{"id":74750,"date":"2022-09-17T13:12:34","date_gmt":"2022-09-17T13:12:34","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=74750"},"modified":"2022-09-17T13:12:36","modified_gmt":"2022-09-17T13:12:36","slug":"quarenta-anos-dos-massacres-de-sabra-e-chatila","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/09\/17\/quarenta-anos-dos-massacres-de-sabra-e-chatila\/","title":{"rendered":"Quarenta anos dos massacres de Sabra e Chatila"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cUma pilha de corpos.\u201d Assim descreve uma palestina que vivia no entorno dos campos de refugiados de Sabra e Chatila, em Beirute Ocidental, no L\u00edbano. Ainda jovem \u00e0 \u00e9poca, ela presenciou o horror dos massacres que resultaram em cerca de 4 mil palestinos assassinados com requintes de crueldade entre 16 e 18 de setembro de 1982, os quais chocaram o mundo. Quarenta anos depois, a ferida segue aberta.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Soraya Misleh<\/p>\n\n\n\n<p>Em Sabra e Chatila, a mem\u00f3ria dos horrores ali perpetrados em mais um cap\u00edtulo da limpeza \u00e9tnica enfrentada por essa popula\u00e7\u00e3o h\u00e1 mais de 74 anos (desde a consolida\u00e7\u00e3o da Nakba, a cat\u00e1strofe com a forma\u00e7\u00e3o do Estado de Israel em 15 de maio de 1948) permanece viva. Sabra e Chatila s\u00e3o representa\u00e7\u00e3o expl\u00edcita da a\u00e7\u00e3o dos poderosos inimigos da causa palestina denunciados pelo revolucion\u00e1rio marxista e her\u00f3i de seu povo Ghasan Kanafani (1936-1972): o imperialismo\/sionismo, regimes e burguesia \u00e1rabes.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabra hoje \u00e9 um distrito administrativo em que vivem milhares de pessoas. Shatila se mant\u00e9m como um dos 12 campos oficiais no L\u00edbano registrados na Ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Assist\u00eancia aos Refugiados Palestinos (UNRWA) em que se encontram mais de 479 mil palestinos. Pobreza, falta de infraestrutura e desemprego, sem contar a discrimina\u00e7\u00e3o, s\u00e3o parte do cotidiano dos refugiados no pa\u00eds. O L\u00edbano enfrenta tr\u00e1gica situa\u00e7\u00e3o na atualidade, em que muitos habitantes t\u00eam sido empurrados para a mis\u00e9ria, privados de servi\u00e7os b\u00e1sicos fundamentais, como energia el\u00e9trica.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse quadro, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar que os refugiados t\u00eam agravada sua condi\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, bem como racismo e xenofobia. A discrimina\u00e7\u00e3o, alimentada pela burguesia, t\u00eam lamentavelmente sido parte de sua dram\u00e1tica realidade. Sem os mesmos direitos que o restante da popula\u00e7\u00e3o, s\u00e3o inclusive proibidos de atuar em 39 profiss\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o de pen\u00faria se repete nos demais campos espalhados por pa\u00edses \u00e1rabes vizinhos, a um raio de 150km da Palestina ocupada, cuja popula\u00e7\u00e3o total supera os 5 milh\u00f5es (incluindo os que vivem no L\u00edbano).<\/p>\n\n\n\n<p>Por ocasi\u00e3o dos 40 anos dos crimes contra a humanidade em Sabra e Chatila, refugiados palestinos, juntamente com libaneses, t\u00eam se manifestado por mem\u00f3ria e justi\u00e7a. Urge ouvir esses clamores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O genoc\u00eddio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 1982, o L\u00edbano enfrentava uma guerra civil, com uma onda de insatisfa\u00e7\u00e3o popular contra a elite dominante. Um de seus integrantes era Bashir Geymael, l\u00edder de um partido de extrema direita intitulado \u201cFalange\u201d. Ele tinha a inten\u00e7\u00e3o de expulsar os palestinos daquele territ\u00f3rio, pois os considerava \u201cpopula\u00e7\u00e3o excedente\u201d. Assumiria a presid\u00eancia do pa\u00eds, mas foi assassinado em 14 de setembro em decorr\u00eancia da guerra, antes de concluir seu intento.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua \u201csolu\u00e7\u00e3o radical\u201d foi colocada em pr\u00e1tica por seus seguidores nos tr\u00eas dias seguintes \u00e0 sua morte, nos campos de Sabra e Shatila, em parceria e com a colabora\u00e7\u00e3o estreita de Israel, cujo ministro da Defesa \u00e0 \u00e9poca era Ariel Sharon, cuja alcunha n\u00e3o \u00e0 toa \u00e9 de \u201ccarniceiro\u201d. Como <a href=\"https:\/\/icarabe.org\/artigos\/sabra-e-chatila-um-massacre-a-ser-sempre-lembrado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">escreve a jornalista S\u00e2mia Gabriela Teixeira<\/a>, os planos para a execu\u00e7\u00e3o desses crimes contra a humanidade de 1982 foram arquitetados durante encontros realizados no dia 15 de setembro entre Sharon e Elie Hobeika, Fadie Frem e Zahi Bustani, l\u00edderes de uma mil\u00edcia libanesa falangista crist\u00e3 ligada ao governo de Bashir. \u201cNesse encontro, Sharon autorizava as tropas israelenses, respons\u00e1veis pelo cerco aos campos libaneses, a permitirem a entrada dos falangistas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (OLP) j\u00e1 havia sido expulsa, o que fragmentou e enfraqueceu o movimento. Para os massacres, ao imperialismo estadunidense coube retirar todas as suas for\u00e7as de paz, respons\u00e1veis pela supervis\u00e3o da sa\u00edda da OLP. Ao evadir os destacamentos militares da regi\u00e3o, pressionou, indiretamente, a retirada de for\u00e7as francesas e italianas do local.<\/p>\n\n\n\n<p>No banho de sangue, foram mortas a tiros ou facadas principalmente mulheres, crian\u00e7as e idosos. O genoc\u00eddio foi marcado ainda por outros atos de selvageria, como estupros. A popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o teve como escapar, j\u00e1 que Israel n\u00e3o apenas facilitou a entrada das tropas libanesas e as treinou, como cercou os campos, impedindo sua evacua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os assassinatos em Sabra e Chatila integram a tr\u00e1gica lista de massacres cometidos contra palestinos pelos inimigos da causa palestina, como parte de uma \u201climpeza \u00e9tnica\u201d deliberada, que perdura at\u00e9 os dias atuais. Diretamente por Israel, o mais conhecido deles aconteceu em 9 de abril de 1948, na aldeia palestina de Deir Yassin, em que viviam cerca de 750 pessoas. Duzentas e cinquenta e quatro delas foram assassinadas naquele dia, tamb\u00e9m incluindo mulheres, crian\u00e7as e idosos.<br><br><strong>O mundo se levanta<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os massacres em Sabra e Chatila provocaram pelo mundo uma onda de indigna\u00e7\u00e3o at\u00e9 ent\u00e3o sem precedentes na hist\u00f3ria da Palestina. Protestos espalharam-se pelo mundo. Como consequ\u00eancia, Ariel Sharon foi responsabilizado indiretamente pelo genoc\u00eddio e afastado do cargo de ministro da Defesa. Ele continuaria ainda por muito tempo a cometer atrocidades como essas, at\u00e9 ficar em estado permanente de coma no come\u00e7o de 2006 e finalmente falecer em janeiro de 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante do regime de apartheid enfrentado pelos palestinos ainda hoje, a sociedade palestina chama por boicote a Israel, aos moldes do que p\u00f4s fim \u00e0 segrega\u00e7\u00e3o de negros na \u00c1frica do Sul durante os anos 1990. Homenagem verdadeira \u00e0s v\u00edtimas de Sabra e Chatila deve abarcar o chamado a fortalecer a solidariedade internacional efetiva e ativa, rumo \u00e0 Palestina livre do rio ao mar.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, apoiar incondicionalmente a resist\u00eancia heroica e hist\u00f3rica e todas as lutas dos oprimidos e explorados na regi\u00e3o contra os inimigos da causa palestina, rumo \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa socialista e revolucion\u00e1ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cUma pilha de corpos.\u201d Assim descreve uma palestina que vivia no entorno dos campos de refugiados de Sabra e Chatila, em Beirute Ocidental, no L\u00edbano. 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