{"id":70529,"date":"2022-04-28T13:00:56","date_gmt":"2022-04-28T16:00:56","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=66789"},"modified":"2023-02-18T21:29:14","modified_gmt":"2023-02-18T21:29:14","slug":"1o-de-maio-trabalhadores-do-mundo-apoiemos-a-resistencia-ucraniana-contra-a-invasao-de-putin","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/04\/28\/1o-de-maio-trabalhadores-do-mundo-apoiemos-a-resistencia-ucraniana-contra-a-invasao-de-putin\/","title":{"rendered":"1\u00ba de Maio | Trabalhadores do mundo: apoiemos a resist\u00eancia ucraniana contra a invas\u00e3o de Putin"},"content":{"rendered":"<p><em>Em 24 de fevereiro passado, o ex\u00e9rcito russo invadiu a Ucr\u00e2nia por ordens do regime de Vladimir Putin que detendo superioridade militar, esperava obter uma r\u00e1pida vit\u00f3ria. Mas se enfrentou com uma heroica resist\u00eancia do povo ucraniano.<\/em><!--more--><\/p>\n<p>Por LIT-CI<\/p>\n<p>A guerra continua, apesar da extrema crueldade das t\u00e1ticas usadas pelas tropas russas contra a popula\u00e7\u00e3o civil e da \u201climpeza \u00e9tnica\u201d que est\u00e1 realizando, especialmente na regi\u00e3o do Donb\u00e1s. Trata-se, sem d\u00favida, de um dos fatos pol\u00edticos mais importantes do s\u00e9culo XXI, em pleno cora\u00e7\u00e3o da Europa, com grande impacto na situa\u00e7\u00e3o mundial e que exp\u00f5e muitas das contradi\u00e7\u00f5es desta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Frente a esta invas\u00e3o, a esquerda mundial se dividiu. Um setor, as correntes neostalinistas e alguns movimentos burgueses, baseados em uma an\u00e1lise equivocada do contexto mundial e com argumentos que falsificam a realidade, apoia a invas\u00e3o de Putin e defendem suas atrocidades. Outro, com uma an\u00e1lise equivocada do significado pol\u00edtico do conflito, adota a pol\u00edtica de \u201cn\u00e3o temos um lado\u201d e chamam para uma a\u00e7\u00e3o meramente pacifista, que acaba favorecendo o invasor.<\/p>\n<p>Entretanto, a LIT-QI e outras organiza\u00e7\u00f5es defendemos que o conte\u00fado essencial do conflito iniciado pela invas\u00e3o russa \u00e9 a agress\u00e3o militar de um pa\u00eds mais forte e poderoso (R\u00fassia) contra outro mais fraco (Ucr\u00e2nia). Isto ocorre no marco de que, salvo por um curto per\u00edodo no in\u00edcio da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica (quando foi aplicada a pol\u00edtica de livre autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos proposta por L\u00eanin, depois combatida por Stalin e agora muito criticada por Putin), os governos russos sempre consideraram a Ucr\u00e2nia como \u201cseu quintal\u201d. Por isso, apoiamos a luta dos trabalhadores e do povo ucraniano contra a invas\u00e3o e somos pela derrota das tropas russas nesta guerra. Esta posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o faz mais que seguir os crit\u00e9rios e orienta\u00e7\u00f5es de nossos mestres revolucion\u00e1rios marxistas (L\u00eanin e Trotsky) frente a guerras de significado pol\u00edtico semelhante.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo que apoiamos a resist\u00eancia ucraniana, por um lado, n\u00e3o deixamos de dizer nem por um instante N\u00c3O \u00e0 OTAN imperialista, denunciando suas inten\u00e7\u00f5es colonizadoras e chamamos a lutar pelo seu desmantelamento e nos posicionamos contra o rearmamento dos pa\u00edses imperialistas. Pelo outro, denunciamos o car\u00e1ter burgu\u00eas do governo de Volod\u00edmir Zelenski e sua condu\u00e7\u00e3o da guerra com esses crit\u00e9rios de classe que, entre outras medidas, ataca as conquistas dos trabalhadores que sustentam grande parte do esfor\u00e7o da resist\u00eancia, e limita o armamento dos oper\u00e1rios fora de seu controle e do ex\u00e9rcito ucraniano. Acreditamos que a guerra de liberta\u00e7\u00e3o contra os ocupantes s\u00f3 poder\u00e1 triunfar se se desenvolver cada vez mais como uma guerra da classe oper\u00e1ria e do povo ucraniano. Na R\u00fassia, apoiamos e promovemos as mobiliza\u00e7\u00f5es e express\u00f5es contra a guerra e a invas\u00e3o, que o regime de Putin reprime duramente.<strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>O significado hist\u00f3rico e atual do 1\u00ba de Maio<\/strong><\/p>\n<p>Desde h\u00e1 mais de um s\u00e9culo, o 1\u00ba de Maio \u00e9 o Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores, em homenagem aos M\u00e1rtires de Chicago, oper\u00e1rios imigrantes que foram enforcados em repres\u00e1lia a uma grande luta para obter as 8 horas de trabalho. Desde ent\u00e3o, continua sendo um dia em que n\u00f3s trabalhadores de todo o mundo levantamos nossas reivindica\u00e7\u00f5es contra o capitalismo em grandes atos e manifesta\u00e7\u00f5es. Reivindica\u00e7\u00f5es que s\u00e3o renovadas permanentemente porque os capitalistas e seus governos deterioram ou eliminam diretamente as conquistas obtidas no passado, com duras lutas, como a jornada de 8 horas, o sal\u00e1rio m\u00ednimo, a estabilidade no trabalho, a aposentadoria\u2026<\/p>\n<p>A vida cotidiana da classe trabalhadora j\u00e1 era muito dura, mas piorou com a pandemia da Covid-19. Por um lado, esta pandemia \u00e9 claramente consequ\u00eancia do capitalismo pela degrada\u00e7\u00e3o que provoca na natureza, por t\u00ea-la combatido com \u201cuma m\u00e3o amarrada\u201d, dada a degrada\u00e7\u00e3o dos sistemas de sa\u00fade p\u00fablica, por ter priorizado os lucros das empresas farmac\u00eauticas privadas nesse combate e porque, por sua avidez pelo lucro, promoveu a pol\u00edtica criminosa da \u201cnova normalidade\u201d.<\/p>\n<p>At\u00e9 h\u00e1 poucos dias, eram registrados, segundo os dados oficiais, mais de 500 milh\u00f5es de contaminados e 6 milh\u00f5es de mortos segundo cifras da OMS (embora v\u00e1rios dados mais realistas como a revista cient\u00edfica<em> Lancet<\/em> estimam em mais de 18 milh\u00f5es). Dados que n\u00e3o consideram as sequelas que esta doen\u00e7a deixou naqueles que superaram sua fase aguda. \u00c9 muito significativo que tenham sido os trabalhadores e os povos os que mais sofreram seu impacto.<\/p>\n<p>Al\u00e9m deste impacto direto, a pandemia agravou e fez a crise econ\u00f4mica capitalista dar um salto, que j\u00e1 era gestada em 2019, que foi expressa em uma grande queda do PIB mundial, na primeira metade de 2020. Frente a esta situa\u00e7\u00e3o, e para recuperar o n\u00edvel de explora\u00e7\u00e3o e lucro, o imperialismo, os governos e as burguesias nacionais responderam de duas formas. A primeira foi a promo\u00e7\u00e3o da \u201cnova normalidade\u201d (\u201ctodos a trabalhar\u201d), o que provocou novas ondas da pandemia. A segunda foi aprofundar os ataques ao sal\u00e1rio e \u00e0s conquistas trabalhistas. Houve uma grande amplia\u00e7\u00e3o do trabalho precarizado com um aumento consider\u00e1vel da chamada \u201cuberiza\u00e7\u00e3o\u201d de diversos ramos da economia, al\u00e9m de um grande crescimento do trabalho atrav\u00e9s de aplicativos.<\/p>\n<p>Na segunda metade de 2020, iniciou-se uma fraca recupera\u00e7\u00e3o da economia mundial. Entretanto, eles n\u00e3o est\u00e3o dispostos a devolver o que foi roubado. Pelo contr\u00e1rio, com a cumplicidade da maioria das organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sindicais, mant\u00e9m e aprofundam seus ataques. Por exemplo, atrav\u00e9s da alta infla\u00e7\u00e3o que deteriora ao extremo o poder aquisitivo dos trabalhadores e das massas.<\/p>\n<p>Em seu escal\u00e3o inferior, cresce a mis\u00e9ria: o capitalismo empurra a barb\u00e1rie para milh\u00f5es de seres humanos, mergulhados na fome e na mis\u00e9ria extrema. J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 apenas precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, mas diretamente desemprego sem perspectivas; n\u00e3o \u00e9 apenas perda do poder aquisitivo, mas as necessidades mais b\u00e1sicas insatisfeitas, fome, doen\u00e7as, mortalidade infantil, crise ambiental e degrada\u00e7\u00e3o da natureza\u2026<\/p>\n<p>Com especial veem\u00eancia, esta crise \u00e9 descarregada sobre os setores mais oprimidos da sociedade. Os imigrantes, as mulheres trabalhadoras, os negros e demais setores oprimidos da sociedade s\u00e3o, entre os trabalhadores e o povo, os que suportam os ataques com maior crueza.<\/p>\n<p>Entretanto, as lutas e a resist\u00eancia oper\u00e1ria e popular n\u00e3o cessaram, inclusive durante a pr\u00f3pria pandemia, e agora aumentam em sua intensidade. Uma breve revis\u00e3o dos \u00faltimos dois anos, mostra intensas lutas de diversas caracter\u00edsticas em pa\u00edses de todos os continentes: EUA, Chile, Col\u00f4mbia, Cuba, Peru, Fran\u00e7a, Palestina, Sud\u00e3o, Angola, Belarus, Cazaquist\u00e3o, Myanmar, Sri Lanka\u2026Frente a estas lutas, as burguesias de alguns pa\u00edses respondem com ditaduras e golpes de Estado. Em muitos outros, com repress\u00e3o \u201cinstitucional\u201d e persegui\u00e7\u00e3o judicial contra os lutadores, enquanto buscam desviar as lutas para o caminho est\u00e9ril das elei\u00e7\u00f5es burguesas.<\/p>\n<p><strong>Organizemos a solidariedade ativa com a resist\u00eancia ucraniana!<\/strong><\/p>\n<p>Na medida de suas possibilidades, a LIT-QI joga todas suas for\u00e7as no apoio \u00e0 resist\u00eancia ucraniana. Quais propostas fazemos aos trabalhadores e \u00e0s massas do mundo? Em primeiro lugar, mobilizar-se para manifestar publicamente esse apoio, como vem acontecendo na Europa e em outras partes do mundo.<\/p>\n<p>Trata-se de uma guerra na qual apoiamos a resist\u00eancia de um povo que combate seu inimigo em grande desigualdade de condi\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, a quest\u00e3o do armamento e dos suprimentos militares passa a ser uma quest\u00e3o central. Tal como diversas declara\u00e7\u00f5es da LIT-QI expressam, apoiamos ativamente os esfor\u00e7os do povo ucraniano para obter armas e suprimentos para defender-se e ganhar a guerra. Por isso, acreditamos que seja totalmente correto mobilizar-se para exigir dos governos (em especial dos pa\u00edses imperialistas) que entreguem \u00e0 resist\u00eancia ucraniana as armas e todos os materiais necess\u00e1rios diretamente e sem nenhuma condi\u00e7\u00e3o. Reiteramos, estamos totalmente contra a entrada da OTAN no conflito, e exigimos sua dissolu\u00e7\u00e3o. O que dizemos \u00e9 que temos que exigir desses governos que entreguem as armas \u00e0 resist\u00eancia direta e incondicionalmente.<\/p>\n<p>De modo especial, apoiamos e promovemos as a\u00e7\u00f5es que os trabalhadores definam tomar atrav\u00e9s de suas organiza\u00e7\u00f5es. Por exemplo, os oper\u00e1rios do porto da refinaria Ellesmere, em Cheshire, Inglaterra, se recusaram a descarregar petr\u00f3leo proveniente da R\u00fassia, replicando o que haviam feito os trabalhadores do terminal de g\u00e1s de Kent e em portos dos Pa\u00edses Baixos. Segundo a informa\u00e7\u00e3o, <em>\u201cuma onda de protestos deste tipo se expande pelos portos europeus em resposta \u00e0 invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Um exemplo desta solidariedade internacional que promovemos \u00e9 o Comboio de Ajuda Oper\u00e1ria \u00e0 Ucr\u00e2nia, que se dirige a este pa\u00eds, organizado pela central sindical francesa Solidaires, da CSP-Conlutas do Brasil e da Inicjatywa Pracownicza (Iniciativa Oper\u00e1ria) da Pol\u00f4nia. Contam com o apoio da organiza\u00e7\u00e3o ucraniana Sotsyalnyi Rukn para fortalecer a resist\u00eancia de classe na Ucr\u00e2nia contra a invas\u00e3o russa. O comboio \u00e9 uma resposta ao chamado internacional feito por Yuri Samoilov, presidente do sindicato local dos Mineiros e Metal\u00fargicos Independentes de Krivoy-Rog.<\/p>\n<p>Os ucranianos lutam heroicamente contra a invas\u00e3o ordenada pelo regime de Putin e as atrocidades que est\u00e3o realizando na Ucr\u00e2nia. J\u00e1 lhes infligiram derrotas significativas. Demonstraram que a m\u00e1quina de guerra russa pode ser derrotada e, com isso, derrotar um importante colaborador da contrarrevolu\u00e7\u00e3o no mundo. Por isso, a luta do povo ucraniano n\u00e3o \u00e9 apenas pelo seu pa\u00eds. Uma derrota do regime de Putin nesta invas\u00e3o daria um grande impulso \u00e0 luta dos trabalhadores e das massas na regi\u00e3o e em todo o mundo. Esta \u00e9 hoje a luta de todos os trabalhadores do mundo e por isso deve ser tomada como ponto central nos atos deste 1\u00ba de Maio.<\/p>\n<p><strong><em>Viva o 1 de maio oper\u00e1rio e internacionalista!<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Viva a resist\u00eancia do povo ucraniano! Armas para a resist\u00eancia!<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Fora Putin e seu ex\u00e9rcito!<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Fora as m\u00e3os da OTAN, da UE e dos EUA!<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Que a crise seja paga pelos capitalistas!<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Por uma sa\u00edda revolucion\u00e1ria e socialista!<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Pela constru\u00e7\u00e3o do Partido Internacional da revolu\u00e7\u00e3o!<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Liga Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (LIT-QI)<\/strong><\/p>\n<p>1\u00ba de Maio de 2022.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 24 de fevereiro passado, o ex\u00e9rcito russo invadiu a Ucr\u00e2nia por ordens do regime de Vladimir Putin que detendo superioridade militar, esperava obter uma r\u00e1pida vit\u00f3ria. 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