{"id":66585,"date":"2022-04-01T17:44:05","date_gmt":"2022-04-01T20:44:05","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=66585"},"modified":"2022-04-01T17:44:05","modified_gmt":"2022-04-01T20:44:05","slug":"66585-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/04\/01\/66585-2\/","title":{"rendered":"Quarenta anos da guerra das Malvinas"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Uma prova de fogo para a nascente LIT <\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><em>Em 2 de abril de 1982, tropas argentinas desembarcaram nas Ilhas Malvinas (ocupadas e usurpadas pela Inglaterra desde 1833), derrotaram a guarni\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica e recuperaram esse territ\u00f3rio. A a\u00e7\u00e3o tinha sido ordenada pela ditadura militar argentina, presidida pelo general Leopoldo F. Galtieri. A primeira ministra do Reino Unido, Margaret Thatcher, para retomar o dom\u00ednio das ilhas, respondeu com o envio da for\u00e7a naval brit\u00e2nica mais importante desde a Segunda Guerra Mundial. Come\u00e7ava a Guerra das Malvinas. Em janeiro daquele ano havia sido fundada a LIT-QI (Liga Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional) como express\u00e3o do reagrupamento do \u201ctrotskismo ortodoxo\u201d que, pouco depois, teve que responder a esta dif\u00edcil prova pol\u00edtica.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Alejandro Iturbe<\/p>\n<p>O objetivo deste artigo, al\u00e9m da recorda\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, \u00e9 tirar conclus\u00f5es do ocorrido porque tem uma grande atualidade. Guerras e ataques de pa\u00edses imperialistas ou opressores contra pa\u00edses semicoloniais ou oprimidos continuam: basta ver a atual guerra na Ucr\u00e2nia. Tamb\u00e9m tem grande vig\u00eancia o debate sobre se \u00e9 poss\u00edvel enfrentar e derrotar o imperialismo. Por isso, vamos nos referir tanto aos fatos ocorridos como aos ensinamentos que nos deixam.<\/p>\n<p>O operativo realizado pelo regime militar argentino para recuperar as ilhas Malvinas produziu uma dessas complexas encruzilhadas de caminhos que ocorrem na hist\u00f3ria. A ditadura militar instalada em 1976 vivia uma crise que se aprofundava: seu plano econ\u00f4mico tinha explodido dois anos antes, perdia apoio dos setores m\u00e9dios e se desenvolvia uma crescente resist\u00eancia oper\u00e1ria e popular. Nesse contexto, o regime militar se dividia: um setor propunha ir avan\u00e7ando para uma \u201cabertura pol\u00edtica\u201d gradual e controlada, e outro, liderado por Galtieri (que se enriquecia parasitando as empresas do Estado), pretendia permanecer muitos anos mais no poder.<\/p>\n<p>Para este setor, a a\u00e7\u00e3o militar nas Malvinas foi uma manobra pol\u00edtica para \u201cempurrar para frente\u201d a profunda crise do regime e ganhar prest\u00edgio e apoio militar ao realizar uma reivindica\u00e7\u00e3o muito sentida pelo povo argentino. No marco de uma ditadura genocida, acabou sendo uma a\u00e7\u00e3o aventureira. Galtieri acreditava que a a\u00e7\u00e3o teria um \u201cbaixo custo\u201d porque, ao se tratar de um territ\u00f3rio de escasso valor econ\u00f4mico e geopol\u00edtico, a Gr\u00e3 Bretanha n\u00e3o responderia ao ataque. E o governo dos EUA (liderado por Ronald Reagan) \u201cdeixaria correr\u201d a invas\u00e3o em \u201cagradecimento\u201d \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o que os militares argentinos tinham prestado na repress\u00e3o e na contrarrevolu\u00e7\u00e3o em diversos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Foi um grav\u00edssimo erro de c\u00e1lculo pol\u00edtico. Margaret Thatcher, cujo governo tinha nascido d\u00e9bil, aproveitou o fato para tentar se fortalecer e enviou uma poderosa for\u00e7a naval. Ronald Reagan a respaldou declaradamente, contribuindo com apoio log\u00edstico, t\u00e9cnico e bases de abastecimento. Queriam enviar uma aberta mensagem ao mundo: com o imperialismo e suas possess\u00f5es n\u00e3o se brinca.<\/p>\n<p>Detr\u00e1s deles se alinhou a Igreja Cat\u00f3lica: quando o pr\u00edncipe Andrew se alistou como piloto de helic\u00f3ptero para combater contra a Argentina, o papa Jo\u00e3o Paulo II declarou <em>\u201cDeus aben\u00e7oe o principezinho\u201d. <\/em>Diante da guerra, lan\u00e7ou um chamado hip\u00f3crita <em>\u201c\u00e0 paz\u201d<\/em> cujo conte\u00fado real era impulsionar a rendi\u00e7\u00e3o argentina. Inclusive realizou uma viagem rel\u00e2mpago ao pa\u00eds para participar de uma grande missa ato, poucos dias antes da rendi\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, o chamado para apoiar a recupera\u00e7\u00e3o das Malvinas se transformou em uma transbordante mobiliza\u00e7\u00e3o popular anti-imperialista que rompeu o controle ditatorial do pa\u00eds: os militares tinham aberto a \u201ccaixa de Pandora\u201d que levaria ao fim da ditadura. Aprisionados entre uma guerra anti-imperialista que n\u00e3o queriam, por um lado, e a mobiliza\u00e7\u00e3o de massas, por outro, a grande maioria da burguesia argentina (como o futuro presidente eleito Ra\u00fal Alfons\u00edn) e dos altos comandos militares, come\u00e7aram a trabalhar para a derrota argentina. Nesse marco, dividido entre aqueles que queriam perder rapidamente a guerra e aqueles que desejavam ganh\u00e1-la, o regime militar argentino, de fato, se quebrou.<\/p>\n<p><strong>Qual posi\u00e7\u00e3o os revolucion\u00e1rios deviam ter frente a esta guerra?<\/strong><\/p>\n<p>A guerra das Malvinas gerou, e ainda gera, intensas pol\u00eamicas dentro da esquerda argentina e mundial. Qual atitude devia ser adotada frente a esta a\u00e7\u00e3o de um regime militar que havia sequestrado, torturado e assassinado milhares de pessoas? O que era mais importante: a luta anti-imperialista ou o rep\u00fadio ao regime? Devia se jogar pela vit\u00f3ria da Argentina, pelo da Gr\u00e3 Bretanha, ou adotar uma posi\u00e7\u00e3o neutra?<\/p>\n<p>Em resposta a estas perguntas, a rec\u00e9m-fundada LIT-QI e sua organiza\u00e7\u00e3o argentina naqueles anos, o PST (Partido Socialista dos Trabalhadores) n\u00e3o tiveram d\u00favidas e se orientaram de acordo com os ensinamentos de Le\u00f3n Trotsky. Em uma entrevista de 1938 com o dirigente oper\u00e1rio argentino Mateo Fossa, ele afirmou nitidamente que, na hip\u00f3tese de uma guerra entre um regime semifascista semicolonial e uma pot\u00eancia imperialista &#8220;democr\u00e1tica&#8221;, os revolucion\u00e1rios deviam fazer parte, sem duvidar , do &#8220;campo militar&#8221; do pa\u00eds semicolonial<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p><em>Um <\/em><em>crit\u00e9rio que, continuava o proposto por L\u00eanin durante a Primeira Guerra Mundial, ao<\/em><em> analisar que existiam guerras <\/em>\u201cnecess\u00e1rias e justas\u201d .<em>Entre elas, \u201co car\u00e1ter leg\u00edtimo, progressista e justo da \u2018defesa da p\u00e1tria\u2019 ou de uma guerra \u2018defensiva\u2019. Se, por exemplo, amanh\u00e3 o Marrocos declarasse guerra \u00e0 Fran\u00e7a; a \u00cdndia \u00e0 Inglaterra; a P\u00e9rsia ou a China \u00e0 R\u00fassia, etc, essas guerras seriam guerras \u2018justas\u2019, \u2018defensivas\u2019, independentemente de quem tivesse atacado primeiro, e todo socialista simpatizaria com a vit\u00f3ria dos Estados oprimidos\u2026\u201d. Ou seja, para L\u00eanin, a posi\u00e7\u00e3o frente \u00e0 guerra e seu resultado n\u00e3o dependia do tipo de dire\u00e7\u00e3o que essa luta tivesse no pa\u00eds oprimido, mas do car\u00e1ter dos pa\u00edses em conflito. Neste caso, os socialistas \u201cdeviam defender a p\u00e1tria\u201d<\/em>\u00a0 do pa\u00eds oprimido e localizar-se em seu campo militar. Esse era, para ele, o par\u00e2metro central e um fio condutor para a revolu\u00e7\u00e3o socialista: <em>\u201cOs socialistas n\u00e3o podem alcan\u00e7ar seu elevado objetivo sem lutar contra toda opress\u00e3o das na\u00e7\u00f5es\u201d <\/em><a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><em><sup><strong>[3]<\/strong><\/sup><\/em><\/a><em>.<\/em><\/p>\n<p>A LIT-QI foi consequente com estes crit\u00e9rios clar\u00edssimos e, poucos dias depois da recupera\u00e7\u00e3o das Malvinas, publicou uma declara\u00e7\u00e3o cujo t\u00edtulo fala por si mesmo: \u201cNa primeira fila de combate contra o imperialismo ingl\u00eas\u201d e iniciou uma campanha internacional em apoio \u00e0 Argentina na <em>guerra<\/em><a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a><em>. A atitude do PST argentino (antecessor do atual PSTU) foi <\/em><em>heroica: da dur\u00edssima clandestinidade a que a ditadura militar o submetia, apesar de t\u00ea-la combatido heroicamente naqueles anos e ter sofrido 100 mortos pela repress\u00e3o, jogou t<\/em><em>odas as suas for\u00e7as pela vit\u00f3ria. Por exemplo, dois conhecidos militantes oper\u00e1rios do PST que estavam presos pela ditadura (Dois grandes dirigentes oper\u00e1rios <\/em>como o \u201cPetiso\u201d P\u00e1ez e o \u201cPelado\u201d Matosas) pediram para serem libertados para ir combater nas Malvinas. Do mesmo modo, depois da derrota argentina, o PST esteve nas ruas do pa\u00eds impulsionando as mobiliza\u00e7\u00f5es que deram o golpe de miseric\u00f3rdia \u00e0 ditadura.<\/p>\n<p>Algumas das express\u00f5es mais importantes da campanha da LIT-QI, no marco do grande apoio que muitos povos latino-americanos davam \u00e0 Argentina, ocorreram no Peru. Em 27 de abril, milhares de oper\u00e1rios portu\u00e1rios iniciaram um boicote aos navios ingleses. O dirigente sindical Luis Negreiros disse que <em>\u201cestavam agindo como os portu\u00e1rios do M\u00e9xico, Col\u00f4mbia e Venezuela\u201d.<\/em> Em 12 de maio, em Lima, uma impressionante mobiliza\u00e7\u00e3o de quatro quil\u00f4metros marchou at\u00e9 a Plaza San Mart\u00edn, convocada pelo Comit\u00ea Peruano Argentino de Solidariedade do qual fazia parte, entre outros, Eduardo Exp\u00f3sito (dirigente argentino do PST e da LIT-QI, exilado no Peru)<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p><strong>As pol\u00eamicas com a esquerda<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto a LIT-QI e o PST argentino defendiam e impulsionavam uma pol\u00edtica revolucion\u00e1ria muito n\u00edtida, grande parte da esquerda argentina e mundial (inclusive correntes que se reivindicavam leninistas e trotskistas) escolhia caminhos equivocados: oscilava entre um vergonhoso apoio \u00e0 Gr\u00e3 Bretanha e uma pol\u00edtica pacifista de \u201cneutralidade\u201d que, na pr\u00e1tica, servia ao imperialismo. Os debates que ocorreram na Argentina ser\u00e3o abordados em artigos espec\u00edficos. Neste, nos focaremos nas pol\u00eamicas internacionais, em especial com as organiza\u00e7\u00f5es trotskistas da Europa.<\/p>\n<p>Por exemplo, o SU (Secretariado Unificado da Quarta Internacional) emitiu em 12 de abril uma declara\u00e7\u00e3o do Trotskist International Liaison Commitee que, em seu ponto 5, expressa: <em>\u201cOs ditadores argentinos pisotearam nos direitos dos habitantes das Malvinas, que n\u00e3o oprimem nem amea\u00e7am ningu\u00e9m (\u2026). Chamamos o movimento oper\u00e1rio a mobilizar-se para que seja respeitado o direito irrestrito de resolver seu pr\u00f3prio futuro livres de toda presen\u00e7a militar estrangeira\u201d<\/em><a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><em><sup><strong>[6]<\/strong><\/sup><\/em><\/a><em>.<\/em><\/p>\n<p>Em outras palavras, se localizava contra a Argentina pela defesa do direito de autodetermina\u00e7\u00e3o dos habitantes das Malvinas. Esta posi\u00e7\u00e3o partia de uma falsifica\u00e7\u00e3o: os habitantes das Malvinas (os <em>kelpers<\/em>) n\u00e3o constituem uma nacionalidade de uma possess\u00e3o colonial dominada pelo imperialismo que lutam pela sua independ\u00eancia. As Malvinas s\u00e3o um enclave imperialista: ou seja, um territ\u00f3rio de outra na\u00e7\u00e3o do qual uma pot\u00eancia se apropria, instala nele artificialmente uma popula\u00e7\u00e3o transplantada do pa\u00eds usurpador. Por esta situa\u00e7\u00e3o, esta popula\u00e7\u00e3o sempre defender\u00e1 continuar sendo parte da pot\u00eancia usurpadora. \u00c9 a mesma situa\u00e7\u00e3o apresentada em Gibraltar, usurpada da Espanha pela Inglaterra.<\/p>\n<p>Sugestivamente, a posi\u00e7\u00e3o do SU coincidia milimetricamente com a de Margaret Thatcher para enviar a frota naval brit\u00e2nica: <em>\u201cOs habitantes das Falklands<\/em> [Malvinas] <em>devem poder determinar livremente seu futuro. N\u00e3o podem faz\u00ea-lo enquanto os argentinos ocuparem o arquip\u00e9lago. Por isso, a evacua\u00e7\u00e3o <\/em>[argentina] <em>das ilhas \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o para qualquer solu\u00e7\u00e3o. <\/em>[\u2026] <em>A autodetermina\u00e7\u00e3o dos habitantes das Falklands <\/em>[Malvinas] <em>continua sendo o princ\u00edpio fundamental de minha pol\u00edtica\u201d<\/em><a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><em><sup><strong>[7]<\/strong><\/sup><\/em><\/a><em>. <\/em>Embora nunca tenha chegado a afirmar diretamente, a conclus\u00e3o l\u00f3gica desta an\u00e1lise e desta pol\u00edtica do SU \u00e9 que tinha que apoiar a pol\u00edtica de Margaret Thatcher e fazer unidade de a\u00e7\u00e3o militar com a Gr\u00e3 Bretanha.<\/p>\n<p>Pelo seu lado, a corrente trotskista liderada por Pierre Lambert, cujo principal partido era o PCI franc\u00eas (Partido Comunista Internacionalista) adotou uma posi\u00e7\u00e3o \u201cneutra\u201d (ou seja, \u201cn\u00e3o temos um lado\u201d) e acusou a LIT-QI e o PST de <em>\u201capoiar a ditadura\u201d<\/em><a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><em><sup><strong>[8]<\/strong><\/sup><\/em><\/a><em>.<\/em><\/p>\n<p>No marco desta profunda degrada\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das correntes internacionais que se reivindicavam trotskistas, especialmente as que tinham suas maiores for\u00e7as na Europa, neste continente houve algumas exce\u00e7\u00f5es. A organiza\u00e7\u00e3o espanhola da LIT-QI naquela \u00e9poca (o PST) se posicionou com nitidez no campo militar argentino.<\/p>\n<p>Outro caso importante foi o do WRP brit\u00e2nico (sigla em ingl\u00eas do Partido Revolucion\u00e1rio dos Trabalhadores), que teve a mesma posi\u00e7\u00e3o. Assim se iniciou uma rela\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que levou, alguns anos depois, um setor deste partido, liderado pelo veterano dirigente oper\u00e1rio trotskista Bill Hunter, a entrar na LIT-QI, originando a atual ISL (International Socialist League)<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p><strong>O imperialismo pode ser derrotado<\/strong><\/p>\n<p>Durante a guerra, grande parte da burguesia argentina e sua m\u00eddia disseminaram uma forte campanha derrotista de que era \u201cuma guerra absurda\u201d porque era imposs\u00edvel derrotar o\u00a0 imperialismo. Depois que a Argentina perdeu a guerra, um setor da vanguarda e do movimento de massas acabou chegando \u00e0 mesma conclus\u00e3o: \u201cn\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ganhar do imperialismo\u201d, pela sua superioridade militar e econ\u00f4mica. Uma ideia que a burguesia argentina continuou difundindo com muita for\u00e7a. Entretanto, um estudo s\u00e9rio da realidade mostra que esse triunfo era totalmente poss\u00edvel e que foi a desastrosa condu\u00e7\u00e3o pol\u00edtico militar da ditadura que o impediu.<\/p>\n<p>Vejamos primeiro a quest\u00e3o militar. Dissemos que Margaret Thatcher enviou \u00e0s Malvinas a frota naval mais forte desde a Segunda Guerra Mundial. Por\u00e9m, nas d\u00e9cadas anteriores, essa frota tinha sido formada com a \u201chip\u00f3tese de conflito\u201d, de um enfrentamento com a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica no mar B\u00e1ltico e no mar do Norte. Por isso, estava formada fundamentalmente por navios modernos, mas m\u00e9dios e pequenos (aptos para percorrer dist\u00e2ncias relativamente curtas), e n\u00e3o por forma\u00e7\u00f5es centralizadas por grandes porta-avi\u00f5es. Ou seja, era muito fr\u00e1gil para percorrer milhares de quil\u00f4metros em mar aberto, especialmente frente aos ataques a\u00e9reos. A avia\u00e7\u00e3o argentina (a for\u00e7a que melhor combateu na guerra) aproveitou esta debilidade e, com ataques rel\u00e2mpagos dos avi\u00f5es Mirage franceses e m\u00edsseis Exocet e causou fortes danos no trajeto.<\/p>\n<p>O almirante Sandy Woodward, comandante da frota brit\u00e2nica, levou um di\u00e1rio pessoal, que depois foi transformado em um livro<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>. Nele expressa que primeiro pensou que a miss\u00e3o iria ser \u201cum passeio\u201d, mas depois chegou \u00e0 seguinte conclus\u00e3o: <em>\u201ca Royal Navy n\u00e3o tinha vivido um conflito em \u00e1gua desta magnitude desde a Segunda Guerra Mundial\u201d.<\/em> D\u00e1 como exemplo o afundamento do navio log\u00edstico <em>Atlantic Conveyor<\/em>, em 25 de maio, que lhes representou, al\u00e9m do pr\u00f3prio barco, a perda de <em>\u201cdoze aeronaves, dez helic\u00f3pteros, dois avi\u00f5es Harriers, um lote completo de pe\u00e7as de reposi\u00e7\u00e3o para avi\u00f5es e helic\u00f3pteros, todo o equipamento para uma brigada de 4.500 homens, [\u2026] seis caminh\u00f5es abastecedores, ve\u00edculos de combate, m\u00edsseis estadunidenses Sidewinder, e uma pista de aterrisagem vertical que iria ser montada em San Carlos\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Certamente que, em v\u00e1rias miss\u00f5es, os avi\u00f5es argentinos eram derrubados e os pilotos morriam, o que diminu\u00eda a capacidade dos ataques a\u00e9reos. Mas \u00e9 evidente que, no terreno militar, o aprofundamento desta t\u00e1tica poderia ter permitido ganhar a guerra. O governo militar argentino teve a possibilidade de aumentar sua capacidade militar a\u00e9rea e de combate no mar j\u00e1 que diversos pa\u00edses ofereceram avi\u00f5es e outros suprimentos. Foi o caso do Peru, que enviou 10 avi\u00f5es, que foram aceitos <a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>; o governo cubano de Fidel Castro ofereceu um submarino (que foi recusado) <a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\"><sup>[12]<\/sup><\/a>, enquanto que o governo l\u00edbio ofereceu avi\u00f5es, pilotos e m\u00edsseis (os m\u00edsseis foram aceitos, mas n\u00e3o os avi\u00f5es nem os pilotos)<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\"><sup>[13]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Ou seja, esteve colocada a possibilidade da Argentina ganhar a Guerra das Malvinas, mas como dissemos, foi a condu\u00e7\u00e3o pol\u00edtico militar do governo de Galtieri que evitou esse poss\u00edvel triunfo. O pr\u00f3prio almirante Woodward tira esta conclus\u00e3o, ao considerar que, em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, as bombas lan\u00e7adas do ar pelos avi\u00f5es argentinos n\u00e3o explodiam: <em>\u201cse tivessem explodido nos teriam derrotado. Se as espoletas das bombas tivessem sido corretamente armadas, n\u00e3o tenho nenhuma d\u00favida de que ter\u00edamos perdido\u201d.<\/em><\/p>\n<p><strong>O car\u00e1cter pol\u00edtico das guerras<\/strong><\/p>\n<p>Uma vez que fica demonstrado que a Argentina poderia ter ganhado a guerra contra a Gr\u00e3 Bretanha, alguns argumentam que, diante dessa derrota imperialista (um fato que teria tido impacto mundial), o governo de Ronald Reagan teria iniciado uma guerra contra a Argentina, muito mais dif\u00edcil de ganhar.<\/p>\n<p>Certamente que, considerando o car\u00e1ter agressivo do imperialismo ianque e do governo de Ronald Reagan especificamente, essa hip\u00f3tese estaria colocada. Entretanto, o contexto internacional e do passado recente n\u00e3o lhe eram favor\u00e1veis: em 1975 foi derrotado na guerra do Vietn\u00e3, o que gerou a chamada \u201cs\u00edndrome do Vietn\u00e3\u201d. Ou seja, a inseguran\u00e7a de entrar em novas invas\u00f5es ou guerras contra na\u00e7\u00f5es mais d\u00e9beis pelo medo de seu resultado desfavor\u00e1vel em longo prazo<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\"><sup>[14]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Por isso, no marco de um fort\u00edssimo processo revolucion\u00e1rio na Am\u00e9rica Central, o governo de Reagan n\u00e3o atacava diretamente nem realizava invas\u00f5es. Na Nicar\u00e1gua apoiava a guerrilha \u201ccontra\u201d que enfrentava o governo sandinista, e em El Salvador promoveu um golpe de Estado que instalou uma ditadura, para assim enfrentar a guerra civil em curso contra a guerrilha salvadorenha.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, sempre houve entre os povos latino-americanos um forte sentimento anti-imperialista que os levava a apoiar a Argentina. Vimos o caso do Peru, e certamente esta n\u00e3o foi a \u00fanica express\u00e3o: uma not\u00edcia de in\u00edcio de abril informa que: <em>\u201c\u202625.000 bolivianos radicados no norte argentino se ofereceram como volunt\u00e1rios para colaborar em diferentes tarefas durante o conflito b\u00e9lico\u201d<\/em><a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\"><em><sup><strong>[15]<\/strong><\/sup><\/em><\/a><em>.<\/em> O apoio material militar tamb\u00e9m foi oferecido pelos governos peruano e cubano. Ou seja, estava colocada que essa hipot\u00e9tica de guerra n\u00e3o fosse s\u00f3 contra a Argentina, mas que se transformasse em uma guerra anti-imperialista latino-americana contra os EUA.<\/p>\n<p>Isto nos leva a outra considera\u00e7\u00e3o mais profunda: embora se trate de um fator muito importante, a superioridade militar nem sempre define o curso de uma guerra, porque nela entram, como um elemento central, os fatores pol\u00edticos. Se considerar a superioridade militar isoladamente, o imperialismo seria invenc\u00edvel. Entretanto, a hist\u00f3ria mostra que foi derrotado v\u00e1rias vezes em guerras contra na\u00e7\u00f5es mais d\u00e9beis quando teve que enfrentar uma resist\u00eancia nacional vigorosa e, muitas vezes, mobiliza\u00e7\u00f5es contra a guerra no pr\u00f3prio pa\u00eds imperialista. Por exemplo, na citada guerra do Vietn\u00e3, e tamb\u00e9m nas guerras do Iraque e Afeganist\u00e3o, todas acabaram com sua derrota. Ou seja, embora seja a custo de sofrimentos e sacrif\u00edcios, o imperialismo pode ser vencido militar e politicamente por na\u00e7\u00f5es mais d\u00e9beis.<\/p>\n<p>Falamos da p\u00e9ssima condu\u00e7\u00e3o pol\u00edtico militar da ditadura que, entre outras coisas que n\u00e3o fez, tamb\u00e9m n\u00e3o tomou uma s\u00f3 medida pol\u00edtico econ\u00f4mica contra o imperialismo, como deixar de pagar a d\u00edvida externa ou expropriar as empresas, bancos e ind\u00fastrias que a Inglaterra e os EUA tinham no pa\u00eds. Tamb\u00e9m n\u00e3o aproveitou as mobiliza\u00e7\u00f5es e o apoio que recebia no continente. Por exemplo, para impulsionar que outros governos tomassem medidas semelhantes ou que fossem formadas brigadas de combatentes latino-americanos para lutar do lado argentino. Ambos os cursos de a\u00e7\u00e3o poderiam ter sido fatores centrais que teriam ajudado para uma vit\u00f3ria argentina.<\/p>\n<p><strong>Algumas considera\u00e7\u00f5es finais e um breve balan\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p>Recordamos e analisamos a Guerra das Malvinas n\u00e3o apenas como um fato hist\u00f3rico, mas tamb\u00e9m pelos seus ensinamentos. Em primeiro lugar, como vimos, pela possibilidade real que existiu de derrotar o imperialismo. A pol\u00edtica da burguesia de \u201cdesmalvinizar\u201d a mem\u00f3ria, responde ao objetivo de apagar da mem\u00f3ria dos trabalhadores e do povo esse sentimento de luta anti-imperialista. Entretanto cada vez que em um est\u00e1dio de futebol, um show ou uma mobiliza\u00e7\u00e3o se canta \u201cquem n\u00e3o pula \u00e9 um ingl\u00eas, se demonstra que est\u00e3o muito longe de conseguir apagar esse anti-imperialismo.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, porque os mesmos (ou parecidos) mecanismos de racioc\u00ednio que levaram organiza\u00e7\u00f5es, que se reivindicavam trotskistas, a caracteriza\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas equivocadas (que abandonavam os crit\u00e9rios de L\u00eanin e Trotsky) se repetem hoje em outras organiza\u00e7\u00f5es frente \u00e0 guerra na Ucr\u00e2nia<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\"><sup>[16]<\/sup><\/a><sup>.<\/sup><\/p>\n<p>Queremos terminar este artigo destacando que estamos orgulhosos de que em 1982 a rec\u00e9m-fundada Liga Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (LIT-QI) tenha seguido os crit\u00e9rios de L\u00eanin e Trotsky e os tenha aplicado com o impulso de uma intensa campanha de apoio \u00e0 Argentina na Guerra das Malvinas. Da mesma forma que hoje estamos orgulhosos de continuar aplicando esses crit\u00e9rios frente \u00e0 guerra na Ucr\u00e2nia. S\u00e3o parte do DNA de nossa corrente.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>https:\/\/www.infobae.com\/2012\/03\/30\/1047429-juan-pablo-ii-y-la-guerra-malvinas\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Ver \u201cEntrevista com Mateo Fossa\u201d en https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/trotsky\/ceip\/escritos\/libro6\/T10V108.htm<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> V.I. Lenin, \u201cEl socialismo y la guerra\u201d (1915) em <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/lenin\/obras\/1910s\/1915sogu.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/lenin\/obras\/1910s\/1915sogu.htm<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Ver la publicaci\u00f3n <em>Panorama internacional<\/em>(Mayo 1982) em https:\/\/archivoleontrotsky.org\/view?mfn=830<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Extra\u00eddo de<em> Estrategia Socialista<\/em> Nro. 2 (junho 1982) em https:\/\/archivoleontrotsky.org\/view?mfn=835<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Extra\u00eddo de Estrategia Socialista Nro. 3 (setembro1982) en https:\/\/archivoleontrotsky.org\/view?mfn=838<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> \u00cddem.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Id. Ib\u00eddem.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Sobre este tema ver, por exemplo, a Declara\u00e7\u00e3o conjunta do Workers Revolutionary Party (WRP) da Gr\u00e3 Bretanha e do Movimento ao Socialismo (MAS) da Argentina\u201d (1\/2\/1987) no site do Arquivo Le\u00f3n Trotsky (<a href=\"https:\/\/archivoleontrotsky.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/archivoleontrotsky.org\/<\/a>)<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a>Woodward, S. <em>Los cien d\u00edas<\/em>.\u00a0<em>Las memorias del Comandante de la Flota Brit\u00e1nica durante la Guerra de Malvinas <\/em>(1992).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a><a href=\"https:\/\/elcomercio.pe\/mundo\/latinoamerica\/argentina-vs-peru-la-historia-de-como-se-gesto-el-apoyo-del-peru-a-argentina-en-la-guerra-de-las-malvinas-noticia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/elcomercio.pe\/mundo\/latinoamerica\/argentina-vs-peru-la-historia-de-como-se-gesto-el-apoyo-del-peru-a-argentina-en-la-guerra-de-las-malvinas-noticia\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> www.infobae.com\/sociedad\/2019\/04\/07\/malvinas-en-guerra-la-reunion-secreta-donde-el-enviado-de-fidel-castro-le-ofrecio-a-galtieri-un-submarino-para-atacar-a-la-flota-britanica\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a><a href=\"https:\/\/www.infobae.com\/sociedad\/2019\/06\/19\/malvinas-documentos-desclasificados-peru-y-libia-ayudaron-a-la-argentina-con-misiles-sovieticos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.infobae.com\/sociedad\/2019\/06\/19\/malvinas-documentos-desclasificados-peru-y-libia-ayudaron-a-la-argentina-con-misiles-sovieticos\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Sobre este tema, recomendamos ler: https:\/\/litci.org\/pt\/a-reacao-democratica-da-sindrome-do-vietna-a-sindrome-do-iraque\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a><a href=\"https:\/\/www.eltribuno.com\/salta\/nota\/2020-4-2-17-44-0-malvinas-25-000-bolivianos-se-ofrecieron-como-voluntarios-para-luchar-por-argentina#:~:text=el%20conflicto%20b%C3%A9lico.-,A%20casi%2040%20a%C3%B1os%20de%20la%20Guerra%20de%20las%20Malvinas,de%20Argentina%20en%20su%20reclamo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.eltribuno.com\/salta\/nota\/2020-4-2-17-44-0-malvinas-25-000-bolivianos-se-ofrecieron-como-voluntarios-para-luchar-por-argentina#:~:text=el%20conflicto%20b%C3%A9lico.-,A%20casi%2040%20a%C3%B1os%20de%20la%20Guerra%20de%20las%20Malvinas,de%20Argentina%20en%20su%20reclamo<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Ver https:\/\/litci.org\/pt\/polemica-sobre-a-consigna-nao-a-guerra-na-ucrania\/<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma prova de fogo para a nascente LIT \u00a0Em 2 de abril de 1982, tropas argentinas desembarcaram nas Ilhas Malvinas (ocupadas e usurpadas pela Inglaterra desde 1833), derrotaram a guarni\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica e recuperaram esse territ\u00f3rio. A a\u00e7\u00e3o tinha sido ordenada pela ditadura militar argentina, presidida pelo general Leopoldo F. Galtieri. A primeira ministra do Reino [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":66586,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[94,3558,8,49],"tags":[1551,4575],"class_list":["post-66585","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-argentina","category-gra-bretanha","category-historia","category-polemica","tag-alejandro-iturbe","tag-guerra-das-malvinas"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/malvinas1.jpg","categories_names":["Argentina","Gr\u00e3-Bretanha","Hist\u00f3ria","Pol\u00eamica"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66585","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66585"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66585\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/66586"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66585"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66585"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66585"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}