{"id":70521,"date":"2022-03-30T11:36:05","date_gmt":"2022-03-30T14:36:05","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=66559"},"modified":"2022-03-30T11:36:05","modified_gmt":"2022-03-30T14:36:05","slug":"carta-aos-operarios-e-camponeses-da-ucrania-a-proposito-das-vitorias-sobre-denikine","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/03\/30\/carta-aos-operarios-e-camponeses-da-ucrania-a-proposito-das-vitorias-sobre-denikine\/","title":{"rendered":"Carta aos Oper\u00e1rios e Camponeses da Ucr\u00e2nia a prop\u00f3sito das vit\u00f3rias sobre Den\u00edkine"},"content":{"rendered":"<p><em>No contexto da Guerra Civil Russa, Anton Denikin, comandante das for\u00e7as contrarrevolucion\u00e1rias do sul, lan\u00e7ou uma ofensiva e tomou as cidades ucranianas de Kiev e Kharkiv, que estavam sob controle sovi\u00e9tico. Os brancos cometeram todo tipo de atrocidades, execu\u00e7\u00f5es em massa, saques e pogroms contra os judeus. Lenin, nesta carta de 1919 que reproduzimos abaixo, dirige-se aos trabalhadores e camponeses ucranianos em um momento em que o Ex\u00e9rcito Vermelho havia detido o avan\u00e7o das for\u00e7as de Denikin em Orel, 350 quil\u00f4metros ao sul de Moscou, e marchava em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Ucr\u00e2nia, liberando Kharkov e Kiev . A derrota definitiva dos brancos levaria mais dois anos. A na\u00e7\u00e3o ucraniana conquistou sua autodetermina\u00e7\u00e3o nacional como produto da derrota da contrarrevolu\u00e7\u00e3o da burguesia russa, apoiada pelas pot\u00eancias imperialistas. Em 1922, a Ucr\u00e2nia foi um dos membros fundadores da ex-URSS.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Camaradas! H\u00e1 quatro meses, em fins de Agosto de 1919, tive ocasi\u00e3o de dirigir uma carta aos oper\u00e1rios e camponeses a prop\u00f3sito da vit\u00f3ria sobre Koltchak.<\/p>\n<p>Agora reproduzo integralmente essa carta para os oper\u00e1rios e camponeses da Ucr\u00e2nia, a prop\u00f3sito das vit\u00f3rias sobre Den\u00edkine.<\/p>\n<p>As tropas vermelhas tomaram K\u00edev, Poltava, Kh\u00e1rkov e avan\u00e7am vitoriosamente para Rostov. A insurrei\u00e7\u00e3o contra Den\u00edkine fervilha na Ucr\u00e2nia. \u00c9 necess\u00e1rio reunir todas as for\u00e7as para a derrota definitiva do ex\u00e9rcito de Den\u00edkine, que tentaram restabelecer o poder dos latifundi\u00e1rios e dos capitalistas. Temos que destruir Den\u00edkine para nos prevenirmos contra a m\u00ednima possibilidade duma nova invas\u00e3o.<\/p>\n<p>Os oper\u00e1rios e camponeses da Ucr\u00e2nia devem conhecer as li\u00e7\u00f5es que todos os camponeses e oper\u00e1rios russos tiraram da conquista da Sib\u00e9ria por Koltchak e de sua liberta\u00e7\u00e3o pelas tropas vermelhas depois de longos meses de jugo latifundi\u00e1rio e capitalista.<\/p>\n<p>A domina\u00e7\u00e3o de Den\u00edkine na Ucr\u00e2nia foi uma prova t\u00e3o dura como a domina\u00e7\u00e3o de Koltchak na Sib\u00e9ria. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que as li\u00e7\u00f5es desta dura prova levar\u00e3o os oper\u00e1rios e os camponeses ucranianos a compreender mais nitidamente, como aconteceu com os da Sib\u00e9ria e dos Urales, as tarefas do Poder Sovi\u00e9tico e a defend\u00ea-lo com mais firmeza.<\/p>\n<p>Na Gr\u00e3-R\u00fassia a propriedade latifundi\u00e1ria da terra foi inteiramente abolida. \u00c9 necess\u00e1rio fazer o mesmo na Ucr\u00e2nia, e o Poder Sovi\u00e9tico dos oper\u00e1rios e dos camponeses ucranianos deve consolidar o aniquilamento completo da grande propriedade latifundi\u00e1ria da terra, a liberta\u00e7\u00e3o completa dos oper\u00e1rios e dos camponeses ucranianos da opress\u00e3o dos pr\u00f3prios latifundi\u00e1rios.<\/p>\n<p>Mas, al\u00e9m dessa tarefa e de uma s\u00e9rie de outras tarefas que se colocavam e ainda se colocam tanto \u00e0s massas trabalhadoras da Gr\u00e3-R\u00fassia como da Ucr\u00e2nia, existem tarefas especiais do Poder Sovi\u00e9tico na Ucr\u00e2nia. Uma dessas tarefas especiais merece neste momento uma extraordin\u00e1ria aten\u00e7\u00e3o. \u00c9 a quest\u00e3o nacional, ou em outras palavras, a quest\u00e3o de se a Ucr\u00e2nia ser\u00e1 a Rep\u00fablica Socialista Sovi\u00e9tica da Ucr\u00e2nia independente e separada, ligada \u00e0 Rep\u00fablica Socialista Federativa Sovi\u00e9tica da R\u00fassia por uma alian\u00e7a (federa\u00e7\u00e3o), ou se a Ucr\u00e2nia deve fundir-se com a R\u00fassia numa Rep\u00fablica Sovi\u00e9tica \u00fanica. Todos os bolcheviques, todos os oper\u00e1rios e camponeses conscientes, devem meditar atentamente nesta quest\u00e3o.<\/p>\n<p>A independ\u00eancia da Ucr\u00e2nia foi j\u00e1 reconhecida tanto pelo Comit\u00e9 Executivo Central da RSFSR (Rep\u00fablica Socialista Federativa Sovi\u00e9tica da R\u00fassia) como pelo Partido Comunista dos bolcheviques da R\u00fassia. Por isso \u00e9 evidente e reconhecido por todos que s\u00f3 os oper\u00e1rios e camponeses da Ucr\u00e2nia, no seu Congresso dos Sovietes de Toda a Ucr\u00e2nia, podem decidir e decidir\u00e3o a quest\u00e3o de fundir a Ucr\u00e2nia com a R\u00fassia ou se a Ucr\u00e2nia permanecer\u00e1 uma rep\u00fablica independente e aut\u00f4noma, e, neste \u00faltimo caso, que liga\u00e7\u00e3o federativa se deve estabelecer entre esta rep\u00fablica e a R\u00fassia.<\/p>\n<p>Como se deve resolver esta quest\u00e3o do ponto de vista dos interesses dos trabalhadores e do \u00eaxito da sua luta para libertar completamente o trabalho do jugo do capital?<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, os interesses do trabalho exigem a mais completa confian\u00e7a e a mais estreita uni\u00e3o entre os trabalhadores dos diferentes pa\u00edses, das diferentes na\u00e7\u00f5es. Os partid\u00e1rios dos latifundi\u00e1rios e dos capitalistas, da burguesia, esfor\u00e7am-se por dividir os oper\u00e1rios, por intensificar a disc\u00f3rdia e a hostilidade nacional para enfraquecer os oper\u00e1rios e fortalecer o poder do capital.<\/p>\n<p>O capital \u00e9 uma for\u00e7a internacional. Para venc\u00ea-lo, \u00e9 necess\u00e1ria a uni\u00e3o internacional dos oper\u00e1rios, a sua fraternidade internacional.<\/p>\n<p>N\u00f3s somos inimigos da hostilidade e da disc\u00f3rdia nacional, do isolamento nacional. Somos internacionalistas. Aspiramos \u00e0 uni\u00e3o estreita e a completa fus\u00e3o dos oper\u00e1rios e dos camponeses de todas as na\u00e7\u00f5es do mundo numa \u00fanica Rep\u00fablica Sovi\u00e9tica mundial.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, os trabalhadores n\u00e3o devem esquecer que o capitalismo dividiu as na\u00e7\u00f5es num pequeno n\u00famero de grandes pot\u00eancias opressoras (imperialistas), e numa enorme maioria de na\u00e7\u00f5es oprimidas, dependentes e semidependentes, n\u00e3o soberanas. A ultra criminosa e reacionar\u00edssima guerra de 1914-1918 acentuou esta divis\u00e3o, agravou o rancor e o \u00f3dio neste terreno. Ao longo dos s\u00e9culos a indigna\u00e7\u00e3o e a desconfian\u00e7a das na\u00e7\u00f5es n\u00e3o soberanas e dependentes acumularam-se contra as na\u00e7\u00f5es com aspira\u00e7\u00f5es de grande pot\u00eancia e opressoras, tal como a Ucr\u00e2nia contra na\u00e7\u00f5es como a Gr\u00e3-R\u00fassia.<\/p>\n<p>N\u00f3s queremos uma uni\u00e3o\u00a0<strong>volunt\u00e1ria<\/strong>\u00a0das na\u00e7\u00f5es, uma uni\u00e3o que n\u00e3o admita nenhuma viol\u00eancia de uma na\u00e7\u00e3o sobre outra, uma uni\u00e3o baseada numa confian\u00e7a absoluta, num n\u00edtido reconhecimento da unidade fraternal, em um consentimento absolutamente volunt\u00e1rio. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel realizar tal uni\u00e3o de repente; para chegar a ela \u00e9 necess\u00e1rio trabalhar com a maior toler\u00e2ncia e prud\u00eancia para n\u00e3o estragar tudo, para n\u00e3o provocar a desconfian\u00e7a, para fazer desaparecer a desconfian\u00e7a deixada por s\u00e9culos de opress\u00e3o dos latifundi\u00e1rios e dos capitalistas, de propriedade privada e de hostilidade causadas pelas suas sucessivas partilhas.<\/p>\n<p>Devemos constantemente nos empenhar em conseguir a unidade das na\u00e7\u00f5es, e nos opor implacavelmente a tudo o que as desune, devemos ser muito prudentes e pacientes, e fazer concess\u00f5es \u00e0 perdura\u00e7\u00e3o da desconfian\u00e7a nacional. Devemos ser intransigentes, inconcili\u00e1veis em rela\u00e7\u00e3o a tudo o que diz respeito aos interesses do trabalho em geral na luta pela sua liberta\u00e7\u00e3o do jugo do capital. E a quest\u00e3o de como determinar as fronteiras agora, de forma provis\u00f3ria &#8211; pois n\u00f3s aspiramos \u00e0 supress\u00e3o completa das fronteiras &#8211; n\u00e3o \u00e9 um problema fundamental, importante, mas de segunda ordem. Esta quest\u00e3o pode esperar e deve esperar, porque a desconfian\u00e7a nacional mant\u00e9m-se frequentemente de forma muito firme entre as massas de camponeses e de pequenos propriet\u00e1rios, e toda precipita\u00e7\u00e3o pode refor\u00e7\u00e1-la, isto \u00e9, prejudicar a causa da unidade total e definitiva.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia da revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e camponesa na R\u00fassia, da revolu\u00e7\u00e3o de Outubro-Novembro de 1917, a dos seus dois anos de luta vitoriosa contra a invas\u00e3o dos capitalistas internacionais e russos, mostrou com a maior nitidez que os capitalistas conseguiram, por um tempo, jogar com a desconfian\u00e7a nacional dos camponeses e pequenos propriet\u00e1rios polacos, let\u00f5es estonianos e finlandeses em rela\u00e7\u00e3o aos gr\u00e3o-russos, que conseguiram, por um tempo, semear a disc\u00f3rdia entre eles e n\u00f3s no terreno desta desconfian\u00e7a. A experi\u00eancia mostrou que essa desconfian\u00e7a s\u00f3 desaparece e passa muito lentamente e que quanto mais os gr\u00e3o-russos, que foram durante muito tempo uma na\u00e7\u00e3o opressora, derem provas de prud\u00eancia e toler\u00e2ncia, mais seguramente essa desconfian\u00e7a passar\u00e1. Foi precisamente porque reconhecemos a independ\u00eancia dos Estados polaco, let\u00e3o, lituano, estoniano e finland\u00eas, que conquist\u00e1mos lenta, mas firmemente, a confian\u00e7a das massas trabalhadoras dos pequenos Estados vizinhos, as mais atrasadas, mais enganadas e oprimidas pelos capitalistas. E \u00e9 precisamente por este caminho mais seguro que as arrancaremos da influ\u00eancia dos \u00abseus\u00bb capitalistas nacionais, que mais seguramente os traremos com plena confian\u00e7a, \u00e0 futura Rep\u00fablica Sovi\u00e9tica internacional \u00fanica.<\/p>\n<p>Enquanto a Ucr\u00e2nia n\u00e3o tiver sido inteiramente libertada de Den\u00edkine, o seu governo, at\u00e9 ao Congresso dos Sovietes de toda a Ucr\u00e2nia, \u00e9 o Comit\u00e9 Revolucion\u00e1rio de toda a Ucr\u00e2nia. Neste Comit\u00e9 Revolucion\u00e1rio, ao lado dos comunistas bolcheviques ucranianos, trabalham como membros do governo comunistas borotbistas ucranianos. Os borotbistas distinguem-se dos bolcheviques, entre outras coisas, porque defendem a independ\u00eancia absoluta da Ucr\u00e2nia. Os bolcheviques n\u00e3o fazem\u00a0<strong>disto<\/strong>\u00a0objeto de diverg\u00eancia e de desuni\u00e3o, n\u00e3o veem\u00a0<strong>nisto<\/strong>\u00a0um obst\u00e1culo a um trabalho prolet\u00e1rio harm\u00f4nico. Deve haver unidade na luta contra o jugo do capital e pela ditadura do proletariado, n\u00e3o deve haver rompimento entre os comunistas por causa da quest\u00e3o das fronteiras nacionais e de uma liga\u00e7\u00e3o federativa ou outra entre os Estados. Entre os bolcheviques h\u00e1 partid\u00e1rios da independ\u00eancia completa da Ucr\u00e2nia, h\u00e1 partid\u00e1rios duma liga\u00e7\u00e3o federativa mais ou menos estreita, h\u00e1 partid\u00e1rios da fus\u00e3o completa da Ucr\u00e2nia com a R\u00fassia.<\/p>\n<p>N\u00e3o deve haver diverg\u00eancias por estas quest\u00f5es. Ser\u00e3o resolvidas no congresso dos Sovietes de toda a Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Se um comunista gr\u00e3o-russo insiste na fus\u00e3o da Ucr\u00e2nia com a R\u00fassia, os ucranianos suspeitar\u00e3o facilmente de que ele defende essa pol\u00edtica n\u00e3o por considera\u00e7\u00f5es de unidade dos prolet\u00e1rios na luta contra o capital, mas por preconceitos do velho nacionalismo gr\u00e3o russo, imperialistas. Essa desconfian\u00e7a \u00e9 natural e, at\u00e9 certo ponto, inevit\u00e1vel e leg\u00edtima, porque os gr\u00e3o-russos, sob o jugo dos latifundi\u00e1rios e dos capitalistas, infundiram ao longo dos s\u00e9culos os preconceitos vergonhosos e s\u00f3rdidos do chauvinismo gr\u00e3o-russo.<\/p>\n<p>Se um comunista ucraniano insiste na absoluta independ\u00eancia estatal da Ucr\u00e2nia, poder-se-\u00e1 suspeitar de que defende essa pol\u00edtica n\u00e3o do ponto de vista dos interesses moment\u00e2neos dos oper\u00e1rios e dos camponeses ucranianos na sua luta contra o jugo do capital, mas sob o peso de preconceitos nacionais pequeno-burgueses, de pequeno propriet\u00e1rio. Pois a experi\u00eancia mostrou-nos centenas de vezes como os \u00absocialistas\u00bb pequeno-burgueses de diversos pa\u00edses &#8211; todos os diversos pseudo-socialistas polacos, let\u00f5es, lituanos, os mencheviques georgianos, os socialistas-revolucion\u00e1rios, etc. &#8211; se camuflam de partid\u00e1rios do proletariado com o \u00fanico objetivo de impingir pelo engano a pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o com a \u201csua\u201d burguesia nacional contra os oper\u00e1rios revolucion\u00e1rios. Vimos isto na R\u00fassia de Fevereiro a Outubro de 1917 com o exemplo de Kerenski, vimos e ainda o vemos em todos e quaisquer pa\u00edses.<\/p>\n<p>Portanto, a desconfian\u00e7a rec\u00edproca entre comunistas gr\u00e3o-russos e ucranianos surge muito facilmente. Como combater esta desconfian\u00e7a? Como super\u00e1-la e conquistar a confian\u00e7a m\u00fatua?<\/p>\n<p>O melhor meio para isto \u00e9 o trabalho conjunto para defender a ditadura do proletariado e o Poder Sovi\u00e9tico, na luta contra os latifundi\u00e1rios e capitalistas de todos os pa\u00edses, contra as suas tentativas de restabelecer a sua domina\u00e7\u00e3o. Esta luta conjunta mostrar\u00e1 claramente na pr\u00e1tica que, seja qual for a solu\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o da independ\u00eancia nacional ou das fronteiras, os oper\u00e1rios ucranianos e gr\u00e3o-russos t\u00eam necessidade absoluta de uma estreita alian\u00e7a militar e econ\u00f4mica, pois do contr\u00e1rio os capitalistas da \u201cEntente\u201d, isto \u00e9, da \u201calian\u00e7a\u201d dos pa\u00edses capitalistas mais ricos, Inglaterra, Fran\u00e7a, Am\u00e9rica, Jap\u00e3o e It\u00e1lia, nos esmagar\u00e3o e estrangular\u00e3o um a um. O exemplo da nossa luta contra Koltchak e Den\u00edkine, a quem esses capitalistas forneceram dinheiro e armas, mostrou claramente este perigo.<\/p>\n<p>Quem viola a unidade e a alian\u00e7a mais estreita entre os oper\u00e1rios e os camponeses gr\u00e3o-russos e ucranianos, ajuda os Koltchak, os Den\u00edk\u00edne, os bandidos capitalistas de todos os pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que n\u00f3s, comunistas gr\u00e3o-russos, devemos perseguir da maneira mais rigorosa nas nossas fileiras as m\u00ednimas manifesta\u00e7\u00f5es de nacionalismo gr\u00e3o-russo, pois essas manifesta\u00e7\u00f5es, sendo em geral uma trai\u00e7\u00e3o ao comunismo, provocam o maior preju\u00edzo, desunindo-nos dos nossos camaradas ucranianos e fazendo com isso o jogo de Den\u00edkine e do seu regime.<\/p>\n<p>Por isso n\u00f3s, comunistas gr\u00e3o-russos, devemos fazer concess\u00f5es nas nossas diverg\u00eancias com os comunistas bolcheviques ucranianos e os borotbistas quando essas diverg\u00eancias se referem \u00e0 independ\u00eancia nacional da Ucr\u00e2nia, \u00e0s formas da sua alian\u00e7a com a R\u00fassia e, de modo geral, \u00e0 quest\u00e3o nacional. Mas todos n\u00f3s, comunistas gr\u00e3o-russos, ucranianos ou de qualquer outra na\u00e7\u00e3o, devemos ser inflex\u00edveis e intransigentes, quanto \u00e0s quest\u00f5es essenciais, fundamentais, id\u00eanticas para todas as na\u00e7\u00f5es, como a luta prolet\u00e1ria, as quest\u00f5es da ditadura do proletariado, n\u00e3o podemos admitir compromissos com a burguesia nem a menor divis\u00e3o das for\u00e7as que nos defendem contra Den\u00edkine.<\/p>\n<p>Den\u00edkine tem que ser vencido, aniquilado, tornar imposs\u00edvel a repeti\u00e7\u00e3o duma invas\u00e3o semelhante. Esse \u00e9 o interesse fundamental tanto dos oper\u00e1rios e camponeses gr\u00e3o-russos como dos ucranianos. A luta \u00e9 longa e dif\u00edcil, porque os capitalistas de todo o mundo ajudam Den\u00edkine e ajudar\u00e3o os Den\u00edkine de toda a esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Nesta luta longa e dif\u00edcil, n\u00f3s, oper\u00e1rios gr\u00e3o-russos e ucranianos, devemos permanecer estreitamente unidos, pois separados nada conseguiremos fazer. Sejam quais forem as fronteiras da Ucr\u00e2nia e da R\u00fassia, sejam quais forem as formas das suas inter-rela\u00e7\u00f5es estatais, n\u00e3o \u00e9 isso o importante, nisso pode-se e deve-se fazer concess\u00f5es, nisso pode-se experimentar uma coisa e outra e outra; a causa dos oper\u00e1rios e dos camponeses, a causa da vit\u00f3ria sobre o capitalismo, n\u00e3o ser\u00e1 perdida por isso.<\/p>\n<p>Mas se n\u00e3o soubermos conservar a uni\u00e3o mais estreita entre n\u00f3s, uni\u00e3o contra Den\u00edkine, uni\u00e3o contra os capitalistas e os kulaques dos nossos pa\u00edses e de todos os pa\u00edses, ent\u00e3o a causa do trabalho estar\u00e1 certamente perdida por longos anos, no sentido de que os capitalistas\u00a0<strong>poder\u00e3o<\/strong>\u00a0esmagar e estrangular tanto a Ucr\u00e2nia Sovi\u00e9tica como a R\u00fassia Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>E o que a burguesia de todos os pa\u00edses como todos os partidos pequeno-burgueses, os partidos \u201cconciliadores\u201d, que admitem a alian\u00e7a com a burguesia contra os oper\u00e1rios, mais se esfor\u00e7aram em conseguir \u00e9 a divis\u00e3o dos oper\u00e1rios das diferentes nacionalidades, ati\u00e7ar a desconfian\u00e7a, destruir a estreita uni\u00e3o internacional e a fraternidade internacional dos oper\u00e1rios. Quando a burguesia o consegue, a causa dos oper\u00e1rios est\u00e1 perdida. Que os comunistas da R\u00fassia e da Ucr\u00e2nia consigam, com um trabalho coletivo, paciente, obstinado e tenaz, vencer as intrigas nacionalistas de todas as burguesias, os preconceitos nacionalistas de toda a esp\u00e9cie, e mostrar aos trabalhadores de todo o mundo o exemplo de uma alian\u00e7a verdadeiramente s\u00f3lida dos oper\u00e1rios e camponeses de diferentes na\u00e7\u00f5es na luta pelo Poder Sovi\u00e9tico, pela liquida\u00e7\u00e3o do jugo dos latifundi\u00e1rios e dos capitalistas, por uma Rep\u00fablica Federativa Sovi\u00e9tica mundial.<\/p>\n<ol>\n<li>Lenin \u2013 18 de dezembro de 1919<\/li>\n<\/ol>\n<p>Fonte: Obras escogidas, Tomo 40, Mosc\u00fa: Editorial Progreso, 1973, pp. 41-47.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lena Souza<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No contexto da Guerra Civil Russa, Anton Denikin, comandante das for\u00e7as contrarrevolucion\u00e1rias do sul, lan\u00e7ou uma ofensiva e tomou as cidades ucranianas de Kiev e Kharkiv, que estavam sob controle sovi\u00e9tico. Os brancos cometeram todo tipo de atrocidades, execu\u00e7\u00f5es em massa, saques e pogroms contra os judeus. Lenin, nesta carta de 1919 que reproduzimos abaixo, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":66560,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3182,3658,10,91],"tags":[4543,4548],"class_list":["post-70521","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-guerra-contra-ucrania","category-russia","category-teoria","category-ucrania","tag-guerra-ucrania","tag-lenin-e-ucrania"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Lenin.jpeg","categories_names":["Guerra contra Ucrania","R\u00fassia","TEORIA","Ucr\u00e2nia"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70521","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=70521"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70521\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/66560"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=70521"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=70521"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=70521"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}