{"id":74781,"date":"2022-09-23T14:50:35","date_gmt":"2022-09-23T14:50:35","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=74781"},"modified":"2022-09-23T14:50:38","modified_gmt":"2022-09-23T14:50:38","slug":"100-dias-de-rodrigo-chaves-para-quem-ele-governa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/09\/23\/100-dias-de-rodrigo-chaves-para-quem-ele-governa\/","title":{"rendered":"100 dias de Rodrigo Chaves: para quem ele governa?"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/category\/menu\/mundo\/latinoamerica\/\"><br><\/a>O governo de Rodrigo Chaves iniciou com altos \u00edndices de apoio popular durante seus primeiros 100 dias de governo. A \u00faltima pesquisa do CIEP-UCR (Centro de Pesquisa e Estudos Pol\u00edticos- Universidade da Costa Rica) mostrou 76% de aprova\u00e7\u00e3o, o mais alto desde o governo de Abel Pacheco h\u00e1 18 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por: PT &#8211; Costa Rica<\/p>\n\n\n\n<p>A impress\u00e3o que Chaves gerou \u00e9 que \u201cfinalmente chegou um presidente que est\u00e1 pondo ordem\u201d, que enfrentou a grande m\u00eddia como La Naci\u00f3n ou Teletica (Rede de Televis\u00e3o). Suas visitas a lugares como a zona norte d\u00e3o a impress\u00e3o de que est\u00e1 pr\u00f3ximo das comunidades e inclusive h\u00e1 setores que afirmam que enfrenta os grandes empres\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>O Partido dos Trabalhadores quer aproveitar estes 100 dias do governo para fazer um balan\u00e7o de suas medidas e an\u00fancios realizados at\u00e9 agora. Este \u00e9 realmente um governo diferente dos anteriores? Al\u00e9m dos discursos de confronto, para quem governa? Por fim, depois deste balan\u00e7o, qual deve ser a pol\u00edtica dos setores populares frente ao novo governo?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Chaves perante o custo de vida: al\u00e9m das promessas de campanha<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O presidente, durante sua campanha, anunciou que o combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o e ao aumento no custo de vida iria ser sua prioridade: \u201cFaltam seis dias para baixar o custo de vida\u201d, afirmou antes do segundo turno. J\u00e1 instalado na cadeira presidencial mostrou sua verdadeira face: limitou-se a dizer que \u201c\u00e9 um fen\u00f4meno importado ao qual n\u00e3o podemos fazer muito\u201d. Efetivamente, o governo n\u00e3o fez nada para ajudar as fam\u00edlias trabalhadoras, al\u00e9m de uma rid\u00edcula redu\u00e7\u00e3o no pre\u00e7o dos combust\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Em mat\u00e9ria de custo de vida, anunciou a redu\u00e7\u00e3o da tarifa de importa\u00e7\u00e3o do arroz. Para come\u00e7ar, devemos dizer que \u00e9 um ataque direto \u00e0 produ\u00e7\u00e3o nacional. Independentemente do fato de existirem grandes grupos que monopolizam esta produ\u00e7\u00e3o, importar arroz seria um duro golpe, como foi o TLC (Tratado de Livre Com\u00e9rcio) com os EUA. Vir\u00e3o importadores com todas as condi\u00e7\u00f5es (suculentos subs\u00eddios recebidos pelo estado capitalista gringo) que inundar\u00e3o o mercado com arroz barato, o que implicaria a ru\u00edna de milhares de camponeses que hoje dependem de um peda\u00e7o de terra para viver.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de falir os pequenos e m\u00e9dios produtores, v\u00e3o recuperar essa margem de lucro inicial e subir\u00e3o os pre\u00e7os, com o que se instala tamb\u00e9m um monop\u00f3lio privado que beneficia os grandes exportadores estrangeiros. Dessa forma tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 verdade que teremos arroz mais barato.<\/p>\n\n\n\n<p>Chaves est\u00e1 aplicando a mesma receita que arruinou milhares de produtores de feij\u00e3o com o TLC. Est\u00e1 fazendo o mesmo que o M\u00e9xico com o milho, produto nacional que j\u00e1 \u00e9 importado quase em sua totalidade, onde as grandes transnacionais enchem os bolsos de dinheiro. Isso \u00e9 o que podemos esperar com este produto fundamental em nossa dieta b\u00e1sica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Obras p\u00fablicas: governo defende modelo de concess\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O an\u00fancio do presidente de trazer pontes Bailey e instalar nos locais atingidos pela tempestade tropical Bonnie foi muito festejado, mas n\u00e3o se viu grandes mudan\u00e7as, apesar do ministro de Obras P\u00fablicas ser um dos mais medi\u00e1ticos do gabinete.<\/p>\n\n\n\n<p>Atrelado a isto, vemos tamb\u00e9m o caso da n\u00e3o renova\u00e7\u00e3o do contrato da Riteve (oficina de inspe\u00e7\u00e3o veicular na Costa Rica- ndt.). O governo tinha a oportunidade de devolver imediatamente a revis\u00e3o t\u00e9cnica veicular \u00e0s oficinas nacionais, ou melhor atribu\u00ed-la ao INA, col\u00e9gios t\u00e9cnicos ou nacionaliz\u00e1-la. Mas j\u00e1 anunciou que continuar\u00e1 em m\u00e3os privadas e ser\u00e1 cedida atrav\u00e9s de um cartel de licita\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disto, nestes 100 dias de Chaves s\u00f3 se soube que vai reestruturar o MOPT (Minist\u00e9rio de Obras P\u00fablicas e Transportes) para que absorva as fun\u00e7\u00f5es de outras entidades como COSEVI (Conselho de Seguran\u00e7a Vi\u00e1ria), CONAVI (Conselho Nacional Vi\u00e1rio), Conselho de Concess\u00f5es. Entretanto, n\u00e3o h\u00e1 inten\u00e7\u00e3o de derrubar a lei de concess\u00e3o de obras p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Este governo \u00e9 defensor do modelo, ent\u00e3o podemos esperar mais do mesmo: bilh\u00f5es de d\u00f3lares de dinheiro p\u00fablico para empresas corruptas como as construtoras MECO e H.Sol\u00eds que oferece infraestrutura muito cara e de m\u00e1 qualidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Chaves continua endividando o pa\u00eds<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O governo prop\u00f4s a emiss\u00e3o de 6 bilh\u00f5es de d\u00f3lares na coloca\u00e7\u00e3o de Eurob\u00f4nus, supostamente para controlar a taxa de c\u00e2mbio e mitigar a press\u00e3o das taxas de juros.<\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica de Eurob\u00f4nus n\u00e3o \u00e9 nova. Foi implementada nos \u00faltimos governos e no caso de Chaves n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. Embora seja a Assembleia Legislativa que deve aprovar, o fato deste mandat\u00e1rio agenciar diz muito sobre sua agenda em mat\u00e9ria econ\u00f4mica: continuar endividando o pa\u00eds com empr\u00e9stimos internacionais que gerem mais depend\u00eancia dos banqueiros e do imperialismo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o esque\u00e7amos que o pr\u00f3prio Chaves foi funcion\u00e1rio do Banco Mundial durante muitos anos antes de sua volta ao pa\u00eds, o que explica seu compromisso com a OCDE (Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico), os TLC e demais acordos adquiridos pelo pa\u00eds com o imperialismo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Privatiza\u00e7\u00f5es e mais cortes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O presidente anunciou que promover\u00e1 a venda do Banco da Costa Rica, o Instituto Nacional de Seguros e o BICSA (Banco Internacional da Costa Rica). Isto significa retomar com maior agressividade a pol\u00edtica de privatiza\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es iniciada nos anos 90. No caso do INS (Instituto Nacional de Seguros) seria o golpe final no modelo universal e solid\u00e1rio que sustenta seguros como o de riscos do trabalho ou o agr\u00edcola. No do BCR, deixar na rua mais de 4 mil trabalhadores, assim como entregar para multimilion\u00e1rios e banqueiros este setor de bancos.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o vimos nestes primeiros tr\u00eas meses manter a pol\u00edtica de cortes, tal como se mostra na proposta de tirar 129 bilh\u00f5es das universidades p\u00fablicas. Tamb\u00e9m mostrou total acordo em manter a regra fiscal, o que nos faz prever um or\u00e7amento nacional para 2023 com mais cortes na sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e programas sociais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Autorit\u00e1rio contra o povo, amigo dos grandes empres\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Durante estes 100 dias de governo vimos uma atitude prepotente com setores da imprensa. Desperta simpatia porque essa imagem de \u201cefici\u00eancia\u201d ao supostamente tomar decis\u00f5es que outros governos n\u00e3o tomaram, como a elimina\u00e7\u00e3o das provas FARO (Provas Nacionais de Fortalecimento de Aprendizagens para Renova\u00e7\u00e3o de Oportunidades), o uso obrigat\u00f3rio da m\u00e1scara ou os alugu\u00e9is do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Por tr\u00e1s desse tom e discurso de confronto h\u00e1 uma complac\u00eancia geral com o setor empresarial, que est\u00e1 tranquilo com Chaves. \u201cReconhecer a executividade do Governo e a vis\u00e3o de que as coisas t\u00eam que ser feitas. O sentido de urg\u00eancia hoje \u00e9 muito diferente do de administra\u00e7\u00f5es passadas e isso d\u00e1 otimismo ao setor empresarial\u201d disse Rub\u00e9n Ac\u00f3n, presidente da C\u00e2mara de Turismo e ligado com os produtores de abacaxi depois de uma reuni\u00e3o com o mandat\u00e1rio. A isto deve-se acrescentar que em seu gabinete h\u00e1 figuras diretas do empresariado, como Francisco Gamboa, ministro da Economia, ex-presidente da C\u00e2mara de Ind\u00fastrias.<\/p>\n\n\n\n<p>Onde est\u00e1 o autoritarismo de Chaves? Tal como fizeram governos anteriores, temos visto sua postura frente aos movimentos populares, ao ordenar despejos contra os camponeses dos assentamentos de La Guaria e Monteverde, na zona norte. H\u00e1 autoritarismo tamb\u00e9m na maneira como repudiou o movimento estudantil universit\u00e1rio que se manifestou contra os cortes do FEES (or\u00e7amento para as universidades).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para quem Chaves governa?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m dessa sensa\u00e7\u00e3o de que \u201ceste governo est\u00e1 fazendo coisas\u201d, acreditamos que nestes 100 dias nos mostrou seu verdadeiro rosto: Chaves governa para os grandes setores empresariais, para o imperialismo e seus organismos financeiros internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas as pol\u00edticas levadas a cabo at\u00e9 agora seguem o modelo econ\u00f4mico capitalista, neoliberal, de enormes privil\u00e9gios para os grandes empres\u00e1rios e de ataques \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida da classe trabalhadora, mergulhada na explora\u00e7\u00e3o, na pobreza e na crise do alto custo de vida. O governo de Rodrigo Chaves n\u00e3o \u00e9 nosso governo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Que pol\u00edtica os setores populares devem defender perante este governo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ante este cen\u00e1rio, n\u00f3s do Partido dos Trabalhadores consideramos que n\u00e3o devemos depositar nenhuma confian\u00e7a neste governo. Neste sentido, a independ\u00eancia de classe deve ser um princ\u00edpio fundamental que temos que defender.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m nos preparar com organiza\u00e7\u00e3o e luta para defender conquistas como a jornada de oito horas, para evitar mais cortes e deteriora\u00e7\u00e3o de nossas condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>No marco desta tarefa devemos construir um plano da classe trabalhadora para enfrentar o custo de vida, a infla\u00e7\u00e3o e a pol\u00edtica de entrega dos recursos do pa\u00eds ao imperialismo; um plano que discuta a necessidade de um reajuste salarial de 13%, a suspens\u00e3o do pagamento da d\u00edvida, assim como derrubar a regra fiscal e a lei de concess\u00e3o de obras p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, se dizemos que este n\u00e3o \u00e9 nosso governo, a luta deve ser encarada da perspectiva de fortalecer a constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa revolucion\u00e1ria que retire o poder do Estado dos grandes empres\u00e1rios e seja a classe trabalhadora a que governe com suas pr\u00f3prias organiza\u00e7\u00f5es a servi\u00e7o de resolver nossas necessidades mais sentidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo de Rodrigo Chaves iniciou com altos \u00edndices de apoio popular durante seus primeiros 100 dias de governo. 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