{"id":70526,"date":"2022-04-13T09:25:44","date_gmt":"2022-04-13T12:25:44","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=66702"},"modified":"2022-04-13T09:25:44","modified_gmt":"2022-04-13T12:25:44","slug":"pandemia-disso-nao-se-fala","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/04\/13\/pandemia-disso-nao-se-fala\/","title":{"rendered":"Pandemia: \u201cDisso n\u00e3o se fala\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>Desde fevereiro passado, a vida cotidiana parecia ter voltado ao normal, especialmente nos pa\u00edses e regi\u00f5es com altos \u00edndices de vacina\u00e7\u00e3o (70% ou mais da popula\u00e7\u00e3o), como Europa, EUA e grande parte da Am\u00e9rica Latina. Governos e empresas suspenderam todas as restri\u00e7\u00f5es e cuidados, como o uso de m\u00e1scaras e o distanciamento social.<\/em><!--more--><\/p>\n<p>Por: Alejandro Iturbe<\/p>\n<p>Os est\u00e1dios desportivos voltaram a lotar de p\u00fablico, e aqueles que tinham a possibilidade aproveitavam para tirar uns dias de f\u00e9rias depois de um longo per\u00edodo de cuidados e isolamento. Os governos e a m\u00eddia j\u00e1 n\u00e3o falam da pandemia e, se o fazem, \u00e9 para referir-se a ela no passado.<\/p>\n<p>A ideia de \u201cnova normalidade\u201d, transmitida no decorrer das ondas anteriores de cont\u00e1gio, se transformou no \u201cp\u00f3s-pandemia\u201d, a partir de considerar que, com o predom\u00ednio da cepa \u00f4micron, a Covid-19 estava controlada ou reduzida ao n\u00edvel de \u201cuma gripe\u201d. Em um artigo de janeiro passado, denunciamos que isto era uma fal\u00e1cia ou, pelo menos, uma perspectiva muito duvidosa<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/pandemia-de-eso-no-se-habla\/#_ftn1\">[1]<\/a>. Uma conclus\u00e3o baseada nas considera\u00e7\u00f5es dos especialistas mais s\u00e9rios e da pr\u00f3pria OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade).<\/p>\n<p>Por parte dos governos e burgueses, esta ideia da p\u00f3s-pandemia (e a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que deriva dela) tem dois objetivos. O primeiro \u00e9 \u201cvarrer para debaixo do tapete\u201d sua responsabilidade no surgimento da pandemia, em sua expans\u00e3o, na falta de uma vacina contra a Covid-19, na busca do lucro em sua produ\u00e7\u00e3o, etc.<\/p>\n<p>O segundo objetivo \u00e9 muito mais profundo: retomar sem nenhuma restri\u00e7\u00e3o o pleno funcionamento do processo econ\u00f4mico e, com isso, os lucros dos capitalistas. Algo que j\u00e1 tinha sido expresso, inclusive em meio \u00e0 cat\u00e1strofe, na pol\u00edtica da \u201cnova normalidade\u201d e que agora d\u00e1 um salto com o que se quer apresentar como p\u00f3s-pandemia. Recentemente, um alto executivo de uma empresa com atividades no Brasil e na Argentina me disse: <em>\u201cO mundo n\u00e3o pode parar\u201d<\/em>, o que deve ser entendido como <em>\u201cos trabalhadores n\u00e3o podem parar de produzir mais valia porque, caso contr\u00e1rio, n\u00e3o ganho ou ganho menos\u201d.<\/em><\/p>\n<p><strong>Muitas \u201cluzes amarelas\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Entretanto, a realidade muitas vezes volta como um bumerangue quando governos e burguesias pretendem falsific\u00e1-la e agem de acordo com essa falsifica\u00e7\u00e3o. A verdade \u00e9 que a realidade acendeu diversas luzes amarelas que indicam que o v\u00edrus da Covid-19 se recicla em novas variantes, que provocam novos surtos que poderiam expressar-se em novas ondas da pandemia.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria OMS <strong>\u201cadverte que a pandemia do Sars-Cov-2 ainda n\u00e3o terminou\u201d<\/strong><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/pandemia-de-eso-no-se-habla\/#_ftn2\"><strong><em>[2]<\/em><\/strong><\/a>. Ao mesmo tempo, destaca que <em>\u201co estudo da propaga\u00e7\u00e3o da Covid-19 vem se complicando nas \u00faltimas semanas devido ao <\/em><strong>menor n\u00famero de testes <\/strong><em>que s\u00e3o realizados pelos Estados membros\u201d <\/em>j\u00e1 que esses testes <em>\u201cs\u00e3o chave na pesquisa para estimar a possibilidade de entrar em uma nova fase da pandemia\u201d<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/pandemia-de-eso-no-se-habla\/#_ftn3\"><strong>[3]<\/strong><\/a><\/em>.<\/p>\n<p>Nesse contexto, houve pelo menos dois surtos significativos. Um deles foi na China, pa\u00eds no qual, na ter\u00e7a-feira 15 de mar\u00e7o passado, houve <em>\u201c5.280 casos de Covid-19 nas \u00faltimas 24 horas, a cifra mais elevada desde a primeira onda da pandemia em in\u00edcios de 2020, segundo dados da Comiss\u00e3o Nacional de Sa\u00fade (CNS)\u201d<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/pandemia-de-eso-no-se-habla\/#_ftn4\"><strong>[4]<\/strong><\/a><\/em>. Isso levou as autoridades a realizar testes em massa e a confinar cerca de 30 milh\u00f5es de pessoas em 19 cidades do pa\u00eds. Entre elas, a <em>\u201cgrande metr\u00f3pole tecnol\u00f3gica de Shenzhen (17 milh\u00f5es de habitantes), situada ao sul do pa\u00eds, \u00e0s portas de Hong Kong\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>O outro ocorreu na Gr\u00e3 Bretanha, pa\u00eds em que <em>\u201cno fim de semana que terminou em 26 de mar\u00e7o passado, foram registrados <\/em><strong>143.382 casos\u00a0<\/strong><em>com 210 mortos\u201d<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/pandemia-de-eso-no-se-habla\/#_ftn5\"><strong>[5]<\/strong><\/a><\/em>. Lembremos que aqui cerca de 73,8% est\u00e3o vacinados com duas doses. Entretanto, o surgimento de novas cepas, por um lado, e o fim das restri\u00e7\u00f5es (situa\u00e7\u00e3o na qual milhares de pessoas aproveitaram o fim de semana para viajar) provocou este novo surto. Estima-se que o n\u00famero real de cont\u00e1gios \u00e9 muito maior j\u00e1 que agora n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3rio realizar testes nem ficar isolado.<\/p>\n<p>Em v\u00e1rios aeroportos (entre eles, o mais importante do pa\u00eds, Heathrow, em Londres) se apresentaram situa\u00e7\u00f5es ca\u00f3ticas j\u00e1 que, com uma quantidade de passageiros igual \u00e0 antes da pandemia, muitas companhias a\u00e9reas tiveram que cancelar numerosos voos porque parte de seu pessoal ficou doente e n\u00e3o podiam substituir todos. Uma situa\u00e7\u00e3o semelhante foi vivida em outros terminais de transporte: <em>\u201cHouve\u00a0<\/em><strong>atrasos de at\u00e9 cinco horas <\/strong><em>no servi\u00e7o de autom\u00f3veis do Eurotunnel de Folkestone<\/em>\u00a0[Inglaterra]\u00a0<em>para Calais<\/em>\u00a0[Fran\u00e7a]\u00a0<em>na segunda-feira \u00e0 tarde. <\/em><em>Os ve\u00edculos pesados \u200b\u200b\u200b\u200bse acumulavam na rodovia M20\u201d<\/em>. Uma informa\u00e7\u00e3o dada por Walter Ricciardi, assessor da sa\u00fade do governo brit\u00e2nico, completa o quadro: <em>\u00abNa\u00a0<\/em><strong>Gr\u00e3 Bretanha h\u00e1\u00a0uma espera de 20 horas por uma ambul\u00e2ncia<\/strong><em>; dizem n\u00e3o poder responder nem\\\u00e0 emerg\u00eancia nem a chamados normais\u00bb<\/em><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/pandemia-de-eso-no-se-habla\/#_ftn6\"><strong><em>[6]<\/em><\/strong><\/a><em>.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Um panorama parecido, de forte aumento do n\u00famero de cont\u00e1gios, ocorre em v\u00e1rios pa\u00edses europeus. Por exemplo, na Alemanha, no quadro de uma nova lei que \u201celimina as restri\u00e7\u00f5es gerais\u201d, no \u00faltimo fim de semana de mar\u00e7o houve quase 132.000 cont\u00e1gios<\/em><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/pandemia-de-eso-no-se-habla\/#_ftn7\">[7]<\/a>.<\/p>\n<p><strong><em>O surgimento de novas cepas\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Dissemos que um dos fatores que provocam estes surtos recentes \u00e9 o surgimento de novas cepas do v\u00edrus. Vejamos alguns casos. Por exemplo, foi confirmada a exist\u00eancia da variante deltacron (combina\u00e7\u00e3o das cepas delta e \u00f4micron) que, meses atr\u00e1s, alguns especialistas consideraram que n\u00e3o existia e que era o resultado de um erro de manipula\u00e7\u00e3o ocorrido em laborat\u00f3rio.<em> \u201cA OMS confirmou a exist\u00eancia desta nova cepa do coronav\u00edrus\u201d<\/em>, segundo informou a Dra. Maria Van Kerkhove, epidemiologista l\u00edder desta organiza\u00e7\u00e3o:\u00a0<em>\u201cfoi detectado j\u00e1 na Fran\u00e7a, Pa\u00edses Baixos e Dinamarca, mas em n\u00edveis muito baixos\u201d<\/em>, o que foi ratificado por estudos do Instituto Pasteur da Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Outra nova cepa, chamada IHU, foi detectada em Marselha (sul da Fran\u00e7a), com v\u00e1rios casos. Segundo os pesquisadores, <em>\u201co caso \u00edndice ou paciente zero voltou de uma viagem ao <\/em><strong>Camar\u00f5es\u2026<\/strong>\u00a0<em>Estes dados s\u00e3o outro exemplo da <\/em><strong>imprevisibilidade do surgimento de variantes da SARS-CoV-2\u00a0<\/strong><em>e de sua introdu\u00e7\u00e3o em uma \u00e1rea geogr\u00e1fica determinada do estrangeiro\u201d, explicam os autores do estudo<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/pandemia-de-eso-no-se-habla\/#_ftn8\"><strong>[8]<\/strong><\/a><\/em>. Neste caso, se reitera o ocorrido com as cepas delta e \u00f4micron (detectadas inicialmente na \u00cdndia e na \u00c1frica do Sul): nos pa\u00edses com menores \u00edndices de vacina\u00e7\u00e3o, as pessoas contagiadas se transformavam em \u201claborat\u00f3rios\u201d de muta\u00e7\u00e3o e surgimento de novas variantes que, depois, foram transferidas para os pa\u00edses imperialistas e outros com \u00edndices de vacina\u00e7\u00e3o mais altos.<\/p>\n<p>Mas agora, a din\u00e2mica da pandemia se tornou mais complexa porque a persist\u00eancia da cepa \u00f4micron original se soma ao surgimento da variante XE, resultado da combina\u00e7\u00e3o de duas sublinhagens da primeira. A XE \u00e9 considerada pela OMS como <em>\u201ca variante mais contagiosa de todas as conhecidas\u201d.<\/em>\u00a0 Foi detectada pela primeira vez na Gr\u00e3 Bretanha, em janeiro passado, mas tamb\u00e9m surgiu com v\u00e1rios casos na cidade galega de Vigo (Estado espanhol)<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/pandemia-de-eso-no-se-habla\/#_ftn9\">[9]<\/a>. \u00a0Em outras palavras, na medida em que os casos de Covid se mant\u00eam, as pessoas contagiadas nos pr\u00f3prios pa\u00edses imperialistas ou de altos \u00edndices de vacina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se transformam em \u201claborat\u00f3rios\u201d do surgimento de novas cepas e, no contexto da elimina\u00e7\u00e3o de restri\u00e7\u00f5es e cuidados por parte dos governos, em ponto de partida de novas ondas como a que descrevemos na Gr\u00e3 Bretanha. Uma conclus\u00e3o que \u00e9 compartilhada pelo j\u00e1 citado Walter Ricciardi:\u00a0<em>\u201cO surgimento de casos na Gr\u00e3 Bretanha, tamb\u00e9m facilita a forma\u00e7\u00e3o de variantes porque desde 24 de fevereiro n\u00e3o h\u00e1 restri\u00e7\u00f5es\u201d.<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 verdade que tanto a \u00f4micron como a XE aparecem como menos letais que a Covid original ou a variante delta. Tamb\u00e9m \u00e9 verdade que o aumento da vacina\u00e7\u00e3o atenua o n\u00edvel de perigo de um cont\u00e1gio. Mas as novas cepas parecem ter a capacidade de afetar tamb\u00e9m pessoas vacinadas ou aquelas que se contagiaram com outras variantes anteriores. Um informe recente expressa que, al\u00e9m de uma porcentagem de casos de segundos cont\u00e1gios, frente \u00e0s novas cepas <em>\u201c<\/em><strong>uma pessoa que hoje tem duas doses<\/strong><em>\u00a0praticamente n\u00e3o est\u00e1 vacinada\u201d<\/em><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/pandemia-de-eso-no-se-habla\/#_ftn10\"><strong><em>[10]<\/em><\/strong><\/a>.<\/p>\n<p><strong>Um futuro incerto<\/strong><\/p>\n<p>Um artigo, escrito recentemente por tr\u00eas cientistas especializados na evolu\u00e7\u00e3o do v\u00edrus da Covid, nos explica o que est\u00e1 acontecendo neste campo<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/pandemia-de-eso-no-se-habla\/#_ftn11\">[11]<\/a>. Um v\u00edrus \u00e9 um micro-organismo b\u00e1sico que precisa de um organismo vivo superior (um hospedeiro) para sobreviver e se reproduzir, processo que ocorre atrav\u00e9s de uma cadeia de cont\u00e1gios. O organismo hospedeiro responde com anticorpos cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 destruir e eliminar o v\u00edrus dentro dele. Ao mesmo tempo, o v\u00edrus responde com muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas que buscam evitar este ataque. \u00c9 um processo que se chama \u201cexplora\u00e7\u00e3o evolutiva\u201d.<\/p>\n<p>Normalmente, uma muta\u00e7\u00e3o para uma nova cepa do v\u00edrus requer uma \u201ccadeia de cont\u00e1gios\u201d. Mas a Covid-19 mostrou uma capacidade de muta\u00e7\u00e3o muito mais r\u00e1pida: existe a hip\u00f3tese de que \u00e9 suficiente que uma pessoa contagiada, ou duas, \u201crespondam mal\u201d ao v\u00edrus para que haja uma muta\u00e7\u00e3o para uma nova variante.<\/p>\n<p>\u00c9 bem poss\u00edvel que tenham surgido muitas novas cepas ou subcepas. Aquelas que forem mais contagiosas pela sua capacidade de evitar ou enganar os anticorpos s\u00e3o as que podem prosperar. \u00c9 o caso da \u00f4micron e agora da XE: surgem como menos letais, mas mais contagiosas: <em>\u201cEstes grandes saltos em seu n\u00edvel de cont\u00e1gio t\u00eam sido um importante fator impulsionador da pandemia at\u00e9 agora\u201d.<\/em> Depois, os autores afirmam que <em>\u201cas variantes do coronav\u00edrus que surgiram at\u00e9 agora representam apenas uma fra\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o gen\u00e9tico prov\u00e1vel\u201d.[\u2026] N\u00e3o h\u00e1 nenhuma raz\u00e3o, ao menos biol\u00f3gica, para que o v\u00edrus n\u00e3o continue a evoluir [\u2026] Que o v\u00edrus tenha desenvolvido a capacidade de infectar pessoas vacinadas ou que sofreram cont\u00e1gios anteriormente <u>n\u00e3o deveria ser uma surpresa.<\/u><\/em><\/p>\n<p>Finalmente, analisam a combina\u00e7\u00e3o de diversas vari\u00e1veis para prever as poss\u00edveis perspectivas futuras: <em>\u201cDesaparecer\u00e1? Piorar\u00e1? Se desvanecer\u00e1 no fundo de nossas vidas? Se tornar\u00e1 sazonal, como a gripe?\u201d<\/em> Sua resposta \u00e9: <em>\u201cSe tomarmos tudo isso em conjunto, prevemos que a SARS-CoV-2 continuar\u00e1 causando novas epidemias, cada vez mais impulsionadas pela capacidade de esquivar o sistema imunol\u00f3gico. Neste sentido, no futuro poderia parecer com algo como a gripe sazonal, onde as novas variantes provocam ondas de casos a cada ano. Se isto ocorrer, como esperamos que ocorra, talvez as vacinas tenham que ser atualizadas com frequ\u00eancia, como \u00e9 feito com as da gripe, a menos que desenvolvamos <u>vacinas mais amplas \u00e0 prova de variantes.<\/u><\/em><\/p>\n<p>Nesse quadro, alertam: <em>\u201cCom certeza, a import\u00e2ncia de tudo isto para a sa\u00fade p\u00fablica depende da gravidade da doen\u00e7a que o v\u00edrus possa nos provocar. Essa \u00e9 a previs\u00e3o mais dif\u00edcil de fazer, porque a evolu\u00e7\u00e3o seleciona os v\u00edrus que se propagam bem, e que isso fa\u00e7a crescer ou diminuir a gravidade da doen\u00e7a, em sua maior parte, \u00e9 <strong>uma quest\u00e3o de sorte<\/strong>\u201d<\/em>\u00a0(destaque nosso). Ou seja, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel prever que a tend\u00eancia \u00e0 menor letalidade que hoje se percebe seja a \u00fanica alternativa poss\u00edvel. Tamb\u00e9m est\u00e1 apresentada como hip\u00f3tese que uma nova variante combine a capacidade de cont\u00e1gio das cepas \u00f4micron e XE com a letalidade da delta. \u00c9 apenas <em>\u201cuma quest\u00e3o de sorte\u201d.<\/em><\/p>\n<p><strong>A burguesia joga ao acaso a sa\u00fade dos trabalhadores<\/strong><\/p>\n<p>O grande problema que enfrentamos agora \u00e9 que os governos e burgueses tomaram a possibilidade de \u201cgripaliza\u00e7\u00e3o\u201d da Covid-19 n\u00e3o como os especialistas que citamos, mas no sentido da aceita\u00e7\u00e3o, por parte da popula\u00e7\u00e3o, da gripe como algo \u201cnormal\u201d. Como vimos, suspenderam as restri\u00e7\u00f5es e os cuidados necess\u00e1rios, ajudando assim a propaga\u00e7\u00e3o de novas ondas. Tamb\u00e9m deixaram de investir (ou investem muito pouco) no desenvolvimento de novas vacinas ou no aperfei\u00e7oamento das existentes.<\/p>\n<p>T\u00e3o importante como isto: continuam com o enfraquecimento (com or\u00e7amentos cada vez mais apertados) dos sistemas de sa\u00fade p\u00fablica e o crit\u00e9rio de transformar o atendimento da sa\u00fade em um neg\u00f3cio privado. J\u00e1 vimos o caso da Gr\u00e3 Bretanha, um pa\u00eds imperialista que soube ter no passado um dos melhores sistemas de sa\u00fade p\u00fablica do mundo, o NHS, agora muito deteriorado por d\u00e9cadas de ataques de diferentes governos<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/pandemia-de-eso-no-se-habla\/#_ftn12\">[12]<\/a>. Uma situa\u00e7\u00e3o ainda mais dif\u00edcil em pa\u00edses como o Brasil ou a Argentina e que chega a uma fragilidade absoluta nas na\u00e7\u00f5es mais pobres do mundo.<\/p>\n<p>Agora, os governos e burguesias jogam ao acaso a sa\u00fade dos trabalhadores e o povo: jogam uma moeda no ar e apostam que a sorte lhes seja favor\u00e1vel. Se perdem a aposta, a derrota ser\u00e1 paga pela popula\u00e7\u00e3o com maiores pen\u00farias e sofrimentos. Inclusive se ganham, a perspectiva \u00e9 de epidemias sequenciais de uma doen\u00e7a cr\u00f4nica que ser\u00e3o enfrentadas com sistemas de sa\u00fade p\u00fablicos cada vez mais deteriorados. Ou seja, embora menores, tamb\u00e9m haver\u00e1 pen\u00farias e sofrimentos.<\/p>\n<p>Reiteramos, ent\u00e3o, o que afirmamos em um artigo de janeiro passado, escrito diante da onda gerada pela variante \u00f4micron: <em>&#8220;Frente a este panorama, reivindicamos como corretas as consignas, assumidas pela LIT-QI, de vacinas para todos, quebra do direito de patente dos laborat\u00f3rios que as fabricam e a necessidade de um plano internacional de vacina\u00e7\u00e3o em massa, gratuito, estendido a todos os pa\u00edses do mundo, assim como a reconstru\u00e7\u00e3o e o fortalecimento dos sistemas de sa\u00fade p\u00fablica\u201d<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/pandemia-de-eso-no-se-habla\/#_ftn13\"><strong>[13]<\/strong><\/a><\/em>.<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p><a name=\"_ftn1\"><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/pandemia-de-eso-no-se-habla\/#_ftnref1\">[1]<\/a>\u00a0https:\/\/litci.org\/pt\/omicron-onda-final-ou-pandemia-eterna\/<\/p>\n<p><a name=\"_ftn2\"><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/pandemia-de-eso-no-se-habla\/#_ftnref2\">[2]<\/a>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cronica.com.ar\/mundo\/Variante-XE-Cuantas-dosis-son-necesarias-para-estar-protegidos-de-esta-nueva-cepa-del-Covid-20220406-0005.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.cronica.com.ar\/mundo\/Variante-XE-Cuantas-dosis-son-necesarias-para-estar-protegidos-de-esta-nueva-cepa-del-Covid-20220406-0005.html<\/a><\/p>\n<p><a name=\"_ftn3\"><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/pandemia-de-eso-no-se-habla\/#_ftnref3\">[3]<\/a>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.redaccionmedica.com\/secciones\/sanidad-hoy\/la-oms-halla-la-variante-covid-xe-la-mas-contagiosa-de-todas-las-conocidas-5269\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.redaccionmedica.com\/secciones\/sanidad-hoy\/la-oms-halla-la-variante-covid-xe-la-mas-contagiosa-de-todas-las-conocidas-5269<\/a><\/p>\n<p><a name=\"_ftn4\"><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/pandemia-de-eso-no-se-habla\/#_ftnref4\">[4]<\/a>\u00a0https:\/\/www.france24.com\/es\/minuto-a-minuto\/20220315-china-confina-a-casi-30-millones-de-personas-por-un-brote-r%C3%A9cord-de-covid-19<\/p>\n<p><a name=\"_ftn5\"><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/pandemia-de-eso-no-se-habla\/#_ftnref5\">[5]<\/a>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.clarin.com\/mundo\/coronavirus-vuelve-reino-unido-provoca-nuevo-caos-aeropuertos_0_iYTW1Sh3aq.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.clarin.com\/mundo\/coronavirus-vuelve-reino-unido-provoca-nuevo-caos-aeropuertos_0_iYTW1Sh3aq.html<\/a><\/p>\n<p><a name=\"_ftn6\"><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/pandemia-de-eso-no-se-habla\/#_ftnref6\">[6]<\/a>\u00a0Ver nota 2.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn7\"><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/pandemia-de-eso-no-se-habla\/#_ftnref7\">[7]<\/a>\u00a0<a href=\"https:\/\/planoinformativo.com\/840119\/en-medio-de-una-sexta-ola-alemania-levanta-restricciones-contra-covid-19\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">En medio de una sexta ola, Alemania levanta restricciones contra COVID-19 (planoinformativo.com)<\/a><\/p>\n<p><a name=\"_ftn8\"><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/pandemia-de-eso-no-se-habla\/#_ftnref8\">[8]<\/a>https:\/\/www.redaccionmedica.com\/secciones\/sanidad-hoy\/una-nueva-variante-de-covid-con-46 mutaciones-y-origen-camerunes-a-estudio-3301<\/p>\n<p><a name=\"_ftn9\"><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/pandemia-de-eso-no-se-habla\/#_ftnref9\">[9]<\/a>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.redaccionmedica.com\/secciones\/sanidad-hoy\/la-oms-halla-la-variante-covid-xe-la-mas-contagiosa-de-todas-las-conocidas-5269\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.redaccionmedica.com\/secciones\/sanidad-hoy\/la-oms-halla-la-variante-covid-xe-la-mas-contagiosa-de-todas-las-conocidas-5269<\/a><\/p>\n<p><a name=\"_ftn10\"><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/pandemia-de-eso-no-se-habla\/#_ftnref10\">[10]<\/a>\u00a0Ver nota 2<\/p>\n<p><a name=\"_ftn11\"><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/pandemia-de-eso-no-se-habla\/#_ftnref11\">[11]<\/a>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/es\/interactive\/2022\/04\/05\/espanol\/opinion\/covid-omicron-delta.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Creemos que este es el futuro del coronavirus \u2013 The New York Times (nytimes.com)<\/a><\/p>\n<p><a name=\"_ftn12\"><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/pandemia-de-eso-no-se-habla\/#_ftnref12\">[12]<\/a>\u00a0Ver, entre otros artigos publicados na p\u00e1gina:\u00a0https:\/\/litci.org\/pt\/o-ano-no-qual-vivemos-perigosamente\/<\/p>\n<p><a name=\"_ftn13\"><\/a><u>[13]<\/u> <u>https:\/\/litci.org\/pt\/omicron-onda-final-ou-pandemia-eterna\/<\/u><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde fevereiro passado, a vida cotidiana parecia ter voltado ao normal, especialmente nos pa\u00edses e regi\u00f5es com altos \u00edndices de vacina\u00e7\u00e3o (70% ou mais da popula\u00e7\u00e3o), como Europa, EUA e grande parte da Am\u00e9rica Latina. Governos e empresas suspenderam todas as restri\u00e7\u00f5es e cuidados, como o uso de m\u00e1scaras e o distanciamento social.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":70409,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[30],"tags":[1551,3698,581],"class_list":["post-70526","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-coronavirus","tag-alejandro-iturbe","tag-coronavirus-tag","tag-pandemia"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Pandemia.jpg","categories_names":["Pandemia"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70526","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=70526"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70526\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/70409"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=70526"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=70526"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=70526"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}