{"id":74770,"date":"2022-09-21T00:10:40","date_gmt":"2022-09-21T00:10:40","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=74770"},"modified":"2022-09-21T00:10:42","modified_gmt":"2022-09-21T00:10:42","slug":"argentina-com-ajuste-nao-ha-paz-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/09\/21\/argentina-com-ajuste-nao-ha-paz-social\/","title":{"rendered":"Argentina | Com ajuste n\u00e3o h\u00e1 &#8220;paz social&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Desde o pedido de condena\u00e7\u00e3o de Cristina Fern\u00e1ndez de Kirchner (CFK) pelo procurador Diego Luciani, a figura da vice-presidenta est\u00e1 no centro do cen\u00e1rio pol\u00edtico nacional. Com o ataque de quinta-feira, dia 1, isso aumentou exponencialmente. O partido governista que veio de disputa atr\u00e1s de disputa, tentando retomar a iniciativa e a unidade desde a assun\u00e7\u00e3o de Sergio Massa como &#8220;Super Ministro da Economia&#8221;, agora &#8220;se defendendo&#8221;, passa \u00e0 ofensiva.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: PSTU Argentina<\/p>\n\n\n\n<p>O alinhamento com Cristina diante do pedido de condena\u00e7\u00e3o deu atividade \u00e0 sua milit\u00e2ncia, (reunindo-se na esquina do Juncal com o Uruguai na CABA- Cidade Aut\u00f4noma de Buenos Aires &#8211; onde mora no bairro da Recoleta) ela trouxe os instrumentos de percuss\u00e3o e megafones sindicais que t\u00e3o pouco estavam sendo usados, e at\u00e9 se enfrentou com a Pol\u00edcia Municipal, pelas barreiras ordenadas por Horacio Rodr\u00edguez Larreta. Com o atentado, eles agruparam setores ainda mais amplos atr\u00e1s deles sob a bandeira da defesa da democracia e contra o discurso de \u201c\u00f3dio\u201d. A &#8220;m\u00edstica&#8221; e o relato \u00e9pico caracter\u00edsticos do peronismo kirchnerista voltaram em toda a sua dimens\u00e3o, com uma oposi\u00e7\u00e3o patronal t\u00e3o terr\u00edvel que os deixou servidos.<\/p>\n\n\n\n<p>A possibilidade de sair do bloco da Frente de Todos dos legisladores da Frente Patria Grande, liderada por Juan Grabois, foi esquecida, pois consideraram que a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica merecia unidade, diante do que interpretam como uma ofensiva da direita. Interpreta\u00e7\u00e3o \u00e0 qual se soma agora internacionalmente o triunfo da rejei\u00e7\u00e3o da nova constitui\u00e7\u00e3o no Chile.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas enquanto tudo isso acontece, o plano econ\u00f4mico de Massa (a primeira tentativa de unidade s\u00f3lida, ap\u00f3s a sa\u00edda de Guzm\u00e1n) avan\u00e7a: ajustes em setores como defici\u00eancia, educa\u00e7\u00e3o, tarifas, infla\u00e7\u00e3o galopante etc., enquanto a especula\u00e7\u00e3o dos patr\u00f5es agr\u00e1rios com o d\u00f3lar soja \u00e9 premiada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A mobiliza\u00e7\u00e3o p\u00f3s-atentado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o de 2 de setembro foi massiva e teve um componente maior do que a milit\u00e2ncia cl\u00e1ssica do partido no poder. N\u00f3s do PSTU n\u00e3o fomos e explicamos o porqu\u00ea. Acreditamos ser essencial discutir o conte\u00fado desta mobiliza\u00e7\u00e3o porque, para al\u00e9m das boas inten\u00e7\u00f5es de muitos dos que participaram de forma independente, o seu conte\u00fado esteve ao servi\u00e7o do fortalecimento de um regime ao servi\u00e7o dos ricos e poderosos e \u00e9 contr\u00e1rio \u00e0s necessidades de luta dos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A defesa da \u201csua\u201d democracia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O apelo inicial foi em defesa da democracia. Para n\u00f3s, essa democracia para a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o da \u201cdemocracia\u201d tem muito pouco, j\u00e1 que todas as suas institui\u00e7\u00f5es (Justi\u00e7a, Parlamento, poder executivo) est\u00e3o a servi\u00e7o de manter a domina\u00e7\u00e3o dos mesmos de sempre. No entanto, estar\u00edamos na linha de frente da defesa das liberdades democr\u00e1ticas que existem se fossem amea\u00e7adas, simplesmente porque proporcionam melhores condi\u00e7\u00f5es para a organiza\u00e7\u00e3o e luta dos trabalhadores. Foi assim que fizemos a partir da nossa corrente, ent\u00e3o Movimento para o Socialismo (MAS), na Semana Santa de 1987 contra o levante Carapitanda que tentava garantir a impunidade de todos os genocidas.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, \u00e9 isso que est\u00e1 em jogo hoje? Achamos que n\u00e3o. Essa democracia \u00e9 o sistema em que apostam todos os setores patronais do pa\u00eds. Se h\u00e1 algo que eles concordam, al\u00e9m da submiss\u00e3o ao FMI e o que isso implica, \u00e9 resolver todas as disputas (mesmo as internas) nas elei\u00e7\u00f5es de 2023, ou seja, eles concordam em defender esse regime injusto para os trabalhadores e explorador dos recursos para o capital estrangeiro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A estrat\u00e9gia da Paz Social<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O t\u00edtulo do documento lido na Pra\u00e7a de Maio \u00e9 &#8220;A paz social \u00e9 uma responsabilidade coletiva&#8221;. O que significa Paz Social? O que eles chamam de Paz Social \u00e9 a passividade dos trabalhadores diante dos ataques do imperialismo, do governo e da oposi\u00e7\u00e3o patronal. \u00c9 que nos explorem e nos deixemos tirar tudo, sem oferecer resist\u00eancia. Com que autoridade falam de paz os respons\u00e1veis \u200b\u200bpelo fato de mais da metade das crian\u00e7as do pa\u00eds serem pobres? Quem ganha o sal\u00e1rio m\u00ednimo, que n\u00e3o cobre nem metade da cesta b\u00e1sica, vive em paz? E quem sobrevive como pode com o trabalho informal? E as fam\u00edlias dos deficientes que ficam sem tratamento? E as fam\u00edlias sem-teto que s\u00e3o brutalmente despejadas quando tentam ter uma terra para viver com dignidade? E os filhos e parentes das v\u00edtimas dos feminic\u00eddios que n\u00e3o param? \u00c9 em nome dessa famosa Paz Social que os dirigentes sindicais, sociais e de direitos humanos, adeptos do partido no poder, deixaram passar todos os ataques dos \u00faltimos anos. Essa Paz Social que se reivindicou naquela Pra\u00e7a de Maio lotada \u00e9 a paz para que continuem nos ajustando ao servi\u00e7o do plano do FMI.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As &#8220;minorias violentas&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O documento tamb\u00e9m diz que \u201ca vida democr\u00e1tica \u00e9 incompat\u00edvel com a a\u00e7\u00f5es de minorias violentas que pretendem levar o resto da sociedade\u201d. Neste caso, refere-se aos setores de extrema-direita que s\u00e3o completamente conden\u00e1veis. Mas esse argumento das minorias violentas contra a democracia n\u00e3o \u00e9 aquele usado para perseguir e aprisionar os lutadores? N\u00e3o \u00e9 esse o argumento usado para justificar a pris\u00e3o de Milagro Sala por mais de 6 anos, aquele utilizado para reprimir e prender lutadores nas mobiliza\u00e7\u00f5es de dezembro de 2017 e com as mobiliza\u00e7\u00f5es contra o acordo com o FMI em mar\u00e7o de 2022? N\u00e3o \u00e9 esse o argumento sempre usado por quem tem o poder de justificar a repress\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>As verdadeiras minorias violentas s\u00e3o aquelas que sustentam um sistema em que a grande maioria vive cada vez pior para sustentar seus lucros ou dos setores que representam. A viol\u00eancia \u00e9 que mais de um milh\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes t\u00eam que pular refei\u00e7\u00f5es (1), a viol\u00eancia s\u00e3o os milhares que vivem nas ruas, a viol\u00eancia \u00e9 que nossos velhos morrem na mis\u00e9ria depois de trabalhar toda a vida. Diante dessa viol\u00eancia, temos todo o direito de nos defender enfrentando aqueles que a exercem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O direito de odiar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Outro eixo da convoca\u00e7\u00e3o foi contra o \u00f3dio, identificando o peronismo com o amor. Mas o discurso do amor contra o \u00f3dio, em uma sociedade dividida em classes, com opressores e oprimidos, \u00e9 funcional para quem det\u00e9m o poder. \u00c9 errado odiar o imperialismo ianque que nos saqueia? O que teria sido da Independ\u00eancia Continental sem o \u00f3dio aos espanh\u00f3is? Temos o direito de odiar aqueles que nos destroem todos os dias e esse \u00f3dio, o \u00f3dio de classe, quando se transforma em luta e organiza\u00e7\u00e3o, \u00e9 o motor que pode mudar a hist\u00f3ria. \u00c9 por isso que negar esse \u00f3dio tem um papel reacion\u00e1rio. E muito mais se for usado como desculpa para penalizar o &#8220;\u00f3dio&#8221; como no projeto que pretendiam apresentar, embora depois tenham recuado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os &#8220;fachos&#8221; devem ser combatidos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o hesitamos nem um segundo em enfrentar os setores de ultradireita ou fascistas, que, embora hoje sejam minoria com uma express\u00e3o essencialmente eleitoral, podem ser um perigo real para a mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, que \u00e9 o que eles mais odeiam. E se essa \u00e9 realmente a perspectiva, n\u00e3o basta repudi\u00e1-los discursivamente ou com a\u00e7\u00f5es testemunhais, devemos nos preparar para enfrent\u00e1-los fisicamente, para evitar que se espalhem. Para isso temos que organizar a autodefesa oper\u00e1ria e popular, nos defender da repress\u00e3o estatal e tamb\u00e9m dos fascistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Dizer que h\u00e1 um avan\u00e7o da direita e ao mesmo tempo propor a Paz Social, como faz a dire\u00e7\u00e3o peronista, \u00e9 amarrar p\u00e9s e m\u00e3os dos trabalhadores na defesa de suas condi\u00e7\u00f5es de vida e de suas liberdades democr\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual \u00e9 a tarefa: defender a democracia e Cristina ou enfrentar o ajuste?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Neste momento, um dilema se coloca para os trabalhadores: o conjunto das dire\u00e7\u00f5es que se dizem defensores dos trabalhadores e o povo que afirma que a tarefa \u00e9 defender Cristina e a democracia (at\u00e9 foi considerada a possibilidade de greve geral em defesa da vice-presidenta). Dizemos que, como as liberdades democr\u00e1ticas n\u00e3o est\u00e3o em jogo, a tarefa em torno da qual n\u00f3s trabalhadores temos que nos organizar \u00e9 enfrentar o ajuste brutal que Alberto, Cristina e Massa est\u00e3o impondo em acordo com a oposi\u00e7\u00e3o dos patr\u00f5es a servi\u00e7o do FMI.<\/p>\n\n\n\n<p>Afirmamos que \u00e9 necess\u00e1rio preparar a luta por um aumento salarial urgente com indexa\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica pela infla\u00e7\u00e3o em cada local de trabalho, que a uni\u00e3o dos trabalhadores empregados e desempregados \u00e9 essencial e, neste sentido, aliar a luta por sal\u00e1rios com a luta por trabalho genu\u00edno, que \u00e9 preciso resistir aos avan\u00e7os da Reforma Trabalhista que eles imp\u00f5em de fato e a que est\u00e1 por vir.<\/p>\n\n\n\n<p>Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio cercar de solidariedade as lutas que est\u00e3o em curso, como a luta dos trabalhadores de pneus (SUTNA) que se arrasta h\u00e1 mais de 3 meses, a luta contra o corte da ajuda por invalidez ou a dos os trabalhadores da educa\u00e7\u00e3o de diferentes prov\u00edncias. Vamos fazer o poss\u00edvel para quebrar o isolamento e difundi-las para tentar fazer com que as lutas sejam vitoriosas. Ir dando passos na perspectiva de construir uma Greve Geral com a classe trabalhadora mobilizada, que unifique todas as reivindica\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e tamb\u00e9m as populares como o combate \u00e0 viol\u00eancia machista ou ao agroneg\u00f3cio que destr\u00f3i o meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o nos deixemos enganar pelas polariza\u00e7\u00f5es que t\u00eam funcionalidade eleitoral. A verdadeira divis\u00e3o \u00e9 entre aqueles que t\u00eam tudo e aqueles que n\u00e3o t\u00eam quase nada. E essa fenda n\u00e3o se fecha com discursos ou elei\u00e7\u00f5es, mas com os trabalhadores organizando sua raiva de forma independente dos setores patronais e das burocracias sindicais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde o pedido de condena\u00e7\u00e3o de Cristina Fern\u00e1ndez de Kirchner (CFK) pelo procurador Diego Luciani, a figura da vice-presidenta est\u00e1 no centro do cen\u00e1rio pol\u00edtico nacional. Com o ataque de quinta-feira, dia 1, isso aumentou exponencialmente. 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