{"id":71125,"date":"2020-02-21T09:33:39","date_gmt":"2020-02-21T11:33:39","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=31561"},"modified":"2020-02-21T09:33:39","modified_gmt":"2020-02-21T11:33:39","slug":"o-movimento-de-massas-contra-as-mudancas-climaticas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/02\/21\/o-movimento-de-massas-contra-as-mudancas-climaticas-2\/","title":{"rendered":"O movimento de massas contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<p><em>O movimento internacional contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, que est\u00e1 se expandindo em todo o mundo, come\u00e7a a criar ra\u00edzes tamb\u00e9m na It\u00e1lia (qu\u00e3o efetivo, ainda est\u00e1 para ser visto). \u00a0<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Matteo Bavassano\u00a0(publicado em Correio Internacional \u2013 Novembro de 2019)<br \/>\nO fato n\u00e3o \u00e9 absolutamente surpreendente em si mesmo: embora o \u00faltimo grande movimento internacional de massas que cruzou a Europa, o Norte da \u00c1frica e o Oriente M\u00e9dio e, em menor escala, tamb\u00e9m os Estados Unidos, ou seja, o dos anos das &#8220;Primaveras \u00c1rabes&#8221;, que refletiu na Europa atrav\u00e9s dos movimentos dos Indignados e, nos EUA com o <em>OccupyWallStreet<\/em>, na It\u00e1lia, por raz\u00f5es contingentes e puramente nacionais, n\u00e3o houve desenvolvimentos significativos; era, assim, certamente previs\u00edvel que seria diferente com o movimento contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<br \/>\nO que, talvez, era dif\u00edcil de prever \u00e9 a amplitude que, pelo menos nas tr\u00eas greves clim\u00e1ticas globais, organizadas pelas <em>Fridays for future <\/em>(<em>S<\/em>extas-feiras para o futuro), este movimento assumiu na It\u00e1lia, sendo considerado o pa\u00eds europeu com maior mobiliza\u00e7\u00e3o; mas tamb\u00e9m nesse sentido havia fatores que poderiam indicar um desenvolvimento desse tipo: tentaremos enumerar alguns deles (sem esperar esgot\u00e1-los todos) e analis\u00e1-los.<br \/>\n<strong>A import\u00e2ncia de uma an\u00e1lise n\u00e3o superficial<\/strong><br \/>\nAnalisar as causas e a extens\u00e3o de um movimento que n\u00e3o \u00e9 imediatamente classista, como aquele contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica que agora alcan\u00e7ou uma dimens\u00e3o de massa em diferentes pa\u00edses, \u00e9 uma tarefa complexa e, para realiz\u00e1-la adequadamente, devemos evitar uma s\u00e9rie de simplifica\u00e7\u00f5es que, infelizmente, s\u00e3o frequentemente moeda comum na esquerda que se apresenta como &#8220;classista&#8221;. Estas simplifica\u00e7\u00f5es podem ser essencialmente divididas em dois grupos de signos opostos: sect\u00e1rias e oportunistas \/ comodistas (<em>codiste\/codisti\/codism*)<\/em>.<br \/>\nAs simplifica\u00e7\u00f5es sect\u00e1rias partem da &#8220;absolutiza\u00e7\u00e3o&#8221; do car\u00e1ter interclassista do movimento contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, tal como se apresenta agora, e incluem uma s\u00e9rie de posi\u00e7\u00f5es que v\u00e3o da teoria da conspira\u00e7\u00e3o, segundo a qual o movimento se desenvolveu com base em interesses conflitantes de setores da burguesia mundial, em um confronto interimperialista entre o Trump &#8220;poluidor&#8221; e o &#8220;capitalismo verde&#8221; chin\u00eas e, portanto, os manifestantes s\u00e3o esp\u00e9cies de marionetes que se movem de acordo com esse embate interburgu\u00eas, at\u00e9 posi\u00e7\u00f5es aparentemente classistas que n\u00e3o negam abertamente o problema das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, mas argumentam que s\u00e3o secund\u00e1rias em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 principal contradi\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a do capital e trabalho.<br \/>\nEstas &#8220;posi\u00e7\u00f5es&#8221; subestimam a import\u00e2ncia da interven\u00e7\u00e3o no movimento, rejeitando a batalha por demandas concretas contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, deixando, na pr\u00e1tica, o campo livre para a hegemonia das posi\u00e7\u00f5es burguesas e reformistas no movimento e, no campo te\u00f3rico, negando o fato de que a contradi\u00e7\u00e3o capitalismo-natureza seja insepar\u00e1vel daquela capital-trabalho, e que a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 subordinada a ela, numa vis\u00e3o do tipo \u00abo socialismo resolver\u00e1 tudo &#8220;, mas \u00e9 paralela, pois a luta contra a destrui\u00e7\u00e3o da natureza deve se tornar parte da luta pelo socialismo.<br \/>\nMas isso s\u00f3 pode acontecer se as vanguardas pol\u00edticas da classe oper\u00e1ria conseguirem interagir vantajosamente com o movimento contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas: quer propondo medidas organizativas e reivindica\u00e7\u00f5es ao conjunto do movimento, para ganhar a confian\u00e7a dos ativistas, mostrando que o interesse dos revolucion\u00e1rios \u00e9 de que o movimento como tal se desenvolva e cres\u00e7a, quer fazendo propaganda do socialismo entre a vanguarda do pr\u00f3prio movimento, isto \u00e9, explicando por que a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode consistir apenas na luta contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, mas deve necessariamente expandir-se em uma luta contra o sistema econ\u00f4mico capitalista, para substitu\u00ed-lo por uma sociedade socialista.<br \/>\n<strong>A dial\u00e9tica de desenvolvimento do movimento contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong><br \/>\nPara al\u00e9m do que pensam os defensores das teorias de conspira\u00e7\u00e3o mencionadas, a verdadeira raz\u00e3o pela qual os ativistas est\u00e3o se mobilizando \u00e9 o fato que o capitalismo est\u00e1 destruindo o planeta: se n\u00e3o partimos deste fato concreto, \u00e9 imposs\u00edvel entender corretamente a an\u00e1lise do desenvolvimento do movimento e, portanto, \u00e9 imposs\u00edvel entender como intervir.<br \/>\nA ci\u00eancia burguesa fala sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas h\u00e1 anos, mas mesmo antes disso, seguindo as ideias de Marx e Engels, os marxistas j\u00e1 haviam come\u00e7ado a falar sobre o tema, estendendo o campo n\u00e3o apenas ao aquecimento global, mas a todos os danos ambientais causados \u200b\u200bpelo capitalismo, que a grande imprensa burguesa tem o cuidado de n\u00e3o citar se n\u00e3o for for\u00e7ada e, acima de tudo, nunca est\u00e3o ligadas ao sistema econ\u00f4mico como tal, mas apenas \u00e0 sua m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAlgu\u00e9m pode perguntar por que o movimento expandiu-se justamente agora. \u00c9 evidente que a imprensa burguesa, a pedido obviamente da grande burguesia, decidiu dar maior import\u00e2ncia ao problema clim\u00e1tico em sua agenda, que antes era relegado ao pano de fundo do debate pol\u00edtico, explorando a imagem midi\u00e1tica de uma jovem ativista de dezesseis anos, a sueca Greta Thunberg, para criar um amplo movimento de opini\u00e3o, <em>Fridays for future<\/em>. Especialmente na Europa, isso correspondia a necessidades pol\u00edticas espec\u00edficas, ou seja, diante do fracasso dos partidos tradicionais do <em>establishment<\/em> europeu, em particular dos partidos socialdemocratas e dos partidos neorreformistas mais recentes (que nos anos da \u00faltima crise foram a sustenta\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses cujo regime estava em maior dificuldade, Gr\u00e9cia, Espanha e Portugal), para conter o crescimento dos partidos de direita institucional (Lega, Front national, Ukip etc.) e repropor governos que tivessem o apoio das massas populares, possivelmente tamb\u00e9m atrav\u00e9s do crescimento de partidos verdes, como de fato aconteceu nas elei\u00e7\u00f5es europeias de maio passado.<br \/>\nPara os marxistas, no entanto, essas n\u00e3o s\u00e3o raz\u00f5es para se afastar do movimento, uma vez que representam o quadro objetivo das contradi\u00e7\u00f5es que indicam como intervir no movimento: a burguesia tenta explorar um problema real para criar um apoio de massas \u00e0 for\u00e7as reformistas (como s\u00e3o os partidos verdes), mas para isso deve realmente mobilizar as massas populares contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<br \/>\nEsta mobiliza\u00e7\u00e3o, no entanto, n\u00e3o \u00e9 controlada pela burguesia e, de fato, n\u00e3o parou ap\u00f3s a segunda greve clim\u00e1tica, realizada algumas semanas antes das elei\u00e7\u00f5es europeias: evidentemente, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel acabar de um dia para outro uma mobiliza\u00e7\u00e3o dessa magnitude, mas \u00e9 necess\u00e1rio lev\u00e1-la ao beco sem sa\u00edda da press\u00e3o sobre os governos para que tomem medidas contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Quanto mais essa perspectiva parecer cr\u00edvel, mais ilus\u00f5es ter\u00e3o os ativistas de que \u00e9 poss\u00edvel encontrar uma solu\u00e7\u00e3o sem lutar contra o sistema capitalista: \u00e9 por isso que as Na\u00e7\u00f5es Unidas acolhem Greta Thunberg e a deixam falar diante da Assembleia Geral e das massas de todo o mundo, para que pare\u00e7a cr\u00edvel que os poderosos da Terra est\u00e3o se ocupando do problema. E, no entanto, contraditoriamente, as massas continuaram se mobilizando, como demonstrado pelas manifesta\u00e7\u00f5es oce\u00e2nicas da terceira greve clim\u00e1tica.<br \/>\nPrecisamente essa din\u00e2mica de mobiliza\u00e7\u00e3o de massas, que no momento n\u00e3o mostra sinais de parar, abre possibilidades importantes para os revolucion\u00e1rios. Se as for\u00e7as reformistas prop\u00f5em, conforme sua natureza e sua utilidade para o capital, solu\u00e7\u00f5es para o aquecimento global compat\u00edveis com o sistema econ\u00f4mico atual, todavia a contradi\u00e7\u00e3o entre capitalismo e natureza \u00e9 incur\u00e1vel, o que permite a interven\u00e7\u00e3o e a propaganda revolucion\u00e1rias no movimento, que podem explorar todas essas contradi\u00e7\u00f5es para tentar oferecer um direcionamento classista a um movimento que nasce interclassista: somente o programa socialista pode de fato resolver o problema ambiental em sua raiz. A principal dificuldade dos revolucion\u00e1rios em intervir no movimento hoje se deve \u00e0 sua fraqueza em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 amplitude do pr\u00f3prio movimento.<br \/>\n<strong>A situa\u00e7\u00e3o do movimento na It\u00e1lia<\/strong><br \/>\nNo quadro internacional descrito, \u00e9 necess\u00e1rio acrescentar as particularidades nacionais que fizeram com que, pelo menos at\u00e9 o momento em que estamos escrevendo, o movimento italiano contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas se tornasse o mais amplo entre os europeus.<br \/>\nDado que, no momento, a mobiliza\u00e7\u00e3o envolve principalmente os estudantes, \u00e9 importante destacar que n\u00e3o houve grandes manifesta\u00e7\u00f5es estudantis desde aquela da primavera de 2015 contra a &#8220;Boa escola&#8221; de Renzi: isso significa que as for\u00e7as estudantis se acumularam de alguma forma, somando-se \u00e0s for\u00e7as daqueles que j\u00e1 se haviam mobilizado, antes \u00e0s for\u00e7as das novas gera\u00e7\u00f5es de estudantes (que est\u00e3o massivamente presentes nas manifesta\u00e7\u00f5es), foram assim capazes de criar grandes manifesta\u00e7\u00f5es que tamb\u00e9m abrem vastas possibilidades de radicaliza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEm segundo lugar, \u00e9 bom levar em conta a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mais geral: o movimento contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas come\u00e7ou a se desenvolver em massa em 2018 e, pelo menos desde setembro de 2017, a imprensa burguesa de &#8220;esquerda&#8221; tinha iniciado uma ampla campanha na m\u00eddia contra o governo, especialmente na pessoa do ent\u00e3o ministro do Interior, Matteo Salvini e suas medidas xen\u00f3fobas e repressivas, uma campanha que havia propiciado toda uma s\u00e9rie de iniciativas, tamb\u00e9m organizadas pelo Pd e pelas oposi\u00e7\u00f5es parlamentares de \u201cesquerda&#8221; que, por\u00e9m, haviam mobilizado dezenas de milhares de pessoas em todo o pa\u00eds.<br \/>\nNesse clima, as duas primeiras greves clim\u00e1ticas tiveram uma participa\u00e7\u00e3o importante da massa, mas a terceira greve, realizada em 27 de setembro passado, representou um salto qualitativo, fazendo com que mais de um milh\u00e3o de pessoas sa\u00edssem \u00e0s ruas criando, assim, manifesta\u00e7\u00f5es t\u00e3o participativas como n\u00e3o se viam h\u00e1 quase vinte anos (pessoalmente, assistimos a um desfile de cerca 150 mil pessoas em Mil\u00e3o).<br \/>\nA magnitude deste terceiro dia de mobiliza\u00e7\u00e3o surpreendeu at\u00e9 aqueles que haviam apostado no crescimento do movimento: de fato, ainda que minorit\u00e1rias por enquanto, em compara\u00e7\u00e3o ao movimento como um todo, come\u00e7aram a se espalhar palavras de ordem anticapitalistas, opondo-se, assim, \u00e0queles que queriam tornar o movimento apol\u00edtico mascarando-se por tr\u00e1s do apartidarismo das manifesta\u00e7\u00f5es, na verdade tentando impedir que os partidos oper\u00e1rios participassem das manifesta\u00e7\u00f5es com seus s\u00edmbolos.<br \/>\nEssa natureza apartid\u00e1ria &#8220;seletiva&#8221; certamente n\u00e3o afetou os administradores do Partido Democrata (como o prefeito de Mil\u00e3o, Sala) que tranquilamente se protegeram atr\u00e1s do seu papel &#8220;institucional&#8221;, para fazer sua propaganda pol\u00edtica. \u00c9 claro que \u00e9 o preconceito contra os partidos oper\u00e1rios que deve ser combatido pela participa\u00e7\u00e3o pessoal no movimento, e embora as bandeiras vermelhas ainda sejam um tabu em praticamente todas as manifesta\u00e7\u00f5es, embora alguns ainda n\u00e3o estejam convencidos de que os partidos revolucion\u00e1rios possam fazer propaganda de suas posi\u00e7\u00f5es durante as manifesta\u00e7\u00f5es, apesar de tudo isso centenas de jovens e muito novos liam avidamente todos os folhetos que expressavam posi\u00e7\u00f5es anticapitalistas distribu\u00eddos nos v\u00e1rios eventos.<br \/>\nEsta evidente predisposi\u00e7\u00e3o dos jovens manifestantes \u00e0 radicaliza\u00e7\u00e3o, juntamente com a amplitude do movimento, colocou as for\u00e7as reformistas diante da necessidade imperiosa de control\u00e1-lo mais ainda e travar o seu desenvolvimento.<br \/>\n<strong>As dire\u00e7\u00f5es atuais do movimento e suas necessidades<\/strong><br \/>\nO movimento, por sua pr\u00f3pria natureza, n\u00e3o \u00e9 homog\u00eaneo, n\u00e3o possui uma estrutura precisa e tem diferentes composi\u00e7\u00f5es e orienta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas em diferentes cidades: isso, se por um lado impede o desenvolvimento e a radicaliza\u00e7\u00e3o do movimento em n\u00edvel nacional, por outro aumenta a dificuldade em controlar o movimento pelas for\u00e7as pol\u00edticas burguesas e reformistas, porque permite que, no n\u00edvel local, especialmente nas grandes cidades, o movimento continue sendo controlado pelos Centros Sociais.<br \/>\nEstes \u00faltimos, por tr\u00e1s de uma fraseologia anticapitalista de fachada, na realidade condenam o movimento n\u00e3o apenas ao localismo, mantendo separadas as lutas das v\u00e1rias cidades tamb\u00e9m nesse campo, mas condenam tamb\u00e9m \u00e0 subordina\u00e7\u00e3o ao Partido Democrata, n\u00e3o sendo capazes de fazer oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica concreta no movimento, devido aos v\u00ednculos que mant\u00eam com as administra\u00e7\u00f5es municipais (visando a manuten\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os ocupados).<br \/>\nAs for\u00e7as burguesas e reformistas apontam para uma estrutura nacional verticalmente estruturada, imposta burocraticamente, que possa controlar o movimento expurgando-o de tudo o que ha de revolucion\u00e1rio em seu interior, resumindo. A assembleia nacional realizada em N\u00e1poles, de 4 a 5 de outubro, quase &#8220;surpreendentemente&#8221; uma semana ap\u00f3s as mobiliza\u00e7\u00f5es, sem que os ativistas soubessem de nada at\u00e9 alguns dias antes, representou um momento de confronto entre essas duas frentes rivais que disputam a dire\u00e7\u00e3o do movimento e acabou em um impasse organizativo substancial, apesar de pequenos passos adiante no n\u00edvel pol\u00edtico geral, pelo menos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s premissas muito confusas do movimento.<br \/>\nPara alcan\u00e7ar alguns resultados, o movimento n\u00e3o pode ficar preso nas v\u00e1rias regi\u00f5es, temos anos de exemplos de lutas estudantis levadas ao fracasso pelos v\u00e1rios Centros Sociais que as dirigiram. E aqui voltamos ao problema do comodismo, apenas sugerido anteriormente, que atinge v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es autodenominadas &#8220;classistas&#8221; e que, por oportunismo, n\u00e3o se op\u00f5em \u00e0s modalidades organizativos dos Centros Sociais, contentando-se em poder &#8220;dar a sua opini\u00e3o&#8221; em assembleias que n\u00e3o contam pra nada e s\u00e3o controladas pelos pr\u00f3prios CSs. Pensando em seu interesse organizacional, o contrap\u00f5em ao interesse geral do movimento, condenando-o \u00e0 impot\u00eancia.<br \/>\nA organiza\u00e7\u00e3o, j\u00e1 necess\u00e1ria hoje para o movimento, \u00e9 de natureza nacional, mas n\u00e3o deve permitir o controle burocr\u00e1tico dos reformistas: para n\u00f3s, essa organiza\u00e7\u00e3o deve basear-se na organiza\u00e7\u00e3o do movimento <em>Fridays for future<\/em> (que, no que diz respeito \u00e0 It\u00e1lia \u00e9 no momento a estrutura predominante), com assembleias peri\u00f3dicas locais, que elejam democraticamente seus representantes junto a uma coordena\u00e7\u00e3o nacional que queira direcionar o movimento e transform\u00e1-lo de um movimento de opini\u00e3o, em um movimento de luta atrav\u00e9s da identifica\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de reivindica\u00e7\u00f5es anticapitalistas nacionais, que sejam integradas pelas v\u00e1rias assembleias territoriais por reivindica\u00e7\u00f5es locais a serem realizadas na regi\u00e3o, de modo a criar uma din\u00e2mica que amplie o movimento, o fa\u00e7a \u00a0radicalizar e aumentar sua consci\u00eancia anticapitalista.<br \/>\nPara isso, \u00e9 necess\u00e1rio aproveitar ao m\u00e1ximo as contradi\u00e7\u00f5es abertas por um movimento de massas como Fridays for future, apesar de sua atual confus\u00e3o e heterogeneidade pol\u00edtica. Agir fora dele significa condenar-nos a ser exclu\u00eddos da mobiliza\u00e7\u00e3o. \u00c0 medida que a influ\u00eancia das palavras de ordem dos revolucion\u00e1rios se desenvolver, o movimento perder\u00e1 progressivamente seu car\u00e1ter interclassista, e at\u00e9 os setores pequeno-burgueses que continuarem a se mobilizar se vincular\u00e3o ao programa do socialismo revolucion\u00e1rio.<br \/>\n*<em>codiste\/codisti\/codismo<\/em> \u2013 os termos prov\u00eam de <em>coda<\/em> (fila, fileira), significam grupos que seguem uma corrente por interesses pr\u00f3prios e por acomoda\u00e7\u00e3o, sem possu\u00edrem um espec\u00edfico projeto pol\u00edtico, sendo considerados nocivos e oportunistas.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O movimento internacional contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, que est\u00e1 se expandindo em todo o mundo, come\u00e7a a criar ra\u00edzes tamb\u00e9m na It\u00e1lia (qu\u00e3o efetivo, ainda est\u00e1 para ser visto). \u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":31562,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[4280,3498],"tags":[3497,3764,2997,4328,363],"class_list":["post-71125","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-revista-correio-internacional","category-crise-climatica-e-ambiental","tag-capitalismo-e-crise-climatica","tag-crise-climatica-e-ambiental","tag-fridays-for-future","tag-greta-thunberg","tag-matteo-bavassano"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/estudiantes-marchan-cambio-climatico_EDIIMA20190207_0648_5.jpg","categories_names":["Correio Internacional","Crise clim\u00e1tica e ambiental"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71125","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71125"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71125\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31562"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71125"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71125"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71125"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}