{"id":66240,"date":"2022-03-06T09:30:10","date_gmt":"2022-03-06T12:30:10","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=66240"},"modified":"2022-03-06T09:30:10","modified_gmt":"2022-03-06T12:30:10","slug":"por-um-8m-de-luta-com-as-trabalhadoras-a-frente-contra-o-machismo-e-o-capitalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/03\/06\/por-um-8m-de-luta-com-as-trabalhadoras-a-frente-contra-o-machismo-e-o-capitalismo\/","title":{"rendered":"Por um 8M de luta com as trabalhadoras \u00e0 frente! Contra o machismo e o capitalismo!"},"content":{"rendered":"<p><em>A cada 8 de Mar\u00e7o lutamos pelos direitos das mulheres em todo o mundo, mas este ano, n\u00e3o \u00e9 mais um ano no calend\u00e1rio. Estamos no terceiro ano da pandemia e essa cat\u00e1strofe evit\u00e1vel que demonstrou a criminalidade do capitalismo foi e \u00e9 mais cruel conosco, as mulheres. Sobram motivos que se aprofundam cada vez mais para sair \u00e0s ruas e lutar contra o machismo e o capitalismo.<\/em><!--more--><\/p>\n<p>Por LIT-QI<\/p>\n<p><strong>A pandemia da fome<\/strong><\/p>\n<p>A pandemia da Covid-19 ainda n\u00e3o acabou, mas n\u00f3s mulheres j\u00e1 temos sobre nossas costas um legado de fome, viol\u00eancia e retrocesso de direitos. A grave crise econ\u00f4mica vem atacando fortemente, mas a pandemia nos colocou em uma situa\u00e7\u00e3o ainda mais asfixiante.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) afirma que entre 2020 e 2021 as mulheres, em rela\u00e7\u00e3o ao emprego, voltaram aos n\u00edveis semelhantes de 15 anos atr\u00e1s. Estimam que em torno de 64 milh\u00f5es de mulheres no mundo ficaram sem trabalho.<\/p>\n<p>As trabalhadoras da sa\u00fade e a equipe de atendimento merecem men\u00e7\u00e3o \u00e0 parte: elas viram crescer seus n\u00edveis de trabalho com a press\u00e3o que a crise sanit\u00e1ria significa e os sal\u00e1rios e as condi\u00e7\u00f5es de trabalho pioraram. Com a continua\u00e7\u00e3o da pandemia, as redes de sa\u00fade e locais de atendimento n\u00e3o foram melhoradas por nenhum governo e s\u00e3o as mulheres em sua grande maioria quem sustentam essa \u201cprimeira linha\u201d de combate \u00e0 Covid, \u00e0 custa de sua sa\u00fade f\u00edsica e mental.<\/p>\n<p>Estes s\u00e3o dados apenas da economia formal, a massa de mulheres que trabalham informalmente e em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias \u00e9 alta, o que gera uma vulnerabilidade no emprego e no acesso aos alimentos. Agravado em condi\u00e7\u00f5es at\u00e9 desumanas para as migrantes, mulheres negras ou LGBTI.<\/p>\n<p>As trabalhadoras e mulheres pobres s\u00e3o empurradas em grande velocidade \u00e0 fome e \u00e0 desesperada necessidade de alimentar suas fam\u00edlias. Este n\u00edvel de desemprego e fome as coloca em maior perigo e exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia marital e intrafamiliar.<\/p>\n<p><strong>Viol\u00eancia que aumenta<\/strong><\/p>\n<p>A viol\u00eancia machista continua aumentando no mundo inteiro, recentemente a OMS publicou um informe alarmante que indica que mais de 1 mulher em cada 4 no mundo sofreram viol\u00eancia de g\u00eanero. Os feminic\u00eddios aumentam e as poucas linhas ou servi\u00e7os de ajuda \u00e0s v\u00edtimas da viol\u00eancia est\u00e3o saturados e com um aumento importante na quantidade de den\u00fancias desde o in\u00edcio da pandemia.<\/p>\n<p>Os \u00edndices de viol\u00eancia variam e aumentam \u00e0 medida que os pa\u00edses s\u00e3o mais pobres. As jovens, as negras e as ind\u00edgenas s\u00e3o as que est\u00e3o mais expostas, e as mulheres trans, que ademais sofrem \u00f3dio lesbobitransf\u00f3bico.<\/p>\n<p>Embora temos vindo de processos de triunfo ao conseguir o aborto legal em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, a viol\u00eancia sexual e o impedimento ao planejamento familiar por parte dos governos, continua sendo um fato ineg\u00e1vel de viol\u00eancia. As mortes por aborto clandestino, a pris\u00e3o e castigo \u00e0s que recorrem ao mesmo, s\u00e3o ainda muito altas.<\/p>\n<p>A mortalidade materna disparou no mundo, em alguns pa\u00edses duplicou \u2013 como no caso da Col\u00f4mbia \u2013 e em outras triplicou, por causa das mortes diretas por Covid, mas principalmente por causa de gravidezes n\u00e3o desejadas pela queda abrupta de servi\u00e7os de anticoncep\u00e7\u00e3o, que levaram a um aumento de abortos inseguros, e ao deficiente atendimento pr\u00e9 \u2013 natal, produto do fechamento de maternidades e desvio de recursos para atender a COVID. Estas mortes atacaram as mulheres mais pobres, rurais, racializadas e milhares de meninas.<\/p>\n<p><strong>A luta \u00e9 o \u00fanico caminho<\/strong><\/p>\n<p>Entretanto, n\u00f3s n\u00e3o somos v\u00edtimas indefesas e as mulheres est\u00e3o \u00e0 frente de v\u00e1rios processos de lutas. Com hero\u00edsmo resistem \u00e0 invas\u00e3o na Ucr\u00e2nia. Sa\u00edram junto ao povo cubano contra a ditadura. Na Col\u00f4mbia conseguiram a descriminaliza\u00e7\u00e3o total do aborto at\u00e9 24 semanas, assim como a descriminaliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m avan\u00e7ou no M\u00e9xico e no Chile est\u00e1 sendo debatido.<\/p>\n<p>H\u00e1 anos que os levantes femininos tem protagonismo na luta de classes mundial, lamentavelmente este ano as dire\u00e7\u00f5es feministas majorit\u00e1rias optaram pela passividade ou chamadas formais. Em tempos em que a luta se torna mais necess\u00e1ria do que nunca, nos chamam para confiar nos governos \u201cprogressistas\u201d que muitas refer\u00eancias integram, e se n\u00e3o, onde a direita governa, organizam plataformas eleitorais e atrasam a luta direta.<\/p>\n<p>Apesar da presen\u00e7a de mulheres em postos de poder ser uma express\u00e3o da justa luta que damos no dia a dia, n\u00e3o apenas \u00e9 insuficiente, mas tamb\u00e9m \u00e9 usado pela burguesia para dizer \u00e0s trabalhadoras que confiem em seus governos por terem \u201cuma delas\u201d entre suas fileiras.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o s\u00e3o esses governos nem essas refer\u00eancias quem dar\u00e3o a n\u00f3s o que merecemos. S\u00e3o esses mesmos governos, e muitas vezes essas mesmas mulheres, que aplicam planos de ajuste, continuam segmentando o acesso \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o no mundo, realizam reformas trabalhistas, n\u00e3o aumentam os or\u00e7amentos da sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e sobretudo quem prioriza os lucros acima das nossas vidas e nos condenam ao desemprego, \u00e0 fome e \u00e0 viol\u00eancia.<\/p>\n<p>As conquistas obtidas s\u00e3o importantes e por isso lutamos com muita tenacidade, mas \u00e9 insuficiente enquanto continuarmos vivendo em um mundo capitalista. Precisamos de uma revolu\u00e7\u00e3o socialista para acabar com este sistema assassino, que usa a opress\u00e3o que n\u00f3s mulheres sofremos para nos dividir como classe e nos explorar mais, nos pagar menos sal\u00e1rio que aos homens, para sermos as desempregadas em massa que pressionam para baixar as conquistas trabalhistas do conjunto da classe oper\u00e1ria. Porque ademais, o capitalismo ignora as tarefas dom\u00e9sticas e de cuidado que deveria garantir de forma coletiva, colocando-as nas costas das trabalhadoras e mulheres pobres.<\/p>\n<p><strong>As trabalhadoras \u00e0 frente<\/strong><\/p>\n<p>Para conseguir uma luta consequente contra o machismo, s\u00f3 podemos confiar em nossas pr\u00f3prias for\u00e7as, na luta nas ruas e na solidariedade e luta comum de toda a classe oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>Mas na luta contra o machismo e a opress\u00e3o, queremos e precisamos do apoio dos homens trabalhadores, porque o machismo que oprime, humilha e explora as mulheres, serve tanto para dividir e enfraquecer a classe, como para aumentar a explora\u00e7\u00e3o de todos os trabalhadores. Neste sentido, somos contra todas as vis\u00f5es separatistas contr\u00e1rias \u00e0 batalha, para que os homens rompam com seu pr\u00f3prio machismo e venham lutar conosco.<\/p>\n<p>A luta pelos nossos direitos tem que ser a luta de toda a classe oper\u00e1ria, para que nossos companheiros deixem tamb\u00e9m de reproduzir o machismo e que nossas organiza\u00e7\u00f5es combatam esse flagelo em nosso interior para que n\u00f3s tenhamos um lugar na luta comum. A luta n\u00e3o \u00e9 de forma separada, \u00e9 de forma comum combatendo o machismo no interior da nossa classe. N\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda para acabar com a opress\u00e3o sem derrubar este sistema capitalista que nos oprime e destr\u00f3i.<\/p>\n<p>As mulheres ucranianas est\u00e3o dando exemplos de valor e hero\u00edsmo, embora o governo de Zelenski as orientou a abandonar o pa\u00eds, muitas optaram por ficar e inclusive voltar para empunhar armas e combater os soldados russos. Vemos as mulheres preparando coquet\u00e9is molotov e alistando-se para o combate, assim como mulheres russas mobilizando-se em seu pr\u00f3prio pa\u00eds contra a invas\u00e3o. A criminalidade de uma situa\u00e7\u00e3o b\u00e9lica tamb\u00e9m ataca com mais dor nas mulheres, e \u00e9 por isso que neste 8 de mar\u00e7o \u00e9 necess\u00e1rio sair \u00e0s ruas pela derrota de Putin e sua invas\u00e3o.<\/p>\n<p>Neste 8M escolhemos lutar, com as trabalhadoras \u00e0 frente, chamando toda a classe oper\u00e1ria e os oprimidos do mundo para que lutem junto a n\u00f3s, que abracem as demandas femininas e se somem \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da luta por um mundo socialista.<\/p>\n<p><strong>Por um 8M de luta!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pela derrota da invas\u00e3o militar russa na Ucr\u00e2nia!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Unidade da classe trabalhadora contra o Machismo e o capitalismo!<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cada 8 de Mar\u00e7o lutamos pelos direitos das mulheres em todo o mundo, mas este ano, n\u00e3o \u00e9 mais um ano no calend\u00e1rio. 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