{"id":75050,"date":"2022-10-24T20:55:37","date_gmt":"2022-10-24T20:55:37","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=75050"},"modified":"2022-10-24T20:55:39","modified_gmt":"2022-10-24T20:55:39","slug":"chile-3-anos-apos-o-18-de-outubro-onde-estamos-como-continuamos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/10\/24\/chile-3-anos-apos-o-18-de-outubro-onde-estamos-como-continuamos\/","title":{"rendered":"Chile: 3 anos ap\u00f3s o 18 de outubro. Onde estamos? Como continuamos?"},"content":{"rendered":"\n<p>Em 9 de outubro de 2019, em uma entrevista a <em>Mega (canal de televis\u00e3o chileno)<\/em>, Pi\u00f1era disse que o Chile era um \u201cverdadeiro o\u00e1sis\u201d dentro de uma \u201cAm\u00e9rica Latina convulsionada\u201d. Naquele momento, o Equador vivia uma grande rebeli\u00e3o ind\u00edgena, o Haiti estava em chamas, a Argentina e o Paraguai vinham saindo de importantes manifesta\u00e7\u00f5es. Dez dias depois, o \u201co\u00e1sis chileno\u201d explodiu em uma convuls\u00e3o ainda maior e mais violenta que a de todos os pa\u00edses vizinhos. A juventude foi a ponta de lan\u00e7a, mas milh\u00f5es de n\u00f3s sa\u00edmos \u00e0s ruas para dizer que j\u00e1 n\u00e3o aguent\u00e1vamos tanta explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o. Sab\u00edamos que o pa\u00eds moderno que os governantes apresentavam no exterior n\u00e3o era o que viv\u00edamos cotidianamente. Os lindos edif\u00edcios de Vitacura ou as casas de Cachagua n\u00e3o s\u00e3o a realidade da maioria da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por: MIT -Chile<\/p>\n\n\n\n<p>O 18 de outubro foi a express\u00e3o de uma raiva acumulada durante d\u00e9cadas, depois de muitas lutas onde as respostas eram unicamente as promessas e a repress\u00e3o, de ver como os esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o se multiplicavam; como os donos das AFPs roubavam nossas aposentadorias; como os jovens se endividavam por anos e d\u00e9cadas para pagar seus estudos. Em 18 de outubro dissemos: basta!<\/p>\n\n\n\n<p>Esta edi\u00e7\u00e3o de <em>La Voz de los Trabajadores <\/em>\u00e9 um especial de balan\u00e7o sobre os principais acontecimentos e conclus\u00f5es do processo que se abriu em 18 de outubro de 2019.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Abre-se um processo revolucion\u00e1rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em nossa opini\u00e3o, o 18 de outubro abriu um processo revolucion\u00e1rio no Chile. Por que n\u00e3o dizemos que foi uma simples explos\u00e3o ou revolta? Pela profundidade dos fatos. N\u00f3s chilenos sabemos melhor do que ningu\u00e9m como diferenciar um simples tremor de terra de um terremoto. Na pol\u00edtica, tamb\u00e9m devemos ser capazes de faz\u00ea-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas caracter\u00edsticas do 18 de outubro s\u00e3o fundamentais para caracteriz\u00e1-lo como uma revolu\u00e7\u00e3o: 1) a enorme massividade, transversalidade e perman\u00eancia no tempo das manifesta\u00e7\u00f5es; 2) o questionamento ao conjunto das institui\u00e7\u00f5es e ao \u201cmodelo econ\u00f4mico\u201d implementado no pa\u00eds a partir da ditadura; 3) o alto grau de viol\u00eancia usado pelo movimento de massas para demonstrar sua raiva acumulada e defender-se da repress\u00e3o estatal. Esta viol\u00eancia em muitos casos foi dirigida para os \u201cs\u00edmbolos\u201d do capitalismo neoliberal chileno: monop\u00f3lios farmac\u00eauticos, bancos, AFPs, grandes empresas de varejo, institui\u00e7\u00f5es estatais, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>O 18 de outubro foi t\u00e3o profundo que abriu todo um novo per\u00edodo, onde as massas passaram para a ofensiva e come\u00e7aram a determinar, nas ruas, os rumos dos acontecimentos. Como dizia L\u00eanin, o principal l\u00edder da Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1917, \u201cos de baixo n\u00e3o queriam continuar sendo governados como antes e tampouco os de cima podiam continuar governando como antes\u201d. A maior mudan\u00e7a provocada pela \u201ceclos\u00e3o social\u201d foi na consci\u00eancia da classe trabalhadora e do povo em geral, que deu um basta a tantos abusos.<\/p>\n\n\n\n<p>Entender que se abriu um processo revolucion\u00e1rio no Chile n\u00e3o significa dizer que essa revolu\u00e7\u00e3o tenha triunfado. Nenhum dos problemas que gerou a \u201cexplos\u00e3o social\u201d foi resolvido e a possibilidade de uma nova explos\u00e3o social (com caracter\u00edsticas similares ou diferentes das de 18 de outubro) estar\u00e1 colocada enquanto o pa\u00eds continuar sob a domina\u00e7\u00e3o dos grandes empres\u00e1rios. Portanto, tirar as conclus\u00f5es sobre o que est\u00e1 acontecendo agora tem um sentido: preparar-se para o futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, tentaremos identificar, neste texto, os momentos mais decisivos dos \u00faltimos anos e as principais mudan\u00e7as que ocorreram na realidade e na consci\u00eancia das massas.<\/p>\n\n\n\n<p>Foto: Chile, protestos 2019<\/p>\n\n\n\n<p><strong>12 e 15 de novembro de 2019<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma das caracter\u00edsticas mais importantes do 18 de outubro e das manifesta\u00e7\u00f5es que o seguiram foi a aus\u00eancia de uma condu\u00e7\u00e3o ou dire\u00e7\u00e3o. N\u00e3o havia l\u00edderes, n\u00e3o haviam partidos ou movimentos sociais conduzindo a enorme massa na luta. Esse \u201cespontane\u00edsmo\u201d teve dois aspectos, um positivo e outro negativo. O aspecto positivo \u00e9 que os governantes, as institui\u00e7\u00f5es e os partidos tradicionais, n\u00e3o tinham como controlar a f\u00faria popular ou prender um ou outro l\u00edder para destruir o movimento. Isso possibilitou que as massas continuassem nas ruas por v\u00e1rios meses, enfrentando o Estado, exigindo a sa\u00edda de Pi\u00f1era e profundas mudan\u00e7as sociais. &nbsp;O aspecto negativo, entretanto, \u00e9 justamente a falta de uma dire\u00e7\u00e3o que levasse a fundo a luta pela ren\u00fancia de Pi\u00f1era e que pudesse conduzir o pa\u00eds \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o das demandas levantadas nas ruas. Assim, o pr\u00f3prio desgaste do movimento levou os velhos (e jovens) pol\u00edticos a conduzirem o descontentamento popular para um Acordo para manter quase tudo igual. Entre os ativistas que estavam nas assembleias, conselhos e manifesta\u00e7\u00f5es n\u00e3o havia clareza sobre qual caminho era necess\u00e1rio seguir para triunfar. Dessa forma, esse \u201cvazio\u201d foi ocupado por organiza\u00e7\u00f5es que tinham uma estrat\u00e9gia e um programa pol\u00edtico, os partidos pol\u00edticos reformistas [principalmente Frente Ampla e PC] e as organiza\u00e7\u00f5es sindicais e sociais dirigidas pelo reformismo [CUT, Col\u00e9gio de Professores, Coordenadora 8M, Coord. N\u00c3O + AFP, etc.]<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de mais 3 semanas de mobiliza\u00e7\u00f5es, os dias 12 e 15 de novembro de 2019, foram decisivos para delimitar como a revolu\u00e7\u00e3o continuaria.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 12 de novembro um amplo setor da classe trabalhadora respondeu ao chamado \u00e0 \u201cGreve Geral\u201d realizado pela Mesa da Unidade Social, que agrupava diversos sindicatos do setor p\u00fablico, privado e organiza\u00e7\u00f5es sociais. Naquele dia, em todo o pa\u00eds, houve paralisa\u00e7\u00f5es de portos, metr\u00f4s, hospitais, col\u00e9gios, atividades da constru\u00e7\u00e3o, etc. Alguns sindicatos mineiros, o setor mais importante do proletariado do pa\u00eds, pelo seu peso econ\u00f4mico, se somaram \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es, mas a grande maioria dos sindicatos mineiros se absteve, devido ao papel da burocracia sindical, inclusive quando a maioria dos trabalhadores queria paralisar as atividades. A enorme pot\u00eancia da classe trabalhadora organizada se combinou com a energia da juventude popular em diferentes cidades. Em Santiago, a grande marcha dos sindicatos se uniu \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es da juventude, que se manteve durante horas enfrentando a pol\u00edcia nos arredores do Pal\u00e1cio de la Moneda.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois das manifesta\u00e7\u00f5es e protestos de 12 de novembro, o governo ficou por um fio. Pi\u00f1era amea\u00e7ou novamente colocar os militares nas ruas, mas n\u00e3o pode faz\u00ea-lo, j\u00e1 que os pr\u00f3prios generais n\u00e3o quiseram, pois sabiam que se sa\u00edssem novamente \u00e0s ruas era para realizar um massacre, o que teria enormes consequ\u00eancias. A recusa dos oficiais em voltar \u00e0s ruas n\u00e3o foi devido a nenhuma considera\u00e7\u00e3o moral. Pelo contr\u00e1rio, segundo contam algumas reportagens jornal\u00edsticas (ver o livro La Revuelta), os militares exigiam que Pi\u00f1era assumisse a responsabilidade direta sobre a repress\u00e3o; eles sabiam que se o povo vencesse e conseguisse derrubar o governo, eles seriam castigados, como aconteceu em outros pa\u00edses. O que queriam era passar a batuta para Pi\u00f1era, que titubeou.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a recusa dos militares de voltar \u00e0s ruas, as \u00fanicas op\u00e7\u00f5es que restavam ao governo eram: negociar um grande acordo nacional ou renunciar. Para a salva\u00e7\u00e3o de Pi\u00f1era, a \u201cesquerda\u201d e a direita se uniram para dar uma sa\u00edda \u00e0 crise. Depois de intensas negocia\u00e7\u00f5es, surgiu o Acordo pela Paz de 15 de novembro, que prop\u00f4s canalizar a crise para uma Nova Constitui\u00e7\u00e3o. Com isso, Pi\u00f1era se manteve no governo, os generais em seus postos e as institui\u00e7\u00f5es em suas fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Foto:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O 12 de novembro foi o auge da nossa luta e mostrou que era poss\u00edvel derrubar Pi\u00f1era, conquistar o julgamento e puni\u00e7\u00e3o dos militares e pol\u00edticos respons\u00e1veis pela repress\u00e3o e iniciar um profundo processo de mudan\u00e7as sociais. <\/strong>No entanto, as organiza\u00e7\u00f5es que iam se delineando como dire\u00e7\u00f5es do processo o canalizaram para o Acordo pela Paz e n\u00e3o para uma Greve geral por tempo indefinido e uma insurrei\u00e7\u00e3o que pudesse abrir outro caminho para a revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir daquele momento, se iniciou uma grande opera\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es reformistas. O Partido Comunista, a Frente Ampla e o PS (um partido diretamente burgu\u00eas, mas com peso no movimento social e sindical) come\u00e7aram a desarmar o movimento social e conduzir tudo para o Processo Constituinte. Assim, a CUT e diferentes Federa\u00e7\u00f5es e sindicatos dirigidos por esses partidos, foram diminuindo a intensidade de suas convoca\u00e7\u00f5es e, apesar de seus chamados para novas Paralisa\u00e7\u00f5es Nacionais, n\u00e3o houve constru\u00e7\u00e3o nas bases e a demanda foi abandonada pela ren\u00fancia de Pi\u00f1era. Esta situa\u00e7\u00e3o chegou a ser pat\u00e9tica quando, alguns meses depois, o bloco sindical da Mesa da Unidade Social (Col\u00e9gio de Professores, ANEF, CUT, N\u00c3O + AFP, etc) convocou uma \u201cparalisa\u00e7\u00e3o de 11 minutos\u201d contra o governo de Pi\u00f1era.<\/p>\n\n\n\n<p>Junto com a desmobiliza\u00e7\u00e3o do movimento sindical, esses partidos disputavam cada assembleia popular, conselho e organiza\u00e7\u00e3o territorial ou popular. Grande parte das assembleias populares se dividiram frente ao Processo Constituinte e muitas come\u00e7aram a escrever \u201cpor baixo\u201d a Nova Constitui\u00e7\u00e3o, deixando em segundo plano a organiza\u00e7\u00e3o para derrubar o governo. Um setor do movimento feminista separatista tamb\u00e9m teve um papel muito reacion\u00e1rio, dividindo muitos espa\u00e7os de organiza\u00e7\u00e3o popular e formando organiza\u00e7\u00f5es separatistas de mulheres, o que enfraqueceu a organiza\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois do Acordo, amplos setores populares continuaram nas ruas. Muitos coletivos que desconfiavam dos pol\u00edticos tradicionais diziam que era necess\u00e1rio continuar nas ruas, mas n\u00e3o tinham uma estrat\u00e9gia alternativa, nem peso suficiente dentro da classe trabalhadora e dos territ\u00f3rios para impor outra agenda.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Acordo pela Paz fecha o caminho para as mudan\u00e7as profundas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Foto:<\/p>\n\n\n\n<p>O Acordo pela Paz foi uma grande jogada do empresariado e seus partidos. Em primeiro lugar, porque colocava limites fundamentais \u00e0 soberania da Conven\u00e7\u00e3o que redigiria a Nova Constitui\u00e7\u00e3o. Proibia a Conven\u00e7\u00e3o de tocar nos Tratados de Livre Com\u00e9rcio (espinha dorsal do capitalismo neoliberal chileno); mantinha-a submetida \u00e0 Corte Suprema e ao Parlamento; estabelecia o qu\u00f3rum de \u2154 para as vota\u00e7\u00f5es, que os empres\u00e1rios sabiam que daria aos seus partidos o poder de bloquear as transforma\u00e7\u00f5es que atingissem seus interesses.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de todos esses entraves, o Acordo inclu\u00eda dois Plebiscitos, que seriam novas oportunidades para o grande empresariado de derrotar completamente a possibilidade de uma Nova Constitui\u00e7\u00e3o redigida \u201cdemocraticamente\u201d, o que terminou acontecendo com a vit\u00f3ria do Recha\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Toda essa \u201canatomia\u201d do Acordo tinha uma fun\u00e7\u00e3o: bloquear todas as mudan\u00e7as sociais que significassem tocar nos privil\u00e9gios dos donos do Chile: o grande empresariado chileno e as transnacionais. Boric e a Frente Ampla foram fundamentais para gerar essa \u201csa\u00edda\u201d. O Partido Comunista, embora n\u00e3o tenha assinado o Acordo, respaldou-o no dia seguinte com alguns \u201creparos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir daquele momento, a estrat\u00e9gia desses partidos foi a que conduziu o processo. Essa \u201cesquerda institucional\u201d come\u00e7ou a instalar a ideia de que era poss\u00edvel obter as demandas sociais sem romper com a direita, a ex Concerta\u00e7\u00e3o e sem enfrentar o empresariado. Instalaram a ideia de que era poss\u00edvel conquistar as mudan\u00e7as pacificamente e atrav\u00e9s de um Processo Constituinte sob controle do regime atual.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Processo Constituinte e as for\u00e7as pol\u00edticas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro plebiscito, com o voto volunt\u00e1rio, mais de 78% dos votantes aprovou a necessidade de redigir uma Nova Constitui\u00e7\u00e3o, inclusive um setor da direita e toda a ex Concerta\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que apostavam em conter as mudan\u00e7as dentro da pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o Constitucional. A direita mais dura (Republicanos, UDI-Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Independente, e setores da RN-Renova\u00e7\u00e3o Nacional) foi a \u00fanica que se manteve no Recha\u00e7o, mas foi duramente derrotada. A elei\u00e7\u00e3o dos constituintes tamb\u00e9m foi um grande golpe aos partidos tradicionais, com a entrada de dezenas de independentes na Conven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, enquanto o Processo Constituinte se desenvolvia, a situa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora continuava piorando. A pandemia foi um penoso golpe para os trabalhadores e o povo. Tivemos milhares de mortes, muitos perderam seus empregos ou tiveram que trabalhar em condi\u00e7\u00f5es ainda mais prec\u00e1rias. Devido ao temor de que houvesse uma nova explos\u00e3o social, o Congresso foi obrigado a aprovar as retiradas das AFPs e alguns b\u00f4nus. Entretanto, n\u00e3o houve nenhuma mudan\u00e7a que solucionasse os profundos problemas sociais. Assim, a Conven\u00e7\u00e3o continuou concentrada na discuss\u00e3o sobre o futuro do pa\u00eds. Com a diminui\u00e7\u00e3o das mobiliza\u00e7\u00f5es, os constituintes passaram a ter um papel ainda mais importante.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram v\u00e1rios os fatores que levaram o Processo Constituinte ao fracasso. Houve uma verdadeira divis\u00e3o de tarefas entre os diferentes partidos e os constituintes independentes para que cheg\u00e1ssemos \u00e0 proposta da Nova Constitui\u00e7\u00e3o e \u00e0 vit\u00f3ria do Recha\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A direita<\/strong>, principal representante do grande empresariado, sendo absoluta minoria na Conven\u00e7\u00e3o, a atacou por todos os lados. Os pol\u00edticos e constituintes de direita usaram sua influ\u00eancia na m\u00eddia para deslegitimar a Conven\u00e7\u00e3o, organizando um verdadeiro boicote e aproveitando-se de cada fato pol\u00edtico para atacar os constituintes e o movimento popular. O grande empresariado tamb\u00e9m atacou a Conven\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s das organiza\u00e7\u00f5es patronais, que durante todo o Processo geraram temor na popula\u00e7\u00e3o dizendo que se esta ou aquela proposta fosse aprovada, o pa\u00eds entraria em crise ou seria destru\u00eddo (isto aconteceu com a proposta de nacionaliza\u00e7\u00e3o da grande minera\u00e7\u00e3o, a de acabar com os direitos de uso da \u00e1gua, as propostas sobre aposentadorias, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, etc).<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o&nbsp;<strong>Partido Socialista (PS) e a Frente Ampla (FA) <\/strong>tiveram o papel de negociar permanentemente com os independentes para chegar aos \u2154 para aprovar as normas. O Partido Socialista tamb\u00e9m \u00e9 um representante do grande empresariado, apesar da sua \u201ccara\u201d de esquerda. Assim, junto com a Frente Ampla, bloqueavam qualquer proposta que tocasse nos interesses dos empres\u00e1rios. Nas principais vota\u00e7\u00f5es, direita, PS e FA votaram juntos, por exemplo contra a nacionaliza\u00e7\u00e3o da grande minera\u00e7\u00e3o do cobre, a liberta\u00e7\u00e3o dos presos pol\u00edticos chilenos e mapuche, o fim imediato dos direitos de uso da \u00e1gua, pela defesa da propriedade privada dos grandes grupos econ\u00f4micos, etc.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Partido Comunista (PC)<\/strong>, que amea\u00e7ou cercar a Conven\u00e7\u00e3o Constitucional com mobiliza\u00e7\u00f5es, nunca cumpriu sua promessa. Dentro da Conven\u00e7\u00e3o, votavam a favor de algumas das propostas mais \u201cradicais\u201d para n\u00e3o perder o contato com os independentes e n\u00e3o se queimar diante da popula\u00e7\u00e3o. No entanto, o verdadeiro papel do PC era funcionar como \u201carticula\u00e7\u00e3o\u201d entre os setores mais radicais e o PS\/FA. Quando as posi\u00e7\u00f5es mais radicais eram derrotadas, o PC ajudava a conduzir as negocia\u00e7\u00f5es entre independentes e partidos. <strong>E enquanto tinham um discurso radical na Conven\u00e7\u00e3o, faziam exatamente o contr\u00e1rio no governo. Enquanto votavam a favor da nacionaliza\u00e7\u00e3o do cobre, sua porta voz no governo, Camila Vallejo, dizia na televis\u00e3o que n\u00e3o haveria nacionaliza\u00e7\u00e3o, tranquilizando o grande empresariado.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por fim,&nbsp;<strong>os independentes<\/strong>&nbsp;tamb\u00e9m tiveram um importante papel, j\u00e1 que concentravam grande parte da expectativa popular e tinham muitos la\u00e7os com os territ\u00f3rios e movimentos populares.<\/p>\n\n\n\n<p>Por um lado, \u00e9 importante reconhecer que v\u00e1rias das demandas sociais das manifesta\u00e7\u00f5es foram defendidas pelos independentes no interior da Conven\u00e7\u00e3o e foram aprovadas, j\u00e1 que os partidos sabiam que deveriam entregar algo para conter o descontentamento popular. Assim, foram aprovadas medidas como a gratuidade da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, o sistema de seguridade social p\u00fablico, o aborto, etc. Entretanto, os constituintes independentes tiveram uma grande oportunidade de apontar uma dire\u00e7\u00e3o ao movimento social que passasse por fora do bloco PS\/FA\/PC e n\u00e3o o fizeram.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio da Conven\u00e7\u00e3o, 34 constituintes independentes assinaram o Manifesto do Porta Voz dos Povos, que propunha 6 pontos fundamentais para o avan\u00e7o do Processo Constituinte (liberta\u00e7\u00e3o dos presos pol\u00edticos, desmilitariza\u00e7\u00e3o do Wallmapu, soberania da Conven\u00e7\u00e3o, etc). &nbsp;Esse Manifesto foi assinado por mais de 600 organiza\u00e7\u00f5es sociais e sindicais. Naquele momento, justo no in\u00edcio da Conven\u00e7\u00e3o, esses 34 constituintes deveriam ter convocado um Grande Encontro Nacional de todas essas organiza\u00e7\u00f5es e preparado mobiliza\u00e7\u00f5es para lutar por esses 6 eixos e as demais demandas de outubro. Esta foi a posi\u00e7\u00e3o defendida por nossa companheira Mar\u00eda Rivera no interior da Conven\u00e7\u00e3o e pelo MIT no movimento.<sup><a href=\"https:\/\/www.vozdelostrabajadores.cl\/a-3-anos-del-18-de-octubre-donde-estamos-como-seguimos#sdfootnote1sym\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">1<\/a><\/sup>&nbsp; No entanto, os independentes n\u00e3o a apoiaram. Depois da publica\u00e7\u00e3o do Manifesto, que foi um \u201cesc\u00e2ndalo nacional\u201d, a imprensa burguesa come\u00e7ou a atac\u00e1-los de forma contundente. Assim, muitos come\u00e7aram a desdizer seu apoio ao Manifesto. Poucas semanas depois, come\u00e7ada a Conven\u00e7\u00e3o, os independentes se adaptaram completamente \u00e0 l\u00f3gica parlamentar das negocia\u00e7\u00f5es, priorizando totalmente as reuni\u00f5es com a FA\/PS\/PC em detrimento da organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o nas ruas. &nbsp;Assim, perderam a grande oportunidade de conduzir o movimento social e ultrapassar os limites da pr\u00f3pria Conven\u00e7\u00e3o. Como consequ\u00eancia, depois de um in\u00edcio tumultuado, a Conven\u00e7\u00e3o Constitucional terminou sendo dirigida pelos partidos que hoje comp\u00f5em o governo de Boric com o apoio ativo da maioria dos independentes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O fracasso de um programa e uma estrat\u00e9gia para conquistar mudan\u00e7as sociais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aqui tamb\u00e9m \u00e9 fundamental identificar outro elemento que conduziu ao fracasso do Processo Constituinte para gerar mudan\u00e7as sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil identificar quais foram as principais demandas dos milh\u00f5es que sa\u00edmos \u00e0s ruas. Moradia, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o p\u00fablicas e de qualidade, melhores sal\u00e1rios e aposentadorias, acabar com a contamina\u00e7\u00e3o, ter acesso \u00e0 \u00e1gua, etc. No caso dos mapuche e outros povos origin\u00e1rios, o respeito \u00e0s suas terras e territ\u00f3rios e \u00e0s suas culturas. Nenhuma dessas demandas era novidade e todos os partidos e organiza\u00e7\u00f5es as reconhecem.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema come\u00e7a justamente na pergunta: como solucionar essas demandas?<\/p>\n\n\n\n<p>O setor que conduziu a revolu\u00e7\u00e3o at\u00e9 agora tinha uma hip\u00f3tese. Segundo esse setor, o maior problema do Chile era (e continua sendo) o neoliberalismo. Ent\u00e3o, propunham aumentar a participa\u00e7\u00e3o do Estado na economia e na oferta dos servi\u00e7os p\u00fablicos e fazer reformas na institucionalidade estatal para permitir que esta fosse mais democr\u00e1tica. Assim, chegar\u00edamos a um capitalismo mais humano e menos desigual. Segundo esse setor, a Nova Constitui\u00e7\u00e3o preparava o terreno para esse caminho. Para eles, era poss\u00edvel acabar com o neoliberalismo e ter um Chile mais justo sem nenhuma ruptura ou enfrentamento com os donos do pa\u00eds. Essa vis\u00e3o tamb\u00e9m ganhou a hegemonia dentro dos movimentos sociais, pela falta de uma estrat\u00e9gia e um projeto diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Pois bem, a proposta da Nova Constitui\u00e7\u00e3o materializava esse projeto e o Processo Constituinte essa estrat\u00e9gia para conquistar mudan\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nossa opini\u00e3o, nem o Acordo pela Paz era a via para conquistar mudan\u00e7as sociais, nem o projeto da Nova Constitui\u00e7\u00e3o solucionaria as demandas sociais e ambientais. A Nova Constitui\u00e7\u00e3o, ainda que contivesse algumas conquistas das lutas sociais, tinha duas grandes contradi\u00e7\u00f5es: n\u00e3o tocava no dom\u00ednio dessas 10 fam\u00edlias e das transnacionais sobre o conjunto da economia chilena e n\u00e3o mudava as principais institui\u00e7\u00f5es estatais que s\u00e3o respons\u00e1veis por manter essa domina\u00e7\u00e3o (Parlamento, Justi\u00e7a, FFAA, Pol\u00edcia, etc).<\/p>\n\n\n\n<p>Para sermos muito espec\u00edficos no que queremos dizer: quando se discutiu a quest\u00e3o das aposentadorias, a maioria da Conven\u00e7\u00e3o Constitucional se negou a acabar com as AFPs e transferir os fundos controlados por essas institui\u00e7\u00f5es para uma entidade estatal que fosse administrada pelos trabalhadores ativos e aposentados. Na educa\u00e7\u00e3o, a Conven\u00e7\u00e3o rejeitou acabar com o financiamento p\u00fablico ao setor privado. Na habita\u00e7\u00e3o, a Conven\u00e7\u00e3o se negou a estabelecer regras especiais que permitissem expropriar grandes terrenos improdutivos para a constru\u00e7\u00e3o de moradias. Em rela\u00e7\u00e3o ao financiamento dos direitos sociais, a Conven\u00e7\u00e3o rejeitou a nacionaliza\u00e7\u00e3o da grande minera\u00e7\u00e3o do cobre, o que permitiria financi\u00e1-los. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza, a Conven\u00e7\u00e3o aprovou medidas gerais, mas rejeitou as que se chocavam mais diretamente com o grande empresariado, como a participa\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria das comunidades em decis\u00f5es sobre grandes projetos de minera\u00e7\u00e3o ou industriais. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 institucionalidade pol\u00edtica, as mudan\u00e7as tamb\u00e9m foram superficiais. &nbsp;As For\u00e7as Armadas ficaram intactas. N\u00e3o foram aprovadas medidas reais de julgamento e puni\u00e7\u00e3o aos que assassinaram e mutilaram o povo. A estrutura das FFAA ou Carabineiros n\u00e3o foi democratizada e n\u00e3o foram gerados mecanismos para um efetivo controle popular das \u201cfor\u00e7as da ordem\u201d. Em rela\u00e7\u00e3o aos Tratados de Livre Com\u00e9rcio, a Conven\u00e7\u00e3o manteve um enorme poder nas m\u00e3os da figura do Presidente e rejeitou todas as medidas que exigiam plebiscitos populares para sua aprova\u00e7\u00e3o. E, o mais importante, a Conven\u00e7\u00e3o manteve a prote\u00e7\u00e3o aos grandes grupos econ\u00f4micos atrav\u00e9s dos artigos sobre a propriedade privada. Assim, ainda que a Nova Constitui\u00e7\u00e3o tivesse sido aprovada, o pa\u00eds continuaria nas m\u00e3os dos grandes monop\u00f3lios.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto a Nova Constitui\u00e7\u00e3o sa\u00eda do forno, os que conduziam o Processo Constituinte entraram no governo e sua estrat\u00e9gia para as mudan\u00e7as foi colocada \u00e0 prova. Com o passar das semanas, ficou evidente que o governo se preocupava mais em negociar suas reformas com os donos do pa\u00eds do que em melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida das massas trabalhadoras. Assim, a maioria da popula\u00e7\u00e3o, descontente com o governo, com a Conven\u00e7\u00e3o e influenciada pela propaganda da direita, acabou por votar Recha\u00e7o \u00e0 Nova Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Do nosso ponto de vista (e isto temos defendido desde o in\u00edcio do processo revolucion\u00e1rio e no interior da Conven\u00e7\u00e3o) <strong>\u00e9 imposs\u00edvel solucionar as demandas populares se n\u00e3o enfrentarmos o grande empresariado chileno e as transnacionais imperialistas.<\/strong> Os governos da ex Concerta\u00e7\u00e3o demonstram claramente que a estrat\u00e9gia de realizar reformas pactuando com o grande empresariado inviabiliza completamente as transforma\u00e7\u00f5es sociais. Essa estrat\u00e9gia foi justamente o que fracassou com o Processo Constituinte e agora com o governo de Boric. Ainda que a Frente Ampla e o PC dizem ter a inten\u00e7\u00e3o de mudar o pa\u00eds, j\u00e1 \u00e9 evidente que sua estrat\u00e9gia n\u00e3o leva a isso. Eles se renderam completamente ao grande empresariado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nossa interven\u00e7\u00e3o na Conven\u00e7\u00e3o Constitucional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Foto: Mar\u00eda Rivera ex constituinte e dirigente do MIT-Chile<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio fomos cr\u00edticos do Acordo pela Paz e alertamos os trabalhadores para que n\u00e3o tivessem grandes expectativas na Conven\u00e7\u00e3o Constitucional (CC). Isto porque havia muitos obst\u00e1culos para obter conquistas reais. Por isso, j\u00e1 no in\u00edcio, propusemos que a Conven\u00e7\u00e3o fosse declarada soberana e tomasse medidas imediatas que beneficiasse a maioria da classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>No segundo dia da Conven\u00e7\u00e3o, a maioria dos constituintes aprovaram uma declara\u00e7\u00e3o exigindo do Parlamento que aprovasse o projeto de indulto aos presos pol\u00edticos da revolu\u00e7\u00e3o e mapuche e algumas outras medidas. Nossa companheira Mar\u00eda Rivera n\u00e3o votou a favor dessa resolu\u00e7\u00e3o e prop\u00f4s outra, que propunha que a Conven\u00e7\u00e3o deveria dar um prazo de 15 dias ao Parlamento para votar o Projeto de Indulto e uma anistia para<strong> todos os presos pol\u00edticos chilenos e<\/strong> <strong>mapuche<\/strong>.<sup><a href=\"https:\/\/www.vozdelostrabajadores.cl\/a-3-anos-del-18-de-octubre-donde-estamos-como-seguimos#sdfootnote2sym\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">2<\/a><\/sup>&nbsp; Se o Parlamento n\u00e3o as aprovasse, a Conven\u00e7\u00e3o, de forma soberana, deveria aprovar essas medidas e convocar grandes manifesta\u00e7\u00f5es populares. Esta proposta nem chegou \u00e0 vota\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que a mesa da Conven\u00e7\u00e3o (Elisa Lonc\u00f3n e Jaime Bassa) instalaram uma medida totalmente antidemocr\u00e1tica de que somente propostas com 32 assinaturas poderiam ser votadas. Hoje fica mais do que evidente que a proposta votada pela Conven\u00e7\u00e3o n\u00e3o teve nenhum efeito na realidade, como j\u00e1 alert\u00e1vamos naquele momento.<sup><a href=\"https:\/\/www.vozdelostrabajadores.cl\/a-3-anos-del-18-de-octubre-donde-estamos-como-seguimos#sdfootnote3sym\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">3<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 em agosto (segundo m\u00eas), propusemos que a Conven\u00e7\u00e3o se declarasse soberana e tomasse o poder em suas m\u00e3os para adotar <em>\u201cmedidas extraordin\u00e1rias para garantir a vida no contexto da emerg\u00eancia sanit\u00e1ria. Aumento geral de sal\u00e1rios e aposentadorias, finaliza\u00e7\u00e3o do atual sistema de aposentadorias\/pens\u00f5es, proibi\u00e7\u00e3o da demiss\u00e3o por necessidade das empresas, redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o salarial\u201d.<sup><a href=\"https:\/\/www.vozdelostrabajadores.cl\/a-3-anos-del-18-de-octubre-donde-estamos-como-seguimos#sdfootnote4sym\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">4<\/a><\/sup><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Para aproximar a Conven\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, propusemos tamb\u00e9m que a CC exigisse do Parlamento:<em> \u201ca aprova\u00e7\u00e3o imediata de uma Lei para implementar em cada local de trabalho um tempo protegido de 10 horas semanais para os trabalhadores e trabalhadoras de tempo integral (e proporcional ao tempo de trabalho), sem desconto de suas remunera\u00e7\u00f5es, com o prop\u00f3sito de poderem se organizar e discutir suas necessidades e as altera\u00e7\u00f5es correspondentes na futura Constitui\u00e7\u00e3o\u2026\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Nenhuma dessas medidas sequer chegou \u00e0 vota\u00e7\u00e3o, devido \u00e0 regra mencionada acima.<\/p>\n\n\n\n<p>No discurso inaugural, nossa companheira resgatou a tradi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de luta do movimento oper\u00e1rio, popular e mapuche, propondo que a \u00fanica sa\u00edda para os problemas do Chile e do Wallmapu \u00e9 que a classe trabalhadora, aliada com os povos origin\u00e1rios, lute pelo poder para acabar com a domina\u00e7\u00e3o das 10 fam\u00edlias mais ricas e o imperialismo, visando uma sociedade socialista. Tamb\u00e9m criticamos os chamados pa\u00edses socialistas ou comunistas, demonstrando que em todos eles existem governos autorit\u00e1rios ou ditaduras a servi\u00e7o das burguesias nacionais ou internacionais e de seus militares, como \u00e9 o caso da Venezuela ou Cuba.<\/p>\n\n\n\n<p>Posteriormente, passamos a denunciar que a Nova Constitui\u00e7\u00e3o seria letra morta se n\u00e3o fosse aprovada a nacionaliza\u00e7\u00e3o da grande minera\u00e7\u00e3o do cobre, a maior riqueza do pa\u00eds, proposta que defendemos durante v\u00e1rios meses e foi rejeitada com votos contr\u00e1rios da direita, ex Concerta\u00e7\u00e3o e Frente Ampla. Al\u00e9m disso, muitas das propostas de nossa companheira que significariam mudan\u00e7as substantivas para a popula\u00e7\u00e3o foram rejeitadas, como o fim da subcontrata\u00e7\u00e3o, a possibilidade de expropriar grandes extens\u00f5es de terras sem pagamento de indeniza\u00e7\u00f5es aos grandes latifundi\u00e1rios, o direito \u00e0 retirada total das AFPs, o fim do financiamento p\u00fablico \u00e0 educa\u00e7\u00e3o privada, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Outras duas medidas propostas pela nossa companheira permitiriam mudar de fundo a realidade chilena, colocando toda a economia do pa\u00eds e as institui\u00e7\u00f5es estatais a servi\u00e7o da grande maioria da popula\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de uma \u00ednfima minoria que tem a propriedade das grandes empresas e bancos.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira delas gerou \u201cesc\u00e2ndalo\u201d entre a m\u00eddia, os intelectuais burgueses e a maioria dos partidos pol\u00edticos (e inclusive dos independentes): a proposta de dissolver os atuais poderes do Estado e substitu\u00ed-los por uma Assembleia Plurinacional das e dos trabalhadores e dos povos, com representantes eleitos em todos os locais de trabalho, moradia e na suboficialidade das FFAA, com cargos revog\u00e1veis e sal\u00e1rios de um trabalhador. Muitos pol\u00edticos e intelectuais da burguesia qualificaram nossa proposta como uma \u201cloucura\u201d, como algo \u201cfora das margens culturais do pa\u00eds\u201d. Acreditamos justamente no contr\u00e1rio. Uma proposta de poder verdadeiramente democr\u00e1tico passa por <strong>demolir todas as institui\u00e7\u00f5es atuais, <\/strong>que est\u00e3o totalmente a servi\u00e7o dos grandes grupos econ\u00f4micos e corrompidas at\u00e9 o pesco\u00e7o. A cada semana vemos um novo esc\u00e2ndalo de corrup\u00e7\u00e3o envolvendo pol\u00edticos, oficiais das FFAA e Carabineiros, ministros, subsecret\u00e1rios, etc. Isto n\u00e3o tem nada a ver com um problema \u00e9tico dos pol\u00edticos, tem a ver com o controle dos grandes grupos econ\u00f4micos e do dinheiro sobre as institui\u00e7\u00f5es estatais. &nbsp;N\u00e3o h\u00e1 forma de mudar esta situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seja passando o poder diretamente aos que produzem a riqueza do nosso pa\u00eds, a classe trabalhadora, organizada democraticamente. &nbsp;Esta proposta teve zero votos na Comiss\u00e3o de Sistemas Pol\u00edticos. Nenhum constituinte (nem os independentes da esquerda que falavam de \u201cpoder popular\u201d) se atreveram a votar a favor.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda proposta, que ia no mesmo sentido, propunha estatizar todas as grandes empresas estrat\u00e9gicas (minera\u00e7\u00e3o, florestais, portos, bancos, AFPs, etc) e coloc\u00e1-las sob controle da classe trabalhadora organizada. Com essa medida, seria poss\u00edvel planificar a economia para satisfazer as necessidades de moradia, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, trabalho e aposentadorias da maioria da popula\u00e7\u00e3o. Esta proposta obteve 6 votos a favor na Comiss\u00e3o do Meio Ambiente, sendo rejeitada pela maioria da Comiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, no \u00faltimo discurso de nossa companheira Mar\u00eda Rivera, denunciamos que a Conven\u00e7\u00e3o havia fracassado em mudar estruturalmente o pa\u00eds e que tanto a direita como a esquerda (inclusive os independentes) eram respons\u00e1veis por essa situa\u00e7\u00e3o. O MIT chamou a votar Aprovo no Plebiscito de sa\u00edda e acreditamos que essa posi\u00e7\u00e3o estava correta. Isto porque avali\u00e1vamos que a vit\u00f3ria do Recha\u00e7o significaria uma derrota para o movimento de massas e um retrocesso inclusive nas mais m\u00ednimas medidas democr\u00e1ticas que foram aprovadas pela Conven\u00e7\u00e3o, o que poderia levar \u00e0 desmoraliza\u00e7\u00e3o de milhares ou milh\u00f5es de pessoas que lutaram nos \u00faltimos anos. Esta an\u00e1lise vem sendo confirmada hoje, j\u00e1 que o grande empresariado se sente encorajado para aprovar medidas ainda mais violentas contra o povo, como o TPP11(Tratado Integral e Progressista de Associa\u00e7\u00e3o Transpac\u00edfico), que acabar\u00e1 com o que resta de soberania nacional e h\u00e1 um grande setor do ativismo desorientado e desmoralizado pela derrota.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em que situa\u00e7\u00e3o estamos hoje?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora \u00e9 cada dia pior. A infla\u00e7\u00e3o corr\u00f3i os sal\u00e1rios, as AFPs continuam existindo e seus donos continuam ganhando milh\u00f5es com nossas aposentadorias. As mineradoras transnacionais continuam levando gratuitamente nosso cobre. E o pior, hoje vemos um governo completamente controlado pelos partidos dos 30 anos e consequentemente pelos grandes empres\u00e1rios. A esperan\u00e7a de mudan\u00e7a com Boric se desvanece rapidamente.<\/p>\n\n\n\n<p>A direita se fortaleceu depois dos primeiros golpes que sofreram com a \u201cexplos\u00e3o social\u201d. J\u00e1 durante o governo de Pi\u00f1era, os setores mais duros da direita se diferenciaram do governo, exigindo maior repress\u00e3o ao movimento social e m\u00e3o mais firme contra os imigrantes e os grupos mapuche autonomistas no sul. A crise migrat\u00f3ria no norte do pa\u00eds, que aprofundou os problemas sociais em Arica, Iquique e outras cidades, fez com que a direita se fortalecesse estimulando um discurso xenof\u00f3bico, que aponta os imigrantes como os respons\u00e1veis pela situa\u00e7\u00e3o de pobreza da popula\u00e7\u00e3o chilena. Assim, vimos cenas lament\u00e1veis de marchas de chilenos contra a migra\u00e7\u00e3o onde at\u00e9 barracas de venezuelanos foram queimadas.<\/p>\n\n\n\n<p>O aumento da viol\u00eancia nas grandes cidades, fruto do aumento da pobreza, tamb\u00e9m \u00e9 usado pela direita para exigir maior investimento nos Carabineiros, Estados de Exce\u00e7\u00e3o e maior viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o pobre e trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, com a vit\u00f3ria do Recha\u00e7o no Plebiscito, a direita, os intelectuais da burguesia e inclusive do reformismo, dizem que o que fracassou foi o \u201coutubrismo\u201d e \u201cas propostas mais radicais\u201d. Querem deslegitimar as mobiliza\u00e7\u00f5es sociais que explodiram em 2019 e convencer os trabalhadores de que s\u00e3o os pol\u00edticos e os \u201cespecialistas\u201d, os mesmos de sempre, que resolver\u00e3o os problemas sociais. &nbsp;Como sempre, mentem ao povo para manter os privil\u00e9gios dos grandes empres\u00e1rios e os seus pr\u00f3prios.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nossa opini\u00e3o, o fracasso do Processo Constituinte e do Recha\u00e7o \u00e0 Nova Constitui\u00e7\u00e3o demonstra <strong>o fracasso do projeto reformista da Frente Ampla\/PC para conquistar mudan\u00e7as sociais negociando com a direita, a ex Concerta\u00e7\u00e3o e o grande empresariado e n\u00e3o o fracasso das mobiliza\u00e7\u00f5es sociais como uma via para conquistar transforma\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Estamos convencidos de que se em 2019, tiv\u00e9ssemos conseguido derrubar o governo de Pi\u00f1era poder\u00edamos ter conquistado uma Assembleia Constituinte muito mais democr\u00e1tica que tivesse o poder em suas m\u00e3os para tomar medidas imediatas a servi\u00e7o do povo. Como discutiremos em outro artigo, a conquista de uma AC \u201clivre e soberana\u201d deveria ser somente um passo para formar um projeto de poder da classe trabalhadora e do povo, porque s\u00f3 assim ser\u00e1 poss\u00edvel acabar de vez com a explora\u00e7\u00e3o capitalista e construir outra sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje o grande empresariado se sente fortalecido com a vit\u00f3ria do Recha\u00e7o. O governo de Gabriel Boric n\u00e3o solucionar\u00e1 nenhuma das demandas sociais e piorar\u00e1 ainda mais as condi\u00e7\u00f5es de vida da maioria da popula\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que seu projeto \u00e9 defender o capitalismo e o grande empresariado. Se antes o governo tinha a inten\u00e7\u00e3o de fazer algumas t\u00edmidas reformas para retirar algumas migalhas do grande empresariado e entreg\u00e1-las \u00e0 popula\u00e7\u00e3o mais pobre, agora nem isso ser\u00e1 poss\u00edvel, j\u00e1 que seu governo est\u00e1 totalmente controlado pela ex Concerta\u00e7\u00e3o. Podemos esperar tamb\u00e9m um aumento da repress\u00e3o \u00e0s lutas do povo trabalhador, da juventude e do povo mapuche.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ainda \u00e9 cedo para determinar se a vit\u00f3ria do Recha\u00e7o significou um golpe t\u00e3o duro (a ponto de acabar) que feche o processo revolucion\u00e1rio iniciado em 2019. Como j\u00e1 dissemos anteriormente, as condi\u00e7\u00f5es materiais de vida da classe trabalhadora continuam piorando e \u00e9 muito prov\u00e1vel que isto gere lutas sociais, independentemente se s\u00e3o trabalhadores que votaram \u201crecha\u00e7o\u201d ou \u201caprovo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que fazer?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O novo Processo Constituinte que est\u00e1 sendo negociado pelos partidos ser\u00e1 ainda menos democr\u00e1tico que o anterior, j\u00e1 que, pelo que tudo indica, os partidos do regime controlar\u00e3o todos os espa\u00e7os da Nova Conven\u00e7\u00e3o (se \u00e9 que chegar\u00e3o a um acordo de ter uma Nova Conven\u00e7\u00e3o). Assim, a classe trabalhadora, a juventude e o povo n\u00e3o podem esperar nada desse Processo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso n\u00e3o significa que devemos ficar paralisados, pelo contr\u00e1rio. O descontentamento do nosso povo \u00e9 igual ou maior que antes e \u00e9 muito poss\u00edvel que se expresse em diferentes mobiliza\u00e7\u00f5es por demandas econ\u00f4micas, sociais, ambientais, etc. Devemos superar a luta entre \u201cos que votaram aprovo e os que votaram recha\u00e7o\u201d. A maioria da classe trabalhadora votou recha\u00e7o e isso n\u00e3o significa que s\u00e3o reacion\u00e1rios ou estejam com a direita.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dirigentes sindicais comprometidos com a luta social, os jovens ativistas, as mulheres, etc, devemos voltar \u00e0s bases e dialogar com cada vizinho, familiar e amigo para explicar-lhes que somente o povo organizado e mobilizado poder\u00e1 conseguir mudan\u00e7as sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Devemos explicar-lhes pacientemente que todos os problemas do Chile v\u00eam de uma origem comum: o dom\u00ednio do pa\u00eds pelas 10 fam\u00edlias e algumas transnacionais, que levam toda a riqueza produzida pelos trabalhadores. O saque do cobre tem import\u00e2ncia especial, j\u00e1 que se trata da principal riqueza que nosso pa\u00eds produz. Por isso, a luta pela nacionaliza\u00e7\u00e3o da grande minera\u00e7\u00e3o do cobre sob controle dos trabalhadores e comunidades permitiria solucionar grande parte das demandas sociais e iniciar uma transi\u00e7\u00e3o para outra matriz produtiva, que n\u00e3o dependa da exporta\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias primas e n\u00e3o seja t\u00e3o destrutiva para a natureza. \u00c9 fundamental que estudemos para podermos fazer essas discuss\u00f5es, que conhe\u00e7amos dados e informa\u00e7\u00f5es, organizemos palestras, etc. O MIT est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para apoiar nesse processo.<\/p>\n\n\n\n<p>Devemos explicar tamb\u00e9m que o fracasso do Processo Constituinte \u00e9 uma vit\u00f3ria do grande empresariado e uma derrota do projeto da Frente Ampla e do PC para mudar a sociedade. N\u00e3o podemos repetir a mesma experi\u00eancia nem confiar no novo Processo Constituinte, que ser\u00e1 ainda mais distante do povo trabalhador e controlado pelos empres\u00e1rios. Por outro lado, \u00e9 fundamental que n\u00f3s trabalhadores tenhamos n\u00edtido que o governo de Gabriel Boric est\u00e1 contra a classe trabalhadora e a servi\u00e7o do grande empresariado. Hoje, Boric, Marcel, Carolina Toh\u00e1 e Camila Vallejo s\u00e3o os representantes do grande capital no governo do Chile. &nbsp;Por isso, \u00e9 fundamental que nossa luta seja independente do governo. Os dirigentes sociais e sindicais devem dar especial aten\u00e7\u00e3o a este ponto, j\u00e1 que o governo tentar\u00e1 coopt\u00e1-los para lev\u00e1-los para a via morta das negocia\u00e7\u00f5es, comiss\u00f5es parlamentares, etc, o mesmo que a ex Concerta\u00e7\u00e3o fez durante os \u00faltimos 30 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o novo Processo Constituinte, \u00e9 fundamental que continuemos organizados e mobilizados, lutando pelas demandas sociais que j\u00e1 hav\u00edamos conquistado no projeto anterior da Constitui\u00e7\u00e3o e buscando ir al\u00e9m. Entretanto, isto s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel se organizarmos a classe trabalhadora a partir de baixo, partindo de suas necessidades imediatas como emprego, sal\u00e1rio, moradia, \u00e1gua, a luta contra a opress\u00e3o machista e xenof\u00f3bica, etc. Os dirigentes sindicais combativos e democr\u00e1ticos devem come\u00e7ar a se articular para construir um projeto para recuperar a CUT, tir\u00e1-la das m\u00e3os dos partidos dos 30 anos e reconstruir uma organiza\u00e7\u00e3o verdadeiramente democr\u00e1tica e que defenda os interesses dos trabalhadores e n\u00e3o dos patr\u00f5es. Devemos recuperar a estrat\u00e9gia da CUT de Clotario Blest de 1953, que levantou a necessidade de acabar com o capitalismo e construir uma sociedade socialista. Em cada local de trabalho, devemos recuperar os sindicatos para as m\u00e3os dos trabalhadores, que organizem assembleias para lutar por suas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, melhores sal\u00e1rios, etc. Junto a isso, os trabalhadores mais conscientes devem levantar a necessidade de lutar pelas bandeiras hist\u00f3ricas do movimento oper\u00e1rio, como a negocia\u00e7\u00e3o por ramo, o fim da subcontrata\u00e7\u00e3o, a cria\u00e7\u00e3o de um sistema de seguridade social p\u00fablico e controlado pelos trabalhadores, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>No 12 de novembro de 2019 a classe trabalhadora demonstrou que quando entra em movimento \u00e9 uma for\u00e7a muito potente, capaz de conquistar enormes mudan\u00e7as sociais. Por isso, temos o dever de reconstruir a organiza\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia das e dos trabalhadores para que sejamos n\u00f3s que dirijamos uma pr\u00f3xima explos\u00e3o social que inevitavelmente ocorrer\u00e1, porque a vida da classe trabalhadora n\u00e3o vai melhorar neste sistema e nem sob este Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Por \u00faltimo, tamb\u00e9m queremos discutir com os milhares de ativistas e lutadores\/as sociais porque \u00e9 necess\u00e1rio organizar-se politicamente para levar a cabo esse projeto. O Movimento Internacional dos Trabalhadores \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica com um programa para realizar uma mudan\u00e7a profunda na sociedade. Queremos levar estas propostas \u00e0 classe trabalhadora, \u00e0 juventude, \u00e0s mulheres, aos migrantes, para que construamos uma grande for\u00e7a social capaz de enfrentar os grandes empres\u00e1rios, as transnacionais e caminhar para um poder da classe trabalhadora e do povo. Esse foi o projeto que defendemos na Conven\u00e7\u00e3o Constitucional e \u00e9 o projeto que defendemos em cada luta sindical, territorial e popular. Fazemos um convite fraterno a todos os ativistas que lutaram nos \u00faltimos anos e d\u00e9cadas para que conhe\u00e7am este projeto e venham construir o MIT.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.vozdelostrabajadores.cl\/a-3-anos-del-18-de-octubre-donde-estamos-como-seguimos#sdfootnote1anc\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">1<\/a>https:\/\/www.vozdelostrabajadores.cl\/el-manifiesto-de-la-voceria-de-los-pueblos-y-la-lucha-por-la-soberania<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.vozdelostrabajadores.cl\/a-3-anos-del-18-de-octubre-donde-estamos-como-seguimos#sdfootnote2anc\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">2<\/a>https:\/\/www.vozdelostrabajadores.cl\/constituyente-maria-rivera-presenta-mocion-por-amnistia-a-todos-los-presos-politicos-chilenos-y-mapuche<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.vozdelostrabajadores.cl\/a-3-anos-del-18-de-octubre-donde-estamos-como-seguimos#sdfootnote3anc\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">3<\/a>https:\/\/www.vozdelostrabajadores.cl\/sobre-la-declaracion-aprobada-por-la-convencion-en-relacion-a-los-presos-politicos<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.vozdelostrabajadores.cl\/a-3-anos-del-18-de-octubre-donde-estamos-como-seguimos#sdfootnote4anc\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">4<\/a>https:\/\/www.vozdelostrabajadores.cl\/maria-rivera-presenta-propuestas-por-soberania-presos-politicos-reparacion-castigo-y-participacion-popular<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 9 de outubro de 2019, em uma entrevista a Mega (canal de televis\u00e3o chileno), Pi\u00f1era disse que o Chile era um \u201cverdadeiro o\u00e1sis\u201d dentro de uma \u201cAm\u00e9rica Latina convulsionada\u201d. Naquele momento, o Equador vivia uma grande rebeli\u00e3o ind\u00edgena, o Haiti estava em chamas, a Argentina e o Paraguai vinham saindo de importantes manifesta\u00e7\u00f5es. Dez [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":75052,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[145,3569,3538],"tags":[3592,147,2400],"class_list":["post-75050","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chile","category-presos-politicos-no-chile","category-rebeliao-no-chile","tag-constituinte-chile","tag-maria-rivera","tag-mit-chile"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Chile-2.jpg","categories_names":["Chile","Presos pol\u00edticos no Chile","Revolu\u00e7\u00e3o no Chile"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75050","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=75050"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75050\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":75054,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75050\/revisions\/75054"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/75052"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=75050"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=75050"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=75050"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}