{"id":67108,"date":"2022-06-14T09:41:52","date_gmt":"2022-06-14T12:41:52","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=67108"},"modified":"2022-06-14T09:41:52","modified_gmt":"2022-06-14T12:41:52","slug":"brasil-do-retrocesso-nunca-a-fome-e-a-pobreza-cresceram-tanto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/06\/14\/brasil-do-retrocesso-nunca-a-fome-e-a-pobreza-cresceram-tanto\/","title":{"rendered":"Brasil do retrocesso: Nunca a fome e a pobreza cresceram tanto"},"content":{"rendered":"<p>A crise, o retrocesso e o processo de degrada\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, aprofundados no \u00faltimo per\u00edodo pelo governo Bolsonaro, vem produzindo n\u00fameros in\u00e9ditos. Ao mesmo tempo em que o agroneg\u00f3cio tem safras recordes, nunca tantos brasileiros passaram fome. Em nenhum outro per\u00edodo do Brasil, tamb\u00e9m, n\u00e3o se registrou uma queda t\u00e3o abrupta da renda dos pobres como agora.<!--more--><\/p>\n<p>Por: PSTU Brasil<\/p>\n<p><strong>O pa\u00eds da fome<\/strong><\/p>\n<p>Nunca tantos brasileiros foram dormir sem ter o que comer. Em 2022, 33,1 milh\u00f5es de pessoas passam fome no Brasil. Os n\u00fameros estarrecedores fazem parte do\u00a0<a href=\"https:\/\/olheparaafome.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Relatorio-II-VIGISAN-2022.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">2\u00ba Inqu\u00e9rito Nacional sobre Inseguran\u00e7a Alimentar no Contexto da Pandemia de Covid-19 no Brasil<\/a>, divulgado no \u00faltimo dia 8 pela Rede PENSSAN (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional), uma coordena\u00e7\u00e3o de entidades e ONG\u2019s.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-67111 size-full\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Brasil-1.jpeg\" alt=\"\" width=\"1177\" height=\"499\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Brasil-1.jpeg 1177w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Brasil-1-300x127.jpeg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Brasil-1-1024x434.jpeg 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Brasil-1-768x326.jpeg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Brasil-1-150x64.jpeg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Brasil-1-696x295.jpeg 696w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Brasil-1-1068x453.jpeg 1068w\" sizes=\"auto, (max-width: 1177px) 100vw, 1177px\" \/><\/p>\n<p>Na primeira vers\u00e3o da pesquisa, divulgada no final de 2020, 19,1 milh\u00f5es de pessoas passavam fome no pa\u00eds. Em apenas um ano, esse n\u00famero teve um acr\u00e9scimo de 14 milh\u00f5es. O n\u00famero de domic\u00edlios com moradores passando fome saltou de 9% para 15,5%. \u00a0Ao mesmo tempo, mais da metade da popula\u00e7\u00e3o, 125,2 milh\u00f5es de brasileiros, 58,7%, sobrevive com algum tipo de inseguran\u00e7a alimentar. Um aumento de 7,2% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00faltima pesquisa. Comparado com 2018, o aumento \u00e9 de 60%.<\/p>\n<p>Se a pesquisa anterior atestava que o Brasil retrocedia \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de 2004, agora esses novos n\u00fameros remontam aos piores momentos da d\u00e9cada de 1990, um retrocesso de 30 anos.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o avassalador da fome \u00e9 express\u00e3o do desemprego, da precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, da carestia, do fim do aux\u00edlio-emergencial no \u00faltimo per\u00edodo e a alta infla\u00e7\u00e3o que atinge, principalmente, as fam\u00edlias mais pobres. Tanto que, mesmo entre as fam\u00edlias que recebiam Bolsa Fam\u00edlia e Aux\u00edlio Brasil, a fome cresceu. Entre os que recebem meio sal\u00e1rio m\u00ednimo, a fome atinge 32,7% das fam\u00edlias que recebiam algum benef\u00edcio, e 29,4% das que n\u00e3o receberam.<\/p>\n<p><strong>Fome tem cor e g\u00eanero<\/strong><\/p>\n<p>Dentre a popula\u00e7\u00e3o pobre que sofre com a fome, os negros e as mulheres s\u00e3o os mais afetados. Enquanto 46,8% dos lares comandados por pessoas brancas sofrem com algum tipo de inseguran\u00e7a alimentar, nos domic\u00edlios chefiados por negros esse n\u00famero chega a 65%. A fome entre a popula\u00e7\u00e3o negra de forma geral saltou de 10,4% para 18,1% entre 2020 e 2022.<\/p>\n<p>Essa disparidade tamb\u00e9m se observa em rela\u00e7\u00e3o a g\u00eanero. Nas resid\u00eancias comandadas por homens a fome passou de 7% para 11,9%. Quando se observa os lares comandados por mulheres, a fome salta de 11,2% para 19,3%.<\/p>\n<p><strong>Queda na renda sem precedentes<\/strong><\/p>\n<p>Quase ao mesmo tempo em que se revelam os n\u00fameros recordes de famintos no pa\u00eds, \u00e9 divulgada a queda vertiginosa da renda, sobretudo dos mais pobres, em 2021. Pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica) intitulada\u00a0<a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-noticias\/2012-agencia-de-noticias\/noticias\/34052-em-2021-rendimento-domiciliar-per-capita-cai-ao-menor-nivel-desde-2012\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cPnad Cont\u00ednua: Rendimento de Todas as Fontes 2021\u201d<\/a>, mostra que a renda m\u00e9dia atual, de R$ 1.353, \u00e9 a menor desde o in\u00edcio da pesquisa, em 2012. De l\u00e1 at\u00e9 2020, a renda caiu 6%.<\/p>\n<p>J\u00e1 em 2021, a metade mais pobre da popula\u00e7\u00e3o sobreviveu com apenas R$ 415 mensais por pessoa, um tombo de 15,1% em rela\u00e7\u00e3o aos R$ 489 recebidos em 2020, em valores atualizados pela infla\u00e7\u00e3o. S\u00e3o 106,35 milh\u00f5es de pessoas subsistindo com apenas R$ 13,83 por dia.<\/p>\n<p>Nesse empobrecimento sem precedentes, os mais pobres foram os que mais sofreram. Os 5% da popula\u00e7\u00e3o de menor renda, 10,6 milh\u00f5es de pessoas, tiveram queda de 33,9% no rendimento de 2020 para 2021. De uma renda per capita domiciliar de R$ 59, os mais pobres viram recuar para R$ 39.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o com 2012 d\u00e1 uma ideia mais precisa do tamanho do retrocesso e empobrecimento que os mais pobres viveram nos \u00faltimos anos. A renda era ent\u00e3o de R$ 75, quase o dobro dos atuais R$ 39. J\u00e1 a popula\u00e7\u00e3o que vai dos 5% aos 10% mais pobres viram sua renda per capita reduzir de R$ 217 para R$ 148 nesse mesmo per\u00edodo.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-67112 size-full\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Brasil-2.png\" alt=\"\" width=\"751\" height=\"751\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Brasil-2.png 751w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Brasil-2-300x300.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Brasil-2-150x150.png 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Brasil-2-696x696.png 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 751px) 100vw, 751px\" \/><\/p>\n<p><strong>Recoloniza\u00e7\u00e3o, superexplora\u00e7\u00e3o e barb\u00e1rie<\/strong><\/p>\n<p>A fome e a carestia s\u00e3o resultados direto do processo de recoloniza\u00e7\u00e3o do Brasil imposto pelo imperialismo e uma burguesia s\u00f3cia e submissa, junto a sucessivos governos, e radicalizado por Bolsonaro, no qual se for\u00e7a o retrocesso do pa\u00eds a mero exportador de mat\u00e9ria-prima para o mercado internacional, beneficiando meia d\u00fazia de grandes multinacionais do agroneg\u00f3cio. Isso explica que, num momento em que se prev\u00ea uma safra recorde de gr\u00e3os de mais de 258 milh\u00f5es de toneladas, e recordes na exporta\u00e7\u00e3o, tantos brasileiros passem fome.<\/p>\n<p>Quase a totalidade da produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria n\u00e3o vai para alimentar a popula\u00e7\u00e3o, mas para abastecer o mercado l\u00e1 fora. Ou seja, n\u00e3o se transforma em comida na mesa do povo, mas em mat\u00e9ria-prima para a produ\u00e7\u00e3o de ra\u00e7\u00e3o animal, ou outros produtos industrializados. Para se ter uma ideia, 89% da produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os do pa\u00eds se resumem a soja e milho, grande parte disso ra\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o de prote\u00edna animal, da qual o Brasil \u00e9 o segundo maior exportador mundial, tamb\u00e9m vai para a exporta\u00e7\u00e3o, e o que resta \u00e9 vendido aqui para o povo com pre\u00e7os inflacionados, a tal ponto que comer carne virou um luxo para poucos.<\/p>\n<p>Para continuar atendendo os interesses do agroneg\u00f3cio, o governo Bolsonaro destina bilh\u00f5es a financiamentos subsidiados ao setor, ataca o meio ambiente e amea\u00e7a a exist\u00eancia dos povos origin\u00e1rios.<\/p>\n<p>Por outro lado, o desemprego, a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho e a retirada de direitos imp\u00f5em sal\u00e1rios cada vez mais rebaixados. A infla\u00e7\u00e3o, neste sentido, \u00e9 uma forma de, na outra ponta, confiscar parte cada vez maior dos sal\u00e1rios da classe trabalhadora. \u00c9 a imposi\u00e7\u00e3o um novo patamar de superexplora\u00e7\u00e3o em benef\u00edcio das grandes empresas e multinacionais que controlam a economia do pa\u00eds. \u00c9 a sa\u00edda do imperialismo e da burguesia de, num momento de crise do capitalismo, manter e turbinar seus lucros.<\/p>\n<p>O resultado disso \u00e9 que, num momento em que o agroneg\u00f3cio lucra como nunca e o Brasil volta ao ranking das 10 maiores economias do mundo, a fome e a inseguran\u00e7a alimentar atinjam mais da metade da popula\u00e7\u00e3o, e o empobrecimento avance de forma in\u00e9dita, principalmente entre os mais explorados e oprimidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A crise, o retrocesso e o processo de degrada\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, aprofundados no \u00faltimo per\u00edodo pelo governo Bolsonaro, vem produzindo n\u00fameros in\u00e9ditos. Ao mesmo tempo em que o agroneg\u00f3cio tem safras recordes, nunca tantos brasileiros passaram fome. 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