{"id":71089,"date":"2020-01-21T12:04:48","date_gmt":"2020-01-21T14:04:48","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=31201"},"modified":"2020-01-21T12:04:48","modified_gmt":"2020-01-21T14:04:48","slug":"e-contraditorio-bolsonaro-apoiar-israel-e-ter-nomeado-roberto-alvim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/01\/21\/e-contraditorio-bolsonaro-apoiar-israel-e-ter-nomeado-roberto-alvim\/","title":{"rendered":"\u00c9 contradit\u00f3rio Bolsonaro apoiar Israel e ter nomeado Roberto Alvim?\u00a0\u00a0"},"content":{"rendered":"<p><em>A fala imbecil do j\u00e1 ex-Secret\u00e1rio de Cultura, Roberto Alvim, plagiando o ministro da propaganda nazista, recebeu em tempo o rep\u00fadio que merecia. E, l\u00f3gico, diante da refer\u00eancia nazista a rea\u00e7\u00e3o \u00f3bvia de todo mundo foi olhar para a comunidade judaica aguardado a manifesta\u00e7\u00e3o. Inclusive teve gente que j\u00e1 saiu denunciando o Davi Alcolumbre \u2013 judeu e presidente do Senado \u2013 por apoiar o governo e n\u00e3o se manifestar sobre a barbaridade.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Jorge Mendoza<br \/>\nDe fato, a declara\u00e7\u00e3o \u00e9 uma ofensa sem precedentes. A comunidade judaica deve repudiar veementemente. \u00c9 o que se espera de cada judeu honesto.<br \/>\nParece uma contradi\u00e7\u00e3o imensa. A gente at\u00e9 se pergunta: como pode o governo Bolsonaro, que tanto idolatra e puxa-saco de Israel, nomear um Secret\u00e1rio como Alvim?<br \/>\nEnt\u00e3o.<br \/>\nUma arte heroica, imperativa, rom\u00e2ntica e ligada ao destino do nosso povo. Vou aproveitar para dizer que essa concep\u00e7\u00e3o de arte n\u00e3o \u00e9 exclusividade do governo miliciano de Bolsonaro e da Alemanha nazista. A ideia de uma arte instrumentalizada como propaganda de projetos totalit\u00e1rios e nacionais foi compartilhada por muita gente no come\u00e7o do s\u00e9culo XX. Inclusive pelo sionismo \u2013 os ide\u00f3logos da funda\u00e7\u00e3o do Estado de Israel. E com tudo que tinha direito: romantismo, imperatividade, mitos nacionais etc.<br \/>\nIsrael foi fundado em 1947 sob a ideologia da forma\u00e7\u00e3o de um Estado-na\u00e7\u00e3o para um \u00fanico povo, homog\u00eaneo etnicamente, em um lugar que remontasse tanto ao \u201cpassado glorioso\u201d e ao futuro promissor da \u201cterra prometida\u201d. S\u00e3o in\u00fameras as refer\u00eancias na propaganda sionista aos macabeus (ex\u00e9rcito rebelde judeu que lutou pela independ\u00eancia da Judeia em 37 a.C.) ou \u00e0 ideia de que Israel era a Nova Cana\u00e3 b\u00edblica, a terra prometida. Tudo isso, digamos, faz parte dos \u201cmitos nacionais\u201d sionistas.<br \/>\nA defesa que setores evang\u00e9licos conservadores no Brasil hoje fazem do Estado de Israel \u00e9 basicamente apoiado nessa mitologia B\u00edblica. N\u00e3o em uma compreens\u00e3o geopol\u00edtica de fato sobre o papel de Israel no Oriente M\u00e9dio.<br \/>\nA bizarrice do projeto sionista era tanta que em 1933 a Federa\u00e7\u00e3o Sionista da Alemanha fechou um acordo com o governo nazista \u2013 o Acordo de Ha\u2019avarah \u2013 que funcionou at\u00e9 1938. Diante da persegui\u00e7\u00e3o, o acordo estabelecia crit\u00e9rios que favorecessem a emigra\u00e7\u00e3o de judeus para a Palestina em troca de importa\u00e7\u00f5es da Alemanha Nazista. Ou seja, aproveitaram a persegui\u00e7\u00e3o nazi para fortalecer o projeto de coloniza\u00e7\u00e3o racista da Palestina.<br \/>\nEsse tipo de \u201carte-propaganda\u201d existia antes da Alemanha Nazista e, com sua queda, acabou ganhando for\u00e7a. O sionismo, que apertou as m\u00e3os nazistas em 1933, saiu ainda mais fortalecido com o fim da Segunda Guerra. Afinal, foram as grandes v\u00edtimas. Dois anos depois da Guerra \u00e9 fundado o Estado de Israel e formalizada a ocupa\u00e7\u00e3o racista da Palestina pela ONU. A pol\u00edtica de assentamentos se fortalece e junto com ela a propaganda her\u00f3ica, de refunda\u00e7\u00e3o do povo, do auto sacrif\u00edcio e do engajamento emocional em prol desse projeto de Estado-na\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Israel-cartaz.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-31203\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Israel-cartaz.jpg\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"628\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Israel-cartaz.jpg 696w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Israel-cartaz-300x271.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Israel-cartaz-150x135.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/><\/a><br \/>\nDe l\u00e1 pra c\u00e1 o que a gente viu \u00e9 a consolida\u00e7\u00e3o de um projeto de apartheid. Checkpoints para todos os lados, limpeza \u00e9tnica, persegui\u00e7\u00e3o, pris\u00f5es em massa, tortura, uma economia nacional baseada na ind\u00fastria b\u00e9lica, cultura como instrumento de propaganda. Esse \u00e9 o Estado racista de Israel hoje.<br \/>\nEm 2018 o Estado de Israel financiou um bloco inteiro na Parada Gay de S\u00e3o Paulo. O bloco se chamava Tel Aviv Israel e seu embaixador foi ningu\u00e9m menos que o estilista Alexandre Herchcovitch. Sabe por que um pa\u00eds financia um bloco em uma parada gay em outro continente? Porque instrumentaliza manifesta\u00e7\u00f5es culturais como propaganda de Estado. Israel paga por um bloco na segunda maior parada gay do mundo porque faz de si um discurso como \u201c\u00fanica democracia\u201d no Oriente M\u00e9dio. O que \u00e9 uma grande mentira e n\u00e3o passa de propaganda. Mitologia pura.<br \/>\nTamb\u00e9m temos o caso de Gal Gadot, a atriz que interpreta a Mulher Maravilha, que participou de um ensaio para a revista Maxim com o tema \u201cMulheres do Ex\u00e9rcito Israelense\u201d. Pura propaganda. Machista na forma e \u201crom\u00e2ntica\u201d no sentido est\u00e9tico, de \u201cexalta\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a e do povo\u201d.<br \/>\nParticularmente, n\u00e3o acho correta a compara\u00e7\u00e3o entre Alemanha nazi e Israel. S\u00e3o coisas diferentes e quando comparamos apagamos as diferen\u00e7as. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 incompreens\u00edvel quem o fa\u00e7a.<br \/>\nEnt\u00e3o, meus caros, fica respondida a pergunta. Pelo menos tratando-se de arte, Bolsonaro pode apoiar o proto-nazistinha do Roberto Alvim e ao mesmo tempo apoiar o Estado de Israel. A contradi\u00e7\u00e3o \u00e9 s\u00f3 aparente. Os projetos tem similaridades. Sionismo e nazismo apertaram as m\u00e3os em 1933 e compartilhavam da mesma concep\u00e7\u00e3o de \u201carte-propaganda\u201d.<br \/>\nO stalinismo e seu realismo socialista tamb\u00e9m compartilhavam dessa mesma concep\u00e7\u00e3o. \u00c9 tudo muito parecido e, particularmente, gosto de enquadrar tudo isso na ideia de realismo her\u00f3ico. Mas sobre o stalinismo fica para depois.<br \/>\nE s\u00f3 para adiantar antes que me chamem de anti-semita: liberdade religiosa \u00e9 uma coisa, projeto racista de limpeza \u00e9tnica outra.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A fala imbecil do j\u00e1 ex-Secret\u00e1rio de Cultura, Roberto Alvim, plagiando o ministro da propaganda nazista, recebeu em tempo o rep\u00fadio que merecia. E, l\u00f3gico, diante da refer\u00eancia nazista a rea\u00e7\u00e3o \u00f3bvia de todo mundo foi olhar para a comunidade judaica aguardado a manifesta\u00e7\u00e3o. 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