{"id":71154,"date":"2020-03-12T14:08:57","date_gmt":"2020-03-12T16:08:57","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=31998"},"modified":"2020-03-12T14:08:57","modified_gmt":"2020-03-12T16:08:57","slug":"a-luta-das-mulheres-e-parte-da-luta-pela-revolucao-socialista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/03\/12\/a-luta-das-mulheres-e-parte-da-luta-pela-revolucao-socialista\/","title":{"rendered":"A luta das mulheres \u00e9 parte da luta pela Revolu\u00e7\u00e3o Socialista"},"content":{"rendered":"<p><em>As organiza\u00e7\u00f5es feministas que v\u00e3o participar deste 8M, defendem que esta \u00e9 uma luta contra o patriarcado ou contra o capitalismo patriarcal. H\u00e1 uma experi\u00eancia de que a partir das institui\u00e7\u00f5es o machismo n\u00e3o est\u00e1 acabando e que estas s\u00e3o de fato, parte do problema. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 um repudio \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es politicas, inclusive as da esquerda, j\u00e1 que todas elas t\u00eam, de acordo com o que dizem, uma \u201cestrutura patriarcal\u201d de rela\u00e7\u00f5es hier\u00e1rquicas\u201d.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Laura R.<br \/>\nEsta vis\u00e3o em parte tem apoio na realidade j\u00e1 que sabemos que, por desgra\u00e7a, a influ\u00eancia do estalinismo, que atinge toda a esquerda, trouxe junto o desprezo aos direitos democr\u00e1ticos das mulheres e o machismo generalizado dentro das organiza\u00e7\u00f5es, o que tamb\u00e9m atingiu muitas das organiza\u00e7\u00f5es trotskistas, pagando um alto pe\u00e7o por isso.<br \/>\nComo consequ\u00eancia, muitas teorias feministas que se desenvolveram nos anos 60 e 70, se inclinaram injustamente a identificar o marxismo e o socialismo ou o comunismo em geral, com o estalinismo, repudiando a todos de maneira igual. Ao n\u00e3o ter uma perspectiva de classe, muitas dessas organiza\u00e7\u00f5es feministas ou suas dirigentes, acabaram sendo cooptadas pelo imperialismo, e com isso foram limitando a luta das mulheres a uma rebeli\u00e3o para conquistar a igualdade dentro dos marcos da democracia burguesa, cada vez mais imposs\u00edvel na medida em que o capitalismo em crise, para concretizar seus planos, necessita aumentar todas as formas de opress\u00e3o.<br \/>\nTamb\u00e9m est\u00e1 muito presente a influ\u00eancia do p\u00f3s-modernismo como ideologia, que influencia direta ou indiretamente boa parte da esquerda. O p\u00f3s-modernismo nega a luta de classes e a necessidade da organiza\u00e7\u00e3o, defendendo o conjuntural e o espont\u00e2neo.<br \/>\nO patriarcado \u00e9 um conceito que pode ter diferentes defini\u00e7\u00f5es. \u00c9 um termo que se usa de forma comum ou coloquial como sin\u00f4nimo de machista ou sexista, para indicar que a opress\u00e3o das mulheres se d\u00e1 em todas as esferas da vida p\u00fablica e privada e de forma cotidiana. Nesse sentido, todas as organiza\u00e7\u00f5es falam de Patriarcado ou de que vivemos em uma sociedade patriarcal. N\u00f3s temos acordo com esta defini\u00e7\u00e3o de uso comum.<br \/>\nMas, al\u00e9m desse significado descritivo de uma realidade \u00f3bvia, que n\u00e3o h\u00e1 como ser negada, esta defini\u00e7\u00e3o cont\u00e9m um componente te\u00f3rico: <strong>O patriarcado \u2013 para muitas teorias feministas- \u00e9 a sociedade onde as rela\u00e7\u00f5es de poder est\u00e3o colocadas a servi\u00e7o dos homens ou do sexo masculino de conjunto, onde todos os homens, dominam, oprimem e\/ou exploram as mulheres e esta divis\u00e3o hierarquizada entre homens e mulheres e n\u00e3o as classes sociais seria, de acordo com estas teorias, a divis\u00e3o principal que estrutura a sociedade. <\/strong><br \/>\nPartindo disso, falam de patriarcado como ideologia, como estrutura social ou inclusive como modo de produ\u00e7\u00e3o. Deste modo, para a maior parte do movimento feminista, a luta contra a viol\u00eancia e a desigualdade das mulheres, passa pela destrui\u00e7\u00e3o do patriarcado.<br \/>\n\u00c9 claro que as organiza\u00e7\u00f5es feministas que se consideram marxistas ou socialistas denunciam as abordagens reformistas de que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel chegar a igualdade sem combater o capitalismo e em sua explica\u00e7\u00e3o da opress\u00e3o das mulheres, combinam as rela\u00e7\u00f5es de classe do capitalismo com as rela\u00e7\u00f5es patriarcais. Mas mesmo quando tem acordo com a necessidade de acabar com o capitalismo, n\u00e3o sustentam a centralidade da classe oper\u00e1ria como sujeito social da revolu\u00e7\u00e3o nem a estrat\u00e9gia da unidade da classe oper\u00e1ria combatendo todas as opress\u00f5es, mas sim a unidade das mulheres na luta contra sua opress\u00e3o. Seu objetivo \u00e9 unificar e coordenar todas as lutas (a do movimento feminista, a do movimento oper\u00e1rio, o movimento ecologista, o movimento estudantil, etc.), situando no mesmo plano de hierarquia, por assim dizer, todas elas.<br \/>\nComo as rela\u00e7\u00f5es patriarcais s\u00e3o anteriores ao capitalismo, para todo o feminismo, nos encontramos com duas lutas que s\u00e3o paralelas, mas <em>diferentes.<\/em><br \/>\n<strong>Nossa posi\u00e7\u00e3o sobre as opress\u00f5es<\/strong><br \/>\nN\u00f3s, como organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, retomamos a tradi\u00e7\u00e3o marxista leninista em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 opress\u00e3o que \u00e9 oposta pelo v\u00e9rtice ao estalinismo, mas tamb\u00e9m a todas essas posi\u00e7\u00f5es que acabam sendo reformistas. Defendemos que n\u00e3o ter\u00e1 emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres sem fazer revolu\u00e7\u00e3o socialista, mas tamb\u00e9m que esta n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel sem a participa\u00e7\u00e3o das mulheres trabalhadoras em igualdade de condi\u00e7\u00f5es.<br \/>\nDefendemos a unidade e a centralidade da classe trabalhadora nessa revolu\u00e7\u00e3o socialista, porque \u00e9 a \u00fanica classe social capaz de levar a cabo uma revolu\u00e7\u00e3o desse tipo, que v\u00e1 at\u00e9 o fim em expropriar a burguesia e acabar com as classes sociais e toda forma de opress\u00e3o. Isso significa que <strong>defendemos que a luta contra o machismo \u00e9 necess\u00e1ria antes, durante e depois dessa revolu\u00e7\u00e3o.<\/strong><br \/>\nN\u00f3s, socialistas, n\u00e3o acreditamos que existam v\u00e1rios sistemas paralelos contra os que temos que lutar. Para os marxistas h\u00e1 um \u00fanico sistema: o capitalismo, que se constituiu em um sistema de saqueio e rapina imperialista h\u00e1 mais de 100 anos e que hoje, diante da crise econ\u00f4mica mundial, tenta recolonizar pa\u00edses e continentes. Um capitalismo que efetivamente \u00e9 machista ou patriarcal, \u00e9 imperialista, \u00e9 racista e um mont\u00e3o de outras coisas mais.<br \/>\nA opress\u00e3o da mulher e as demais opress\u00f5es s\u00e3o anteriores ao capitalismo, mas o capitalismo potencializou mais que nenhum outro na hist\u00f3ria o uso de todas as opress\u00f5es, inclusive tem criado novas formas de opress\u00e3o, a servi\u00e7o do fim que o move: a explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora para obter lucros. Ou seja, as opress\u00f5es est\u00e3o subordinadas \u00e0 explora\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o pilar do sistema capitalista. Diferenciamos opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o como categorias distintas porque ambas tem uma exist\u00eancia social pr\u00f3pria e semiaut\u00f4noma.<br \/>\nMas para n\u00f3s, as rela\u00e7\u00f5es dominantes, as que estruturam a sociedade s\u00e3o as classes sociais e s\u00e3o as que decidem em ultima inst\u00e2ncia que opress\u00f5es s\u00e3o necess\u00e1rias e quais n\u00e3o, e que, al\u00e9m disso, podem ir mudando dependendo das necessidades da classe dominante em um determinado modo de produ\u00e7\u00e3o.\u00a0 A luta contra a opress\u00e3o das mulheres e contra todas as opress\u00f5es \u00e9 parte, e se subordina, \u00e0 luta de classes e \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o socialista.<br \/>\n<strong>Unidade de todas as mulheres ou da classe trabalhadora?<\/strong><br \/>\n\u00c9 poss\u00edvel que um movimento de todas as mulheres, das ricas que nos exploram com as oper\u00e1rias exploradas, conquistem a liberta\u00e7\u00e3o das pobres, da metade da humanidade trabalhadora?<br \/>\nN\u00f3s de Corriente Roja e da LIT-QI questionamos isso. Diante da \u201csororidade\u201d ou \u201cirmandade das mulheres\u201d do movimento feminista, defendemos a \u201cirmandade de classe\u201d: organizar as mulheres trabalhadoras como vanguarda de uma luta de conjunto, contra a opress\u00e3o destas, com um programa independente da burguesia.<br \/>\nE o melhor exemplo disso \u00e9 encontrado na hist\u00f3ria. Clara Zektin, percursora do movimento socialista de mulheres, membro do Partido Socialdemocrata alem\u00e3o e uma das fundadoras da Segunda Internacional, lutou toda sua vida por organizar as mulheres trabalhadoras, quando na Alemanha e em outros lugares, as mulheres eram proibidas inclusive de participar da politica.<br \/>\nEla e outras socialistas deram uma batalha muito forte para que seus partidos lutassem pelo sufr\u00e1gio feminino e pelas demandas que uniam todas as mulheres na luta. E para isso se apoiaram na melhor tradi\u00e7\u00e3o te\u00f3rica do socialismo, nas obras de Bebel ou Marx e Engels que afirmavam que n\u00e3o h\u00e1 possibilidade alguma de conquistar a emancipa\u00e7\u00e3o da humanidade, se n\u00e3o lutamos ao mesmo tempo, pela emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres.<br \/>\nN\u00f3s chamamos todas as mulheres trabalhadoras, desempregadas ou precarizadas, estudantes e aposentadas a construir junto conosco a Corriente Roja e a LIT-QI, um partido e uma Internacional que est\u00e3o ao lado da mulher trabalhadora, que faz parte de suas lutas. E se nos chamamos com orgulho, revolucion\u00e1rias, \u00e9 porque sabemos que a luta por nossos direitos n\u00e3o termina no 8 de mar\u00e7o, mas sim que temos uma tarefa cotidiano enorme pela frente, a tarefa de todos os dias para construir em cada luta, em cada batalha, o caminho para uma revolu\u00e7\u00e3o socialista como a que foi encabe\u00e7ada pelas mulheres num 8 de mar\u00e7o de 1917 na R\u00fassia, para libertar o conjunto da classe oper\u00e1ria da explora\u00e7\u00e3o e a mulher a opress\u00e3o.<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Am\u00e9rica Riveros<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As organiza\u00e7\u00f5es feministas que v\u00e3o participar deste 8M, defendem que esta \u00e9 uma luta contra o patriarcado ou contra o capitalismo patriarcal. H\u00e1 uma experi\u00eancia de que a partir das institui\u00e7\u00f5es o machismo n\u00e3o est\u00e1 acabando e que estas s\u00e3o de fato, parte do problema. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 um repudio \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es politicas, inclusive as [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":31999,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[4855,729,3512,3493],"tags":[394,5092,4777,5093,3811,2013,192],"class_list":["post-71154","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-8m-2020","category-8m-2021","category-estado-espanhol","category-mulheres","tag-8m-2020","tag-8m2021","tag-laura-r","tag-luta-de-classes","tag-opressao-a-mulher","tag-patriarcado","tag-socialismo"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/imagen.jpg","categories_names":["8M 2020","8M 2021","Estado Espanhol","Mulheres"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71154","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71154"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71154\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31999"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71154"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71154"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71154"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}