{"id":70472,"date":"2021-03-24T14:04:21","date_gmt":"2021-03-24T17:04:21","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=63390"},"modified":"2021-03-24T14:04:21","modified_gmt":"2021-03-24T17:04:21","slug":"63390-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/03\/24\/63390-2\/","title":{"rendered":"Trotsky| As li\u00e7\u00f5es da Comuna"},"content":{"rendered":"<p><em>A cada vez que estudamos a hist\u00f3ria da Comuna descobrimos um novo matiz gra\u00e7as \u00e0 experi\u00eancia que nos foi proporcionada pelas lutas revolucion\u00e1rias posteriores, n\u00e3o apenas a revolu\u00e7\u00e3o russa, mas tamb\u00e9m a alem\u00e3 e a h\u00fangara. A guerra franco-prussiana foi uma explos\u00e3o sangrenta, pren\u00fancio de uma imensa carnificina mundial; a Comuna de Paris foi como um rel\u00e2mpago, anunciando uma revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria mundial.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Le\u00f3n Trotsky (1921)<\/p>\n<p>A Comuna nos mostrou o hero\u00edsmo das massas oper\u00e1rias, sua capacidade para unir-se em bloco, sua generosidade de se sacrificar pelo futuro&#8230; Mas, ao mesmo tempo, evidenciou a incapacidade das massas de encontrar seu caminho, sua indecis\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o do movimento, sua tend\u00eancia fatal a deter-se depois dos primeiros \u00eaxitos permitindo desta forma que o inimigo se recuperasse e retomasse suas posi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A Comuna chegou demasiado tarde. Teve todas as possibilidades de tomar o poder em 4 de setembro, o que teria permitido ao proletariado de Paris colocar-se \u00e0 cabe\u00e7a de todos os trabalhadores do pa\u00eds em sua luta contra as for\u00e7as do passado, tanto contra Bismarck quanto contra Thiers. Mas o poder caiu nas m\u00e3os dos charlat\u00e3es democr\u00e1ticos, os deputados de Paris. O proletariado parisiense n\u00e3o tinha nem um partido nem l\u00edderes a que estivessem ligados estreitamente atrav\u00e9s de lutas anteriores. Os patriotas pequeno-burgueses, que se acreditavam socialistas e buscavam o apoio dos oper\u00e1rios, careciam completamente de autoconfian\u00e7a. N\u00e3o faziam mais que minar a confian\u00e7a do proletariado em si mesmo, procurando continuamente advogados famosos, jornalistas, deputados, cuja \u00fanica bagagem consistia em uma d\u00fazia de frases vagamente revolucion\u00e1rias, para lhes confiar a dire\u00e7\u00e3o do movimento.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o pela qual Jules Favre, Picard, Garnier-Pag\u00e8s e companhia tomaram o poder em Paris em quatro de setembro \u00e9 a mesma que permitiu a Paul-Boncour, A. Varenne, Renaudel e muitos outros tornarem-se durante um per\u00edodo de tempo os amos do partido do proletariado.<\/p>\n<p>Por suas prefer\u00eancias, seus h\u00e1bitos intelectuais e por seu comportamento, os Renaudel e os Boncour, e mesmo os Longuet e Pressemane, est\u00e3o muito mais pr\u00f3ximos de Jules Favre e de Jules Ferry que do proletariado revolucion\u00e1rio. E justamente porque Favre, Simon, Picard e os demais abusaram da fraseologia democr\u00e1tico-liberal, seus filhos e seus netos tiveram de recorrer \u00e0 fraseologia socialista. Mas se tratam de filhos e netos dignos de seus pais, continuadores de sua obra. E, quando se trata de se decidir n\u00e3o a composi\u00e7\u00e3o de uma camarilha ministerial e sim que classe deve tomar o poder, Renaudel, Varenne, Longuet e seus iguais estar\u00e3o no campo de Millerand \u2013 colaborador de Gallifet, o verdugo da Comuna&#8230; Quando os charlat\u00e3es reacion\u00e1rios dos sal\u00f5es e do Parlamento se encontram cara a cara, na vida, com a Revolu\u00e7\u00e3o, nunca a reconhecem.<\/p>\n<p>O partido oper\u00e1rio \u2013 o verdadeiro \u2013 n\u00e3o \u00e9 instrumento de manobras parlamentares, \u00e9 a experi\u00eancia acumulada e organizada do proletariado. Somente com a ajuda do partido, que se apoia em toda sua hist\u00f3ria passada, que prev\u00ea teoricamente a dire\u00e7\u00e3o que os acontecimentos seguir\u00e3o; que prev\u00ea suas etapas e define as linhas de a\u00e7\u00e3o precisas, pode o proletariado se libertar da necessidade de recome\u00e7ar constantemente sua hist\u00f3ria: suas d\u00favidas, sua indecis\u00e3o, seus erros.<\/p>\n<p>O proletariado de Paris carecia de tal partido. Os socialistas burgueses, dos quais estava repleta a Comuna, elevavam seus olhares para o c\u00e9u esperando um milagre ou uma palavra prof\u00e9tica, duvidavam e, durante esse tempo, as massas andavam \u00e0s cegas, desorientadas por causa da indecis\u00e3o de uns e da fraqueza de outros. O resultado foi que a Revolu\u00e7\u00e3o explodiu no meio delas demasiado tarde. Paris estava cercada.<\/p>\n<p>Passaram-se seis meses at\u00e9 que o proletariado recuperasse a mem\u00f3ria das revolu\u00e7\u00f5es anteriores, de suas li\u00e7\u00f5es, dos combates anteriores, das reiteradas trai\u00e7\u00f5es da democracia, e tomasse o poder.<\/p>\n<p>Estes seis meses foram uma perda irrepar\u00e1vel. Se, em setembro de 1870, \u00e0 cabe\u00e7a do proletariado franc\u00eas se encontrasse o partido centralizado da a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, toda a hist\u00f3ria da Fran\u00e7a e, com ela, toda a hist\u00f3ria da humanidade teria tomado outra dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se, em 18 de mar\u00e7o, o poder passou \u00e0s m\u00e3os do proletariado de Paris, n\u00e3o o foi porque este tivesse se apoderado dele conscientemente e sim porque seus inimigos haviam abandonado a capital.<\/p>\n<p>Estes \u00faltimos iam perdendo terreno constantemente, os oper\u00e1rios os desprezavam e odiavam; perderam a confian\u00e7a da pequena burguesia e os grandes burgueses temiam que j\u00e1 n\u00e3o fossem capazes de defend\u00ea-los. Os soldados estavam enfrentados aos seus oficiais. O governo fugiu de Paris para concentrar em outra parte suas for\u00e7as. Ent\u00e3o, o proletariado se tornou o amo da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o entendeu isto at\u00e9 o dia seguinte. A Revolu\u00e7\u00e3o caiu-lhe sobre os ombros sem que a esperasse.<\/p>\n<p>Este primeiro \u00eaxito foi uma nova fonte de passividade. O inimigo havia fugido a Versalhes. Por acaso n\u00e3o era isto uma vit\u00f3ria? Nesse momento teria sido poss\u00edvel esmagar a fac\u00e7\u00e3o governamental sem maiores efus\u00f5es de sangue. Em Paris, teria sido poss\u00edvel deter todos os ministros, a come\u00e7ar por Thiers. Ningu\u00e9m teria movido um dedo para defend\u00ea-los. Mas n\u00e3o se fez isso. N\u00e3o havia um partido organizado de forma centralizada capaz de uma vis\u00e3o de conjunto sobre a situa\u00e7\u00e3o e com organismos especiais para executar as decis\u00f5es.<\/p>\n<p>O restante da infantaria n\u00e3o queria retroceder para Versalhes. Os v\u00ednculos que ligavam oficiais e soldados eram muito fr\u00e1geis. E se existisse em Paris um centro dirigente de partido, haveria ele introduzido entre as tropas em retirada \u2013 visto que havia a possibilidade de retirada \u2013 algumas centenas ou pelo menos algumas dezenas de oper\u00e1rios leais, aos quais seriam dadas instru\u00e7\u00f5es para alimentar o descontentamento dos soldados contra os oficiais e aproveitar o primeiro momento psicol\u00f3gico favor\u00e1vel para liberar a tropa de seus comandantes e conduzi-la a Paris para se unir ao povo. Teria sido f\u00e1cil fazer isso, segundo confessaram at\u00e9 mesmo os partid\u00e1rios de Thiers. Mas ningu\u00e9m pensou nisso. N\u00e3o havia ningu\u00e9m que pensasse. Nos grandes acontecimentos, por seu lado, tais decis\u00f5es somente podem ser tomadas por um partido revolucion\u00e1rio que espera uma revolu\u00e7\u00e3o, que se prepara para ela, que se mant\u00e9m firme, um partido que est\u00e1 habituado a ter uma vis\u00e3o de conjunto e que n\u00e3o teme a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E o proletariado franc\u00eas carecia exatamente de um partido de combate.<\/p>\n<p>O Comit\u00ea Central da Guarda Nacional era, de fato, um Conselho de Deputados dos oper\u00e1rios armados e da pequena burguesia. Tal Conselho, eleito diretamente pelas massas que tomaram o caminho da revolu\u00e7\u00e3o, representa uma excelente estrutura executiva. Mas, ao mesmo tempo, e justamente por causa de sua liga\u00e7\u00e3o imediata e elementar com as massas que se encontram tal e como as encontrou a revolu\u00e7\u00e3o, reflete n\u00e3o somente os pontos fortes das massas, como tamb\u00e9m suas debilidades, e reflete mais as debilidades: sua evidente indecis\u00e3o, sua tend\u00eancia a ficar esperando, sua tend\u00eancia \u00e0 inatividade depois dos primeiros \u00eaxitos.<\/p>\n<p>O Comit\u00ea Central da Guarda Nacional necessitava de dire\u00e7\u00e3o. Era indispens\u00e1vel dispor de uma organiza\u00e7\u00e3o que encarnasse a experi\u00eancia pol\u00edtica do proletariado e que estivesse presente em todos os lugares \u2013 n\u00e3o somente no Comit\u00ea Central, mas tamb\u00e9m nas legi\u00f5es, nos batalh\u00f5es, nas camadas mais profundas do proletariado franc\u00eas. Por meio dos Conselhos de Deputados \u2013 que, neste caso, eram \u00f3rg\u00e3os da Guarda Nacional \u2013 o partido teria podido estar continuamente em contato com as massas, monitorando dessa forma o seu estado de \u00e2nimo; seu centro dirigente teria podido lan\u00e7ar diariamente palavras de ordem que os militantes do partido teriam podido difundir entre as massas, unindo seu pensamento e sua vontade.<\/p>\n<p>Mal o governo havia se retirado para Versalhes, a Guarda Nacional j\u00e1 se apressou a declinar de toda responsabilidade, precisamente quando esta responsabilidade era enorme. O comit\u00ea central imaginou elei\u00e7\u00f5es \u201clegais\u201d para a Comuna. Estabeleceu conversa\u00e7\u00f5es com os vereadores de Paris para se cobrir, pela direita, com a \u201clegalidade\u201d.<\/p>\n<p>Se, ao mesmo tempo, tivesse preparado um ataque violento contra Versalhes, as conversa\u00e7\u00f5es com os vereadores teriam significado uma ast\u00facia militar plenamente justificada e de acordo com os objetivos. Mas, na realidade, estas conversa\u00e7\u00f5es foram mantidas para tentar que um milagre evitasse a luta. Os radicais pequeno-burgueses e os socialistas idealistas, ao respeitar a \u201clegalidade\u201d e as pessoas que encarnavam uma parcela do Estado \u201clegal\u201d, deputados, vereadores etc., esperavam, desde o mais profundo de seu ser, que Thiers se detivesse respeitosamente ante a Paris revolucion\u00e1ria t\u00e3o logo quanto esta se dotasse de uma Comuna \u201clegal\u201d.<\/p>\n<p>A passividade e a indecis\u00e3o viram-se favorecidas neste caso pelo sagrado princ\u00edpio da federa\u00e7\u00e3o e da autonomia. Paris, como podem comprovar, n\u00e3o \u00e9 mais que uma Comuna entre outras. Paris n\u00e3o quer se impor a ningu\u00e9m; n\u00e3o luta pela ditadura, em todo caso seria a \u201ca ditadura do exemplo\u201d.<\/p>\n<p>Em resumidas contas, isto n\u00e3o era mais que uma tentativa de substituir a revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria que estava se desenvolvendo por uma reforma pequeno-burguesa: a autonomia comunal. A verdadeira tarefa revolucion\u00e1ria consistia em assegurar ao proletariado o Poder em todo o pa\u00eds. Paris deveria servir de base, de ponto de apoio, de pra\u00e7a de armas. Para alcan\u00e7ar este objetivo era necess\u00e1rio derrotar Versalhes sem perda de tempo e enviar por toda a Fran\u00e7a agitadores, organizadores, for\u00e7as armadas. Era necess\u00e1rio entrar em contato com os simpatizantes, convencer aos que duvidavam e quebrar a oposi\u00e7\u00e3o dos advers\u00e1rios. Mas, em vez desta pol\u00edtica de ofensiva e agress\u00e3o, a \u00fanica que poderia salvar a situa\u00e7\u00e3o, os dirigentes de Paris tentaram se limitar \u00e0 sua autonomia comunal: eles n\u00e3o atacariam aos demais se estes n\u00e3o os atacassem; cada cidade deveria recuperar o sagrado direito de autogoverno. Esta tagarelice idealista \u2013 uma esp\u00e9cie de anarquismo mundano \u2013 camuflava na realidade a covardia ante uma coaliz\u00e3o revolucion\u00e1ria que havia necessidade de se levar at\u00e9 suas \u00faltimas consequ\u00eancias, pois, de outra forma, n\u00e3o se deveria ter come\u00e7ado&#8230;<\/p>\n<p>A hostilidade a uma organiza\u00e7\u00e3o centralizada \u2013 uma heran\u00e7a do localismo e do autonomismo pequeno-burgu\u00eas \u2013 \u00e9, sem sombra de d\u00favidas, o ponto d\u00e9bil de certa fra\u00e7\u00e3o do proletariado franc\u00eas. Para alguns revolucion\u00e1rios, a autonomia das sess\u00f5es, dos bairros, dos batalh\u00f5es, das cidades, \u00e9 a suprema garantia da verdadeira a\u00e7\u00e3o e da independ\u00eancia individual. Mas isto n\u00e3o foi mais que um grande erro que custou muito caro ao proletariado franc\u00eas.<\/p>\n<p>Sob a forma de \u201cluta contra o centralismo desp\u00f3tico\u201d e contra a disciplina \u201casfixiante\u201d livra-se um combate pela autopreserva\u00e7\u00e3o dos diversos grupos e subgrupos da classe oper\u00e1ria, por seus mesquinhos interesses, com seus pequenos l\u00edderes de bairro e seus or\u00e1culos locais. A classe oper\u00e1ria em sua totalidade, embora conserve a originalidade de sua cultura e seus matizes pol\u00edticos, pode agir com m\u00e9todo e firmeza, sem ir a reboque dos acontecimentos e dirigindo seus golpes mortais contra os pontos fracos do inimigo, desde que esteja sendo liderada, acima de bairros, se\u00e7\u00f5es e grupos, por um aparelho centralizado e unido por uma disciplina f\u00e9rrea.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>O partido n\u00e3o cria a revolu\u00e7\u00e3o ao seu gosto, n\u00e3o escolhe conforme lhe conv\u00e9m o momento para tomar o poder, mas interv\u00e9m ativamente em todas as circunst\u00e2ncias, monitora a todo o momento o estado de \u00e2nimo das massas e avalia as for\u00e7as do inimigo, determinando assim o momento prop\u00edcio para a a\u00e7\u00e3o definitiva. Esta \u00e9 a mais dif\u00edcil de todas as suas tarefas. O partido n\u00e3o conta com solu\u00e7\u00f5es que valham para todos os casos. Necessita de uma teoria justa, de um contato estreito com as massas, de uma certeira compreens\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o, de uma vis\u00e3o revolucion\u00e1ria e de uma grande firmeza. Quanto mais profundamente penetrar um partido revolucion\u00e1rio em todas as esferas da luta revolucion\u00e1ria e quanto mais unido estiver em torno de um objetivo atrav\u00e9s da disciplina, melhor e mais rapidamente pode realizar sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p>A dificuldade consiste em ligar estreitamente esta organiza\u00e7\u00e3o centralizada de partido, soldada intimamente por uma disciplina de ferro, ao movimento das massas, com seus fluxos e refluxos. N\u00e3o se pode conquistar o poder sem uma poderosa press\u00e3o revolucion\u00e1ria das massas trabalhadoras. Mas, nesta a\u00e7\u00e3o, o elemento preparat\u00f3rio \u00e9 inevit\u00e1vel. E quanto melhor compreenda o partido a conjuntura e o momento, melhor preparadas estar\u00e3o as bases de apoio, melhor repartidas estar\u00e3o as for\u00e7as e seus objetivos, mais seguro ser\u00e1 o \u00eaxito e menos v\u00edtimas causar\u00e1. A correla\u00e7\u00e3o entre uma a\u00e7\u00e3o cuidadosamente preparada e o movimento de massas \u00e9 a tarefa pol\u00edtico-estrat\u00e9gica da tomada do poder.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o entre o 18 de mar\u00e7o de 1871 e o 7 de novembro de 1917 \u00e9, a partir deste ponto de vista, muito instrutiva. Em Paris, houve absoluta falta de iniciativa para a a\u00e7\u00e3o por parte dos c\u00edrculos dirigentes revolucion\u00e1rios. O proletariado armado pelo governo burgu\u00eas era, de fato, dono da cidade e dispunha de todos os meios materiais do poder \u2013 canh\u00f5es e fuzis \u2013 mas n\u00e3o se deu conta disso. A burguesia fez uma tentativa de arrebatar a esse gigante suas armas: tentou roubar ao proletariado seus canh\u00f5es. Mas fracassou na tentativa. O governo fugiu aterrorizado de Paris a Versalhes. O campo estava livre. Mas o proletariado s\u00f3 se deu conta de que era o amo de Paris no dia seguinte. Os \u201cchefes\u201d iam a reboque dos acontecimentos, tomavam nota deles somente quando j\u00e1 se haviam produzido e faziam de tudo para restringir o alcance revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Em Petrogrado, os acontecimentos se desenvolveram de forma muito diferente. O partido caminhava firme e decidido para a conquista do poder. Distribuiu seus militantes por todas as partes, refor\u00e7ando todas as posi\u00e7\u00f5es e aproveitando todas as ocasi\u00f5es para aprofundar a brecha entre os oper\u00e1rios e a guarni\u00e7\u00e3o, de um lado, e o governo, de outro.<\/p>\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o armada das jornadas de julho foi uma vasta verifica\u00e7\u00e3o que fez o partido para sondar o grau de uni\u00e3o no seio das massas e a capacidade de resist\u00eancia do inimigo. Esta verifica\u00e7\u00e3o se transformou em luta de postos avan\u00e7ados. Fomos recha\u00e7ados, mas, ao mesmo tempo, mediante a a\u00e7\u00e3o, se estabeleceu a conex\u00e3o entre o partido e as mais amplas massas. Durante os meses de agosto, setembro e outubro desenvolveu-se um poderoso fluxo revolucion\u00e1rio. O partido o aproveitou e aumentou de maneira consider\u00e1vel seu apoio no seio da classe oper\u00e1ria e da guarni\u00e7\u00e3o. Depois, a harmonia entre os preparativos da conspira\u00e7\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o de massas foi quase autom\u00e1tica. O Segundo Congresso dos Sovietes foi marcado para 7 de novembro. Toda nossa agita\u00e7\u00e3o anterior devia conduzir \u00e0 tomada do poder pelo Congresso. O golpe de Estado ficou marcado para 7 de novembro. Tratava-se de um fato perfeitamente conhecido e compreendido pelo inimigo. Por isso, Kerensky e seus conselheiros tentaram consolidar sua posi\u00e7\u00e3o em Petrogrado, na medida do poss\u00edvel, face ao momento decisivo. Sobretudo, necessitavam retirar da capital o setor mais revolucion\u00e1rio da guarni\u00e7\u00e3o. De nossa parte, aproveitamo-nos desta tentativa de Kerensky para derivar dela um novo conflito que teve import\u00e2ncia decisiva. Acusamos abertamente ao governo de Kerensky \u2013 e nossa acusa\u00e7\u00e3o se viu depois confirmada por escrito em um documento oficial \u2013 de planejar o afastamento de um ter\u00e7o da guarni\u00e7\u00e3o de Petrogrado, n\u00e3o por considera\u00e7\u00f5es de ordem militar e sim por interesses contrarrevolucion\u00e1rios. O conflito fez com que estreit\u00e1ssemos ainda mais nossas rela\u00e7\u00f5es com a guarni\u00e7\u00e3o e implicou em que esta \u00faltima se colocasse uma tarefa bem definida: apoiar o Congresso dos Sovietes marcado para 7 de novembro. E, visto que o governo insistia \u2013 embora de forma pouco en\u00e9rgica \u2013 em que a guarni\u00e7\u00e3o fosse afastada, com o pretexto de se verificar as raz\u00f5es militares do projeto governamental, criamos no Soviete de Petrogrado, que j\u00e1 domin\u00e1vamos, um Comit\u00ea revolucion\u00e1rio de guerra.<\/p>\n<p>Desta forma, dotamo-nos de um \u00f3rg\u00e3o puramente militar, \u00e0 cabe\u00e7a das tropas de Petrogrado, que era realmente um instrumento legal de insurrei\u00e7\u00e3o armada. Ao mesmo tempo, nomeamos comiss\u00e1rios (comunistas) em todas as unidades militares, nos arsenais militares, etc. A organiza\u00e7\u00e3o militar clandestina executava as tarefas t\u00e9cnicas especiais e proporcionava ao Comit\u00ea Revolucion\u00e1rio de Guerra militantes de plena confian\u00e7a para as opera\u00e7\u00f5es militares de grande import\u00e2ncia. O essencial do trabalho de prepara\u00e7\u00e3o e de realiza\u00e7\u00e3o da insurrei\u00e7\u00e3o armada era feito abertamente, com um m\u00e9todo e uma naturalidade que a burguesia, com Kerensky \u00e0 cabe\u00e7a, mal percebeu o que se passava debaixo de seus pr\u00f3prios narizes. (Em Paris, o proletariado somente compreendeu que era o dono da situa\u00e7\u00e3o imediatamente ap\u00f3s sua vit\u00f3ria real, uma vit\u00f3ria que, por outro lado, n\u00e3o havia buscado conscientemente. Em Petrogrado, foi o contr\u00e1rio. Nosso partido, com o apoio dos oper\u00e1rios e da guarni\u00e7\u00e3o, apoderou-se do poder, e a burguesia, que passou uma noite bastante tranquila, somente se deu conta \u00e0 luz do dia de que o governo se encontrava j\u00e1 nas m\u00e3os de seus coveiros.)<\/p>\n<p>No que dizia respeito \u00e0 estrat\u00e9gia, deram-se em nosso partido muitas diverg\u00eancias de opini\u00e3o.<\/p>\n<p>Como se sabe, parte do Comit\u00ea Central declarou-se em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 tomada do poder, pois acreditava que ainda n\u00e3o havia chegado o momento de agir, que Petrogrado encontrar-se-ia isolada do restante do pa\u00eds, que os prolet\u00e1rios n\u00e3o contariam com o apoio dos camponeses, etc.<\/p>\n<p>Outros camaradas acreditavam que n\u00e3o prest\u00e1vamos aten\u00e7\u00e3o suficiente aos detalhes do compl\u00f4 militar. Em outubro, um dos membros do Comit\u00ea Central exigia que se cercasse o Teatro Alexandrina, sede da Confer\u00eancia Democr\u00e1tica, e que se proclamasse a ditadura do Comit\u00ea Central do Partido. Ele disse: \u201cao concentrar nossa agita\u00e7\u00e3o, bem como o nosso trabalho de prepara\u00e7\u00e3o militar para o momento do 2\u00ba Congresso, estamos mostrando o nosso plano para o advers\u00e1rio, estamos dando a ele a possibilidade de preparar-se e at\u00e9 mesmo de aplicar-nos um golpe preventivo\u201d. Mas n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que a tentativa de um compl\u00f4 militar e o cerco do Teatro Alexandrina teriam sido elementos alheios ao desenvolvimento dos acontecimentos que teriam provocado o desconcerto das massas. Inclusive no Soviete de Petrogrado, em que nossa fra\u00e7\u00e3o era majorit\u00e1ria, uma a\u00e7\u00e3o que se antecipasse ao desenvolvimento l\u00f3gico da luta n\u00e3o teria sido compreendida nesse momento, sobretudo no seio da guarni\u00e7\u00e3o, na qual ainda havia alguns regimentos que hesitavam e nos quais n\u00e3o se podia confiar, principalmente a cavalaria. A Kerensky ter-lhe-ia resultado muito mais f\u00e1cil esmagar um compl\u00f4 inesperado para as massas que atacar a guarni\u00e7\u00e3o, e ter-lhe-ia permitido consolidar-se muito mais em sua posi\u00e7\u00e3o: a defesa de sua inviolabilidade em nome do futuro Congresso dos Sovietes. A maioria do Comit\u00ea Central rejeitou com raz\u00e3o o plano de cerco \u00e0 Confer\u00eancia Democr\u00e1tica. A conjuntura havia sido avaliada perfeitamente: a insurrei\u00e7\u00e3o armada, com um m\u00ednimo de derramamento de sangue, triunfou precisamente no dia que havia sido marcada, de forma pr\u00e9via e aberta, para a convoca\u00e7\u00e3o do 2\u00ba Congresso dos Sovietes.<\/p>\n<p>Contudo, essa estrat\u00e9gia n\u00e3o pode ser convertida em norma geral, necessitou de condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. Ningu\u00e9m acreditava j\u00e1 na guerra contra a Alemanha, e mesmo os soldados menos inclinados para a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o queriam mais marchar ao front. E embora somente por esta raz\u00e3o a guarni\u00e7\u00e3o inteira estivesse do lado dos oper\u00e1rios, ela se reafirmava cada vez mais em sua decis\u00e3o \u00e0 medida que se tornavam conhecidas as maquina\u00e7\u00f5es de Kerensky. Mas o estado de \u00e2nimo da guarni\u00e7\u00e3o de Petrogrado tinha uma causa ainda mais profunda na situa\u00e7\u00e3o do campesinato e no desenvolvimento da guerra imperialista. Se a guarni\u00e7\u00e3o tivesse se dividido e Kerensky tivesse a oportunidade de se apoiar em alguns regimentos, nosso plano teria fracassado. Os elementos puramente militares do compl\u00f4 (conspira\u00e7\u00e3o e grande rapidez na a\u00e7\u00e3o) teriam prevalecido. E fica claro que teria sido necess\u00e1rio escolher outro momento para a insurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Comuna tamb\u00e9m teve a possibilidade de se apoderar dos regimentos, inclusive daqueles formados por camponeses que haviam perdido totalmente a confian\u00e7a e o respeito pelo poder e por seus comandantes. Contudo, nada fez nesse sentido. A culpa n\u00e3o deve ser lan\u00e7ada \u00e0s rela\u00e7\u00f5es entre os camponeses e a classe oper\u00e1ria e sim \u00e0 estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>O que pode acontecer nesse sentido na Europa atual? N\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil de prever. Contudo, levando em considera\u00e7\u00e3o que os acontecimentos se desenvolvem lentamente e que os governos burgueses aprenderam bem a li\u00e7\u00e3o, \u00e9 de prever que o proletariado ter\u00e1 que superar grandes obst\u00e1culos para ganhar a simpatia dos soldados no momento preciso. Ser\u00e1 necess\u00e1rio que a revolu\u00e7\u00e3o realize um ataque h\u00e1bil no momento adequado. O dever do partido \u00e9 preparar-se para isso. Justamente por essa raz\u00e3o dever\u00e1 conservar e acentuar seu car\u00e1ter de organiza\u00e7\u00e3o centralizada que, dirigindo abertamente o movimento revolucion\u00e1rio das massas, \u00e9, ao mesmo tempo, um aparato clandestino para a insurrei\u00e7\u00e3o armada.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>A quest\u00e3o da elegibilidade do comando foi um dos motivos do conflito entre a Guarda Nacional e Thiers. Paris se recusou a aceitar o comando designado por Thiers. Varlin formulou imediatamente a reivindica\u00e7\u00e3o de que todos os comandos da Guarda Nacional, sem exce\u00e7\u00e3o, fossem eleitos pelos pr\u00f3prios guardas nacionais. Foi esse o principal apoio do Comit\u00ea Central da Guarda Nacional.<\/p>\n<p>Esta quest\u00e3o deve ser considerada a partir de duas perspectivas: a pol\u00edtica e a militar. Ambas est\u00e3o relacionadas entre si, mas \u00e9 necess\u00e1rio diferenci\u00e1-las. A tarefa pol\u00edtica consistia em depurar a Guarda Nacional dos comandos contrarrevolucion\u00e1rios. O \u00fanico meio para conseguir isto era a total elegibilidade, visto que a maioria da Guarda Nacional estava composta por oper\u00e1rios e pequeno-burgueses revolucion\u00e1rios. Ainda mais, o lema da elegibilidade devia ser estendido tamb\u00e9m \u00e0 infantaria. De um s\u00f3 golpe Thiers teria sido privado de sua principal arma, a oficialidade contrarrevolucion\u00e1ria. Mas para realizar este plano ao proletariado lhe faltava um partido, uma organiza\u00e7\u00e3o que dispusesse de adeptos em todas as unidades militares. Em uma palavra, a elegibilidade, neste caso, n\u00e3o tinha como objetivo imediato dotar os batalh\u00f5es de comandos adequados, e sim de liber\u00e1-los do comando dependente da burguesia. Teria funcionado como uma cunha para dividir o ex\u00e9rcito em duas partes, ao longo de uma linha de classe. Assim sucederam as coisas na R\u00fassia na \u00e9poca de Kerensky, sobretudo \u00e0s v\u00e9speras de Outubro.<\/p>\n<p>Mas quando o ex\u00e9rcito se libera do antigo aparato de comando inevitavelmente se produzem a fragiliza\u00e7\u00e3o da uni\u00e3o em suas fileiras e a redu\u00e7\u00e3o de seu esp\u00edrito de combate. O novo comando eleito \u00e9 frequentemente bastante d\u00e9bil no terreno t\u00e9cnico-militar e no que diz respeito \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da ordem e da disciplina. De forma que, quando o ex\u00e9rcito se libera do velho comando contrarrevolucion\u00e1rio que antes o oprimia, surge a quest\u00e3o de dot\u00e1-lo de um comando revolucion\u00e1rio capaz de cumprir sua miss\u00e3o. E este problema n\u00e3o pode ser resolvido simplesmente atrav\u00e9s de elei\u00e7\u00f5es. Antes que a grande massa de soldados pudesse adquirir experi\u00eancia suficiente para selecionar seus comandantes, a revolu\u00e7\u00e3o seria esmagada pelo inimigo, que aprendeu a escolher seus comandantes durante s\u00e9culos. Os m\u00e9todos de democracia formal (a simples elegibilidade) devem ser complementados e, em certa medida, substitu\u00eddos por medidas de sele\u00e7\u00e3o de cima para baixo. A revolu\u00e7\u00e3o deve criar uma estrutura composta de organizadores experientes, seguros, merecedores de uma confian\u00e7a absoluta, dotada de plenos poderes para escolher, designar e educar o comando. Se o particularismo e o autonomismo democr\u00e1tico s\u00e3o extremamente perigosos para a revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria em geral, s\u00e3o ainda dez vezes mais perigosos para o ex\u00e9rcito. Isto nos demonstrou o exemplo tr\u00e1gico da Comuna.<\/p>\n<p>O Comit\u00ea Central da Guarda Nacional baseava sua autoridade na elegibilidade democr\u00e1tica. Mas quando teve necessidade de desdobrar ao m\u00e1ximo sua iniciativa na ofensiva, sem a dire\u00e7\u00e3o de um partido prolet\u00e1rio perdeu o rumo e se apressou em transmitir seus poderes aos representantes da Comuna, que necessitava de uma base democr\u00e1tica mais ampla. E brincar de elei\u00e7\u00f5es foi o grande erro nesse momento. Mas, uma vez celebradas as elei\u00e7\u00f5es e reunida a Comuna, teria sido necess\u00e1rio que ela mesma criasse um \u00f3rg\u00e3o que concentrasse o poder real e reorganizasse a Guarda Nacional. Mas n\u00e3o foi assim. Junto \u00e0 Comuna eleita estava o Comit\u00ea Central, cujo car\u00e1ter eletivo lhe conferia uma autoridade pol\u00edtica gra\u00e7as \u00e0 qual podia enfrentar \u00e0quela. Ao mesmo tempo, via-se assim privado da energia e da firmeza necess\u00e1rias nas quest\u00f5es puramente militares que, depois da organiza\u00e7\u00e3o da Comuna, justificavam sua exist\u00eancia. A elegibilidade, os m\u00e9todos democr\u00e1ticos n\u00e3o s\u00e3o mais que uma das armas \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do proletariado e de seu partido. A elegibilidade n\u00e3o pode ser de forma alguma um fetiche, uma panaceia contra todos os males. \u00c9 necess\u00e1rio combin\u00e1-la com as designa\u00e7\u00f5es. Mas, uma vez criada a Comuna, dever-se-ia reorganizar toda a Guarda Nacional com m\u00e3o firme, dot\u00e1-la de comando seguro e instaurar um regime disciplinar muito severo. A Comuna n\u00e3o o fez, privando-se por isso de um poderoso centro dirigente revolucion\u00e1rio. Por essa raz\u00e3o, foi esmagada.<\/p>\n<p>Podemos folhear p\u00e1gina por p\u00e1gina toda a hist\u00f3ria da Comuna e encontraremos uma s\u00f3 li\u00e7\u00e3o: \u00e9 necess\u00e1ria a en\u00e9rgica dire\u00e7\u00e3o de um partido. O proletariado franc\u00eas se sacrificou pela Revolu\u00e7\u00e3o como nenhum outro o fez. Mas tamb\u00e9m foi enganado mais que outros. A burguesia o deslumbrou muitas vezes com todas as cores do republicanismo, do radicalismo, do socialismo, para melhor aprision\u00e1-lo nas correntes do capitalismo. Por meio de seus agentes, de seus advogados e de seus jornalistas, a burguesia colocou uma grande quantidade de f\u00f3rmulas democr\u00e1ticas, parlamentares, autonomistas, que n\u00e3o s\u00e3o mais do que grilh\u00f5es com os quais ata os p\u00e9s do proletariado e que o impedem de avan\u00e7ar.<\/p>\n<p>O temperamento do proletariado franc\u00eas \u00e9 como uma lava revolucion\u00e1ria. Mas, por ora, est\u00e1 coberta com as cinzas do ceticismo, que resultou de muitos enganos e desencantos. Por essa raz\u00e3o, os prolet\u00e1rios revolucion\u00e1rios da Fran\u00e7a devem ser mais severos com seu partido e denunciar sem desculpas toda discrep\u00e2ncia entre as palavras e os fatos. Os oper\u00e1rios franceses necessitam de uma organiza\u00e7\u00e3o para a a\u00e7\u00e3o, forte como o a\u00e7o, com dirigentes controlados pelas massas em cada nova etapa do movimento revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Quanto tempo nos conceder\u00e1 a hist\u00f3ria para nos prepararmos? N\u00e3o o sabemos. Durante 50 anos a burguesia francesa manteve o poder em suas m\u00e3os, depois de ter erigido a Terceira Rep\u00fablica sobre os cad\u00e1veres dos comunardos. \u00c0queles lutadores de 1871 n\u00e3o faltou hero\u00edsmo. O que lhes faltou foi claridade de m\u00e9todos e dire\u00e7\u00e3o organizada e centralizada. Por essa raz\u00e3o foram derrotados. Metade de um s\u00e9culo se passou antes que o proletariado franc\u00eas pudesse colocar como meta a vingan\u00e7a pela morte dos comunardos. Mas agora intervir\u00e1 de forma mais firme, mais concentrada. Os herdeiros de Thiers ter\u00e3o que pagar a d\u00edvida hist\u00f3rica, integralmente.<\/p>\n<p>Fevereiro de 1921,<br \/>\nLeon Trotsky<\/p>\n<p>Fonte: https:\/\/www.marxist.com\/licoes-comuna-paris-trotsky.htm<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cada vez que estudamos a hist\u00f3ria da Comuna descobrimos um novo matiz gra\u00e7as \u00e0 experi\u00eancia que nos foi proporcionada pelas lutas revolucion\u00e1rias posteriores, n\u00e3o apenas a revolu\u00e7\u00e3o russa, mas tamb\u00e9m a alem\u00e3 e a h\u00fangara. 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