{"id":70475,"date":"2021-03-30T14:56:45","date_gmt":"2021-03-30T17:56:45","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=63436"},"modified":"2021-03-30T14:56:45","modified_gmt":"2021-03-30T17:56:45","slug":"myamar-burma-uma-historia-de-lutas-contra-intervencoes-militares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/03\/30\/myamar-burma-uma-historia-de-lutas-contra-intervencoes-militares\/","title":{"rendered":"Myanmar (Burma): uma hist\u00f3ria de lutas contra interven\u00e7\u00f5es militares"},"content":{"rendered":"<p>N<em>o \u00faltimo 8 de mar\u00e7o, uma das cenas mais impactantes e emblem\u00e1ticas da luta das mulheres mundo afora veio de Myanmar , pa\u00eds localizado no Sudeste Asi\u00e1tico \u2013 tamb\u00e9m conhecido como Burma ou Birm\u00e2nia, onde milhares e milhares de trabalhadoras e jovens tomaram \u00e0s ruas, vestindo o tradicional \u201chtamein\u201d (a palavra birmanesa para \u201csarong\u201d, uma esp\u00e9cie de saiote, usado tanto por homens quanto mulheres, que envolve a parte inferior do tronco) ou estendendo-os em varais e barricadas nas principais cidades do pa\u00eds.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Wilson Hon\u00f3rio da Silva<\/p>\n<p>Belas imagens que retratam muitos aspectos das contradi\u00e7\u00f5es que caracterizam a enorme polariza\u00e7\u00e3o social em que o mundo est\u00e1 mergulhado neste momento no qual a humanidade se debate com a maior crise sanit\u00e1ria e socioecon\u00f4mica j\u00e1 vista. Cenas particularmente fortes porque refletem um dos mais vigorosos exemplos desta polariza\u00e7\u00e3o: o pa\u00eds est\u00e1 rebelado numa greve geral contra uma ditadura militar, instalada em 1\u00ba de fevereiro, tendo as cerca de 600 mil oper\u00e1rias da ind\u00fastria de vestu\u00e1rios e cal\u00e7ados \u2013 principalmente esportivos, para exporta\u00e7\u00e3o \u2013 na sua linha de frente.<\/p>\n<p>E n\u00e3o por acaso. Mulheres, sempre e em qualquer lugar do mundo, est\u00e3o dentre os primeiros e mais profundamente atingidos quando o capitalismo acirra seus mecanismos de opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o. E, em Burma, sua participa\u00e7\u00e3o tem sido significativa ao ponto do traje, adotado exatamente para questionar o machismo e as profundas tradi\u00e7\u00f5es sexistas que reinam no pa\u00eds, tem servido de nome para a rebeli\u00e3o em curso: o \u201cMovimento Sarong\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 muito o que se falar sobre a profundidade dos ataques que surgiram na esteira do golpe militar; mas, tamb\u00e9m, sobre como a classe trabalhadora, o povo das 136 etnias que habitam o pa\u00eds e a juventude t\u00eam, ao longo da Hist\u00f3ria, se enfrentado com regimes pol\u00edticos totalit\u00e1rios, entremeados por curtos per\u00edodos de \u201cdemocracia\u201d que, contudo, em nada contribu\u00edram para barrar violentos ataques sociais e econ\u00f4micos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-63438\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/myanmar_artigo01_mapa.jpg\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"305\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/myanmar_artigo01_mapa.jpg 512w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/myanmar_artigo01_mapa-300x179.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/myanmar_artigo01_mapa-150x89.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/p>\n<p>Por isso, produzimos tr\u00eas artigos. Neste, iremos contar, mesmo que de forma sint\u00e9tica, um pouco da hist\u00f3ria do pa\u00eds, deste a \u00e9poca do imperialismo brit\u00e2nico, para que se possa entender o contexto atual (**). No segundo, abordaremos a luta contra o golpe, com destaque para o movimento oper\u00e1rio. No \u00faltimo, discutiremos por que o governo rec\u00e9m-derrubado, da Liga Nacional pela Democracia, encabe\u00e7ada por Aung San Suu Kyi, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 uma alternativa para que o povo de Burma conquiste a liberdade, igualdade e justi\u00e7a pelas quais lutam h\u00e1 s\u00e9culos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-63439 size-full\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Miammar.jpg\" alt=\"\" width=\"1300\" height=\"975\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Miammar.jpg 1300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Miammar-300x225.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Miammar-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Miammar-768x576.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Miammar-150x113.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Miammar-696x522.jpg 696w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Miammar-1068x801.jpg 1068w\" sizes=\"auto, (max-width: 1300px) 100vw, 1300px\" \/><\/p>\n<h4><strong>Da prosperidade \u00e0s garras do imperialismo brit\u00e2nico<\/strong><\/h4>\n<p>As enormes contradi\u00e7\u00f5es e disputas que caracterizam a hist\u00f3ria deste pa\u00eds \u2013 encravado entre o Mar Andam\u00e3o (no Oceano Asi\u00e1tico) e as fronteiras de Bangladesh, \u00cdndia, China, Laos e Tail\u00e2ndia \u2013 podem ser exemplificadas atrav\u00e9s de sua pr\u00f3pria denomina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>At\u00e9 pouco tempo, o pa\u00eds era chamado de Burma (ou Birm\u00e2nia, a depender da tradu\u00e7\u00e3o), como era designado pelos colonizadores brit\u00e2nicos. Rep\u00fablica da Uni\u00e3o de Myamar foi o nome adotado ap\u00f3s o golpe militar dado em 1989, quando, de forma populista, o regime totalit\u00e1rio resgatou uma denomina\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima das origens \u00e9tnicas da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Curiosamente, ambos os nomes (Mynamar e Burma), apesar da grafia diferente no alfabeto ocidental, t\u00eam origem no mesmo termo e quase a mesma pron\u00fancia na l\u00edngua local (Myanma or Myamma), em refer\u00eancia ao principal grupo \u00e9tnico da regi\u00e3o, os Bram\u00e1s (berm\u00e1s ou, ainda, birmaneses), que, hoje, correspondem a 83% dos cerca de 53 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>Com suas origens nos prim\u00f3rdios das civiliza\u00e7\u00f5es, a regi\u00e3o j\u00e1 fez parte dos Reinos Budistas (como parte do que, hoje, \u00e9 a \u00cdndia); construiu uma das mais pr\u00f3speras civiliza\u00e7\u00f5es da Antiguidade (o Imp\u00e9rio Pagan, entre 900 e 1200 d.C); foi conquistada pelos mong\u00f3is e dividiu-se em pequenos reinos, at\u00e9 entrar na mira da expans\u00e3o colonial europeia.<\/p>\n<p>Primeiro, tiveram que resistir aos portugueses, nos anos 1600; depois aos franceses, no s\u00e9culo seguinte; at\u00e9 perderem totalmente a soberania, caindo nas garras do Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico, que depois de uma sucess\u00e3o de tr\u00eas guerras nos anos 1800, que provocaram uma quantidade at\u00e9 hoje incalcul\u00e1vel de mortos e naufragaram o pa\u00eds numa situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria, j\u00e1 que, al\u00e9m de saquearem o pa\u00eds, os brit\u00e2nicos exigiram o pagamento de uma \u201cindeniza\u00e7\u00e3o\u201d de milh\u00f5es de libras esterlinas, iniciando uma ocupa\u00e7\u00e3o colonial que se estendeu de 1824 at\u00e9 1948.<\/p>\n<p>Assimilada como uma prov\u00edncia da \u00cdndia Brit\u00e2nica, a ent\u00e3o Birm\u00e2nia cumpriu papel de destaque para a Segunda Revolu\u00e7\u00e3o Industrial (a partir dos anos 1850) e o projeto imperialista dos brit\u00e2nicos, principalmente atrav\u00e9s de mat\u00e9rias-primas como a teca (\u00e1rvore cuja madeira era usada na constru\u00e7\u00e3o naval), a borracha e o petr\u00f3leo; tornando-se, ainda, o maior exportador mundial de arroz naquele per\u00edodo. Al\u00e9m disso, e ainda mais importante para os capitalistas ingleses e escoceses, a regi\u00e3o foi transformada em um \u201ccorredor de entrada\u201d para o gigantesco e cobi\u00e7ado mercado chin\u00eas.<\/p>\n<div id=\"attachment_63440\" style=\"width: 706px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-63440\" class=\"wp-image-63440 size-full\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/myanmar_artigo01_caricatura_ridicuralizando_burma_como_sapos_Guerra1890-696x409-1.png\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"409\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/myanmar_artigo01_caricatura_ridicuralizando_burma_como_sapos_Guerra1890-696x409-1.png 696w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/myanmar_artigo01_caricatura_ridicuralizando_burma_como_sapos_Guerra1890-696x409-1-300x176.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/myanmar_artigo01_caricatura_ridicuralizando_burma_como_sapos_Guerra1890-696x409-1-150x88.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/><p id=\"caption-attachment-63440\" class=\"wp-caption-text\">Caricatura ridicularizando birmaneses como sapos<\/p><\/div>\n<p>Todo este per\u00edodo foi caracterizado por n\u00edveis absurdos de explora\u00e7\u00e3o, devasta\u00e7\u00e3o do meio ambiente e da agricultura familiar e tradicional, al\u00e9m de violenta opress\u00e3o e repress\u00e3o, inclusive \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es culturais e religiosas, particularmente o budismo, adotado pela maioria da popula\u00e7\u00e3o e transformado em importante instrumento de organiza\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia.<\/p>\n<p>E, se n\u00e3o bastasse, o imperialismo brit\u00e2nico se utilizou da nefasta t\u00e1tica de \u201cdividir para conquistar\u201d para se impor, estabelecendo barreiras sociais, pol\u00edticas e econ\u00f4micas dentre os v\u00e1rios grupos \u00e9tnico-raciais que conviviam na regi\u00e3o, algo que, at\u00e9 hoje, marca a hist\u00f3ria e os conflitos no pa\u00eds, assumindo, em distintos momentos da Hist\u00f3ria, as caracter\u00edsticas de \u201climpeza \u00e9tnica\u201d.<\/p>\n<p>Em suma, no topo da pir\u00e2mide estavam os brancos (majoritariamente de origem brit\u00e2nica); logo abaixo, vinham os imigrantes indianos, que formavam uma classe m\u00e9dia composta por membros do ex\u00e9rcito de ocupa\u00e7\u00e3o, burocratas que trabalhavam nas institui\u00e7\u00f5es do Estado ou comerciantes (fun\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m exercida por chineses) e membros de algumas etnias minorit\u00e1rias, cooptadas pelos colonizadores. E, na base, massacrada, sobrevivia a maioria dos povos origin\u00e1rios.<\/p>\n<h4><strong>A II Guerra, a ocupa\u00e7\u00e3o japonesa e a militariza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Evidentemente, tudo isto n\u00e3o aconteceu sem que houvesse rebeli\u00f5es e lutas, um processo que obrigou com que, em 1937, o Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico fizesse uma pequena concess\u00e3o, promovendo uma nova constitui\u00e7\u00e3o que separou a Birm\u00e2nia da \u00cdndia Brit\u00e2nica, mantendo o poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico, mas delegando-o, parcialmente, para setores das elites locais.<\/p>\n<p>O que, contudo, n\u00e3o impediu que, no ano seguinte, os trabalhadores, estudantes e camponeses birmaneses realizassem uma primeira e vigorosa greve geral, que detonou um processo de organiza\u00e7\u00e3o de entidades dos movimentos sociais e organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, muitas delas inspiradas em variantes do comunismo e do socialismo.<\/p>\n<p>Essas lutas, contudo, esbarraram em um poderos\u00edssimo obst\u00e1culo, a II Guerra Mundial, cujos efeitos foram particularmente devastadores em Burma, transformada no segundo mais importante palco asi\u00e1tico (depois da China) para os combates entre os chamados Aliados e o Jap\u00e3o. A hist\u00f3ria \u00e9 ultra complexa e n\u00e3o h\u00e1 como detalh\u00e1-la, aqui. Mas, alguns elementos s\u00e3o fundamentais para que se compreenda a situa\u00e7\u00e3o atual, principalmente o lament\u00e1vel papel que as For\u00e7as Armadas t\u00eam cumprido desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Por um lado, os japoneses se infiltraram no pa\u00eds, apoiados por nacionalistas birmaneses, particularmente Aung San, Bo Ne Win e os chamados \u201cThirty Comrades\u201d (Trinta Companheiros) que lutavam contra a domina\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica e se organizaram no Ex\u00e9rcito pela Independ\u00eancia da Birm\u00e2nia (BIA, na sigla original), fato fundamental para entender a hist\u00f3ria birmanesa, j\u00e1 que Bo Ne Win foi o ditador que governou o pa\u00eds entre 1962 e 1988; Aung San, posteriormente, foi considerado her\u00f3i da independ\u00eancia e \u00e9 pai de Aung San Suu Kyi (deposta pelo golpe realizado em 1\u00ba de fevereiro); e a BIA \u00e9 o embri\u00e3o das for\u00e7as militares que dominam a hist\u00f3ria de Burma desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 1942, o \u201capoio\u201d se transformou em bombardeios em massa e invas\u00e3o de tropas japonesas, enfrentados pelos colonizadores brit\u00e2nicos com uma t\u00e1tica igualmente devastadora: a destrui\u00e7\u00e3o, nas cidades mais desenvolvidas, de toda a infraestrutura, parque industrial e tudo mais que pudesse ser utilizado pelos nip\u00f4nicos.<\/p>\n<p>No entanto, foi sob a batuta da alian\u00e7a entre os japoneses e os militares da BIA que foram criadas as primeiras institui\u00e7\u00f5es nacionais (particularmente destinadas \u201cmanuten\u00e7\u00e3o da ordem\u201d e cobran\u00e7a de impostos) e que a infraestrutura m\u00ednima, como servi\u00e7os de transporte e comunica\u00e7\u00e3o, foi reconstru\u00edda, num processo igualmente violento, que acirrou as contradi\u00e7\u00f5es internas, principalmente porque a atua\u00e7\u00e3o da BIA tamb\u00e9m foi marcada pela viol\u00eancia, com assassinatos, estupros e destrui\u00e7\u00e3o de vilarejos de membros das etnias minorit\u00e1rias, principalmente aquelas acusadas de terem colaborado com os colonizadores brit\u00e2nicos.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, apesar de uma suposta \u201cdescoloniza\u00e7\u00e3o\u201d, tamb\u00e9m n\u00e3o demorou muito para que os japoneses manifestassem seus interesses imperialistas, passando a transformar a Birm\u00e2nia em palco para o desenvolvimento de seus pr\u00f3prios neg\u00f3cios e ind\u00fastrias, com a ampla utiliza\u00e7\u00e3o de trabalho for\u00e7ado e n\u00edveis absurdos de explora\u00e7\u00e3o. Diante disto, o BIA, ainda sob o controle de Aung San e Ne Win, organizou o Ex\u00e9rcito Nacional de Burma (BNA) e, em 1944, virou a casaca, passando a apoiar os Aliados.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio neste momento \u00e9 igualmente complexo. Gr\u00e3-Bretanha (debilitada pela perda da col\u00f4nia para os japoneses), Estados Unidos e China (mobilizada contra o Jap\u00e3o desde a eclos\u00e3o da Segunda Guerra Sino-Japonesa, em 1937) estavam alinhados contra os pa\u00edses do Eixo e, apesar das profundas diferen\u00e7as e distintos interesses que tinham na Birm\u00e2nia, se apresentaram como aliados dos nacionalistas birmaneses, resultando num emaranhado jogo de golpes e contragolpes entre eles, atrav\u00e9s de alian\u00e7as oportunistas com distintos setores pol\u00edticos, econ\u00f4micos e \u00e9tnicos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00c9 importante ressaltar que, apesar das manobras das pot\u00eancias Aliadas e dos estragos que provocaram, o povo birman\u00eas nunca depositou completa confian\u00e7a nelas, lutando heroicamente pela sua pr\u00f3pria liberta\u00e7\u00e3o, seja atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es de massas e greve, seja com a forma\u00e7\u00e3o de guerrilhas independentes dos interesses de seus supostos aliados contra o Jap\u00e3o, at\u00e9 mesmo porque sabiam que nenhum deles estava, de fato, a favor da descoloniza\u00e7\u00e3o e independ\u00eancia do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Foi neste processo que, j\u00e1 pr\u00f3ximo ao final da Guerra, Aung San, liderou uma vitoriosa revolta contra a ocupa\u00e7\u00e3o japonesa, em 27 de mar\u00e7o de 1945 (data celebrada at\u00e9 hoje como Dia da Resist\u00eancia Nacional), e conseguiu, habilmente, unificar o seu Ex\u00e9rcito Nacional (BNA) com o Partido Revolucion\u00e1rio do Povo (PRP, bra\u00e7o dos \u201cThakins\u201d, grupo formado, nos anos 1930, por intelectuais e budistas nacionalistas) e o Partido Comunista de Burma (CPB, de linhagem mao\u00edsta, que deixou o poder depois de uma tentativa fracassada de rebeli\u00e3o, em 1949, sendo proscrito em 1953), dando origem \u00e0 Liga Anti-Fascista para a Liberdade do Povo (AFPFL, na sigla inglesa).<\/p>\n<h4><strong>Frente Popular, concilia\u00e7\u00e3o de classes e trai\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h4>\n<p>Como discutido em um artigo publicado na p\u00e1gina da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI), em outubro de 2007 (<em>\u201c<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/artigo282\/\">O regime militar na corda bamba<\/a>\u201d<\/em>), a AFPFL formou um governo de Frente Popular (de concilia\u00e7\u00e3o de classes) que governou Burma at\u00e9 1962, quando militares tomaram o poder atrav\u00e9s de um golpe que instalou uma autoproclamada \u201cvia birmanesa para o socialismo\u201d que, na pr\u00e1tica, n\u00e3o passava de um regime capitalista, sanguin\u00e1rio e totalit\u00e1rio, que se estendeu at\u00e9 1988, quando outro setor do ex\u00e9rcito se apossou do poder (estendendo o regime militar at\u00e9 2011).<\/p>\n<p>Como destacado no artigo, o governo da AFPFL foi marcado pela instabilidade, atravessada por uma s\u00e9rie de elementos, a come\u00e7ar pelo car\u00e1ter do governo (tamb\u00e9m caracterizado por forte car\u00e1ter totalit\u00e1rio); passando pelo assassinato de seu principal dirigente, Aung San (morto, juntamente com todo seu gabinete, em julho de 1947) e acirradas disputas inter\u00e9tnicas, acumuladas nos per\u00edodos colonial e no processo de independ\u00eancia. Al\u00e9m de uma conjuntura mundial complexa, marcada pela chamada Guerra Fria (lembrando que a Revolu\u00e7\u00e3o Chinesa ocorreu neste mesmo per\u00edodo, em 1949).<\/p>\n<p>Em suma, a concilia\u00e7\u00e3o de classes proposta pela Frente Popular foi incapaz de satisfazer as necessidades hist\u00f3ricas do povo e, ainda, permitiu que a Gr\u00e3-Bretanha, j\u00e1 incapaz de manter o dom\u00ednio colonial na regi\u00e3o, interviesse diretamente na descoloniza\u00e7\u00e3o de Burma, atrav\u00e9s da imposi\u00e7\u00e3o de um processo \u201cgradual\u201d, que garantiu aos brit\u00e2nicos duas quest\u00f5es fundamentais: a manuten\u00e7\u00e3o de seus interesses econ\u00f4micos e estrat\u00e9gicos na regi\u00e3o e, tamb\u00e9m, o isolamento dos setores mais radicalizados e revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Esta transi\u00e7\u00e3o foi negociada na Inglaterra, diretamente por Aung San e o Primeiro Ministro do Reino Unido, Clement Richard Attlee, resultando num acordo que selou um acordo de independ\u00eancia, em janeiro de 1947. Para se ter uma ideia do grau da concilia\u00e7\u00e3o, vale citar que uma de suas resolu\u00e7\u00f5es impunha a forma\u00e7\u00e3o de novo ex\u00e9rcito nacional misto, formado por membros do BAN e das for\u00e7as Aliadas (Inglaterra e EUA).<\/p>\n<h4><strong>A farsa da \u201cvia birmanesa para o socialismo\u201d e 50 anos de ditaduras<\/strong><\/h4>\n<p>Seja como for, a independ\u00eancia foi oficialmente decretada em 04 de janeiro de 1948 e a Liga AntiFascista para a Liberdade do Povo governou o pa\u00eds at\u00e9 1962, particularmente atrav\u00e9s da figura de U Nu, que exerceu o cargo de primeiro-ministro quase que ininterruptamente at\u00e9 1962, quando o comandante militar Ne Win, tomou o poder, atrav\u00e9s de um golpe.<\/p>\n<p>Ne Win governou o pa\u00eds diretamente at\u00e9 1988, \u00e0 frente do chamado Partido do Programa Socialista da Birm\u00e2nia, que defendia uma chamada \u201cvia birmanesa ao socialismo\u201d que, no entanto, como j\u00e1 mencionado, n\u00e3o passava de uma ditadura capitalista sanguin\u00e1ria, que proibiu a exist\u00eancia de partidos pol\u00edticos e de sindicatos independentes, levando a popula\u00e7\u00e3o a tal n\u00edvel de explora\u00e7\u00e3o que, no final dos anos 1980, Burma era um dos dez pa\u00edses mais pobres do mundo.<\/p>\n<p>Este per\u00edodo tamb\u00e9m foi caracterizado pela violenta repress\u00e3o \u00e0s etnias minorit\u00e1rias, em um verdadeiro processo de limpeza \u00e9tnica, particularmente contra o povo rohingya (de tradi\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana), cujos direitos come\u00e7aram a ser restritos a partir de 1962 e a nacionalidade birmanesa completamente negada com a \u201cLei de Cidadania\u201d, aprovada em 1982, que lhes impede, at\u00e9 hoje, o acesso a escolas, votar, possuir terras e propriedades, usar hospitais e direitos no mercado de trabalho, transformando-os em um das maiores popula\u00e7\u00f5es ap\u00e1tridas do mundo.<\/p>\n<p>A deposi\u00e7\u00e3o de Ne Win se deu sob um massivo processo de mobiliza\u00e7\u00f5es e lutas oper\u00e1rias e populares, iniciada em agosto de 1988 (a \u201cRebeli\u00e3o 8888\u201d, leia mais nos artigos seguintes), mas a interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e poder econ\u00f4mico das For\u00e7as Armadas birmanesas falaram mais alto, com um novo golpe, em 1989, quando o nome do pa\u00eds foi mudado para Rep\u00fablica da Uni\u00e3o de Myanmar, como mencionamos acima.<\/p>\n<p>De l\u00e1, at\u00e9 2011, a ditadura imp\u00f4s um regime de terror e fome. Em 1992, por exemplo, guerrilhas organizadas por grupos \u00e9tnicos minorit\u00e1rios, camponeses e trabalhadores, foram fortemente reprimidas, provocando um gigantesco \u00eaxodo migrat\u00f3rio para pa\u00edses vizinhos. A militariza\u00e7\u00e3o foi feroz. Durante todo este per\u00edodo, o governo destinava cerca de 40% do or\u00e7amento para a manuten\u00e7\u00e3o de um ex\u00e9rcito composto por quase um milh\u00e3o de soldados, um dos maiores do mundo.<\/p>\n<p>Enquanto isto, o povo naufragava na subnutri\u00e7\u00e3o e na mis\u00e9ria, sem, contudo, parar de lutar. A situa\u00e7\u00e3o chegou ao limite na primeira d\u00e9cada dos anos 2000, quando, em escala mundial, o capitalismo estava \u00e0 beira de sua maior crise, situa\u00e7\u00e3o que a ditadura respondeu dobrando o pre\u00e7o da gasolina e quintuplicando o do g\u00e1s natural, o que levou a um aumento generalizado do custo de vista.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o detonou um enorme processo de mobiliza\u00e7\u00f5es, entre agosto e novembro de 2007, conhecido como a Revolu\u00e7\u00e3o do A\u00e7afr\u00e3o, que culminou em um protesto que reuniu mais de 100 mil pessoas em Rangon (ou Yangon, a maior cidade do pa\u00eds), apesar da forte repress\u00e3o, que resultou na pris\u00e3o de 6.000 pessoas e no assassinato de dezenas.<\/p>\n<p>A passagem de um ciclone, em maio de 2008, que devastou o pa\u00eds, matando 134 mil pessoas e deixando 2,4 milh\u00f5es de desabrigados, aumentou ainda mais a insatisfa\u00e7\u00e3o e \u00f3dio com a ditadura que, n\u00e3o resistindo \u00e0 press\u00e3o, convocou elei\u00e7\u00f5es em 2010, dando in\u00edcio ao chamado \u201cper\u00edodo democr\u00e1tico\u201d, que perdurou at\u00e9 o golpe realizado no dia 1\u00ba de fevereiro.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia destes processos de lutas, particularmente a \u201cRevolu\u00e7\u00e3o do A\u00e7afr\u00e3o\u201d, pode ser exemplificada pelo fato de que, hoje, o \u201cMovimento Sarong\u201d os reivindica como modelo e fonte de aprendizado para as lutas atuais.<\/p>\n<h4><strong>Democracia, como sempre, para poucos<\/strong><\/h4>\n<p>O processo de transi\u00e7\u00e3o foi controlado de perto pelos militares e negociado com as principais lideran\u00e7as da oposi\u00e7\u00e3o burguesa no pa\u00eds. Em 2011, o poder foi assumido por Thein Sein, ex-comandante militar, que j\u00e1 exercia o cargo de primeiro-ministro desde 2007. Sein ficou no poder at\u00e9 as elei\u00e7\u00f5es realizadas em novembro de 2015, quando foi eleito o primeiro presidente civil do pa\u00eds, o professor universit\u00e1rio Htin Kyaw, da Liga Nacional pela Democracia (LND), fundada em meio da \u201cRebeli\u00e3o 8888\u201d, como principal representante da oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura.<\/p>\n<p>No entanto, Htin Kyaw bem como seu sucessor, Win Myint (tamb\u00e9m deposto no recente golpe) sempre foram considerados meros fantoches nas m\u00e3os de quem, de fato, exerce o poder: Aung San Suu Kyi, a filha do \u201cher\u00f3i da independ\u00eancia\u201d que, proibida de exercer a presid\u00eancia, em fun\u00e7\u00e3o de uma lei que n\u00e3o d\u00e1 este direito a pessoas que tenham c\u00f4njuges estrangeiros (ela \u00e9 casada com um brit\u00e2nico), atuava como Conselheira de Estado.<\/p>\n<p>Diga-se de passagem, Suu Kyi (sobre a qual voltaremos a falar nos pr\u00f3ximos artigos) \u00e9 a primeira a assumir quem realmente manda no pa\u00eds, j\u00e1 tendo declarado publicamente que est\u00e1\u00a0<em>\u201cacima do presidente\u201d<\/em>\u00a0e \u00e9 a respons\u00e1vel por\u00a0<em>\u201c<a href=\"https:\/\/foreignpolicy.com\/2016\/03\/12\/burmas-puppeteer-in-chief-takes-charge-aung-san-suu-kyi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tomar todas as decis\u00f5es<\/a>\u201d\u00a0<\/em>. De imediato, cabe apenas citar que, apesar de reconhecida como principal opositora dos militares e s\u00edmbolo da luta pela \u201cdemocracia\u201d, Suu Kyi e seu partido est\u00e3o longe de ser, de fato, alternativas para o povo sofrido e a classe trabalhadora de Burma.<\/p>\n<p>Primeiro, porque n\u00e3o intencionam, de forma alguma, mexer uma palha naquilo que est\u00e1 realmente por tr\u00e1s desta longa hist\u00f3ria de opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o: a estrutura capitalista do pa\u00eds e sua submiss\u00e3o aos interesses imperialistas. Al\u00e9m disso, Suu Kyi, desde sempre, tem sido conivente com os processos de limpeza \u00e9tnica em seu pa\u00eds, como j\u00e1 foi, inclusive, denunciada por \u00f3rg\u00e3os internacionais, afirmando que as den\u00fancias se devem ao um\u00a0<em>\u201cgrande iceberg de desinforma\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>\u00a0e, ainda, defendendo a a\u00e7\u00f5es criminosas do Ex\u00e9rcito, principalmente contra os mu\u00e7ulmanos, rejeitando por completo que isto se trata de um genoc\u00eddio.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que todo esse per\u00edodo, tanto sob a batuta dos militares e Thein Sein, quanto sob o comando da LND, foi marcado por um amplo processo de repress\u00e3o \u00e0s minorias \u00e9tnicas e religiosas, pela manuten\u00e7\u00e3o de n\u00edveis absurdos de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o socioecon\u00f4mica e por constantes den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma situa\u00e7\u00e3o que pode ser exemplificada por um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicef.org\/myanmar\/press-releases\/without-interventions-two-million-more-children-fall-poverty-myanmar-central\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">dado pela Unicef<\/a>, em 17 de novembro de 2020:\u00a0<em>\u201cAntes da pandemia da COVID-19 atingir Myanmar, um ter\u00e7o das crian\u00e7as \u2013\u00a0 mais de 5 milh\u00f5es \u2013\u00a0 j\u00e1 viviam na pobreza. Outros seis milh\u00f5es viviam em fam\u00edlia imediatamente acima do chamado limite da pobreza, tornando-os particularmente vulner\u00e1veis \u00e0s crises econ\u00f4micas. Em outras palavras, mais de metade das crian\u00e7as de Myanmar vivia na pobreza ou perto da pobreza antes do impacto da COVID-19, que pode agravar ainda mais a sua terr\u00edvel situa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Como veremos, \u00e9 isto que tamb\u00e9m explica o forte car\u00e1ter oper\u00e1rio na luta contra o golpe e, tamb\u00e9m, porque, dentre os trabalhadores, h\u00e1 muita gente que n\u00e3o veja a devolu\u00e7\u00e3o do poder a Aung San Suu Kyi como uma solu\u00e7\u00e3o para seus problemas. Neste sentido, vale citar a experi\u00eancia de Kyaw Myo, um dos principais membros da Federa\u00e7\u00e3o dos Sindicatos de Toda Burma, que est\u00e1 a frente dos protestos, e sintetizou sua desconfian\u00e7a com o \u201cgoverno democr\u00e1tico\u201d em uma frase:\u00a0<em>\u201cEu n\u00e3o apoio a LND. Eu n\u00e3o apoio nenhum partido pol\u00edtico [que governe] sob a constitui\u00e7\u00e3o de 2008\u201d<\/em>, disse ele, referindo-se \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o, mantida intocada por Suu Kyi, que manteve os privil\u00e9gios pol\u00edticos e econ\u00f4micos dos militares.<\/p>\n<p>E n\u00e3o lhe faltam motivos para se opor a LND, como foi registrado em um artigo publicado pelo portal da R\u00e1dio P\u00fablica Nacional (NPR, na sigla original, em ingl\u00eas), no dia 23 de mar\u00e7o:\u00a0<em>\u201c[Kyaw Myo] foi um desses ativistas que passou o mandato da LND entrando e saindo da pris\u00e3o, por apoiar os protestos contra os abusos trabalhistas. Ele foi condenado a seis meses de pris\u00e3o por ajudar a organizar uma marcha em Naypyidaw, em 2016; mais dois meses por protestar contra uma violenta repress\u00e3o policial contra um protesto de trabalhadores do setor de vestu\u00e1rios, em Yangon, e mais tr\u00eas meses por apoiar outro, em 2020.\u201d<\/em>\u00a0(<em>\u201c\u2018<a href=\"https:\/\/www.npr.org\/2021\/03\/23\/977818003\/spirit-to-fight-inside-the-labor-minority-rights-roots-of-myanmars-protests\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Esp\u00edrito de luta\u2019\u201d: por dentro da classe oper\u00e1ria, o direito das minorias nas ra\u00edzes dos protestos em Myanmar<\/a>\u201d\u00a0<\/em>).<\/p>\n<p>Foi neste contexto que aconteceram as elei\u00e7\u00f5es parlamentares em novembro de 2020, quando, novamente, a Liga Nacional pela Democracia abocanhou a enorme maioria dos votos, elegendo 396 dos 476 deputados, algo visto como uma derrota humilhante pelo Partido Uni\u00e3o de Solidariedade e Desenvolvimento, entidade que serve de fachada para os militares que deram o golpe em Fevereiro.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o tema do pr\u00f3ximo artigo. Por ora, para encerrar este resgate hist\u00f3rico, cabe citar uma conclus\u00e3o apontada no j\u00e1 mencionado artigo publicado no site da LIT-QI, durante a Revolu\u00e7\u00e3o do A\u00e7afr\u00e3o, em 2007, e que ainda \u00e9 v\u00e1lido para discutirmos como por fim, de fato, a este terr\u00edvel ciclo de repress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o ao combativo, mas sofrido, povo de Burma:<\/p>\n<p><em>(\u2026) O que \u00e9 preciso \u2013 e falta dramaticamente, at\u00e9 agora, tamb\u00e9m na Birm\u00e2nia \u2013 \u00e9 um partido revolucion\u00e1rio, baseado num programa transit\u00f3rio, que se construa nessas grandes lutas, que organize o crescimento destas e a autodefesa (n\u00e3o mandando massas inertes para frente de fuzis), que tenha como palavra-de-ordem a nacionaliza\u00e7\u00e3o, sem indeniza\u00e7\u00e3o, da terra e das grandes empresas de extra\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria-prima do pa\u00eds e a cria\u00e7\u00e3o de uma democracia baseada nos conselhos de oper\u00e1rios e camponeses pobres, capaz de dirigir as massas at\u00e9 uma real vitoria, numa perspectiva socialista.\u201d<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00faltimo 8 de mar\u00e7o, uma das cenas mais impactantes e emblem\u00e1ticas da luta das mulheres mundo afora veio de Myanmar , pa\u00eds localizado no Sudeste Asi\u00e1tico \u2013 tamb\u00e9m conhecido como Burma ou Birm\u00e2nia, onde milhares e milhares de trabalhadoras e jovens tomaram \u00e0s ruas, vestindo o tradicional \u201chtamein\u201d (a palavra birmanesa para \u201csarong\u201d, uma [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":63437,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[2109],"tags":[2364,3790,3791,735],"class_list":["post-70475","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-myanmar","tag-burma","tag-golpe-myanmar","tag-historia-myanmar","tag-wilson-honorio-da-silva"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/myanmar_artigo01_birmaneses_guerra_pela_independencia_1945-696x556-1.jpg","categories_names":["Myanmar"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70475","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=70475"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70475\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63437"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=70475"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=70475"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=70475"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}