{"id":67397,"date":"2022-07-28T19:36:19","date_gmt":"2022-07-28T22:36:19","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=67397"},"modified":"2022-08-08T14:09:58","modified_gmt":"2022-08-08T14:09:58","slug":"julho-das-pretas-basta-de-recorte-feminicidio-das-mulheres-negras-transsexuais-e-travestis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/07\/28\/julho-das-pretas-basta-de-recorte-feminicidio-das-mulheres-negras-transsexuais-e-travestis\/","title":{"rendered":"Julho das Pretas: Basta de recorte! Feminic\u00eddio das mulheres negras, transsexuais e travestis"},"content":{"rendered":"<p><em>\u00c9 preciso iniciar denunciando que a maioria das organiza\u00e7\u00f5es de esquerda, o que inclui algumas organiza\u00e7\u00f5es de mulheres, n\u00e3o falam especificamente do feminic\u00eddio das mulheres negras, transexuais e travestis. Falam apenas do feminic\u00eddio da mulher branca e fazem um recorte para os outros grupos de mulheres. E n\u00f3s, mulheres negras, transexuais e travestis, estamos cansadas de ser \u201crecorte\u201d!<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Gabi Assun\u00e7\u00e3o e Raiane Assun\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O Estado e a maioria dos movimentos de mulheres, incluindo os de mulheres negras, consideram feminic\u00eddio como ato praticado pelos homens contra as mulheres, que envolva viol\u00eancia dom\u00e9stica, familiar, menosprezo ou discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o da mulher. Entretanto, cabe destacar que essa \u00e9 uma vis\u00e3o limitada, de que o lar \u00e9 o principal espa\u00e7o desses acontecimentos. N\u00e3o podemos isentar o Estado burgu\u00eas que exerce um papel fundamental nessa barb\u00e1rie e \u00e9 por isso que defendemos a destrui\u00e7\u00e3o do mesmo. A precariza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e a falta de emprego digno t\u00eam custado a vida de centenas de mulheres pretas e trans.<\/p>\n<p><strong>Um retrato da decad\u00eancia do capitalismo<\/strong><\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es de vida das mulheres pretas escancaram a decad\u00eancia do sistema capitalista, visto que s\u00e3o superexploradas em \u00e9pocas de crescimento econ\u00f4mico e s\u00e3o as primeiras a ficarem desempregadas em \u00e9pocas de crise. Prova disso \u00e9 que, em 2019, a taxa de desemprego era de 10,6% para mulheres n\u00e3o negras (a soma de mulheres que se autodeclaram brancas, amarelas e ind\u00edgenas) e 16,6% entre mulheres negras. Com o aprofundamento da crise econ\u00f4mica brasileira somada \u00e0 crise de sa\u00fade, uma parcela expressiva de mulheres perdeu seu emprego durante a pandemia. No primeiro ano da pandemia (2020), a taxa de desocupa\u00e7\u00e3o de mulheres n\u00e3o negras subiu para 13,5% enquanto a taxa de desemprego de mulheres negras foi para 19,8%. [1] Dados da pesquisa:&nbsp;\u201cPandemia na Favela \u2013 A realidade de 14 milh\u00f5es de favelados no combate ao novo Coronav\u00edrus\u201d,&nbsp;mostraram que o n\u00famero de mulheres negras desempregadas durante a pandemia passou a ser o dobro em rela\u00e7\u00e3o ao de homens brancos.<\/p>\n<p><strong>A fome como uma contradi\u00e7\u00e3o do sistema capitalista<\/strong><\/p>\n<p>Apesar da taxa de mortalidade da COVID-19 ser maior entre os homens, o impacto socioecon\u00f4mico da pandemia tem sido devastador para as mulheres. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada \u2013 IPEA e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica \u2013 IBGE, 63% dos lares brasileiros s\u00e3o chefiados por mulheres negras e est\u00e3o abaixo da linha da pobreza, em oposi\u00e7\u00e3o, para os lares comandados por mulheres brancas, 39,6% deles est\u00e3o abaixo da linha da pobreza [2].<\/p>\n<p>Conforme pesquisa realizada pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional, durante a pandemia, 10,7% dos lares chefiados por mulheres negras se encaixam no quadro da fome [3]. Se de um lado da balan\u00e7a a pandemia aprofundou o cen\u00e1rio da fome e da mis\u00e9ria no pa\u00eds, do outro, fez com que o pa\u00eds se consolidasse como o maior exportador l\u00edquido de produtos agropecu\u00e1rios do mundo. [4] Isso significa que, enquanto o pa\u00eds teve um aumento quatro vezes maior no cen\u00e1rio da fome durante a pandemia, o agroneg\u00f3cio bateu recordes, isto \u00e9, o pa\u00eds passou a produzir mais alimentos durante este per\u00edodo. S\u00f3 no primeiro ano de pandemia (2020), esse setor aumentou o seu PIB em 23%, chegando a quase dois trilh\u00f5es de reais. [5] E por isso, essa conta n\u00e3o fecha! O pa\u00eds que passou a ser um dos maiores produtores mundiais de alimento \u00e9 o mesmo que a fome passou a marca de 60 milh\u00f5es de pessoas, atingindo 1 em cada 3 brasileiros. Al\u00e9m disso, pela primeira vez, a inseguran\u00e7a alimentar da popula\u00e7\u00e3o brasileira superou a m\u00e9dia mundial. Sendo que a inseguran\u00e7a alimentar feminina chega a ser seis vezes maior que a m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o. A estat\u00edstica \u00e9 contradit\u00f3ria, mas para n\u00f3s marxistas fica n\u00edtido que a fome no pa\u00eds aumenta na mesma propor\u00e7\u00e3o que a fortuna dos grandes empres\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>O feminic\u00eddio tem cor e classe no pa\u00eds<\/strong><\/p>\n<p>A Lei Maria da Penha foi fruto de muita luta do movimento de mulheres, mas infelizmente nem com sua aprova\u00e7\u00e3o, em 2006 pelo governo Lula, o n\u00famero de v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica deixou de ser alarmante, pelo contr\u00e1rio, no total, a quantidade de mulheres que havia sido morta em 2013 era 12,5% a mais do que em 2006. Al\u00e9m disso, em 2006 o n\u00famero de v\u00edtimas caiu 2,1% entre as mulheres brancas e aumentou 35,0% entre as negras. A Lei do Feminic\u00eddio foi aprovada em 2015 pelo governo Dilma e em 2016 houve aumento de 38,3% no n\u00famero de v\u00edtimas e novamente a maior parte delas eram mulheres negras.<\/p>\n<p>Isso evidencia duas coisas, a primeira \u00e9 que o racismo \u00e9 um fator que intensifica essa viol\u00eancia. A segunda \u00e9 que lutar por leis \u00e9 importante e urgente para garantir condi\u00e7\u00f5es dignas a toda popula\u00e7\u00e3o dentro do sistema capitalista, mas que elas sozinhas s\u00e3o insuficientes. As estat\u00edsticas comprovam que a legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o consegue extinguir um problema mesmo quando h\u00e1 um maior investimento. Ent\u00e3o, lutar por leis e pol\u00edticas p\u00fablicas s\u00e3o importantes, mas n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais uma evid\u00eancia disso \u00e9 o Brasil ocupar a 5\u00aa posi\u00e7\u00e3o no ranking mundial de feminic\u00eddio. Segundo o 15\u00ba Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica divulgado pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, 2 em cada 3 mulheres v\u00edtimas de feminic\u00eddio em 2020 s\u00e3o negras, o que representa 62% das v\u00edtimas de feminic\u00eddio no Brasil. Das demais v\u00edtimas 36,5% s\u00e3o brancas, 0,9% amarelas e 0,9% ind\u00edgenas. Ser mulher e negra no Brasil significa trabalhar mais, ganhar menos, estar mais expostas a viol\u00eancia e viver limitadas as oportunidades em um mercado de trabalho. Por isso, a nossa solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 nas urnas e n\u00e3o est\u00e1 dentro do sistema capitalista.<\/p>\n<p><strong>Feminic\u00eddio contra as mulheres transsexuais e travestis<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil (ANTRA), o Brasil \u00e9 o pa\u00eds que mais mata pessoas trans no mundo, em 2018 foram mortas 163 pessoas trans no pa\u00eds, sendo que 97% delas s\u00e3o mulheres transsexuais e travestis.[6] Essas v\u00edtimas t\u00eam ra\u00e7a e classe, pois 82% delas s\u00e3o pretas e 65% dos assassinatos s\u00e3o direcionados aquelas que s\u00e3o prostitutas. Em 2020, o pa\u00eds seguiu liderando o ranking mundial de assassinatos de pessoas trans no mundo, foram pelo menos 175 assassinatos de pessoas trans, sendo todas travestis e mulheres transexuais. N\u00e3o foram encontradas informa\u00e7\u00f5es de assassinatos de homens trans ou pessoas transmasculinas na pesquisa realizada pelo ANTRA.[7] O que reafirma o ponto de vista de que o g\u00eanero \u00e9 um fator determinante para essas mortes.<\/p>\n<p>O processo de exclus\u00e3o dessas pessoas come\u00e7a bem cedo e dentro de casa. Segundo a ANTRA, travestis e mulheres transexuais costumam ser expulsas de casa aos 13 anos de idade. Estudos mais recentes apontam que essa rejei\u00e7\u00e3o pode ter um impacto devastador sobre a vida dessas pessoas, isolando-as dos espa\u00e7os sociais essenciais ao seu bem-estar, al\u00e9m de provocar um aumento das dificuldades de acesso e continuidade na forma\u00e7\u00e3o escolar. [7] Por consequ\u00eancia, pela falta de suporte, de apoio, a qualifica\u00e7\u00e3o profissional se torna invi\u00e1vel, impondo-lhes uma interrup\u00e7\u00e3o do processo de acesso \u00e0 cidadania e empurrando para subalternidade e para prostitui\u00e7\u00e3o. Assim, essas mulheres passam a ser superexploradas pelo capitalismo, pois 90% da popula\u00e7\u00e3o de travestis e mulheres transsexuais utilizam a prostitui\u00e7\u00e3o como fonte de renda e devido \u00e0 baixa escolaridade provocada pelo processo de exclus\u00e3o escolar, apenas 0,02% do grupo est\u00e3o nas universidades, 72% n\u00e3o possuem o ensino m\u00e9dio e 56% o ensino fundamental. Esse conjunto de viol\u00eancias causa enormes impactos na sa\u00fade mental dessas mulheres, altos n\u00edveis de isolamento e suic\u00eddio. Tudo isso se reflete nos altos n\u00famero de feminic\u00eddio da juventude trans no pa\u00eds, de acordo com o Mapa dos Assassinatos 2020, 56% das v\u00edtimas tinham entre 15 e 29 anos.<\/p>\n<p><strong>N\u00f3s mulheres transsexuais e travestis queremos condi\u00e7\u00f5es de vida dignas!<\/strong><\/p>\n<p>Basta de defender a profissionaliza\u00e7\u00e3o da prostitui\u00e7\u00e3o como uma sa\u00edda para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida das mulheres transsexuais e travestis! Nossos corpos n\u00e3o est\u00e3o \u00e0 venda e n\u00f3s n\u00e3o somos mercadorias! Precisamos ficar atentas e entender a quem realmente essa pauta favorece.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do fato do machismo e da transfobia serem ideologias que cumprem o papel de precarizar a vida dessas mulheres, aparenta que empregabilidade das mulheres transsexuais e travestis est\u00e1 mais relacionada com a posi\u00e7\u00e3o que essas mulheres podem vir a ocupar na sociedade. Se for para ocuparem postos subalternizados ou que n\u00e3o d\u00ea nenhuma ou quase nenhuma visibilidade para essas mulheres os governantes e algumas organiza\u00e7\u00f5es reformistas se movimentam, mas se for para terem oportunidade de trabalhar em uma empresa com atendimento ao p\u00fablico, vender um produto ou gerenciar uma equipe, os mesmos n\u00e3o se movimentam, pelo contr\u00e1rio, inventam v\u00e1rios empecilhos. Isso mostra uma das faces dessa proposta disfar\u00e7ada de solu\u00e7\u00e3o. Porque, ao inv\u00e9s de proporem lei para profissionaliza\u00e7\u00e3o da prostitui\u00e7\u00e3o, os governantes n\u00e3o prop\u00f5em leis para garantir cotas dessa popula\u00e7\u00e3o dentro das empresas, das universidades, das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablica. Qual a dificuldade em proporem leis que garantam o acesso dessas mulheres a direitos b\u00e1sicos como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e moradia digna?<\/p>\n<p>O segundo ponto \u00e9 que profissionalizar a prostitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o retirar\u00e1 o preconceito que a sociedade possui com as pessoas que praticam isso, assim como a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura n\u00e3o fez desaparecer o racismo e n\u00e3o trouxe repara\u00e7\u00f5es para o povo negro at\u00e9 hoje. Atualmente, n\u00f3s mulheres transexuais e travestis ocupamos o mesmo lugar na sociedade que as mulheres negras ocuparam ap\u00f3s aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o que \u00e9 o de n\u00e3o ser reconhecidas como seres humanos, trabalhar nos postos mais prec\u00e1rios e marginalizados, expostas a todo tipo de viol\u00eancia, com quase nenhuma lei que proteja nossas vidas. Os anos se passaram e as estat\u00edsticas comprovam que pouca coisa mudou de fato na realidade das mulheres negras e, para n\u00f3s marxistas, isso acontece porque essas desigualdades e opress\u00f5es precisam existir para a manuten\u00e7\u00e3o do sistema capitalista, porque dentro do capitalismo o lucro est\u00e1 relacionado a desigualdade e com a superexplora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que entendemos que n\u00f3s mulheres transsexuais e travestis s\u00f3 seremos livres da opress\u00e3o e da explora\u00e7\u00e3o em uma sociedade constru\u00edda pelos trabalhadores (sociedade socialista), mas at\u00e9 l\u00e1, queremos poder ter o direito de ingressar, permanecer e se formar em uma escola de ensino b\u00e1sico e fazer isso tendo nossos corpos e nomes sociais respeitados! Queremos poder escolher ou n\u00e3o fazer uma faculdade, escolher qual profiss\u00e3o seguir e o mais importante queremos ser reconhecidas e tratadas como seres humanos! Estamos cansadas da exclus\u00e3o e da solid\u00e3o que a sociedade nos imp\u00f5e, cansadas de n\u00e3o ter acesso a direitos b\u00e1sicos e de ter que sobreviver de a\u00e7\u00e3o afirmativa.<\/p>\n<p><strong>As mulheres negras, transexuais e travestis precisam de uma revolu\u00e7\u00e3o socialista!<\/strong><\/p>\n<p>Atrav\u00e9s das estat\u00edsticas \u00e9 poss\u00edvel observar que, entra governo e sai governo, e n\u00f3s mulheres negras, transsexuais e travestis seguimos sendo a carne mais barata do mercado e isso precisa acabar!<\/p>\n<p>\u00c9 preciso combater as opress\u00f5es diariamente no conjunto do nosso povo e da nossa classe, mas temos que ter em mente que o machismo, o racismo e a transfobia s\u00e3o ideologias que cumprem um papel social dentro do sistema capitalista. S\u00e3o ideologias da burguesia, que visam a domina\u00e7\u00e3o e a superexplora\u00e7\u00e3o do povo preto, LGBT e de toda a classe trabalhadora, para assim, aumentar ainda mais os lucros dos grandes empres\u00e1rios.<\/p>\n<p>Alguns setores do movimento preto e do movimento de mulheres pretas, acreditam que o aumento do feminic\u00eddio preto est\u00e1 vinculado a antecedentes europeus, que o estupro \u00e9 um s\u00edmbolo da cultura branca [8]. Entretanto, essas teorias surgem para dividir a luta do nosso povo e a nossa classe, \u00e9 ut\u00f3pico acreditar que o fim do racismo e do feminic\u00eddio da mulher preta se dar\u00e1 quando o povo preto romper com teorias brancas.<\/p>\n<p>Esses setores prop\u00f5em que os homens pretos s\u00e3o machistas devido \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o europeia e n\u00e3o apontam nenhuma ou quase nenhuma sa\u00edda para a supera\u00e7\u00e3o do machismo. Por isso, \u00e9 importante enfatizar que os homens pretos s\u00e3o machistas porque nasceram dentro de um sistema que os educam para serem machistas e n\u00e3o porque foram escravizados por brancos europeus. A escravid\u00e3o do povo preto surgiu como forma de acumular riquezas para que assim pudesse surgir o sistema capitalista, ou seja, as ra\u00edzes do sistema capitalista s\u00e3o em cima da opress\u00e3o, da matan\u00e7a e da superexplora\u00e7\u00e3o do povo preto. E de l\u00e1 para c\u00e1, desde o surgimento desse sistema, nada mudou, em per\u00edodos de crise do capitalismo se tem um aumento da opress\u00e3o, para gerar mais explora\u00e7\u00e3o e assim a burguesia lucrar ainda mais.<\/p>\n<p>O crescimento do feminic\u00eddio preto durante o governo de Dilma e o crescimento do desemprego e encarceramento entre os pretos nos EUA durante o governo de Obama s\u00e3o as maiores express\u00f5es de que o empoderamento individual \u00e9 uma pol\u00edtica ilus\u00f3ria e deixou evidente que n\u00e3o basta ter preto\/a ou mulher no governo, se o programa \u00e9 burgu\u00eas. \u00c9 por isso que n\u00f3s mulheres negras, transsexuais e travestis n\u00e3o podemos confiar nossas lutas nos resultados das elei\u00e7\u00f5es!<\/p>\n<p>O governo Bolsonaro representa a Casa Grande no Brasil, um governo racista, machista e transf\u00f3bico. E n\u00f3s mulheres negras, transsexuais e travestis precisamos lutar com a mesma independ\u00eancia de classe que nossas ancestrais quilombolas lutaram e assim, concluir a tarefa que elas n\u00e3o conseguiram realizar: Construir um quilombo socialista no Brasil e na Am\u00e9rica Latina. \u00c9 por isso que o Quilombo dos Palmares n\u00e3o deve ser apenas uma lembran\u00e7a hist\u00f3rica do passado de luta do nosso povo, mas sim uma necessidade para o presente! Precisamos construir uma alternativa de poder nesse pa\u00eds, uma alternativa dos debaixo para derrubar os de cima.<\/p>\n<p>*Artigo de colabora\u00e7\u00e3o \u00e0 discuss\u00e3o da Secretaria de Negras e Negros do PSTU<\/p>\n<p>Este texto \u00e9 baseado na publica\u00e7\u00e3o: \u201cBasta de recorte: Feminic\u00eddio da mulher preta\u201d publicado em 25\/07\/2019 no site do PSTU e da LIT-QI, e que foi atualizado para o 25 de julho de 2022<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS<\/p>\n<p>[1] Brasil a inser\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho. Acesso: https:\/\/www.dieese.org.br\/outraspublicacoes\/2021\/graficosMulheresBrasilRegioes2021.html<\/p>\n<p>[2] &nbsp;<a href=\"https:\/\/biblioteca.ibge.gov.br\/visualizacao\/livros\/liv101678.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">S\u00edntese dos Indicadores Sociais<\/a>&nbsp;Uma an\u00e1lise das condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o brasileira 2019. Acesso: https:\/\/biblioteca.ibge.gov.br\/visualizacao\/livros\/liv101678.pdf<\/p>\n<p>[3] Inqu\u00e9rito Nacional Sobre Seguran\u00e7a Alimentar no Contexto da Pandemia Covid-19 no Brasil 2022.<\/p>\n<p>[4] Secretaria de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais do Agroneg\u00f3cio SRI\/MAPA: apoiando a inser\u00e7\u00e3o internacional e a transforma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da maior agricultura tropical do planeta. Acesso: https:\/\/www.embrapa.br\/en\/olhares-para-2030\/artigo\/-\/asset_publisher\/SNN1QE9zUPS2\/content\/odilson-luiz-ribeiro-e-silva?inheritRedirect=true<\/p>\n<p>[5] Agroneg\u00f3cio cresce na pandemia: Sinais que o setor ferrovi\u00e1rio precisa de investimentos. Acesso: https:\/\/massa.ind.br\/agronegocio-cresce-na-pandemia\/#:~:text=De%202019%20para%202020%2C%20o,de%20gr%C3%A3os%2C%20um%20n%C3%BAmero%20recorde.<\/p>\n<p>[6] Dossi\u00ea dos ASSASSINATOS e da viol\u00eancia contra TRAVESTIS e TRANSEXUAIS no Brasil em 2018.<\/p>\n<p>[7] ANTRA: Assassinatos e Viol\u00eancia Contra Travestis e Transexuais Brasileiras em 2020.<\/p>\n<p>[8] Mulherisma Africana \u2013 Nah Dove.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 preciso iniciar denunciando que a maioria das organiza\u00e7\u00f5es de esquerda, o que inclui algumas organiza\u00e7\u00f5es de mulheres, n\u00e3o falam especificamente do feminic\u00eddio das mulheres negras, transexuais e travestis. Falam apenas do feminic\u00eddio da mulher branca e fazem um recorte para os outros grupos de mulheres. 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