{"id":66850,"date":"2022-05-09T12:03:37","date_gmt":"2022-05-09T15:03:37","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=66850"},"modified":"2022-05-09T12:03:37","modified_gmt":"2022-05-09T15:03:37","slug":"66850-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/05\/09\/66850-2\/","title":{"rendered":"Macron reeleito &#8211; E agora?"},"content":{"rendered":"<p><em>As elei\u00e7\u00f5es presidenciais acabam de ser realizadas na Fran\u00e7a, em 10 e 24 de abril<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a>. Como nas elei\u00e7\u00f5es de 2017, o segundo turno colocou o presidente em exerc\u00edcio, Emmanuel Macron, contra Marine Le Pen. Um duelo para o qual as pesquisas e a m\u00eddia nos preparavam h\u00e1 semanas. Um duelo entre um presidente de direita (ainda que ele se recuse a se apresentar como tal, preferindo se chamar de &#8220;progressista&#8221;) e sua rival da extrema direita (ainda que este termo seja rejeitado por ela, e que sua campanha tenha sido muito focada em quest\u00f5es sociais, em particular na quest\u00e3o do poder de compra). Um primeiro turno que mais uma vez derrubou tudo o que, em um vasto e bastante confuso pot-pourri, est\u00e1 classificado como de esquerda na pol\u00edtica francesa. E o candidato favorito da burguesia e sua m\u00eddia, Macron, foi reeleito.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Michael Lenoir<\/p>\n<p><strong>Alguns lembretes sobre o primeiro quinqu\u00eanio Macron<\/strong><\/p>\n<p>Isto \u00e9 apenas um lembrete de alguns fatos importantes dos \u00faltimos cinco anos. Este lembrete \u00e9 \u00fatil para poder fazer uma primeira pergunta: como \u00e9 que, dado seu recorde (que lhe rendeu uma detesta\u00e7\u00e3o social maci\u00e7a), Macron continua chefe de Estado hoje? De fato, durante sua presid\u00eancia, ele acumulou medidas e uma atitude arrogante<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a> que certamente fizeram dele o presidente mais odiado da Quinta Rep\u00fablica, especialmente entre as classes trabalhadoras. Sua reelei\u00e7\u00e3o parece, portanto, \u00e0 primeira vista, paradoxal.<\/p>\n<p>A presid\u00eancia Macron foi, desde o in\u00edcio, n\u00e3o apenas a dos ricos &#8211; Sarkozy j\u00e1 era o presidente dos ricos &#8211; mas a dos ultra-ricos<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a>. Dentre as primeiras medidas tomadas, notamos a aboli\u00e7\u00e3o do Imposto sobre a fortuna (ISF) e a implementa\u00e7\u00e3o do imposto \u00fanico (&#8220;<em>flat tax<\/em>&#8221; ou &#8220;taxa \u00fanica fixa&#8221;)<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a>. Estas medidas s\u00e3o puramente a favor dos muito, muito ricos, em detrimento do que geralmente \u00e9 chamado de &#8220;solidariedade nacional&#8221;, e que nos levam a acreditar que Macron \u00e9 de fato o executor do desejo de secess\u00e3o social da alta burguesia.<\/p>\n<p>Presentes aos bilion\u00e1rios, por um lado, e golpes violentos aos trabalhadores e \u00e0s pessoas mais desfavorecidas, por outro, em particular com o aprofundamento da desintegra\u00e7\u00e3o do c\u00f3digo do trabalho, que Macron j\u00e1 havia iniciado quando era Ministro da Economia de Fran\u00e7ois Hollande; e com o brutal ataque \u00e0s pens\u00f5es, que levou a um grande movimento social no inverno de 2019-2020<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a>. \u00c0 frente da Educa\u00e7\u00e3o Nacional, o mesmo ministro, Blanquer, est\u00e1 h\u00e1 5 anos causando estragos, aumentando a carga de trabalho dos funcion\u00e1rios em todos os n\u00edveis, desmantelando medidas espec\u00edficas em favor de estabelecimentos nas ex-zonas de educa\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria, atacando o car\u00e1ter nacional do bacharelado, em suma, criando uma escola que sempre gera mais segrega\u00e7\u00e3o social. O &#8220;progressivismo&#8221; de Macron em mat\u00e9ria de imigra\u00e7\u00e3o resultou em opera\u00e7\u00f5es policiais violentas contra migrantes em situa\u00e7\u00e3o irregular, e um endurecimento da pol\u00edtica de deporta\u00e7\u00e3o contra esses prolet\u00e1rios n\u00f4mades, os mais vulner\u00e1veis de nossa classe. Quanto aos desempregados, seus benef\u00edcios foram cortados no final de 2021.<\/p>\n<p>Muito rapidamente, pudemos ver que a presid\u00eancia Macron seria rica em lutas sociais, especialmente com a luta contra a reforma ferrovi\u00e1ria na primavera de 2018. Mas foi especialmente a partir de 17 de novembro de 2018, que surgiu um vasto movimento social. O levantamento dos Coletes Amarelos varreu o pa\u00eds por v\u00e1rios meses, gerando ocupa\u00e7\u00f5es de rotundas e outros lugares, grandes manifesta\u00e7\u00f5es com muito pouca supervis\u00e3o, fen\u00f4menos de auto-organiza\u00e7\u00e3o e o desencadeamento de um movimento de camadas prolet\u00e1rias geralmente n\u00e3o organizadas sindical e politicamente, muitas vezes entre as mais prec\u00e1rias. A revolta, que eclodiu diante de uma medida para aumentar o pre\u00e7o do combust\u00edvel, rapidamente se politizou, movendo-se para a esquerda e integrando demandas sociais (como o restabelecimento da ISF) e democr\u00e1ticas (como o RIC &#8211; referendo de iniciativa cidad\u00e3). Entretanto, este poderoso movimento social foi desgastado pela falta de perspectivas estrat\u00e9gicas e por uma repress\u00e3o feroz, o que contribuiu muito para reduzir o n\u00famero de manifestantes. A viol\u00eancia policial foi generalizada, embora negada pelas autoridades e pela grande m\u00eddia. Neste per\u00edodo houve mortes suspeitas, apesar de nega\u00e7\u00f5es e procedimentos demorados<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[6]<\/a>. Houve cerca de trinta olhos arrancados, amputa\u00e7\u00f5es graves (p\u00e9s, m\u00e3os)&#8230; E pris\u00f5es em massa, com penas de encarceramento para centenas de pessoas.<\/p>\n<p>Depois veio a pandemia. Enquanto o movimento social contra as aposentadorias tinha acabado de murchar, levado \u00e0 asfixia pela pol\u00edtica das lideran\u00e7as sindicais, a &#8220;Macronia&#8221; se viu administrando uma situa\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria em que o m\u00ednimo que podemos dizer \u00e9 que ela n\u00e3o brilhou! V\u00e1rias e repetidas mentiras<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[7]<\/a>, autoritarismo infantilizante para com a popula\u00e7\u00e3o<a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\">[8]<\/a>, pol\u00edtica pr\u00f3-neg\u00f3cio, especialmente ap\u00f3s o primeiro confinamento (de meados de mar\u00e7o ao in\u00edcio de maio de 2020), caos nas escolas, satura\u00e7\u00e3o dos hospitais em certos momentos e&#8230; uma pol\u00edtica de destrui\u00e7\u00e3o da sa\u00fade p\u00fablica que, apesar da pandemia, continuou e ainda continua a remover camas de hospitais. Tal descaramento e cinismo em tal contexto merecem um Oscar!<\/p>\n<p>O autoritarismo \u00e9 um tra\u00e7o marcante do neoliberalismo macronista. Assistimos a um aumento da brutalidade policial, e n\u00e3o apenas contra os Coletes Amarelos<a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\">[9]<\/a>. E Macron tem governado com base em leis e medidas de excep\u00e7\u00e3o, utilizando especialmente a situa\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria como pretexto. A pol\u00edcia quer estar acima da lei, e Macron e seu ministro do Interior Darmanin os encorajam nesse sentido. A sinistra lei chamada &#8220;Seguran\u00e7a Global&#8221; inicialmente at\u00e9 mesmo planejava proibir a filmagem de opera\u00e7\u00f5es policiais. Mas protestos maci\u00e7os em 2020 derrotaram esta ignom\u00ednia e, finalmente, a lei promulgada em 25 de maio de 2021 n\u00e3o a menciona, mesmo que inclua recuos liberticidas em termos de pol\u00edcia municipal, empresas de seguran\u00e7a privada, ferramentas de vigil\u00e2ncia (c\u00e2meras para pedestres, prote\u00e7\u00e3o por v\u00eddeo, etc.) e quanto \u00e0 prote\u00e7\u00e3o das for\u00e7as de seguran\u00e7a. A lei de 24 de agosto de 2021, chamada &#8220;contra o separatismo&#8221;, ataca as liberdades p\u00fablicas (culto, associa\u00e7\u00e3o, ensino) e \u00e9 uma m\u00e1quina de luta contra os mu\u00e7ulmanos, sob o pretexto da batalha a ser travada contra o islamismo pol\u00edtico.<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0 ecologia e \u00e0 luta contra o aquecimento global, apesar dos an\u00fancios presidenciais, e al\u00e9m de seus efeitos de manga e seu <em>greenwashing<\/em> &#8220;progressivo&#8221;, o recorde de Macron \u00e9 completamente nulo. Isto levou \u00e0 sa\u00edda, anunciada na m\u00eddia, de seu \u00fanico ministro do meio ambiente que queria acreditar na boa vontade presidencial neste assunto, Nicolas Hulot, ap\u00f3s um ano e tr\u00eas meses. Quanto \u00e0s 150 pessoas escolhidas por sorteio para formar a Conven\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica dos Cidad\u00e3os (que foi constitu\u00edda em novembro de 2019), seus trabalhos foram essencialmente enterrados e suas propostas rejeitadas em cerca de 90% pelo executivo, e o referendo prometido por Macron n\u00e3o ocorreu. A cumplicidade benevolente desta \u00faltima com a Total, particularmente por suas opera\u00e7\u00f5es em Uganda, mostra claramente a hipocrisia e a irresponsabilidade que reinam nesta \u00e1rea. Acrescentemos que o Estado franc\u00eas foi condenado duas vezes por ina\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Sem sequer se deter nos casos e esc\u00e2ndalos, muitas vezes silenciados, que se multiplicaram durante esses cinco anos, e na crescente mediocridade do pessoal pol\u00edtico e sua subservi\u00eancia ao mundo dos neg\u00f3cios que tudo isso revela, \u00e9 f\u00e1cil entender que, em vista de tal recorde, uma grande parte do eleitorado, particularmente nos c\u00edrculos da classe trabalhadora, n\u00e3o quis votar no Macron a qualquer pre\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>Uma campanha presidencial muito especial<\/strong><\/p>\n<p>Mas precisamente: a habilidade de Macron, que alguns ir\u00e3o ver como covardia pol\u00edtica, e as oportunidades que v\u00e1rios eventos na Fran\u00e7a e no mundo lhe ofereceram, fizeram com que este recorde n\u00e3o fosse realmente discutido, e que o candidato a presidente n\u00e3o tivesse que prestar contas disso, o que parece bastante incr\u00edvel de um ponto de vista democr\u00e1tico e quando se trata de uma reelei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como isso aconteceu? H\u00e1 v\u00e1rios elementos em jogo. Antes de mais nada, as escolhas feitas pelo presidente em exerc\u00edcio. Em primeiro lugar, mesmo que todo o pa\u00eds previsse que Macron fosse um candidato \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o, ele s\u00f3 o oficializou muito tarde, em 3 de mar\u00e7o<a href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\">[10]<\/a>, ou seja, um m\u00eas e uma semana antes do primeiro turno. Ele escolheu, portanto, uma campanha expressa, quase uma n\u00e3o-campanha. Para o primeiro turno, ap\u00f3s uma entrevista coletiva em 17 de mar\u00e7o para anunciar seu programa, ele realizou sua \u00fanica reuni\u00e3o de campanha na regi\u00e3o de Paris em 2 de abril, uma semana antes das elei\u00e7\u00f5es. Em segundo lugar, e ao contr\u00e1rio da pr\u00e1tica recente, notadamente em 2017, Macron recusou um grande debate pluralista com os outros candidatos, onde os riscos de que suas pol\u00edticas e seu hist\u00f3rico fossem postos em quest\u00e3o teriam sido bastante altos. Era claro que ele queria enfrentar a Marine Le Pen no segundo turno, e que ele achava que poderia venc\u00ea-la. O \u00fanico debate televisivo no qual ele participou foi contra ela, entre as duas rodadas; e al\u00e9m da mediocridade das trocas e dos temas, pouco surpreendente com estes finalistas, a impress\u00e3o dominante \u00e9 que ele se saiu melhor do que ela.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de sua estrat\u00e9gia de evitar o debate em seu recorde, e confiando no reflexo da &#8220;barragem&#8221; contra Le Pen, Macron tem sido ajudado por outros eventos nos \u00faltimos meses. Primeiro, a poderosa onda da variante Omicron, que causou estragos durante o inverno, foi felizmente menos letal proporcionalmente do que as ondas anteriores, e diminuiu nos \u00faltimos meses e semanas da campanha presidencial, o que Macron foi capaz de explorar, removendo a maioria das restri\u00e7\u00f5es da pol\u00edtica de sa\u00fade a partir de 14 de mar\u00e7o. E quase milagrosamente, o Coronavirus, que estava no centro das not\u00edcias, foi relegado para segundo plano, fazendo muitas pessoas acreditarem que a pandemia j\u00e1 ficou para tr\u00e1s. A guerra suja de Putin contra a Ucr\u00e2nia tomou o centro das aten\u00e7\u00f5es na m\u00eddia. E neste contexto, Macron aproveitou uma nova oportunidade para evitar ter que explicar seu recorde geral, posando ao inv\u00e9s disso como um grande chefe de Estado, um grande l\u00edder pol\u00edtico do mundo moderno. Estes dois elementos facilitaram a tarefa do presidente-candidato, em um contexto onde as lutas sociais estavam mais at\u00f4nicas do que na primeira metade do quinqu\u00eanio, ao mesmo tempo em que eram freq\u00fcentemente ignoradas pela m\u00eddia. Mas a l\u00f3gica da Constitui\u00e7\u00e3o, em conex\u00e3o com a configura\u00e7\u00e3o das candidaturas presidenciais, tamb\u00e9m jogou a favor de Macron.<\/p>\n<p><strong>Candidatos do primeiro turno<\/strong><\/p>\n<p>Na maioria das elei\u00e7\u00f5es presidenciais sob a Quinta Rep\u00fablica, o segundo turno colocou candidatos pertencentes \u00e0 direita tradicional, &#8220;republicana&#8221; por um lado, e a &#8220;esquerda&#8221;, geralmente de origem social-democrata<a href=\"#_edn11\" name=\"_ednref11\">[11]<\/a>, por outro. Podemos ver, portanto, que a regra sob a Quinta Rep\u00fablica foi antes a oposi\u00e7\u00e3o de dois blocos pol\u00edticos no segundo turno: de um lado, a direita tradicional; do outro, a esquerda reformista (mesmo que esta \u00faltima estivesse fazendo cada vez menos reformas, e cada vez mais contra-reformas). Parece que isto mudou e que esta mudan\u00e7a parece ser duradoura. Temos que medir seu escopo, pois a l\u00f3gica das prefer\u00eancias eleitorais adaptou-se a ela e continuar\u00e1 a mudar em conformidade. Em uma l\u00f3gica de confronto entre dois blocos (&#8220;esquerda-direita&#8221;), aceitava-se que no primeiro turno, os eleitores podiam facilmente votar no candidato mais pr\u00f3ximo de seus desejos no primeiro turno, e bloquear o campo oposto no segundo turno, de acordo com a f\u00f3rmula: &#8220;no primeiro turno voc\u00ea escolhe, no segundo voc\u00ea elimina&#8221;. Os eleitores de esquerda, em particular, tinham freq\u00fcentemente a oportunidade de votar em candidatos \u00e0 esquerda do PS no primeiro turno, e mudar para este \u00faltimo no segundo. Mas, aos poucos, assistimos ao surgimento e desenvolvimento de um terceiro bloco, na extrema direita, em torno da Front National (Frente Nacional, FN), que se tornou o Rassemblement National (Agrupamento Nacional, RN). \u00c9 f\u00e1cil entender que se a elei\u00e7\u00e3o chave da Quinta Rep\u00fablica, no segundo turno da qual s\u00f3 podem se opor dois candidatos, n\u00e3o \u00e9 mais disputada entre dois, mas entre tr\u00eas grandes blocos eleitorais, um dos tr\u00eas blocos est\u00e1 necessariamente ausente do segundo turno, o que reduz muito a representatividade (e portanto a legitimidade) da elei\u00e7\u00e3o. Nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2002, a Frente Nacional do pai de Le Pen foi menos forte eleitoralmente que o partido de sua filha Marine hoje (J-M. Le Pen obteve 4,8 milh\u00f5es de votos (16,86%) no primeiro turno, comparado a 8,1 milh\u00f5es (21,89%) para Marine Le Pen este ano, mas a dispers\u00e3o de candidatos da esquerda em 2002 (todas as correntes juntas) colocou Lionel Jospin (PS) em terceiro lugar. Em 2017, quatro blocos principais haviam surgido e obtido resultados pr\u00f3ximos na primeira rodada: aquele em torno de Emmanuel Macron (24%), Marine Le Pen (21,3%), Fran\u00e7ois Fillon (direita cl\u00e1ssica, 20%) e Jean-Luc M\u00e9lenchon (19,5%). Em 2017 a esquerda reformista estava menos dividida do que em 2002 ou 2022, mas o candidato do PS (Benoit Hamon, 6,36%) tinha sem d\u00favida desviado alguns votos de M\u00e9lenchon, o que provavelmente lhe teria permitido chegar ao segundo turno.<\/p>\n<p>Qual era a situa\u00e7\u00e3o para as elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2022? Pod\u00edamos, a priori &#8211; digamos, h\u00e1 cerca de um ano &#8211; esperar ver o surgimento, ou o reaparecimento (como em 2017) de quatro for\u00e7as principais, em torno de quatro candidatos: uma prov\u00e1vel candidatura Macron, uma candidatura Le Pen, uma candidatura M\u00e9lenchon e uma candidatura Les R\u00e9publicains (LR, direita cl\u00e1ssica) cujo nome seria determinado mais tarde. Mas n\u00e3o foi exatamente assim que as coisas se resolveram. Por v\u00e1rias raz\u00f5es.<\/p>\n<p>A primeira raz\u00e3o \u00e9 que, no ver\u00e3o de 2021, surgiu um candidato de extrema-direita competindo com Marine Le Pen, inicialmente n\u00e3o oficialmente: \u00c9ric Zemmour, cuja candidatura se tornou oficial em 30 de novembro. Zemmour, um pol\u00eamico racista e islam\u00f3fobo, um reinventor da hist\u00f3ria<a href=\"#_edn12\" name=\"_ednref12\">[12]<\/a> e um adepto da tese da &#8220;grande substitui\u00e7\u00e3o&#8221;<a href=\"#_edn13\" name=\"_ednref13\">[13]<\/a>, parecia capaz de liderar os debates pol\u00edticos e midi\u00e1ticos no final do ano passado, e de reunir atr\u00e1s dele n\u00e3o apenas uma parte do eleitorado da Le Pen, mas tamb\u00e9m a burguesia reacion\u00e1ria, muitas vezes da direita cat\u00f3lica &#8211; ele foi apoiado financeiramente pelo bilion\u00e1rio Bollor\u00e9 &#8211; e as vanguardas e retaguardas dos grupos fascistas e racistas do pa\u00eds. Mas Zemmour, ao contr\u00e1rio do RN, sempre se apresentou como um grande defensor das desigualdades sociais, das pol\u00edticas neoliberais, da austeridade, da destrui\u00e7\u00e3o das pens\u00f5es&#8230; No outono, algumas pesquisas creditaram a Zemmour 17% ou mesmo 19% das inten\u00e7\u00f5es de voto, muitas vezes passando Marine Le Pen, que ele parecia ser capaz de impedir de chegar ao segundo turno. Uma extrema-direita dividida era algo bastante novo nessas propor\u00e7\u00f5es, mais ainda como um terceiro individuo, Nicolas Dupont-Aignan, j\u00e1 candidato em 2017, embora mais frequentemente classificado como direita extrema do que como extrema-direita &#8211; s\u00e3o as sutilezas da m\u00eddia! &#8211; e, numa base soberanista, tamb\u00e9m anunciou sua candidatura. Um lote de tr\u00eas candidatos de extrema direita estava, portanto, em prepara\u00e7\u00e3o, o que podia mudar a situa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a 2017.<\/p>\n<p>A segunda raz\u00e3o para a diferen\u00e7a entre o que estava tomando forma h\u00e1 cerca de um ano e o que se desdobrou est\u00e1 no lado da direita cl\u00e1ssica. Poder-se-ia pensar, especialmente na primavera de 2021, que o desgaste pol\u00edtico de Emmanuel Macron, e sua rejei\u00e7\u00e3o visceral por grande parte da popula\u00e7\u00e3o, poderia levar os setores dominantes da burguesia a optarem por uma candidatura alternativa, do lado de LR (Les R\u00e9publicains) em particular, por exemplo, Xavier Bertrand, um ex-ministro sob Chirac e Sarkozy, agora presidente do conselho regional de Hauts-de-France. No final, a LR organizou dentro de si uma elei\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, na qual Bertrand foi eliminado no primeiro turno, e que resultou num duelo entre Val\u00e9rie P\u00e9cresse, presidente da regi\u00e3o da Ile de France, e Eric Ciotti, deputado de Nice. P\u00e9cresse, que tinha corrido em uma linha mais moderada do que Ciotti &#8211; mais abertamente reacion\u00e1rio e islamof\u00f3bico &#8211; surgiu por pouco como a candidata da LR. As coisas tinham come\u00e7ado mal para ela (o pr\u00f3prio Sarkozy se recusando a apoi\u00e1-la e apelando para um voto no Macron!) e a campanha dela ficou progressivamente atolada, depois de ter se baseado, entre outras coisas, em uma adapta\u00e7\u00e3o aos debates f\u00e9tidos sobre imigra\u00e7\u00e3o, islamismo e identidade nacional, constantemente relan\u00e7ada pela extrema direita e notavelmente Zemmour, e tamb\u00e9m retomada pelo campo Macronista. P\u00e9cresse rapidamente deixou de aparecer como uma alternativa potencial a Macron, do ponto de vista dos interesses da burguesia. Em dezembro, ela foi creditada com 20% das inten\u00e7\u00f5es de voto, e parecia ser capaz de vencer Macron no segundo turno, mas continuou perdendo terreno.<\/p>\n<p>Vamos deixar de lado a candidatura dif\u00edcil de classificar de Jean Lassalle, um brincalh\u00e3o sangu\u00edneo e iconoclasta da Assembl\u00e9ia Nacional. E vamos notar que a terceira raz\u00e3o para o cen\u00e1rio que finalmente prevaleceu nesta elei\u00e7\u00e3o presidencial est\u00e1 no panorama das esquerdas, tal como foi apresentado nesta campanha.<\/p>\n<p>Vamos come\u00e7ar com a esquerda burguesa, na qual incluo dois partidos em particular: o Partido Socialista (PS), e EELV (Europe Ecologie Les Verts). A natureza burguesa do PS &#8211; ou mais precisamente sua transforma\u00e7\u00e3o de um partido \u201coper\u00e1rio burgu\u00eas\u201d reformista como era nos anos 70 para um partido puramente burgu\u00eas, um adepto nem sempre vergonhoso do neoliberalismo, como se tornou nos \u00faltimos anos &#8211; tem sido demonstrada por sua pol\u00edtica ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, com picos atingidos sob o quinqu\u00eanio Hollande. Este partido, j\u00e1 dizimado pela elei\u00e7\u00e3o de Macron em 2017, apresentou a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, a esta elei\u00e7\u00e3o presidencial. Outra tentativa do quadro pol\u00edtico do PS fracassou, a do ex-ministro Arnaud Montebourg. Em seguida, assim como n\u00e3o parecia prov\u00e1vel que a campanha de Hildalgo decolasse, houve uma nova tentativa, desta vez por Christiane Taubira, ex-ministra da Justi\u00e7a sob Fran\u00e7ois Hollande, de representar uma ampla uni\u00e3o da esquerda que parecia estar pior que fora do bom caminho. Mas a opera\u00e7\u00e3o de Taubira tamb\u00e9m caiu, e no final Hidalgo e Jadot (EELV) continuaram a representar esta esquerda burguesa nesta elei\u00e7\u00e3o presidencial. A natureza burguesa de EELV \u00e9 talvez menos \u00f3bvia que a do PS, mas seu eleitorado continua ancorado na classe m\u00e9dia alta sens\u00edvel \u00e0s quest\u00f5es ecol\u00f3gicas, e sua ecologia permanece globalmente compat\u00edvel com o capitalismo e, portanto, n\u00e3o vai longe. Seu apego \u00e0 UE, em particular, a torna uma corrente incapaz de romper com a l\u00f3gica econ\u00f4mica neoliberal dominante. Tem correntes mais pr\u00f3ximas do reformismo, mais pr\u00f3ximas de M\u00e9lenchon e da France Insoumise, no entanto, que est\u00e3o presentes. O candidato presidencial da EELV, Yannick Jadot, representa a ala mais direita, a mais pr\u00f3-capitalista, do partido. Sua desafortunada concorrente na elei\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria de EELV, Sandrine Rousseau, que foi derrotada por pouco, representa sua ala mais reformista e compat\u00edvel com a FI.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil classificar o PCF como sendo da esquerda burguesa, dada sua origem hist\u00f3rica e o que resta de suas ra\u00edzes populares, mas \u00e9 claro que a direitiza\u00e7\u00e3o deste partido, que ainda est\u00e1 em decl\u00ednio, tem continuado nos \u00faltimos anos, o que n\u00e3o impede reflexos de tens\u00e3o baseada na identidade, como a que consistiu em apresentar a candidatura de Fabien Roussel nesta elei\u00e7\u00e3o presidencial. O PCF fez uma campanha geral \u00e0 direita da France Insoumise. Como defensor da ordem (burguesa), apoiou recentemente uma manifesta\u00e7\u00e3o de policiais facciosos &#8211; assim como o PS e EELV, por sinal. O reformismo do PCF vai sempre mais para a direita. E entre os antigos tra\u00e7os estalinistas ainda presentes neste partido, a defesa da energia nuclear ainda ocupa um bom lugar. No final, a candidatura da Roussel nada mais era do que uma pura afirma\u00e7\u00e3o da identidade do PCF, associada a um &#8211; frustrado &#8211; desejo de vingan\u00e7a contra M\u00e9lenchon e a FI, que antes o haviam marginalizado ainda mais.<\/p>\n<p>Antes que o Conselho Constitucional validasse as candidaturas, notadamente verificando as famosas 500 assinaturas de &#8220;apadrinhamento&#8221; por parte de representantes eleitos, tamb\u00e9m pod\u00edamos esperar tr\u00eas candidaturas da extrema esquerda: Philippe Poutou, candidato do Novo Partido Anti-Capitalista (NPA); Nathalie Arthaud, candidata de Lutte Ouvri\u00e8re (LO), e Annasse Kazib, oper\u00e1rio ferrovi\u00e1rio e sindicalista da Sud Rail e candidato da corrente CCR (ligada \u00e0 Fac\u00e7\u00e3o Trotskista, FT-QI), que deixou o NPA no ver\u00e3o de 2021. No final, Annasse Kazib n\u00e3o obteve as fat\u00eddicas 500 assinaturas e Poutou e Arthaud representaram a extrema esquerda.<\/p>\n<p>Neste conjunto de esquerdas, \u00e9 muito claramente nas velas de M\u00e9lenchon e da Uni\u00e3o Popular (UP) reunida ao redor da FI que o vento soprou. Isso j\u00e1 era verdade em 2017, e era de se esperar que isso acontecesse novamente em 2022. Com suas especificidades, \u00e9 claro, a FI representa na Fran\u00e7a uma corrente neo-reformista que temos visto trabalhando em outros lugares: Gr\u00e9cia com <em>Syriza<\/em>, Portugal com o <em>Bloco de Esquerda<\/em>, Espanha com <em>Podemos<\/em>&#8230; Apostando no caminho institucional e nas elei\u00e7\u00f5es para mudar a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, para uma VI Rep\u00fablica, o programa da UP, intitulado <em>L&#8217;Avenir en commun<\/em><a href=\"#_edn14\" name=\"_ednref14\">[14]<\/a> anuncia reformas econ\u00f4micas e sociais progressivas, uma pol\u00edtica em favor dos servi\u00e7os p\u00fablicos, o aumento dos m\u00ednimos sociais, um SMIC aumentado para 1400 euros mensais, o retorno da aposentadoria aos 60 anos, planejamento ecol\u00f3gico, etc. Mas tudo isso deve ser obtido sem nenhum confronto importante com a burguesia, sem expropri\u00e1-la&#8230; Poder\u00edamos tamb\u00e9m apontar algumas coisas que merecem ser criticadas em termos de pol\u00edtica externa e posicionamento em rela\u00e7\u00e3o ao Estado e seus aparelhos repressivos&#8230; Durante muito tempo, as pesquisas deram a M\u00e9lenchon apenas 8 a 10% das inten\u00e7\u00f5es de voto. Este \u00faltimo s\u00f3 obteve previs\u00f5es de cerca de 15% nos \u00faltimos dias antes do primeiro turno, mas ainda estando muito longe de Macron e Marine Le Pen.<\/p>\n<p><strong>Um primeiro turno n\u00e3o inteiramente sem surpresas<\/strong><\/p>\n<p>Uma das quest\u00f5es desta elei\u00e7\u00e3o presidencial foi a taxa de absten\u00e7\u00e3o. De fato, exceto, talvez, no final da campanha, ela ocorreu num contexto de indiferen\u00e7a popular generalizada e um certo cansa\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s escolhas pol\u00edticas propostas. O desinteresse, ou mesmo a repugn\u00e2ncia, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica (pelo menos \u00e0 pol\u00edtica institucional), como \u00e9 proposta, s\u00f3 cresceu ao longo dos \u00faltimos anos. A impress\u00e3o de que as elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem mudar a vida da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 crescendo, e isto \u00e9 particularmente verdadeiro nas \u00e1reas desfavorecidas e nos bairros da classe trabalhadora. O aumento da absten\u00e7\u00e3o acontece de modo geral em todas as elei\u00e7\u00f5es, mesmo que a participa\u00e7\u00e3o seja tradicionalmente maior nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais<a href=\"#_edn15\" name=\"_ednref15\">[15]<\/a>. Mas j\u00e1 as elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2017 tiveram uma alta absten\u00e7\u00e3o (22,23% no primeiro turno, 25,44% no segundo)<a href=\"#_edn16\" name=\"_ednref16\">[16]<\/a> . Pouco tempo depois, mesmo elei\u00e7\u00f5es com impacto nacional, como as elei\u00e7\u00f5es legislativas de junho de 2017, tiveram uma participa\u00e7\u00e3o inferior a 50% (51,3% de absten\u00e7\u00e3o no primeiro turno e 57,36% no segundo). Algumas elei\u00e7\u00f5es nos \u00faltimos anos tiveram taxas de absten\u00e7\u00e3o extremamente altas. As elei\u00e7\u00f5es europ\u00e9ias, tradicionalmente marcadas por uma baixa participa\u00e7\u00e3o, foram pr\u00f3ximas a 50% em 2019 (49,88%). Nas elei\u00e7\u00f5es municipais de 2020, a taxa de absten\u00e7\u00e3o foi de 55,25% no primeiro turno e de 58,6% no segundo. As elei\u00e7\u00f5es regionais e departamentais de 20 e 27 de junho de 2021 foram marcadas por uma absten\u00e7\u00e3o recorde (no primeiro turno, 66,72% de absten\u00e7\u00e3o nas elei\u00e7\u00f5es regionais e 66,68% nas elei\u00e7\u00f5es departamentais; respectivamente 65,31% e 65,64% no segundo turno).<\/p>\n<p>Entretanto, a participa\u00e7\u00e3o no primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2022 n\u00e3o entrou em colapso &#8211; o que \u00e9 em si um primeiro sucesso relativo para Macron &#8211; mas ainda assim diminuiu em compara\u00e7\u00e3o com 2017, com uma absten\u00e7\u00e3o que desta vez foi de 26,31%. Essa aflu\u00eancia confirma o aumento do desinteresse pela vida pol\u00edtica como ela \u00e9, mesmo que seu n\u00edvel n\u00e3o constitua uma completa deslegitima\u00e7\u00e3o da elei\u00e7\u00e3o presidencial. No entanto, deve-se notar que este ano, os dois finalistas das elei\u00e7\u00f5es presidenciais obtiveram apenas 20,07% dos votos (Macron) e 16,69% (Le Pen) de todos os eleitores registrados, o que significa que as duas pessoas que permaneceram na disputa para a elei\u00e7\u00e3o chave da vida pol\u00edtica francesa obtiveram apenas os votos de um grande ter\u00e7o do eleitorado (36,76% exatamente). Em outras palavras, a soma dos abstencionistas, votos em branco e inv\u00e1lidos e eleitores que escolheram outros candidatos representa 63,24% do eleitorado, o que significa que h\u00e1 quase dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o cuja escolha n\u00e3o foi levada em conta. Isto coloca um problema de representatividade e contribui para minar a legitimidade de institui\u00e7\u00f5es cada vez menos representativas da vontade popular.<\/p>\n<p>Mas sem d\u00favida, a principal conquista de Macron neste primeiro turno, al\u00e9m de vir em primeiro lugar com 27,84% dos votos expressos, \u00e9 ter explodido os dois partidos tradicionais da &#8220;altern\u00e2ncia mole&#8221; direita-esquerda, que estruturou durante d\u00e9cadas a vida pol\u00edtica francesa, entre o que hoje \u00e9 chamado de LR<a href=\"#_edn17\" name=\"_ednref17\">[17]<\/a>, por um lado, e o PS, por outro. J\u00e1 vimos que em 2017 a pontua\u00e7\u00e3o do candidato do PS (Benoit Hamon) havia ca\u00eddo para 6,36%. Mas a pontua\u00e7\u00e3o de Fillon ainda era de 20% cinco anos atr\u00e1s. Em 2022, estas duas for\u00e7as pol\u00edticas chegaram a um virtual desaparecimento: para LR, Val\u00e9rie P\u00e9cresse recebe apenas 4,78% e para o PS, Anne Hidalgo faz ainda pior (1,75%)<a href=\"#_edn18\" name=\"_ednref18\">[18]<\/a>, e no n\u00edvel de sua representatividade nacional, o PS agora parece ter passado pelo mesmo processo que o PASOK grego. Tendo obtido menos de 5%, nenhuma das duas candidatas (LR e PS) ter\u00e1 suas despesas de campanha reembolsadas pelo Estado. Deve-se lembrar de que apenas dez anos atr\u00e1s, o PS (Hollande) representou 28,63% dos votos expressos no primeiro turno, e a UMP (Sarkozy) 27,18%. Entre eles, esses dois partidos responderam ent\u00e3o por 55,81% dos votos expressos. Hoje, LR e o PS juntos representam apenas 6,53% do eleitorado! Se a marginaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do PS come\u00e7ou em 2017, em 2022 parece ter se tornado definitiva (pelo menos em termos de audi\u00eancia nacional), enquanto a de LR est\u00e1 bem encaminhada! O espa\u00e7o da pol\u00edtica neoliberal e autorit\u00e1ria burguesa que era compartilhado, ainda sob o quinqu\u00eanio Hollande, entre a direita cl\u00e1ssica e a falsa esquerda, agora \u00e9 ocupado por Macron, que se autodenomina &#8220;extremo centro&#8221;. O primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es presidenciais n\u00e3o mostrou, portanto, um bloco pol\u00edtico forte na direita cl\u00e1ssica, ao contr\u00e1rio do que aconteceu em 2017 com Fillon.<\/p>\n<p>Este ano, finalmente vimos n\u00e3o quatro, mas tr\u00eas candidatos principais, acima de 20% dos votos expressos, e bastante pr\u00f3ximos um do outro: Macron (aproximadamente 9,8 milh\u00f5es de votos, 27,84%), Le Pen (aproximadamente 8,1 milh\u00f5es, 23,15%), e M\u00e9lenchon (aproximadamente 7,7 milh\u00f5es, 21,95%). Os seguintes candidatos est\u00e3o muito atrasados<a href=\"#_edn19\" name=\"_ednref19\">[19]<\/a>. Os pontos fortes desses tr\u00eas candidatos aparecem da seguinte forma: para Macron, as CSPs altas e os aposentados. Para Le Pen, um eleitorado muito mais jovem, uma parte da classe trabalhadora (freq\u00fcentemente das \u00e1reas suburbanas, das antigas regi\u00f5es industriais empobrecidas &#8211; o norte e o leste em particular) e o sul mediterr\u00e2neo. Para M\u00e9lenchon, um voto forte entre os jovens<a href=\"#_edn20\" name=\"_ednref20\">[20]<\/a>, uma maioria nos DOMs<a href=\"#_edn21\" name=\"_ednref21\">[21]<\/a>, muitas vezes um primeiro lugar e muito bons resultados na classe trabalhadora e nos munic\u00edpios populares. Bons resultados em Paris (30,09%) e na regi\u00e3o parisiense e, em geral, nas grandes cidades onde est\u00e1 acima em rela\u00e7\u00e3o a 2017 (31,12% em Marselha; 35,48% em Estrasburgo; 40,73% em Montpellier; 29,06 em Bordeaux &#8230;)<a href=\"#_edn22\" name=\"_ednref22\">[22]<\/a>. Os bairros pobres da regi\u00e3o parisiense votaram muito em M\u00e9lenchon, especialmente em Seine-St Denis, onde a UP est\u00e1 empurrando a Marine Le Pen para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>Uma relativa surpresa desses resultados \u00e9 a pontua\u00e7\u00e3o de M\u00e9lenchon, muito mais pr\u00f3xima da classifica\u00e7\u00e3o para o segundo turno do que as \u00faltimas pesquisas indicavam (cerca de 7 pontos a mais). A pequena diferen\u00e7a com Marine Le Pen (cerca de 400.000 votos, ou 1,20%) deixou muitos eleitores UP irritados. M\u00e9lenchon melhora em sua pontua\u00e7\u00e3o de 2017, ao contr\u00e1rio do que foi previsto pelos institutos de vota\u00e7\u00e3o, tanto em termos de votos como de porcentagem (7,71 milh\u00f5es de votos em 2022 contra 7,06 milh\u00f5es em 2017, e 21,95% contra 19,58%). Parece que nos \u00faltimos dias e at\u00e9 mesmo nas \u00faltimas horas, muitas pessoas decidiram votar no candidato neo-reformista. Potenciais abst\u00eamios decidiram faz\u00ea-lo, e pessoas que inicialmente pensavam em votar em outros candidatos de esquerda finalmente se voltaram para M\u00e9lenchon, que foi percebido como a \u00fanica possibilidade de evitar um duelo Macron-Le Pen no segundo turno. Mas no final, os resultados de M\u00e9lenchon previstos pelas \u00faltimas pesquisas provavelmente significaram que muitos eleitores potenciais de M\u00e9lenchon n\u00e3o acreditaram na possibilidade dele participar ao segundo turno. E a fragmenta\u00e7\u00e3o das candidaturas de todas as esquerdas, e em particular a do PCF Fabien Roussel, foi objeto de amargas cr\u00edticas.<\/p>\n<p>Outro elemento deve ser notado. No final, a candidatura Zemmour e, portanto, a divis\u00e3o da extrema direita n\u00e3o foi fatal para Marine Le Pen, muito pelo contr\u00e1rio. O nicho t\u00edpico deste movimento pol\u00edtico, e em geral do FN e depois do RN (inseguran\u00e7a, xenofobia, islamofobia) foi ocupado principalmente por Zemmour. Isto levou a Marine Le Pen, ainda em busca da respeitabilidade democr\u00e1tica e confirmando e ampliando a banaliza\u00e7\u00e3o de seu partido, a colocar a \u00eanfase de sua campanha em outro lugar, e em particular na defesa da popula\u00e7\u00e3o mais modesta, com temas em torno da luta pelo poder de compra, contra aumentos de pre\u00e7os, etc. Tal escolha, evidentemente falaciosa e demag\u00f3gica, mas feita num contexto de infla\u00e7\u00e3o crescente e finais de m\u00eas dif\u00edceis, provou ser proveitosa. Por sua vez, Zemmour, que tinha conseguido recrutar executivos do RN (notadamente o advogado Gilbert Collard e a sobrinha da Marine Le Pen, Marion Mar\u00e9chal), que garantiu repetidamente que estaria presente no segundo turno, e que parecia ser uma amea\u00e7a real \u00e0 candidata do RN, viu o \u00edmpeto de sua campanha parar, e depois desmoronar a partir de meados de fevereiro, quando ele ainda representava 15% nas pesquisas de opini\u00e3o. Por que isso aconteceu? V\u00e1rios elementos parecem ter desempenhado um papel: primeiro, seu brutal ultra-liberalismo deve ter chocado parte de seu eleitorado potencial. Al\u00e9m disso, quando ele tinha que falar, \u00e0s vezes, sobre algo diferente de suas obsess\u00f5es racistas e islamof\u00f3bicas, ele n\u00e3o parecia ser capaz de responder seriamente a toda uma s\u00e9rie de perguntas que dizem respeito ao eleitorado: emprego, prote\u00e7\u00e3o social, sa\u00fade, poder aquisitivo&#8230; Finalmente, as declara\u00e7\u00f5es de Zemmour sobre a guerra na Ucr\u00e2nia o fizeram despencar: por muito tempo um admirador do &#8220;patriota&#8221; Putin, Zemmour fez uma aposta de que a R\u00fassia n\u00e3o invadiria a Ucr\u00e2nia, e ele disse ent\u00e3o que a chegada de refugiados ucranianos \u00e0 Fran\u00e7a poderia desestabilizar o pa\u00eds e que seria melhor para eles permanecerem na Pol\u00f4nia. Neste ponto, Marine Le Pen conseguiu estar mais em sintonia com a opini\u00e3o p\u00fablica: ela parece ter conseguido fazer muitas pessoas esquecerem seu apoio passado a Putin, notadamente durante sua invas\u00e3o da Crimeia, e o fato de que o RN \u00e9 em grande parte financiado por um banco russo pr\u00f3ximo ao ditador. Ela o fez condenando a invas\u00e3o de forma mais aberta e sendo muito mais acolhedora para esses refugiados.<\/p>\n<p><strong>Um novo duelo Macron-Le Pen, ganho pelo presidente em exerc\u00edcio. <\/strong><\/p>\n<p>Nas semanas que antecederam o primeiro turno, Macron n\u00e3o hesitou em anunciar os golpes antissociais que formam o n\u00facleo do programa para seu novo mandato. Em particular, duas medidas muito impopulares foram apresentadas: a extens\u00e3o da idade de aposentadoria para 65 anos, sob o pretexto de alinhar-se com a m\u00e9dia europ\u00e9ia; e o condicionamento da RSA (Revenu de solidarit\u00e9 active &#8211; renda de solidariedade ativa), destinada aos mais necessitados, a uma atividade profissional semanal de 15 ou 20 horas. Por tr\u00e1s do argumento repugnante da luta contra o assistencialismo e a necessidade de colocar a Fran\u00e7a para trabalhar, \u00e9 obviamente uma quest\u00e3o de fazer novas transfer\u00eancias de valor para os mais ricos. Macron n\u00e3o hesitou em apresentar estas duas medidas-chave em meados de mar\u00e7o, encorajado em sua arrog\u00e2ncia por pesquisas que o colocavam bem \u00e0 frente nas urnas. Com estes an\u00fancios, Macron tamb\u00e9m visava assegurar os votos de um eleitorado conservador e bastante rico. No entanto, as \u00faltimas pesquisas de opini\u00e3o antes do primeiro turno indicavam um aperto da lacuna, com uma queda na popularidade de Macron e um forte aumento da Marine Le Pen. As \u00faltimas pesquisas, embora ainda favor\u00e1veis a Macron, deram credibilidade at\u00e9 mesmo a uma pontua\u00e7\u00e3o mais alta para Le Pen. E as proje\u00e7\u00f5es para o segundo turno anunciavam resultados cada vez mais apertados. Entretanto, a lideran\u00e7a de Macron sobre Le Pen no primeiro turno (cerca de 1,7 milh\u00f5es de votos e 4,7 pontos) acabou sendo mais forte do que as \u00faltimas pesquisas pareciam indicar. E as pesquisas de opini\u00e3o entre as duas rodadas indicaram um novo aumento na diferen\u00e7a entre os dois finalistas.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o primeiro turno, a maioria dos candidatos eliminados deram instru\u00e7\u00f5es de vota\u00e7\u00e3o mais ou menos precisas para o segundo turno. Para Le Pen: Zemmour e Dupont-Aignan. Abertamente para votar no Macron: P\u00e9cresse, Hidalgo, Jadot, Roussel. No modo &#8220;n\u00e3o um voto para Le Pen&#8221;, mas sem chamar para votar Macron, M\u00e9lenchon e Poutou. &#8220;Nem Macron nem Le Pen&#8221; para Arthaud, e nenhuma instru\u00e7\u00e3o de voto para Lassalle. Mas as pesquisas de opini\u00e3o mostraram claramente que entre as instru\u00e7\u00f5es de voto dos candidatos e as inten\u00e7\u00f5es de voto de seus eleitores para o segundo turno, havia uma grande lacuna. Ficou cada vez mais claro que era essencialmente o eleitorado do M\u00e9lenchon que detinha a chave para o segundo turno. Mas este eleitorado parecia hesitante e dividido globalmente, flutuando entre uma grande propor\u00e7\u00e3o de inten\u00e7\u00f5es de absten\u00e7\u00e3o ou votos em branco ou inv\u00e1lidos, outra grande propor\u00e7\u00e3o de inten\u00e7\u00f5es de voto Macron para bloquear Le Pen, e uma minoria de inten\u00e7\u00f5es de voto Le Pen para se livrar do Macron. N\u00e3o \u00e9 surpreendente que este eleitorado tenha sido particularmente cortejado pelos dois finalistas. Para apelar para esse segmento, Le Pen insistiu nas quest\u00f5es sociais. E Macron n\u00e3o hesitou em se fazer de &#8220;negociador&#8221;, falando em aumentar a idade da aposentadoria para 64 (somente!) e organizar um debate com um referendo sobre o assunto. Este cinismo logo se tornou evidente pelo que \u00e9: no dia seguinte \u00e0 vit\u00f3ria de Macron em 24 de abril, um de seus tenentes, o Ministro da Economia Bruno Le Maire, n\u00e3o excluiu o uso do Artigo 49.3 para fazer passar \u00e0 for\u00e7a a nova contrarreforma de pens\u00e3o anunciada por Macron<a href=\"#_edn23\" name=\"_ednref23\">[23]<\/a>. Um novo insulto aos eleitores que votaram no Macron no segundo turno para bloquear o RN!<\/p>\n<p>No final, a dist\u00e2ncia no segundo turno entre Macron e Le Pen foi maior do que at\u00e9 mesmo as pesquisas finais sugeriram: ele foi reeleito com cerca de 18,7 milh\u00f5es de votos e 58,55% dos votos expressos, em compara\u00e7\u00e3o com 13,3 milh\u00f5es e 41,45% para Marine Le Pen. Mas a vit\u00f3ria do ocupante pretensioso do Elys\u00e9e deve ser relativizada, por v\u00e1rias raz\u00f5es. Primeiramente, a absten\u00e7\u00e3o no segundo turno foi de 28,01%, acima do segundo turno em 2017 (25,44%), e tamb\u00e9m do primeiro turno deste ano (26,31%). A isto devem ser adicionados mais de 3 milh\u00f5es de votos em branco ou inv\u00e1lidos, n\u00e3o considerados na Fran\u00e7a (havia mais um milh\u00e3o em 2017). Em segundo lugar, Macron perde cerca de dois milh\u00f5es de votos em compara\u00e7\u00e3o com 2017 (cerca de 18,7 milh\u00f5es em 2022 em compara\u00e7\u00e3o com 20,7 em 2017) e em termos percentuais ele cai de 66,10% para 58,55%. Em terceiro lugar, de certa forma h\u00e1 provavelmente dois vencedores nesta elei\u00e7\u00e3o: Macron e Le Pen. Nunca antes a extrema-direita conseguiu tais pontua\u00e7\u00f5es em uma elei\u00e7\u00e3o com esta import\u00e2ncia. Em 2017, Marine Le Pen recebeu cerca de 10,6 milh\u00f5es de votos no segundo turno. Este ano, ela est\u00e1 se aproximando dos 13,3 milh\u00f5es. Portanto, \u00e9 claro que a extrema-direita se fortaleceu durante o primeiro quinqu\u00eanio Macron. Lembremos que em 2017, Macron anunciou que queria &#8220;<em>reduzir os extremos<\/em>&#8220;. Naturalmente, na mente de Macron, os extremos tamb\u00e9m inclu\u00edam a France Insoumise. Mas em ambos os casos, o fracasso de Macron \u00e9 \u00f3bvio.<\/p>\n<p>Na verdade, Macron foi em grande parte reeleito gra\u00e7as aos votos dos eleitores de esquerda, em particular de M\u00e9lenchon, que estavam preocupados com a perspectiva de ver Marine Le Pen no Elys\u00e9\u00e9. Al\u00e9m dos DOMs, onde o eleitorado de M\u00e9lenchon inclinou claramente em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Marine Le Pen para derrotar o incumbente, parece que a maioria dos eleitores UP finalmente optou por colocar uma c\u00e9dula Macron na urna, mesmo que tenham feito isso tapando o nariz! Na verdade, o argumento da luta contra o &#8220;fascismo&#8221;<a href=\"#_edn24\" name=\"_ednref24\">[24]<\/a>, um termo que n\u00e3o deve ser utilizado em excesso, pois esta categoria pol\u00edtica mereceria um estudo aprofundado fora do escopo deste artigo, foi amplamente apresentado, desde a direita moderada at\u00e9 setores da extrema esquerda. E o medo despertado pelo RN e pelo &#8220;fascismo&#8221; \u00e0s portas do Elys\u00e9e ajudou novamente Macron, mesmo que em menor grau do que h\u00e1 cinco anos. O presidente reeleito concordou com isso ao reconhecer no Champ de Mars, na noite de 24 de abril: &#8220;<em>Muitos de nossos compatriotas votaram em mim naquele dia, n\u00e3o para apoiar as id\u00e9ias que eu carrego, mas para bloquear as da extrema direita<\/em>&#8220;<a href=\"#_edn25\" name=\"_ednref25\">[25]<\/a>. Que conclus\u00e3o pol\u00edtica devemos tirar disso, de acordo com ele? Devemos esperar concess\u00f5es, uma pol\u00edtica menos dura, menos anti-social? De jeito nenhum! Porque temos que ver que seu mandato, ao contr\u00e1rio das apar\u00eancias, n\u00e3o vem do eleitorado, mas da alta burguesia, e esta \u00faltima, para aumentar sua taxa de lucro, precisa de um poder pol\u00edtico que continue a atacar os ganhos sociais. \u00c9 verdade que Macron declarou que queria ser &#8220;o presidente de todos&#8221;, incluindo o eleitorado de M\u00e9lenchon e Le Pen, entre outros. Mas lembremos que ele fez o mesmo tipo de discurso em 2017, enquanto sua pol\u00edtica em seguida foi uma afronta permanente para o eleitorado de esquerda. As declara\u00e7\u00f5es de Bruno Le Maire sobre pens\u00f5es, lembradas acima, sugerem que Macron II ser\u00e1 t\u00e3o brutal e desdenhoso quanto Macron I! Pelo menos se o resto da seq\u00fc\u00eancia pol\u00edtica o permitir.<\/p>\n<p><strong>As elei\u00e7\u00f5es legislativas de 12 e 19 de junho<\/strong><\/p>\n<p>O presidente cessante \u00e9 reeleito, mas o antigo governo (Castex) permanece no cargo por enquanto. A Constitui\u00e7\u00e3o estabelece que o poder legislativo deve ser renovado, com elei\u00e7\u00f5es para a C\u00e2mara dos Deputados. 577 assentos devem ser preenchidos, e as grandes manobras da pol\u00edtica partid\u00e1ria nesta perspectiva come\u00e7aram no dia seguinte ao segundo turno das elei\u00e7\u00f5es presidenciais. Deve-se lembrar que as elei\u00e7\u00f5es legislativas a serem realizadas nos dias 12 e 19 se baseiam em uma maioria uninominal (em dois turnos)<a href=\"#_edn26\" name=\"_ednref26\">[26]<\/a> de votos por circunscri\u00e7\u00e3o eleitoral. Os 577 c\u00edrculos eleitorais s\u00e3o muito desiguais em termos de popula\u00e7\u00e3o registrada, e tudo foi feito, em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, em n\u00edvel de divis\u00e3o eleitoral, para dificultar muito mais a elei\u00e7\u00e3o de um deputado de esquerda (que precisa de mais votos nos c\u00edrculos da classe trabalhadora) do que de um deputado de direita (nos c\u00edrculos bem abastados). As elei\u00e7\u00f5es legislativas, como s\u00e3o organizadas, t\u00eam a caracter\u00edstica geral de amplificar as maiorias parlamentares. De fato, importantes for\u00e7as eleitorais em n\u00edvel nacional se encontram facilmente com pouca ou nenhuma representa\u00e7\u00e3o nos assentos parlamentares. Este \u00e9 particularmente o caso da FN e depois do RN (que durante muito tempo n\u00e3o teve deputados e agora tem apenas 6 na Assembl\u00e9ia atual) e da FI (que tem apenas 17 eleitos), apesar das pontua\u00e7\u00f5es de Marine Le Pen e Jean-Luc M\u00e9lenchon em 2017. O sistema de vota\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es legislativas, somado \u00e0s incertezas pol\u00edticas ainda em andamento, torna imposs\u00edvel no momento de escrever qualquer previs\u00e3o sobre o resultado dessas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No entanto, j\u00e1 podemos perceber algumas tend\u00eancias e fazer algumas observa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Antes de mais nada, deve-se notar que se a queda dos &#8220;partidos da alternativa mole&#8221; (PS e LR) \u00e9 \u00f3bvia em n\u00edvel nacional com os resultados das elei\u00e7\u00f5es presidenciais, os velhos aparelhos em quest\u00e3o ainda est\u00e3o mantendo seu lugar em n\u00edvel local. \u00c9 at\u00e9 impressionante notar at\u00e9 que ponto as principais for\u00e7as pol\u00edticas em torno dos dois finalistas presidenciais (La R\u00e9publique en Marche &#8211; LREM &#8211; para Macron, RN para Le Pen) t\u00eam um peso eleitoral local e um n\u00famero de funcion\u00e1rios eleitos nesses n\u00edveis (municipal, departamental, regional) muito mais fraco do que as for\u00e7as agora derrotadas nacionalmente (LR e PS). Como assinala L. Cr\u00e9mieux, &#8220;<em>O PS, os Republicanos e seus eleitos relacionados est\u00e3o muito mais presentes nas institui\u00e7\u00f5es departamentais e regionais do que En Marche [LREM, o principal partido macronista, NDT]: 685 conselheiros departamentais para o PS e 838 para o LR, (e um n\u00famero equivalente para os conselhos regionais), muito \u00e0 frente dos 400 conselheiros departamentais e 118 conselheiros regionais de En Marche. Da mesma forma, nas cidades com mais de 30.000 habitantes, h\u00e1 50 prefeitos PS e relacionados, 99 LR e relacionados, 3 En Marche e aliados<\/em>&#8220;<a href=\"#_edn27\" name=\"_ednref27\">[27]<\/a> . Esta realidade institucional paradoxal n\u00e3o pode deixar de ter conseq\u00fc\u00eancias, e em v\u00e1rios n\u00edveis. Do lado do Macron, que deve absolutamente ter uma maioria na Assembl\u00e9ia Nacional para impor sua pol\u00edtica, a opera\u00e7\u00e3o bem sucedida de destruir os aparatos nacionais do PS e da LR deve necessariamente ser complementada por t\u00e1ticas de alian\u00e7as e ca\u00e7a furtiva em n\u00edvel local, tanto do lado da direita tradicional quanto do lado da esquerda burguesa. Sendo a pol\u00edtica o que \u00e9, barganhas e com\u00edcios oportunistas deveriam correr bem nas pr\u00f3ximas semanas. Na extrema direita, a quest\u00e3o \u00e9 saber qual \u00e9 o futuro da &#8220;Reconqu\u00eate&#8221; &#8211; ou seja &#8220;Reconquista&#8221; &#8211; o partido criado por Zemmour para as elei\u00e7\u00f5es presidenciais. Para o RN e Marine Le Pen, a escolha \u00e9 destruir este rival inc\u00f4modo, e repetir a opera\u00e7\u00e3o que funcionou durante a elei\u00e7\u00e3o presidencial: impor uma esp\u00e9cie de &#8220;voto \u00fatil&#8221; para o RN no primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es legislativas. Neste n\u00edvel, as redes locais de not\u00e1veis do RN n\u00e3o s\u00e3o plet\u00f3ricas, mas s\u00e3o mais densas do que as do novo partido de extrema-direita, que acaba de chegar \u00e0 cena pol\u00edtica. E mesmo que seja altamente improv\u00e1vel que o RN tenha uma maioria na Assembl\u00e9ia, \u00e9 prov\u00e1vel que ele seja capaz de aumentar substancialmente seu n\u00famero de parlamentares. A quest\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 financeira (os subs\u00eddios dos partidos dependem disso), e a presen\u00e7a de redes pr\u00f3-Zemmour neste caminho \u00e9 um obst\u00e1culo a ser eliminado.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 do lado de M\u00e9lenchon que as coisas parecem se mover mais rapidamente. De fato, sua boa pontua\u00e7\u00e3o parece ter estado na origem de uma din\u00e2mica pol\u00edtica unit\u00e1ria que n\u00e3o havia existido em 2017, que a UP precisamente n\u00e3o tinha para as elei\u00e7\u00f5es presidenciais e que custou a seu candidato o segundo turno. Imediatamente ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o presidencial, M\u00e9lenchon e a UP contataram toda uma s\u00e9rie de for\u00e7as pol\u00edticas presentes nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais para propor um acordo para as elei\u00e7\u00f5es legislativas. Desde ent\u00e3o, as reuni\u00f5es se multiplicaram com as seguintes organiza\u00e7\u00f5es: EELV, G\u00e9n\u00e9rations, o PCF, o NPA. O PS, ou pelo menos a maioria dele, bateu na porta da UP, para fazer parte de um poss\u00edvel acordo. Tudo ainda n\u00e3o est\u00e1 decidido no momento de escrever, mas os seguintes elementos j\u00e1 podem ser observados.<\/p>\n<ul>\n<li>G\u00e9n\u00e9rations, o pequeno movimento liderado pelo antigo candidato do PS nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2017, Benoit Hamon, e membro do <em>P\u00f4le \u00e9cologiste<\/em><a href=\"#_edn28\" name=\"_ednref28\">[28]<\/a>, que tinha apoiado Jadot nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais, foi o primeiro a assinar um acordo com a FI, para as elei\u00e7\u00f5es legislativas de junho, j\u00e1 em 28 de abril, com o objetivo de alcan\u00e7ar um governo de unidade liderado por M\u00e9lenchon.<\/li>\n<li>Um segundo acordo foi conclu\u00eddo em 2 de maio entre EELV e a FI, validado pelo conselho federal de EELV por uma maioria muito ampla. Ser\u00e1 criada uma &#8220;nova uni\u00e3o ecol\u00f3gica e social do povo&#8221;<a href=\"#_edn29\" name=\"_ednref29\">[29]<\/a>. O acordo foi feito em particular sobre o SMIC a 1400 euros, o congelamento dos pre\u00e7os dos bens de primeira necessidade, o retorno \u00e0 aposentadoria aos 60 anos, o princ\u00edpio de uma &#8220;regra verde&#8221; e uma &#8220;regra de ouro clim\u00e1tica&#8221;, e o estabelecimento de uma VI Rep\u00fablica incluindo o RIC (referendo de iniciativa cidad\u00e3). No caso de uma maioria na Assembl\u00e9ia, J.L. M\u00e9lenchon se tornaria Primeiro Ministro. Entre as quest\u00f5es mais amargamente debatidas, houve a da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, da qual EELV \u00e9 uma defensora convicta. A id\u00e9ia apresentada pela FI de desobedecer \u00e0s regras europ\u00e9ias era inaceit\u00e1vel para EELV. O compromisso alcan\u00e7ado estipula que a &#8220;Nova Alian\u00e7a&#8221; prev\u00ea &#8220;<em>desobedecer certas regras europ\u00e9ias<\/em>&#8221; (especialmente econ\u00f4micas e or\u00e7ament\u00e1rias), mas mant\u00e9m o &#8220;<em>respeito ao Estado de direito<\/em>&#8221; dos tratados europeus. Outro trope\u00e7o, finalmente superado: a distribui\u00e7\u00e3o dos c\u00edrculos eleitorais (cerca de uma centena de c\u00edrculos concedidos ao p\u00f3lo ecol\u00f3gico, ao que parece).<\/li>\n<li>Na ter\u00e7a-feira 3 de maio, o PCF decidiu aderir \u00e0 &#8220;Nova Uni\u00e3o Popular Ecol\u00f3gica e Social&#8221; (NUPES). O principal ponto de disputa com a FI foi a quest\u00e3o da energia nuclear (o PCF continua a defend\u00ea-la, a FI quer sair dela), mas o acordo assinado estipula que as duas partes defender\u00e3o posi\u00e7\u00f5es diferentes sobre este assunto na Assembl\u00e9ia. Nos poucos pontos de desacordo restantes, o PCF conseguiu manter uma certa autonomia de express\u00e3o (por exemplo, sobre a nacionaliza\u00e7\u00e3o dos bancos). O PCF obteve 50 circunscri\u00e7\u00f5es neste acordo, com 11 para os deputados cessantes do PCF (notadamente Fabien Roussel)<a href=\"#_edn30\" name=\"_ednref30\">[30]<\/a>.<\/li>\n<li>Na quarta-feira 4 de maio, no momento em que estamos terminando este artigo, ficamos sabendo que o PS, por sua vez, e ao custo de uma forte divis\u00e3o dentro dele, que poderia facilmente levar a uma ruptura, acaba de validar um acordo com a FI. Um comunicado conjunto FI-PS anuncia: &#8220;<em>Queremos eleger deputados na maioria dos c\u00edrculos eleitorais, para evitar que Emmanuel Macron siga sua pol\u00edtica injusta e brutal e para derrotar a extrema direita<\/em>&#8220;, este acordo ainda deve ser validado em 5 de maio pelo conselho nacional do PS.<\/li>\n<li>Do lado do NPA, a batalha interna \u00e9 muito dura. Nada foi decidido ainda, mas a maioria do executivo tem pressionado por um acordo com a FI desde o in\u00edcio das discuss\u00f5es. Uma boa parte (quantos exatamente?) dos ativistas se op\u00f5em a ela. As recentes concess\u00f5es feitas pela FI, em particular a EELV e ao PS para obter um acordo &#8211; quanto ao pr\u00f3prio princ\u00edpio de incluir o PS no acordo, dadas as pesadas concess\u00f5es feitas, notadamente sobre a UE &#8211; parecem estar fazendo com que os oponentes a tal acordo ganhem terreno. Philippe Poutou, ele pr\u00f3prio um apoiador da linha de abertura da NPA para a FI, parece desiludido e escreve: &#8220;<em>em poucos dias, passamos de uma recusa categ\u00f3rica de nos darmos bem com o PS para um desejo rec\u00edproco e quase entusiasmado da FI-PS de encontrar um terreno comum. Isto se traduz logicamente em um programa muito minimalista e, \u00e9 claro, em um compartilhamento de circunscri\u00e7\u00f5es eleitorais aceit\u00e1veis para o PS, a fim de salvar o maior n\u00famero poss\u00edvel de postos. Quanto mais a FI tenta se dar bem com o PS e EELV, mais o terreno comum se torna arredondado e reduzido. A aposentadoria aos 60 anos torna-se o &#8220;objetivo&#8221; da aposentadoria aos 60, a revoga\u00e7\u00e3o da lei El-Khomri torna-se a revoga\u00e7\u00e3o dos &#8220;aspectos regressivos&#8221; da lei, a desobedi\u00eancia aos regulamentos europeus \u00e9 relativizada e t\u00e3o pouco clara, sem mencionar o abandono da energia nuclear (n\u00e3o pouco importante) ou outros pontos importantes do que poderia ter constitu\u00eddo um programa de ruptura. Portanto, a unidade desejada e leg\u00edtima, inclusive para n\u00f3s, esta unidade est\u00e1 de fato tomando forma, mas est\u00e1 perdendo radicalidade potencial, originalidade ou mesmo um ponto de apoio para o futuro. Porque mesmo enfraquecido, o PS (com tamb\u00e9m EELV), ainda consegue dar o tom, fixar seus limites e apresentar suas exig\u00eancias relativas \u00e0 partilha das circunscri\u00e7\u00f5es<\/em>&#8220;<a href=\"#_edn31\" name=\"_ednref31\">[31]<\/a>.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Para concluir sobre a quest\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es legislativas, digamos que h\u00e1 uma forte chance de que um acordo muito amplo unir\u00e1 a maioria das diversas esquerdas nos dias 12 e 19 de junho. N\u00e3o se trata de uma conclus\u00e3o inevit\u00e1vel, porque o PS ainda n\u00e3o validou o caso internamente e porque o NPA ainda n\u00e3o fez sua escolha e est\u00e1 passando por um movimento muito forte de luta dentro de suas fileiras. Note-se que de todas as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda e de extrema esquerda presentes nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais, LO \u00e9 a \u00fanica que claramente se recusa a entrar na l\u00f3gica de tal acordo com a FI.<\/p>\n<p><strong>E agora?<\/strong><\/p>\n<p>Vamos acrescentar algumas considera\u00e7\u00f5es gerais. Antes de mais nada, notamos, como Philippe Poutou faz amargamente, que a l\u00f3gica dos acordos feitos pela FI desloca a linha geral para a direita, em dire\u00e7\u00e3o a uma menor radicalidade. A pol\u00edtica institucional j\u00e1 nos acostumou a isto, mas esta lei da &#8220;pol\u00edtica institucional unit\u00e1ria&#8221;, que alguns, notadamente no NPA, gostariam de contrabandear como uma pol\u00edtica de frente \u00fanica leninista, ainda se aplica. Em segundo lugar, mesmo que ainda faltem estudos precisos sobre este ponto, o empurr\u00e3o unit\u00e1rio na base parece ser eficaz, em particular nos c\u00edrculos populares e da classe trabalhadora. Muitas pessoas parecem querer pressionar as lideran\u00e7as da &#8220;esquerda&#8221; (de todos os tipos) para se unirem, na esperan\u00e7a de ganhar as elei\u00e7\u00f5es legislativas e, em parte, cancelar os resultados das elei\u00e7\u00f5es presidenciais. Mas h\u00e1 muita confus\u00e3o. Mesmo que a m\u00eddia fale da &#8220;esquerda radical&#8221; em particular no caso da FI, \u00e9 importante ter em mente que a FI \u00e9 uma for\u00e7a pol\u00edtica neorreformista, que visa mudar a sociedade, n\u00e3o no sentido anti-capitalista radical, mas apenas no sentido anti-neoliberal; e por meio de lutas institucionais, n\u00e3o revolucion\u00e1rias e insurrecionais. A diferen\u00e7a \u00e9 enorme. E devemos ter em mente as desventuras obscuras e os completos fracassos desta &#8220;esquerda radical&#8221; mencionada acima (<em>Syriza<\/em>, <em>Podemos<\/em>, <em>Bloco de Esquerda<\/em>), \u00e0 qual devemos acrescentar <em>Rifondazione<\/em> na It\u00e1lia. O que \u00e9 comum a todas estas correntes neorreformistas \u00e9 que elas n\u00e3o sabem ou n\u00e3o querem ver o que \u00e9 o estado burgu\u00eas, para quem ele \u00e9 feito (a burguesia), e que negligenciam totalmente o fato de que esta burguesia est\u00e1 disposta a fazer qualquer coisa para defender seu poder e seus privil\u00e9gios, custe o que custar ao resto da humanidade e a todo o planeta.<\/p>\n<p>Uma anedota significativa deste despreparo dos neorreformistas para o confronto de classes est\u00e1 dispon\u00edvel na Internet. O fil\u00f3sofo e economista Fr\u00e9d\u00e9ric Lordon, que esteve envolvido nas muitas lutas sociais dos \u00faltimos anos, expressou repetidamente a id\u00e9ia de que a burguesia faria qualquer coisa para derrubar um governo M\u00e9lenchon<a href=\"#_edn32\" name=\"_ednref32\">[32]<\/a>: &#8220;<em>Imaginamos um governo La France Insoumise, e h\u00e1 um presidente M\u00e9lenchon que se encontra no poder. O que acontece ? (&#8230;) O que acontece \u00e9 que o governo \u00e9 exterminado em uma quinzena<\/em>&#8220;. E Lordon explica tanto a especula\u00e7\u00e3o financeira, com seus efeitos sobre as taxas de juros, quanto o \u00f3dio desencadeado contra o governo de esquerda pela m\u00eddia capitalista. O que M\u00e9lenchon diz a respeito da quest\u00e3o da d\u00edvida francesa ser atacada pelas finan\u00e7as internacionais? Ele diz: &#8220;<em>Bem, vamos ver<\/em>&#8220;. Seu interlocutor lhe perguntou mais precisamente: &#8220;<em>O que estamos fazendo contra as finan\u00e7as internacionais?<\/em>\u201d Resposta de M\u00e9lenchon: &#8220;<em>N\u00f3s lutamos, n\u00f3s nos defendemos. Mas eu tenho boas armas<\/em>&#8220;. E acrescentou: &#8220;<em>Eu acho que n\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel que a Fran\u00e7a seja atacada (&#8230;) O resultado pode ser desastroso para todos (&#8230;) Eu acho que as pessoas ser\u00e3o razo\u00e1veis. Eles n\u00e3o v\u00e3o fazer muita bobagem. Mas eu n\u00e3o recomendo que ningu\u00e9m ataque a Fran\u00e7a se eu for o respons\u00e1vel pelo pa\u00eds<\/em>&#8220;. \u00c9 isso a\u00ed! S\u00f3! M\u00e9lenchon, ao contr\u00e1rio de Lordon, n\u00e3o quer entender e dizer que o confronto central com a burguesia, e em particular a expropria\u00e7\u00e3o desta \u00faltima nos setores mais importantes da economia, \u00e9 uma quest\u00e3o incontorn\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ainda \u00e9 muito cedo para prever o que sair\u00e1 das urnas em 12 e 19 de junho. Mas uma din\u00e2mica em torno da FI e da nova ampla alian\u00e7a de esquerda em forma\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Esta nova configura\u00e7\u00e3o com uma uni\u00e3o da esquerda parece incomodar muitos comentaristas que s\u00e3o sempre r\u00e1pidos a defender a estabilidade da ordem burguesa. A Mediapart fala at\u00e9 mesmo de um &#8220;<em>vento de p\u00e2nico<\/em>&#8220;<a href=\"#_edn33\" name=\"_ednref33\">[33]<\/a>. Lemos em particular: &#8220;<em>Como a possibilidade de um acordo entre todos os esquerdistas e os ecologistas em vista das elei\u00e7\u00f5es legislativas de 12 e 19 de junho toma forma, o &#8220;c\u00edrculo da raz\u00e3o&#8221; pol\u00edtico-medi\u00e1tico est\u00e1 flertando com um colapso nervoso. A centralidade pol\u00edtica da corrente de M\u00e9lenchon desde 10 de abril (com 22% dos votos expressos), e sua potencial capacidade de recomposi\u00e7\u00e3o da esquerda, n\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel para os zelosos defensores do status quo<\/em>&#8220;. E estes defensores da ordem vigente, que s\u00e3o ulcerados pela esquerda &#8220;radical&#8221; emergente, s\u00e3o recrutados tanto entre os pol\u00edticos dos antigos partidos da altern\u00e2ncia mole (como Jean-Fran\u00e7ois Cop\u00e9, Eric Woerth ou Fran\u00e7ois Bayrou do lado da direita verdadeira; Fran\u00e7ois Hollande, Jean-Christophe Cambad\u00e9lis ou Julien Dray do lado da falsa esquerda), no RN (nada menos que seu presidente interino Jordan Bardella), ou entre a omnipresen\u00e7a med\u00edocre da m\u00eddia dominante, com prescritores de opini\u00e3o como Renaud D\u00e9ly (Le Monde) ou Elizabeth L\u00e9vy (CNews). Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel imaginar que a lista dessas boas almas crescer\u00e1 se a din\u00e2mica se aprofundar em torno da FI. Certamente, a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica seria diferente no caso de uma vit\u00f3ria macronista nas elei\u00e7\u00f5es legislativas ou se no dia 19 de junho a maioria parlamentar estivesse unida em torno de M\u00e9lenchon. Mas \u00e9, no entanto, improv\u00e1vel. E se isso acontecesse, um aviso de tempestade pol\u00edtica, e talvez social, estaria na ordem do dia.<\/p>\n<p>Os trabalhadores devem ter as preocupa\u00e7\u00f5es opostas de todas as altas rodas mencionadas acima: entender que uma unidade institucional de &#8220;esquerda&#8221; baseada em elei\u00e7\u00f5es, e incluindo for\u00e7as que j\u00e1 demonstraram em muitas ocasi\u00f5es que n\u00e3o hesitam em tra\u00ed-los, n\u00e3o ser\u00e1 capaz de fazer frente \u00e0 ditadura da burguesia. \u00c9 realmente uma revolu\u00e7\u00e3o que deve ser preparada, e para isso, \u00e9 necess\u00e1rio um partido revolucion\u00e1rio. Infelizmente, podemos ver at\u00e9 que ponto a extrema esquerda est\u00e1 falhando neste pa\u00eds: entre o NPA que est\u00e1 sendo enganado pela FI, e LO que \u00e9 mais firme, mas n\u00e3o prop\u00f5e nada, n\u00e3o podemos ver nesta fase uma for\u00e7a pol\u00edtica alternativa capaz de propor uma verdadeira sa\u00edda de classe para as lutas que v\u00e3o chegar e enfrentar a desilus\u00e3o que se deve esperar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> De acordo com a Constitui\u00e7\u00e3o da Quinta Rep\u00fablica, a elei\u00e7\u00e3o presidencial \u00e9 realizada a cada cinco anos por sufr\u00e1gio universal direto, em dois turnos. No segundo turno, se for realizado, ou seja, se nenhum candidato obtiver a maioria absoluta dos votos expressos no primeiro turno, s\u00f3 podem se opor os dois candidatos que sa\u00edram na frente no primeiro turno.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> Macron se distinguiu por seu desprezo pelo povo, que foi manifestado publicamente em v\u00e1rias ocasi\u00f5es: o que devemos pensar de um presidente que declarou em uma inaugura\u00e7\u00e3o, logo ap\u00f3s sua elei\u00e7\u00e3o em 2017, que h\u00e1 &#8220;<em>pessoas que s\u00e3o bem-sucedidas e pessoas que n\u00e3o s\u00e3o nada<\/em>&#8220;? Um presidente que responde a um desempregado que lhe explica que n\u00e3o consegue encontrar trabalho em sua \u00e1rea, a horticultura: &#8220;<em>Eu atravessaria a rua e logo encontraria um emprego<\/em>&#8221; (15 de setembro de 2018)? Ou que se refere aos franceses como &#8220;<em>Gauleses que s\u00e3o resistentes \u00e0 mudan\u00e7a<\/em>&#8220;? Ou que reclama que o Estado coloca &#8220;<em>uma quantia louca de grana nos benef\u00edcios sociais m\u00ednimos<\/em>&#8221; sem muito resultado?<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a> T\u00edtulos concedidos pelos soci\u00f3logos Michel Pin\u00e7on e Monique Pin\u00e7on-Charlot a Sarkozy e depois a Macron. Cf: <em>Le pr\u00e9sident des riches. Enqu\u00eate sur l&#8217;oligarchie dans la France de Nicolas Sarkozy<\/em>. La D\u00e9couverte, 2010; e <em>Le pr\u00e9sident des ultra-riches. Chronique du m\u00e9pris de classe dans la politique d\u2019Emmanuel Macron<\/em>. La D\u00e9couverte, 2019.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a> Que tributa os juros de capital uniformemente, a 12,8%, menos do que a faixa mais baixa do imposto de renda (14%).<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[5]<\/a> Com o movimento de oposi\u00e7\u00e3o social derrotado, a implementa\u00e7\u00e3o desta reforma foi impedida apenas com a chegada da pandemia de Covid-19. Mas Macron agora quer ir ainda mais longe no ataque, adiando a idade legal da aposentadoria para os 65 anos (62 hoje).<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[6]<\/a> Um exemplo \u00e9 a morte da octogen\u00e1ria Zineb Redouane, em 2 de dezembro de 2018, na janela do seu 4\u00ba andar, \u00e0 margem de uma manifesta\u00e7\u00e3o dos Coletes Amarelos em Marselha no dia anterior.\u00a0\u00a0\u00a0 Um exemplo \u00e9 a morte da octogen\u00e1ria Zineb Redouane, em 2 de dezembro de 2018, na janela do seu 4\u00ba andar, \u00e0 margem de uma manifesta\u00e7\u00e3o dos Coletes Amarelos occorida em Marselha no dia anterior.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[7]<\/a> Apenas dois exemplos: mentiras do governo no in\u00edcio da pandemia, explicando que as m\u00e1scaras eram in\u00fateis, para esconder que os estoques existentes tinham desaparecido; mentiras sobre as crian\u00e7as n\u00e3o serem contagiosas&#8230;<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\">[8]<\/a> Em particular: as autoriza\u00e7\u00f5es de sa\u00edda de casa para ir \u00e0s compras ou passear o cachorro; o passe de sa\u00fade e a culpabiliza\u00e7\u00e3o das pessoas n\u00e3o vacinadas, que Macron declarou publicamente que quer molestar.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\">[9]<\/a> Manifesta\u00e7\u00f5es sindicais tamb\u00e9m foram brutalizadas pela pol\u00edcia, notadamente durante o movimento contra a reforma previdenci\u00e1ria macronista.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref10\" name=\"_edn10\">[10]<\/a> Em janeiro, ele havia apenas declarado que &#8220;<em>queria<\/em>&#8220;, mas sem ter ainda &#8220;<em>esclarecido o assunto<\/em>&#8220;. <a href=\"https:\/\/www.bfmtv.com\/politique\/elections\/presidentielle\/emmanuel-macron-officialise-sa-candidature-a-l-election-presidentielle-dans-une-lettre-aux-francais_AN-202203030607.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.bfmtv.com\/politique\/elections\/presidentielle\/emmanuel-macron-officialise-sa-candidature-a-l-election-presidentielle-dans-une-lettre-aux-francais_AN-202203030607.html<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref11\" name=\"_edn11\">[11]<\/a> Isto j\u00e1 aconteceu 7 vezes. Foi o caso em 1965 (duelo De Gaulle-Mitterrand), em 1974 e em 1981 (Giscard-Mitterrand), em 1988 (Chirac-Mitterrand), em 1995 (Chirac-Jospin), em 2007 (Sarkozy-Royal), em 2012 (Sarkozy-Hollande). As exce\u00e7\u00f5es foram em 1969 (com dois candidatos de direita, De Gaulle e Poher, enquanto o principal partido de oposi\u00e7\u00e3o, o PCF, apelou \u00e0 absten\u00e7\u00e3o), em 2002 (duelo direita \/ extrema-direita entre Chirac e Jean-Marie Le Pen) e finalmente, nas duas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, em 2017 e 2022 (Macron-Marine Le Pen).<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref12\" name=\"_edn12\">[12]<\/a> Entre muitas inverdades hist\u00f3ricas, Zemmour afirmou notadamente que P\u00e9tain havia protegido os judeus.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref13\" name=\"_edn13\">[13]<\/a> Uma teoria da conspira\u00e7\u00e3o de extrema-direita, introduzida em 2010 na Fran\u00e7a pelo escritor Renaud Camus, que afirma que a popula\u00e7\u00e3o nativa francesa e europ\u00e9ia seria gradualmente substitu\u00edda por uma popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o europ\u00e9ia, principalmente da \u00c1frica subsaariana e do Magrebe. Este processo seria desejado e organizado por uma &#8220;elite&#8221; pol\u00edtica por raz\u00f5es ideol\u00f3gicas e econ\u00f4micas.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref14\" name=\"_edn14\">[14]<\/a> Tradu\u00e7\u00e3o: o futuro em comum<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref15\" name=\"_edn15\">[15]<\/a> As elei\u00e7\u00f5es presidenciais sob a Quinta Rep\u00fablica tiveram uma tend\u00eancia significativa de queda no comparecimento \u00e0s urnas, de uma taxa de absten\u00e7\u00e3o de 15,2% em 1965, para 22,4% em 1969, depois para 15,8% em 1974, para 18,9% em 1981, 18,6% em 1988, 21,6% em 1995, depois para um recorde de 28,4% em 2002, seguido por um aumento do comparecimento \u00e0s urnas para 16,23% em 2007, e mais uma queda para 20,52% e 22,23% em 2017. Veja: <a href=\"https:\/\/fr.wikipedia.org\/wiki\/Abstention_%C3%A9lectorale_en_France\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/fr.wikipedia.org\/wiki\/Abstention_%C3%A9lectorale_en_France<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref16\" name=\"_edn16\">[16]<\/a> Estes n\u00fameros e os seguintes prov\u00eam do mesmo site: <a href=\"https:\/\/fr.wikipedia.org\/wiki\/Abstention_%C3%A9lectorale_en_France\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/fr.wikipedia.org\/wiki\/Abstention_%C3%A9lectorale_en_France<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref17\" name=\"_edn17\">[17]<\/a> LR \u00e9 o nome do partido cuja origem est\u00e1 no Gaullismo (RPF). Sob o governo de Gaulle tivemos a UNR em 1958, depois a UDR. Em seguida esta corrente foi chamada de RPR, depois se tornou a UMP, depois Les R\u00e9publicains (LR).<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref18\" name=\"_edn18\">[18]<\/a> Mesmo na capital, da qual ela \u00e9 prefeita, Hidalgo obteve apenas 2,17% dos votos. Uma verdadeira derrota! Cf: <a href=\"https:\/\/www.liberation.fr\/politique\/anne-hidalgo-pas-prophete-dans-sa-ville-de-paris-20220411_K6FZWJU2NRH3ZFJFIPUX4CJASU\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.liberation.fr\/politique\/anne-hidalgo-pas-prophete-dans-sa-ville-de-paris-20220411_K6FZWJU2NRH3ZFJFIPUX4CJASU\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref19\" name=\"_edn19\">[19]<\/a> Zemmour (7,07%), P\u00e9cresse (4,78%), Jadot (4,63%), Lassalle (3,13%), Roussel (2,28%), Dupont-Aignan (2,06%), Hidalgo (1,75%), Poutou (0,77%) e Arthaud (0,56%).<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref20\" name=\"_edn20\">[20]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.francetvinfo.fr\/elections\/presidentielle\/presidentielle-2022-les-plus-jeunes-ont-vote-jean-luc-melenchon-les-plus-vieux-emmanuel-macron_5075344.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.francetvinfo.fr\/elections\/presidentielle\/presidentielle-2022-les-plus-jeunes-ont-vote-jean-luc-melenchon-les-plus-vieux-emmanuel-macron_5075344.html<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref21\" name=\"_edn21\">[21]<\/a> DOMs: D\u00e9partements d\u2019Outre-Mer (Departamentos ultramarinos). S\u00e3o 4 departamentos que s\u00e3o col\u00f4nias que permaneceram como tal na Rep\u00fablica Francesa: Guadalupe, Martinica, Guiana, Reuni\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref22\" name=\"_edn22\">[22]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.francetvinfo.fr\/elections\/presidentielle\/resultats-presidentielle-2022-comment-expliquer-la-remontee-de-jean-luc-melenchon-au-soir-du-premier-tour_5075833.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.francetvinfo.fr\/elections\/presidentielle\/resultats-presidentielle-2022-comment-expliquer-la-remontee-de-jean-luc-melenchon-au-soir-du-premier-tour_5075833.html<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref23\" name=\"_edn23\">[23]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.20minutes.fr\/politique\/3277479-20220425-presidentielle-2022-maire-provoque-polemique-refusant-ecarter-493-retraites\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.20minutes.fr\/politique\/3277479-20220425-presidentielle-2022-maire-provoque-polemique-refusant-ecarter-493-retraites<\/a>. Artigo 49.3 : um artigo da Constitui\u00e7\u00e3o que permite que um texto seja aprovado pela for\u00e7a, obrigando os parlamentares a votar por maioria uma mo\u00e7\u00e3o de censura, derrubando assim o governo.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref24\" name=\"_edn24\">[24]<\/a> Seria necess\u00e1rio pelo menos um longo artigo para discutir estas quest\u00f5es. Muito brevemente, digamos assim: o termo &#8220;fascismo&#8221; \u00e9 historicamente datado, e se refere a partidos de massa interclassistas, pequenos burgueses em ess\u00eancia, mas incluindo prolet\u00e1rios desorientados, e financiados pela burguesia para esmagar as organiza\u00e7\u00f5es de trabalhadores. Existe o perigo da extrema-direita e uma fascisa\u00e7\u00e3o arrepiante das mentes, na Fran\u00e7a e em outros lugares, mas os partidos deste movimento, participando ou n\u00e3o do governo (Trump, Bolsonaro, Orban, por exemplo) s\u00e3o muito diferentes dos partidos de Hitler e Mussolini, em particular porque eles n\u00e3o t\u00eam (ainda) os meios pol\u00edticos para esmagar o proletariado, mesmo que desejem faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref25\" name=\"_edn25\">[25]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.latribune.fr\/economie\/france\/au-dela-de-la-victoire-de-macron-le-vote-pour-l-extreme-droite-etend-ses-territoires-915240.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.latribune.fr\/economie\/france\/au-dela-de-la-victoire-de-macron-le-vote-pour-l-extreme-droite-etend-ses-territoires-915240.html<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref26\" name=\"_edn26\">[26]<\/a> Para ser eleito no primeiro turno, um candidato deve receber mais de 50% dos votos v\u00e1lidos e um n\u00famero de votos pelo menos igual a 25% dos eleitores registrados. No segundo turno, podemos ter: os dois candidatos da frente no primeiro turno, mas tamb\u00e9m os seguintes candidatos desde que esses candidatos tenham obtido pelo menos 12,5% dos eleitores registrados. Desta forma, elei\u00e7\u00f5es triangulares ou mesmo quadrangulares podem ser realizadas no segundo turno.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref27\" name=\"_edn27\">[27]<\/a> <a href=\"http:\/\/www.inprecor.fr\/article-FACE-A-L%E2%80%99HOSTILITE-POPULAIRE,-MACRON-A-IMPOSE-SA-REELECTION?id=2546\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.inprecor.fr\/article-FACE-A-L%E2%80%99HOSTILITE-POPULAIRE,-MACRON-A-IMPOSE-SA-REELECTION?id=2546<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref28\" name=\"_edn28\">[28]<\/a> Coaliz\u00e3o pol\u00edtica lan\u00e7ada em 2020, ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es municipais, ap\u00f3s a vit\u00f3ria das listas verdes.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref29\" name=\"_edn29\">[29]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.challenges.fr\/politique\/eelv-et-lfi-passent-un-accord-historique-pour-les-legislatives_811567\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.challenges.fr\/politique\/eelv-et-lfi-passent-un-accord-historique-pour-les-legislatives_811567<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref30\" name=\"_edn30\">[30]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.publicsenat.fr\/article\/politique\/legislatives-que-contient-l-accord-entre-le-pcf-et-lfi-205263\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.publicsenat.fr\/article\/politique\/legislatives-que-contient-l-accord-entre-le-pcf-et-lfi-205263<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref31\" name=\"_edn31\">[31]<\/a> <a href=\"https:\/\/blogs.mediapart.fr\/jean-marc-b\/blog\/020522\/philippe-poutou-garder-un-cap-radical-meme-s-il-est-minoritaire\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/blogs.mediapart.fr\/jean-marc-b\/blog\/020522\/philippe-poutou-garder-un-cap-radical-meme-s-il-est-minoritaire<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref32\" name=\"_edn32\">[32]<\/a> https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=OXhC9042YRg<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref33\" name=\"_edn33\">[33]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.mediapart.fr\/journal\/france\/030522\/union-des-gauches-le-cercle-de-la-raison-panique?xtor=EREC-83-%5bQUOTIDIENNE%5d-20220503&amp;M_BT=1976669439438\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.mediapart.fr\/journal\/france\/030522\/union-des-gauches-le-cercle-de-la-raison-panique?xtor=EREC-83-[QUOTIDIENNE]-20220503&amp;M_BT=1976669439438<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As elei\u00e7\u00f5es presidenciais acabam de ser realizadas na Fran\u00e7a, em 10 e 24 de abril[1]. Como nas elei\u00e7\u00f5es de 2017, o segundo turno colocou o presidente em exerc\u00edcio, Emmanuel Macron, contra Marine Le Pen. Um duelo para o qual as pesquisas e a m\u00eddia nos preparavam h\u00e1 semanas. Um duelo entre um presidente de direita [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":66851,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3542],"tags":[4599,4600,151,4002],"class_list":["post-66850","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-franca","tag-eleicoes-franca","tag-le-pen","tag-macron","tag-michael-lenoir"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Macrole.jpg","categories_names":["Fran\u00e7a"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66850","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66850"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66850\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/66851"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66850"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66850"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66850"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}