{"id":74643,"date":"2022-09-06T13:57:42","date_gmt":"2022-09-06T13:57:42","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=74643"},"modified":"2022-09-06T13:57:44","modified_gmt":"2022-09-06T13:57:44","slug":"chile-sobre-a-vitoria-da-rejeicao-e-os-proximos-passos-da-nossa-luta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/09\/06\/chile-sobre-a-vitoria-da-rejeicao-e-os-proximos-passos-da-nossa-luta\/","title":{"rendered":"Chile| Sobre a vit\u00f3ria da Rejei\u00e7\u00e3o e os pr\u00f3ximos passos da nossa luta"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Com mais de 13 milh\u00f5es de eleitores, a op\u00e7\u00e3o Rejei\u00e7\u00e3o foi a maioria no Plebiscito da Nova Constitui\u00e7\u00e3o. Os votos de Rejei\u00e7\u00e3o totalizaram mais de 7,8 milh\u00f5es (61,86%) e a Aprova\u00e7\u00e3o atingiu 4,8 milh\u00f5es (38,1%). Os votos inv\u00e1lidos foram pouco mais de 200.000.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: MIT-Chile<\/p>\n\n\n\n<p>A Rejei\u00e7\u00e3o venceu em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds. Na Grande Santiago e na Grande Valpara\u00edso a vit\u00f3ria foi mais estreita (44,56% e 45,81% respectivamente). Nas demais regi\u00f5es, a Rejei\u00e7\u00e3o conseguiu prevalecer com mais de 59% dos votos. A Aprova\u00e7\u00e3o venceu em 8 comunas em todo o pa\u00eds (por margens estreitas), incluindo algumas das mais prolet\u00e1rias e combativas, como Maip\u00fa, Puente Alto e San Antonio.<\/p>\n\n\n\n<p>A peculiaridade dessas elei\u00e7\u00f5es \u00e9 que foram as primeiras com voto obrigat\u00f3rio nos \u00faltimos 10 anos. O n\u00famero de eleitores ultrapassou o segundo turno das \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es presidenciais em quase 5 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que a Rejei\u00e7\u00e3o venceu?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 poucos dias, uma manifesta\u00e7\u00e3o de mais de 500.000 pessoas foi realizada em Santiago no final da campanha do Aprovo e outras manifesta\u00e7\u00f5es com centenas de pessoas em outras cidades do pa\u00eds. Ao mesmo tempo, os atos finais da Rejei\u00e7\u00e3o n\u00e3o conseguiram reunir mais de 200 pessoas. Como explicar, ent\u00e3o, que a Rejei\u00e7\u00e3o ganhou o Plebiscito com tanta diferen\u00e7a?<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui queremos analisar 4 elementos que ajudam a entender os resultados<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1. O desgaste do governo de Gabriel Boric e a situa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro elemento tem a ver com o governo de Boric e a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds. O car\u00e1ter de continuidade neoliberal do governo levou ao r\u00e1pido desgaste de Boric, principalmente entre os setores mais pobres (na classe m\u00e9dia alta e na burguesia Boric nunca teve peso). A negativa do governo em rela\u00e7\u00e3o a fazer o quinto saque das AFPs (Administradoras de Fundos de Pens\u00e3o) fez com que muitos trabalhadores\/as se decepcionassem rapidamente. A situa\u00e7\u00e3o de vida dos pobres n\u00e3o melhorou desde que Boric chegou ao poder. A viol\u00eancia e a pobreza aumentaram, os direitos trabalhistas continuam prec\u00e1rios, o custo de vida disparou. Sabemos que Boric n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico respons\u00e1vel por essas condi\u00e7\u00f5es, pois h\u00e1 problemas que se arrastam h\u00e1 d\u00e9cadas ou est\u00e3o relacionados \u00e0 situa\u00e7\u00e3o mundial. No entanto, Boric \u00e9 a continuidade dos governos dos 30 anos e n\u00e3o tomou nenhuma medida importante para enfrentar a desigualdade social e melhorar a vida da popula\u00e7\u00e3o mais pobre. Apresenta-se com um discurso de esquerda, mas segue a mesma cartilha dos antigos governos da Concerta\u00e7\u00e3o: tenta propor reformas para dar algumas migalhas aos de baixo, mas acaba cedendo rapidamente \u00e0 press\u00e3o dos de cima.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a reprova\u00e7\u00e3o do governo foi quase automaticamente transferida para a rejei\u00e7\u00e3o da Nova Constitui\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 responsabilidade direta de Boric e dos partidos que comp\u00f5em o governo: OS (Partido Socialista), FA (Frente Ampla) e PC (Partido Comunista).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2. A campanha da burguesia e a &#8220;apatia do progressismo&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A burguesia chilena e seus representantes (pol\u00edticos, jornalistas, acad\u00eamicos, influenciadores) vinham fazendo forte campanha contra a Conven\u00e7\u00e3o Constitucional. J\u00e1 em suas origens, a Conven\u00e7\u00e3o teve uma s\u00e9rie de entraves ao seu funcionamento, impostos pelos empres\u00e1rios e aceitos pela \u201cesquerda\u201d que negociou o Acordo pela Paz (qu\u00f3rum de 2\/3, impossibilidade de suspens\u00e3o Tratados de Livre Com\u00e9rcio, etc.). O objetivo deste Acordo era proteger o patrim\u00f4nio dos grandes grupos econ\u00f4micos durante o Processo Constituinte.<\/p>\n\n\n\n<p>A direita n\u00e3o conseguiu ter 1\/3 de representa\u00e7\u00e3o, mas somada \u00e0 antiga Concerta\u00e7\u00e3o e seus aliados (FA\/PC) conseguiu bloquear as iniciativas mais transformadoras. Assim, enquanto a direita bombardeava a Conven\u00e7\u00e3o com suas fake news, os aliados de esquerda moderavam os independentes, chegando a acordos \u201crazo\u00e1veis\u201d que, de fundo, n\u00e3o mudariam o pa\u00eds. Dessa forma, todas as propostas que pudessem gerar mudan\u00e7as mais profundas na vida da popula\u00e7\u00e3o foram rejeitadas.<\/p>\n\n\n\n<p>As grandes empresas, que controlam a m\u00eddia, desenvolveram uma forte campanha de mentiras em rela\u00e7\u00e3o ao que se discutia na Conven\u00e7\u00e3o. Essas mentiras geraram uma enorme confus\u00e3o na consci\u00eancia dos trabalhadores e do povo. Diziam aos pequenos agricultores que eles ficariam sem \u00e1gua para suas colheitas. Aos trabalhadores que suas aposentadorias\/pens\u00f5es seriam confiscadas e eles n\u00e3o teriam mais uma casa pr\u00f3pria. Isso foi combinado com uma grande campanha contra um suposto comunismo ou chavismo presente na Nova Constitui\u00e7\u00e3o, campanha reafirmada e reproduzida por centenas de milhares de venezuelanos que vivem no Chile, profundamente decepcionados com os governos chavistas que se autodenominavam socialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfrentar a campanha milion\u00e1ria da direita foi uma tarefa colossal. Para isso, era necess\u00e1ria a organiza\u00e7\u00e3o de milhares de jovens ativistas e trabalhadores\/as por fora da Conven\u00e7\u00e3o, para que desmentissem toda fake news e gerassem mobiliza\u00e7\u00e3o para pressionar a Conven\u00e7\u00e3o. O chamado do Partido Comunista para &#8220;cercar a Conven\u00e7\u00e3o&#8221; n\u00e3o passou de uma frase vazia. Por outro lado, os constituintes independentes dos Movimentos Sociais e da Lista Popular n\u00e3o utilizaram a energia de apoio das mais de 600 organiza\u00e7\u00f5es sociais e populares que haviam assinado o Manifesto da Vocer\u00eda de los Pueblos &#8211; Porta-voz dos Povos &#8211; no in\u00edcio da Conven\u00e7\u00e3o. Assim, enquanto a burguesia e a direita atacavam, o movimento de massas permaneceu ap\u00e1tico. Esta \u00e9 uma responsabilidade direta dos partidos que dirigem as organiza\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora (FA-PC-PS) e dos independentes que dirigem os movimentos sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Por \u00faltimo, mas n\u00e3o menos importante, a campanha de Rejei\u00e7\u00e3o contou com fundos milion\u00e1rios. Segundo dados publicados pela Funda\u00e7\u00e3o Sol, entre as 20 organiza\u00e7\u00f5es que mais receberam doa\u00e7\u00f5es no pa\u00eds, a op\u00e7\u00e3o Rejei\u00e7\u00e3o recebeu mais de 1,4 bilh\u00e3o de pesos em financiamento, enquanto o Aprovo recebeu 78 milh\u00f5es. Essa enorme quantia de dinheiro da Rejei\u00e7\u00e3o veio de algumas das fam\u00edlias mais ricas do pa\u00eds, como Solari e Von Appen.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3. O sufr\u00e1gio obrigat\u00f3rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2012 no Chile o voto foi volunt\u00e1rio. O voto obrigat\u00f3rio fez com que a participa\u00e7\u00e3o eleitoral subisse de 50% para 85% (as multas ser\u00e3o bastante altas para quem n\u00e3o votar, o que \u00e9 muito diferente de outros pa\u00edses onde o voto tamb\u00e9m \u00e9 obrigat\u00f3rio). Isso significa que milh\u00f5es de pessoas que n\u00e3o costumavam votar participaram da elei\u00e7\u00e3o. Um grande n\u00famero desses \u201cnovos eleitores\u201d se inclinou para a Rejei\u00e7\u00e3o. Podemos supor que uma parte importante dessa massa \u00e9 composta pelos setores mais despolitizados da sociedade, aqueles que normalmente n\u00e3o participam de manifesta\u00e7\u00f5es, n\u00e3o votam e consomem acriticamente as informa\u00e7\u00f5es que lhes chegam atrav\u00e9s dos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa e redes sociais. Se compararmos o voto \u201cAprovar\u201d entre o primeiro plebiscito e o segundo, veremos uma diferen\u00e7a de cerca de 1 milh\u00e3o de votos. No plebiscito de entrada (para a reda\u00e7\u00e3o de nova constitui\u00e7\u00e3o, ndt.), 5,9 milh\u00f5es de pessoas votaram pela Aprova\u00e7\u00e3o e neste, chamado plebiscito de sa\u00edda (aprovar ou n\u00e3o a nova constitui\u00e7\u00e3o, ndt.), foram 4,8 milh\u00f5es. Ou seja, em n\u00fameros absolutos, a Aprova\u00e7\u00e3o perdeu pouco mais de 1 milh\u00e3o de votos. Devemos lembrar tamb\u00e9m que no primeiro plebiscito havia at\u00e9 setores da direita que eram a favor, como Joaqu\u00edn Lav\u00edn e a Democracia Crist\u00e3. Para termos uma vis\u00e3o mais precisa da diminui\u00e7\u00e3o de votos para a Aprova\u00e7\u00e3o em n\u00fameros absolutos, devemos analisar cada comuna do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 fundamental compreender que os processos eleitorais no capitalismo quase sempre jogam contra a luta social, pois \u201ca massa silenciosa\u201d \u00e9 a que prevalece e n\u00e3o os milhares ou milh\u00f5es que lutam para transformar a sociedade. O voto compuls\u00f3rio ajuda os setores mais conservadores, pois movimenta uma enorme massa com pouqu\u00edssima consci\u00eancia de classe para votar. O movimento de massas pode mudar essa realidade, em alguns momentos, de forma excepcional, como aconteceu no primeiro Plebiscito e sem a obrigatoriedade do voto. \u00c9 muito prov\u00e1vel que a Rejei\u00e7\u00e3o tivesse vencido sem o voto obrigat\u00f3rio, por\u00e9m, a vit\u00f3ria possivelmente teria sido muito mais estreita.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4 \u2013 A dist\u00e2ncia do Processo Constituinte e a maioria da popula\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das mentiras inventadas pela direita, o Processo Constituinte e a Nova Constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o conseguiram se conectar plenamente com as necessidades de milh\u00f5es de pessoas. Os partidos do governo, muitas vezes com o apoio da direita, buscaram rejeitar a maioria das propostas que propunham mudan\u00e7as reais para o pa\u00eds e para as condi\u00e7\u00f5es de vida da maioria da popula\u00e7\u00e3o. Assim, muitas das medidas que poderiam ter gerado grande apoio popular \u00e0 Nova Constitui\u00e7\u00e3o foram rapidamente eliminadas. Para citar algumas: o fim da subcontrata\u00e7\u00e3o; a nacionaliza\u00e7\u00e3o da minera\u00e7\u00e3o de cobre em grande escala, que possibilitaria o financiamento dos direitos sociais; impostos sobre grandes fortunas; diminui\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios dos pol\u00edticos, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>A Nova Constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o cont\u00e9m medidas imediatas que impliquem uma melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores: n\u00e3o aumenta os sal\u00e1rios, n\u00e3o reduz a jornada de trabalho, n\u00e3o diz como financiar\u00e1 os direitos sociais, etc. As conquistas do movimento de massas n\u00e3o foram suficientes para enfrentar as mentiras da direita e conquistar a consci\u00eancia de milh\u00f5es de trabalhadores, camponeses e o povo pobre de todo o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As diferentes interpreta\u00e7\u00f5es dos resultados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os grandes empres\u00e1rios e seus partidos pol\u00edticos mais tradicionais est\u00e3o felizes com a vit\u00f3ria da Rejei\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s o resultado, o maior burgu\u00eas do Chile, Andr\u00f3nico Luksic, comemorou em suas redes sociais. Na sede dos partidos de direita, a comemora\u00e7\u00e3o foi enorme. O d\u00f3lar caiu em rela\u00e7\u00e3o ao peso, mostrando que o mercado financeiro tamb\u00e9m est\u00e1 solid\u00e1rio com o resultado. Todo o grande empresariado comemorou o resultado, como comprova a edi\u00e7\u00e3o de hoje (05\/09) do El Mercurio. Por outro lado, as celebra\u00e7\u00f5es cidad\u00e3s da rejei\u00e7\u00e3o foram pequenas e limitadas a algumas cidades: Antofagasta, Temuco e os bairros ricos de Santiago. Nas comunas populares n\u00e3o houve celebra\u00e7\u00e3o. A direita reivindica vit\u00f3ria e aumenta seu discurso anticomunista, anti-ind\u00edgena e antipovo.<\/p>\n\n\n\n<p>A direita quer apresentar a vit\u00f3ria da Rejei\u00e7\u00e3o como a derrota do movimento social que come\u00e7ou em 18 de outubro. Nada mais falso do que isso. O 18 de outubro foi a explos\u00e3o que abriu as portas para que os trabalhadores conquistassem vit\u00f3rias, como os saques das AFPs e o pr\u00f3prio Processo Constituinte. O fato de at\u00e9 hoje n\u00e3o ter havido nenhuma mudan\u00e7a social relevante tem a ver justamente com o controle dos partidos pol\u00edticos da direita e agora do reformismo sobre o governo e a Conven\u00e7\u00e3o Constitucional.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, o governo de Gabriel Boric reconheceu a derrota e j\u00e1 come\u00e7a a reorganizar seu gabinete, que sem d\u00favida vai girar ainda mais \u00e0 direita. Se antes n\u00e3o pod\u00edamos esperar nada deste governo, agora s\u00f3 podemos esperar mais concess\u00f5es ao grande capital e mais ataques ao povo trabalhador e mapuche.<\/p>\n\n\n\n<p>O Partido Comunista, como sempre, tem um &#8220;cat\u00e1logo&#8221; de diferentes interpreta\u00e7\u00f5es que permite agradar tanto \u00e0 direita quanto \u00e0 esquerda. As figuras mais ligadas ao governo, como Karol Cariola, rapidamente reconheceram o triunfo da &#8220;democracia&#8221; e prometem mudar o rumo. Seus personagens mais \u201cde esquerda\u201d, como Jadue ou Marco Barraza, atribuem o triunfo da Rejei\u00e7\u00e3o \u00e0s campanhas milion\u00e1rias da direita, sem nenhuma cr\u00edtica ao governo ou \u00e0 Conven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse \u00faltimo sentido, tamb\u00e9m apontaram os antigos constituintes dos Movimentos Sociais, como Alondra Carrillo. Embora reconhe\u00e7am que a vit\u00f3ria da Rejei\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas uma derrota eleitoral do movimento de massas, n\u00e3o criticam a responsabilidade do governo, nem avaliam o papel que desempenharam na desmobiliza\u00e7\u00e3o da juventude e dos trabalhadores enquanto a direita avan\u00e7ava .<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O processo iniciado em 18 de outubro est\u00e1 encerrado?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Do nosso ponto de vista, a vit\u00f3ria da Rejei\u00e7\u00e3o \u00e9 um golpe no movimento de massas que tomou as ruas desde 18 de outubro e nos coloca em situa\u00e7\u00e3o defensiva. O governo de Gabriel Boric se voltar\u00e1 ainda mais para a direita e far\u00e1 grandes concess\u00f5es ao grande empresariado. Suas m\u00ednimas reformas \u201cprogressistas\u201d n\u00e3o avan\u00e7ar\u00e3o e ele fortalecer\u00e1 sua agenda repressiva contra os mapuche, a juventude e os trabalhadores. \u00c9 muito prov\u00e1vel que o governo se desgaste ainda mais, o que levar\u00e1 ao crescimento da extrema direita, que est\u00e1 conseguindo capitalizar o descontentamento popular.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e social do pa\u00eds ir\u00e1 manter-se e, portanto, o descontentamento de amplos sectores da popula\u00e7\u00e3o continuar\u00e1. \u00c9 bem poss\u00edvel que continuem as lutas dos trabalhadores e da juventude, que podem ser reprimidas de forma mais dura. \u00c9 pouco prov\u00e1vel que vejamos uma nova &#8220;explos\u00e3o social&#8221; no curto prazo, j\u00e1 que o movimento de massas hoje est\u00e1 mais dividido e os setores mais combativos podem sofrer uma ressaca importante ap\u00f3s o resultado do plebiscito.<\/p>\n\n\n\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es da \u00faltima quinta-feira pela Aprova\u00e7\u00e3o confirmam que o movimento de massas ainda est\u00e1 vivo e h\u00e1 uma enorme energia social para mudan\u00e7as profundas. O maior perigo para os milh\u00f5es que foram \u00e0s ruas \u00e9 que um setor da juventude popular e a vanguarda da classe trabalhadora nos sindicatos se desmoralizem e joguem a toalha. Isso deixaria o caminho aberto para o grande capital disputar a consci\u00eancia dos trabalhadores com as ideias mais reacion\u00e1rias. Se isso acontecer, poderemos estar vendo o fechamento do processo revolucion\u00e1rio que come\u00e7ou em 18 de outubro. Outro perigo importante ser\u00e1 a repress\u00e3o contra aqueles que n\u00e3o fazem parte dos &#8220;pactos de unidade nacional&#8221; que o governo far\u00e1 com o grande capital. A situa\u00e7\u00e3o de persegui\u00e7\u00e3o de H\u00e9ctor Llaitul e a manuten\u00e7\u00e3o de presos pol\u00edticos \u00e9 um exemplo disso.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, nossa principal tarefa hoje \u00e9 interpretar corretamente os resultados das elei\u00e7\u00f5es e identificar nossos inimigos. Tanto a grande burguesia que liderou a Rejei\u00e7\u00e3o quanto o governo de Gabriel Boric s\u00e3o <strong>inimigos do movimento popular e dos trabalhadores<\/strong> e n\u00e3o podemos esperar nada de ambos os setores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais s\u00e3o as tarefas dos trabalhadores e da juventude?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, devemos reorganizar nossas for\u00e7as e nossa luta. Os setores do movimento popular, a vanguarda dos trabalhadores nos sindicatos e locais de trabalho, os jovens que continuam lutando nas escolas, os grupos ambientalistas, os povos origin\u00e1rios, o movimento de mulheres etc., devem estabelecer uma rota comum de luta e nos organizarmos independentemente do governo e de seus chamados para reformar a velha Constitui\u00e7\u00e3o de 1980. As organiza\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora, da juventude e dos diferentes movimentos devem unificar suas lutas sob um programa comum. <strong>Mais do que nunca est\u00e1 colocada a tarefa de organizar um grande encontro nacional dos setores populares, trabalhadores e povos origin\u00e1rios para discutir os pr\u00f3ximos passos de nossa luta.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com a vit\u00f3ria da Rejei\u00e7\u00e3o, o Estado chileno permanece intacto, seus partidos e institui\u00e7\u00f5es completamente podres. Isso tamb\u00e9m teria acontecido com a vit\u00f3ria da Aprova\u00e7\u00e3o, embora possivelmente tiv\u00e9ssemos melhores condi\u00e7\u00f5es para lutar por mudan\u00e7as imediatas. O encerramento do Processo Constituinte demonstra o fracasso dessa estrat\u00e9gia para conquistar mudan\u00e7a social. O governo de Gabriel Boric e os partidos que dirigiram a Conven\u00e7\u00e3o Constitucional demonstraram que sua estrat\u00e9gia de concilia\u00e7\u00e3o s\u00f3 leva \u00e0 derrota e desmoraliza\u00e7\u00e3o do ativismo e do crescimento de direita.<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista da classe trabalhadora e do povo, devemos voltar \u00e0s bases, fortalecer as organiza\u00e7\u00f5es populares, da juventude, dos bairros, recuperar os sindicatos para as m\u00e3os dos trabalhadores e assim lutar por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Devemos manter firmes todas as bandeiras que levantamos nos \u00faltimos anos, como a luta pela educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e gratuita, o fim da subcontrata\u00e7\u00e3o e do C\u00f3digo do Trabalho de Pinochet, a luta pelo fim das AFPs. Essas bandeiras democr\u00e1ticas devem ser acompanhadas de uma discuss\u00e3o profunda sobre qual <strong>projeto de pa\u00eds<\/strong> precisamos para que a classe trabalhadora, que produz tudo o que existe, viva com dignidade. Em nossa opini\u00e3o, este projeto consiste em libertar o Chile do dom\u00ednio do imperialismo (empresas transnacionais e bancos estrangeiros) e das fam\u00edlias mais ricas do pa\u00eds. S\u00e3o eles que est\u00e3o sugando toda a riqueza que poderia resolver todos os problemas sociais e ecol\u00f3gicos. Acreditamos que a luta pela nacionaliza\u00e7\u00e3o da minera\u00e7\u00e3o de cobre e l\u00edtio em grande escala, sob o controle dos trabalhadores e das comunidades, \u00e9 uma bandeira estrat\u00e9gica que devemos levar a cada local de trabalho, estudo e moradia para que seja firmemente incorporada pela popula\u00e7\u00e3o trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s, do MIT, tamb\u00e9m propomos \u00e0 vanguarda da classe trabalhadora e \u00e0 juventude a necessidade de construirmos um novo partido, um partido revolucion\u00e1rio que leve esse programa de soberania nacional, por um governo verdadeiramente da classe trabalhadora e dos povos, para a constru\u00e7\u00e3o do socialismo no Chile e no mundo. Hoje temos provas de que nem os partidos de direita nem os de \u201cesquerda\u201d como a Frente Ampla ou o PC defendem um projeto da classe trabalhadora e dos povos origin\u00e1rios. Convidamos todos e todas lutadores\/as a vir construir o MIT e debater um caminho revolucion\u00e1rio para superar a pobreza e a desigualdade em nosso pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com mais de 13 milh\u00f5es de eleitores, a op\u00e7\u00e3o Rejei\u00e7\u00e3o foi a maioria no Plebiscito da Nova Constitui\u00e7\u00e3o. Os votos de Rejei\u00e7\u00e3o totalizaram mais de 7,8 milh\u00f5es (61,86%) e a Aprova\u00e7\u00e3o atingiu 4,8 milh\u00f5es (38,1%). Os votos inv\u00e1lidos foram pouco mais de 200.000. Por: MIT-Chile A Rejei\u00e7\u00e3o venceu em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds. Na [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":74646,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[145,1764],"tags":[3592,147,8317,8334],"class_list":["post-74643","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chile","category-maria-rivera","tag-constituinte-chile","tag-maria-rivera","tag-mit-chile-2","tag-rejeicao-chile"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Chile-5.jpg","categories_names":["Chile","Maria Rivera"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74643","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=74643"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74643\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":74648,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74643\/revisions\/74648"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/74646"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=74643"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=74643"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=74643"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}