{"id":70510,"date":"2021-06-03T10:32:04","date_gmt":"2021-06-03T13:32:04","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=64092"},"modified":"2021-06-03T10:32:04","modified_gmt":"2021-06-03T13:32:04","slug":"as-mulheres-e-o-assalto-aos-ceus-o-legado-da-comuna-de-paris","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/06\/03\/as-mulheres-e-o-assalto-aos-ceus-o-legado-da-comuna-de-paris\/","title":{"rendered":"As mulheres e o assalto aos c\u00e9us: o legado da Comuna de Paris"},"content":{"rendered":"<p><em>A coragem, a combatividade, o trabalho incans\u00e1vel e a determina\u00e7\u00e3o impuseram \u00e0 Comuna a marca das mulheres prolet\u00e1rias. Elas foram parte ativa dos communards, dos primeiros aos \u00faltimos momentos.\u00a0 Seu exemplo abriu caminho para in\u00fameras lutas e conquistas das mulheres trabalhadoras no p\u00f3s-Comuna.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Cilene Gadelha e Roberta Maiani \u2013 secretaria nacional de forma\u00e7\u00e3o do PSTU Brasil<\/p>\n<p>As Communards pertenciam principalmente a uma classe social: eram trabalhadoras; desempregadas, donas-de-casa, esposas e filhas de trabalhadores; eram as mulheres dos bairros pobres, pequenas comerciantes, prostitutas e \u201csuburbanas\u201d; exploradas e oprimidas pela burguesia.<\/p>\n<p>Apesar dos enormes obst\u00e1culos impostos \u00e0s mulheres naquele momento &#8211; como a completa aus\u00eancia de direitos pol\u00edticos, a total submiss\u00e3o jur\u00eddica ao pai e ao marido (imposta pelo c\u00f3digo napole\u00f4nico), as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, baixos sal\u00e1rios, ass\u00e9dio, sobrecarga dom\u00e9stica, restri\u00e7\u00f5es ao pleno direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, e o machismo no interior de setores do pr\u00f3prio movimento oper\u00e1rio &#8211; elas n\u00e3o foram meras coadjuvantes.\u00a0 Ao contr\u00e1rio, tiveram uma forte participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, expressa no grande n\u00famero de mulheres envolvidas na Comuna, na intensidade do seu comprometimento e dedica\u00e7\u00e3o na defesa e constru\u00e7\u00e3o do nascente governo oper\u00e1rio. Justamente por conta de todos esses obst\u00e1culos, elas viram dentro dessa luta revolucion\u00e1ria a necessidade e a possibilidade de lutar pelos seus direitos enquanto classe trabalhadora, explorada, mas tamb\u00e9m como mulheres, contra a opress\u00e3o que sofriam, e com isso avan\u00e7aram enormemente na sua organiza\u00e7\u00e3o e em sua consci\u00eancia pol\u00edtica. A <em>\u201cRep\u00fablica do Trabalho\u201d<\/em> era tamb\u00e9m a Rep\u00fablica das mulheres trabalhadoras.<\/p>\n<p>O compromisso e a combatividade exemplar das mulheres na Comuna, trazendo junto a luta pela sua emancipa\u00e7\u00e3o, \u00e9 o que est\u00e1 por tr\u00e1s da enorme repress\u00e3o desferida contra as combatentes. Mulheres pegas com uma arma na m\u00e3o no campo de batalha eram imediatamente fuziladas pelo inimigo. O \u00f3dio da burguesia aos homens prolet\u00e1rios da Comuna era imenso, mas a f\u00faria desatada contra as communards foi maior ainda; foram violentadas pelos vencedores reacion\u00e1rios, caluniadas, destratadas, apelidadas de incendi\u00e1rias. Nas pris\u00f5es e nos interrogat\u00f3rios mostraram coragem e dignidade, defenderam com orgulho suas a\u00e7\u00f5es na Comuna sem se acovardar perante a amea\u00e7a de c\u00e1rcere, deporta\u00e7\u00e3o e morte. A participa\u00e7\u00e3o das mulheres na Comuna confirma anos antes a afirma\u00e7\u00e3o de Trotsky feita em 1938 no programa de transi\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p><em>\u201cA \u00e9poca do decl\u00ednio capitalista atinge cada vez mais duramente a mulher, tanto assalariada quanto a dona-de-casa. As se\u00e7\u00f5es da quarta Internacional, devem procurar apoio nas camadas mais exploradas da classe oper\u00e1ria e consequentemente, entre as mulheres trabalhadoras. <\/em><\/p>\n<p><em>Encontrar\u00e3o a\u00ed inesgot\u00e1veis fontes de devotamento, abnega\u00e7\u00e3o e esp\u00edrito de sacrif\u00edcio.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Algumas destas mulheres tiveram seu nome registrado na hist\u00f3ria, como exemplos de abnega\u00e7\u00e3o e papel dirigente, como Louise Michel e Elisabeth Dmitrieff; mas ao falarmos da Comuna, temos que resgatar tamb\u00e9m a mem\u00f3ria de milhares de \u201cmulheres an\u00f4nimas\u201d que viveram o processo intensamente, dos clubes \u00e0s barricadas, que fizeram sentir sua presen\u00e7a em suas reinvindica\u00e7\u00f5es e opini\u00f5es, com um fervor de quem sabe que ali se tratava de quest\u00f5es de vida ou morte. Mulheres que n\u00e3o constam nos registros hist\u00f3ricos, mas que deram suas vidas pela Comuna, pela revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria. Dedicamos \u00e0s communards e a todas que lutam hoje contra o sistema capitalista este artigo.<\/p>\n<p><strong>Dos clubes \u00e0s barricadas: mulheres presentes!<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cCuidado com as mulheres quando se sentem enojadas de tudo o que as rodeia e se levantam contra o velho mundo. Nesse dia nascer\u00e1 o novo mundo\u201d <\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 (Louise Michel)<\/em><\/p>\n<p>Antes mesmo do 18 de mar\u00e7o de 1871, as mulheres prolet\u00e1rias da capital francesa envolveram-se nos protestos contra o II Imp\u00e9rio, e em todas as movimenta\u00e7\u00f5es da classe que antecederam e prepararam a Comuna.<\/p>\n<p>Participavam ativamente dos clubes, que eram espa\u00e7os de discuss\u00e3o pol\u00edtica que envolviam setores massivos da popula\u00e7\u00e3o, manifestando sua disposi\u00e7\u00e3o de estar na linha de frente na defesa de Paris, diante da amea\u00e7a de invas\u00e3o por parte das tropas prussianas que a cercavam. Muitas delas participaram do Comit\u00ea Central Republicano de Defesa Nacional dos Vinte Distritos de Paris, auxiliando tamb\u00e9m na mobiliza\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria Guarda Nacional.<\/p>\n<p>Quando Adolphe Thiers ordenou que as tropas de seu governo, localizado em Versalhes, invadissem a capital francesa para a retirada dos canh\u00f5es e das pe\u00e7as de artilharia que estavam em poder da Guarda Nacional, foram as mulheres que deram o alarme aos batalh\u00f5es que defendiam a capital francesa e colocaram-se entre as tropas. Com isso, evitaram o confronto e auxiliaram na confraterniza\u00e7\u00e3o, fato que marcaria o in\u00edcio da Comuna de Paris, em 18 de mar\u00e7o de 1871.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel perceber tal a\u00e7\u00e3o na descri\u00e7\u00e3o feita por Louise Michel:<\/p>\n<p><em>\u201cEu desci do monte, com a minha espingarda sob o casaco, gritando: Trai\u00e7\u00e3o! N\u00f3s pens\u00e1vamos morrer pela liberdade. Nos sent\u00edamos como se nossos p\u00e9s n\u00e3o tocassem o ch\u00e3o. Se morr\u00eassemos, Paris haveria se erguido. De repente, vi minha m\u00e3e perto de mim e eu senti uma terr\u00edvel ansiedade, inquieta, tinha chegado, e todas as mulheres estavam l\u00e1. Interpondo-se entre n\u00f3s e os militares, as mulheres lan\u00e7aram-se sobre os canh\u00f5es e metralhadoras, os soldados permaneceram im\u00f3veis. A revolu\u00e7\u00e3o estava feita.\u201d <\/em><\/p>\n<p>Instaurada a Comuna, as mulheres n\u00e3o compuseram o Conselho Geral, pois estas elei\u00e7\u00f5es foram feitas em base \u00e0s listas de votantes vigente sob o II Imp\u00e9rio, e nestas n\u00e3o constavam as mulheres, o que era uma express\u00e3o da desigualdade pol\u00edtica e jur\u00eddica \u00e0 qual estavam submetidas.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, mesmo partindo dessa desigualdade, as mulheres n\u00e3o foram menos ativas do que os homens; atuaram em v\u00e1rias frentes de trabalho, organizadas junto aos trabalhadores contra o poder burgu\u00eas, mas tamb\u00e9m constitu\u00edram organiza\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias e fizeram com que suas demandas fossem refletidas.<\/p>\n<p>Elas se articulavam, organizavam seus comit\u00eas (de bairro e de vigil\u00e2ncia), redigiam textos e manifestos, trabalhavam em ambul\u00e2ncias e cantinas no seio dos batalh\u00f5es de federados para a defesa dos fortes de Issy e de Vanves, e logo nas barricadas da semana sangrenta.<\/p>\n<p>Em clubes, abertos nas igrejas, a palavra era liberada e os assuntos eram variados: \u00a0a defesa da revolu\u00e7\u00e3o, a educa\u00e7\u00e3o das meninas, a paridade dos sal\u00e1rios, as leis sociais, a uni\u00e3o livre, a covardia dos homens, o fim da explora\u00e7\u00e3o do trabalho.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-64093 alignright\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Co-1.png\" alt=\"\" width=\"217\" height=\"320\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Co-1.png 217w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Co-1-203x300.png 203w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Co-1-150x221.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 217px) 100vw, 217px\" \/>\u00a0 A atua\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o das Mulheres Para a Defesa de Paris se centrou em tr\u00eas quest\u00f5es principais: o esfor\u00e7o para envolver a mulher no trabalho produtivo, a educa\u00e7\u00e3o dos filhos e a participa\u00e7\u00e3o na defesa de Paris.<\/p>\n<p>Foi criado ainda um Comit\u00ea Central da Uni\u00e3o das Mulheres que, entre diversas fun\u00e7\u00f5es, auxiliou na Comiss\u00e3o de Trabalho e Trocas, organizando ainda o trabalho das mulheres de Paris na Uni\u00e3o das C\u00e2maras Sindicais Federativas de Trabalhadoras. Da a\u00e7\u00e3o das mulheres resultaram ainda refeit\u00f3rios p\u00fablicos, escolas, um servi\u00e7o permanente de ambul\u00e2ncias, a cria\u00e7\u00e3o de jornais dedicados \u00e0s mulheres, al\u00e9m da funda\u00e7\u00e3o de clubes com o objetivo de realizar agita\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e debates.<\/p>\n<p>As mulheres rapidamente perceberam que o inimigo principal n\u00e3o eram os Prussianos, e sim o poder instaurado em Versalhes, e quando os ataques \u00e0 Comuna foram se intensificando, \u00e0s centenas elas se colocaram em marcha, em uma tentativa dos Communards de atacar Versalhes. Em 3 de abril, 500 mulheres na Place de La Concorde come\u00e7am a marchar em dire\u00e7\u00e3o a Versalhes, e na Pont de Grenelle, outras 700 se unem ao grupo.<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-64094 alignleft\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Co-2.jpg\" alt=\"\" width=\"195\" height=\"258\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Co-2.jpg 195w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Co-2-150x198.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 195px) 100vw, 195px\" \/><\/strong>Essa tentativa de ataque a Versalhes foi mal sucedida, e a repress\u00e3o e os ataques do poder aristocr\u00e1tico-burgu\u00eas s\u00f3 aumentavam.<\/p>\n<p><em>Em 8 de abril aparece sobre os muros de Paris um cartaz assinado por um grupo de mulheres, incluindo Nathalie Le Mel. O Jounal Officiel fazia uma convoca\u00e7\u00e3o para o dia 11 de abril, \u00e0s 8 horas da noite, a fim de organizar um movimento de mulheres para realizar a defesa de Paris. Chamavam as mulheres \u00e0s armas, indicando que a p\u00e1tria estava em perigo e que os inimigos eram os privil\u00e9gios da ordem social atual e todos aqueles que enriquecem da mis\u00e9ria das mulheres. \u201cN\u00e3o mais exploradores! N\u00e3o mais patr\u00f5es!\u201d.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p>Em 21 de maio teve in\u00edcio a Semana Sangrenta: as tropas de Versalhes, refor\u00e7adas pelos milhares de soldados do ex\u00e9rcito franc\u00eas liberados por Bismark (veja-se a\u00ed como dois governos que haviam estado em guerra se uniram para atacar os prolet\u00e1rios!) atacam com uma ferocidade implac\u00e1vel.<\/p>\n<div id=\"attachment_64095\" style=\"width: 249px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-64095\" class=\"size-full wp-image-64095\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Co-3.jpg\" alt=\"\" width=\"239\" height=\"380\" \/><p id=\"caption-attachment-64095\" class=\"wp-caption-text\">Louise Michel com o uniforme da Guarda<\/p><\/div>\n<p>Foi uma semana de ataques brutais, guerra nas ruas e fuzilamentos. As mulheres costuraram sacos para as barricadas e socorreram os feridos, mas tamb\u00e9m estiveram nos combates, com armas e pedras na m\u00e3o. Muitas delas com Uniformes da Guarda Nacional. \u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0<strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Com os ataques \u00e0 Comuna, se constitu\u00edram pelot\u00f5es de mulheres dispostas a lutar. Elas tiveram de enfrentar a resist\u00eancia de muitos homens para ocupar este espa\u00e7o, mas houve os Communards que as apoiaram:<\/p>\n<p><em>Em um cartaz de 14 de maio de 1871 assinado pelo coronel comandante da 12 legi\u00e3o, Jules Montrels, direcionado aos guardas nacionais, afirma-se que as mulheres pediram armas ao Comit\u00e9 de Salut Public para defender a Comuna e a rep\u00fablica. Com isso, o coronel da 12 legi\u00e3o decide que a companhia de Cidad\u00e3s Volunt\u00e1rias ser\u00e1 organizada e armada e que essa companhia ir\u00e1 marchar contra o inimigo junto com a 12 legi\u00e3o. O coronel decide que todos os refrat\u00e1rios, ou seja, todos que n\u00e3o aceitarem a atua\u00e7\u00e3o das mulheres, ser\u00e3o desarmados publicamente em seus batalh\u00f5es pelas cidad\u00e3s volunt\u00e1rias; depois de terem sido desarmados, esses homens, indignos de servir \u00e0 rep\u00fablica, ser\u00e3o conduzidos \u00e0 pris\u00e3o pelas cidad\u00e3s que os desarmaram. O cartaz termina afirmando que a primeira decis\u00e3o desse tipo ocorrer\u00e1 na avenue Daumesnil.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><strong>[2]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p>Algumas das mulheres que combateram na <em>Semana Sangrenta<\/em> eram herdeiras das lutas e barricadas de 1848 (dentre as Communards cujo nome entrou para a Hist\u00f3ria temos Josephine Courbois, conhecida como \u201ca rainha das barricadas\u201d) e outras se somaram no calor dos acontecimentos, por perceber que ali era seu lugar, e que aquela guerra de classe tamb\u00e9m era delas.<\/p>\n<p>Sobre isso, temos um relato dram\u00e1tico de uma mulher que foi julgada por ter roubado uma loja de est\u00e1tuas para Igrejas, com o prop\u00f3sito de construir uma barricada.<\/p>\n<p><em>\u201cVoc\u00ea usou as est\u00e1tuas dos santos para<\/em> <em>levantar uma barricada?\u201d<\/em>, perguntou o juiz. <em>\u201cSim, \u00e9 verdade. Mas as est\u00e1tuas eram feitas<\/em> <em>de pedra e os que morreram eram de carne\u201d<\/em>, disse a comunarda.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n<p>As mulheres estiveram at\u00e9 o final, resistindo at\u00e9 a derrota da \u00faltima barricada, no dia 28 de maio; parte das que sobreviveram foram presas ou deportadas. Mostraram dignidade e revolta at\u00e9 o fim, como podemos ver na declara\u00e7\u00e3o de Louise Michel em seu julgamento:<\/p>\n<p><em>\u201cEu perten\u00e7o inteiramente \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Social. Declaro aceitar a responsabilidade por minhas a\u00e7\u00f5es. (&#8230;) Se me deixarem viver, n\u00e3o deixarei de clamar por vingan\u00e7a e denunciar, em vingan\u00e7a dos meus irm\u00e3os, os assassinos do Comit\u00ea das Gra\u00e7as.\u201d <a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><strong>[4]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_64096\" style=\"width: 1078px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-64096\" class=\"wp-image-64096 size-full\" style=\"text-align: center;\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Co-4.jpg\" alt=\"\" width=\"1068\" height=\"707\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Co-4.jpg 1068w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Co-4-300x199.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Co-4-1024x678.jpg 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Co-4-768x508.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Co-4-150x99.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Co-4-696x461.jpg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 1068px) 100vw, 1068px\" \/><p id=\"caption-attachment-64096\" class=\"wp-caption-text\">Mulheres esperando a deporta\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p><strong>As medidas da Comuna em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres<\/strong><\/p>\n<p>A Comuna, enquanto o primeiro governo prolet\u00e1rio da Hist\u00f3ria, representou um avan\u00e7o enorme no direito das mulheres, e embora derrotada, deixou uma forte heran\u00e7a e exemplo do que uma revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria e socialista pode fazer pelos setores mais oprimidos dentre os trabalhadores.<\/p>\n<p>Quando o proletariado ousou tomar o c\u00e9u de assalto, revolucionou n\u00e3o s\u00f3 o poder pol\u00edtico e iniciou transforma\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas profundas, mas tamb\u00e9m revolucionou os demais campos da atividade social, o que se expressou em bibliotecas abertas, amplas reuni\u00f5es nos sal\u00f5es das Igrejas &#8211; que foram desligadas de sua interfer\u00eancia na pol\u00edtica &#8211;\u00a0 e em seus decretos.<\/p>\n<p>Apesar do tempo curto de exist\u00eancia (72 dias) e de todas as dificuldades impostas a uma cidade sitiada e arrasada pela guerra, que n\u00e3o possibilitou a implementa\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de decretos, podemos ver que para os Communards era tamb\u00e9m necess\u00e1rio transformar a cultura, a educa\u00e7\u00e3o, e as rela\u00e7\u00f5es entre os sexos:<\/p>\n<p><em>Artigo VII. (&#8230;) transforma\u00e7\u00e3o do Pal\u00e1cio da Justi\u00e7a (&#8230;) num vasto recinto de atra\u00e7\u00e3o e de divertimento para crian\u00e7as de todas as idades (&#8230;) s\u00e3o abolidos todos os casos de delitos de opini\u00e3o, de imprensa e as diversas formas de censura: pol\u00edtica, moral, religiosa etc; Paris \u00e9 proclamada terra de asilo e aberta a todos os revolucion\u00e1rios estrangeiros, expulsos [de suas terras] pelas suas ideias e a\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p><em>Artigo VIII. (&#8230;) cria\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os populares encarregados de embelezar a cidade, fazendo e mantendo canteiros de flores em todos os locais onde a estupidez levou \u00e0 solid\u00e3o, \u00e0 desola\u00e7\u00e3o e ao inabit\u00e1vel; <\/em><\/p>\n<p><em>Artigo XI. \u00c9 abolida a escola \u201cvelha\u201d. As crian\u00e7as devem sentir-se como em sua casa, aberta para a cidade e para a vida. (&#8230;) O professor antigo deixa de existir: ningu\u00e9m fica com o monop\u00f3lio da educa\u00e7\u00e3o, pois ela j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 concebida como transmiss\u00e3o do saber livresco (..)<\/em><\/p>\n<p><em>Artigo XII. <strong>A submiss\u00e3o das crian\u00e7as e da mulher \u00e0 autoridade do pai, que prepara a submiss\u00e3o de cada um \u00e0 autoridade do chefe, \u00e9 declarada morta. O casal constitui-se livremente com o \u00fanico fim de buscar o prazer comum. A Comuna proclama a liberdade de nascimento: o direito de informa\u00e7\u00e3o sexual desde a inf\u00e2ncia, o direito do aborto, o direito \u00e0 anticoncep\u00e7\u00e3o<\/strong>. (&#8230;)<\/em><\/p>\n<p>Em pleno s\u00e9culo XXI, diante tantos ataques aos direitos democr\u00e1ticos das mulheres, e \u00e0 completa aus\u00eancia de pol\u00edticas quanto ao debate sobre sexualidade e educa\u00e7\u00e3o sexual para as crian\u00e7as e adolescentes, o que consideramos de grande import\u00e2ncia para o combate \u00e0 viol\u00eancia sexual e \u00e0 LGBTfobia desde o espa\u00e7o escolar, o Artigo XII se destaca ainda mais.<\/p>\n<p>Podemos citar mais algumas medidas da Comuna em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres:<\/p>\n<p>&#8211; A Comuna deu indeniza\u00e7\u00e3o de 75 c\u00eantimos, sem fazer qualquer distin\u00e7\u00e3o entre as mulheres chamadas de ileg\u00edtimas, as m\u00e3es e as vi\u00favas dos guardas nacionais.<\/p>\n<p>&#8211; As prostitutas, at\u00e9 ent\u00e3o mantidas em Paris para os \u201chomens da Ordem\u201d, por\u00e9m mantidas, para sua \u201cseguran\u00e7a\u201d, em condi\u00e7\u00f5es de servid\u00e3o pessoal sob o dom\u00ednio arbitr\u00e1rio da pol\u00edcia, foram libertadas de sua escravid\u00e3o degradante pela Comuna, que, n\u00e3o obstante, varreu o solo sobre o qual a prostitui\u00e7\u00e3o floresce, bem como os homens que a alimentam.<\/p>\n<p>&#8211; Sal\u00e1rio igual aos dos soldados da Guarda Nacional do Front para enfermeiras avan\u00e7adas<\/p>\n<p>&#8211; Escola de mulheres com ensino profissionalizante, com creche, orfanato e atendimento \u00e0s desempregadas.<\/p>\n<p>&#8211; Direito a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica (voto) e ao div\u00f3rcio<\/p>\n<p>A Comuna tamb\u00e9m buscou garantir o direito ao trabalho para as mulheres:<\/p>\n<p><em>\u201cNo dia 16 de abril, um decreto prev\u00ea que as trabalhadoras associadas fiquem respons\u00e1veis pelos ateliers abandonados pelos patr\u00f5es. Essas oficinas s\u00e3o organizadas desde os primeiros dias de maio. As mulheres dos comit\u00eas de bairro realizam um grande trabalho: registram as desempregadas, as oficinas abandonadas e preparam quem ir\u00e1 trabalhar nessas oficinas.\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><strong>[5]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p>O que podemos ver na Comuna &#8211; mas tamb\u00e9m em outros processos hist\u00f3ricos, como a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e a Revolu\u00e7\u00e3o de 1848 &#8211; \u00e9 que as mulheres pobres se levantaram, sobretudo quando os problemas econ\u00f4micos amea\u00e7avam seu n\u00edvel de vida e o de suas fam\u00edlias, mas que tamb\u00e9m conectaram estas quest\u00f5es com as lutas pelo poder e fizeram pleno uso da oportunidade de pressionar a favor de mudan\u00e7as em diversos \u00e2mbitos.<\/p>\n<p>Para conquistar seus demandas, como direito a sal\u00e1rios decentes e iguais aos dos homens, creches, cuidado com as crian\u00e7as e idosos, acesso aos estudos, ao lazer, direito \u00e0 liberdade, ao voto, etc, se enfrentavam n\u00e3o s\u00f3 com os homens burgueses, mas tamb\u00e9m com as mulheres burguesas, com suas patroas, &#8230; que comemoraram as mulheres e crian\u00e7as mortas nas ruas de paris, quando a comuna foi derrotada.<\/p>\n<p><strong>\u00a0A luta contra o machismo, na perspectiva da revolu\u00e7\u00e3o <\/strong><\/p>\n<p>Essas mulheres tamb\u00e9m tiveram que lutar contra a opress\u00e3o no interior de sua pr\u00f3pria classe: havia dentro do movimento oper\u00e1rio e suas correntes, pol\u00eamicas quanto \u00e0 inser\u00e7\u00e3o das mulheres no trabalho fabril e \u00e0 participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da mulher no interior do movimento oper\u00e1rio.<\/p>\n<p>Na Comuna havia um peso importante de Proudhonistas, e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher, as posi\u00e7\u00f5es de Proudhon eram das mais reacion\u00e1rias; para ele,<\/p>\n<p><em>\u201ca fun\u00e7\u00e3o da mulher era a procria\u00e7\u00e3o e as tarefas dom\u00e9sticas, e \u00a0portanto, a mulher que trabalhava fora de casa estava roubando do trabalho do homem. Ele chegou a propor que o marido tivesse direito de vida ou morte sobre sua mulher, em caso de desobedi\u00eancia ou falta de car\u00e1ter, e demonstrava mediante uma rela\u00e7\u00e3o aritm\u00e9tica, a inferioridade do c\u00e9rebro feminino em rela\u00e7\u00e3o ao masculino.\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><strong>[6]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p>A ideia de que a mulher deveria ser arrancada da f\u00e1brica em prol de sua dignidade, de suas \u201cfun\u00e7\u00f5es naturais\u201d, e que seu trabalho fora estava desvalorizando o trabalho do homem encontrava eco dentro da classe oper\u00e1ria e do movimento socialista (n\u00e3o devemos desconsiderar que a situa\u00e7\u00e3o de concorr\u00eancia imposta aos trabalhadores pelo capitalismo e que o uso da opress\u00e3o da mulher para rebaixar o sal\u00e1rio dos trabalhadores em geral era uma forte base concreta para alimentar o machismo no interior da classe).<\/p>\n<p>Por\u00e9m n\u00e3o era a \u00fanica posi\u00e7\u00e3o vigente. Marx e Engels, desde o in\u00edcio de sua rela\u00e7\u00e3o com o movimento oper\u00e1rio, e em diversas obras te\u00f3ricas, defendiam a inser\u00e7\u00e3o da mulher nas f\u00e1bricas como algo progressivo, e concretamente, defendiam a participa\u00e7\u00e3o das mulheres no movimento, e que cumprissem pap\u00e9is importantes nas organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores. Exemplo disso foi a pol\u00edtica de enviar Elisabeth Dmitrieff como representante da AIT para atuar na Comuna de Paris.<\/p>\n<p>Dmitrieff participou da cria\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o das mulheres para Defesa de Paris, pertencendo \u00e0 sua comiss\u00e3o executiva; lutou nos combates durante a semana sangrenta, em um dos quais ajudou Leo Frankel, ferido nas barricadas, retornando ao combate. Com o fim da Comuna, consegue escapar da repress\u00e3o e volta para a R\u00fassia.<\/p>\n\n\t\t<style type=\"text\/css\">\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 33%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-70510 gallery-columns-3 gallery-size-thumbnail'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/06\/03\/as-mulheres-e-o-assalto-aos-ceus-o-legado-da-comuna-de-paris\/co-6\/'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Co-6-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/06\/03\/as-mulheres-e-o-assalto-aos-ceus-o-legado-da-comuna-de-paris\/co-5\/'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Co-5-150x150.png\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl>\n\t\t\t<br style='clear: both' \/>\n\t\t<\/div>\n\n<p>Um outro exemplo importante da atitude dos marxistas da AIT em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres foi Leo Frankel, chefe do Comit\u00ea de Trabalho da Comuna, que dialogava diretamente com as mulheres que reivindicavam o direito ao trabalho e queriam participar das decis\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao controle oper\u00e1rio das ind\u00fastrias, especialmente das f\u00e1bricas t\u00eaxteis.<\/p>\n<p>Na Comuna se travaram batalhas vivas pelos direitos das mulheres, e por seu lugar na revolu\u00e7\u00e3o, mas em nenhum momento elas enxergaram que sua emancipa\u00e7\u00e3o passava por fora da luta dos trabalhadores. Nessas batalhas elas n\u00e3o estiveram sozinhas, e a resultante foram medidas concretas que at\u00e9 hoje s\u00e3o exemplos para todos e todas que lutam pelo socialismo e contra qualquer forma de opress\u00e3o.<\/p>\n<p>A Comuna, a primeira revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria da hist\u00f3ria, com todas as suas limita\u00e7\u00f5es, fez muito mais pelas mulheres que todos os governos burgueses at\u00e9 hoje, e neste aspecto, s\u00f3 foi superada pela Revolu\u00e7\u00e3o Russa, nos mostrando o quanto a revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria e socialista \u00e9 o caminho para a liberta\u00e7\u00e3o das mulheres e de todos os oprimidos.<\/p>\n<p><strong>Viva a Comuna de Paris! <\/strong><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Valle, Camila: <em>As mulheres e a Comuna de Paris de 1871<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Valle, Camila: <em>As mulheres e a Comuna de Paris de 1871<\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> D\u2019atri, Andrea: <em>Comuna de Paris: mulheres parindo um novo mundo. <\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> D\u2019atri, Andrea: <em>Comuna de Paris: mulheres parindo um novo mundo.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Valle, Camila: <em>As mulheres e a Comuna de Paris de 1871<\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Toledo, Cec\u00edlia: <em>A mulher e a luta pelo socialismo: cl\u00e1ssicos do marxismo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A coragem, a combatividade, o trabalho incans\u00e1vel e a determina\u00e7\u00e3o impuseram \u00e0 Comuna a marca das mulheres prolet\u00e1rias. Elas foram parte ativa dos communards, dos primeiros aos \u00faltimos momentos.\u00a0 Seu exemplo abriu caminho para in\u00fameras lutas e conquistas das mulheres trabalhadoras no p\u00f3s-Comuna.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":70365,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3695,3542],"tags":[3741,4003,2266,79],"class_list":["post-70510","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-150-anos-da-comuna-de-paris","category-franca","tag-150-anos-da-comuna-de-paris","tag-cilene-gadelha","tag-especial-comuna-de-paris","tag-roberta-maiani"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Co-principal.jpg","categories_names":["150 anos da Comuna de Paris","Fran\u00e7a"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70510","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=70510"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70510\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/70365"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=70510"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=70510"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=70510"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}