{"id":70532,"date":"2022-05-02T13:13:45","date_gmt":"2022-05-02T16:13:45","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=66816"},"modified":"2022-05-02T13:13:45","modified_gmt":"2022-05-02T16:13:45","slug":"10-anos-sem-carolina-garzon-que-os-governos-da-colombia-e-do-equador-respondam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/05\/02\/10-anos-sem-carolina-garzon-que-os-governos-da-colombia-e-do-equador-respondam\/","title":{"rendered":"10 anos sem Carolina Garz\u00f3n. Que os governos da Col\u00f4mbia e do Equador respondam"},"content":{"rendered":"<p><em>Carolina Garz\u00f3n, estudante da Universidade Distrital de Bogot\u00e1, dirigente do Partido Socialista dos Trabalhadores da Col\u00f4mbia e militante da Liga Internacional dos Trabalhadores, desapareceu em Quito, Equador, em 28 de abril de 2012. Dez anos se passaram desde seu desaparecimento sem que os governos da Col\u00f4mbia e do Equador tenham feito esfor\u00e7os para encontr\u00e1-lo, al\u00e9m dos tr\u00e2mites administrativos e burocr\u00e1ticos. \u00c9 uma hist\u00f3ria que se repete com os desaparecidos quando pertencem \u00e0 classe trabalhadora e aos setores populares.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: PST-Col\u00f4mbia<\/p>\n<p>Carolina havia adiado o semestre devido \u00e0 mudan\u00e7a no curr\u00edculo que obrigava aos alunos a mudar para o sistema de cr\u00e9ditos. Ele viajou para Quito para passar alguns dias l\u00e1 com alguns colegas da Universidade e algumas jovens argentinas. Depois viajaria ao Brasil para um congresso internacional de estudantes. Foi vista pela \u00faltima vez na manh\u00e3 daquele dia 28 de abril na casa onde ela estava hospedada. Daquele momento em diante, nunca mais se soube dela.<\/p>\n<p><strong>Uma jovem e incans\u00e1vel lutadora <\/strong><\/p>\n<p>Carolina come\u00e7ou nas lutas sociais ao mesmo tempo em que milhares de jovens, de escolas e col\u00e9gios p\u00fablicos, se mobilizaram junto de professores para enfrentar o corte nos repasses de recursos para a educa\u00e7\u00e3o, no movimento estudantil de 2007, em que os secundaristas de Bogot\u00e1 ocuparam mais de 100 escolas por mais de uma semana. Ela participou no col\u00e9gio Distrital de Veneza, ajudando seus companheiros que organizaram a UPJ (<em>Unidos pa\u00b4 no estar jodidos<\/em> &#8211; Unidos para n\u00e3o se ferrar).\u201d (<em>El Socialista, maio de 2012).<\/em><\/p>\n<p><strong>Campanha de busca<\/strong><\/p>\n<p>A partir do momento em que seu desaparecimento se tornou conhecido, uma campanha internacional foi organizada. Foi not\u00edcia em jornais como o <em>El Comercio<\/em> do Equador e o <em>El Tiempo<\/em> da Col\u00f4mbia. A campanha foi acompanhada por organiza\u00e7\u00f5es sindicais e estudantis como a Mesa ampla Nacional Estudantil (Mane), organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de esquerda, organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos e personalidades democr\u00e1ticas como a jornalista do <em>El Tiempo<\/em> Jineth Bedoya, v\u00edtima de estupro por um chefe paramilitar.<\/p>\n<p>No Equador, foi organizada uma comiss\u00e3o de busca com os pais de Carolina (Alix Mery Ardila e Walter Garz\u00f3n), sua irm\u00e3 Lina Garz\u00f3n e sua tia Flor Ardila. Militantes do Partido Socialista dos Trabalhadores da Col\u00f4mbia e do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado do Brasil foram enviados pela Liga Internacional dos Trabalhadores, que se juntaram aos militantes do Movimento pelo Socialismo do Equador (MAS). Walter Garz\u00f3n entrou em contato com familiares de desaparecidos impulsionando a cria\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o de Familiares e Amigos de Desaparecidos do Equador (Asfadec).<\/p>\n<p>A\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas de protesto foram realizadas nas embaixadas da Col\u00f4mbia e do Equador em v\u00e1rios pa\u00edses do mundo, exigindo que os governos investiguem. At\u00e9 o ent\u00e3o presidente do Equador, Rafael Correa, recebeu os parentes de Carolina em seu escrit\u00f3rio, mas tudo ficou em promessas. O mesmo aconteceu com os embaixadores dos dois pa\u00edses e o chancelaria colombiana. Por sua vez, os minist\u00e9rios p\u00fablicos n\u00e3o conseguiram avan\u00e7ar seriamente na investiga\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de algumas opera\u00e7\u00f5es de busca na \u00e1rea onde ela desapareceu. Na Col\u00f4mbia, a c\u00e2mera fotogr\u00e1fica de Carolina, que estava detida no Minist\u00e9rio P\u00fablico, junto com outros pertences, como seu computador, desapareceu por um tempo. N\u00e3o foi perdido permanentemente porque um esc\u00e2ndalo foi feito, mas a cadeia de cust\u00f3dia foi perdida.<\/p>\n<p><strong>A luta de Walter<\/strong><\/p>\n<p>O pai de Carolina Garz\u00f3n n\u00e3o poupou energias para procurar a filha. Infelizmente, em 12 de setembro de 2016, ele faleceu, ap\u00f3s mais de quatro anos dedicados exclusivamente a encontrar Carolina. No jornal <em>El Socialista<\/em> daquela data, escrevemos sobre as causas de sua morte:<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o podemos esquecer que sua morte prematura foi consequ\u00eancia dos efeitos f\u00edsicos da ang\u00fastia e da dor, o ex-promotor equatoriano Galo Chiriboga zombou de n\u00f3s por afirmar que os Estados colombianos e equatorianos t\u00eam grande responsabilidade pela morte de Walter, mas sua neglig\u00eancia, seu sil\u00eancio e sua cumplicidade oculta com os vitimizadores provam isso, no caso da Col\u00f4mbia a nega\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do direito \u00e0 sa\u00fade tamb\u00e9m contribuiu com seu nefasto gr\u00e3o de areia\u201d.<\/p>\n<p><strong>10 anos de impunidade<\/strong><\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o policial equatoriana foi desorganizada e irrespons\u00e1vel. A manipula\u00e7\u00e3o de seus pertences foi altamente questionada. A hip\u00f3tese que sempre sustentaram \u00e9 que ele possivelmente se afogou no rio Mach\u00e1ngara que fica perto da casa onde estava hospedada, mas nunca foram apresentadas provas convincentes. Outras hip\u00f3teses foram tr\u00e1fico de pessoas ou persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica por ser ativista pol\u00edtica. Nenhuma dessas \u00faltimas hip\u00f3teses foi descartada.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o aceitamos a impunidade<\/strong><\/p>\n<p>Com o passar do tempo, a busca por Carolina fica mais dif\u00edcil, assim como acontece com os demais desaparecidos. Se a atitude dos governos de Santos na Col\u00f4mbia e Correa no Equador foi negligente, a dos governos de Lenin Moreno e Guillermo Lasso, assim como a de Iv\u00e1n Duque, foi pior. Mas se uma v\u00edtima assassinada n\u00e3o \u00e9 esquecida, muito menos uma desaparecida. \u00c9 por isso que os parentes de Carolina, os militantes do Partido Socialista dos Trabalhadores e da Liga Internacional dos Trabalhadores n\u00e3o cessar\u00e3o a luta para encontrar Carolina e exigir que aqueles que a desapareceram sejam investigados e punidos.<\/p>\n<p>Se o pr\u00f3ximo governo da Col\u00f4mbia \u00e9 o de Gustavo Petro, um dos primeiros pedidos de car\u00e1ter democr\u00e1tico \u00e9 que a busca por todos os desaparecidos e a de Carolina sejam assumidas como prioridade, exigindo que o governo do Equador responda. Se Federico Guti\u00e9rrez for imposto como presidente, ser\u00e1 como reivindicar o Duque II, pelos desaparecidos. De qualquer forma, n\u00e3o desistiremos e continuaremos a luta para encontrar Carolina, e para que seu caso n\u00e3o fique impune.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carolina Garz\u00f3n, estudante da Universidade Distrital de Bogot\u00e1, dirigente do Partido Socialista dos Trabalhadores da Col\u00f4mbia e militante da Liga Internacional dos Trabalhadores, desapareceu em Quito, Equador, em 28 de abril de 2012. 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