{"id":66708,"date":"2022-04-14T10:56:13","date_gmt":"2022-04-14T13:56:13","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=66708"},"modified":"2022-04-14T10:56:13","modified_gmt":"2022-04-14T13:56:13","slug":"capitalistas-e-trabalhadores-quem-realmente-se-arrisca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/04\/14\/capitalistas-e-trabalhadores-quem-realmente-se-arrisca\/","title":{"rendered":"Capitalistas e trabalhadores: Quem realmente se arrisca?"},"content":{"rendered":"<p><em>Existe uma ideia de que o lucro do capitalista \u00e9 uma remunera\u00e7\u00e3o pelo risco e incertezas futuras de seus investimentos. Eles seriam empreendedores que fazem realmente com que as coisas aconte\u00e7am. Ser\u00e1 isso mesmo?<\/em><!--more--><!--more-->Por: Gustavo Machado<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-66709 alignright\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/gus-1-300x238.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"238\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/gus-1-300x238.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/gus-1-150x119.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/gus-1.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Hoje \u00e9 amplamente hegem\u00f4nica a ideia de que o lucro do capitalista \u00e9 uma remunera\u00e7\u00e3o pelo risco e incertezas futuras de seus investimentos. Enquanto os trabalhadores s\u00e3o colocados como conservadores que gastam tudo que ganham, os capitalistas seriam poupadores, empreendedores aventureiros, aqueles que fazem realmente com que as coisas aconte\u00e7am. N\u00e3o teria, ent\u00e3o, nenhum problema com os bilion\u00e1rios. Ao contr\u00e1rio. Seja a fam\u00edlia Marinho, na Globo, Luciano Hang, na Havan, Elon Musk ou Mark Zuckerberg, n\u00e3o importa. Todos eles seriam her\u00f3is. Sem qualquer garantia, arriscam o seu capital sem a certeza do retorno e do sucesso nos investimentos.<\/p>\n<div id=\"attachment_66710\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-66710\" class=\"wp-image-66710 size-medium\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Gus-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" \/><p id=\"caption-attachment-66710\" class=\"wp-caption-text\">Economista Eugen B\u00f6hm von Bawerk, \u2018pai\u2019 da escola austr\u00edaca<\/p><\/div>\n<p>Essa ideia foi desenvolvida por v\u00e1rios te\u00f3ricos liberais desde o in\u00edcio do s\u00e9culo 19. Um dos autores a sistematiz\u00e1-la foi o economista austr\u00edaco B\u00f6hm-Bawerk, em diversos trabalhos. Como todas as ideologias que justificam o capitalismo, elas parecem fazer sentido em um primeiro momento. Devemos entend\u00ea-las para melhor combat\u00ea-las. Vejamos como todo esse bl\u00e1\u2013bl\u00e1\u2013bl\u00e1 surgiu.<\/p>\n<h5><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Hist\u00f3ria<\/strong><\/span><\/h5>\n<p><strong>Do liberalismo cl\u00e1ssico ao neocl\u00e1ssico<\/strong><\/p>\n<p>Por s\u00e9culos, in\u00fameros economistas fracassaram em explicar a origem do lucro do capitalista. Muito rapidamente, eles perceberam a conex\u00e3o entre toda a riqueza produzida na sociedade e o trabalho necess\u00e1rio para produzi-la. Curiosamente, como vimos em artigos anteriores, essas elabora\u00e7\u00f5es foram feitas por autores liberais. Eles lutavam contra uma aristocracia agr\u00e1ria que apenas ganhava renda de suas terras, alugadas aos capitalistas e aos camponeses. Reivindicavam o trabalho contra o \u00f3cio. Aqueles que vivem do seu trabalho contra aqueles que vivem do trabalho alheio. O lucro do capitalista era justificado como a remunera\u00e7\u00e3o pelo trabalho de administra\u00e7\u00e3o de sua empresa e de seu capital.<\/p>\n<p>Esse caminho logo foi abandonado. Era muito perigoso. Se o valor das riquezas produzidas repousa no trabalho era quest\u00e3o de tempo a conclus\u00e3o de que toda riqueza apropriada pela classe capitalista tamb\u00e9m era retirada da classe trabalhadora. Muitos perceberam que o capitalista, por vezes, administra o seu capital, mas n\u00e3o o produz. Aquilo que muitos chamam: o trabalho do capitalista nada mais \u00e9 do que administrar uma massa de valores que ele n\u00e3o produziu. Os seguidores de David Ricardo \u2013 um economista liberal \u2013 chegaram a criar uma escola de pensamento de vi\u00e9s socialista: os ricardianos de esquerda.<\/p>\n<p><strong>Sociedade an\u00f4nima<\/strong><\/p>\n<p>Mas n\u00e3o somente isso. Cada vez mais as empresas capitalistas converteram-se em sociedades an\u00f4nimas de capital aberto. O que \u00e9 isso? \u00c9 mais simples do que parece \u00e0 primeira vista. A propriedade das empresas \u00e9 convertida em a\u00e7\u00f5es. Nas empresas de capital aberto essas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o negociadas em bolsas de valores. Os capitalistas tornam-se propriet\u00e1rios comprando-as nas bolsas de valores. \u00c9 an\u00f4nimo, porque a propriedade da empresa n\u00e3o est\u00e1 mais vinculada a esta ou aquela pessoa em particular, mas \u00e0quelas que det\u00eam suas a\u00e7\u00f5es em um dado momento. \u00c9 de capital aberto porque as a\u00e7\u00f5es podem ser compradas e vendidas livremente nas bolsas de valores.<\/p>\n<p>As bolsas de valores e as sociedades por a\u00e7\u00f5es surgiram muito cedo no capitalismo: no in\u00edcio do s\u00e9culo 17. As grandes empresas comerciais inglesas e holandesas que colonizaram grande parte da \u00c1sia, da \u00c1frica e da Am\u00e9rica do Norte eram sociedades an\u00f4nimas de capital aberto. Era preciso reunir o capital de centenas ou milhares de capitalistas para um empreendimento t\u00e3o grande. No entanto, foi somente em fins do s\u00e9culo 19, com a centraliza\u00e7\u00e3o de capital, que essas sociedades se tornaram majorit\u00e1rias no capital industrial. Essa mudan\u00e7a abalou para sempre a ideia de que o lucro do capitalista era a remunera\u00e7\u00e3o pelo seu trabalho. Por qu\u00ea?<\/p>\n<p><strong>Renda pela propriedade<\/strong><\/p>\n<p>Ora, as sociedades por a\u00e7\u00f5es separam a atividade de administra\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de sua propriedade. Os propriet\u00e1rios de a\u00e7\u00f5es n\u00e3o ocupam nenhum papel na gest\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o da empresa. S\u00e3o apenas propriet\u00e1rios e ganham, por esse motivo, uma renda ou uma parte dos lucros. Esse acionista pode at\u00e9 integrar o conselho de administra\u00e7\u00e3o da empresa, mas ganhar\u00e1 um sal\u00e1rio por isso, separado de suas a\u00e7\u00f5es. Ficou claro, ent\u00e3o, que, desde sempre, o lucro do capitalista n\u00e3o era uma remunera\u00e7\u00e3o por seu trabalho, mas uma renda pela propriedade, tal como no caso dos aristocratas parasitas que anteriormente nos referimos. O liberalismo precisava, urgentemente, de uma nova teoria para justificar o lucro dos capitalistas.<\/p>\n<p>Eis que a escola cl\u00e1ssica de economia \u00e9 substitu\u00edda pela neocl\u00e1ssica, pela escola austr\u00edaca de economia, dentre outras.<\/p>\n<h5><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Justificativas<\/strong><\/span><\/h5>\n<p><strong>Os poderes \u2018m\u00e1gicos\u2019 dos juros<\/strong><\/p>\n<p>A partir de agora, os liberais deixaram para tr\u00e1s qualquer tentativa de explicar globalmente o funcionamento da sociedade. Abandonaram qualquer teoria macroecon\u00f4mica \u2013 para usar o vocabul\u00e1rio keynesiano \u2013 em fun\u00e7\u00e3o de an\u00e1lises puramente microecon\u00f4micas. Fizeram isso abandonando qualquer possibilidade de explicar objetivamente o processo de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o da riqueza no capitalismo. O valor, dizem eles, n\u00e3o \u00e9 produto de qualquer processo objetivo, mas algo puramente subjetivo. Depende unicamente dos desejos, das escolhas e das a\u00e7\u00f5es sempre vari\u00e1veis dos agentes econ\u00f4micos, sejam capitalistas ou trabalhadores.<\/p>\n<p>Caberia, portanto, apenas uma justificativa moral do lucro do capitalista. Eis que, tomando unilateralmente os juros, tais economistas passaram a justificar o lucro e criaram, de contrabando, uma teoria para justificar tamb\u00e9m o sal\u00e1rio dos trabalhadores. Teoria totalmente desvinculada de seu respectivo trabalho. Vejamos.<\/p>\n<p>Eles notaram o aspecto temporal contido nos juros. Empresta-se uma quantia, devolvida tempos depois com juros e corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria. Justificaram os juros da seguinte forma: s\u00e3o o pre\u00e7o por algu\u00e9m que abriu m\u00e3o de gastar seu dinheiro no presente para obter um valor maior no futuro. Por um lado, esse excedente \u00e9 o pre\u00e7o pelo sacrif\u00edcio por n\u00e3o se gastar seu dinheiro no presente. Por outro lado, \u00e9 uma esp\u00e9cie de indeniza\u00e7\u00e3o pelos riscos de n\u00e3o receber a quantia emprestada.\u00a0 A mesma l\u00f3gica foi utilizada para explicar a sociedade inteira.<\/p>\n<p>O lucro do empres\u00e1rio industrial ou comercial seria a compensa\u00e7\u00e3o por ter investido seu valor para obter um excedente no futuro, sem consumi-lo no presente. Mas n\u00e3o apenas o lucro foi justificado, tamb\u00e9m o sal\u00e1rio dos trabalhadores. Como o trabalhador recebe o seu sal\u00e1rio sem necessariamente esperar que as mercadorias que produziu sejam vendidas, o sal\u00e1rio seria um adiantamento. Logo, ele recebe menos do que o valor que agregou \u00e0s mercadorias produzidas, pois recebe no presente ou em um m\u00eas o valor de mercadorias que apenas ser\u00e3o vendidas no futuro. Mataram dois coelhos com uma s\u00f3 cajadada. Com o mesmo argumento, justificaram os lucros enormes dos capitalistas e os baixos sal\u00e1rios dos trabalhadores.<\/p>\n<h5><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Roleta do capitalismo<\/span><\/strong><\/h5>\n<p><strong>Quem realmente se arrisca?<\/strong><\/p>\n<p>Observem que o argumento que resumimos n\u00e3o explica nada. Trata-se apenas de uma justificativa moral. A origem dos valores utilizados para se pagar os juros ou os lucros n\u00e3o foi explicada. Os juros e o lucro foram apenas justificados moralmente. Seja qual for a origem dos valores utilizados para pag\u00e1-los, eles seriam justos. Afinal, o trabalhador recebe seu sal\u00e1rio adiantado, enquanto os capitalistas arriscam seu capital em troca de um lucro e juros incertos.<\/p>\n<p>\u00c9 assim que a economia deixa de ser pol\u00edtica. N\u00e3o se preocupa mais em responder a pergunta de como a riqueza produzida \u00e9 dividida entre as diversas classes da sociedade, mas em apenas justificar o capital e o capitalismo. Marx denominava essas correntes de economia vulgar.<\/p>\n<p>Acontece que tampouco esse argumento moral faz sentido.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, como vimos, os capitalistas possuem seu capital distribu\u00eddo em a\u00e7\u00f5es de diversas empresas, por vezes, em v\u00e1rios lugares do mundo. Podem vender suas a\u00e7\u00f5es do dia para a noite em uma bolsa de valores. Caso um determinado ramo de neg\u00f3cios fracasse, ele poder\u00e1 salvar, se n\u00e3o todo, ao menos parte de seu capital.<\/p>\n<p>O trabalhador, por seu turno, n\u00e3o tem nenhuma escolha. Encontra-se umbilicalmente ligado a uma empresa em particular. Seu dinheiro n\u00e3o atua como capital, mas em vista do consumo e da sua sobreviv\u00eancia. Se o investimento feito em sua empresa fracassar, ele pagar\u00e1 com seu emprego, sua renda e com as condi\u00e7\u00f5es que lhe permitem sobreviver.<\/p>\n<p>Os capitalistas atuam em um grande cassino em que as fichas da roleta correspondem \u00e0 vida de milhares de trabalhadores.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o somente isso. O sistema favorece, inevitavelmente, os jogares que possuem fichas suficientes para serem \u201carriscadas\u201d na roleta do capitalismo. Os grandes capitalistas poder\u00e3o perder muitas para ganhar em dose redobrada no momento seguinte. Os pequenos s\u00e3o, a cada instante, arrancados fora do jogo. Cada vez mais, um n\u00famero mais reduzido de magnatas det\u00e9m as fichas ou as a\u00e7\u00f5es das quais depende a vida de milh\u00f5es de trabalhadores em todo o mundo.<\/p>\n<p>A influ\u00eancia desses poucos magnatas ser\u00e1 t\u00e3o grande que eles poder\u00e3o interferir diretamente nas regras do jogo, influenciar as pol\u00edticas estatais e ser salvos pelo Estado em momentos de crise. Em \u00faltimo caso, quando considerarem \u201carriscado\u201d demais investir seu capital produtivamente, poder\u00e3o emprest\u00e1-lo ao Estado. Armazenar seu capital na forma segura de t\u00edtulos p\u00fablicos. A verdade \u00e9 que os grandes capitalistas detestam o risco.<\/p>\n<p>Todo esse processo torna evidente a loucura do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista. Toda a riqueza produzida, no lugar de elevar as garantias, a seguran\u00e7a e melhorar a vida de todos, converte o mundo inteiro em uma enorme roleta em que, n\u00e3o poucas vezes, guerras s\u00e3o necess\u00e1rias. O que eles jogam, no entanto, \u00e9 todo excedente de riqueza ou mais-valia que arrancaram e continuam a arrancar dia ap\u00f3s dia da classe trabalhadora. Toda essa loucura torna ainda mais evidente a necessidade de substituirmos esse modo de produ\u00e7\u00e3o por uma organiza\u00e7\u00e3o planejada da riqueza e orientada para a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades de todos.<\/p>\n<p>Veja o canal\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCRLEkZpNRoZQBG8kUTBD8vQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Orienta\u00e7\u00e3o Marxista no Youtube<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existe uma ideia de que o lucro do capitalista \u00e9 uma remunera\u00e7\u00e3o pelo risco e incertezas futuras de seus investimentos. Eles seriam empreendedores que fazem realmente com que as coisas aconte\u00e7am. Ser\u00e1 isso mesmo?<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":66714,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[121,8,10],"tags":[29,4586],"class_list":["post-66708","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","category-historia","category-teoria","tag-capitalismo","tag-gustvo-machado"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Capitalismo-1.jpg","categories_names":["Brasil","Hist\u00f3ria","TEORIA"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66708","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66708"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66708\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/66714"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66708"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66708"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66708"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}