{"id":66432,"date":"2022-03-21T17:58:17","date_gmt":"2022-03-21T20:58:17","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=66432"},"modified":"2022-03-21T17:58:17","modified_gmt":"2022-03-21T20:58:17","slug":"livro-sobre-guerra-contra-o-paraguai-ganha-edicao-em-portugues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/03\/21\/livro-sobre-guerra-contra-o-paraguai-ganha-edicao-em-portugues\/","title":{"rendered":"Livro sobre guerra contra o Paraguai ganha edi\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas"},"content":{"rendered":"<p><em>A guerra at\u00e9 ganhou uma vers\u00e3o romantizada pela novela \u201cNos tempos do Imperador\u201d, da Globo. Mas, na verdade, foi\u00a0 um genoc\u00eddio no pa\u00eds vizinho comandado pelo Imp\u00e9rio do Brasil<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: PSTU Brasil<\/p>\n<p>A Editora Sundermann publicou o livro\u00a0A guerra contra o Paraguai em debate, de Ronald Le\u00f3n N\u00fa\u00f1ez, investigador paraguaio e doutor em Hist\u00f3ria pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Lan\u00e7ada em 2019 no Paraguai, a obra teve grande repercuss\u00e3o na imprensa e entre a intelectualidade do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O lan\u00e7amento no Brasil ser\u00e1 nos dias 6 e 7 de abril (veja abaixo), e o livro j\u00e1 pode ser comprado no\u00a0site\u00a0da editora. A edi\u00e7\u00e3o vem acrescida de um pref\u00e1cio de Rodrigo Ricupero, professor da USP, e o texto da orelha \u00e9 de Vitor Wagner Neto de Oliveira, professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).<\/p>\n<p><strong>A dimens\u00e3o da guerra<\/strong><\/p>\n<p>A guerra contra o Paraguai (1864-1870) foi o conflito b\u00e9lico mais prolongado e sangrento da Am\u00e9rica do Sul. A Tr\u00edplice Alian\u00e7a, formada pelo Imp\u00e9rio do Brasil, pela Argentina e pelo Uruguai, invadiu o Paraguai ap\u00f3s assinar um tratado secreto no qual dividia previamente o territ\u00f3rio e estabelecia que os paraguaios deveriam pagar uma d\u00edvida aos vencedores.<\/p>\n<p>O Imp\u00e9rio do Brasil mobilizou 139 mil soldados durante a guerra, 1,52% de sua popula\u00e7\u00e3o naquele momento. Seria como se hoje o Brasil governado por Bolsonaro invadisse o Paraguai \u2013 um pa\u00eds oprimido, com 7 milh\u00f5es de habitantes atualmente \u2013 com mais de 3,2 milh\u00f5es de soldados. Isso d\u00e1 uma pequena ideia das dimens\u00f5es do conflito e do envolvimento do imp\u00e9rio escravocrata na destrui\u00e7\u00e3o do Paraguai.<\/p>\n<p>Dizemos destrui\u00e7\u00e3o sem medo de exagerar. Segundo acad\u00eamicos n\u00e3o marxistas, nem sequer de esquerda, o Paraguai perdeu entre 60% e 69% de sua popula\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o fim da guerra. Trata-se de um exterm\u00ednio de propor\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. O pa\u00eds derrotado perdeu cerca de 40% de seu territ\u00f3rio, que foi anexado pelo Brasil e pela Argentina. Os ex\u00e9rcitos aliados ocuparam o pa\u00eds at\u00e9 1876. A d\u00edvida de guerra imposta ao Paraguai foi \u201cperdoada\u201d s\u00f3 em 1943.<\/p>\n<p>\u00c9 um tema extremamente pol\u00eamico e pouco estudado a partir de uma perspectiva marxista, isto \u00e9, a partir dos interesses das classes exploradas e das na\u00e7\u00f5es oprimidas de ontem e hoje. Neste livro, Ronald Le\u00f3n N\u00fa\u00f1ez oferece s\u00f3lida pesquisa documental e oferece respostas aos principais debates historiogr\u00e1ficos: qual o car\u00e1ter da guerra? Qual o papel de Pedro II e do Imp\u00e9rio do Brasil? O Paraguai do s\u00e9culo XIX era uma pot\u00eancia industrial? Qual o papel do Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico? Houve um genoc\u00eddio do povo paraguaio?<\/p>\n<h6><strong>D\u00edvida hist\u00f3rica<\/strong><\/h6>\n<p><strong>Restabelecendo a verdade hist\u00f3rica<\/strong><\/p>\n<p>Embora tenha sido a mais importante guerra internacional em que o pa\u00eds se envolveu, \u00e9 not\u00e1vel o grau de desconhecimento que h\u00e1 no Brasil sobre a guerra contra o Paraguai. Independentemente da interpreta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica transmitida pelo sistema educativo, o lugar que esse assunto ocupa \u00e9 marginal. O estudo e o debate sempre estiveram restritos a seletos c\u00edrculos intelectuais compostos por militares e, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, por um punhado de historiadores profissionais.<\/p>\n<p>Essa obra pretende estimular o estudo e os debates sobre o tema. O marxismo brasileiro e latino-americano ainda deve percorrer um longo e espinhoso caminho para se aproximar do estudo rigoroso do s\u00e9culo XIX, em especial da guerra da Tr\u00edplice Alian\u00e7a contra o Paraguai. Isso implica combater as press\u00f5es tanto da leitura tradicional emanada do liberalismo quanto do nacionalismo burgu\u00eas.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o autor ressalta a necessidade de \u201cestimular o debate necess\u00e1rio, n\u00e3o no terreno est\u00e9ril de determinados espa\u00e7os acad\u00eamicos, mas em uma dire\u00e7\u00e3o que permita extrair li\u00e7\u00f5es \u00fateis para compreender e, sobretudo, transformar a realidade\u201d. \u00c9 hora de levar esse tema a escolas, universidades, sindicatos, partidos de esquerda. Fazer com que o movimento oper\u00e1rio e social brasileiro conhe\u00e7a essa hist\u00f3ria e se aproprie dela.<\/p>\n<p>Na nota \u00e0 edi\u00e7\u00e3o brasileira, Le\u00f3n N\u00fa\u00f1ez escreve que uma atitude internacionalista imp\u00f5e compreender que \u201co povo trabalhador brasileiro tem uma d\u00edvida hist\u00f3rica com seus irm\u00e3os de classe paraguaios. N\u00e3o por ter cometido o genoc\u00eddio ou por ter dilacerado o pequeno pa\u00eds vizinho. A responsabilidade por esta atrocidade corresponde aos governos que compuseram a Tr\u00edplice Alian\u00e7a\u00a0[\u2026]. A d\u00edvida hist\u00f3rica da classe trabalhadora brasileira pode ser saldada conhecendo, debatendo, em suma, apropriando-se desta hist\u00f3ria.\u00a0[\u2026] tal d\u00e9bito ser\u00e1 honrado lutando lado a lado com o povo paraguaio; combatendo cotidianamente a opress\u00e3o e a discrimina\u00e7\u00e3o cultural-racial exercidas de diversas formas pela burguesia de seu pr\u00f3prio pa\u00eds sobre o Paraguai. Enfim, concretizando uma das m\u00e1ximas mais citadas do marxismo:\u00a0N\u00e3o pode ser livre um povo que oprime outros povos\u201d.<\/p>\n<h6>Venha conferir<\/h6>\n<p><strong>Participe do lan\u00e7amento\u00a0 do livro<\/strong><\/p>\n<p>6\/4 \u2013 19h \u2013\u00a0Live\u00a0com o autor no Facebook e no YouTube da Editora Sundermann<\/p>\n<p>7\/4 \u2013 18h \u2013 Sess\u00e3o de aut\u00f3grafos presencial em S\u00e3o Paulo, na livraria Martins Fontes (Av. Paulista, 509)<\/p>\n<h6><strong>ADQUIRA O LIVRO<\/strong><\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-66434 size-large\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Livro-1-1024x1024.jpeg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Livro-1-1024x1024.jpeg 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Livro-1-300x300.jpeg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Livro-1-150x150.jpeg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Livro-1-768x768.jpeg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Livro-1-696x696.jpeg 696w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Livro-1-1068x1068.jpeg 1068w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Livro-1.jpeg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A guerra at\u00e9 ganhou uma vers\u00e3o romantizada pela novela \u201cNos tempos do Imperador\u201d, da Globo. Mas, na verdade, foi\u00a0 um genoc\u00eddio no pa\u00eds vizinho comandado pelo Imp\u00e9rio do Brasil<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":66435,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[121,3529,3789],"tags":[4563,4239],"class_list":["post-66432","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","category-paraguai","category-sem-categoria","tag-pstu-brasiil","tag-ronald-leon-nunez"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/PAR.jpg","categories_names":["Brasil","Paraguai","Sem categoria"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66432","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66432"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66432\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/66435"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66432"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66432"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66432"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}