado Oper\u00e1rio degenerado, contra as pr\u00f3prias massas da URSS. O bloqueio \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es de cereais, a chantagem da corrida armamentista manifestada na n\u00e3o ratifica\u00e7\u00e3o do Tratado Salt II, a propaganda sobre um eventual boicote aos jogos ol\u00edmpicos, s\u00f3 buscam arrancar novas concess\u00f5es da burocracia parasit\u00e1ria e contrarrevolucion\u00e1ria, buscam obrig\u00e1-la a moldar-se ainda mais estreitamente aos objetivos contrarrevolucion\u00e1rios mundiais do imperialismo. A interven\u00e7\u00e3o das for\u00e7as armadas da burocracia, facilita assim a press\u00e3o do imperialismo contra a URSS.<\/p>\n\n\n\n<p>A interven\u00e7\u00e3o decidida pela burocracia \u00e9 uma interven\u00e7\u00e3o contrarrevolucionaria em seus m\u00e9todos e conte\u00fado. Agrava a amea\u00e7a contra as conquistas da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro que a burocracia mina.<\/p>\n\n\n\n<p>A interven\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9, de forma alguma, um apoio \u00e0 luta das massas despossu\u00eddas do Afeganist\u00e3o contra o imperialismo, os latifundi\u00e1rios e a burguesia. \u00c9, pelo contr\u00e1rio, a pol\u00edtica contrarrevolucion\u00e1ria da burocracia que arrisca colocar os oper\u00e1rios e camponeses afeg\u00e3os nas m\u00e3os de dirigentes reacion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o representa, de nenhuma forma, uma medida que defenda a URSS de uma agress\u00e3o imperialista. Pelo contr\u00e1rio, facilita a implanta\u00e7\u00e3o contrarrevolucion\u00e1ria do imperialismo.<\/p>\n\n\n\n<p>No Ir\u00e3, a pol\u00edtica do partido stalinista Tudeh n\u00e3o escapou das leis gerais. Embora seja o mais organizado dentro do movimento oper\u00e1rio, tem menos for\u00e7a e menos prest\u00edgio que no finalizar da Segunda Guerra Mundial. Seu decl\u00ednio de deve a v\u00e1rios fatores. Em primeiro lugar, foi respons\u00e1vel pelas derrotas dos anos 45 e 46 no Azerbaij\u00e3o e Curdist\u00e3o e da greve dos petroleiros do sul. Apoiou as exig\u00eancias petroleiras da burocracia sovi\u00e9tica em 1946-47, justamente quando o movimento anti-imperialista estava em alta. Negou-se a lutar contra o golpe de estado que terminou com &nbsp;Mossadeg<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/iran-las-lecciones-de-la-revolucion-de-febrero-1980\/#_ftn2\">[2]<\/a>. Apoiou a pol\u00edtica de reformas de1960 \u2013 63, alentando as ilus\u00f5es na ditadura do X\u00e1. E, por outro lado, a burocracia sovi\u00e9tica, fiel aos acordos de Yalta e Potsdam, manteve seu respaldo \u00e0 monarquia de Pahlevi, desde 1953 at\u00e9 o final de seu reinado. Fiel \u00e0 sua pol\u00edtica da revolu\u00e7\u00e3o por etapas e a coexist\u00eancia pac\u00edfica, o partido Tudeh defendeu durante um longo per\u00edodo a \u201cdemocratiza\u00e7\u00e3o\u201d da monarquia.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje faz seguidismo ao governo de Khomeini depois de n\u00e3o ter participado em nada da insurrei\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 a favor da \u201cRep\u00fablica isl\u00e2mica\u201d e pela \u201creconstru\u00e7\u00e3o da economia iraniana\u201d. Se esta \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o das for\u00e7as ligadas \u00e0 burocracia stalinista, o que dizer da burocracia chinesa e da socialdemocracia! A China, consequente com sua pol\u00edtica criminosa dos \u00faltimos tempos, n\u00e3o apenas devia se autocriticar pela sauda\u00e7\u00e3o oferecida ao X\u00e1 pouco tempo antes de cair, como tamb\u00e9m continua seus flertes com a administra\u00e7\u00e3o de Carter. O desastre pol\u00edtico sovi\u00e9tico no Afeganist\u00e3o alentou os contatos infames da burocracia chinesa com o imperialismo ianque. A revolu\u00e7\u00e3o iraniana n\u00e3o tem nada a lhe agradecer. Da socialdemocracia nem vamos nos ocupar. H\u00e1 muito tempo que perdeu toda voca\u00e7\u00e3o internacionalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Da\u00ed a responsabilidade que cabe a n\u00f3s trotskistas, os \u00fanicos herdeiros da tradi\u00e7\u00e3o e metodologia do internacionalismo revolucion\u00e1rio que fizeram escola com os ensinamentos de Marx, Engels, Lenin y Trotsky. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Do&nbsp;propagandismo&nbsp;sect\u00e1rio&nbsp;ao oportunismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, as possibilidades do trotskismo se veem reduzidas hoje pela crise do Secretariado Unificado da Quarta Internacional. De fato, esta crise que vinha se arrastando h\u00e1 anos agora explodiu, motivada pela agudiza\u00e7\u00e3o da luta de classes, concretamente com a Nicar\u00e1gua. O problema \u00e9 profundo. N\u00e3o se trata de um erro, um equ\u00edvoco, dentro de uma marcha geral de acertos, mas, pelo contr\u00e1rio, de uma cadeia de frustra\u00e7\u00f5es que culmina na Nicar\u00e1gua. \u00c9 o fracasso de uma dire\u00e7\u00e3o que, depois de trinta anos, foi incapaz de colocar-se \u00e0 frente de inumer\u00e1veis express\u00f5es da luta de classes e que acabou revisando as bases fundamentais do trotskismo. Para isso h\u00e1 raz\u00f5es sociais. A dire\u00e7\u00e3o do SU, antes SI, n\u00e3o foi uma dire\u00e7\u00e3o feita na luta de classes. A agudiza\u00e7\u00e3o do processo da revolu\u00e7\u00e3o mundial exp\u00f5e hoje, mais do que nunca, essas fal\u00eancias. &nbsp;\u00c0 velha dire\u00e7\u00e3o dos Mandel Pierre Frank, Livio Mait\u00e1n, acrescenta-se uma camada de jovens, feitos no Maio Franc\u00eas e no ascenso juvenil norte-americano, que come\u00e7ou com a revolu\u00e7\u00e3o cubana e teve seu \u00e1pice durante todo o per\u00edodo da guerra do Vietn\u00e3. As press\u00f5es dessas camadas estudantis sobre a dire\u00e7\u00e3o da Quarta Internacional, ao inv\u00e9s de dar origem a uma nova dire\u00e7\u00e3o superadora, agravou os defeitos. A an\u00e1lise e a caracteriza\u00e7\u00e3o marxista foram substitu\u00eddas pelo coment\u00e1rio jornal\u00edstico, pelo impressionismo. Da\u00ed os giros, os vaiv\u00e9ns na pol\u00edtica, que j\u00e1 apontamos em Portugal, Angola e agora na Nicar\u00e1gua, Ir\u00e3 e Afeganist\u00e3o. Mas aqui a crise tocou fundo porque, repetimos, todos os fundamentos do trotskismo s\u00e3o revisados.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Nicar\u00e1gua n\u00e3o apenas se apoia um governo burgu\u00eas, mas se aprova a concep\u00e7\u00e3o stalinista da revolu\u00e7\u00e3o por etapas, se aprova a pol\u00edtica de coexist\u00eancia pac\u00edfica, colocando Castro e os cubanos como exemplo de uma orienta\u00e7\u00e3o consequentemente revolucion\u00e1ria quando \u00e9 evidente que esta orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 burocracia sovi\u00e9tica. No Ir\u00e3, vamos demonstrar como esta perda do m\u00e9todo trotskista, leva a dire\u00e7\u00e3o do SU a passar do sectarismo ao oportunismo, de acordo com o momento e o respons\u00e1vel editorial. Somos contra o monolitismo stalinista, mas defendemos a necessidade do centralismo democr\u00e1tico. A dire\u00e7\u00e3o do SU expulsou a Fra\u00e7\u00e3o Bolchevique e a TLT (Tend\u00eancia Lninista-Trotskysta) da Quarta Internacional por negarem-se a dissolver as organiza\u00e7\u00f5es trotskistas na Nicar\u00e1gua. Hoje vemos as diferentes se\u00e7\u00f5es que, embora tenham ficado sob controle do SU como a espanhola, a francesa e a norte-americana, adotarem as mais diversas posi\u00e7\u00f5es antag\u00f4nicas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 entrada das tropas sovi\u00e9ticas no Afeganist\u00e3o. Esta diverg\u00eancia n\u00e3o \u00e9 resultado do ambiente democr\u00e1tico necess\u00e1rio nas organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias (que n\u00e3o foi aplicado para o caso da Nicar\u00e1gua) mas o resultado da decomposi\u00e7\u00e3o. Demonstra que a crise que v\u00ednhamos apontando se generalizou e que o centralismo democr\u00e1tico t\u00e3o usado para justificar san\u00e7\u00f5es administrativas, era apenas uma manobra burocr\u00e1tica para afastar aqueles que denunciavam o revisionismo do SU, e em especial, o do Partido Socialista dos Trabalhadores (Socialist Workers Party). Seu apoio \u00e0 invas\u00e3o do Afeganist\u00e3o \u00e9 uma das coisas mais escandalosas que j\u00e1 vimos. Parece que estamos na d\u00e9cada de Pablo. O da Nicar\u00e1gua e agora o do Afeganist\u00e3o \u00e9 um seguidismo aberto ao stalinismo. O apoio incondicional \u00e0s tropas russas apresenta novamente a c\u00e9lebre posi\u00e7\u00e3o de Pablo sobre os dois blocos: de um lado o imperialismo ianque com a contrarrevolu\u00e7\u00e3o e do outro a burocracia sovi\u00e9tica com a revolu\u00e7\u00e3o. Falar em Afeganist\u00e3o de que as tropas sovi\u00e9ticas invadiram para defender a revolu\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o dizer que a burocracia sovi\u00e9tica que apoiou os tr\u00eas \u00faltimos regimes burgueses (come\u00e7ando pelo de Mohammad Daoud, o de Taraki e o \u00faltimo de Am\u00edn, por serem supostamente governos progressivos, revolucion\u00e1rios democr\u00e1ticos, nacionais), alentando com essa pol\u00edtica de acordos superestruturais a rea\u00e7\u00e3o da direita latifundi\u00e1ria, \u00e9 converter-se no melhor agente do stalinismo dentro do movimento trotskista, \u00e9 contribuir para a prostitui\u00e7\u00e3o de um m\u00e9todo e de uma pol\u00edtica que continuaremos a defender.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta crise explica os erros metodol\u00f3gicos de Michel Rovere. No n\u00famero 65 de&nbsp;<em>lnprecor&nbsp;<\/em>dei 6\/12\/79, no cap\u00edtulo \u201cuma dire\u00e7\u00e3o nacionalista burguesa excepcional\u201d se destaca: \u201c\u00e9 evidente, o comportamento pol\u00edtico de Khomeini, e uma parte da dire\u00e7\u00e3o nacionalista burguesa do Conselho da Revolu\u00e7\u00e3o contrasta, pela sua radicaliza\u00e7\u00e3o, com o que est\u00e1vamos acostumados, ainda em tempos \u00e1ureos, os Nasser, os Per\u00f3n, os Arbenz. Tem sido raro ver neste s\u00e9culo que uma dire\u00e7\u00e3o nacionalista, burguesa ou pequeno burguesa, levar at\u00e9 t\u00e3o longe o enfrentamento com o imperialismo, seja quando Khomeini, sem interrup\u00e7\u00e3o, exigiu at\u00e9 o fim a partida do X\u00e1 e a queda da dinastia, ou quando cobre, hoje, com sua autoridade, o sequestro do pessoal diplom\u00e1tico da primeira pot\u00eancia imperialista do mundo. Pode ser que tenhamos que remontar aos in\u00edcios da revolu\u00e7\u00e3o chinesa com a dire\u00e7\u00e3o de Sun Yat Sen ou \u00e0s dire\u00e7\u00f5es nacionalistas burguesas dos levantes dos anos 20 e 30 no Vietn\u00e3 para encontrar um equivalente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Que euforia pr\u00f3-Khomeinista!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Rovere \u00e9 incapaz de compreender que o que ele atribui aos \u201cdotes\u201d de Khomeini, \u00e9 na realidade a manifesta\u00e7\u00e3o da profundidade da revolu\u00e7\u00e3o e da extraordin\u00e1ria mobiliza\u00e7\u00e3o das massas.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta apologia da burguesia nacional n\u00e3o tem nada a ver com o marxismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, acreditamos ser oportuno relembrar uma cita\u00e7\u00e3o de Trotsky em sua pol\u00eamica com Bukharin, porque consideramos que ela nos d\u00e1 o marco metodol\u00f3gico correto para analisar a revolu\u00e7\u00e3o iraniana. \u201cA quest\u00e3o da natureza e da pol\u00edtica da burguesia (est\u00e1 falando da burguesia nacional) est\u00e1 resolvida por toda a estrutura interna das classes na na\u00e7\u00e3o que realiza a luta revolucion\u00e1ria, pela \u00e9poca em que a luta se desenvolve, pelo grau de depend\u00eancia econ\u00f4mica, pol\u00edtica <em>e<\/em> &nbsp;militar que une a burguesia ind\u00edgena com o imperialismo mundial em seu conjunto, ou a uma parte do mesmo, e finalmente\u2013<strong>e&nbsp;isto \u00e9&nbsp;o preponderante<\/strong>&nbsp;(negrito nosso) pelo grau &nbsp;de atividade da classe do proletariado ind\u00edgena&nbsp;<em>e&nbsp;<\/em>pelo estado de sua uni\u00e3o com o movimento revolucion\u00e1rio internacional\u201d&nbsp;<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/iran-las-lecciones-de-la-revolucion-de-febrero-1980\/#_ftn3\">[3]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o podemos nos deter em cada um dos erros em que Michel Rovere incorre. Apenas queremos enfatizar o erro metodol\u00f3gico fundamental, o que Trotsky aponta em sua discuss\u00e3o com Bukharin, a saber, que a natureza <em>e <\/em>pol\u00edtica da burguesia nacional, s\u00e3o determinadas por uma s\u00e9rie de fatores, que ele enumera, mas que o fundamental \u00e9 o grau de atividade do proletariado ind\u00edgena <em>e <\/em>o estado de sua uni\u00e3o com o movimento revolucion\u00e1rio internacional. \u00c9 evidente que Khomeini n\u00e3o pode ser comparado a um Nasser,a um Per\u00f3n ou a um Arbenz, mas o fundamental \u00e9 que em nenhum dos pa\u00edses desses caudilhos houve um processo revolucion\u00e1rio como o que hoje est\u00e1 ocorrendo no Ir\u00e3. Se Michel Rovere tivesse levado em conta este fator e os outros que Trotsky aponta e n\u00e3o se detivesse apenas na superf\u00edcie dos fen\u00f4menos, poderia especificar j\u00e1 em mar\u00e7o de 1979, as contradi\u00e7\u00f5es existentes entre a burguesia bazarista e as cinquenta fam\u00edlias que rodeavam o X\u00e1, para aplicar a pol\u00edtica econ\u00f4mica que o imperialismo ditava, e o papel desempenhado pela hierarquia religiosa.<\/p>\n\n\n\n<p>A Quarta Internacional dirigida pelo SU educou muito mal seus quadros em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s lutas nacionais dos pa\u00edses coloniais e semicoloniais. Lembremos como se negava a ver a luta das col\u00f4nias portuguesas na \u00c1frica, lembremos que a LCR (Liga Comunista Revolucion\u00e1ria) francesa n\u00e3o fazia campanha anti-imperialista e lembremos a pol\u00eamica de Moreno com Mandel para tentar convenc\u00ea-lo de que n\u00e3o podia dizer que todo nacionalismo era reacion\u00e1rio, mas que para defini-lo devia estabelecer a rela\u00e7\u00e3o com o imperialismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta confus\u00e3o deve ter existido entre nossos companheiros iranianos no ex\u00edlio, j\u00e1 que a Internacional n\u00e3o lhes fornecia nenhuma orienta\u00e7\u00e3o correta. Por exemplo, n\u00e3o encontramos em nenhum material do SU, uma consigna especial, antes do retorno de Khomeini ao Ir\u00e3, exigindo esse direito. Lemos as descri\u00e7\u00f5es das lutas, as demandas das massas <em>e <\/em>dos trabalhadores, mas nunca que o SU ou alguma organiza\u00e7\u00e3o afiliada tivesse levantado essa consigna. A responsabilidade fundamental n\u00e3o \u00e9 dos companheiros iranianos, mas do SU e do SWP que foram incapazes de orientar corretamente para o trabalho onde a luta de classes era mais aguda. Desgra\u00e7adamente, sim houve uma orienta\u00e7\u00e3o: a que surgiu do documento Democracia Socialista e Ditadura do Proletariado que ajudou os companheiros a cair em um erro democratista em uma de suas primeiras declara\u00e7\u00f5es cobertas de chamados \u00e0 liberdade e ao progresso <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/iran-las-lecciones-de-la-revolucion-de-febrero-1980\/#_ftn4\">[4]<\/a>&nbsp;. Ali se propunha a consigna de uma assembleia constituinte, mas se deixava no ar o desenvolvimento dos organismos do movimento oper\u00e1rio. As \u00fanicas refer\u00eancias a organismos oper\u00e1rios de controle de luta, t\u00eam uma conota\u00e7\u00e3o populista.<\/p>\n\n\n\n<p>O car\u00e1ter geral, abstrato, est\u00e1 desgra\u00e7adamente a servi\u00e7o de uma pol\u00edtica capituladora perante a burguesia nacional. Nem comit\u00eas oper\u00e1rios, nem sovietes, figuram nesta declara\u00e7\u00e3o. A outra consigna que aparece no mesmo documento, \u201cpor uma Rep\u00fablica Oper\u00e1ria e Camponesa\u201d, embora n\u00e3o muito desenvolvida, n\u00e3o tem nada a ver com os organismos de luta que s\u00e3o os comit\u00eas, os conselhos, os sovietes.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, a declara\u00e7\u00e3o de 3 de abril de 1979 do SU termina com um programa para o Ir\u00e3. Nele, sim se fala dos comit\u00eas de massas. Mas este programa \u00e9 um dos tantos aos quais o SU nos acostumou; \u00e9 uma enumera\u00e7\u00e3o de tarefas, mas sem uma ordem interna. Quase no final encontramos a seguinte refer\u00eancia \u201cpela revitaliza\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o dos comit\u00eas de massas criados durante a batalha contra o X\u00e1. Pela constru\u00e7\u00e3o de comit\u00eas de bairros e de oper\u00e1rios onde n\u00e3o existam e pela organiza\u00e7\u00e3o de comit\u00eas de soldados e camponeses\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsses comit\u00eas podem ser os instrumentos para forjar a unidade na luta de massas. Para lutar pelos interesses dos oper\u00e1rios, dos pobres das cidades, dos soldados e de todos os trabalhadores; esses comit\u00eas t\u00eam que ser independentes do Estado e da hierarquia religiosa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se v\u00ea nenhum esfor\u00e7o em estabelecer um di\u00e1logo real com as massas. Os comit\u00eas s\u00e3o um ponto a mais de uma s\u00e9rie de tarefas, mas sem rela\u00e7\u00e3o com essas necessidades apontadas. \u00c9 indubit\u00e1vel que n\u00f3s trotskistas no Ir\u00e3 estamos em minoria absoluta, que h\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria <em>e<\/em> que existe um movimento nacionalista burgu\u00eas que tenta controlar as massas.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse programa n\u00e3o leva em conta esta situa\u00e7\u00e3o. \u00c9 propagand\u00edstico, abstrato <em>e <\/em>neste sentido, sect\u00e1rio. &nbsp;Mas, por outro lado, ao n\u00e3o fazer eixo nos organismos do movimento oper\u00e1rio <em>e <\/em>popular, acaba sendo oportunista, capitulando ante o movimento nacionalista que Khomeini dirige porque a possibilidade de um poder alternativo n\u00e3o \u00e9 apresentada com clareza aos trabalhadores. A consigna de Assembleia Constituinte <em>e <\/em>da Rep\u00fablica Oper\u00e1ria <em>e<\/em> Camponesa, se n\u00e3o estiverem unidas ao fortalecimento <em>e <\/em>centraliza\u00e7\u00e3o dos atuais embri\u00f5es de poder atual, s\u00e3o consignas muito perigosas que podem colocar-se a servi\u00e7o do Conselho Isl\u00e2mico, se este se apresentar como o respons\u00e1vel por cumprir estas tarefas democr\u00e1ticas. A luta contra o governo burgu\u00eas nacionalista de Khomeini n\u00e3o pode ser estabelecida se n\u00e3o for a partir do apoio decisivo desses organismos embrion\u00e1rios de poder dual. Ser\u00e1 a partir deles que todo um programa de transi\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ser implementado para arrancar as massas de sua influ\u00eancia. Mas isso temos que dizer abertamente. N\u00e3o como Michel Rover diz, que vai da den\u00fancia em abstrato das medidas atentat\u00f3rias deste governo para a considera\u00e7\u00e3o n\u00e3o marxista de v\u00ea-lo como um fato excepcional neste s\u00e9culo, ou como os documentos do SU n\u00e3o o expressam, nem os do SWP.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O SWP e a campanha contrarrevolucion\u00e1ria do imperialismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Temos que dizer com justi\u00e7a que foi o SWP quem assumiu, dentro do SU, a campanha contra a ofensiva reacion\u00e1ria do imperialismo ianque. A den\u00fancia das tentativas militares por parte dos Estados Unidos, a den\u00fancia das agress\u00f5es econ\u00f4micas do governo de Carter <em>e <\/em>o apoio \u00e0s demandas de extradi\u00e7\u00e3o do X\u00e1 <em>e <\/em>de todas as riquezas roubadas do povo iraniano, s\u00e3o parte da campanha do SWP pelo qual todos os trotskistas do mundo devemos nos felicitar.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas esta campanha tem sua perna frouxa. \u00c0 medida que se intensifica, o SWP vai esquecendo toda refer\u00eancia ao governo de Khomeini. Mais ainda, come\u00e7a a encontrar virtudes nele que antes n\u00e3o tinha. E o que \u00e9 pior, a acreditar que vai levar a luta anti-imperialista at\u00e9 o final. O Socialist Workers Party (SWP) agora passou ao outro extremo. Das den\u00fancias de Foley <em>e&nbsp;<\/em>Feldam, entre outros, de que o governo de Khomeini estava recebendo ajuda do imperialismo ianque para esmagar as massas iranianas, de que tinha o consentimento deste para atacar os Curdos, de que Khomeini respondia com a liberdade de policiais do X\u00e1 ao pedido da liberdade de numerosos lutadores <em>e <\/em>combatentes contra a ditadura, agora enfatiza tudo aquilo que possa parecer simp\u00e1tico. &nbsp;Por exemplo, as palavras de Khomeini em 10 de dezembro a respeito da luta em Tabriz: \u201cqueremos estar em paz \u2026estamos em um momento de confronto com um grande inimigo (Estados Unidos), um inimigo que tenta destruir a ess\u00eancia do lsl\u00e3&nbsp;<em>e&nbsp;<\/em>que quer dominar nosso pa\u00eds como o fez antes. . .\u201d &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma p\u00e1gina de <em>The Militont,&nbsp;<\/em>de 21 de dezembro, dedicado ao levante em Tabriz, Khomeini \u00e9 citado somente uma vez, denunciando os que protestavam como \u201ccontrarrevolucion\u00e1rios\u201d e \u201cespi\u00f5es dos norte-americanos\u201d, mas sem fazer uma an\u00e1lise a fundo da pol\u00edtica do Conselho Mu\u00e7ulmano a respeito das nacionalidades oprimidas. Este artigo de Amineh Sahand contrasta com a descri\u00e7\u00e3o correta feita pela declara\u00e7\u00e3o do SU em abril de 1979 quando dizia: \u201ca primeira grande prova entre a revolu\u00e7\u00e3o e a contrarrevolu\u00e7\u00e3o foi levantada no Curdist\u00e3o Iraniano em 21 de mar\u00e7o, o ano novo. No curso da insurrei\u00e7\u00e3o, os curdos se armaram e estabeleceram seus comit\u00eas atrav\u00e9s de todo o Curdist\u00e3o iraniano\u201d. &nbsp;\u201cQuando o governo central tentou reassumir sua autoridade atrav\u00e9s do ataque do ex\u00e9rcito em Sanandaj, o povo curdo op\u00f4s uma furiosa resist\u00eancia contra os tanques, as bazucas, os helic\u00f3pteros e os Phanton das for\u00e7as armadas\u201d. A revolu\u00e7\u00e3o era evidentemente, a rebeli\u00e3o curda, a contrarrevolu\u00e7\u00e3o, o governo central liderado por Khomeini\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo acontece agora no problema do Afeganist\u00e3o. No artigo de Ernest Hasrsh, publicado no Internacional |Press de 21 de janeiro de 1980, no cap\u00edtulo \u201cIr\u00e3 e Afeganist\u00e3o\u201d, tenta-se mostrar Khomeini como o setor progressivo dentro do governo e, nitidamente, apoiando a invas\u00e3o: imediatamente depois que as tropas sovi\u00e9ticas come\u00e7aram a entrar no Afeganist\u00e3o em grande n\u00famero, o Minist\u00e9rio do Exterior do Ir\u00e3 fez uma declara\u00e7\u00e3o denunciando esse movimento de tropas, mas o pr\u00f3prio Khomeini n\u00e3o disse nada contra e os guardas revolucion\u00e1rios do Ir\u00e3 deram prote\u00e7\u00e3o \u00e0 embaixada sovi\u00e9tica em Teer\u00e3 contra os manifestantes direitistas afeg\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo Harsh, mais adiante, relatando as entrevistas de jornalistas com as for\u00e7as reacion\u00e1rias no leste do Afeganist\u00e3o reproduz o seguinte di\u00e1logo mantido com um dos chefes dessas guerrilhas: \u201cQue tipo de Isl\u00e3 \u00e9 este de Khomeini, que nunca condenou pessoalmente a invas\u00e3o russa do Afeganist\u00e3o, enquanto outros pa\u00edses pr\u00f3ximos da R\u00fassia, como a Rom\u00eania, o condenaram?\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Somos contra esse m\u00e9todo oportunista. Somos principistas e nisso n\u00e3o h\u00e1 nada de sectarismo. Estamos totalmente de acordo de que, nesta emerg\u00eancia, frente ao ataque do imperialismo ianque, n\u00e3o h\u00e1 tarefa mais importante que a defesa do Ir\u00e3, independentemente da caracteriza\u00e7\u00e3o do atual governo Khomeini, e de nossas profundas diferen\u00e7as. Somos, portanto, a favor da unidade anti-imperialista com todo o mundo que levante como consigna decisiva a luta contra o inimigo n\u00famero 1 do Ir\u00e3, o imperialismo ianque. Mas somos contra que, em nome desta luta, se mudem as caracteriza\u00e7\u00f5es, as an\u00e1lises e as pol\u00edticas que Trotsky recomendava para situa\u00e7\u00f5es similares \u00e0 do Ir\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>Concordamos com o que Trotsky disse a Mateo Fossa em uma entrevista em Coyoac\u00e1n em 1938:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina os agentes dos imperialistas \u2018democr\u00e1ticos\u2019 (bom lembrar disso agora na \u2018era Carter\u2019) s\u00e3o especialmente perigosos, dado que s\u00e3o mais capazes de enganar as massas que os agentes declarados dos bandidos fascistas. Pegarei o exemplo mais simples e demonstrativo. No Brasil existe hoje um regime semifascista que nenhum revolucion\u00e1rio pode ver sen\u00e3o com \u00f3dio. Suponhamos, no entanto, que amanh\u00e3 a Inglaterra entre em um conflito militar com o Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu lhe pergunto, de que lado do conflito estar\u00e1 a classe oper\u00e1ria? Vou lhe dizer o que eu responderia: nesse caso estarei do lado do Brasil \u2018fascista\u2019 contra a Inglaterra \u2018democr\u00e1tica\u2019. Por qu\u00ea? Porque o conflito entre esses dois pa\u00edses n\u00e3o ser\u00e1 uma quest\u00e3o de democracia ou fascismo. Se a Inglaterra triunfasse colocaria outro fascista no Rio de Janeiro e duplicaria as cadeias do Brasil. Se, pelo contr\u00e1rio, o Brasil triunfasse, isso daria um poderoso impulso \u00e0 consci\u00eancia nacional e democr\u00e1tica do pa\u00eds e levaria \u00e0 derrubada da ditadura de Vargas. A derrota da Inglaterra, ao mesmo tempo, seria um golpe para o imperialismo brit\u00e2nico e daria um grande impulso ao movimento revolucion\u00e1rio do proletariado ingl\u00eas\u201d \u201c\u2026sob qualquer m\u00e1scara devemos aprender a distinguir os explorados, escravocratas e ladr\u00f5es!\u201d <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/iran-las-lecciones-de-la-revolucion-de-febrero-1980\/#_ftn5\">[5]<\/a>&nbsp; Estes s\u00e3o os princ\u00edpios que defenderemos. Sabemos distinguir perfeitamente quem \u00e9 o atual inimigo do Ir\u00e3, por isso chamamos a uma campanha mundial em sua defesa e lamentamos a crise do SU porque debilita esta frente, mas tamb\u00e9m n\u00e3o esquecemos que a batalha continua e que o processo n\u00e3o pode ser detido somente na luta anti-imperialista e menos ainda depositando confian\u00e7a em um governo nacionalista, por\u00e9m burgu\u00eas. Por isso exigimos que o SWP e o SU continuem juntos &nbsp;a campanha pelo Ir\u00e3 contra o imperialismo ianque, mas nem por isso vamos silenciar nossas cr\u00edticas ao seu oportunismo, ao apoio que est\u00e3o dando ao governo burgu\u00eas da Nicar\u00e1gua e \u00e0 pol\u00edtica de coexist\u00eancia pac\u00edfica da dire\u00e7\u00e3o cubana. Como&nbsp; &nbsp;tamb\u00e9m n\u00e3o vamos silenciar nosso rep\u00fadio \u00e0 atual pol\u00edtica do SWP a respeito do Afeganist\u00e3o onde se defende incondicionalmente o stalinismo, como nas melhores \u00e9pocas do pablismo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por um programa de a\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de um partido revolucion\u00e1rio iraniano<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 indubit\u00e1vel que n\u00e3o vamos desenvolver aqui a plataforma de reivindica\u00e7\u00f5es transit\u00f3rias necess\u00e1rias para o Ir\u00e3. S\u00f3 queremos apontar alguns aspectos que acreditamos serem \u00fateis. Se o SU n\u00e3o tivesse provocado a cis\u00e3o que nos atirou fora de seu interior, poder\u00edamos ter discutido este problema em um congresso democr\u00e1tico. Por outro lado, esta crise <em>e <\/em>falta de orienta\u00e7\u00e3o do SU contribu\u00edram para que no Ir\u00e3 existam atualmente duas organiza\u00e7\u00f5es trotskistas que se reivindicam do SU. Tudo isto dificulta uma verdadeira discuss\u00e3o. N\u00e3o obstante, insistimos em um aspecto que j\u00e1 tocamos.<\/p>\n\n\n\n<p>No Ir\u00e3 n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de estruturar uma plataforma de transi\u00e7\u00e3o se n\u00e3o for partindo dos embri\u00f5es de poder dual existentes: os comit\u00eas oper\u00e1rios, os comit\u00eas de bairros, os comit\u00eas de soldados e os comit\u00eas de camponeses e das nacionalidades oprimidas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 insuficiente a afirma\u00e7\u00e3o que Sadeeg e Tavari faziam em \u201cA revolu\u00e7\u00e3o em curso no Ir\u00e3\u201d de que: \u201ccom o desenvolvimento do ascenso revolucion\u00e1rio no Ir\u00e3, torna-se aplic\u00e1vel todo o <em>Programa de Transi\u00e7\u00e3o\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3prio Trotsky o apontava. Tal programa era um programa para toda a etapa, mas em cada momento o partido revolucion\u00e1rio precisa elaborar as consignas que, partindo das necessidades <em>e <\/em>da consci\u00eancia das massas trabalhadoras, as ajudem a avan\u00e7ar para o objetivo estrat\u00e9gico da ditadura do proletariado <em>e <\/em>o estabelecimento de uma sociedade socialista. Neste sentido, n\u00e3o pode haver nenhuma d\u00favida, \u00e9 uma necessidade das massas iranianas frear os ataques e press\u00f5es do imperialismo ianque. &nbsp;N\u00f3s trotskistas devemos estar \u00e0 frente desta reivindica\u00e7\u00e3o, devemos ser os campe\u00f5es em promover a organiza\u00e7\u00e3o de toda a popula\u00e7\u00e3o, inclusive os curdos, os azerbaijanos <em>e <\/em>\u00e1rabes e demais nacionalidades, sobre a base do direito dessas nacionalidades \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o. &nbsp;Mas temos que fazer esta defesa a partir dos pr\u00f3prios organismos das massas, desde os comit\u00eas que tenham surgido ou dos comit\u00eas que deveremos encorajar a criar. Esta \u00e9 a combina\u00e7\u00e3o que Trotsky apontava durante a revolu\u00e7\u00e3o espanhola em uma situa\u00e7\u00e3o menos convulsiva que a atual no Ir\u00e3. De fato, em janeiro de 1931, Trotsky disse: \u201cas massas da cidade e do campo podem unir-se no momento atual somente sob consignas democr\u00e1ticas (\u2026). Por outro lado, obviamente ser\u00e1 poss\u00edvel construir sovietes no futuro imediato unicamente mobilizando as massas sobre a base de consignas democr\u00e1ticas\u00bb<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/iran-las-lecciones-de-la-revolucion-de-febrero-1980\/#_ftn6\">[6]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A luta contra o imperialismo n\u00e3o pode isolar-se destes comit\u00eas, que n\u00e3o s\u00e3o sovietes, \u00f3bvio, mas que s\u00e3o o caminho para sua constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 preciso dizer que esta luta contra o imperialismo deve ter como eixo, a consigna j\u00e1 encarnada entre toda a popula\u00e7\u00e3o de \u201cextradi\u00e7\u00e3o do X\u00e1 e devolu\u00e7\u00e3o de todas suas riquezas roubadas do povo iraniano\u201d. Mas, para isso os comit\u00eas devem exigir estarem armados e receberem instru\u00e7\u00e3o militar permanente. Do contr\u00e1rio, a luta anti-imperialista torna-se uma declama\u00e7\u00e3o. (Lembrar o Chile). Mas o outro grande problema que as massas iranianas enfrentam \u00e9 a fome e o desemprego. N\u00e3o se pode esperar que o governo de Khomeini tente resolver este problema. Desde j\u00e1 os comit\u00eas devem propor a solu\u00e7\u00e3o do mesmo. Isto n\u00e3o impede que se exija a continua\u00e7\u00e3o das expropria\u00e7\u00f5es imperialistas e capitalistas e o controle oper\u00e1rio sobre as principais fontes de renda, em especial a ind\u00fastria petroleira e o com\u00e9rcio exterior. Mas tudo isso n\u00e3o pode ser uma desculpa para postergar o problema j\u00e1 existente, o da fome e o desemprego. Por isso, os comit\u00eas devem tomar o problema em suas m\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>A defesa das nacionalidades oprimidas tamb\u00e9m deve ser feita pelos comit\u00eas oper\u00e1rios e de bairro, n\u00e3o apenas pelos comit\u00eas das pr\u00f3prias nacionalidades. A derrota infringida pelos curdos ao governo central persa fortaleceu o conjunto das nacionalidades oprimidas. O fato de os indiv\u00edduos das nacionalidades oprimidas terem uma luta em comum com o resto dos iranianos, como as que travam contra o imperialismo ianque, n\u00e3o pode ser justificativa para abandonar a luta pela autodetermina\u00e7\u00e3o nacional contra os pr\u00f3prios persas que tradicionalmente os tem explorado.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos que dizer o mesmo a respeito do campesinato pobre e dos oper\u00e1rios agr\u00edcolas. A reforma agr\u00e1ria praticamente n\u00e3o come\u00e7ou no Ir\u00e3. Recentemente nos \u00faltimos tempos come\u00e7aram a ser vistas algumas ocupa\u00e7\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es camponesas. Os comit\u00eas oper\u00e1rios e de bairro tem que encorajar as ocupa\u00e7\u00f5es de terras. Os atuais latifundi\u00e1rios s\u00e3o a base potencial da rea\u00e7\u00e3o pr\u00f3-imperialista. Que os camponeses pobres e os oper\u00e1rios rurais n\u00e3o esperem um minuto a mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso que dissemos n\u00e3o significa que esquecemos das dificuldades existentes; que esquecemos que o ex\u00e9rcito burgu\u00eas, muito debilitado, ainda n\u00e3o foi destru\u00eddo; que o governo de Khomeini, apesar que teve que retroceder em muitas de suas tentativas para estabilizar seu governo, ainda mant\u00e9m numerosos lutadores presos, entre eles sete camaradas trotskistas, e toda uma legisla\u00e7\u00e3o repressiva; que os guardas da revolu\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica s\u00e3o tamb\u00e9m uma for\u00e7a repressiva a servi\u00e7o do governo nacionalista; que muitos dos comit\u00eas que surgiram n\u00e3o est\u00e3o l\u00e1 para impulsionar as mobiliza\u00e7\u00f5es de massas, mas para fre\u00e1-las. &nbsp;Sabemos de tudo isso, por isso \u00e9 fundamental que, acompanhando o desenvolvimento e cria\u00e7\u00e3o dos comit\u00eas, levantemos toda uma s\u00e9rie de consignas que ampliem a democracia oper\u00e1ria e denunciem o burocratismo e a repress\u00e3o. Neste sentido, devemos agitar o direito \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de sindicatos independentes da tutela estatal, pela elimina\u00e7\u00e3o de toda a legisla\u00e7\u00e3o repressiva, pela liberdade de todos os detidos que estiveram contra o X\u00e1, por comit\u00eas eleitos democraticamente.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo deve ser transferido para as for\u00e7as armadas. Que o curso iniciado no caminho da insurrei\u00e7\u00e3o n\u00e3o se detenha. Que os oficiais sejam eleitos pelas suas pr\u00f3prias tropas e que estas deem instru\u00e7\u00e3o militar aos oper\u00e1rios em suas f\u00e1bricas e aos moradores pobres em seus bairros. Para isso, \u00e9 preciso tamb\u00e9m estender e aprofundar a organiza\u00e7\u00e3o em comit\u00eas em todas as guarni\u00e7\u00f5es. Esta \u00e9 a melhor forma de ir minando a estrutura burguesa do ex\u00e9rcito. Lembremos que este foi o fator fundamental para o triunfo da insurrei\u00e7\u00e3o, que esta experi\u00eancia n\u00e3o se esgote agora que h\u00e1 um novo governo. Neste sentido, os comit\u00eas oper\u00e1rios dever\u00e3o ser a vanguarda neste trabalho sobre os soldados. Sem sectarismo, mas com clara consci\u00eancia de que este ex\u00e9rcito \u00e9 o instrumento com o qual o governo pensa em conseguir a estabilidade do Ir\u00e3, os comit\u00eas oper\u00e1rios devem realizar seu trabalho de convencimento e organiza\u00e7\u00e3o dentro dos pr\u00f3prios soldados.<\/p>\n\n\n\n<p>Se n\u00e3o esquecermos nem por um minuto o papel que os comit\u00eas devem desempenhar, a consigna de Assembleia Constituinte pode ser a consigna que nos permita desmascarar o atual governo e suas reais inten\u00e7\u00f5es de deter a revolu\u00e7\u00e3o dentro dos marcos da reconstru\u00e7\u00e3o do estado burgu\u00eas. Para isso, vamos contar com o apoio das nacionalidades oprimidas que j\u00e1 denunciaram o car\u00e1ter reacion\u00e1rio do projeto constitucional do conselho.<\/p>\n\n\n\n<p>O encadeamento destas consignas nos leva pela m\u00e3o a outra grande necessidade, que \u00e9 que os comit\u00eas se desenvolvam e se centralizem em um organismo \u00fanico. Mas a centraliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser o \u00fanico objetivo. Estes comit\u00eas tem que ter metas claras e precisas: derrotar este governo e estabelecer um verdadeiro governo oper\u00e1rio e campon\u00eas. Mas se algu\u00e9m propusesse hoje derrubar este governo, cairia no aventurerismo. O que n\u00e3o quer dizer que os trotskistas em sua propaganda n\u00e3o proponham a necessidade de que surja uma organiza\u00e7\u00e3o centralizada dos comit\u00eas oper\u00e1rios, camponeses <em>e <\/em>de soldados que tome o poder e inicie a revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o obstante, ser\u00edamos ing\u00eanuos se acredit\u00e1ssemos que esse projeto poderia ser levado \u00e0 pr\u00e1tica por um movimento espont\u00e2neo das massas. N\u00e3o porque se saiba, \u00e9 menos necess\u00e1rio reiterar que o que se precisa no Ir\u00e3 \u00e9 o partido trotskista. O que quer\u00edamos salientar: que \u00e9 imposs\u00edvel para n\u00f3s construirmos esse partido, se os trotskistas n\u00e3o compreenderem plenamente que um programa, que ajude a mobiliza\u00e7\u00e3o permanente das massas, n\u00e3o \u00e9 a repeti\u00e7\u00e3o de f\u00f3rmulas corretas, mas f\u00f3rmulas. O que queremos salientar, \u00e9 que esse programa deve ser elaborado com base na pr\u00f3pria experi\u00eancia das massas, partindo de suas necessidades e consci\u00eancia. Lamentavelmente, o SU ao qual os dois grupos trotskistas iranianos est\u00e3o afiliados, n\u00e3o pode ser um guia para a a\u00e7\u00e3o. N\u00f3s, dentro de nossas possibilidades quer\u00edamos ajudar no processo de forma\u00e7\u00e3o desse partido no Ir\u00e3. Mas n\u00e3o ficamos nisso. Tamb\u00e9m na medida de nossas possibilidades, acreditamos que em escala internacional temos dado um exemplo do que poderia ter sido feito e o que h\u00e1 a se fazer.<\/p>\n\n\n\n<p>Os atos em Madri, <em>e <\/em>o realizado em Paris, com convite expresso \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es iranianas e ao pr\u00f3prio SU, indicam que n\u00e3o nos movemos por interesses sect\u00e1rios nem fracionais, mas da revolu\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>O que n\u00e3o foi feito pela burocracia stalinista nem pela socialdemocracia pr\u00f3-imperialista, temos tentado faz\u00ea-lo n\u00f3s, conscientes de nossas pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m de nossas responsabilidades.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que apesar de todas nossas severas cr\u00edticas \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do SU, fazemos a proposta de continuar esta campanha em favor da revolu\u00e7\u00e3o iraniana, e contra o imperialismo, apoiando a luta pela extradi\u00e7\u00e3o do X\u00e1, pela repatria\u00e7\u00e3o de seus bens e pela liberdade de todos os presos pol\u00edticos, em especial de nossos companheiros trotskistas. Voc\u00eas t\u00eam a palavra.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/iran-las-lecciones-de-la-revolucion-de-febrero-1980\/#_ftnref1\">[1]<\/a>&nbsp;Religiosos isl\u00e2micos<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/iran-las-lecciones-de-la-revolucion-de-febrero-1980\/#_ftnref2\">[2]<\/a>&nbsp;Primeiro Ministro do Ir\u00e3 entre 1951 e 1953<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/iran-las-lecciones-de-la-revolucion-de-febrero-1980\/#_ftnref3\">[3]<\/a>&nbsp;Trotsky.&nbsp;<em>Stalin, o grande organizador de derrotas El Yunque, Bs&nbsp;<\/em>As. abril de 1974, P\u00e1gs. 232 . 233.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/iran-las-lecciones-de-la-revolucion-de-febrero-1980\/#_ftnref4\">[4]<\/a>&nbsp;\u00abPor uma rep\u00fablica oper\u00e1ria e campesina\u201d.<em>Inprecor, edi\u00e7\u00e3o espanhola<\/em>, mar\u00e7o de 1979, No. 3, p\u00e1g. 9.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/iran-las-lecciones-de-la-revolucion-de-febrero-1980\/#_ftnref5\">[5]<\/a>&nbsp;Trotsky, Sobre a liberta\u00e7\u00e3o nacional, Editorial Pluma, Bogot\u00e1, 1976, pgs 76-77<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/iran-las-lecciones-de-la-revolucion-de-febrero-1980\/#_ftnref6\">[6]<\/a>&nbsp;Portugal, quinze meses de revolu\u00e7\u00e3o. Cadernos de Am\u00e9rica, 1975, Argentina<\/p>\n\n\n\n<p>tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ningu\u00e9m pode duvidar hoje do significado extraordin\u00e1rio que a revolu\u00e7\u00e3o iraniana tem. Arthur Schlesinger, antigo secret\u00e1rio de Defesa do imperialismo ianque declarava ao Time Magazine&nbsp;que era \u201cum cataclismo para os Estados Unidos, a primeira revolu\u00e7\u00e3o s\u00e9ria depois de 1917 em termos de impacto mundial\u201d. Por: Ernesto Gonz\u00e1lez Revista Correspond\u00eancia Internacional No 2, abril 1980, pg. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":75148,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[4695,8397],"tags":[8418,8398,8419,8410],"class_list":["post-75147","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ira","category-especial-ira","tag-ernesto-gonzalez","tag-especial-ira","tag-revista-correspondencia-internacional-no-2","tag-revolucao-ira"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Ira-1.jpg","categories_names":["Especial Ir\u00e3","Ir\u00e3"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75147","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=75147"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75147\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":75161,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75147\/revisions\/75161"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/75148"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=75147"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=75147"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=75147"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}