{"id":75129,"date":"2022-11-01T23:31:56","date_gmt":"2022-11-01T23:31:56","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=75129"},"modified":"2022-11-01T23:31:59","modified_gmt":"2022-11-01T23:31:59","slug":"argentina-enfrentemos-a-pilhagem-e-a-colonizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/11\/01\/argentina-enfrentemos-a-pilhagem-e-a-colonizacao\/","title":{"rendered":"Argentina: Enfrentemos a pilhagem e a coloniza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Como se explica que um pa\u00eds rico em recursos naturais tenha quase metade de sua popula\u00e7\u00e3o vivendo abaixo da linha de pobreza? A resposta parece complicada, mas na verdade \u00e9 simples: estamos assim porque as grandes empresas multinacionais levam o ouro, prata, petr\u00f3leo, g\u00e1s, l\u00edtio, recursos marinhos, etc. Os empres\u00e1rios locais s\u00e3o seus parceiros, e esta pilhagem \u00e9 promovida pelos governos nacionais e provinciais, cujos funcion\u00e1rios enriquecem entregando o pa\u00eds \u00e0s multinacionais e ao FMI. Esta \u00e9 uma quest\u00e3o muito atual, porque \u00e9 o plano que eles pretendem aprofundar.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Por: PSTU Argentina<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O superministro Sergio Massa, que tem entre seus maiores m\u00e9ritos para o cargo seu bom relacionamento com os Estados Unidos, recentemente fez um tour com 2 eixos: a b\u00ean\u00e7\u00e3o do mestre do FMI em rela\u00e7\u00e3o ao acordo e as metas de cumprimento do acordo e a busca por investimentos. Em rela\u00e7\u00e3o ao FMI, Massa conseguiu o aval para o in\u00edcio de sua administra\u00e7\u00e3o, da titular do FMI, Kristalina Georgieva, e nesta semana foi anunciado o cumprimento das reservas e metas fiscais para o terceiro trimestre do ano. Metas que est\u00e3o sendo atingidas \u00e0 custa da pobreza de 50,6% das crian\u00e7as do pa\u00eds e a mis\u00e9ria de 8,8% da popula\u00e7\u00e3o.&nbsp; O segundo eixo tinha a ver com a busca de investimento. \u00c9 dif\u00edcil n\u00e3o lembrar a semelhan\u00e7a com o plano de Macri em 2017 de incentivar uma chuva de investimentos.&nbsp; Assim, uma grande parte do tour foi dedicada a reuni\u00f5es com empresas petrol\u00edferas, mineradoras e outras para tentar vender os recursos naturais que ainda n\u00e3o foram vendidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste artigo tentaremos nos aprofundar nessa quest\u00e3o e desenvolver nossa proposta para enfrentar a pilhagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Os empres\u00e1rios nos dir\u00e3o que estamos errados, porque eles v\u00eam para investir, gerando empregos e convertendo esses recursos naturais em renda para os cofres do Estado, atrav\u00e9s dos impostos que lhes s\u00e3o cobrados. Javier Milei, ou qualquer figura do partido Proposta Republicana &#8211; PRO, nos dir\u00e1 que \u00e9 necess\u00e1rio n\u00e3o cobrar nenhum imposto e deixar que o mercado resolva as coisas por si mesmo. A Frente de Todos (uma coaliz\u00e3o de correntes internas do peronismo, sejam de extrema-esquerda, centro ou direita, que governa o pa\u00eds, desde 2019, ndt), um pouco mais cautelosa com suas palavras, mas n\u00e3o menos entregadora dos recursos naturais, nos dir\u00e1 que precisamos da entrada de d\u00f3lares &#8211; para pagar a d\u00edvida externa, especialmente para o FMI &#8211; por isso os investimentos s\u00e3o importantes, e por isso devemos garantir boas condi\u00e7\u00f5es para as multinacionais. Com este argumento, eles mant\u00eam a mesma estrutura tribut\u00e1ria que Carlos Menem construiu na d\u00e9cada de 1990. De acordo com a Lei 24.196 de 1993, referente aos Investimentos em Minera\u00e7\u00e3o, apenas 3% de royalties pode ser cobrado das mineradoras como limite m\u00e1ximo. Quanto aos impostos retidos na fonte, ou seja, o imposto sobre exporta\u00e7\u00f5es foram cobrados 12%, o mesmo para o petr\u00f3leo e g\u00e1s natural, mas em 2019, quando Alberto Fern\u00e1ndez tomou posse, o Congresso votou uma redu\u00e7\u00e3o para 8%. As empresas t\u00eam estabilidade fiscal por trinta anos, portanto, esses percentuais n\u00e3o podem ser tocados. A l\u00f3gica dessa lei \u00e9 que \u00e9 necess\u00e1rio cobrar o m\u00ednimo poss\u00edvel de impostos para que venham a investir, ou seja, captar os recursos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o fica a\u00ed, a secret\u00e1ria de Minera\u00e7\u00e3o, Fernanda \u00c1vila, disse que est\u00e3o pensando em dar um &#8220;d\u00f3lar mineiro&#8221; \u00e0s empresas, ou seja, que o Estado garanta as multinacionais um d\u00f3lar mais caro, como fizeram com os produtores de soja. Na mesma entrevista, \u00c1vila diz que \u00e9 preciso melhorar o acesso \u00e0 moeda estrangeira para importar, mas o pa\u00eds precisa de mais importa\u00e7\u00f5es ou precisamos de mais produ\u00e7\u00e3o nacional? As empresas n\u00e3o pagam imposto de importa\u00e7\u00e3o, por isso importam maquinaria pesada, caminh\u00f5es, etc. Os empres\u00e1rios locais ficam com os neg\u00f3cios menores, como hot\u00e9is e alimentos nas minas, algumas perfuradoras, transporte, como o transporte de cianeto, que \u00e9 realizado pelo empres\u00e1rio Leonardo \u00c1lvarez, ex-chefe de Gabinete e Ministro de Produ\u00e7\u00e3o de Alicia Kirchner (governadora de Santa Cruz).<\/p>\n\n\n\n<p>Por esta raz\u00e3o, esses mesmos empres\u00e1rios locais, que s\u00e3o os que governam, ou administram e influenciam os sindicatos, n\u00e3o questionam os neg\u00f3cios das grandes empresas; pelo contr\u00e1rio, se limitam a garantir um pequeno peda\u00e7o para no neg\u00f3cio da pilhagem dos recursos naturais. Desta forma, eles mant\u00eam uma estrutura econ\u00f4mica semicolonial, financeira e economicamente sujeita \u00e0s grandes pot\u00eancias. Podem nos dizer que os empres\u00e1rios locais n\u00e3o t\u00eam capital suficiente para desenvolver projetos de minera\u00e7\u00e3o em larga escala, pode ser, por isso dizemos que o Estado deve faz\u00ea-lo, utilizando o dinheiro que \u00e9 destinado aos pagamentos ao FMI e a outros abutres usur\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o h\u00e1 dinheiro para a produ\u00e7\u00e3o, o desenvolvimento n\u00e3o poluente e, acima de tudo, para a sobreviv\u00eancia das economias regionais. Mas com esses governantes, a Argentina foi reduzida a um mero produtor de mat\u00e9rias-primas, v\u00edtima de pilhagem, planejada e executada como pol\u00edtica p\u00fablica. A \u00faltima Ditadura Militar cuidou de desmantelar o que era uma incipiente ind\u00fastria nacional, submetendo o pa\u00eds aos Estados Unidos, como parte de um plano para toda a Am\u00e9rica Latina. E essa estrutura econ\u00f4mica primarizada e estrangeirizada n\u00e3o foi modificada por nenhum governo desde o retorno \u00e0 democracia burguesa. Ao contr\u00e1rio, se aprofundou, avan\u00e7ando o agroneg\u00f3cio e a pilhagem dos recursos naturais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Eles tamb\u00e9m est\u00e3o levando o l\u00edtio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o relat\u00f3rio de 2021 do Minist\u00e9rio Nacional de Desenvolvimento e Produ\u00e7\u00e3o, atualmente <em>&#8220;a Argentina \u00e9 o quarto maior produtor de l\u00edtio do mundo, depois da Austr\u00e1lia, Chile e China. O tri\u00e2ngulo l\u00edtio composto por Argentina, Bol\u00edvia e Chile responde por cerca de 65% dos recursos mundiais de l\u00edtio e 29,5% da produ\u00e7\u00e3o mundial total at\u00e9 2020&#8221;<\/em>. Mas, como acontece com o resto dos recursos naturais, os dep\u00f3sitos est\u00e3o nas m\u00e3os de empresas estrangeiras. Em Catamarca, \u00e9 explorado pela empresa norte-americana &#8220;Livent Corporation&#8221;. O outro dep\u00f3sito est\u00e1 em Jujuy, nas m\u00e3os da empresa australiana Orocobre, da empresa japonesa Toyota Tsusho, e da JEMSE (Jujuy Energia e Minera\u00e7\u00e3o Sociedade do Estado). Em 30 de agosto deste ano, o governador de Catamarca, Ra\u00fal Jalil, assinou um acordo com uma empresa chinesa para industrializar o l\u00edtio naquela prov\u00edncia. A multinacional planeja atingir uma produ\u00e7\u00e3o de 50 mil toneladas nos pr\u00f3ximos dois anos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<strong>As consequ\u00eancias da pilhagem, uma pilhagem que est\u00e1 nos matando<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esta l\u00f3gica do Estado de garantir os melhores lucros para as empresas e os menores custos \u00e9 o que tamb\u00e9m explica a explos\u00e3o na refinaria de Plaza Huincul, em Neuqu\u00e9n, que ceifou a vida de tr\u00eas trabalhadores petroleiros. A empresa neste caso \u00e9 a New American Oil que explora os campos petrol\u00edferos de Vaca Muerta h\u00e1 10 anos. Como dissemos no artigo publicado assim que ocorreu a explos\u00e3o, a empresa <em>&#8220;obt\u00e9m lucros extraordin\u00e1rios, leva tudo o que pode e desinveste em seguran\u00e7a e sal\u00e1rios<\/em>. <em>No momento do acidente estava produzindo na capacidade m\u00e1xima com apenas 4 trabalhadores operadores na f\u00e1brica e uma rede de inc\u00eandio quase inexistente nas instala\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/em> Isso acontece no contexto de que, em agosto, o pa\u00eds atingiu a maior produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s n\u00e3o convencional de sua hist\u00f3ria: 590 mil barris de petr\u00f3leo por dia. <em>&#8220;Estamos muito felizes com esses n\u00fameros que mostram que com regras claras e previsibilidade podemos dar um grande impulso a um setor estrat\u00e9gico para nosso desenvolvimento&#8221;<\/em>, disse a Secret\u00e1ria de Energia da Na\u00e7\u00e3o, Flavia Royon. O que ela quer dizer com regras claras e previsibilidade? Que levem todo o petr\u00f3leo pagando o m\u00ednimo poss\u00edvel em impostos e custos. Um exemplo claro disso \u00e9 que <em>&#8220;o Governo restabeleceu a validade do Decreto 929\/2013, que continha benef\u00edcios chaves para as empresas petrol\u00edferas: a possibilidade de exportar at\u00e9 20% da produ\u00e7\u00e3o sem impostos e a transfer\u00eancia de d\u00f3lares para o exterior para a totalidade dessa opera\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A pilhagem indiscriminada tamb\u00e9m ocorre com a minera\u00e7\u00e3o, e as multinacionais que devastam as riquezas e deixam o solo e a \u00e1gua contaminados, cidades destru\u00eddas, e quando o neg\u00f3cio termina, elas pegam tudo e v\u00e3o embora.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso da Barrick Gold, que ainda est\u00e1 retirando o ouro, as consequ\u00eancias ambientais s\u00e3o tremendas. Operando desde 2005 na prov\u00edncia de San Juan, em outubro de 2015 ficou conhecida pelo fato de ter despejado cerca de 15.000 litros de \u00e1gua de cianeto nos afluentes do rio J\u00e1chal. Mais tarde, a mesma empresa canadense admitiu inicialmente que 224.000 litros &#8220;escaparam&#8221; pelos canais naturais. E finalmente, foi confirmado que foi derramado um milh\u00e3o de litros.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2008, a pr\u00f3pria Cristina Kirchner, a pedido da Barrick Gold, vetou a lei sobre as geleiras que havia sido aprovada por unanimidade pelos deputados um ano antes, uma lei que protegia todas as geleiras argentinas para sua preserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 27\/05\/2009 o jornal P\u00e1gina\/12 publicou: <em>&#8220;No dia 14 de abril, Peter Munk, fundador da empresa mineradora Barrick Gold, foi recebido na Casa do Governo por Cristina Fern\u00e1ndez e pelo governador de San Juan, Jos\u00e9 Luis Gioja. Duas semanas depois, em 30 de abril, os governos do Chile e da Argentina deram luz verde a Pascua-Lama<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a>: assinaram o acordo fiscal para definir os royalties para cada pa\u00eds, o \u00faltimo obst\u00e1culo ao projeto.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Pascua-Lama utilizar\u00e1 17 caminh\u00f5es de cianeto por m\u00eas, 370 litros de \u00e1gua por segundo &#8211; em uma \u00e1rea semides\u00e9rtica &#8211; e 200 caminh\u00f5es de explosivos por m\u00eas. Tudo em uma \u00e1rea de alta montanha, com geleiras. &#8220;N\u00e3o existem antecedentes na hist\u00f3ria de que opera\u00e7\u00f5es de minera\u00e7\u00e3o, petr\u00f3leo, ind\u00fastria ou arquitet\u00f4nica em grande escala, em ou sobre forma\u00e7\u00f5es glaciais ou periglaciais, tenham resultado em nenhum ou um m\u00ednimo impacto sobre elas&#8221;, denunciou a Diretoria da Faculdade de Ci\u00eancias Exatas e Naturais da UBA\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resumindo um pouco<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As multinacionais est\u00e3o tomando os recursos naturais, destruindo o meio ambiente, esvaziando o pa\u00eds de ouro, prata, l\u00edtio, petr\u00f3leo, g\u00e1s, e em troca o governo lhes cobra apenas 3% de royalties, um pouco mais em impostos retidos na fonte, liberando-as do pagamento de impostos de importa\u00e7\u00e3o e lhes liberta o d\u00f3lar. Eles est\u00e3o entregando tudo em troca de migalhas, enriquecendo-se nesta rede de pilhagem e corrup\u00e7\u00e3o. Eles querem nos vender que isso \u00e9 o melhor que podemos fazer, mas n\u00e3o \u00e9 assim. \u00c9 essa estrutura econ\u00f4mica que nos mant\u00e9m na pobreza. Por que n\u00e3o aumentam os impostos, por que n\u00e3o aumentam os impostos retidos na fonte, os royalties, os tributos, para arrecadar mais e usar esse dinheiro para obras p\u00fablicas, para desenvolver a ind\u00fastria, para gerar emprego e acabar com o desemprego, a pobreza e a fome?<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, por que n\u00e3o estatizar e nacionalizar os campos de minera\u00e7\u00e3o e petr\u00f3leo e coloc\u00e1-los sob o controle dos trabalhadores? Por que entregar tudo quando poder\u00edamos aproveit\u00e1-lo para o bem-estar do povo? Por que n\u00e3o parar de pagar a d\u00edvida externa fraudulenta e usar esse dinheiro para desenvolver a ind\u00fastria?<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A resposta \u00e9 que somos assim porque na divis\u00e3o mundial do trabalho, a Argentina foi reduzida a uma mera semicol\u00f4nia. Isso n\u00e3o \u00e9 novidade, como dissemos acima, nos custou 30.000 companheiros desaparecidos, v\u00edtimas da \u00faltima Ditadura Militar neoliberal e genocida, que atuou como agente do Plano Condor, que visava consolidar o poder dos Estados Unidos na regi\u00e3o. Nenhum governo desde o retorno \u00e0 democracia lutou para nos tirar do lugar de pa\u00eds dominado. Continuamos sendo v\u00edtimas de pilhagem, enforcados pelo Fundo Monet\u00e1rio Internacional, governados pelo peronismo ou pelo PRO de Macri ou por radicais reciclados. Ningu\u00e9m tocou nessa estrutura, ningu\u00e9m &#8211; salvo alguns discursos &#8211; luta pela soberania nacional, pela independ\u00eancia econ\u00f4mica do pa\u00eds e dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, que s\u00e3o igualmente saqueados, explorados e subjugados pelo imperialismo ianque e europeu e pelas multinacionais chinesas e russas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Frente de Todos pode acabar com a coloniza\u00e7\u00e3o da Argentina?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Estamos convencidos de que n\u00e3o pode. N\u00f3s os trabalhadores\/as, empregados\/as e desempregados\/as temos que lutar por um aumento imediato dos royalties, impostos retidos na fonte, tributos, remedia\u00e7\u00e3o ambiental. Aqueles que confiam no governo devem exigir isso. Lutaremos junto com voc\u00ea. Mas queremos ser honestos. N\u00e3o acreditamos que o governo da Frente de Todos ou o PRO o fa\u00e7a. Sua pol\u00edtica, ao contr\u00e1rio, tem sido a de garantir maiores lucros e menores custos para as empresas. Muito menos enfrentar\u00e3o as multinacionais expropriando-as e colocando-as sob o controle oper\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Como disse o revolucion\u00e1rio russo Leon Trotsky: <em>&#8220;n\u00e3o ser\u00e1 a burguesia sul-americana atrasada, essa sucursal do imperialismo estrangeiro, que ser\u00e1 chamada a cumprir esta tarefa, mas o jovem proletariado sul-americano&#8221;<\/em>. N\u00f3s acreditamos no mesmo. Mas a quest\u00e3o \u00e9 como fazer isso. Hoje parece loucura falar de revolu\u00e7\u00e3o, e eles querem nos fazer crer que n\u00e3o h\u00e1 outra escolha a n\u00e3o ser votar no peronismo ou na direita. O governo fala sobre Paz Social, sobre uma campanha contra o \u00f3dio, mas durante o conflito do Sindicato \u00danico dos Trabalhadores de Pneus Argentinos &#8211; SUTNA o superministro da Economia, Sergio Massa, amea\u00e7ou permitir a importa\u00e7\u00e3o de pneus para derrotar os trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o pode haver Paz Social com tanta desigualdade, um pa\u00eds subjugado n\u00e3o pode estar em paz. A maioria da popula\u00e7\u00e3o vive mal. Ela n\u00e3o mora no bairro da Recoleta, na Cidade Aut\u00f4noma de Buenos Aires &#8211; CABA, de onde Cristina Kirchner chama para enfrentar o \u00f3dio com amor. Eles querem que tenhamos calma, necessitam que o povo seja manso para continuar pagando ao FMI, entregar os recursos naturais e atacar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de vida. Falam de paz, mas aplicam a viol\u00eancia organizada do Estado, enviando a Pol\u00edcia para proteger as empresas quando os trabalhadores protestam, como aconteceu recentemente em Santa Cruz, no campo petrol\u00edfero de Cerro Moro. Ou como fez Cristina Kirchner quando era presidente que enviou Sergio Berni, Secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a, e seus capangas para reprimir os motoristas da linha 60, e aos trabalhadores demitidos da Lear, Gestamp, Paty, etc. Ou como fez Mauricio Macri quando o enfrentamos com pedras na Pra\u00e7a dos Congressos para impedir que os aposentados n\u00e3o fossem roubados com a Reforma Previdenci\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>E n\u00e3o s\u00f3 enviam a pol\u00edcia, como tamb\u00e9m dirigem a maioria dos sindicatos, controlando-os a partir do Estado atrav\u00e9s da Lei das Associa\u00e7\u00f5es Profissionais e do Minist\u00e9rio do Trabalho, e porque seus dirigentes pertencem ao Peronismo ou ao PRO, portanto atuam como agentes dos governos e das empresas. Atacando assim os ativistas e delegados sindicais que n\u00e3o est\u00e3o com eles, garantindo \u00e0s empresas reformas trabalhistas, a perda de sal\u00e1rio e condi\u00e7\u00f5es de trabalho e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, garantindo tamb\u00e9m a pilhagem dos recursos naturais.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, isto n\u00e3o se resolve colocando mais deputados de esquerda no Congresso corrupto para apresentar melhores projetos de lei do que os demais partidos, muito menos marchando pela Paz Social.&nbsp; <em>&#8220;Os reformistas sistematicamente incutem nos oper\u00e1rios a ideia de que a sacrossanta democracia \u00e9 mais segura onde h\u00e1 burguesia armada at\u00e9 os dentes e os trabalhadores est\u00e3o desarmados&#8221;,<\/em> e isso \u00e9 um grande problema, porque enfrentar a coloniza\u00e7\u00e3o da Argentina \u00e9 enfrentar os Estados Unidos e o resto dos pa\u00edses que nos dominam, e isso n\u00e3o pode ser pac\u00edfico, nem aqui nem em nenhum outro pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina e do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos de uma Argentina socialista, governada pelos trabalhadores e pelo povo, com recursos naturais a servi\u00e7o de enfrentar a fome, a mis\u00e9ria e o desemprego. Mas n\u00e3o nos permitir\u00e3o expropriar pacificamente suas empresas, n\u00e3o permitir\u00e3o que os trabalhadores as controlem. Nem sequer abrir\u00e3o os livros cont\u00e1beis para que possamos ver o quanto eles nos roubaram e continuam a nos roubar; o FMI n\u00e3o aceitar\u00e1 pacificamente que deixemos de pagar a D\u00edvida. Em suma, n\u00e3o poderemos avan\u00e7ar em dire\u00e7\u00e3o a um modelo econ\u00f4mico melhor, onde prevale\u00e7a \u00e0 l\u00f3gica das necessidades do povo ao inv\u00e9s dos lucros empresariais, se n\u00e3o enfrentarmos de forma organizada aqueles que nos dominam econ\u00f4mica, pol\u00edtica e militarmente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nosso programa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Toda a explora\u00e7\u00e3o de nossos recursos naturais, a extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, g\u00e1s, ouro, prata, pesca, etc. \u00e9 realizada para obter lucros milion\u00e1rios a fim de acumular riqueza nas m\u00e3os de empresas multinacionais e nacionais, este \u00e9 o sistema capitalista. Nada disso \u00e9 feito para gerar melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, para desenvolver a ci\u00eancia, criar escolas e hospitais, criar empregos, garantir sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o e promover obras p\u00fablicas, pelo contr\u00e1rio, quanto mais riqueza eles tomam, mais pobres n\u00f3s ficamos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um pa\u00eds rico como o nosso, que produz alimentos para 10 vezes sua popula\u00e7\u00e3o, existe desnutri\u00e7\u00e3o infantil. Temos petr\u00f3leo de sobra e a gasolina fica cada vez mais cara sem falar no g\u00e1s de cozinha, comer peixe ou carne de vaca \u00e9 uma fortuna, n\u00e3o h\u00e1 moradia, e assim podemos fazer uma longa lista.<\/p>\n\n\n\n<p>A explica\u00e7\u00e3o \u00e9 muito concreta, entregaram tudo. E a solu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9. Temos que recuperar o que \u00e9 nosso. A recupera\u00e7\u00e3o de nossos recursos naturais n\u00e3o acontecer\u00e1 atrav\u00e9s dos mesmos governos que os entregaram e continuam entregando, n\u00f3s, os oper\u00e1rios, estudantes, empregados e desempregados precisaremos de uma revolu\u00e7\u00e3o para faz\u00ea-lo, uma revolu\u00e7\u00e3o que marque a Segunda e Definitiva Independ\u00eancia. Que coloque para fora as multinacionais e o FMI, que assuma o controle das f\u00e1bricas e sua produ\u00e7\u00e3o e que todos os nossos recursos sejam utilizados para viver melhor, de forma respons\u00e1vel, assim acabaremos com a fome, cuidaremos do solo, da \u00e1gua e do ar, e deixarmos de morrer para enriquecer os patr\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>E ao mesmo tempo em que assumimos a tarefa de construir a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que tenha esse objetivo, temos que tra\u00e7ar um programa de a\u00e7\u00e3o que nos guie nesse caminho, que oriente as lutas com um objetivo. N\u00f3s, do Jornal Avanzada Socialista, queremos propor alguns pontos desse programa para servir ao debate e \u00e0 tarefa de nos organizar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Expropria\u00e7\u00e3o sem pagamento das empresas multinacionais e capitais privados nacionais no setor de energia, julgamento imediato de todas as empresas petrol\u00edferas e mineradoras pelo passivo ambiental<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a> causado.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Anula\u00e7\u00e3o dos acordos, leis, decretos e renegocia\u00e7\u00f5es assinados at\u00e9 o momento.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Prote\u00e7\u00e3o de geleiras e \u00e1reas mar\u00edtimas para a pesca.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; O controle oper\u00e1rio sobre os recursos naturais, a produ\u00e7\u00e3o e a contabilidade das empresas para uma gest\u00e3o respons\u00e1vel e como \u00fanica garantia de dar prioridade \u00e0s necessidades do povo trabalhador.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Anula\u00e7\u00e3o do imposto de renda sobre os sal\u00e1rios dos trabalhadores e aplica\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o salarial para criar novos empregos para os trabalhadores desempregados.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Trabalho igual, sal\u00e1rio igual, atrav\u00e9s de um \u00fanico acordo coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Implanta\u00e7\u00e3o imediata de um plano nacional de obras p\u00fablicas a ser financiado com os lucros das empresas nacionalizadas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Gerar o uso de energias alternativas (solar, e\u00f3lica, h\u00eddrica) para criar empregos e reduzir a polui\u00e7\u00e3o. 20% dos lucros anuais ser\u00e3o destinados \u00e0 pesquisa, desenvolvimento e aplica\u00e7\u00e3o de energias renov\u00e1veis, alternativas e sustent\u00e1veis. Tarifas de servi\u00e7os p\u00fablicos ser\u00e3o geradas para trabalhadores e pequenos comerciantes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Cria\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o independente composta de trabalhadores, ex-trabalhadores, aposentados da ind\u00fastria e popula\u00e7\u00e3o local para reunir todo tipo de provas de acidentes de trabalho, rescis\u00f5es de trabalho prejudiciais, derramamentos e contamina\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; A referida comiss\u00e3o deve elaborar um plano de remedia\u00e7\u00e3o ambiental em cada cidade e entorno onde um recurso natural foi, \u00e9 ou ser\u00e1 extra\u00eddo, sejam eles jazidas, mar ou rios de represas. O dinheiro para tal remedia\u00e7\u00e3o vir\u00e1 de tudo o que foi apreendido dos respons\u00e1veis, sejam eles grupos empresariais, casas e a\u00e7\u00f5es de familiares de propriet\u00e1rios ou CEOs, e dos embargos a pol\u00edticos governantes, incluindo burocratas sindicais por omiss\u00e3o diante das consequ\u00eancias da pilhagem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Minera\u00e7\u00e3o e machismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Trabalho igual, sal\u00e1rio igual para as mulheres mineiras<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se mencionarmos as palavras mulheres e minera\u00e7\u00e3o na mesma frase, o leitor certamente pensar\u00e1 que elas s\u00e3o incompat\u00edveis entre si. Isso porque muito recentemente existem mulheres trabalhadoras na ind\u00fastria de minera\u00e7\u00e3o na Argentina. Tanto na minera\u00e7\u00e3o de metais como na de cimento, cal ou pedreiras, a desigualdade em rela\u00e7\u00e3o ao emprego masculino e feminino \u00e9 gigantesca, principalmente nas fun\u00e7\u00f5es operacionais e t\u00e9cnicas, onde a presen\u00e7a masculina \u00e9 esmagadora, embora as mulheres se destaquem em cargos administrativos e profissionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Especificamente em Puerto Deseado, Santa Cruz, onde est\u00e1 localizada a mina de Cerro Moro, as mulheres representam 40,6% da popula\u00e7\u00e3o. No entanto, s\u00e3o as mulheres e seus filhos\/as aqueles que mais sofrem com o desemprego, j\u00e1 que muitas s\u00e3o chefes de fam\u00edlia monoparental.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, o an\u00fancio da AOMA \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Oper\u00e1ria dos Mineiros da Argentina, de incorporar 500 mulheres \u00e0 ind\u00fastria de minera\u00e7\u00e3o em Santa Cruz foi recebido com grande entusiasmo em 2020: em lugares da Patag\u00f4nia onde a principal atividade produtiva \u00e9 a minera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 outras fontes de trabalho com sal\u00e1rio igual aos dos homens, muito menos se falarmos de ocupa\u00e7\u00e3o feminina. O sindicato prop\u00f4s um plano de &#8220;cota&#8221; para a entrada das mulheres. Das 2000 mulheres cadastradas, apenas 50 seriam treinadas inicialmente (de forma gratuita e tendo que deixar qualquer emprego atual, j\u00e1 que os homens entram e logo s\u00e3o treinados j\u00e1 em atividade), e a empresa avaliaria se as contrataria ou n\u00e3o, trabalhando por 6 meses por uma soma insignificante, e em condi\u00e7\u00f5es absolutamente prec\u00e1rias. Um plano imposs\u00edvel para algu\u00e9m que \u00e9 o \u00fanico sustento em casa. E ainda mais imposs\u00edvel para algu\u00e9m que precisa se tornar economicamente independente para poder sair de um ambiente opressivo, de viol\u00eancia machista, com filhos\/as, etc. O pr\u00f3prio sindicato endossa a precariedade e a desigualdade de trabalho das mulheres no setor de minera\u00e7\u00e3o, sem diferir em nada dos planos dos empregadores. As organiza\u00e7\u00f5es feministas que fazem parte do governo, como a <em>Ni Una Menos<\/em>, ao se calarem tamb\u00e9m s\u00e3o c\u00famplices.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As mulheres na vanguarda da luta em Cerro Moro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A luta dos trabalhadores de Cerro Moro colocou na mesa outra vez a situa\u00e7\u00e3o das mulheres trabalhadoras e a\u00e7\u00f5es contra os patr\u00f5es. De um total de 800 trabalhadores, as poucas mulheres que ali trabalham recebem a terr\u00edvel soma de $33.000 \u2013 cerca de 190 d\u00f3lares (abaixo da linha de indig\u00eancia), trabalhando 12 horas, em regime de 14 dias e outros 14 de descanso.&nbsp; E esta ninharia \u00e9 paga em troca de deixar seus filhos e fam\u00edlia, deixar seus lares, talvez com a promessa de conseguir a t\u00e3o necess\u00e1ria independ\u00eancia econ\u00f4mica, que \u00e9 a base de qualquer outro tipo de liberdade e conquista que as mulheres podem aspirar. E mesmo assim, em uma situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o adversa e desigual, muitas dessas companheiras mineiras assumiram a lideran\u00e7a da luta para defender a fam\u00edlia mineira e suas necessidades.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para combater a viol\u00eancia baseada no g\u00eanero, trabalho igual, sal\u00e1rio igual<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os n\u00fameros da viol\u00eancia masculina em Santa Cruz s\u00e3o muito altos, e continuam a subir em todos os lugares. Muitas mulheres n\u00e3o t\u00eam recursos para sair de casa com seus filhos diante da viol\u00eancia dom\u00e9stica.&nbsp; O Estado n\u00e3o oferece abrigos suficientes para acolh\u00ea-las, de modo que essa situa\u00e7\u00e3o muitas vezes acaba em mais viol\u00eancia e at\u00e9 em feminic\u00eddios.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s do PSTU em Santa Cruz temos insistido na necessidade de implementar a cota de postos de trabalho para mulheres e travestis\/trans na ind\u00fastria de minera\u00e7\u00e3o, e temos feito uma forte campanha nesse sentido. Quando a AOMA a assumiu, denunciamos tamb\u00e9m que a incorpora\u00e7\u00e3o das 500 mulheres foi feita em p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de contrata\u00e7\u00e3o e porque aqueles que administram sua incorpora\u00e7\u00e3o continuam sendo os patr\u00f5es.&nbsp; A cumplicidade do governo de Alicia Kirchner e do governo de Fern\u00e1ndez, que se diz feminista, \u00e9 mais do que \u00f3bvia. Seu Minist\u00e9rio da Mulher faz de conta que n\u00e3o v\u00ea.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A classe oper\u00e1ria deve tomar em suas pr\u00f3prias m\u00e3os a tarefa da independ\u00eancia econ\u00f4mica das mulheres, que elas sejam inseridas na atividade produtiva em condi\u00e7\u00f5es especiais porque s\u00e3o m\u00e3es e chefes de fam\u00edlia, e que sejam remuneradas da mesma forma que um trabalhador homem.<\/p>\n\n\n\n<p>Em cada mina, os trabalhadores devem estar \u00e0 frente disso, estabelecendo as bolsas de trabalho gerenciadas pelos trabalhadores e pelas pr\u00f3prias mulheres desempregadas, da maneira mais democr\u00e1tica e transparente poss\u00edvel. Da mesma forma, se cada trabalhador trabalhasse menos horas, mas com um sal\u00e1rio igual \u00e0 cesta b\u00e1sica, estar\u00edamos tamb\u00e9m em melhores condi\u00e7\u00f5es para abrir novos turnos de trabalho e incorporar rapidamente todas as mulheres na minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Este caminho tamb\u00e9m faz parte de tomar em suas m\u00e3os a resolu\u00e7\u00e3o dos problemas da classe trabalhadora como um todo e como dar solu\u00e7\u00e3o ao desemprego em geral, e especificamente o feminino. Isso nos colocar\u00e1 em melhores condi\u00e7\u00f5es para lutar contra a viol\u00eancia machista que nem o governo nem os patr\u00f5es querem realmente combater.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Pascua-Lama \u00e9 o primeiro projeto de minera\u00e7\u00e3o binacional do mundo e consiste no desenvolvimento de uma mina compartilhada pelo Chile e Argentina. \u00c9 uma mina de ouro e prata a c\u00e9u aberto, da empresa Barrick Gold, localizada a mais de 4.000 metros de altitude na fronteira entre Chile e Argentina (entre 3.800 e 5.200 metros), ou seja, nas geleiras dos dois pa\u00edses, ndt.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn2\" href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> Passivo ambiental refere-se \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es financeiras a ser arcadas pelas empresas para recupera\u00e7\u00e3o dos danos causados \u00e0 natureza e a terceiros, ndt;<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Rosangela Botelho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como se explica que um pa\u00eds rico em recursos naturais tenha quase metade de sua popula\u00e7\u00e3o vivendo abaixo da linha de pobreza? 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