{"id":70545,"date":"2022-05-30T10:06:29","date_gmt":"2022-05-30T13:06:29","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=67004"},"modified":"2022-05-30T10:06:29","modified_gmt":"2022-05-30T13:06:29","slug":"67004-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/05\/30\/67004-2\/","title":{"rendered":"Pol\u00eamica com o PTS-FT| Duas pol\u00edticas frente \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o chilena e aos processos latino-americanos"},"content":{"rendered":"<p><em>O PTS (Partido dos Trabalhadores Socialistas, principal organiza\u00e7\u00e3o da corrente internacional FT-Fra\u00e7\u00e3o Trotskista da IV Internacional) da Argentina publicou um artigo no qual responde \u00e0s cr\u00edticas que realizamos sobre a atua\u00e7\u00e3o dos parlamentares da FIT-U (Frente de Esquerda e dos Trabalhadores \u2013 Unidade) que essa organiza\u00e7\u00e3o integra<\/em><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><em><strong>[1]<\/strong><\/em><\/a><em>. Como em nossos artigos reivindicamos a atua\u00e7\u00e3o da constituinte Mar\u00eda Rivera (representante do MIT, se\u00e7\u00e3o chilena da LIT-QI), a resposta foca em atac\u00e1-la e, nesse cen\u00e1rio, atacar a pol\u00edtica da LIT-QI no Chile e na Argentina. Pela gravidade dos conceitos pol\u00edticos que esse artigo expressa, \u00e9 necess\u00e1rio continuar a pol\u00eamica.<\/em><!--more--><!--more--><\/p>\n<p>Por: Alejandro Iturbe, Camila Ruiz (MIT Chile), Iv\u00e1n Rabochi (PSTU-A)<\/p>\n<p>Queremos evitar que se desenvolva apenas como um \u201cfogo cruzado\u201d de cita\u00e7\u00e3o de fatos. Tamb\u00e9m rejeitamos o m\u00e9todo de deformar os fatos e falsific\u00e1-los.\u00a0 Ao contr\u00e1rio, acreditamos que devemos debater a partir de uma reflex\u00e3o geral das pol\u00edticas desenvolvidas pelo MIT, por um lado, e pelo PTR (organiza\u00e7\u00e3o chilena da FT), por outro, e um balan\u00e7o dessas pol\u00edticas.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Aqui j\u00e1 surge um primeiro debate: h\u00e1 um processo revolucion\u00e1rio no Chile iniciado em outubro de 2019? Para n\u00f3s, sim. Para essa defini\u00e7\u00e3o, tomamos o crit\u00e9rio usado por Le\u00f3n Trotsky no Pr\u00f3logo de seu livro <em>Hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa<\/em>:<\/p>\n<p><strong><em>O tra\u00e7o caracter\u00edstico mais indiscut\u00edvel das revolu\u00e7\u00f5es \u00e9 a interven\u00e7\u00e3o direta das massas nos acontecimentos hist\u00f3ricos.<\/em><\/strong><em> Em tempos normais, o Estado [\u2026] est\u00e1 acima da Na\u00e7\u00e3o; a hist\u00f3ria corre a cargo dos especialistas deste of\u00edcio[\u2026]. Por\u00e9m, nos momentos decisivos, quando a ordem estabelecida se torna insuport\u00e1vel para as massas, estas rompem as barreiras que as separam da arena pol\u00edtica, derrubam seus representantes tradicionais e, <strong>com sua interven\u00e7\u00e3o, criam um ponto de partida para um novo regime. <\/strong>Deixemos os moralistas julgar se isto \u00e9 bom ou mal. <strong>Para n\u00f3s basta tomar os fatos tal como nos apresenta \u00a0o processo hist\u00f3rico. A hist\u00f3ria das revolu\u00e7\u00f5es \u00e9<\/strong>,<strong> para n\u00f3s, acima de tudo, a hist\u00f3ria da irrup\u00e7\u00e3o violenta das massas no governo de seus pr\u00f3prios destinos<\/strong><\/em> (negritos nossos)<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>Com base nestas considera\u00e7\u00f5es de Trotsky, \u00e9 evidente que em outubro de 2019 iniciou-se um processo revolucion\u00e1rio no Chile. Podemos e devemos analisar suas debilidades objetivas e subjetivas (como a aus\u00eancia de organismos de duplo poder, a extrema debilidade de uma alternativa de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria ou as ilus\u00f5es na democracia burguesa das massas) porque a burguesia e seus agentes no movimento as usam para colocar armadilhas que tentam desviar e frear este processo revolucion\u00e1rio. \u00a0Mas somente a partir desta compreens\u00e3o geral \u00e9 que uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria pode se orientar, tanto no rumo profundo dos acontecimentos como em cada um dos momentos espec\u00edficos, para evitar que seja desviado, e avance. O que inclui, como uma quest\u00e3o essencial, o combate a essas armadilhas. \u00c9 o tentam fazer o MIT e a LIT-QI.<\/p>\n<p>Para a FT, ao contr\u00e1rio, o que ocorreu no Chile h\u00e1 mais de dois anos e meio \u00e9 apenas <em>\u201ca rebeli\u00e3o popular de outubro de 2019\u201d<\/em>. \u00c9 a partir desta considera\u00e7\u00e3o conceitual (a nosso ver, equivocada e diferente da que vimos no texto de Trotsky) que a FT avalia todos os fatos e sua pr\u00f3pria pol\u00edtica t\u00e1tica e estrat\u00e9gica frente a eles.<\/p>\n<p>Esta profunda diferen\u00e7a entre a LIT-QI e a FT n\u00e3o \u00e9 nova nem aparece agora com o Chile: tem mais de uma d\u00e9cada e se expressou com muita nitidez na caracteriza\u00e7\u00e3o, na pol\u00edtica e nas conclus\u00f5es sobre os processos revolucion\u00e1rios no mundo \u00e1rabe, iniciados em janeiro de 2011, que levou \u00e0 derrubada do ditador tunisiano Zine El Abidine Ben Ali e seu regime, e depois se estendeu para outros pa\u00edses da regi\u00e3o<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Antes de outubro de 2019<\/strong><\/p>\n<p>O processo que eclodiu em outubro de 2019, no Chile, n\u00e3o saiu do nada: significou um salto sobre express\u00f5es de luta que se manifestaram em anos anteriores (como as rebeli\u00f5es estudantis ou os protestos contra a fraude da previd\u00eancia privada), que foi detonado por um fato aparentemente menor (o aumento do pre\u00e7o do transporte p\u00fablico). Havia uma grande raiva acumulada contra a heran\u00e7a da ditadura de Augusto Pinochet e o regime pol\u00edtico constitucional pactuado quando o ditador saiu do poder. A express\u00e3o disso foi a consigna: <em>\u201cN\u00e3o s\u00e3o 30 pesos, s\u00e3o 30 anos\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Tal como Trotsky disse, n\u00e3o se pode prever o dia e a hora em que vai eclodir o in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o. Entretanto, \u00e9 poss\u00edvel analisar as contradi\u00e7\u00f5es e os processos que v\u00e3o nessa dire\u00e7\u00e3o e tentar impulsion\u00e1-los. Foi o que o MIT fez, na medida de suas possibilidades. Antes de outubro de 2019, o centro de sua atividade era o desenvolvimento de campanhas de agita\u00e7\u00e3o e propaganda em torno das consignas que buscavam responder \u00e0s demandas e necessidades dos trabalhadores e das massas e da necessidade de uma revolu\u00e7\u00e3o no pa\u00eds (o que n\u00f3s trotskistas chamamos de um programa de transi\u00e7\u00e3o). Em torno dessa atividade tentava-se provocar um reagrupamento dos ativistas oper\u00e1rios, populares e juvenis<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p>O PTR tamb\u00e9m desenvolvia agita\u00e7\u00e3o e propaganda sobre a necessidade de uma revolu\u00e7\u00e3o. Mas o fazia em torno do eixo de atividade para obter sua legaliza\u00e7\u00e3o e originar a forma\u00e7\u00e3o de uma frente eleitoral de esquerda (a partir do modelo da FIT-U argentina), na perspectiva das elei\u00e7\u00f5es presidenciais e legislativas convocadas para novembro de 2021.<\/p>\n<p>Novamente, para evitar falsas pol\u00eamicas, expressamos abertamente que nem a LIT-QI nem suas se\u00e7\u00f5es padecem de cretinismo antieleitoral e antiparlamentar. Consideramos totalmente correto que uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria busque sua legaliza\u00e7\u00e3o para intervir nas elei\u00e7\u00f5es burguesas e, se for o caso, ter parlamentares. O que dizemos \u00e9 que, como dizia L\u00eanin, essa atividade s\u00f3 deve ser <em>\u201cum ponto de apoio secund\u00e1rio\u201d<\/em> para o est\u00edmulo e a participa\u00e7\u00e3o na luta de classes e nunca o eixo central da atividade de uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>Durante os meses mais intensos do processo<\/strong><\/p>\n<p>Deixemos de lado, por um momento, o debate sobre se o que explodiu em outubro de 2019 foi o in\u00edcio de um processo revolucion\u00e1rio ou s\u00f3 uma rebeli\u00e3o. A verdade \u00e9 que se manteve com firmeza e intensidade durante quatro meses, at\u00e9 que sofreu o impacto da pandemia do coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>Nesses quatro meses, o MIT jogou todas suas for\u00e7as para intervir, incentivar e tentar ajudar a orientar politicamente e organizar. Durante as manifesta\u00e7\u00f5es, sua coluna se localizava sempre no centro da <em>Plaza Dignidad<\/em>, em Santiago, e Mar\u00eda Rivera, sua principal figura p\u00fablica, apresentava suas propostas com um megafone. Inclusive uma foto da pra\u00e7a, onde se destaca a bandeira do MIT, foi espalhada no mundo, por diversas m\u00eddias.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, tentava organizar, impulsionar e coordenar as incipientes Assembleias Populares que surgiam nos bairros de Santiago e outras cidades do pa\u00eds (embri\u00f5es de organismos do processo), agrupar a Primeira Linha (os jovens que davam corpo ao enfrentamento com a repress\u00e3o) e lig\u00e1-la \u00e0s Assembleias. Por fim, estimular a entrada organizada da classe oper\u00e1ria no processo atrav\u00e9s dos militantes que o MIT tinha nas empresas de minera\u00e7\u00e3o, metal\u00fargicas, portu\u00e1rias, etc. Depois veremos, separadamente, a atividade de Mar\u00eda Rivera como defensora dos presos pol\u00edticos que essa luta ia produzindo.<\/p>\n<p>O PTR tamb\u00e9m interveio neste processo, especialmente na regi\u00e3o de Antofagasta (norte do pa\u00eds). Embora mantivesse o eixo em obter sua legaliza\u00e7\u00e3o eleitoral e a tarefa principal de seus militantes em Santiago fosse conseguir filia\u00e7\u00f5es para isso. A orienta\u00e7\u00e3o com centro nos processos eleitorais continuou. Em agosto de 2021, o PTR realizou seu IV Congresso no qual <em>\u201cse reafirmou a pol\u00edtica de organizar uma Frente de Esquerda anticapitalista, assim como fortalecer a aposta de diversas candidaturas de trabalhadores e trabalhadoras, com um programa socialista e revolucion\u00e1rio, para as elei\u00e7\u00f5es a serem realizadas em novembro\u201d<\/em><a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><em><strong>[5]<\/strong><\/em><\/a><em>.<\/em><\/p>\n<p>Lendo o artigo como um todo, o racioc\u00ednio \u00e9 o seguinte: houve uma grande rebeli\u00e3o mas seus efeitos j\u00e1 passaram, por isso, \u201ccontinuamos na mesma\u201d: nosso eixo s\u00e3o as elei\u00e7\u00f5es presidenciais e parlamentares de novembro de 2021. Como dissemos, temos um debate sobre a caracteriza\u00e7\u00e3o do significado de outubro de 2019 (foi o in\u00edcio de um processo revolucion\u00e1rio ou apenas uma forte rebeli\u00e3o?). Mas inclusive se a caracteriza\u00e7\u00e3o do PTR\/FT fosse correta (apenas uma forte rebeli\u00e3o), sua pol\u00edtica frente \u00e0s elei\u00e7\u00f5es para a Conven\u00e7\u00e3o Constitucional seria, da mesma forma, equivocada. Uma quest\u00e3o que retomaremos mais adiante.<\/p>\n<p><strong>A Conven\u00e7\u00e3o Constitucional<\/strong><\/p>\n<p>Vamos agora a uma quest\u00e3o muito importante neste debate: a convocat\u00f3ria \u00e0 Conven\u00e7\u00e3o Constitucional [Assembleia Constituinte] depois da vit\u00f3ria do \u201cAprovo\u201d (que a Conven\u00e7\u00e3o Constitucional fosse convocada) no plebiscito realizado em outubro de 2020, que come\u00e7ou a se reunir no ano seguinte e continua at\u00e9 hoje. Esta convocat\u00f3ria foi \u201cuma vit\u00f3ria parcial\u201d (ou deformada), como sustentam o MIT e a LIT-QI, ou \u00e9 apenas \u201cuma armadilha\u201d da burguesia, como afirmam o PTR e a FT?<\/p>\n<p>Para responder a esta pergunta, devemos partir do fato de que uma maioria do povo chileno odiava o governo de Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era e o via como uma express\u00e3o do regime pol\u00edtico constitucional e econ\u00f4mico herdado da transi\u00e7\u00e3o pactuada para sair da ditadura. Um regime que nenhum dos governos posteriores, da direita ou da Concerta\u00e7\u00e3o, havia mudado. Por isso, essa maioria do povo chileno aspirava derrubar Pi\u00f1era e mudar a Constitui\u00e7\u00e3o. Um sentimento que eclodiu em outubro de 2019 e que se expressou no <em>\u201cs\u00e3o 30 anos\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>O governo Pi\u00f1era (e os setores burgueses que representava), com certeza, n\u00e3o queriam ir embora e nem queriam uma nova constitui\u00e7\u00e3o. A for\u00e7a do processo iniciado em outubro de 2019 imp\u00f4s a realiza\u00e7\u00e3o do plebiscito de 2020. Frente a ele, defenderam o recha\u00e7o \u00e0 convocat\u00f3ria da Conven\u00e7\u00e3o mas foram amplamente derrotados: inclusive em plena pandemia, 78% dos participantes votaram pela realiza\u00e7\u00e3o da Assembleia Constituinte.<\/p>\n<p>Com justi\u00e7a, as massas chilenas sentiram que tinham obtido um primeiro triunfo da luta iniciada em outubro de 2019. Uma vit\u00f3ria parcial (ou deformada) porque poderia se discutir e redigir uma nova constitui\u00e7\u00e3o mas o governo de Pi\u00f1era continuava. Assim caracterizaram o MIT e a LIT-QI. Por seu lado, com total sectarismo para esse justo sentimento das massas, o PTR e a FT diziam que as massas \u201ctinham ca\u00edda em uma armadilha\u201d da burguesia.<\/p>\n<p>Analisemos um pouco este ponto. \u00c9 verdade que outros setores burgueses, diante da certeza de que n\u00e3o poderiam impedir sua convocat\u00f3ria, come\u00e7aram a trabalhar para transform\u00e1-la em uma armadilha para desviar o processo revolucion\u00e1rio iniciado em outubro de 2019 para este mecanismo da democracia burguesa, apoiando-se nas ilus\u00f5es das massas chilenas.<\/p>\n<p>Por exemplo, a Concerta\u00e7\u00e3o chamou para votar pelo \u201cAprovo\u201d. Depois de sua convocat\u00f3ria e da elei\u00e7\u00e3o dos constituintes, estabeleceu um acordo t\u00e1cito com os setores representados pelo governo de Pi\u00f1era para evitar que fosse uma \u201cconven\u00e7\u00e3o soberana\u201d, ou seja, que assumisse como a \u00fanica institui\u00e7\u00e3o de governo e pudesse redigir uma nova constitui\u00e7\u00e3o do zero. Como parte disso, pactuaram os regulamentos antidemocr\u00e1ticos do que poderia ser mudado ou n\u00e3o da velha constitui\u00e7\u00e3o. Com uma verborragia que tentava ser diferenciada, o PC (Partido Comunista) acompanhava essa pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Por isso, ao mesmo tempo em que caracteriz\u00e1vamos uma \u201cvit\u00f3ria parcial\u201d <em>denunci\u00e1vamos<\/em> a \u201carmadilha\u201d. Em dezembro de 2020, o MIT afirmava:<em> \u201cGanhamos uma batalha, mas n\u00e3o a guerra. Os inimigos do povo (os grandes empres\u00e1rios e seus partidos pol\u00edticos) est\u00e3o se reorganizando. Com o Processo Constituinte querem ganhar tempo. Agora est\u00e3o discutindo a melhor forma de enganar o povo ao passo que reprimem os que continuam lutando\u201d<\/em><a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><em><strong>[6]<\/strong><\/em><\/a>.<\/p>\n<p>Uma pol\u00edtica da burguesia que acabou bem sucedida: a Conven\u00e7\u00e3o acabou por ser esterilizada e, nesse sentido, transformada em um beco sem sa\u00edda para as reivindica\u00e7\u00f5es e aspira\u00e7\u00f5es das massas. Nenhum revolucion\u00e1rio poderia esperar outro final de uma institui\u00e7\u00e3o da democracia burguesa. Mas isso n\u00e3o elimina o fato de que sua convocat\u00f3ria\u00a0 tenha sido uma vit\u00f3ria parcial da luta e que o eixo do debate pol\u00edtico do pa\u00eds e das massas girou em torno da conven\u00e7\u00e3o. Era uma obriga\u00e7\u00e3o dos revolucion\u00e1rios tom\u00e1-la como um centro para intervir neste processo e assim acompanhar e gerar a necess\u00e1ria experi\u00eancia das massas com ela, e disputar sua consci\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>A Lista do Povo<\/strong><\/p>\n<p>Uma das cr\u00edticas mais duras que o artigo do PTS faz \u00e9 sobre a participa\u00e7\u00e3o do MIT e de Mar\u00eda Rivera na Lista do Povo, nas elei\u00e7\u00f5es para a Conven\u00e7\u00e3o, ao inv\u00e9s de ser atrav\u00e9s do PTR que tinha conseguido sua legalidade, e apresentou essa proposta ao MIT. Para o PTS\/PTR, a Lista do Povo era <em>\u201cuma lista reformista populista\u201d <\/em>e n\u00e3o um <em>\u201creagrupamento de ativistas com uma pol\u00edtica independente ap\u00f3s 30 anos do velho regime de transi\u00e7\u00e3o, muito menos algum fen\u00f4meno de vanguarda oper\u00e1ria\u201d. <\/em>A conclus\u00e3o \u00e9 que <em>\u201co MIT conquistou seu constituinte de forma oportunista\u201d <\/em>e n\u00e3o atrav\u00e9s de <em>\u201cuma interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica independente\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Como muitas vezes ocorre nos debates com o PTS, \u00e9 necess\u00e1rio esclarecer o contexto e os fatos da forma\u00e7\u00e3o da Lista do Povo e porque essa foi a t\u00e1tica eleitoral que o MIT a colocou em pr\u00e1tica. As mobiliza\u00e7\u00f5es iniciadas em outubro de 2019 (qualquer que seja a defini\u00e7\u00e3o dada ao processo) tiveram um car\u00e1ter de luta popular: em geral, a classe oper\u00e1ria n\u00e3o participou de forma organizada embora muitos trabalhadores participaram. \u00c9 uma particularidade que tem ocorrido em numerosas lutas deste s\u00e9culo, em v\u00e1rios pa\u00edses. Muitos jovens oper\u00e1rios \u201cse cuidavam\u201d em suas empresas para n\u00e3o perder o emprego e, fora delas, se organizavam para lutar na Primeira Linha. Com certeza, para os revolucion\u00e1rios \u00e9 melhor uma participa\u00e7\u00e3o central da classe oper\u00e1ria como tal e tentamos impulsionar. Entretanto, como Trotsky dizia: <em>\u201cPara n\u00f3s basta tomar os fatos tal como nos s\u00e3o oferecidos pelo processo hist\u00f3rico\u201d.<\/em><\/p>\n<p>No contexto destas caracter\u00edsticas do processo de outubro de 2019, na <em>Plaza Dignidad<\/em> e em outros lugares, apareciam ativistas, alguns dos quais ganharam popularidade e influ\u00eancia. Foi o caso da pitoresca Tia Pikachu, que depois decidiu candidatar-se \u00e0 constituinte, integrou-se na Lista do Povo, e acabou sendo eleita pelo seu distrito. Mas tamb\u00e9m houve muitos outros ativistas dessa luta, menos pitorescos, que tamb\u00e9m decidiram se candidatar e queriam faz\u00ea-lo como \u201cindependentes\u201d.<\/p>\n<p>Para o MIT e a LIT-QI, era o fen\u00f4meno mais progressivo frente \u00e0 elei\u00e7\u00e3o de constituintes porque, com suas virtudes e defeitos, expressava o processo de lutas iniciado em outubro de 2019. A t\u00e1tica de formar a Lista do Povo esteve destinada a promover a express\u00e3o pol\u00edtica eleitoral desse fen\u00f4meno e, nesse marco, tentar ganhar esses ativistas (e sua base eleitoral) para um programa revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>. A Lista do Povo n\u00e3o tinha esse programa e s\u00f3 havia acordos sobre alguns aspectos b\u00e1sicos: a reivindica\u00e7\u00e3o da luta iniciada em outubro de 2019, o rep\u00fadio ao regime existente e ao governo de Pi\u00f1era, e a necessidade de uma nova constitui\u00e7\u00e3o votada por uma Conven\u00e7\u00e3o soberana. Sobre muitas outras quest\u00f5es de fundo n\u00e3o havia acordo entre seus candidatos.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, o sistema de elei\u00e7\u00e3o dos constituintes (s\u00f3 eram votados em seus respectivos distritos) fazia com que cada um desenvolvesse sua pr\u00f3pria campanha e suas propostas sobre estas quest\u00f5es. Foi o que Mar\u00eda Rivera fez no Distrito 8 de Santiago: durante sua campanha eleitoral apresentou um \u201cprograma de transi\u00e7\u00e3o\u201d que, no marco de propostas de luta que respondiam \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es e necessidades dos trabalhadores e do povo chileno, come\u00e7ava por <em>Fora Pi\u00f1era e todos eles!<\/em> E terminava com a consigna <em>Trabalhadores\/as ao poder pela via da revolu\u00e7\u00e3o! <\/em><a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><em><strong>[7]<\/strong><\/em><\/a><\/p>\n<p>Partindo \u00a0de todas estas considera\u00e7\u00f5es, reivindicamos como totalmente correto ter impulsionado a t\u00e1tica de formar a Lista do Povo para as elei\u00e7\u00f5es para a Conven\u00e7\u00e3o. Acreditamos que seus resultados eleitorais confirmam o acerto desta t\u00e1tica j\u00e1 que, tal como reconhece o artigo do PTS,<em> \u201cA Lista do Povo conquistou 27 constituintes com cerca de 1 milh\u00e3o de votos na Conven\u00e7\u00e3o\u201d<\/em> (entre os quais esteve Mar\u00eda Rivera). Ou seja, foi uma ferramenta eleitoral \u00fatil para agrupar e politizar uma parcela da vanguarda surgida em outubro de 2019 e assim disputar uma faixa do eleitorado n\u00e3o apenas com a burguesia mas tamb\u00e9m com a esquerda aliada \u00e0 burguesia e\/ou burocr\u00e1tica\u00a0 (o PS integra a Concerta\u00e7\u00e3o junto com a Democracia Crist\u00e3, e o PC aliou-se com a Frente Ampla na lista Chile Digno).<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>Por sua vez, o PTR obteve 87.000 votos a n\u00edvel nacional e n\u00e3o elegeu nenhum constituinte. Novamente, para evitar falsas pol\u00eamicas: \u00e9 comum que, em muitos casos, as organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias obtenham poucos votos nas elei\u00e7\u00f5es burguesas. Mas nestas elei\u00e7\u00f5es havia um fen\u00f4meno muito progressivo que expressava as lutas de 2019 e suas reivindica\u00e7\u00f5es (a Lista do Povo), o que nos permitia ampliar muit\u00edssimo essa audi\u00eancia.\u00a0 Era isso o que tinha que ser impulsionado, politizado e disputado. Mas, atado ao esquema que vinha da Argentina (formar uma FIT-U), o PTR d\u00e1 as costas a este fen\u00f4meno e o combate. Foi um erro t\u00e1tico muito grave, mais ainda na vis\u00e3o da FT sobre a import\u00e2ncia dos resultados eleitorais no reagrupamento da vanguarda.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Neste ponto, antes de abordar outros em debate, \u00e9 importante fazer um balan\u00e7o da din\u00e2mica de ambas as organiza\u00e7\u00f5es em todo este tempo. Antes da explos\u00e3o de outubro de 2019, o PTR tinha maior quantidade de militantes que o MIT, embora se focassem em diferentes setores: o PTR concentrava seu trabalho nos meios universit\u00e1rios enquanto que o MIT tentava se construir nas estruturas oper\u00e1rias, especialmente entre os trabalhadores mineiros, e nos bairros populares. Depois destes dois anos e meio, o PTR continua praticamente igual, enquanto que o MIT n\u00e3o apenas teve um crescimento importante, mas tamb\u00e9m ganhou maior influ\u00eancia\u00a0 e abriu um di\u00e1logo com um setor, pequeno por\u00e9m real, da vanguarda oper\u00e1ria, popular e juvenil que participou do processo iniciado em outubro de 2019.<\/p>\n<p>Finalmente, para fechar esta quest\u00e3o, quando um setor de constituintes eleitos pela Lista do Povo come\u00e7ou a organizar um projeto de transformar a lista em uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica permanente que se integraria ao \u201csistema\u201d, o MIT rompeu com ela. Nesse momento, o MIT expressou em um artigo: <em>\u201cpara n\u00f3s o mais importante \u00e9 o programa que os partidos\/organiza\u00e7\u00f5es defendem e quais interesses defendem dentro da sociedade\u201d<\/em><a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><em><strong>[8]<\/strong><\/em><\/a><em>. <\/em>A verdade \u00e9 que Mar\u00eda Rivera agiu na Conven\u00e7\u00e3o de modo completamente independente, denunciando, por um lado, a \u201carmadilha institucional\u201d e, por outro, realizando acordos concretos com constituintes que se mantinham independentes, para impulsionar lutas como a nacionaliza\u00e7\u00e3o\/estatiza\u00e7\u00e3o da minera\u00e7\u00e3o (principal ramo da economia chilena) ou a defesa dos direitos do povo mapuche.<\/p>\n<p><strong>A elei\u00e7\u00e3o de Mar\u00eda Rivera e sua atua\u00e7\u00e3o na Constituinte<\/strong><\/p>\n<p>Acreditamos ser necess\u00e1rio aprofundar esta quest\u00e3o: o PTS\/PTR disse que ela foi eleita de <em>\u201cforma oportunista\u201d<\/em> (algo que o MIT e a LIT-QI estar\u00edamos tentando \u201cocultar\u201d) e que <em>\u201cela quase n\u00e3o foi vista em lutas reais\u201d.<\/em> Com estas considera\u00e7\u00f5es, o PTS\/PTR excede as cr\u00edticas que surgem das diferen\u00e7as que t\u00eam com a pol\u00edtica que Mar\u00eda defende (e inclusive com as t\u00e1ticas que derivam dela). Demonstram um profundo desprezo pela trajet\u00f3ria de uma militante que (para al\u00e9m das diferen\u00e7as que tenham com ela, com seu partido e com a corrente \u00e0 qual pertence) tem d\u00e9cadas de luta a servi\u00e7o da classe trabalhadora. \u00c9 uma atitude que nos indigna: voc\u00eas podem escrever o que quiserem em seus artigos jornal\u00edsticos, mas n\u00e3o poderiam defend\u00ea-lo por um minuto em uma assembleia de familiares de presos pol\u00edticos chilenos, que estiveram na Primeira Linha ou em muitas estruturas oper\u00e1rias \u00e0s quais nossa camarada esteve ligada.<\/p>\n<p>Mar\u00eda tem 64 anos. Come\u00e7ou a militar aos 12 anos em apoio, como muitos jovens chilenos, \u00e0 candidatura de Salvador Allende. Dois anos depois, tornou-se ativista em sua escola secund\u00e1ria, como parte da FER (Frente de Estudantes Revolucion\u00e1rios, ligada ao MIR-Movimento de Esquerda Revolucion\u00e1ria). Em 1980, \u00e9 detida pela CNI (Central Nacional de Informa\u00e7\u00f5es), o servi\u00e7o de intelig\u00eancia da ditadura de Pinochet e fica presa no quartel Borgo\u00f1o, um dos maiores centros de deten\u00e7\u00e3o e tortura da ditadura, do qual \u00e9 sobrevivente. Em 1983, junto com seus filhos, se exila na Argentina, pa\u00eds no qual entra nas fileiras do MAS (Movimento ao Socialismo) onde milita, entre outros lugares, em bairros oper\u00e1rios de Lan\u00fas, durante sete anos. Em 1990, p\u00f4de voltar ao Chile e, desde ent\u00e3o, \u00e9 ativa construtora das organiza\u00e7\u00f5es da LIT-QI.<\/p>\n<p>Em 2004, \u00e9 reconhecida como \u201csobrevivente de pris\u00e3o pol\u00edtica e torturas\u201d durante a ditadura. Depois, j\u00e1 como ativista pelos DDHH, decide usar sua bolsa pela repara\u00e7\u00e3o para estudar Direito. Em 2008, \u00e9 fundadora da Defensoria Popular, organiza\u00e7\u00e3o de advogados que atende sem custo as v\u00edtimas da repress\u00e3o policial e estatal. Em 2010, se gradua como advogada e se transforma em uma das principais figuras defensoras de presos pol\u00edticos e v\u00edtimas da repress\u00e3o, muito querida e respeitada por numerosos ativistas sindicais, juvenis e populares.<\/p>\n<p>O processo de luta iniciado em outubro de 2019 a encontrou disposta, como parte da coluna do MIT na <em>Plaza Dignidad<\/em>, onde sua figura se destacava agitando com um megafone. Ao mesmo tempo, redobrou sua atividade como advogada ao tomar a defesa de muitos membros da Primeira Linha, detidos e presos pela repress\u00e3o do governo de Pi\u00f1era. Inclusive em plena pandemia, arriscou sua sa\u00fade ao ir permanentemente \u00e0s pris\u00f5es (onde o coronav\u00edrus se expandia aceleradamente) para atender \u00e0queles que defendia. Muitos deles defenderam e apoiaram sua candidatura \u00e0 constituinte frente \u00e0queles que a acusam de \u201coportunista\u201d.<\/p>\n<p>Apresentou-se como candidata \u00e0 constituinte pelo Distrito 8 de Santiago que, com 1,5 milh\u00e3o de habitantes, \u00e9 o maior do pa\u00eds e onde se encontram v\u00e1rias comunas oper\u00e1rias e populares. Nesse distrito, sua candidatura foi apoiada por mais de 5.000 assinaturas e obteve mais de 16.000 votos, umas das vota\u00e7\u00f5es individuais mais altas desse distrito. Mar\u00eda foi eleita pela sua trajet\u00f3ria de lutadora e, especialmente, pela atividade desenvolvida a partir de outubro de 2019. Sua integra\u00e7\u00e3o \u00e0 Lista do Povo foi feita por considera\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. N\u00e3o teve nada de \u201coportunista\u201d: teria sido eleita em qualquer lista que integrasse.<\/p>\n<p>Dissemos que as considera\u00e7\u00f5es do artigo do PTS excedem o debate de diferen\u00e7as pol\u00edticas. D\u00e1 a impress\u00e3o de que expressa diferentes crit\u00e9rios de classe para avaliar os fatos; neste caso, a elei\u00e7\u00e3o como parlamentares de lutadores oper\u00e1rios e de esquerda. Por exemplo, tal como cita o pr\u00f3prio artigo do PTS, para al\u00e9m das diferen\u00e7as que tenhamos com este partido, o PSTU da Argentina e da LIT-QI expressamos que <em>\u201ca elei\u00e7\u00e3o, pela primeira vez, de um trabalhador e deputado de origem ind\u00edgena como Alejandro Vilca \u00e9 digna de comemora\u00e7\u00e3o&#8221;. <\/em>Da mesma forma, comemoramos a boa vota\u00e7\u00e3o da FIT-U e a elei\u00e7\u00e3o de outros deputados. Mas parece que, para o PTS, como Mar\u00eda n\u00e3o foi eleita pela lista do PTR deixou de ser uma grande lutadora e passou a ser uma \u201coportunista\u201d, \u201cgritona e charlat\u00e3\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, parece que a burguesia, a direita e os \u00f3rg\u00e3os repressivos do Chile n\u00e3o opinam o mesmo. Desde outubro de 2019, recebeu numerosas amea\u00e7as de morte <a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a> e o comando dos Carabineiros apresentou contra ela uma den\u00fancia pelo suposto delito de <em>\u201csedi\u00e7\u00e3o\u201d.<\/em> A m\u00eddia digital <em>El L\u00edbero<\/em> publicou um artigo apoiando esta acusa\u00e7\u00e3o: Mar\u00eda Rivera \u00e9 <em>\u201cA advogada que incentivou a ruptura nos Carabineiros para derrotar o governo e que agora quer ser constituinte\u201d.<\/em> N\u00e3o \u00e9 qualquer m\u00eddia: \u00e9 editada por uma sociedade cujos cinco s\u00f3cios fundadores s\u00e3o Hern\u00e1n B\u00fcchi B., Gabriel Ruiz Tagle, Eduardo Sep\u00falveda M., Jos\u00e9 Antonio Guzm\u00e1n A. e Carlos Kubick O., economistas e empres\u00e1rios integrantes da \u201cnata\u201d da burguesia formada com Pinochet e que se manteve nestes 30 anos (Pi\u00f1era faz parte dessa \u201cnata\u201d) <a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>O exemplo do <\/strong><strong>Brasil<\/strong><\/p>\n<p>O debate que estamos realizando n\u00e3o se limita ao Chile e \u00e0 Argentina: \u00e9 um debate geral de concep\u00e7\u00f5es que inclui, por um lado, os crit\u00e9rios para caracterizar os processos de luta e, por outro, qual deve ser o centro da atividade de uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria para construir-se, ajudar o reagrupamento e o desenvolvimento da consci\u00eancia dos ativistas e lutadores, e avan\u00e7ar na supera\u00e7\u00e3o da crise de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Para a LIT-QI e suas se\u00e7\u00f5es, a atividade central deve ser a agita\u00e7\u00e3o e a propaganda revolucion\u00e1rias ligadas \u00e0s lutas e aos processos profundos da classe oper\u00e1ria e das massas. Nesse marco, a atividade eleitoral e parlamentar \u00e9, como dizia Lenin, um ponto de apoio secund\u00e1rio a servi\u00e7o desse centro. Para a FT e suas se\u00e7\u00f5es, para desenvolver a agita\u00e7\u00e3o e a propaganda, o centro passou a ser a atividade eleitoral e parlamentar, obter muitos votos, e eleger deputados. Em fun\u00e7\u00e3o disso, transformou em sua proposta principal a forma\u00e7\u00e3o de frentes eleitorais de esquerda (ou partidos frente) que, quando concretizam, acabam tendo um perfil \u201canticapitalista\u201d: ou seja, de unidade dos revolucion\u00e1rios com os reformistas \u201chonestos\u201d (\u00e0s vezes, nem tanto).<\/p>\n<p>Esta concep\u00e7\u00e3o e pol\u00edtica se expressaram com nitidez e sem ambiguidades no Brasil onde a FT tinha conseguido construir uma organiza\u00e7\u00e3o inicial (a LER, Liga Estrat\u00e9gia Revolucion\u00e1ria) que, dos meios universit\u00e1rios, buscava se expandir para a classe oper\u00e1ria. No contexto de importantes lutas contra o governo de Dilma Rousseff, do PT (que o PSTU brasileiro impulsionava diretamente e atrav\u00e9s de sua influ\u00eancia na CSP-Conlutas), a LER mudou seu nome para MRT (Movimento Revolucion\u00e1rio dos Trabalhadores).<\/p>\n<p>A atividade inicial central do MRT foi o desenvolvimento de uma campanha para entrar no PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), um partido-frente eleitoral do qual participam v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es que se reivindicam trotskistas, mas que \u00e9 dirigido por setores ultra reformistas e pr\u00f3-burocr\u00e1ticos ligados ao PT de Lula. At\u00e9 aqui, poderia se tratar apenas de uma t\u00e1tica para entrar no PSOL, crescer um pouco, e sair fortalecidos.<\/p>\n<p>Entretanto, esse n\u00e3o era o racioc\u00ednio do MRT\/FT. No \u201cManifesto do Movimento Revolucion\u00e1rio de Trabalhadores, em campanha pelo #MRTnoPSOL\u201d, se afirma:<\/p>\n<p><em>\u201cO PSOL \u00e9 um partido que, acima de tudo, nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, com a candidatura de Luciana Genro e diversos deputados, apareceu como uma alternativa \u00e0 esquerda do PT para uma importante audi\u00eancia de massas. Luciana teve 1,6 milh\u00f5es de votos como uma importante express\u00e3o do combate aos setores mais conservadores da pol\u00edtica brasileira\u201d. <\/em>Por isso, a proposta do MRT \u00e9 <em>\u201clutar com nossas ideias revolucion\u00e1rias dentro do PSOL para construir uma forte alternativa dos trabalhadores\u201d.<\/em> Pelo contr\u00e1rio, <em>\u201co PSTU, apesar de levantar pontos corretos de programa, vem renunciando a apresentar-se como verdadeira alternativa, cada vez mais restrito a um sindicalismo que agita na propaganda \u00e0 \u2018greve geral\u2019, mas n\u00e3o d\u00e1 uma resposta \u00e0 crise do PT nem \u00e0 luta de classes\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Em outro material, o MRT caracteriza que, pela diferen\u00e7a nos votos obtidos por ambos os partidos nas elei\u00e7\u00f5es, <em>\u201co que devemos ter n\u00edtido \u00e9 que a tend\u00eancia \u00e9 a emerg\u00eancia pol\u00edtica do PSOL frente \u00e0 crise do PT e que o PSTU se consolida como uma\u00a0 grande seita sindicalista que desaparece do terreno pol\u00edtico\u201d,<\/em> apesar de reconhecer que <em>\u201cna CSP-Conlutas est\u00e3o os sindicatos antigovernistas do pa\u00eds\u201d <\/em><a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"><em><strong>[11]<\/strong><\/em><\/a><em>.<\/em><\/p>\n<p>Passemos a limpo o racioc\u00ednio do MRT\/FT: o importante para ter peso pol\u00edtico e \u201cser alternativa\u201d na vanguarda e no ativismo oper\u00e1rio e popular \u00e9 obter muitos votos e deputados. Se ao contr\u00e1rio, tem peso de dire\u00e7\u00e3o na central na qual se agrupam os sindicatos que lutavam contra o governo do PT (ou seja, peso estrutural e organizativo na classe trabalhadora), mas se obt\u00e9m poucos votos, um partido se converte em uma <em>\u201cseita sindicalista grande\u201d<\/em> sem futuro pol\u00edtico.<\/p>\n<p>O MRT n\u00e3o conseguiu entrar no PSOL mas permaneceu \u201csat\u00e9lite\u201d v\u00e1rios anos ao redor deste partido. A realidade deu um duro golpe nesta concep\u00e7\u00e3o e nesta pol\u00edtica: o PSOL foi girando cada vez mais \u00e0 direita e aproximando-se ao PT de Lula, a tal ponto que nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es presidenciais nem sequer apresentar\u00e1 candidato pr\u00f3prio, mas apoiar\u00e1 a f\u00f3rmula de Lula e Geraldo Alckmin (um homem proveniente da direita tradicional que, quando foi governador do Estado de S\u00e3o Paulo, reprimiu duramente as lutas).<\/p>\n<p>Como continuar acompanhando o PSOL j\u00e1 era \u201cinsuport\u00e1vel\u201d, o MRT deu um giro e agora participa do Polo Socialista e Revolucion\u00e1rio, a proposta eleitoral liderada pelo PSTU brasileiro. Parece, ent\u00e3o, que o partido da LIT-QI deixou de ser uma \u201cgrande seita sindicalista\u201d sem futuro pol\u00edtico.<\/p>\n<p><strong>Finalmente, Argentina<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0 diferen\u00e7a do Chile e do Brasil, onde a pol\u00edtica da FT foi derrotada pela realidade, na Argentina est\u00e1 dando bons resultados: a influ\u00eancia eleitoral da FIT-U cresce, elege v\u00e1rios parlamentares e, nesse marco, o PTS (a organiza\u00e7\u00e3o mais forte da FIT-U) seguramente amplia sua audi\u00eancia e sua milit\u00e2ncia.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o do PTS \u00e9: <em>\u201cTudo isso foi conseguido a partir da agita\u00e7\u00e3o de um programa anticapitalista e socialista\u2026que mostra \u00e0 esquerda que \u00e9 poss\u00edvel obter influ\u00eancia em setores amplos da vanguarda (em perspectiva de massas) sem rebaixar o programa anticapitalista\u2026\u201d<\/em> na perspectiva de <em>\u201ca constru\u00e7\u00e3o de uma frente \u00fanica oper\u00e1ria para derrotar os ajustes e o acordo do FMI e abrir um caminho na mobiliza\u00e7\u00e3o independente da classe trabalhadora e do povo\u201d<\/em> [\u2026] <em>\u201cEssa \u00e9 a estrat\u00e9gia que marca a atua\u00e7\u00e3o do PTS na FIT e suas tribunas parlamentares: desenvolver a mobiliza\u00e7\u00e3o e preparar a frente \u00fanica para a luta contra o acordo do FMI, sustentando uma pol\u00edtica independente dos blocos capitalistas da direita e do peronismo\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Nos artigos citados no in\u00edcio se desenvolve a cr\u00edtica que o programa \u201canticapitalista\u201d que o PTS e a FIT-U agitam \u00e9, na realidade, um programa rebaixado que n\u00e3o levanta abertamente a necessidade de uma revolu\u00e7\u00e3o contra o regime democr\u00e1tico burgu\u00eas. Aqui queremos focar na rela\u00e7\u00e3o entre os processos de luta e a a\u00e7\u00e3o eleitoral e parlamentar dos revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s, como dissemos, o central s\u00e3o os processos de luta, e a a\u00e7\u00e3o eleitoral parlamentar deve estar a seu servi\u00e7o. Para o PTS, pelo menos em sua atividade concreta, \u00e9 o contr\u00e1rio. Nesse marco, se d\u00e1 o debate sobre como se avan\u00e7a na constru\u00e7\u00e3o de uma \u201c<em>frente \u00fanica para a luta contra o acordo do FMI\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Um fato recente nos permite ver com nitidez as diferen\u00e7as entre nossas pol\u00edticas. O Congresso argentino votava a aprova\u00e7\u00e3o do acordo que o governo de Alberto Fern\u00e1ndez e Cristina Kirchner tinha assinado com o FMI. N\u00e3o era uma quest\u00e3o menor, mas essencial: o acordo reafirmava e aprofundava a depend\u00eancia semicolonial do pa\u00eds com o imperialismo e o car\u00e1ter do Congresso como uma institui\u00e7\u00e3o a seu servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Fora do congresso se desenvolveu uma importante mobiliza\u00e7\u00e3o popular que tentou impedir essa aprova\u00e7\u00e3o (inclusive houve ataques com pedras \u00e0s janelas dos gabinetes de parlamentares) que acabou sendo duramente reprimida. Para qualquer lutador, n\u00e3o socialista, mas anti-imperialista, com sangue nas veias, era absolutamente n\u00edtido que esse era o centro da atividade dos revolucion\u00e1rios e que a a\u00e7\u00e3o dos parlamentares revolucion\u00e1rios devia estar a servi\u00e7o disto. Ao mesmo tempo, essa mobiliza\u00e7\u00e3o era uma alavanca concreta para avan\u00e7ar na constru\u00e7\u00e3o de uma \u201c<em>frente \u00fanica para a luta contra o acordo do FMI\u201d.<\/em><\/p>\n<p>O PTS, indiscutivelmente, chamou essa mobiliza\u00e7\u00e3o e sua coluna esteve presente nela. Mas sua pol\u00edtica profunda era que servisse como um elemento de press\u00e3o para a a\u00e7\u00e3o de seus parlamentares, o que caracterizam como <em>\u201cduras lutas pol\u00edticas em que nossos deputados interv\u00eam no Parlamento, nas quais houve dezenas de encruzilhadas e duros debates com representantes dos blocos capitalistas, seja de direita ou peronistas, como a den\u00fancia ao acordo com o FMI\u2026\u201d<\/em><\/p>\n<p>Por\u00e9m pelo car\u00e1ter de institui\u00e7\u00e3o semicolonial do Parlamento argentino, essa batalha estava perdida de antem\u00e3o e nenhum <em>\u201cduro debate\u201d <\/em>mudaria essa realidade. Se alguma coisa poderia impedir a vota\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel ao acordo com o FMI era a mobiliza\u00e7\u00e3o e a luta que se desenvolvia fora do Congresso, e os deputados da FIT-U deveriam colocar sua a\u00e7\u00e3o a servi\u00e7o dessa luta e n\u00e3o continuar, como se nada acontecesse, com seu duro debate parlamentar.<\/p>\n<p>Os deputados da FIT-U n\u00e3o fizeram nada disso. Por isso, tem raz\u00e3o o artigo do PSTU argentino que critica sua atua\u00e7\u00e3o nesse dia e expressa que deviam <em>\u201cao menos fazer algo como o que Zamora fez em 1991 quando repudiou a presen\u00e7a de Bush no Congresso\u201d<\/em> (e por isso foi expulso aos empurr\u00f5es do recinto) ou <em>\u201cter feito um esc\u00e2ndalo quando come\u00e7ou a repress\u00e3o e apresentar uma mo\u00e7\u00e3o para suspender a sess\u00e3o\u201d<\/em> <a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\"><em><strong>[12]<\/strong><\/em><\/a><em>. <\/em>Os deputados da FIT-U n\u00e3o fizeram nada disso. Inclusive, como destaca este \u00faltimo artigo <em>\u201cat\u00e9 uma queima de coberturas (que n\u00e3o deixa de ser um ato simb\u00f3lico) gerou recha\u00e7o da for\u00e7as da FIT-U\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Ent\u00e3o, camaradas do PTS, estamos discutindo uma quest\u00e3o muito profunda: duas concep\u00e7\u00f5es sobre qual \u00e9 o caminho para avan\u00e7ar para uma estrat\u00e9gia de revolu\u00e7\u00e3o socialista e, nesse caminho, como avan\u00e7amos na constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. O caminho \u00e9 impulsionar e intervir nas lutas, e a atividade eleitoral e parlamentar deve ser posta como um ponto de apoio secund\u00e1rio a esta tarefa, como sustenta a LIT-QI? Ou o centro da atividade atual deve ser a a\u00e7\u00e3o eleitoral e parlamentar e nela reagrupar a vanguarda como algo pr\u00e9vio a um verdadeiro impulso das lutas como sustenta de fato o PTS\/FT?<\/p>\n<p>Como vimos, esta orienta\u00e7\u00e3o fracassou no Chile e no Brasil. No entanto, \u00e9 na Argentina onde a FIT-U ganha peso eleitoral e parlamentar, que se torna muito mais perigosa, porque acaba sendo um fator que freia o desenvolvimento das lutas reais, como neste enfrentamento contra a aprova\u00e7\u00e3o do acordo com o FMI e, pelo mesmo motivo, freia o avan\u00e7o na constru\u00e7\u00e3o de uma verdadeira alternativa de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> O artigo do PTS pode ser visto em:<a href=\"https:\/\/www.laizquierdadiario.com\/La-LIT-y-la-perdida-de-la-brujula-estrategica-Para-que-intervenir-en-elecciones-y-el-parlamento\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.laizquierdadiario.com\/La-LIT-y-la-perdida-de-la-brujula-estrategica-Para-que-intervenir-en-elecciones-y-el-parlamento<\/a>; os artigos da LIT-QI em: <a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/argentina-a-adaptacao-dos-deputados-da-fit-u-ao-parlamento-burgues\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/argentina-a-adaptacao-dos-deputados-da-fit-u-ao-parlamento-burgues\/<\/a>\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/argentina-como-teria-que-enfrentar-o-acordo-com-o-fmi\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/argentina-como-teria-que-enfrentar-o-acordo-com-o-fmi\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Tomado da vers\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/trotsky\/1932\/histrev\/tomo1\/index.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leon Trotsky (1932): Historia de la Revoluci\u00f3n Rusa, Tomo I. (marxists.org)<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Sobre este debate, recomendamos ler o artigo de Alejandro Iturbe \u201cEn defensa de la revoluci\u00f3n permanente\u201d publicado na revista <em>Marxismo Vivo Nueva \u00c9poca N<sup>o<\/sup> 3<\/em> (Ediciones Marxismo Vivo, San Pablo, Brasil, 2013).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Ver, entre outros artigos da p\u00e1gina do MIT e da LIT-QI: https:\/\/www.vozdelostrabajadores.cl\/que-pasaria-no-acabamos-con-el-capitalismo<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> https:\/\/www.laizquierdadiario.cl\/spip.php?page=voice&amp;id_article=204723<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> O que podemos esperar do processo constituinte em: <a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/chile-6\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/chile-6\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> <a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/maria-rivera-uma-candidatura-independente-e-revolucionaria-ao-distrito-8\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/maria-rivera-uma-candidatura-independente-e-revolucionaria-ao-distrito-8\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> A crise na Lista do Povo e a sa\u00edda do MIT em:\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/64684-2\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/64684-2\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/declaracion-del-mit-sobre-la-persecucion-a-nuestra-camarada-maria-rivera\/\">https:\/\/litci.org\/es\/declaracion-del-mit-sobre-la-persecucion-a-nuestra-camarada-maria-rivera\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> https:\/\/litci.org\/es\/64805-2\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Para conhecer este debate de conjunto, recomendamos ler:\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/a-capitulacao-do-mrt-a-frente-popular\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/a-capitulacao-do-mrt-a-frente-popular\/<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O PTS (Partido dos Trabalhadores Socialistas, principal organiza\u00e7\u00e3o da corrente internacional FT-Fra\u00e7\u00e3o Trotskista da IV Internacional) da Argentina publicou um artigo no qual responde \u00e0s cr\u00edticas que realizamos sobre a atua\u00e7\u00e3o dos parlamentares da FIT-U (Frente de Esquerda e dos Trabalhadores \u2013 Unidade) que essa organiza\u00e7\u00e3o integra[1]. Como em nossos artigos reivindicamos a atua\u00e7\u00e3o da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":67007,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[94,121,145,1764,49],"tags":[1551,3962,4631,147,4632,4633],"class_list":["post-70545","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-argentina","category-brasil","category-chile","category-maria-rivera","category-polemica","tag-alejandro-iturbe","tag-camila-ruiz","tag-ivan-rabochi","tag-maria-rivera","tag-polemica-pts-ft","tag-pts-ft"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Maria-1.jpg","categories_names":["Argentina","Brasil","Chile","Maria Rivera","Pol\u00eamica"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70545","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=70545"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70545\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/67007"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=70545"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=70545"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=70545"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}