{"id":74665,"date":"2022-09-08T14:07:05","date_gmt":"2022-09-08T14:07:05","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=74665"},"modified":"2022-09-08T14:11:44","modified_gmt":"2022-09-08T14:11:44","slug":"manifesto-politico-do-xiv-congresso-da-lit-qi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/09\/08\/manifesto-politico-do-xiv-congresso-da-lit-qi\/","title":{"rendered":"Manifesto pol\u00edtico do XIV Congresso da LIT-QI"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>O XIV Congresso da Liga Internacional dos Trabalhadores, reunido em agosto, aprovou a seguinte declara\u00e7\u00e3o sobre a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mundial, que colocamos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de nossa milit\u00e2ncia e da vanguarda oper\u00e1ria e social de todos os pa\u00edses.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a pandemia, que causou mais v\u00edtimas que a 1\u00aa Guerra Mundial entre as massas populares do mundo, a guerra da Ucr\u00e2nia contra a agress\u00e3o genocida e a ocupa\u00e7\u00e3o russa, com o protagonismo central da perseverante e heroica resist\u00eancia do povo ucraniano (com as Defesas Territoriais, formadas principalmente por trabalhadores e trabalhadoras, que lutam na linha de frente) \u00e9 agora o epicentro da luta de classes internacional. Esta guerra, produto e express\u00e3o da crise da ordem mundial imperialista, aprofunda por sua vez todas as contradi\u00e7\u00f5es mundiais e agudiza a luta de classes.<\/p>\n\n\n\n<p>Acelera os confrontos dos EUA com a R\u00fassia e a China, empurrando para uma alian\u00e7a entre estes \u00faltimos. Os EUA tentam, da mesma forma, impor suas condi\u00e7\u00f5es \u00e0 Alemanha e \u00e0 Fran\u00e7a e reordenar suas rela\u00e7\u00f5es com a Uni\u00e3o Europeia (UE) e outras pot\u00eancias imperialistas em benef\u00edcio pr\u00f3prio. Desencadeia uma assustadora corrida armamentista geral e a militariza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es internacionais, inclusive a amea\u00e7a de guerras locais, em uma din\u00e2mica cada vez mais agressiva e mais global.<\/p>\n\n\n\n<p>Aprofunda a crise econ\u00f4mica em todo o mundo, empurrada pela crise energ\u00e9tica e dos cereais (que se agravar\u00e1 pela aus\u00eancia da pr\u00f3xima colheita na Ucr\u00e2nia), uma infla\u00e7\u00e3o galopante e a crise da d\u00edvida, que afeta com especial virul\u00eancia os pa\u00edses semicoloniais e se combina com as crises alimentares, ou seja de fome, nos pa\u00edses mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>A emerg\u00eancia clim\u00e1tica se exacerba, agravando a cat\u00e1strofe ambiental e provocando efeitos dram\u00e1ticos para milh\u00f5es de pessoas como consequ\u00eancia do aquecimento global e sua sequela de secas, inunda\u00e7\u00f5es e migra\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, levando o mundo para situa\u00e7\u00f5es cada vez mais irrevers\u00edveis e aumentando, por sua vez, o risco de novas pandemias.<\/p>\n\n\n\n<p>O conflito de Taiwan, ati\u00e7ado pela visita de Nancy Pelosi, reflete o aumento do choque entre os EUA e a China. Assim como para esta \u00faltima, a unifica\u00e7\u00e3o nacional com Taiwan, um remanescente de seu passado colonial, \u00e9 essencial para afirmar sua hegemonia na \u00c1sia e, por conseguinte, para suas pr\u00f3prias aspira\u00e7\u00f5es globais, para os EUA \u00e9 igualmente primordial impedir tal unifica\u00e7\u00e3o para reafirmar sua decadente hegemonia mundial. Por isso, o imperialismo norte-americano abandonou de forma evidente, a chamada \u201cambiguidade estrat\u00e9gica\u201d da pol\u00edtica de \u201cuma s\u00f3 China\u201d de Nixon. O conflito de Taiwan se converteu hoje em dia no ponto sens\u00edvel do confronto entre os EUA e a China e pode acirrar qualitativamente se a China decidir ocupar militarmente a ilha nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio \u00e0 crise da divis\u00e3o mundial do trabalho, em que a chamada globaliza\u00e7\u00e3o se apoiava, um \u00f3rg\u00e3o de imprensa do capital financeiro como o&nbsp;<em>Financial Times<\/em>&nbsp;fala de duas grandes hip\u00f3teses para a economia mundial: e estagfla\u00e7\u00e3o, ou seja, a estagna\u00e7\u00e3o com infla\u00e7\u00e3o ou, se a estagna\u00e7\u00e3o se acentuar, a queda em uma depress\u00e3o econ\u00f4mica geral de alcance mundial. A isto se combina a crise da d\u00edvida externa e o endividamento p\u00fablico que se anuncia em toda uma s\u00e9rie de pa\u00edses semicoloniais e que pode inclusive alcan\u00e7ar a periferia da UE, ao que se soma a crise do endividamento das empresas \u2013 as chamadas empresas zumbis \u2013 o que pode desencadear uma crise financeira. Tudo isto confirma a crise do capitalismo, sua crise de rentabilidade e sua impossibilidade, nas circunst\u00e2ncias atuais, de reverter a queda da taxa de lucro.<\/p>\n\n\n\n<p>Junto com o desenvolvimento das novas tecnologias, as tend\u00eancias \u00e0 configura\u00e7\u00e3o de blocos econ\u00f4micos regionais e a recoloniza\u00e7\u00e3o assistimos a um forte descenso de pa\u00edses inteiros na hierarquia da ordem imperialista, em particular das grandes semicol\u00f4nias industrializadas, como o Brasil ou a Turquia, provocando desindustrializa\u00e7\u00e3o, desemprego, precariedade e trabalho informal generalizado. No mesmo pacote, encontramos a queda no abismo de um conjunto de pa\u00edses da \u00c1frica e de outros continentes. Isto provoca migra\u00e7\u00f5es massivas que, em muito pouco tempo, injetam dezenas de milhares de trabalhadores migrantes no proletariado dos pa\u00edses de acolhida, alterando sua composi\u00e7\u00e3o e facilitando para a burguesia o aprofundamento da precariedade e da divis\u00e3o entre os trabalhadores e trabalhadoras.<\/p>\n\n\n\n<p>As consequ\u00eancias de tudo isto para os trabalhadores e trabalhadoras e para as massas populares das diferentes regi\u00f5es do mundo s\u00e3o devastadoras: novas ondas de ataques aos sal\u00e1rios, precariza\u00e7\u00e3o generalizada, destrui\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos, uma forte e geral piora das condi\u00e7\u00f5es de vida e um aumento escandaloso da desigualdade, enquanto a fome atinge os setores mais empobrecidos do conjunto de pa\u00edses semicoloniais e tamb\u00e9m imperialistas e aumenta dramaticamente nos pa\u00edses mais fr\u00e1geis. Aliado a isto, vivemos um processo de empobrecimento generalizado de setores da pequena burguesia, uma parte dos quais se radicaliza para a esquerda e outra alimenta os movimentos de ultradireita.<\/p>\n\n\n\n<p>O outro lado da moeda \u00e9 o aumento da repress\u00e3o, dos ataques \u00e0s liberdades democr\u00e1ticas e o aprofundamento substancial das opress\u00f5es. \u00c9 o caso da opress\u00e3o nacional, das leis e ataques racistas e xen\u00f3fobos que se concentram contra os e as trabalhadoras migrantes, as leis e agress\u00f5es machistas contra as mulheres (como exemplo a destacar, a recente decis\u00e3o do Supremo Tribunal norte-americano) e os crimes de \u00f3dio contra a popula\u00e7\u00e3o LGTBI.<\/p>\n\n\n\n<p>Como resposta \u00e0 necessidade do capital de impor seus planos de recupera\u00e7\u00e3o e superexplora\u00e7\u00e3o e para isso aprofundar as opress\u00f5es e enfrentar as mobiliza\u00e7\u00f5es massivas contra tais planos e opress\u00f5es; os regimes se endurecem e se fortalece a extrema direita, que se estende \u00e0s diferentes regi\u00f5es do planeta. E se converteu em uma das op\u00e7\u00f5es de governo das diferentes burguesias, o que acelera a bonapartiza\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, a desestabiliza\u00e7\u00e3o dos regimes burgueses que garantiram a estabilidade burguesa durante d\u00e9cadas, como vemos no caso da UE.<\/p>\n\n\n\n<p>A brutalidade dos ataques provoca a resposta das massas, com grandes mobiliza\u00e7\u00f5es como vimos nestes anos em lugares como Myanmar, Sud\u00e3o, Chile e Col\u00f4mbia, como ocorreu agora nos grandes levantes populares semi-insurrecionais do Sri Lanka e Equador ou nas prolongadas paralisa\u00e7\u00f5es nacionais do Panam\u00e1 ou como estamos vendo no poderoso movimento grevista atual na Gr\u00e3 Bretanha diante da infla\u00e7\u00e3o. S\u00e3o movimentos que apontam para processos semelhantes em outros pa\u00edses nos pr\u00f3ximos tempos.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 agora, o protagonismo na resposta correspondeu sobretudo \u00e0 juventude precarizada e aos setores oprimidos, com uma participa\u00e7\u00e3o massiva da classe trabalhadora dilu\u00edda no movimento. A resposta das massas no Sri Lanka ou no Panam\u00e1 ou antes em Myanmar, contou, entretanto, com uma participa\u00e7\u00e3o destacada, embora pontual de movimentos grevistas da classe oper\u00e1ria, ainda que esta ainda n\u00e3o tenha desempenhado um papel dirigente do levante popular e n\u00e3o tenha dado passos significativos na sua auto-organiza\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>O movimento de greves brit\u00e2nico, por sua vez, est\u00e1 marcado por uma forte radicalidade, conflitos que sa\u00edram do controle da burocracia sindical e uma press\u00e3o crescente da base oper\u00e1ria pela convoca\u00e7\u00e3o de uma greve geral em todo o pa\u00eds. Este movimento, entretanto, n\u00e3o se estendeu ao continente europeu e ainda n\u00e3o sabemos quando o movimento oper\u00e1rio estadunidense retomar\u00e1 sua recente batalha por sal\u00e1rios e direitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos estes processos est\u00e3o limitados por fen\u00f4menos como os deslocamentos, a desindustrializa\u00e7\u00e3o e a fragmenta\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria nos processos produtivos (consentida e pactuada com a burocracia sindical), que dificultam a organiza\u00e7\u00e3o da classe tal como conhec\u00edamos tradicionalmente, o que implica um desafio de grande envergadura para n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s revolucion\u00e1rios\/as temos que nos preparar para um salto substancial dos desequil\u00edbrios sociais e pol\u00edticos nas diferentes regi\u00f5es do mundo, que provocar\u00e3o explos\u00f5es e em alguns pa\u00edses situa\u00e7\u00f5es pr\u00e9-revolucion\u00e1rias e revolucion\u00e1rias, mas tamb\u00e9m respostas reacion\u00e1rias e at\u00e9 contrarrevolucion\u00e1rias. Diante desta situa\u00e7\u00e3o, os partidos reformistas, como o de Boric e o PC (Partido Comunista) chileno, Petro na Col\u00f4mbia ou o PT (Partido dos Trabalhadores) de Lula, s\u00e3o o instrumento para desviar e derrotar a mobiliza\u00e7\u00e3o e para, a partir dos governos de colabora\u00e7\u00e3o de classes que presidem, impor os planos de suas burguesias, s\u00f3cias menores do imperialismo. Como rea\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas dos governos de Boric, Petro e muito provavelmente de Lula, podemos esperar que setores de lutadores oper\u00e1rios e populares, em particular da juventude, entrem em um processo de ruptura com estes governos de colabora\u00e7\u00e3o de classes. Ganh\u00e1-los para a revolu\u00e7\u00e3o e para o partido oper\u00e1rio e revolucion\u00e1rio ser\u00e1 uma dura batalha que teremos que disputar j\u00e1, n\u00e3o apenas contra o reformismo mas contra a extrema direita tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>A batalha pelo desenvolvimento e fortalecimento do sindicalismo independente da patronal e dos governos, democr\u00e1tico e de luta, pela auto-organiza\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica do movimento, a autodefesa e a organiza\u00e7\u00e3o dos setores oprimidos da classe trabalhadora desempenha um papel essencial na luta pelas reivindica\u00e7\u00f5es mais sentidas pelas massas.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo emprego e pelos direitos trabalhistas b\u00e1sicos, pela escala m\u00f3vel de sal\u00e1rios, um sal\u00e1rio m\u00ednimo digno e pela estabilidade no emprego; pelo n\u00e3o pagamento da d\u00edvida; contra o desmantelamento dos servi\u00e7os p\u00fablicos; pelas liberdades democr\u00e1ticas e pela liberdade dos presos por lutar; contra a viol\u00eancia contra as mulheres e a popula\u00e7\u00e3o LGBTI, pelo direito ao aborto e medidas de socializa\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico; pelos direitos das nacionalidades oprimidas e dos povos origin\u00e1rios; pelos direitos dos migrantes; pelas medidas urgentes ante a emerg\u00eancia ambiental e em particular para deter j\u00e1 o aquecimento global, incluindo a expropria\u00e7\u00e3o das grandes corpora\u00e7\u00f5es energ\u00e9ticas e mineradoras sob controle oper\u00e1rio e das comunidades; destrui\u00e7\u00e3o das armas nucleares e das armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa e redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica dos gastos militares; por um governo dos trabalhadores baseado em conselhos oper\u00e1rios e populares.<\/p>\n\n\n\n<p>A batalha por recuperar a solidariedade internacionalista com a luta dos trabalhadores e dos povos \u00e9 uma tarefa essencial. A partir da LIT-QI nos comprometemos a dar continuidade com um impulso renovado \u00e0 campanha de solidariedade com a classe oper\u00e1ria armada e partisana ucraniana que hoje resiste \u00e0 invas\u00e3o e ocupa\u00e7\u00e3o genocida de Putin e luta por sua soberania nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>A luta para ganhar a consci\u00eancia da vanguarda militante da classe oper\u00e1ria e dos setores oprimidos do proletariado para o programa da revolu\u00e7\u00e3o socialista torna-se o elemento chave para avan\u00e7ar na constru\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria mundial, ou seja, da constru\u00e7\u00e3o da LIT-QI, como embri\u00e3o da reconstru\u00e7\u00e3o da Quarta Internacional, esta \u00e9 nossa tarefa.<\/p>\n\n\n\n<p>M\u00e3os \u00e0 obra!<\/p>\n\n\n\n<p><em>Liga Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Agosto de 2022.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O XIV Congresso da Liga Internacional dos Trabalhadores, reunido em agosto, aprovou a seguinte declara\u00e7\u00e3o sobre a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mundial, que colocamos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de nossa milit\u00e2ncia e da vanguarda oper\u00e1ria e social de todos os pa\u00edses. 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