{"id":74898,"date":"2022-10-07T01:17:24","date_gmt":"2022-10-07T01:17:24","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=74898"},"modified":"2022-10-07T01:17:26","modified_gmt":"2022-10-07T01:17:26","slug":"a-estrategia-imperialista-de-colonizar-a-ucrania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/10\/07\/a-estrategia-imperialista-de-colonizar-a-ucrania\/","title":{"rendered":"A estrat\u00e9gia imperialista de colonizar a Ucr\u00e2nia"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Na atual guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional, a Ucr\u00e2nia obteve um triunfo parcial, mas importante, sobre a ocupa\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito russo. Desde o in\u00edcio da guerra, a LIT-QI apoiou sem ambiguidades a resist\u00eancia ucraniana e, por isso, festejamos este triunfo como um passo para a derrota militar de Putin. Afirmamos que o fator central que o explicava era o hero\u00edsmo e a abnega\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora ucraniana para defender seu pa\u00eds<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\"><strong>[1]<\/strong><\/a>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por: Alejandro Iturbe<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, destacamos que nesta recente ofensiva ucraniana o fornecimento de armas e o apoio tecnol\u00f3gico do imperialismo estadunidense<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a> teve um peso maior. Este apoio n\u00e3o tem nada de desinteressado: \u00e9 parte de uma pol\u00edtica que busca, por um lado, construir um ex\u00e9rcito regular ucraniano dependente dos EUA. Por outro, debilitar as Defesas Territoriais como a express\u00e3o mais clara de um processo de luta armada da classe trabalhadora que pode adquirir uma maior e perigosa independ\u00eancia. Em ambos aspectos, o governo burgu\u00eas de Zelensky atua como instrumento desta pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>A depend\u00eancia militar do imperialismo por parte das For\u00e7as Armadas de um pa\u00eds \u00e9 um dos tra\u00e7os centrais de uma situa\u00e7\u00e3o semicolonial. Por isso, \u00e9 um dos objetivos estrat\u00e9gicos que o imperialismo estadunidense tra\u00e7ou na Ucr\u00e2nia, com a colabora\u00e7\u00e3o do governo de Zelensky.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas este objetivo estrat\u00e9gico n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico: combina-se intimamente com o de avan\u00e7ar na semicoloniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds no terreno financeiro e da economia. Neste segundo objetivo interv\u00e9m n\u00e3o apenas o imperialismo estadunidense mas tamb\u00e9m as pot\u00eancias europeias, atrav\u00e9s da Uni\u00e3o Europeia (UE). Toda a \u201cajuda financeira\u201d (e inclusive a militar) que a UE, o FMI e o governo de Biden est\u00e3o dando, ser\u00e1 cobrada no futuro, \u201cdevorando-se\u201d a Ucr\u00e2nia sob a camuflagem de sua \u201creconstru\u00e7\u00e3o\u201d. Por isso, todas as cotas de \u201cajuda\u201d que deram e que dar\u00e3o nos pr\u00f3ximos meses, est\u00e3o atadas a compromissos assinados pelo governo de Zelensky de garantir essa entrega.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um pouco de hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Antes de analisar esses compromissos, \u00e9 importante lembrar que este processo de semicolonizar a Ucr\u00e2nia n\u00e3o \u00e9 novo: embora esteja intermediado pela guerra atual, \u00e9 uma continuidade da que se iniciou em 2014 depois da \u201crevolu\u00e7\u00e3o de Maid\u00e1n\u201d e a queda do regime de V\u00edktor Fi\u00f3dorovich Yanuk\u00f3vich. Um projeto de entrega que o governo de Zelensky (e os setores da burguesia ucraniana que expressa) assumiu com muita clareza desde 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>A Ucr\u00e2nia era uma rep\u00fablica que fazia parte da ex Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica (URSS), na qual Gorbachov iniciou o processo de restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo em 1986. Posteriormente, em fins de 1991, a URSS foi dissolvida e a Ucr\u00e2nia se transformou em uma rep\u00fablica independente. A partir da restaura\u00e7\u00e3o capitalista, come\u00e7ou a surgir uma burguesia ucraniana, proveniente basicamente de setores do velho aparato stalinista, que se enriqueceu rapidamente com a privatiza\u00e7\u00e3o e a rapina das empresas estatais e da apropria\u00e7\u00e3o de uma parte das riqu\u00edssimas terras ucranianas.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar desse r\u00e1pido enriquecimento, esta burguesia ucraniana \u00e9 fraca estruturalmente e, por isso, procura ser \u201cs\u00f3cia menor\u201d e dependente de burguesias estrangeiras mais fortes. Alguns setores est\u00e3o ligados \u00e0 burguesia russa, com neg\u00f3cios compartilhados, enquanto outros procuram ligar-se aos imperialismos europeus e estadunidense, o que gera uma pol\u00edtica oscilante.<\/p>\n\n\n\n<p>Frente \u00e0 essa disjuntiva (integrar-se \u00e0 UE como semicol\u00f4nia ou permanecer aliada a Putin), o regime de V\u00edktor Yanukovich tomou esta \u00faltima op\u00e7\u00e3o. Em resposta, ocorreu o processo revolucion\u00e1rio de Maid\u00e1n, em fins de 2013 e in\u00edcios de 2014. Foi uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica cl\u00e1ssica, no sentido de que derrubou um regime essencialmente bonapartista e conseguiu liberdades democr\u00e1ticas muito mais amplas. Mas na consci\u00eancia dos trabalhadores e das massas ucranianas, havia uma grande confus\u00e3o pol\u00edtica, expressa na ilus\u00e3o semeada por importantes setores burgueses de que a entrada na UE garantiria n\u00e3o apenas democracia mas tamb\u00e9m independ\u00eancia e prosperidade econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar desta confus\u00e3o e da pol\u00edtica de desviar o processo revolucion\u00e1rio atrav\u00e9s da rea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica (os processos eleitorais burgueses) houve uma mudan\u00e7a na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre as classes, que foi expressa em muitas greves oper\u00e1rias com ocupa\u00e7\u00e3o de empresas e com a forma\u00e7\u00e3o de novos sindicatos independentes que combateram esses governos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, apoiando-se nesta confus\u00e3o, a partir de 2019, o governo de Zelensky avan\u00e7ava claramente nesta pol\u00edtica de integra\u00e7\u00e3o semicolonial \u00e0 UE e inclusive na possibilidade de incorporar o pa\u00eds \u00e0 OTAN. Nesse marco, em 2022, Putin ordenou a invas\u00e3o \u00e0 Ucr\u00e2nia e a situa\u00e7\u00e3o interna ucraniana se transformou em uma guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional pela pr\u00f3pria exist\u00eancia do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, tal como dissemos em um artigo recente: <em>\u201cinclusive em meio \u00e0 guerra de resist\u00eancia nacional, essa burguesia e o governo de Zelensky mantiveram seu projeto estrat\u00e9gico de entregar a Ucr\u00e2nia como semicol\u00f4nia aos imperialismos europeus (atrav\u00e9s da entrada Uni\u00e3o Europeia) e estadunidense<\/em><em>\u201d<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\"><strong>[3]<\/strong><\/a><\/em>. Vejamos ent\u00e3o, os fatos, os n\u00fameros das \u201cajudas\u201d e os \u201ccompromissos\u201d que, em contrapartida, o governo de Zelensky est\u00e1 assinando.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As \u201cajudas\u201d s\u00e3o investimentos imperialistas para \u201ccomer a Ucr\u00e2nia com batatas\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um artigo publicado em maio passado, na p\u00e1gina da Comiss\u00e3o Europeia (organismo executivo da UE), nos informa que, desde o in\u00edcio da guerra na Ucr\u00e2nia, a UE tinha \u201capoiado\u201d a Ucr\u00e2nia com 4,1 bilh\u00f5es de euros e que, no restante de 2022, daria empr\u00e9stimos de outros 9 bilh\u00f5es. Al\u00e9m disso, que at\u00e9 aquela data, o FMI havia emprestado cerca de 15 bilh\u00f5es de d\u00f3lares<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale, ent\u00e3o, um primeiro esclarecimento: n\u00e3o se trata de nenhuma \u201cajuda\u201d, mas de empr\u00e9stimos que a Ucr\u00e2nia dever\u00e1 pagar no futuro e que se somam \u00e0 d\u00edvida externa j\u00e1 existente. Outro artigo de uma m\u00eddia estadunidense especializada, nos informa que, considerada como porcentagem do PIB, a d\u00edvida externa passou de 50,7%, em 2021, a 90,7%, em 2022<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A UE planeja novos empr\u00e9stimos futuros para <em>\u201cajudar a reconstru\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia\u201d.<\/em> Denys Shmiyal, primeiro ministro ucraniano, estimou o <em>\u201cpreju\u00edzo f\u00edsico da guerra\u201d<\/em> em cerca de 100 bilh\u00f5es de d\u00f3lares<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. Nesse contexto, inclusive na tradicional linguagem eufem\u00edstica destes organismos, come\u00e7a a ver-se a \u201cponta do novelo\u201d das inten\u00e7\u00f5es das pot\u00eancias imperialistas da UE. Por um lado, o artigo diz que a Ucr\u00e2nia vai pagar estes empr\u00e9stimos <em>\u201cem fra\u00e7\u00f5es com vencimentos longos e taxas de juros favor\u00e1veis\u201d.<\/em> Por outro, que a Ucr\u00e2nia <em>\u201cdeve concordar com a disponibilidade de garantias adicionais<\/em><em>\u201d<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\"><strong>[7]<\/strong><\/a><\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>O centro da quest\u00e3o \u00e9 quem vai dirigir essa \u201creconstru\u00e7\u00e3o\u201d e a servi\u00e7o de quais objetivos e interesses: os da Ucr\u00e2nia como na\u00e7\u00e3o independente ou os das pot\u00eancias da UE? Com sua linguagem, o artigo responde a esta pergunta:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cUma<strong> plataforma de coordena\u00e7\u00e3o internacional<\/strong>, a \u2018plataforma de reconstru\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia\u2019, co-dirigida pela Comiss\u00e3o que representa a Uni\u00e3o Europeia e pelo governo ucraniano, funcionaria como um <strong>organismo de governan\u00e7a estrat\u00e9gica geral<\/strong>, respons\u00e1vel por respaldar um plano de reconstru\u00e7\u00e3o, elaborado e implementado pela Ucr\u00e2nia\u201d. &nbsp;O plano de reconstru\u00e7\u00e3o &#8216;RebuildUkraine&#8217; respaldado pela plataforma, baseado em uma avalia\u00e7\u00e3o de necessidades, se converteria na base para que a Uni\u00e3o Europeia e os demais s\u00f3cios <\/em>[leia-se, o imperialismo estadunidense] <strong><em>determinem as \u00e1reas priorit\u00e1rias selecionadas para o financiamento e os projetos espec\u00edficos\u201d<\/em><\/strong> (emingl\u00eas no original, tradu\u00e7\u00e3o e negritos nossos)<em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A alem\u00e3 Ursula&nbsp;<strong>von der Leyen,<\/strong>&nbsp;presidenta da Comiss\u00e3o Europeia, esclarece ainda mais a quest\u00e3o: <em>\u201cIsto significa que os investimentos ir\u00e3o junto com reformas que ajudar\u00e3o a Ucr\u00e2nia a seguir seu caminho europeu\u201d.<\/em> Em outras palavras: n\u00e3o s\u00e3o \u201cajudas\u201d, mas investimentos e a \u201creconstru\u00e7\u00e3o\u201d ser\u00e1 feita segundo as prioridades fixadas pelas pot\u00eancias imperialistas e a servi\u00e7o de seus interesses e seus objetivos de semicoloniza\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta parte, desenvolvemos a a\u00e7\u00e3o das pot\u00eancias imperialistas da UE. O imperialismo estadunidense \u00e9 s\u00f3cio neste projeto. Como vimos, de imediato, seus empr\u00e9stimos e \u201cajudas\u201d se concentraram no aspecto militar da semicoloniza\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a>. Mas, tamb\u00e9m interv\u00e9m atrav\u00e9s do FMI, organismo no qual tem um peso qualitativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por toda a experi\u00eancia hist\u00f3rica, sabemos que o FMI n\u00e3o empresta um s\u00f3 d\u00f3lar a pa\u00edses dependentes se estes n\u00e3o se comprometerem a realizar \u201creformas estruturais\u201d (leia-se, privatiza\u00e7\u00f5es de empresas estatais e facilidades ao capital estrangeiro) e a aceitar as \u201cmiss\u00f5es\u201d de supervis\u00e3o e controle de suas pol\u00edticas econ\u00f4micas. Os empr\u00e9stimos do FMI \u00e0 Ucr\u00e2nia come\u00e7aram em 2015. Este organismo se irritou em 2020 porque o governo de Zelensky n\u00e3o avan\u00e7ava suficientemente r\u00e1pido em uma das \u201creformas estruturais\u201d chave: a privatiza\u00e7\u00e3o da terra.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cNeg\u00f3cios s\u00e3o neg\u00f3cios\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os governos das pot\u00eancias imperialistas, e as grandes corpora\u00e7\u00f5es capitalistas cujos interesses defendem, \u201cn\u00e3o d\u00e3o ponto sem n\u00f3\u201d. Algo que se expressa tamb\u00e9m nas guerras. Por um lado, se localizam nessas guerras em fun\u00e7\u00e3o de seus interesses profundos e de seus objetivos de fundo: por outro, aproveitam as guerras como tais para fazerem neg\u00f3cios com elas. Por isso, podemos ver neg\u00f3cios imediatos e projetos de curto e longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo de neg\u00f3cio imediato \u00e9 o das armas no imperialismo estadunidense. As dota\u00e7\u00f5es or\u00e7amentais j\u00e1 votadas e as que o governo de Joe Biden prop\u00f5e agora para a guerra na Ucr\u00e2nia, como vimos, t\u00eam como objetivo a renova\u00e7\u00e3o do estoque e da tecnologia de seu arsenal. O que significa grandes oportunidades para as empresas privadas do chamado complexo militar industrial, como a <strong>Lockheed Martin, a Northrop Grumman ou a Boeing<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre os neg\u00f3cios a curto prazo, est\u00e3o claramente concentrados na \u201creconstru\u00e7\u00e3o\u201d da Ucr\u00e2nia. N\u00e3o sabemos ainda quais ser\u00e3o as empresas estadunidenses ou europeias que se beneficiar\u00e3o com esses contratos. Mas temos um exemplo na guerra do Iraque: a empresa Halliburton e sua subsidi\u00e1ria &nbsp;Kellogg, Brown &amp; Root &nbsp;que obtiveram grandes contratos tanto para a constru\u00e7\u00e3o de instala\u00e7\u00f5es militares como para a reconstru\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios destru\u00eddos. Lembremos que Dick Cheney (ent\u00e3o vice-presidente de George Bush Jr.) tinha sido Diretor Executivo dessa empresa que, nesse processo, deu um grande salto em seu tamanho.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos neg\u00f3cios mais a longo prazo, est\u00e3o as chamadas \u201creformas estruturais\u201d do Estado ucraniano. Ou seja, o aproveitamento das privatiza\u00e7\u00f5es de empresas estatais e o controle resultante de setores chaves da infraestrutura e dos servi\u00e7os. Desde a d\u00e9cada de 1990, vimos numerosos exemplos do que significam e quais s\u00e3o as consequ\u00eancias dessas \u201creformas\u201d e das privatiza\u00e7\u00f5es: um avan\u00e7o profundo no car\u00e1ter semicolonial de um pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cA mordida do Cardeal\u201d: as riqu\u00edssimas terras ucranianas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, o objetivo mais estrat\u00e9gico das pot\u00eancias imperialistas e suas empresas, \u00e9 apropriar-se das riqu\u00edssimas terras do pa\u00eds. A Ucr\u00e2nia possui uma das tr\u00eas maiores plan\u00edcies das melhores terras do mundo, junto com o pampa argentino e as pradarias centrais estadunidenses (a R\u00fassia tamb\u00e9m possui uma parte dela).<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o por acaso, o pa\u00eds \u00e9 denominado o \u201cceleiro da Europa\u201d: antes da guerra contribu\u00eda com 12% das exporta\u00e7\u00f5es mundiais de trigo e 16% de milho. Outra produ\u00e7\u00e3o de peso \u00e9 a do girassol do qual deriva a exporta\u00e7\u00e3o de importantes quantidades de \u00f3leo. Em 2020, o total de exporta\u00e7\u00f5es de origem agr\u00e1ria do pa\u00eds totalizou 22 bilh\u00f5es de d\u00f3lares<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\">[9]<\/a>. A Ucr\u00e2nia possui tamb\u00e9m uma ampla riqueza de minerais met\u00e1licos e n\u00e3o met\u00e1licos, que inclui ferro e outros elementos mais raros por\u00e9m de uso crescente em novos processos industriais, como tit\u00e2nio, g\u00e1lio e germ\u00e2nio, com certo peso de suas exporta\u00e7\u00f5es nos mercados mundiais<a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\">[10]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, a propriedade da terra \u00e9 a chave para o controle da economia ucraniana. Neste artigo vamos nos concentrar nas terras agr\u00e1rias, j\u00e1 que o pa\u00eds destina \u00e0 agricultura 42,5 milh\u00f5es de hectares \u00e0 agricultura (32 milh\u00f5es de primeir\u00edssima qualidade produtiva) da \u00e1rea total de pouco mais de 60 milh\u00f5es. 70% da superf\u00edcie ucraniana!<\/p>\n\n\n\n<p>Vejamos um pouco a hist\u00f3ria de sua propriedade. Quando a Ucr\u00e2nia era parte da ex Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, todas as terras cultiv\u00e1veis eram propriedade do Estado e exploradas em fazendas coletivas nas quais os oper\u00e1rios agr\u00edcolas trabalhavam. Depois da restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo e da dissolu\u00e7\u00e3o da URSS (1991), os governos da agora Ucr\u00e2nia independente come\u00e7aram um processo de privatiza\u00e7\u00e3o que j\u00e1 leva 30 anos: atualmente 68% das terras est\u00e3o nas m\u00e3os privadas, enquanto 32% continuam nas m\u00e3os do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, essa privatiza\u00e7\u00e3o foi realizada pela via de entregar certificados de propriedade de pequenas parcelas de terra aos trabalhadores das ex fazendas coletivas. Esta pol\u00edtica foi orientada e financiada pelo FMI e outros organismos internacionais. Estimava-se que havia cerca de sete milh\u00f5es de novos pequenos propriet\u00e1rios nestas condi\u00e7\u00f5es. Mas a menor rentabilidade e a crise econ\u00f4mica do pa\u00eds fizeram com que muitos desses agricultores se endividassem e tivessem que vender suas parcelas. Come\u00e7ou um processo de concentra\u00e7\u00e3o da propriedade, que foi capitalizado pela nova oligarquia agr\u00e1ria. Em 2001, o governo instituiu uma morat\u00f3ria destas d\u00edvidas, para evitar novas transfer\u00eancias de terras privadas, e deteve as privatiza\u00e7\u00f5es de terras estatais. O processo que acabamos de analisar ficou ent\u00e3o \u201ccongelado\u201d.<a href=\"#_ftn11\" id=\"_ftnref11\">[11]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Foi reaberto a partir de 2016, com os governos do novo regime pol\u00edtico surgido depois da revolu\u00e7\u00e3o de Maid\u00e1n. O de Zelensky em particular <em>\u201cordenou ao Parlamento da Ucr\u00e2nia que apresentasse um projeto de lei sobre a reforma agr\u00e1ria com o objetivo de abrir o mercado de terras do pa\u00eds, em 1 de dezembro de <\/em><em>2019\u201d<a href=\"#_ftn12\" id=\"_ftnref12\"><strong>[12]<\/strong><\/a><\/em>. J\u00e1 mencionamos que em 2020 o FMI se \u201cirritou\u201d com este governo porque n\u00e3o avan\u00e7ava suficientemente r\u00e1pido nesta \u201creforma estrutural\u201d.&nbsp; &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pol\u00edtica que poder\u00e1 ser aproveitada, com certeza, pela oligarquia agr\u00e1ria ucraniana. Mas que, essencialmente, beneficia as grandes empresas internacionais produtoras de alimentos, que poder\u00e3o comprar terras de primeira qualidade a pre\u00e7os muito melhores que em seus pr\u00f3prios pa\u00edses imperialistas ou em outros, como na Argentina.<\/p>\n\n\n\n<p>Inclusive durante o per\u00edodo da citada \u201cmorat\u00f3ria\u201d, em 2016 estimava-se que <em>\u201cdez multinacionais controlavam 2,8 milh\u00f5es de hectares de terra ucraniana\u201d<\/em> e que, com Zelensky, esse n\u00famero havia crescido para 3,4 milh\u00f5es de hectares. Outras estimativas, se forem consideradas as associa\u00e7\u00f5es com os oligarcas ucranianos como acionistas, elevam este n\u00famero para 6 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A guerra significou um impasse na aplica\u00e7\u00e3o desta pol\u00edtica, mas n\u00e3o significou seu fim. Pelo contr\u00e1rio, os governos imperialistas e as grandes empresas aspiram que um salto seja dado depois de sua finaliza\u00e7\u00e3o: <em>\u201cTr\u00eas grandes multinacionais estadunidenses compraram 17 milh\u00f5es de hectares de terra de primeira de Zelensky\u201d[\u2026] \u201cOs bancos ocidentais est\u00e3o impondo a consolida\u00e7\u00e3o do modelo do agroneg\u00f3cio em grande escala \u00e0 custa dos pequenos produtores que constituem um amplo setor da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.\u201d<\/em> Segundo palavras de um documento do Banco Mundial de 2019: <em>\u201ca acelera\u00e7\u00e3o do investimento privado na agricultura\u201d<\/em>.<a href=\"#_ftn13\" id=\"_ftnref13\"><em><strong>[13]<\/strong><\/em><\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sem eufemismos, uma publica\u00e7\u00e3o da esquerda estadunidense refere-se ao conjunto da pol\u00edtica que Zelensky prepara para depois da guerra (e em alguns casos j\u00e1 vem aplicando) da seguinte maneira: <em>\u201cO Ocidente se prepara para saquear a Ucr\u00e2nia do p\u00f3s-guerra com uma terapia de choque neoliberal: privatiza\u00e7\u00e3o, desregulamenta\u00e7\u00e3o, redu\u00e7\u00e3o das prote\u00e7\u00f5es dos trabalhadores\u201d.<a href=\"#_ftn14\" id=\"_ftnref14\"><strong>[14]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Algumas considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Caracterizamos o conflito militar na Ucr\u00e2nia como uma guerra justa de liberta\u00e7\u00e3o nacional do povo ucraniano contra a invas\u00e3o russa. Por isso, damos nosso apoio incondicional \u00e0 resist\u00eancia ucraniana e, na medida de nossas possibilidades, expressamos esse apoio de forma concreta, como nos I e II Comboios de Ajuda Oper\u00e1ria \u00e0 Ucr\u00e2nia. Esta caracteriza\u00e7\u00e3o e esta pol\u00edtica nos localizam no mesmo campo militar do governo burgu\u00eas de Zelensky no que n\u00f3s marxistas chamamos de \u201cunidade de a\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, tamb\u00e9m como marxistas, somos plenamente conscientes de que, dentro desse campo militar comum e da unidade de a\u00e7\u00e3o, existem interesses de classe diferentes e antag\u00f4nicos. Por um lado os da burguesia ucraniana e o governo burgu\u00eas de Zelensky; por outro, os da classe oper\u00e1ria e do povo ucraniano. Por isso, no marco dessa unidade de a\u00e7\u00e3o, devemos combater politicamente esse governo que hoje conduz a guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, pela pr\u00f3pria forma como a conduz: construindo um ex\u00e9rcito burgu\u00eas \u201cnormal\u201d, dependente do imperialismo, em detrimento das Defesas Territoriais oper\u00e1rias e populares. Em segundo lugar, mas n\u00e3o menos importante, porque, como dissemos em nosso artigo anterior, <em>\u201cinclusive em meio \u00e0 guerra de resist\u00eancia nacional, essa burguesia e o governo de Zelensky mantiveram seu projeto estrat\u00e9gico de entregar a Ucr\u00e2nia como semicol\u00f4nia aos imperialismos europeus (atrav\u00e9s da entrada na Uni\u00e3o Europeia) e estadunidense. De fato, est\u00e3o colocando o esfor\u00e7o e o hero\u00edsmo do povo ucraniano a servi\u00e7o desse projeto\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, o governo de Zelensky combate a submiss\u00e3o \u00e0 R\u00fassia, mas, ao mesmo tempo, avan\u00e7a em promover outra submiss\u00e3o, desta vez \u201cpac\u00edfica\u201d. Isto significa que a classe oper\u00e1ria e o povo ucraniano devem combinar a luta urgente e imprescind\u00edvel para defender sua soberania contra a agress\u00e3o russa com a tarefa de defend\u00ea-la contra a entrega dessa soberania aos imperialismos europeus e estadunidense. Pol\u00edtica esta que o governo de Zelensky j\u00e1 est\u00e1 aplicando e que se prepara para dar um salto no p\u00f3s-guerra. Em ambos combates, para a classe oper\u00e1ria e o povo ucraniano estar\u00e1 colocada a necessidade de avan\u00e7ar nas tarefas e medidas pr\u00f3prias da transi\u00e7\u00e3o ao socialismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Falamos de uma combina\u00e7\u00e3o de tarefas sobre a base din\u00e2mica da concep\u00e7\u00e3o trotskista da revolu\u00e7\u00e3o permanente. Ou seja, como duas tarefas \u201cdemocr\u00e1ticas\u201d (a luta pela defesa do pa\u00eds frente \u00e0 agress\u00e3o russa e a luta contra este projeto de semicoloniza\u00e7\u00e3o dos imperialismos europeus e estadunidense) se combinam com tarefas m\u00ednimas, pr\u00f3prias da classe oper\u00e1ria (como a defesa do sal\u00e1rio e as condi\u00e7\u00f5es trabalhistas e, inclusive, com as condi\u00e7\u00f5es para integrar as defesas territoriais), com tarefas pr\u00f3prias da transi\u00e7\u00e3o socialista como a expropria\u00e7\u00e3o das grandes empresas nacionais e estrangeiras, industriais ou agr\u00e1rias, o controle oper\u00e1rio da produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o, ou o desconhecimento da d\u00edvida externa.<\/p>\n\n\n\n<p>A chave para avan\u00e7ar nesta din\u00e2mica \u00e9 que a classe oper\u00e1ria ucraniana avance em sua mobiliza\u00e7\u00e3o e em sua organiza\u00e7\u00e3o independente. Uma classe oper\u00e1ria que est\u00e1 sendo armada na guerra contra a R\u00fassia e se organiza nesse combate. Uma experi\u00eancia que deve ser aplicada para defender-se contra as leis antioper\u00e1rias do governo de Zelensky e contra o projeto semicolonizador que analisamos, ainda mais se a guerra culminar com um triunfo ucraniano, j\u00e1 que suas medidas come\u00e7ar\u00e3o a serem aplicadas rapidamente, camufladas como \u201creconstru\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A declara\u00e7\u00e3o da LIT-QI de 6\/9\/2022 formulou da seguinte forma esta combina\u00e7\u00e3o de tarefas que prop\u00f5e \u00e0 classe oper\u00e1ria e ao povo ucraniano, chamando a defender: \u201c<em>a expropria\u00e7\u00e3o de todos os ativos dos oligarcas e empresas russas associados ao regime de Putin,<strong>a nacionaliza\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o da economia nas m\u00e3os do Estado, a servi\u00e7o da defesa nacional, sob controle dos trabalhadores, e a centraliza\u00e7\u00e3o das defesas territoriais como organiza\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia em mil\u00edcias oper\u00e1rias que favore\u00e7am a tend\u00eancia \u00e0 independ\u00eancia do governo. Devemos chamar a defender a soberania nacional \u00e0 custa dos lucros capitalistas e derrotar as demiss\u00f5es, suspens\u00f5es for\u00e7adas, e garantir o pleno emprego,&nbsp;<\/strong>como parte de um plano de defesa nacional, com uma pol\u00edtica de exig\u00eancia e den\u00fancia contra a pol\u00edtica concreta de Zelensky hoje<\/em>\u201d .<a href=\"#_ftn15\" id=\"_ftnref15\">[15]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Nesta din\u00e2mica de revolu\u00e7\u00e3o permanente tamb\u00e9m \u00e9 chave o papel da classe oper\u00e1ria mundial. Por um lado, no apoio \u00e0 resist\u00eancia ucraniana. Por outro, em especial, aos trabalhadores dos pa\u00edses imperialistas europeus e dos EUA, propomos que se expressem tamb\u00e9m no combate contra a pol\u00edtica de seus governos e empresas de \u201ccomer a Ucr\u00e2nia com batatas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/09\/12\/sobre-a-ofensiva-ucraniana-em-karkiv-e-as-condicoes-para-a-derrota-militar-de-putin\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/09\/26\/a-guerra-da-ucrania-e-o-imperialismo-estadunidense\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> Ver refer\u00eancia anterior.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> <a href=\"https:\/\/ec.europa.eu\/commission\/presscorner\/detail\/en\/ip_22_3121\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/ec.europa.eu\/commission\/presscorner\/detail\/en\/ip_22_3121<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.bloomberg.com\/news\/articles\/2022-06-20\/eu-aims-to-finalize-9-5-billion-ukraine-loan-package-this-week\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">EU Aims to Finalize $9.5 Billion Ukraine Loan Package This Week &#8211; Bloomberg<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.worldbank.org\/en\/news\/press-release\/2022\/09\/09\/ukraine-recovery-and-reconstruction-needs-estimated-349-billion\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.worldbank.org\/en\/news\/press-release\/2022\/09\/09\/ukraine-recovery-and-reconstruction-needs-estimated-349-billion<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> Ver referencia 4.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> <a href=\"https:\/\/cnnespanol.cnn.com\/2022\/04\/28\/biden-propuesta-oligarcas-rusos-guerra-ucrania-trax\/#:~:text=Biden%20pide%20US%24%2033.000%20millones%20en%20ayuda%20a,brutal%20de%20Rusia%20entra%20en%20una%20nueva%20fase.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Biden pide US$ 33.000 millones en ayuda a Ucrania, ante nueva fase de la guerra (cnn.com)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a> <a href=\"https:\/\/expansion.mx\/mundo\/2022\/03\/07\/recursos-naturales-y-energeticos-ucrania#:~:text=%C2%BFQu%C3%A9%20recursos%20naturales%20y%20energ%C3%A9ticos%20tiene%20Ucrania%3F%20Este,energ%C3%ADa%20que%20consume%20Ucrania%20proviene%20de%20combustibles%20f%C3%B3siles.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00bfQu\u00e9 recursos naturales y energ\u00e9ticos tiene Ucrania? (expansion.mx)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\">[10]<\/a> Idem.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\">[11]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.oaklandinstitute.org\/blog\/who-really-benefits-creation-land-market-ukraine\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.oaklandinstitute.org\/blog\/who-really-benefits-creation-land-market-ukraine<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref12\" id=\"_ftn12\">[12]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.wsws.org\/en\/articles\/2019\/10\/03\/ukra-o03.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.wsws.org\/en\/articles\/2019\/10\/03\/ukra-o03.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref13\" id=\"_ftn13\">[13]<\/a> <a href=\"https:\/\/global.ilmanifesto.it\/the-truth-about-corporations-taking-over-ukrainian-agricultural-lands\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/global.ilmanifesto.it\/the-truth-about-corporations-taking-over-ukrainian-agricultural-lands\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref14\" id=\"_ftn14\">[14]<\/a> <a href=\"https:\/\/mronline.org\/2022\/08\/01\/west-prepares-to-plunder-post-war-ukraine-with-neoliberal-shock-therapy\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/mronline.org\/2022\/08\/01\/west-prepares-to-plunder-post-war-ukraine-with-neoliberal-shock-therapy\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn15\" href=\"#_ftnref15\">[15]<\/a> https:\/\/litci.org\/es\/ucrania-la-resistencia-a-la-agresion-rusa-se-convierte-en-el-epicentro-mundial-de-la-lucha-de-clases-y-acelera-la-crisis-del-orden-mundial\/<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na atual guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional, a Ucr\u00e2nia obteve um triunfo parcial, mas importante, sobre a ocupa\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito russo. 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