{"id":70546,"date":"2022-06-02T13:35:24","date_gmt":"2022-06-02T16:35:24","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=67025"},"modified":"2022-06-02T13:35:24","modified_gmt":"2022-06-02T16:35:24","slug":"67025-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/06\/02\/67025-2\/","title":{"rendered":"Manifesto do Rebeldia: A juventude trabalhadora condenada pelo capitalismo pode derrotar o sistema"},"content":{"rendered":"<p><em>As gera\u00e7\u00f5es jovens receberam v\u00e1rios r\u00f3tulos ao longo de sua vida. Depois da explos\u00e3o da crise econ\u00f4mica mundial em 2008, os jovens passaram a ser chamados de nem-nem (nem estudam, nem trabalham), e com o aprofundamento da crise viraram ainda os nem-nem-nem (que tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e3o procurando emprego). Na pandemia, n\u00e3o foram poucos os nomes que ganhamos: gera\u00e7\u00e3o perdida, gera\u00e7\u00e3o desamparada, gera\u00e7\u00e3o covid, gera\u00e7\u00e3o confinamento. Os t\u00edtulos s\u00e3o diferentes, mas todos eles expressam uma ideia de fundo: as gera\u00e7\u00f5es mais jovens s\u00e3o reconhecidas por uma profunda marca de fracasso e sensa\u00e7\u00e3o de derrota. Os motivos que levam a isso s\u00e3o v\u00e1rios.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por:Rebeldia- Juventude da Revolu\u00e7\u00e3o Socialista<\/p>\n<p>A nossa sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 a de estarmos vivendo, ao mesmo tempo, v\u00e1rios acontecimentos hist\u00f3ricos. Pandemia, guerras, crises e um mundo calamitoso. E fica tamb\u00e9m o gosto amargo na boca: justamente na nossa vez de sermos jovens no mundo, al\u00e9m de todas essas coisas, as nossas perspectivas s\u00e3o baix\u00edssimas: diploma n\u00e3o garante emprego, comprar uma casa est\u00e1 fora de cogita\u00e7\u00e3o, conseguir um emprego de carteira assinada \u00e9 luxo, e enquanto isso o meio-ambiente est\u00e1 sendo devastado e parece que o planeta est\u00e1 caindo aos peda\u00e7os.<\/p>\n<p>\u00c9 inevit\u00e1vel que nos perguntemos: como ser\u00e1 o mundo amanh\u00e3? E nosso futuro, tem como ele ser melhor? Existe alguma chance da marca da nossa gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser o fracasso?<\/p>\n<p>O nosso pesadelo atual no Brasil tem nome, e se chama Bolsonaro. O respons\u00e1vel por ter tornado a pandemia, que j\u00e1 \u00e9 uma trag\u00e9dia tremenda, numa verdadeira cat\u00e1strofe nacional. No entanto, o problema apenas come\u00e7a pelo Bolsonaro, porque na verdade ele pr\u00f3prio \u00e9 consequ\u00eancia de um problema muito maior: o capitalismo no geral e o funcionamento dele no Brasil em particular.<\/p>\n<p><strong>A vida da juventude no caos capitalista<\/strong><\/p>\n<p>Ser jovem no Brasil e no mundo hoje significa ter v\u00e1rios pesadelos. A preocupa\u00e7\u00e3o permanente de como viver sem educa\u00e7\u00e3o e sem emprego. A luta di\u00e1ria apenas para existir, para continuarmos vivos, contra a viol\u00eancia policial, o racismo, machismo e LGBTfobia, que matam tantos jovens. Tudo ainda se combina com um planeta que est\u00e1 para ser destru\u00eddo. E n\u00e3o, n\u00e3o estamos exagerando.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o com o meio-ambiente \u00e9 que mesmo se a humanidade parasse imediatamente com toda a destrui\u00e7\u00e3o, ainda assim n\u00e3o ser\u00edamos capazes de reverter todo o dano que j\u00e1 causamos. Assim, preservar o meio-ambiente se choca com o n\u00edvel brutal de destrui\u00e7\u00e3o causado pelo capitalismo e n\u00f3s precisamos fazer de tudo para parar j\u00e1, salvar aquilo que ainda d\u00e1 e assim tentar recuperar o planeta. Caso contr\u00e1rio est\u00e1 em quest\u00e3o toda a vida humana na terra.<\/p>\n<p>N\u00f3s jovens somos quem ficar\u00e1 aqui mais tempo. Por isso que para n\u00f3s o futuro n\u00e3o \u00e9 apenas conversa furada, trata-se daquilo que n\u00f3s viveremos daqui alguns anos e ao longo da vida. N\u00e3o \u00e9 a toa que estamos cada vez mais mentalmente adoecidos, pelo estresse, ansiedade, depress\u00e3o, que s\u00e3o como ru\u00ednas internas. Estamos desabando por dentro, num mundo que est\u00e1 se destruindo por fora.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 claro que tem jovens que n\u00e3o precisam se preocupar com isso. S\u00e3o aqueles que t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de viver no luxo, mesmo em meio \u00e0 barb\u00e1rie cada vez maior. Enquanto uns est\u00e3o na fila do osso, outros est\u00e3o andando de carro voador. Os ricos n\u00e3o se preocupam com o meio ambiente, porque eles lucram com isso e quem vai se ferrar primeiro \u00e9 claro que s\u00e3o os pobres. Eles n\u00e3o se preocupam com a viol\u00eancia e o risco de vida, porque de fato se voc\u00ea for homem, h\u00e9tero, branco e rico, sendo jovem com dinheiro, os seus riscos v\u00e3o a zero.<\/p>\n<p>Os velhos ricos dizem para a juventude n\u00e3o se preocupar com nada disso. Crescemos ouvindo que basta estudar, trabalhar e se esfor\u00e7ar para ter uma vida boa. Que a chave do sucesso est\u00e1 em n\u00f3s mesmos, e, portanto, falta s\u00f3 dedica\u00e7\u00e3o. Mas a\u00ed \u00e9 que est\u00e1. Quando olhamos para a situa\u00e7\u00e3o do emprego e educa\u00e7\u00e3o da juventude, a coisa est\u00e1 pior ainda. O problema dessa sociedade atual doentia se demonstra nitidamente nesse caso.<\/p>\n<p><strong>Ao inv\u00e9s do sonho de ascens\u00e3o social, a realidade da degrada\u00e7\u00e3o capitalista<\/strong><\/p>\n<p>O drama da vida dos jovens trabalhadores \u00e9 que precisamos trabalhar, ter nosso primeiro emprego, e n\u00e3o conseguimos. Os capitalistas tentam esconder que estamos presos numa l\u00f3gica infernal: n\u00e3o conseguimos emprego, porque n\u00e3o temos experi\u00eancia, e n\u00e3o temos experi\u00eancia porque n\u00e3o temos emprego.<\/p>\n<p>O desemprego entre os jovens est\u00e1 um absurdo: para quem t\u00eam de 14 a 17 anos, os dados s\u00e3o de 46% buscando trabalho. Para aqueles entre 18 e 24 anos, o desemprego \u00e9 de 31%. Sem falar no desemprego entre as mulheres, que bateu recorde em 2021, e o desemprego entre pretos e pardos que tamb\u00e9m \u00e9 maior. E isso \u00e9 assim para os jovens de todos os cantos do mundo.<\/p>\n<p>Quando n\u00e3o desempregados, estamos nos postos de trabalho que s\u00e3o os mais prec\u00e1rios ou os informais. A exce\u00e7\u00e3o \u00e9 termos carteira assinada e direitos. O capitalismo criou uma palavra para mascarar essas rela\u00e7\u00f5es perversas de trabalho: empreendedorismo. Um entregador ou motorista da Uber \u00e9 \u201cparceiro\u201d da empresa, um trabalhador do Subway \u00e9 \u201cartista do sandu\u00edche\u201d, um operador de telemarketing \u00e9 \u201cexpert de atendimento\u201d e \u201ccolaborador\u201d. Tudo para mascarar que, n\u00e3o importa a empresa, n\u00e3o importa o pa\u00eds, na verdade h\u00e1 um abismo profundo entre n\u00f3s e eles.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-67026 size-full\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Uber.jpg\" alt=\"\" width=\"1536\" height=\"1024\" \/><\/p>\n<p>\u00c9 principalmente atrav\u00e9s da ideologia meritocr\u00e1tica que o sistema nos diz que basta a gente se esfor\u00e7ar e \u201cchegaremos l\u00e1\u201d. Se bastasse esfor\u00e7o individual pra ter uma vida boa, ter\u00edamos muitos jovens trabalhadores crescendo na vida, j\u00e1 que s\u00e3o guerreiros, batalhadores, que ajudam a sustentar sua casa, \u00e0s vezes fazendo v\u00e1rios bicos e com servi\u00e7o em v\u00e1rios turnos.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, dizem que para competirmos por alguma vaga numa posi\u00e7\u00e3o vantajosa, precisamos nos destacar, estudar e ter experi\u00eancia. Mas como vamos conseguir experi\u00eancia para o emprego, se n\u00e3o temos o primeiro emprego? Al\u00e9m de que, o que precisar\u00edamos para nos destacar na entrevista de emprego, que \u00e9 capacita\u00e7\u00e3o e uma boa educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o existe para os jovens trabalhadores.<\/p>\n<p>Os filhos dos ricos tem acesso a tudo do melhor na educa\u00e7\u00e3o: tecnologias, plataformas online, sistemas internacionais, para se capacitarem em nos explorar mais e melhor no futuro, assumindo postos de comando na economia e pol\u00edtica do pa\u00eds.\u00a0 J\u00e1 para n\u00f3s jovens trabalhadores, educa\u00e7\u00e3o significa apenas uma possibilidade de vender para eles a nossa m\u00e3o de obra por um pre\u00e7o um pouco melhor.<\/p>\n<p>Infelizmente, ter acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o resolve o problema dos baixos sal\u00e1rios, n\u00e3o garante bons empregos e n\u00e3o resolve a desigualdade social. Foi-se o tempo em que ter diploma significava ter nossa vida resolvida. Uma pesquisa feita pela FGV Social demonstrou que nos \u00faltimos dez anos houve um aumento de 27% nos anos de estudo da popula\u00e7\u00e3o da metade mais pobre do pa\u00eds, mas a renda dessa mesma parcela da popula\u00e7\u00e3o diminuiu em 26,2%.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica da competi\u00e7\u00e3o entre os trabalhadores para se destacar na busca do emprego, \u00e9 uma l\u00f3gica cruel, em que algu\u00e9m sempre tem que ficar de fora para o sistema continuar funcionando e dando lucro. No capitalismo, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para ascens\u00e3o social de todos. S\u00f3 uma parte consegue algum grau de realiza\u00e7\u00e3o profissional que consiga uma vida mais ou menos est\u00e1vel. E uma \u00ednfima minoria consegue individualmente algum n\u00edvel de ascens\u00e3o social, nem compar\u00e1vel a quanto os ricos ficam mais ricos. Por que \u00e9 que n\u00e3o podemos trabalhar duro para suprir nossas necessidades e construir uma vida boa para todos, ao inv\u00e9s de dar lucros para um punhado de gente?<\/p>\n<p>\u00c9 claro que precisamos de educa\u00e7\u00e3o, e temos direito de ter acesso ao conhecimento produzido e acumulado pela humanidade. Mas n\u00e3o basta s\u00f3 educa\u00e7\u00e3o. Os jovens com diploma de gradua\u00e7\u00e3o, mesmo os com mestrado e doutorado, hoje em dia tamb\u00e9m n\u00e3o conseguem emprego. E n\u00e3o basta s\u00f3 ter emprego porque falta emprego digno, sal\u00e1rio decente. E mesmo isso nunca haver\u00e1 para todos.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o como sair dessa espiral? O que precisamos fazer? Que tipo de medidas exigimos para resolver nossa situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>A primeira medida \u00e9 mais e melhor educa\u00e7\u00e3o para os jovens trabalhadores. Peguemos dois dados: a taxa de alfabetiza\u00e7\u00e3o, e os resultados internacionais do PISA (um ranking internacional de educa\u00e7\u00e3o feito pela OCDE). Vejamos a taxa de alfabetiza\u00e7\u00e3o pelo mundo. Os lugares com a taxa mais elevada s\u00e3o Europa e Am\u00e9rica do Norte, enquanto as menores taxas s\u00e3o na \u00c1frica e partes da \u00c1sia. O mesmo se repete para o resultado do PISA. A\u00ed j\u00e1 come\u00e7amos a ver que, n\u00e3o coincidentemente, os lugares com a melhor alfabetiza\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o de mais qualidade s\u00e3o os pa\u00edses imperialistas, e os com as piores, s\u00e3o coloniais e semicoloniais.<\/p>\n<p>O que isto nos diz? Que em diferentes pa\u00edses a burguesia tem necessidade de sistemas educacionais diferentes, para dar sustenta\u00e7\u00e3o ao seu modo internacional de funcionamento. Enquanto em pa\u00edses imperialistas ela precisa de uma educa\u00e7\u00e3o de ponta para que se formem aqueles trabalhadores que ir\u00e3o conduzir o desenvolvimento da tecnologia mais avan\u00e7ada, em pa\u00edses como o Brasil isso n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio, mas sim apenas ensinar aos trabalhadores o b\u00e1sico para poderem ser explorados e sobreviver, e, mais, ensinar a como ser \u201cresilientes\u201d e suportar as press\u00f5es extremas do mundo de trabalho que vivemos.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que a educa\u00e7\u00e3o no Brasil funciona como funciona, \u00e9 a exata medida da necessidade de educa\u00e7\u00e3o dada nossa posi\u00e7\u00e3o internacional. No Brasil e no mundo todo, nos pa\u00edses coloniais, semicoloniais e mesmo nos imperialistas, a verdade \u00e9 que a educa\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento tecnol\u00f3gico est\u00e3o subordinados ao interesse dos ricos. Podem at\u00e9 ter centros de excel\u00eancia, mas para a grande massa \u00e9 disponibilizado o conhecimento para que cumpramos nosso papel de trabalhadores. A burguesia garante o tanto de educa\u00e7\u00e3o necess\u00e1rio para continuar lucrando, de acordo com como cada pa\u00eds funciona.<\/p>\n<p>Para ter um Brasil mais alfabetizado e com mais educa\u00e7\u00e3o de qualidade, o que \u00e9 preciso? A primeira coisa \u00e9 investimento, s\u00f3 que para isso precisamos atacar os lucros e interesses da burguesia em rela\u00e7\u00e3o ao or\u00e7amento. No entanto, n\u00e3o apenas isso, porque como precisam de uma educa\u00e7\u00e3o limitada a servir seus interesses, s\u00f3 investem no que dar\u00e1 retornos para um Brasil que seja exportador de commodities e mat\u00e9rias primas. Sem mudar nossa desindustrializa\u00e7\u00e3o, nossa submiss\u00e3o ao imperialismo e \u00e0 burguesia, n\u00e3o tem como ter uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade para todos.<\/p>\n<p>A segunda medida que os jovens trabalhadores precisam hoje seria emprego com boa renda. Para conseguirmos isso, o que precisamos fazer? De que maneira seria poss\u00edvel garantir 100% da popula\u00e7\u00e3o empregada, se a burguesia se beneficia do desemprego? Vejamos: se h\u00e1 uma grande massa de desempregados, eles podem rebaixar o sal\u00e1rio de todos, e ainda manter na linha quem \u00e9 empregado, atrav\u00e9s do ass\u00e9dio e imposi\u00e7\u00e3o do medo.<\/p>\n<p>Em uma sociedade saud\u00e1vel, frente \u00e0 mis\u00e9ria e fome de parte da popula\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 que n\u00e3o faria sentido criar um jeito em que mais pessoas pudessem estar empregadas e ter renda? Por exemplo, se diminu\u00edssem as horas de trabalho por dia de todos, para empregar mais pessoas, e aumentar os sal\u00e1rios de acordo com a infla\u00e7\u00e3o. No modo como funciona a sociedade hoje, ser\u00e1 que tem como?<\/p>\n<p>Portanto, \u00e9 poss\u00edvel garantir os direitos que precisamos para viver uma vida mais digna e humana? Sim, seria poss\u00edvel. O que nos impede de realizar essas mudan\u00e7as? A pergunta fundamental n\u00e3o \u00e9 se \u00e9 poss\u00edvel faz\u00ea-las, mas sim: como faz\u00ea-las? Nossa luta por educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade, para ter acesso ao ac\u00famulo cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico, assim como a luta por emprego e sal\u00e1rio, devem estar ligadas a tirar tudo isso das garras da burguesia, que \u00e9 quem impede o pleno desenvolvimento de tudo para os trabalhadores.<\/p>\n<p>Tirar das garras da burguesia significa atacar a propriedade dos ricos, que sufoca n\u00e3o s\u00f3 a produ\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m o pr\u00f3prio desenvolvimento cient\u00edfico e educacional. A burguesia brasileira, s\u00f3cia menor do imperialismo, prefere abrir m\u00e3o de qualquer tipo de autonomia em prol de ganhar alguns trocados a mais do imperialismo. Ou os trabalhadores, que nada tem a perder a n\u00e3o ser suas correntes, que s\u00e3o os reais benefici\u00e1rios dessas mudan\u00e7as e que, juntos, representam uma for\u00e7a capaz de garanti-las, atacam a propriedade da burguesia, ou o mundo continuar\u00e1 girando como \u00e9 hoje.<\/p>\n<p><strong>Brasil vem descendo a ladeira<\/strong><\/p>\n<p>Para mudar isso, \u00e9 preciso saber como o Brasil veio parar aqui. O capitalismo vem acelerando sua decad\u00eancia, principalmente desde a crise de 2008. Certamente esta \u00e9 parte da explica\u00e7\u00e3o da nossa situa\u00e7\u00e3o hoje. A decad\u00eancia capitalista vem se desenrolando como crise pol\u00edtica e social em v\u00e1rios pa\u00edses, e hoje temos ainda um agravante: a pandemia, que abriu um momento de mais crise e recess\u00e3o e s\u00f3 piorou a situa\u00e7\u00e3o de antes.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que a situa\u00e7\u00e3o dos jovens e trabalhadores \u00e9 muito semelhante em v\u00e1rios lugares do mundo. No entanto, \u00e9 verdade que parte da juventude sente esses processos todos de uma forma mais aguda. Em especial, os jovens trabalhadores dos pa\u00edses semicoloniais. O que isso quer dizer?<\/p>\n<p>Na divis\u00e3o internacional do mundo, h\u00e1 alguns pa\u00edses com tecnologia de ponta, uma ind\u00fastria altamente desenvolvida, que at\u00e9 conseguem fornecer uma qualidade de vida melhor para o conjunto dos trabalhadores do pa\u00eds. Por\u00e9m, isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel pois existem, do outro lado, pa\u00edses semicolonais, que tem como papel fornecer as mat\u00e9rias primas e m\u00e3o de obras para que os pa\u00edses imperalistas possam manter sua economia funcionando. Aos trabalhadores dos pa\u00edses semicolonais, como o Brasil, \u00e9 reservada a pen\u00faria, que \u00e9 necess\u00e1ria para que os pa\u00edses mais ricos do mundo, como os Estados Unidos, possam manter sua domina\u00e7\u00e3o. Os Estados Unidos, que explora nosso pa\u00eds, al\u00e9m de tudo o utiliza como servi\u00e7al de seus interesses na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Essa forma do mundo funcionar, com esse processo de recoloniza\u00e7\u00e3o, impacta em todos os sentidos e tamb\u00e9m nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho. Por exemplo, a regra do capitalismo hoje em dia n\u00e3o \u00e9 mais a de garantir trabalho formal para todos, com carteira assinada. Os novos paradigmas apontam para rela\u00e7\u00f5es de trabalho prec\u00e1rias, trabalho por pe\u00e7a, terceiriza\u00e7\u00e3o. O uso da tecnologia, ao inv\u00e9s de representar melhora de vida, significa piorar o trabalho e demitir gente. No capitalismo, mesmo o que \u00e9 avan\u00e7o t\u00e9cnico cient\u00edfico, na pr\u00e1tica significa mais sofrimento para n\u00f3s, decad\u00eancia e destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<\/p>\n<p>Como exemplo dessa tend\u00eancia mundial nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho, temos a uberiza\u00e7\u00e3o. O nome remete \u00e0 Uber, mas serve como explica\u00e7\u00e3o geral do funcionamento do trabalho. \u00c9 uma das medidas que o capitalismo est\u00e1 se utilizando para lucrar e tentar superar a crise de 2007.<\/p>\n<p>A Uber, empresa dos EUA, explora um monte de trabalhadores pelo mundo atrav\u00e9s de uma plataforma digital. Esses trabalhadores nem s\u00e3o reconhecidos pela empresa como funcion\u00e1rios seus, e n\u00e3o recebem um sal\u00e1rio regular, mas sim de acordo com o tanto de corridas que fazem. \u00c9 o que chamamos de trabalho por pe\u00e7a. Aqui vemos os novos fatores da recoloniza\u00e7\u00e3o: uso da tecnologia 3.0 e 4.0 para explorar mais, transfer\u00eancia de lucros dos pa\u00edses semicoloniais para os pa\u00edses imperialistas, rela\u00e7\u00f5es de trabalho muito ruins.<\/p>\n<p>E ent\u00e3o o filme de conjunto \u00e9: um Brasil cada vez mais desindustrializado, em especial desde os anos 90, o que faz com que os trabalhadores precisem procurar emprego em servi\u00e7os. Esses empregos, cada vez mais prec\u00e1rios e uberizados, e ainda mais agora com o uso das novas tecnologias. Os pa\u00edses imperialistas, com EUA na cabe\u00e7a, aparecem com a \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d para o emprego, mas esfolam o coro dos trabalhadores do Brasil e dos pa\u00edses semicoloniais. Aqui, n\u00f3s cada vez mais empobrecidos; l\u00e1, eles garantindo o lucro e domina\u00e7\u00e3o mundial deles, atrav\u00e9s do nosso suor, com o consentimento da burguesia do nosso pa\u00eds. Burguesia nacional que \u00e9 submissa e que ganha a vida sendo capacho deles.<\/p>\n<p>Se no Brasil a ditadura militar foi uma desgra\u00e7a, com um capitalismo autorit\u00e1rio e sem direitos democr\u00e1ticos m\u00ednimos, mesmo com as conquistas democr\u00e1ticas a vida melhorou muito pouco. Porque n\u00e3o basta mudar apenas o regime politico, \u00e9 preciso mudar o sistema. Desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o com o fim da ditadura militar, em 85, j\u00e1 fizemos a experi\u00eancia com governos de distintos matizes entre si no Brasil. Tivemos Sarney e o caos da infla\u00e7\u00e3o; Collor com seus esc\u00e2ndalos, neoliberalismo e os caras pintadas; FHC e PSDB indo a fundo nos planos do neoliberalismo; Lula e Dilma implementando o neoliberalismo com uma cara mais humana e encerrando seus governos numa tremenda desmoraliza\u00e7\u00e3o; depois Temer com uma rejei\u00e7\u00e3o absoluta e por fim Bolsonaro.<\/p>\n<p>J\u00e1 tivemos governos liberais, ditos de esquerda, de direita, de ultradireita, de todos os tipos, mas nenhum deles rompeu com essa l\u00f3gica de funcionamento do mundo. Na verdade, a situa\u00e7\u00e3o de caos e calamidade para os trabalhadores que vemos no pa\u00eds, \u00e9 o mais puro resultado desse exato funcionamento: recoloniza\u00e7\u00e3o, uberiza\u00e7\u00e3o e rapinagem imperialista. Os momentos de crise, como 2007 ou a pandemia, pioraram uma situa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 existia. Mas a verdade \u00e9 que mesmo a estabilidade do capitalismo n\u00e3o \u00e9 nada mais que um intervalo entre crises. Crises que s\u00e3o paridas pelo sistema e tamb\u00e9m sustentadas por ele para que os capitalistas, \u00e0s nossas custas, compitam entre si por mais poder, dinheiro e influ\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Para defender nossos direitos, \u00e9 preciso enfrentar Bolsonaro e o capitalismo: a disputa em jogo no Brasil<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-67027 size-full\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/faixa-fora-bolsonaro.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"922\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/faixa-fora-bolsonaro.jpg 1280w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/faixa-fora-bolsonaro-300x216.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/faixa-fora-bolsonaro-1024x738.jpg 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/faixa-fora-bolsonaro-768x553.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/faixa-fora-bolsonaro-150x108.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/faixa-fora-bolsonaro-696x501.jpg 696w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/faixa-fora-bolsonaro-1068x769.jpg 1068w\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/p>\n<p>Bolsonaro queria aprovar o maior plano de privatiza\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do mundo no nosso pa\u00eds. Isso significaria vender mais de 100 estatais, arrecadando 200 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, sendo que em apenas 3 anos o lucro delas j\u00e1 ultrapassaria esse valor. Um entreguismo absurdo, praticamente dando o pa\u00eds nas m\u00e3os dos EUA. Apesar de parecer nacionalista verde-amarelo, e dizer que quer o Brasil acima de tudo, na verdade para ele \u00e9 capitalismo acima de tudo, com Brasil e riquezas nacionais nas m\u00e3os do imperialismo.<\/p>\n<p>A nossa urg\u00eancia hoje \u00e9 derrotar Bolsonaro, por todo seu projeto pol\u00edtico, inclusive por esse aspecto de aprofundar a recoloniza\u00e7\u00e3o e a pilhagem do pa\u00eds. Mas n\u00e3o basta apenas derrot\u00e1-lo, \u00e9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m mudar o sistema, porque enquanto houver capitalismo, haver\u00e3o Bolsonaros, \u00e9 isso o que a hist\u00f3ria nos mostra.<\/p>\n<p>Por isso, a disputa em jogo no Brasil \u00e9 muito profunda. N\u00f3s defendemos toda unidade de a\u00e7\u00e3o, na luta e nas ruas, para lutar pela derrubada de Bolsonaro. Sabemos a amea\u00e7a que ele representa. Ele gostaria de dar um golpe e instaurar uma ditadura no pa\u00eds. Hoje por hoje, n\u00e3o tem for\u00e7a para isso, e a burguesia est\u00e1 dividida e a maioria n\u00e3o apoia algo assim. S\u00f3 que a burguesia n\u00e3o tem apego nenhum com a democracia, eles n\u00e3o se movem por princ\u00edpios ou valores, e se em algum momento precisarem endurecer as coisas para defender seus interesses, com certeza far\u00e3o isso.<\/p>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es dizem que defendem a democracia. O STF, Congresso, For\u00e7as Armadas, ju\u00edzes, a m\u00eddia. S\u00f3 que capitulam ao Bolsonaro, n\u00e3o enfrentam de verdade o golpismo. Esperam pelo bom senso, com cartas e frases apelativas. Mesmo que as condi\u00e7\u00f5es para consolidar um golpe n\u00e3o existam, nada impede que Bolsonaro tente fazer. Ent\u00e3o precisamos derrot\u00e1-lo, e esse setor todo \u00e9 incapaz de fazer isso. Se h\u00e1 em voga a especula\u00e7\u00e3o sobre um projeto autorit\u00e1rio, que forma temos de minar qualquer possibilidade dele se efetivar?<\/p>\n<p>Frente a esse cen\u00e1rio, a esquerda ressurge com a \u201cf\u00f3rmula m\u00e1gica\u201d para resolver tudo. Dizem que votar em Lula-Alckmin \u00e9 a \u00fanica forma de derrotar Bolsonaro e esse projeto autorit\u00e1rio. Mas isso n\u00e3o ajuda a derrotar a amea\u00e7a golpista, porque jogam confian\u00e7a justamente em outra parte da burguesia, desmoralizando os trabalhadores. Querem que votemos em Lula com o projeto mais rebaixado e \u00e0 direita da hist\u00f3ria do PT. E ainda com Alckmin, que at\u00e9 ontem era um dos principais antagonistas da esquerda, e inimigo declarado dos trabalhadores, dos jovens que ocuparam suas escolas e lutam em defesa da educa\u00e7\u00e3o, da juventude negra que sofre com o genoc\u00eddio e o encarceramento.<\/p>\n<p>Para derrotar esse projeto ditatorial de Bolsonaro, n\u00e3o d\u00e1 para confiar em nenhum deles. A luta contra uma amea\u00e7a golpista s\u00f3 pode partir da classe trabalhadora. N\u00f3s precisamos organizar a autodefesa dos jovens e trabalhadores desde j\u00e1. Isso quer dizer: nos organizarmos para nos defender contra a pol\u00edcia e contra as mil\u00edcias bolsonaristas. E al\u00e9m disso, precisamos tamb\u00e9m de um programa independente, que n\u00e3o nos torne ref\u00e9ns dos interesses da burguesia.<\/p>\n<p>No Brasil, parte da disputa entre \u201cesquerda\u201d e \u201cdireita\u201d gira ao redor das pol\u00eamicas j\u00e1 citadas: se o estado vai intervir mais ou menos na economia, se teremos mais ou menos privatiza\u00e7\u00e3o etc. Bolsonaro e PT-Lula tem posi\u00e7\u00f5es distintas sobre os mais variados assuntos. Assim como outros candidatos das elei\u00e7\u00f5es, como Ciro Gomes, tamb\u00e9m tem. Por\u00e9m todas elas se encontram dentro da mesma margem: o capitalismo.<\/p>\n<p>O PT, por exemplo, sobre a Petrobras, fala que tem que servir ao povo brasileiro e n\u00e3o aos acionistas. N\u00e3o \u00e9 escrachado que nem Bolsonaro, embora n\u00e3o fale que vai estatizar os mais de 50% da empresa que s\u00e3o privados. E durante seus governos, a Petrobr\u00e1s serviu aos acionistas e n\u00e3o ao povo. Tamb\u00e9m n\u00e3o fala que vai estatizar nenhum outro setor j\u00e1 privatizado. Titubeia inclusive em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Reforma Trabalhista, que foi o que deu brecha para empresas como Uber e Ifood tirarem nosso couro por aqui.<\/p>\n<p>Vejamos o projeto do PT para a educa\u00e7\u00e3o. Defendem mais investimento, com o objetivo da educa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia e tecnologia estarem a servi\u00e7o de construir um pa\u00eds mais capitalista. Desenvolver o Brasil, para que ele se relocalize na disputa imperialista mundial e fique em vantagem. S\u00f3 que para os pa\u00edses mais potentes existirem, \u00e9 necess\u00e1rio que existam os mais fracos e explorados. Ent\u00e3o o projeto do PT \u00e9 que o Brasil se torne uma pot\u00eancia imperialista, para que, ao inv\u00e9s de \u201capenas\u201d fazer o papel dos EUA na Am\u00e9rica Latina, tamb\u00e9m sejamos o imperialismo em si da regi\u00e3o?<\/p>\n<p>E h\u00e1 ainda um problema grande. N\u00f3s tamb\u00e9m queremos desenvolver o pa\u00eds, a ci\u00eancia e tecnologia. A educa\u00e7\u00e3o, por exemplo, poderia ser um caminho para o desenvolvimento do pa\u00eds, \u00e9 verdade. No entanto, j\u00e1 vimos antes, quem vai fazer isso? A burguesia brasileira, que \u00e9 s\u00f3cia menor do imperialismo? Porque para fazer isso, \u00e9 necess\u00e1rio se chocar contra o pr\u00f3prio funcionamento do sistema e a localiza\u00e7\u00e3o do Brasil nesse sistema. Que setor da classe dominante brasileira far\u00e1 isso?<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a entre todos eles, ent\u00e3o, poderia ser resumida de uma forma: qual setor da burguesia o projeto de pa\u00eds de cada um mais vai fortalecer. Para nenhum deles o problema \u00e9 a burguesia em si, mas sim qual setor dela est\u00e1 em vantagem. \u00c9 por isso que, no cen\u00e1rio eleitoral de 2022, tem diferentes candidaturas se apresentando, mas podemos resumir em dois projetos: aqueles todos que defendem o capitalismo e a manuten\u00e7\u00e3o da burguesia, e aqueles, como n\u00f3s, que defendem um projeto de ruptura, socialista.<\/p>\n<p>E como essa ruptura com o sistema poderia se dar? Peguemos a situa\u00e7\u00e3o da Uber, Ifood e essas empresas que est\u00e3o perto de se tornar grandes monop\u00f3lios do setor dos transportes. Como seria se, ao inv\u00e9s do patr\u00e3o ser um aplicativo, que no fundo \u00e9 um grupo de engravatados sentados num gabinete bem distante, quem controlasse a empresa fossem os pr\u00f3prios entregadores e motoristas? O problema \u00e9 que, para isso, n\u00e3o basta uma lei. Se vamos s\u00f3 atr\u00e1s de leis, sequer o direito de serem considerados funcion\u00e1rios da empresa e de terem seu pr\u00f3prio sindicato foi garantido.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o \u00e9 preciso que os trabalhadores tomem as empresas para si, garantam seu controle atrav\u00e9s de um Estado que seja seu e assim garantir que o lucro da produ\u00e7\u00e3o possa ser reinvestido na pr\u00f3pria empresa e na sociedade, ao inv\u00e9s de ir parar no bolso de uma pessoa com o \u00fanico objetivo de enriquec\u00ea-la ainda mais.<\/p>\n<p>E ent\u00e3o, como fazemos para ter esse controle ao estatizar as empresas? Pode ser que, num cen\u00e1rio de muita radicaliza\u00e7\u00e3o, se consiga esse direito atrav\u00e9s da luta, das ruas, da mobiliza\u00e7\u00e3o, de uma greve. Mas como fazemos para que isso se generalize, e todas as maiores empresas do pa\u00eds, os bancos, os monop\u00f3lios todos, tamb\u00e9m passem para as nossas m\u00e3os? Seria necess\u00e1rio um processo gigante de lutas, extremamente radicalizado, que se atingisse esse patamar de fato, j\u00e1 seria uma insurrei\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. E ent\u00e3o perceber\u00edamos que, para efetivar nosso controle sobre essas empresas, precisar\u00edamos n\u00e3o s\u00f3 expulsar os CEOs e acionistas e engravatados, mas tomar o poder pol\u00edtico em nossas m\u00e3os.<\/p>\n<p>\u00c9 isso que queremos dizer quando falamos em revolu\u00e7\u00e3o e socialismo. N\u00e3o tem nada a ver com Cuba, China, Venezuela, onde n\u00e3o s\u00e3o os trabalhadores que est\u00e3o \u00e0 frente dos rumos do pa\u00eds, mas sim uma casta burocr\u00e1tica, que governa o capitalismo, chamando de socialismo. N\u00f3s somos revolucion\u00e1rios e socialistas porque queremos acabar com o capitalismo atrav\u00e9s de uma revolu\u00e7\u00e3o dos explorados, oprimidos, dos pobres e famintos, em que todos se insubordinem num processo ultra radicalizado de lutas. E se chegamos nesse patamar, o pr\u00f3ximo passo \u00e9 tirar a burguesia do comando do estado burgu\u00eas, e instaurando um estado oper\u00e1rio e socialista.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a profundidade do que est\u00e1 em jogo no Brasil esse ano. \u00c9 por isso que n\u00f3s apoiamos a Vera como candidata \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Uma trabalhadora, oper\u00e1ria, a primeira mulher negra a concorrer \u00e0 presid\u00eancia do pa\u00eds. Que defende a revoga\u00e7\u00e3o das reformas que atacam o povo, que defende a expropria\u00e7\u00e3o das 100 maiores empresas no Brasil, ou seja, que elas passem para as nossas m\u00e3os, que defende que expropriemos os 315 bilion\u00e1rios do pa\u00eds. \u00c9 por isso que apoiamos as diversas candidaturas do PSTU pelo pa\u00eds, junto com o Polo Socialista e Revolucion\u00e1rio. Acreditamos que estes ser\u00e3o os \u00fanicos que defender\u00e3o esse programa que apresentamos.<\/p>\n<p>Sabemos que as elei\u00e7\u00f5es v\u00e3o mudar pouqu\u00edssima coisa, mas essa disputa pelo poder se apresenta no programa que cada candidatura defende. Ent\u00e3o cada voto no PSTU, \u00e9 um voto a menos para a burguesia continuar se fortalecendo. Mas n\u00e3o apenas isso: \u00e9 um voto que fortalece esse projeto alternativo de poder, esse projeto de constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade diferente, contra o sistema capitalista e em defesa do socialismo.<\/p>\n<p><strong>Organize sua Rebeldia para fazer revolu\u00e7\u00e3o e construir o socialismo!<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-67028 size-large\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Rebeldia-1024x768.jpeg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"768\" \/><\/p>\n<p>Cada gera\u00e7\u00e3o de jovens \u00e9 marcada por algum paradigma. Para os jovens da \u00e9poca do Maio franc\u00eas de 68, certamente os ventos que ecoaram foram de liberdade. No entanto, na mesma \u00e9poca o Brasil era atravessado por uma ditadura militar, que foi inclusive uma rea\u00e7\u00e3o da burguesia n\u00e3o apenas aos acontecimentos nacionais, mas \u00e0 pr\u00f3pria onda do maio franc\u00eas que se alastrou pelo mundo, construindo Woodstocks, Stonewalls e lutas contra governos. Ser jovem em 64, no Brasil, significa ter lidado com esses elementos progressivos de fora do pa\u00eds, mas com o amargo gosto da censura e repress\u00e3o. No entanto, quando vem os anos 80 e o fim da ditadura, o futuro dos jovens era um mar de possibilidades.<\/p>\n<p>Existem v\u00e1rios elementos contradit\u00f3rios interagindo entre si, formando as condi\u00e7\u00f5es sociais, pol\u00edticas, econ\u00f4micas e psicol\u00f3gicas que marcam cada gera\u00e7\u00e3o. Esses acontecimentos todos influem na vis\u00e3o que cada gera\u00e7\u00e3o tem de si mesma, e na vis\u00e3o de seu pr\u00f3prio futuro: nosso futuro ser\u00e1 melhor ou pior? E ainda: de que maneira nos engajamos para, no hoje, construir o futuro que queremos? Essa \u00faltima pergunta certamente esteve na cabe\u00e7a dos jovens da ditadura, que se organizavam clandestinamente para lutar contra o regime repressor. E certamente esteve na cabe\u00e7a dos jovens que viveram Maio de 68, que lutavam pelo novo, nos costumes, na sexualidade e na pol\u00edtica.<\/p>\n<p>A pergunta que fica para n\u00f3s, no Brasil, no ano de 2022, \u00e9 a mesma. N\u00f3s realmente somos a tal gera\u00e7\u00e3o covid, gera\u00e7\u00e3o confinamento, gera\u00e7\u00e3o perdida. Estamos realmente adoecidos, lutando dia ap\u00f3s dia para sobreviver. O que faremos n\u00f3s diante disso? O que queremos que nossa gera\u00e7\u00e3o represente, diante do abismo que se assolou sobre n\u00f3s? Na vis\u00e3o do Rebeldia, n\u00f3s temos que ser a gera\u00e7\u00e3o que lutou contra o abismo, que n\u00e3o teve medo dele, e que n\u00e3o deixou que ele definisse as nossas possibilidades de futuro. Que tomar\u00e1 nosso futuro com nossas pr\u00f3prias m\u00e3os e que diante da ru\u00edna do mundo, construir\u00e1 um mundo diferente.<\/p>\n<p>A melhor forma de construir esse futuro que queremos, superando a marca de fracasso de todas as gera\u00e7\u00f5es jovens, \u00e9 se organizando politicamente com um programa revolucion\u00e1rio e socialista. Lutar n\u00f3s j\u00e1 lutamos sempre, ent\u00e3o \u00e9 uma meia verdade dizer que \u201cs\u00f3 a luta muda a vida\u201d. O que vai mudar o sistema \u00e9 a luta revolucion\u00e1ria e socialista contra o capitalismo, a burguesia, e os garantidores dos interesses da burguesia no movimento estudantil e movimento de trabalhadores. S\u00f3 que se eles est\u00e3o mundialmente organizados, a frente dos governos, do aparato de repress\u00e3o, das empresas, n\u00f3s tamb\u00e9m precisamos estar organizados do lado de c\u00e1 para levar adiante esse programa.<\/p>\n<p>As gera\u00e7\u00f5es jovens do mundo inteiro est\u00e3o saindo \u00e0s ruas, demonstrando que viemos ao mundo para lutar por ele, pela liberta\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, pelo nosso direito \u00e0 exist\u00eancia. Queremos que nossa voz seja ouvida, e se \u00e9 verdade que a elei\u00e7\u00e3o n\u00e3o muda a vida de ningu\u00e9m, tamb\u00e9m \u00e9 verdade que \u00e9 apenas fortalecendo esse projeto que poderemos mudar de fato nossas vidas. Portanto n\u00e3o apenas chamamos votos, mas estaremos nas ruas, debates, discuss\u00f5es, nos fazendo ser ouvidos, e ganhando mais e mais pessoas para apoiar e fortalecer a luta pelo poder e pelo socialismo.<\/p>\n<p>Para isso precisamos que voc\u00ea venha com a gente e que disputemos cada vez mais jovens para essas ideias. Queremos que a marca da nossa gera\u00e7\u00e3o seja a daqueles que compraram uma guerra contra o sistema, e que n\u00e3o v\u00e3o abaixar a cabe\u00e7a para nada nem ningu\u00e9m. A burguesia e os reformistas podem ficar com seus jovens brilhantes, com discursos apassivados nas tribunas da ONU e dos parlamentos, que em nada nos representam. N\u00f3s estaremos por todo pa\u00eds recrutando jovens trabalhadores, instigando-os a sonhar, mas sonhar com os p\u00e9s no ch\u00e3o: da f\u00e1brica, da aldeia, dos bairros, das periferias. Recrutando jovens que sonhar\u00e3o, n\u00e3o com um futuro ut\u00f3pico e distante, mas de olhos abertos, com punhos erguidos e com a bandeira do socialismo tremulando em nossos peitos e em nossas m\u00e3os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As gera\u00e7\u00f5es jovens receberam v\u00e1rios r\u00f3tulos ao longo de sua vida. Depois da explos\u00e3o da crise econ\u00f4mica mundial em 2008, os jovens passaram a ser chamados de nem-nem (nem estudam, nem trabalham), e com o aprofundamento da crise viraram ainda os nem-nem-nem (que tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e3o procurando emprego). 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